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Archive for Maio, 2011

A Iniciação no Jeje Mahi

De um modo geral, a iniciação no Jeje é mais complicada do que a iniciação da Nação Ketu, a começar pelo tempo de reclusão dos neófitos que no passado durava até um ano. Hoje, devido ao ritmo de nossas vidas, este tempo caiu para seis meses. Três meses a vodunsi fica dentro do Hundeme (quarto de santo) e os outros três meses fora dele, mas ainda na roça. Durante seu período de iniciação a Vodunsi passará por várias etapas, entre as quais pode-se citar Sakpokàn ou Sarakpokàn, Vivauê, Kán, Duká, Zò, Sanjebé, Grá (ou Grã), etc. Dentre estes os de maior destaque o Sakpokàn e o Grá.

A iniciação no Jeje Mahi sempre contece com formação de “barcos” ou “ahamas”, pois pela tradição nunca se recolhe uma única pessoa e nem barcos com números pares de componentes, levando ao entendimento de que sempre que houver iniciação deve-se ter no mínimo três Vodunsis em processo, na roça. Em geral cada sacerdote ou sacerdotisa Jeje Mahi, durante seu comando, não recolhem muitos barcos; a quantidade controlável de filhos de santo é muito importante, pois há um ditado que diz “é melhor ter poucos filhos bons a muitos ruins”. Na Casa das Minas também não é diferente.

A iniciação da Vodunsi começa com a filha “bolando” (caindo) aos pés da arvore consagrada a seu Vodun (atinsá), e ali ela permanecerá desacordada durante sete dias e sete noites. Dizem que já houve casos de vodunsis consagradas a voduns aquáticos que ficaram esse período na água. A ordem das vodunsis no barco se dá pela ordem conforme elas vão “bolando” nos atinsás, assim teremos:

  • A primeira será Dofona (o) ( Dòfònun)
  • A segunda será Dofonotinha (o) (Dòfònuntín)
  • A terceira será Fomo (Fòmò ou Yòmò)
  • A quarta será Fomotinha (o) (Fòmòtín)
  • A quinta será Gamo (Gàmò)
  • A sexta será Gamotinha (o) (Gàmòtín)
  • A sétima será Vimo (Vimun)
  • E ainda pode-se seguir vimotinho, dimu, dimutinho, etc.

Durante o tempo que a Vodunsi permanecer debaixo do atinsá de seu Vodun, será cuidada pelos Ogãs e Ekedjis. Neste período, a mãe de santo (ou pai) é proibida de ir ver a filha. Isso por que a(o) zeladora(o) pode sentir pena da Vodunsi e de certa forma pode querer ajudá-la, afim de aliviá-la de seu estado. Acabando os sete dias, a vodunsi ainda desfalecida será levada pelos ogans até o zelador, no Hundeme, para que este inicie a feitura. O momento em que a vodunsi acorda do desfalecimento é considerado como um renascimento, após passar pela morte ritual e acordar numa nova vida, agora como Vodunsi, um compromisso que deverá carregar consigo por toda sua vida. A partir daí a vodunsi passará por processos de limpezas, descarregos, banhos de ervas, ebós, e durante uma semana deverá descansar até o dia do Sakpokàn ou Sarakpokàn. O Sakpokàn é uma cerimônia que acontece sete dias após o inicio dos rituais de feitura, quartorze dias após o “bolar”, na qual a vodunsi dança manifestada com seu Vodun. A dança é desajeitada e desordenada. O Sakpokàn também representa a despedida da Vodunsi de seus familiares que forem assistir ao ritual, que só verão a vodunsi novamente meses depois, no “dia do nome”. No dia do Sakpokàn a Vodunsi será raspada e catulada. Das etapas de iniciação que a nova Vodunsi deve passar, a mais intrigante e misteriosa é o Grá.

