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Archive for Dezembro, 2015

Receita de Ano Novo.

 

RECEITA DE ANO NOVO

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade , “

“Que os Orixás abençoem à todos com muito Axé em 2016.”

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A Religião que eu acredito.

 
“A Religião que eu acredito é aquela construída por todos, no dia-a-dia, com sacrifício, suor,  respeito, 
entrega, fé e amor ao Òrìsà…
 
A Religião que eu acredito abomina a feitiçaria, o topa tudo por dinheiro, 
o materialismo desenfreado…
 
A Religião que eu acredito tem no Òrìsà o início, o fim e o meio, último e único recurso…
 
A Religião que eu acredito é a das velhas e 
negras senhoras, de fé inabalável 
e sabedoria que brota das raízes…
 
A Religião que eu acredito adora árvores como deuses, e tem na vida seu bem supremo…
 
A Religião que eu acredito é aquela onde a vestimenta não suplanta valores e onde não 
se substitui a forma pelo conteúdo…
 
A Religião que eu acredito resistiu a escravidão, 
ao porrete da polícia, a marginalização e
 demonização sempre lhe imputada…
 
A Religião que eu acredito não é um modismo, 
um suvenir, algo descartável que 
jogamos fora quando não nos serve mais…
 
A Religião que eu acredito não é um show de 
estética extravagante, circo dos incaltos, 
mas um ritual de celebração a vida… 
 
A Religião que eu acredito é uma experiência 
vivida de amor pleno, fé e respeito aos Òrìsà, 
dentro e fora de nós….”
 

 

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Olódùmarè

Olo: significa expansão e poder;

Dun: significa tempo e longevidade;

: significa criação dos quatro pontos cardeais do Universo,
representados pelos quatro primeiros Odù:

Èjìogbe Méjì – representando o fogo, o Sol.

Òyèkú Méjì – representando a água, a Morte.

Ìwòrì Méjì – representando o ar, a Transformação.

Òdí Méjì –  representando a terra, o Renascimento.

Re: significa a estabilidade da força de realização, que nasce, cresce, reproduz e morre.

No sentido mais profundo que encontramos, ao analisarmos o nome de Olódùmarè, encontramos o significado de “Eu sou aquele que é” ; o nome designando o próprio ser, o ser das coisas em sua manifestação plena e em sua relação com o Universo.  A revelação do nome é extremamente significativa na propensão de Olódùmarè para a sua Criação.

Esse nome é único porquê contém todo o mistério, e representa toda a plenitude do nosso Universo e quando é pronunciado, nos leva a eterna busca da perfeição.  É o nome da Santidade transcendente, que exprime a presença dinâmica de Deus, todo Poderoso em Sua Criação e a fidelidade de sua assistência aos homens.

Para entender nossa relação com o Todo-poderoso, nós temos que nos lembrar de três pontos importantes:

– Todas as coisas neste universo foram criadas por Olódùmarè.

– Olódùmarè é a Fonte do “Ser”, sem a qual nós não poderíamos existir, ter vida, ser racionais ou “inteligentes”.

– Olódùmarè é conhecido como o Determinador e Controlador do Destino. Nós estamos sob controle e governados, do princípio ao fim.

Com exceção do dia que nascemos e o dia que é suposto que iremos morrer,  não há um único evento na vida que não possa ser previsto, mudado e necessário.

Olódùmarè é a força criativa central.  Para os Yorubá, Olódùmarè concebeu o Universo em um êxtase de si mesmo.  Assim, podemos dizer que a criação tem suas raízes no futuro, pelo qual ele vive.  O mundo é inquieto porque foi criado dinamizado.  Criado assim, o mundo só pode existir em evolução. Sua perfeição aparece desde a origem. A criação se realiza numa ascensão espiritual progressiva, desde a matéria dita inanimada, até atingir, no homem, a dignidade da consciência, que está muito além da questão da cor de sua pele, ou sua raça.

Existe, para o Yorubá, por detrás das aparências e do mundo visível, um elemento inteligente, “racional”, que regula, dirige, anima o cosmos, e que faz com que esse cosmos não seja caos, mas ordem.

Há, com certeza na origem do Universo, um impulso de pura consciência,  que é Olódùmarè.

Olódùmarè é um espírito infinitamente perfeito, que existe por si mesmo e de que todos os outros seres recebem a existência.  Olódùmarè é o ser sem semelhança. Por isso quando o nomeamos, apenas tangenciamos sua essência.

A existência de Olódùmarè, mais que um pressuposto, é verdade fundamental, ponto de partida para qualquer discurso religioso.

