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Archive for Janeiro, 2020

ODÉ LÁGBÙRÈ

 

 

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Lagbure não é visto por alguns como sendo uma qualidade de Osoosi.  Odé Labure é um Orisa de culto próprio.

“Òo kú o odé Lagburè, e màrìwò làjá kiní ilé òde Òo kú o kódé”

Lagbure vem da junção da plantas Nla + Gbó + Wure que significam literalmente Grande + prosperidade + sorte, esta junção de palavras é usada para falar de um certo tipo de oferenda feita a Orisa Osun, o chamado presente dado a ela em seus festejos é um Lagbure.

Mas porque este caçador leva o nome de Lagbure?

Ele na verdade carrega esta alcunha por ser a divindade que leva os presentes até Osun.

Se conta que em um determinado festejo dedicado a Osun os devotos prepararam um grande presente, um cesto cheio de coisas que ela aprecia. No momento de entregar o presente as pessoas fizeram uma procissão até o Rio, e ao chegar as margens temeram perturbar as águas e não ousaram mergulhar. Então clamaram que Osun viesse buscar o presente, mas Osun não veio. Após algum tempo ouviram um voz feminina ecoar dizendo
“Ọmọ mí ní Ká Odò, Lagburè mí Ká Odò”
Que se traduz como “meu filho venha até o rio buscar o meu presente”
As pessoas observam um homem sair da mata, ele apanhou o presente de Osun na margem e e entrou com com cesto nas águas de onde não saiu mais. Era um caçador da floresta, um dos muitos Orisa filho de Osun, ele ficou conhecido como Odé Lagbure, o caçador que leva o presente.

Esta é a lenda.

Obviamente que o culto deste Orisa não se resume a ser apenas um fulano que carrega um balaio, claro que não, ele tem sua função primordial em ser uma divindade da fartura de alimentos.
Lagbure é cultuado no intuito de ser um Orisa que da sorte a comida, fazendo com que o alimento nunca falte na mesa dos que nele tem fé.
Por isso no Brasil alguns terreiros de Candomblé colocam o assentamento desse orisa na cozinha, que é um hábito Brasileiro mas que faz todo sentido.

Lagbure é destoa do comportamento comum dos demais Odé, que são carrancudos e reservados, ele pelo contrário é dócil e amável, seu culto segue um ritmo alegre e simples.

Pelo fato de no Brasil a falsa crença de Osun ter apenas um único filho muitas pessoas confundem Lagbure com Logunedé. Porém Osun teve muitos filhos como Olose, Paroye e Lagbure.

Texto e foto: Página Felipe Caprini

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O terreiro Ilê Axé Opó Afonjá já tem uma nova líder. Ana de Xangô, 53 anos, foi escolhida em jogo de merindinlogun na manhã deste sábado (28) como nova líder religiosa do terreiro. A decisão acontece um ano depois da morte de Mãe Stella de Oxossí.  Ana foi iniciada no candomblé há 31 anos. Ana é pedagoga e professora em uma escola particular de Salvador.

O jogo foi feito por Balbino Daniel de Paula, o Obaràyí, conforme o CORREIO havia sinalizado que seria. Ele também esteve presente na escolha de Stella. Pai Balbino é uma das maiores autoridades masculinas dos candomblés do Brasil. Babalorixá do Terreiro Aganju, em Lauro de Freitas, ele foi iniciado por Mãe Senhora, a terceira Mãe de Santo na linha sucessória do Afonjá.

Foi o machado de Xangô, orixá da Justiça e patrono do Ilê Axé Opô Afonjá, que decidiu a sucessora de Mãe Stella de Oxóssi – nascida Maria Stella de Azevedo Santos.

O jogo de meindinlogun é tido como um jogo de complicada interpretação, apenas para estudiosos e pessoas com largo conhecimento da religião. Foram feitos três jogos dentro do barracão aberto aos filhos de santo da casa no barracão no terreiro. Ele jogou a primeira vez e falou que seria um jogo de felicidade e uma sucessão de muita tranquilidade. Em seguida, no segundo jogo foi dito que seria uma pessoa de Xangô. Nesse momento, Obaràyí saiu do barracão com algumas pessoas e foram para a casa de Xangô, que fica dentro do terreiro para ser feita a confirmação do nome. Depois, ele retornou para o barracão e fez o anúncio para as pessoas que estavam no local.

Balbino Daniel de Paula, o Obaràyí, fala sobre a escolha da sucessora de Mãe Stella; vídeo

O funil espiritual inicialmente indica qual “odu”, ou seja, qual caminho ou destino tem a nova ialorixá. Depois, um novo jogo indica qual orixá é dono do ori (cabeça) da pessoa. Muitos então são “eliminados”. De acordo com a queda dos búzios, os que ficam são confirmados ou não. No final, sobra uma pessoa e Xangô dá o veredicto. Hoje, Ana de Xangô foi a escolhida.

Um ano depois da morte de Stella, com a suspensão do calendário litúrgico do terreiro por todo esse período, somente neste sábado (28) pôde ser realizado o jogo.  Na verdade, seria no dia 27, quando se encerra o axexê. O ritual fúnebre dos candomblés da nação ketu é realizado quatro vezes após a morte da líder do terreiro: nos sete dias seguintes ao falecimento, nos sete dias antes de completar três e seis meses do falecimento e nos sete dias antes de completar um ano do falecimento.

Texto:  Correio

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