O Grá

O Grá é uma divindade ou entidade violenta e agressiva que se manifesta na Vodunsi apenas na sua iniciação, durante três dias, e próximo ao “dia do nome”. O principal objetivo do Grá é matar o(a) zelador (a) que deverá permanecer escondido nos aposentos da casa durante os três dias em que o Grá estiver manifestado. O Grá é acompanhado pelos Ogans, Ekedis e algumas Vodunsis antigas que farão com que ele realize algumas penitências, fazendo-o cansar. Há um número certo de pessoas que poderão acompanhar o Grá que durante estes três dias ficará solto pelo pátio da roça comendo tudo que encontrar como folhas de árvores e frutos caídos, motivos estes que exigem que a roça seja grande e com bastante árvores. As pessoas que acompanham o Grá, assim como ele mesmo, carregam um porrete com o qual ele tenta agredir as pessoas e realiza sua penitência, que tem como objetivo levar todo mal e toda energia negativa da Vodunsi, e também o objetivo principal de cansar o Grá para que ele não cause tanto transtorno. Durante os dias de penitência, os acompanhantes entoam certas cantigas específicas. Após os três dias procurando o(a) zelador(a), o Grá tem o encontro tão esperado, que acontecerá no Agbasá (salão de dança). Ao som de paó e adahun, o Grá entra pela porta principal do Agbasá  e se deparara com o(a) zelador(a), que estará sentado(a) em uma cadeira esperando por ele, partindo pra cima do mesmo para matá-lo. Neste instante todo cuidado é pouco, pois o Grá pode ferir o(a) zelador(a). Quando o Grá adentra o Agbasá, os Ogans correm para tirar-lhe o porrete que ele luta para não entregar. É um momento de extase. Nesse instante os tambores tocam com mais força e o(a) zelador(a), então nervoso e sem poder sair da cadeira, entoa uma cantiga e a Vodunsi cai desfalecida no chão e logo em seguida é pega pelo Vodun. É um alivio total e o ritual do Grá chegou ao fim. A quem diga que o Grá é um Erê malvado, outros dizem que é o Exu do Vodun, outros ainda dizem que é o lado negativo do Vodun ou mesmo da própria Vodunsi, um lado animalesco e primitivo seu, que está no seu inconsciente, que manifestou-se em seu renascimento e que foi mandado embora para sempre. O Grá despeja pra fora toda raiva e o ódio da Vodunsi. Como se depois do Grá não houvesse mais ódio, raiva, rancor dentro da Vodunsi, somente o que é bom e benéfico. Significa que a Vodunsi nunca mais sentirá fome, nunca mais vai dormir no relento, nunca mais irá confrontar ou agredirá seu(a) zelador(a), fisicamente ou com palavras, pois o Grá levou isso com ele. O ritual do Grá envolve muitas simbologias e interpretações que pelas leis do Jeje não poderei citá-las aqui.

O Dia do Nome

O Dia do Nome é um dia muito especial, com cerimônia pública (Zandró) no Jeje Mahi. O Vodum manifestar-se-á em sua Vodunsi e vai dançar na sala. Antigamente, uma única pessoa era escolhida para tomar o nome particular (Hún ìn) do Vodun de todas no “barco”, sendo considerado(a) padrinho ou madrinha do “barco”. Hoje geralmente são escolhidos mais de uma pessoa para esta tarefa. Após este dia, a iniciante agora sim é uma Vodunsi.

As vodunsis sempre usam seus nomes religiosos, determinado por sua posição no barco e seu vodum, assim poderemos ter, por exemplo, Dofona Ongorensi (feita de Gbesén), Dofonotinha Sogbosi (feita de Sògbò), Fomo Togbosi (feita de Aziri Togbosi), Fomutinha Òsúnsi (feita de Osún), Gamo Lokosi (feita de Loko), e assim por diante. Se a Vodunsi atingir um grau sacerdotal apenas acrescentará a frente de seu nome, o cargo, desta forma: Mègitó Dofona Ongorensi, Doné Dofonotinha Sogbosi, Gaiaku Gamo Lokosi.

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SOCIEDADE OGBONI.

Por: Oluwo Ifarunaola Efunlase.
http://www.efunlase.com

Na Nigéria existe uma tendência muito forte de formar associações e corporações devido a sua grande extensão de terras e também uma forte expressão política, estas associações são formadas com o interesse comum de proteger a população em economia, política, recriação e religião. A sociedade secreta Ògbóni é encontrada em terras Yorubá, e sustentada pela tradição de ter surgido nos primórdios de Ilé Ifè. Venera a terra como fonte da vida, simbolizada pelo orixá Edan…” Segundo um itan do Odu Irosun-Iwori, num antigo período da história da humanidade, esta vivia em total anarquia, promovendo sucessivos incidentes de roubos, assassinatos e violações de toda ordem de abuso aos códigos éticos ditados pelos ancestrais. Alguns habitantes pediram a interferência de Orunmilá, para que colocasse um paradeiro naquela situação alarmante. Orunmilá ordenou que se realizassem sacrifícios e aqueles que cumpriram as instruções de Ifá prosperaram em segurança.  Depois disso, Orunmilá retirou-se aos céus, entregando a Edan a responsabilidade sobre a Terra.  Edan firmou um pacto e aqueles que juraram mantê-lo, puderam viver em paz,  harmonia,  justiça e prosperidade.

Após longo tempo de permanência na Terra, Edan retornou aos céus, delegando a um grupo de pessoas responsáveis a tarefa de supervisionar e fazer cumprir as leis estabelecidas. Este grupo se uniu em fraternidade, tornando-se a conhecida Sociedade Secreta Ogboni. 
Ainda hoje, Ogboni mantém ritual iniciático baseado num pacto que estabelece e faz cumprir o seu elevado código ético, zelando pela justiça, verdade, lealdade e proteção.

A justiça de Ogboni é firmada com a própria Terra – Onilé, que detém a prioridade em todos os ritos.   Dela sai o sustento de todos os seres que nela habitam, dela saiu o barro primordial com que Obatalá modelou o ser humano. Dela viemos, nela nascemos e recebemos a oportunidade da vida, dela somos alimentados e a ela alimentaremos, por ocasião da morte.