É como se primeiro, reconhecêssemos a sua existência, depois procurássemos a ponte capaz de nos levar a ele, capaz de propiciar a religação com nossa origem.  Afinal, nas extremidades invisíveis do nosso mundo, abaixo e acima da nossa realidade, paira o espírito.

Nosso espírito e esse ser transcendente a quem chamamos Olódùmarè, são levados a se encontrar.

No entanto, é natural, para todos nós, a idéia de que não podemos compreender Olódùmarè.  Na medida em que ele é infinito, princípio e fim de todas as coisas, encontra-se além dos limites humanos e de sua compreensão. Podemos, sim, conhecê-lo através de seus atributos e deduzir a sua existência através de suas manifestações no Universo e nas coisas criadas.

Somos levados, também, ao conhecimento de Olódùmarè pelo que conhecemos e sabemos com clareza e precisão que Olódùmarè não é.

Para crermos na existência de Olódùmarè e avançarmos em direção aos seu conhecimento é necessário que não comecemos por usar os caminhos da razão.  Olhamos e vemos; o mundo é um espelho a mostrar permanentemente a sua presença e grandiosidade, infinita e perfeita.

Diante do maravilhoso e fantástico espetáculo da Criação, a razão humana é capaz de caminhar até o conhecimento da existência do Criador. Em seus reflexos espalhados pelo Universo, ela pode adivinhar suas perfeições de poder, de beleza e de bondade, manifestos em cada ser e em cada elemento. Sua realidade objetiva e invisível manifesta seu eterno poder e sua divindade – torna-se compreensível, desde a criação do mundo, através das criaturas.

No Culto Yorubá podemos afirmar que Olódùmarè  é único no céu e na terra, o Supremo sobre todos nós e o chamamos referindo-nos particularmente as suas características de “Senhor de todas as coisas”, “o Soberano que está no Òrun”, “Aquele que tem a máxima autoridade sobre tudo”.

Olódùmarè pode ser conhecido por muitos nomes – afinal de contas, muitas são as suas particulares manifestações nos diversos momentos e planos da Criação, e assim, muitas vezes, ele é chamado de ÒLÓFIN ou OLORÚN.

Olódùmarè é na religião Yorubá o Deus Único, Supremo, Onipotente e Criador de tudo o que existe. Seu nome significa, “O Senhor, o qual é nosso eterno destino”.

Olódùmarè é nossa máxima representação espiritual no universo, ele é o Arquiteto Universal da nossa existência nos mundos paralelos de Òrun e Àiyé.

Quando o mundo começou, havia convivência entre as divindades e os seres humanos, todos podiam ir ao Òrun e voltar quando desejassem. Não havia limitações entre o Òrun e o Àiyé.  Então, alguma coisa aconteceu e um extenso espaço surgiu entre o Òrun e o Àiyé.  A história do que aconteceu é contada de várias formas, e todas levam a um só motivo. O homem pecou contra o Poder Supremo e uma barreira se levantou. O privilégio da livre comunicação desapareceu em troca do diálogo indireto através das diferentes formas oraculares estabelecidas e legadas pôr Òrúnmìlà.

Não há escuridão que se propague se temos conosco a fé na luz de Olódùmarè.

Os Yorubá acreditam em um Deus supremo, Olódùmarè.  Olódùmarè é muito remoto ao Yorubá através de suas virtudes e dualidade.  Em outras  palavras,  Deus criou ambas as forças: “boas ” e ” más ” e jogou no universo;  ele deu Àse (poder) para ambos os lados.  ” Quando você falar quase ” bom “, você já pressupôs ” mal “”.  Há sempre dois lados de toda história ou problema.

Dentro de Ifá o cosmo é dividido em dois.  O lado direito está habitado pelos poderes sobrenaturais benevolentes e o lado esquerdo está habitado pelos poderes sobrenaturais e malevolentes.  Os poderes benevolentes são os Òrìsà e as associações úteis deles/delas com o ser humano.  Os poderes malevolentes são as energias destrutivas do mau como Ikú (morte), Arun (doença), Òfò (perda), Èpè (maldição) e assim por diante.  Não há nenhuma coexistência calma entre estes dois poderes, eles sempre estão em conflito.

“Eu não tenho nada além daquilo que todas as pessoas têm, a única diferença entre mim e os demais é que eu acredito na presença de Olódùmarè em minha vida e sempre o coloco à frente de minhas atitudes!”

Àse !

(Texto baseado no artigo de Sango Biyi )

Por: Obaala Oluwo Efun Áwo Pèjú Ifárunola Adesanya

http://www.efunlase.com

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