Conta o itan que Olodunmare concedeu cada reino da natureza a um òrisá, assim, sempre que um ser humano expressasse alguma necessidade relacionada a um dos reinos, deveria pagar uma prenda em forma de sacrifício ao òrisá correspondente.   Restou de todos os reinos, o próprio planeta Terra, que foi concedido a Onilé. O seu tributo seria a própria vida, pois nela repousam os corpos e restos de tudo o que já não vive. Onilé deveria ser propiciada sempre, para que o mundo continuasse a existir, gerando continuamente, nova vida e assegurando a continuidade do planeta.

Com o objetivo de promover a harmonia com a natureza, Ogboni venera Onilé – os senhores da  Terra – como fonte da Vida, simbolizada pelo òrisá Edan.    Daí resulta que todo aquele que transgredir o pacto estabelecido pela Lei de Ogboni, deverá, – incondicionalmente, prestar contas à Edan – a própria Terra.

Outra atividade dessa sociedade é a de detectar as ofensas feitas aos Orixás, para logo penalizar rigorosamente  os culpados. A cerimônia feita por essa sociedade mística se realiza em um lugar sagrado e nesse lugar são depositadas inúmeras oferendas.

Graças a seu poder espiritual os Ògbóni podem alcançar posições em nível social e políticos. Eles são facilmente reconhecidos porque usam um Opa-Edan, feito de ferro nas extremidades, ressaltam as figuras de uma mulher e outra de um Homem.  O chefe do culto de Ogboni é um iniciado que atinge o grau de Oluwo ( pai do segredo) e é portador do shaki – uma estola que o distingue como detentor de honra e respeito.

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OLUWO IFARUNAOLÁ IFABAJO AWOYADE, Willer de Almeida.

Na lógica da Religião Yorùbá, Olódùnmarè, nosso Deus maior, onipotente e onipresente dentro de sua imensa sabedoria quando criou o homem à sua semelhança e perfeição e determinou sua vida na terra, nos deixou também uma forma para que pudéssemos conhecer a trajetória de nosso destino e desta forma minimizar nosso sofrimento, enquanto seres que desconectados do EU Divino, sozinhos, não temos noção de nossas vidas, nem para onde ir, nem o que fazer diante das inúmeras situações que nos deparamos em nosso dia a dia.
Esta bússola que nos conduz a ir em direção daquilo que é o melhor para todos nós é Òrúnmìlà-Ifá aquele que Olódùnmarè permitiu que fosse a testemunha da criação de tudo o que na terra existe, portanto o “guardião dos segredos”, que estava presente em nossa criação primeira e também a cada vez que aqui retornamos no processo de evolução.

Òrúnmìlà-Ifá, portanto é aquele que através do jogo divinatório fala o seu passado, seu presente e seu futuro. É o código decifrado do destino individual de cada ser humano, que trazemos quando nascemos, sendo um culto específico onde os portadores desta sabedoria são chamados de Bàbáláwò, “o Pai dos Segredos”.
No Culto a Ifá, os Bàbáláwò são pessoas escolhidas pela divindade através do jogo de Opele-Ifá, pois necessitam reunir em sua personalidade um caráter compatível com a missão que será desenvolvida, e onde não é permitido a traição, a falsidade, o orgulho, a vaidade, tendo que reunir uma forma de caráter muito especial, além da inteligência, para ser um iniciado. Neste Culto as pessoas não se candidatam a Bàbáláwò. Na África, após o nascimento de uma criança ela já é levada a um Bàbáláwò para que os pais saibam o que será melhor para o seu destino, e desta forma encaminhada para a missão na qual nasceu. Os escolhidos, quando atingem a idade necessária são encaminhados então ao templo e ali com os anciãos serão iniciados no culto e passam a adquirir o conhecimento dos segredos, a conduta necessária para que nunca percam este poder e a forma de como ajudar aos outros em qualquer tipo de aflição.
Dentre estes escolhidos, alguns serão encaminhados para ser Bàbáláwò, e outros para ser o Omo-Ifá, aqueles que acompanharão o Bàbáláwò em tudo o que fizerem, mas que nunca poderão atingir ao grau maior da sabedoria embora esteja presente e ciente de todos os rituais sagrados. Este código será decifrado através dos 16 Odù, que são os 16 Òrìsà primordiais, ou seja, o retrato de nosso caminho na terra que podem ser multiplicados por mais 16 e assim por diante, podendo chegar a 23.368 poemas de Ifá, retratando todas as formas emocionais e os problemas adquiridos pelo ser humano. Para cada caminho (destino) existem inúmeras rezas e ensinamentos passados oralmente ao iniciado permitindo com isto que além de conhecer nosso sofrimento apresente também a sua solução. Olódùnmarè não nos deixaria aqui somente para sofrer e andarmos desgovernados, isto não está incluso na lógica da criação, a única coisa é que o poder do conhecimento não pode estar nas mãos de qualquer um, uma vez que os níveis do caráter humano não são iguais, e que na maioria das vezes as pessoas vão moldando sua forma de ser de acordo não com o seu código interior, mas sim refletindo a força externa da sociedade em que vive.
Este treinamento requer muitos anos, de prática, rituais, e absorção do conhecimento, até que recebam de seus anciãos a autorização final para também desempenhar a função de Bàbáláwò.

Os Bàbáláwò adquirem poderes e como a própria tradução diz “Guardião dos Segredos”, seus poderes sobrenaturais são inúmeros e chegam além da morte, pois dentro dos ensinamentos aprendem a manipular poções e magias que podem curar inúmeras doenças, trazendo vida às pessoas muitas vezes desenganadas pela ciência comum. Além da cura, eles têm conhecimentos no preparo de magias para que tenhamos proteção contra a violência, acidentes, alcançarem a prosperidade, resolver casos amorosos, trabalhando com as folhas (Ewé), conseguem passar de um elemento para o outro o campo das energias em prol da felicidade do ser humano.

No campo espiritual eles podem ouvir a palavra dos ancestrais, em qualquer lugar do mundo, pois conhecem a língua sagrada. Seus conhecimentos permitem que interrompam o ciclo de uma criança Àbíku ( que nascem e morrem em poucos dias, ou que sobrevivem sob o perigo da morte constante), evitando novo sofrimento para seus pais, assim como o culto a Egbe ( grupos espirituais que ficam no astral para atrapalhar as pessoas). Cultuando as Ìyáàmi Osoronga, (as Mães Feiticeiras), podem se transportar de um local para outro, e vir à presença dos mortos que vivem junto de nós.

Fonte: aseomooduduwa

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Um texto que eu gostaria de ter escrito.

Oke Aro Erinlé, Ajàjá, Bábá mi.

Todos os dias quando eu acordo, lembro dos meus Caminhos…

Erinlé aponta para o amanhecer e me diz: “está vendo aquele sol ali? Agradeça a Deus que o deu a você, sem ele você não sobreviveria”. E continua: “está sentindo esse ar enchendo os seus pulmões? Agradeça a Deus que o deu a você, sem ele você não sobreviveria”. E Erinlé me pergunta: “gostou da noite que você dormiu e do conforto do seu sono? Agradeça a Deus que os deu a você, sem eles você não estaria pronto para o dia de hoje”.

E por mais este dia, Erinlé me diz: “agradeça a Deus que hoje você está vivo para aprender mais, crescer mais e evoluir mais. Agradeça a Deus que te deu mais este dia pela sabedoria ao trilhar os seus caminhos de aprendizado, crescimento e evolução”.

Começo a caminhar, e então, Erinlé aponta para o chão e me diz: “está vendo esta terra que você está pisando? Agradeça a Deus que a deu a você, sem ela você não seria quem será amanhã”.

Tomo meu banho, escovo meus dentes, bebo água, uso perfume, sabonete e roupa limpa, e Erinlé me diz: “veja quanto conforto você tem. Agradeça a Deus que você tem saúde para trabalhar e conquistar tudo isto e muito mais. Cuide da saúde que Deus te deu”.

Preparo meu café e, quando vou comer, Erinlé me diz: “está vendo esta comida que você vai comer? Agradeça a Deus que a deu a você. Quantas pessoas lá fora gostariam de comê-la e ela é sua por direito. Agradeça!”.

Saio de casa, chego ao trabalho e Erinlé me diz: “está vendo quantas pessoas há ao seu redor? Está sentindo quanta coragem você tem de enfrentar o mundo e vencer? Agradeça a deus pela sua Vida, pois o trabalho é seu e coragem muita gente pede, mas mesmo assim nem todos que pedem-na aceitam tê-la”.

E Erinlé me disse: “Deus te deu a Vida como professora, para você aprender a viver neste mundo, para você creser e servir de norte aos pequenos, e para que você evoluir mais e cumprir sua missão”. Erinlé me disse: “agradeça a Deus!”.

E eu agradeci a Deus por todas estas coisas e por muito mais. Agradeci a Deus mais ainda por ter colocado Erinlé na minha vida, meu amigo, meu pai, minha raiz, do qual eu descendi, e que me lembra todos os dias da minha pequenez diante de Deus e do quanto eu tenho de suar para me tornar um grande motivo de viver aos que ainda são pequenos.

Agradeci a Deus por ter me dado um amigo tão bom quanto o Caçador, que me acompanha por toda a Vida neste mundo tenebroso, nesta terra maravilhosa, nestes caminhos de aprendizado do que é viver. Agradeço à Vida por tudo o que aprendi e ainda vou aprender.

Ai de mim, pela minha pequenez, porque sou nada e recebo tantos presentes todos os dias. E nenhuma dor eu senti, nenhuma dificuldade eu passei, nenhuma mágoa eu recebi ou em nenhuma prova me decepcionei que não me fossem necessárias para aprender, crescer, evoluir e perceber o quanto ainda sou pequeno e tenho de crescer.

E Erinlé mais uma vez me fez lembrar de Deus e disse: “você foi colocado aqui para viver!”. ♐

POR KLEVERTON JOURNAUX

Ire o.

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  •  Esta lenda é originária do nordeste de Angola.

            Essa lenda conta  como aconteceu a primeira Mukanda (circuncisão) de um Tchokwé, e como isso passou a ser um ritual obrigatório entre os homens desse povo, segundo o Soba Kaúka, da aldeia de Nakalumbo.

 – Andava certo dia Safuanandenda Lunga, filho mais velho do Soba Variekelenwene, pescando no rio quando, ao passar descuidadamente e nu, junto a um capim grosso (Mwenkenene) a folha desse capim o circuncidou.

            O jovem, envergonhado e temeroso, em vez de voltar para a aldeia, escondeu-se numas biçapas (moitas)  que se aglomeravam no caminho para o rio.

             O tempo foi passando, os dias viram semanas, sem que o rapaz se decidisse a voltar para junto da família; e durante esse tempo, sobrevivia alimentando-se do que pescava e caçava na sua solidão.

            Fez ele próprio arco, flechas e lança, improvisou anzóis e armadilhas, observou os bichos comendo frutas e tubérculo silvestres, dos quais também se serviu para se nutrir, quando falhava a caça e a pesca.

             Passou-se muito tempo, e já a ferida estava cicatrizada, quando Safuanandenda, saturado do seu exílio voluntário, se decidiu a voltar ao convívio do Mussôco.

            Ainda envergonhado, para que não o reconhecessem, talhou numa cabaça o formato de uma máscara, colocou-a na cabeça e entrou na aldeia.

             O espanto que causou foi enorme, tinha deixado de ser um rapazinho de quem todos se lembravam; era agora um homem auto-suficiente e experiente, a quem todos passaram a respeitar. Com a sua máscara infundia respeito entre os homens. Quanto às mulheres, dada a sua originalidade anatômica, todas passaram a assediá-lo.

            As provações e auto-aprendizado por que passara, além de lhe desenvolver o corpo, deram-lhe um autodomínio que magnetizava a todos que com ele conviviam.

            Apesar da pouca idade passou a ter lugar de destaque entre os homens, e nada se decidia, sem que ele fosse consultado, e a sua opinião escutada.

            Os homens o respeitavam, as mulheres o desejavam, e todos o admiravam; admiravam a sua astúcia, a sua calma, o seu bom senso e a sua agilidade.

             O fenômeno tomou proporções que levou o conselho dos velhos a reunir-se, e a chegar à conclusão que a Mukanda (circuncisão) só podia ser benéfica a púberes da tribo, deveriam a partir dessa data, submeter-se às mesmas coisas, e na mesma seqüência em que haviam acontecido com Safuanandenda.

            Chamaram o Sobeta, e o convidaram para mestre de cerimônia e operador, orientando a par e passo todos os atos dos jovens púberes.

             E assim teve início o ritual da Mukanda Kandongo

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Cargos da Nação Jeje

  • Sacerdotais:
  1. Vodúnnɔ̀ (Vodunnon): Sacerdote do culto ao Vodun. No Benin, o sacerdote recebe título conforme seu vodun, por exemplo, o vodunnɔ̀ de Sakpata chamam-se Sakpatanɔ̀, o vodunnɔ̀ de Avimaje é o Avimajenɔ̀, e assim por diante.
  2. Toy Vodunnɔ̀ (Tói Vodunnon) ou Tɔ́cέ (Tochê): Sacerdote dos cultos de Mina Jeje (Tambor de Mina)
  3. Nɔ́cέ (Nochê): Sacerdotisa dos cultos de Mina Jeje (Tambor de Mina)
  4. Bakonnɔ̀ (Bakonon) Sacerdote de Fá, adivinhador.
  5. Hùngbónɔ̀ (Rumbôno ou Rumbônon)): Sacerdote do culto ao Vodun, preferencialmente aquele cujo Vodun é um Nagô. Pode designar o filho mais velho de uma casa de santo. No Benin designa o terceiro estágio sacerdotal, uma espécie de “bisavô” de santo.
  6. Găyăkú ou Gănyăkú (Gaiakú): Título sacerdotal, designa a pessoa cujo Vodun é um Nagô e/ou que tenha iniciado pelo menos um filho para um Vodun Nagô. No Sejá Hundê é o título de todas as sacerdotisas.
  7. Donέ (Doné): Título dado às sacerdotisas cujo Vodun pertence à familia de Hevioso e/ou que tenha iniciado pelo menos um filho para um Vodun desta família.
  8. Dotέ: Título dado aos sacerdotes cujo Vodun pertence à familia de Hevioso e/ou que tenha iniciado pelo menos um filho para um Vodun desta família.
  9. Mεjitɔ́ (Mejitó): Título sacerdotal, designa a pessoa cujo Vodun pertence à família de Dan e/ou que tenha iniciado pelo menos um filho para um Vodun desta família. Alguns definem que todo(a) sacerdote(a) que tenha iniciado filhos pode ser denominado Mejitó. A palavra Mεjitɔ́ é traduzida como Mε: pessoa; jitɔ́: gerar, dar origem, podendo significar “pai” ou “mãe”.
  10. Hùngán: É o sacerdote ou sacerdotisa que formou pelo menos um sacerdote, uma espécie de “avô” de “santo”.

Obs: Uma mesma pessoa pode usar os vários títulos, por exemplo, um mesmo sacerdote será Doté para seus filhos iniciados para Hevioso e Megitó para seus filhos iniciados para Dan, embora prevaleça o título cabível para seu Vodun.

  • Rodantes:
  1. Vodúnsì ou Hùnsì: filha ou filho de santo que vira com o Vodun, corresponde a Yawo do Ketu. Segundo o vodun, a vodunsi pode ser:

A) Ogunsì, Gunsì ou Togunsì: Filhos de Ògún (Gún ou Tògún). Grafa-se Gǔnsìou Ògǔnsì, em fongbé;

B) Aguesì: Filhos de Agué. Grafa-se Agεsì, em fongbé;

C) Odésì: Filhos de Odé;

D) Otolusì: Filhos de Otolu. Grafa-se Otólùsì;

E) Sògbòsì: Filhos de Sògbò;

F) Lokosì: Filhos de Loko;

G) Badésì: Filhos de Badé;

H) Òsúnsì: Filhos de Òsún;

I) Yemanjásì: Filhos de Yemanjá;

J) Tɔgbosì: Filhos de Aziri Togbosi;

K) Azirisì ou Azlisì: Filhos de Naé Aziri;

L) Nanansì: Filhos de Nanã;

M) Pararasì: Filhos de Parará (ou Pararalibu);

N) Avimadjesì: Filhos de Avimadje;

O) Lisasi ou Agamavi : Filhos de Lisa. Grafa-se: Lisàsì (tradução: Lisà = albino + sì = esposa). Grafa-se: Aganmàví (tradução: Aganmà = camaleão + Ví = filho ou descendente);

P) Sakpatasì: Filhos de voduns da família de Sakpata;

Q) Dansì: Filhos de voduns da família de Dan;

R) Ongorensì: Filhos de Bessém.

S) Frekwensì ou Kwenkwensì: Filhos de Frekwen (Kwenkwen), e também podem ser chamados de Ongorensì.

T) Kposusì: Filhos de Kposu;

U) Oyásì: Filhos de Oyá;

V) Ahuansì: Filhos de Ogun e  Oyá. Grafa-se Axuàsì;

W) Ewásì: Filhos de Ewá;

X) Ojikunsì ou Jikunsì: Filhos de Dan Jikun (ou Ojikun);

Y) Adeènsì: Filhos de Adeèn;

Z) Hùnsì: o mesmo que vodunsi.

  1. Etemi: significa “meu mais velho”, é a vodunsi que completou 7 anos de feitura, o mesmo que egbomi no Ketu.
  2. Hùnsɔ́ (Runsó): Cargo que designa a mãe pequena. Se grafarmos Hùnsò (pronuncia: Runsô) Teremos a tradução: Hùn = Vodún + Sò = Raio. Ou seja, diríamos Vodún do Raio. Um adjetivo para o vodún Sògbò.
  3. Derέ (deré): Mãe criadeira, é aquela responsável pelo ensinamento às (aos) novatas (os).
  4. Derέ-vitú (deré vitu): cargo que substitui a mãe-pequena ou a deré.
  5. Abosé (abôssé): Responsável pelos carregos e segurança da casa, normalmente é dado a um filho de Gu, pois o vodum também toma cargo.
  • Ekedjis:
  1. Gonzegan: Ekedji responsável pelo Grá.
  2. Dogan (dôgan): pessoa responsável pela comida dos voduns. Esse cargo pode ser ocupado tanto por uma ekedji como por uma vodunsi.
  3. Nandevó: Ekeji responsável pelas roupas utilizadas pelos voduns, geralmente são pertencentes ao vodun Lissá.
  4. Nandokpé: Responsável pela limpeza dos assentamentos e pedras dos voduns. (Não confundir com Nadopé  – despedida dos voduns jeje-mina).
  • Ogãs:
  1. Kpεnjígán (Pejigã): Responsável por todos os pejis da casa, é quem sacrifica os animais de 4 pata. Significa: Kpεnjí = sobre o altar + Gán = senhor. Trazendo a idéia de ”Senhor que zela o altar”. Ou ainda: Kpεn = pedra + Jí = verbo gerar + Gán = senhor. Trazendo idéia de “O senhor que gera (ou dá a vida) à pedra”.
  2. Gannyikpέn (Gaimpê): Auxiliar do Kpέnjígàn, responsável pela invocação dos voduns. Pode substituir o kpέnjígàn.
  3. Agbájígán (Bajigã): Responsável pelo agbasá (salão) e pelos cânticos. Também cuida dos pátios e dos atinsás.
  4. Gánkutó: Responsável pelos ritos aos ancestrais e por Ayizan.
  5. Gantó: Responsável pelo Gã, instrumento de metal que tem a mesma importância que os atabaques. É utilizado em todas as cerimônias.
  6. Sojatin: Responsável pelos cuidados específicos dos Atinsas – as árvores sagradas. Pode também ser o conhecedor das folhas.
  7. Húntó (runtó): dono do tambor. Responsável pelos atabaques, cantigas e rezas.
  8. Húntógán (runtogã): Chefe dos húntó.
  9. Rundevá, Rundeví, Seneví : Títulos dados em hierarquia para os ogans tocadores de atabaque (Rum, Rumpi, Lé).
  • Não iniciados
  1. Kajèkaji (Kajekaji): Nome que designa todo aquele que não foi iniciado.
  2. Kosi: Pessoa não iniciada e que não entende nada do culto.
  3. Ahε (Aré): Pessoa não iniciada, porém frequenta o culto.
  4. Ahè (Arê): Pessoa recém-iniciada.

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EBÓ EJÉ (SACRIFÍCIO)

Sacríficio é uma palavra que devemos ressaltar em nosso culto, quando ofertamos qualquer elemento ao Òrìsá devemos tratá-lo também como EBÓ.

Ebó é todo elemento ofertado a uma força espiritual, seja ela de que natureza for, ajogun (forças negativas), irunmolé (òrìsás que não são funfun-branco) ou òrìsá funfun.

Quanto ao Ebó Ejé, oferecimento de sangue, as críticas tornaram-se cada vez mais contundentes, com  apoio externo, inclusive da mídia, que não perde a oportunidade de associar qualquer fato ligado ao nosso culto com Bruxaria, Magia Negra, Vodoo (como aspecto pejorativo) e etc…

É surpreendente como pessoas que são leigas nestes fundamentos e incapazes de resolver problemas gravíssimos que a religião Iorubá por inumeras vezes se defronta e resolve, vem nos atacar nos chamando de primitivos e incivilizados.

Creio que civilizado para eles, é a forma como os matadouros abatem estes animais, as touradas do México e da Espanha católica, os safáris, caçadas na Inglaterra anglicana, as rinhas de galo / cães e etc…

Não se questiona a vida perdida dos animais sem nenhum propósito, ufanismos à parte, o que importa é o produto final. O contrabando de animais silvestres e exoticos, criação de pássaros em cativeiro, criados em gaiolas como souvenir e pesca de arrasto que mata indiscriminadamente e vorazmente servem apenas para aguçar a vaidade de possuir um acessório de pele e/ou couro e a ganância financeira. As iguarias gastronomicas fornecidas por animais em extinção não é questionada, a vida perdida destes animais sem nenhum propósito, não passa de um meio.

Imolação maior fez o Cristianismo, a religião do amor, que com sua Inquisição e Cruzadas, dizimou milhares de vidas e faz-se vista grossa para tal acontecimento, tratado-o apenas como fato histórico, isto sim é inexpugnavél.

Discriminar e perseguir religião alheia é certamente muito mais grave que qualquer ato litúrgico praticado por nós.

Não somos dissimulados ao ponto de ignorar o ciclo de vida e morte, sabemos de nossas responsabilidades.

A Terra (Ikole Aiye), como um grande Ile ikú, alimentada por este ciclo de morte e renascimento desde os primórdios, nos fornece o material necessário impregnado dos elementos insubstituiveis para nossa liturgia, não podemos deixar que uma visão utópica transgrida essa lei sagrada.

Dentro do Velho Testamento encontraremos o Levitico, o terceiro livro da Bíblia atribuído a Moisés. Os judeus chamam-no Vayikrá. Basicamente é um livro teocrático, isto é, seu caráter é legislativo; possui, ainda, em seu texto, o ritual dos sacrifícios, as normas que diferenciam o puro do impuro, a lei da santidade e o calendário litúrgico entre outras normas e legislações que regulariam a religião.

A maioria das pessoas que consomem carne não se preocupa com a origem deste animal, seu abate e posterior comercialização, estão desconectados da realidade. Menciono também os vegetarianos, que ao tirar da terra legumes, verduras e hortaliças, também estão tirando vidas, neste caso, eliminando a seiva, sangue verde, a respiração, a fotossíntese, deixando de ser um ser vivo para lhe dar a vida.

Dentro do Culto Ioruba a imolação de animais é tratada com respeito, gbaduras e orikis, onde este sangue estará dando vida a outros e fertilizando a própria terra.

Lembrando o iton onde Olodunmarè determina que a terra, Onilè, será o principal receptáculo de todo oferecimento.

Dentro de Ifá, nos Odu Irete-meji e Oturupon’turá, Òrúnmìlá determina a troca dos seres humanos pelo dos animais, foi quando a cabra substituiu a filha de Òrúnmìlá no ritual de ebó ejè.

A permanência do ser humano sobre a Terra exige sacrifícios constantes. Sacrifício de tempo e de privação de algo em detrimento de outro, o sacrifício das transformações e a oferta de dinheiro à custa de esforço através do trabalho, todos girando em um processo interminável que se resume a dar e receber.

Os sacrifícios de animais praticados pela religião iorubana, vão além do ASÈ, servem para alimentar o povo, pois a carne é consumida pelo egbè.

Note-se que a vida animal oferecida através de ebó, dentro do Culto Yoruba, é rezada e seu espírito enviado  com todo o respeito a terra dos ancestrais e para os nove espacos do orun..

EBÓ.

Uma das três formas de asé encontrada  no reino animal é o Ejé, o sangue.

O sangue que nos dá a vida em sua plenitude, sempre foi considerado divino, não existe um laboratório que o fabrique, é a força divina em seu estado material.

Tudo incluído na composição da Terra esta contido, também, na composição do sangue. Por exemplo, zinco, água, minerais, ferro, magnésio, etc… Note-se que todos os reinos, seja ele mineral, vegetal ou animal, está contido em nosso sangue e vice-e-versa.

Sacrificar os animais não são regras e as orações específicas da ação dão graças a Deus pelo sacrifício.

Exemplo: O primeiro passo é agradecer a Deus pelo espírito do animal que vai em missão. Então, nós agradecemos a Deus pela comida, a carne que vamos comer, e agradecemos também a Mãe Terra, Onilè, que nos deu este alimento para sobreviver.

Os demais componetes liturgicos tem sua missão, tais como:

Obi:utilizado como oráculo para conversar com as energias e para onde encaminhar os  ebós, aplacar a ira de energias negativas e a fruta da vida onde no momento de comunhão com os Orisas a pessoa se conecta com sua ancestralidade.

Orogbo:utilizado para vida longa, aumento de resistência e perseverança da pessoa, quando utilizado com casca para que um segredo não seja revelado.

Oyin (mel):Utilizado para alegria, bem estar, harmonia, prosperidade e para que algo ou alguém nunca seja desprezado.

Epo (dendê):Elemento de efeito calmante, trás equilíbrio e facilidades.

Iyó (sal):Para sorte e preservação, para que a pessoa consiga manter suas conquistas. Dinheiro e vida longa.

Atare:Utilizado para consagrar o diálogo dar forças as palavras, utilizados em comidas e também para multiplicar os desejos.

Oti ( mais usado em rituais, Gin ) O GIN TEM COMO PRINCIPIO A PURIFICAÇÃO DA PALAVRA. E TAMBÉM O DESPERTAR DA ENERGIA. A FAVOR DO SUPLICANTE.

Owo eró:búzios utilizados para comprar AS DIVIDAS E A FALTA DE DINHEIRO das pessoas.

Moedas antigas:Utilizadas para pagar os Ajóguns (energias negativas que podem ou não estarem ligadas com as Yami.

Osun:usado para que a essência vital, simbolizando o sangue vermelho vergetal, para que o asè e as conquistas não se acabem.

Efun:para atrair o asé, representa a água.

Yerosun:Elemento sagrado de Ifá tem o poder de transmitir o asé de Odú ao que esta sendo feito, ativar o Odú Ifá.

E outros elementos mais.

Vemos então um conjunto de elementos que agrupados vão fornecer o produto final a ser enviado ao Alto, Ikolé Oorun.

Nossa religião, como uma das mais antigas, tendo sua ritualistica registrada nos Esès, ESCRITURAS SAGRADAS, ditadas por Òrúnmìlá e registradas por Ifá, o òrìsá da sabedoria e testemunha de tudo que existe no universo. Mobiliza e transfere este asé atravéz de rituais de várias especies, que são direcionados a Olodunmarè pelo portal que é aberto por Ose’turà e encaminhado por Esú.

Os Ebós Ejè oferecidos dão movimento ao fluido vital liberado, o asè, que atua fora do campo material tendo o poder de transformação sobre coisas desejadas ou indesejadas que estejam afetando o ser humano.

O òrìsá, como energia do cosmos, não necessita de comida propriamente dita e muito menos de sangue, o sangue nada mais é que o fluido vital que corre em nossas veias nos assegurando a sobrevivência , como é inerente a todos os seres vivos. Quando este material, ejè, é encantado e liberado, ele atua como veiculo operador, atua como uma profilaxia espiritual ou reforçando a energia já instalada.

As correntes que se opõem a esta prática, nos taxando de primitivos, desconhecem o poder deste veiculo, como trasferidor de asè.

Podem de uma certa maneira estar tentando criar uma nova religião, como temos vistos pessoas pregando o Candomblé Verde, embora isso também seja sacrifício, desde que orientado por Ifá, não quer dizer que o sangue animal seja excluido.

O que temos que ter em mente é a sacralidade do ato, o silencio, o respeito, as orações, os orikis e os ofós, devem seguir uma ritualistica condizente com o momento, onde todos os participantes, principalmente Onilus e Asogun responsáveis pelo ato sagrado da imolação e o sacerdote proferidor das palavras encantadas.

A Iyábase, responsavel pela sequência do ato liturgico, é por demais importante na finalização do Oro, onde a preparação do eran,  carne, seguirá ordens ditadas pela energia invocada, atravéz de Ifá, no jogo de Obi abatá.

Ao se encerrar a missão com todos os elementos colocados aos ‘pés’ do Igbá ou ojubó, igbá coletivo da casa, saberemos se tudo foi aceito por Òlodunmarè, com nova caida do obi, orogbo,esun isu (inhame cozido) ou igbin (caracol).

Tudo finalizado damos sequência com a preparação do nosso banquete, onde nos confraternizamos e agradecemos a Olodunmarè e a Onilè o alimento recebido.

Asè.

Por: Heliane Haas, Olowo Ifarunaola e Da Ilha.

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