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Archive for the ‘Oráculo’ Category

Dando continuidade ao projeto “Espaço dos Leitores”, temos o prazer de publicar um texto enviado do nosso irmão e grande colaborador Da Ilha. O texto está com sua fonte original devidamente identificada e mantida.

VOCÊ JÁ OUVIU FALAR EM ÈLA?
 ÈLA – O PRINCÍPIO: O que é ou quem é ÈLA?

O que é: o princípio da ordem; aquele que mantém o mundo acertado e em ordem. ÈLA veio para a terra no ODU de OBARA OYEKU. Tentaremos neste trabalho passar para todo o significado deste princípio primordial que se chama ÈLA e que, sem ele, nosso mundo seria um caos total. Vamos ver por que.
A tradição oral nos passa que ÈLA é um princípio espiritual que não teve espaço para se tornar conhecido, pois foi dominado historicamente pelo aumento do número de divindades e senhores da cultura Yoruba. Em função disso ÈLA não foi definido.
Na tradição oral existem muitos que dizem que ele “é um dos muitos nomes atribuídos à IFA (ORUNMILA), e é descrito como o principal entre eles” ou que ” é o seu empregado de confiança”. Essas afirmações têm um fundo de verdade e nós vamos ver por que.
Existe uma forte ligação entre ÈLA e ORUNMILA, pois se ÈLA é o princípio da ordem, da retificação de destinos infelizes, ORUNMILA precisa deste princípio para cumprir o seu papel de grande preservador da felicidade e retificador de destinos infelizes, uma vez que podemos dizer que ordem significa felicidade, harmonia, paz e desenvolvimento. ÈLA é chamado de “aquele que mantém o mundo acertado”. Assim, podemos até fazer uma reflexão no sentido de que ÈLA é um princípio primordial onde ORUNMILA tem a sua origem. Podemos afirmar, portanto, de forma inquestionável, que ÈLA é uma emanação direta de OLODUNMARE.
ÈLA é chamado pela tradição oral de ÈLA OMO OSIN – “ÈLA é o preferido de OSIN” – o que é OSIN? Para o Yoruba, OSIN É O LÍDER DOS LÍDERES, ou seja, OLODUNMARE.
Vamos à criação. De acordo com a tradição, ORUNMILA desceu a terra para colaborar com ORISA-NLA nos afazeres de organizar a terra e colocar todas as coisas nos seus devidos lugares (ordem), logo, ÈLA seguramente estava presente. Para ilustrar esse papel, vamos transcrever uma história do ODU ODI IWORI;

ÈLA Iwòri ni kì jéki aiyé ra ‘jú; Nigbati aiyé Oba-‘lufe darú, ÈLA Iwòrì l’ o bá a tún aiyé rè se; Nigbàti awon o-dà-‘lè ìlú Akilà ba aiyé ìlu won jé, ÈLA Iwòri l’ o ba won tún u se; Nigbati òsán d’ òrun ni ilù Okèrèkèsè, Ti aiyé     ìlú nã di rúdurùdu Ti awon awo ibè bà a tì, ÈLA Iwòri l’ o ba Olúyori Oba ibè tún u se; Nigbàti élègbára bá nfé s’ ori aiyé k’ odò, ÈLA Iwòri ni’ ma dùdú ònà rè; ÈLA Iwori kì’ gb’ owó, ÈLA Iwòri ki’ gb’ obi, On l’ ó sì ntún ori ti kò sunwòn se.
ÈLA IWORI é quem salva o mundo da ruína. Quando o mundo de OBA LUFE tornou-se confuso ÈLA IWORI é aquele que restaurou a ordem Quando os depredadores de AKILA deterioram a cidade ÈLA IWORI é aquele que acertou as coisas para o povo, Quando o dia virou noite na cidade de OKEREKESE (Egito) E os sábios do lugar foram desviados. ÈLA IWORI foi aquele que trouxe a ajuda de OLUYORI, seu rei, como remédio, Quando ELEGBARA planejou virar o mundo de cabeça para baixo, ÈLA IWORI foi quem o obstruiu, ÈLA IWORI não recebe dinheiro, ÈLA IWORI não recebe OBI Ainda é ele quem retifica destinos infelizes.

Se nós aceitarmos que ÈLA é um princípio primordial, que estava presente no início da criação, estando no mundo e preenchendo-o de bons trabalhos, estabelecendo a ordem e colocando as coisas em seus devidos lugares, poderemos dizer que em um determinado momento o homem de alguma forma acordou de seu estado de “letargia” em um mundo perfeito e sem atropelos e neste momento se rebelou contra ÈLA, creditando a ele a responsabilidade de ter retardado o crescimento do mundo e então o difamaram. Em função disso, conta à tradição que ÈLA se ofendeu e ascendeu aos céus através de uma corda esticada. Foi somente assim que os habitantes do mundo perceberam que era realmente impossível viver sem ÈLA e assim, desde então, se tem rezado por suas bênçãos.
Vamos a outro verso: ÈLA s‘ ogbó, s‘ ogbó ÈLA s‘ ató, s‘ ató O f’ òdúndún s’ Oba ewé O f’ Irosùn s’ o run rè; O f’ Okun sOba omi O f’ osa sosòrun rè; A-s‘ – èhin-wa a- s‘-èhin-bò Nwon ni ÈLA kò s’ aiyé re; ÈLA b’ inu, o ta’ kùn, o r’ òrun; Omo ar’-aiyé tún wá nkigbe: ÈLA dèdèrè I’ ó mã sòkalè wa gb’ ùre. ÈLA dèdèrè

ÈLA realmente fez a velhice ÈLA realmente fez a vida longa Ele fez de ODUNDUN o rei das folhas Ele fez de IROSUN o seu sacerdote. Ele fez do oceano o rei das águas. Depois de tudo, e ao final, Eles pronunciaram que ÈLA havia conduzido o mundo pelo caminho certo. ÈLA se ofendeu, ele estendeu uma corda e subiu ao céu. Os habitantes do mundo mudaram de opinião e passaram a chamá-lo. ÈLA volte a nos abençoar ÈLA, volte!

Nessa linha ÈLA é referenciado como um libertador. Neste papel aparece a sua ligação com ESU. É sabido que ESU é a dinâmica de todas as coisas, instaura a desorganização geradora de uma nova ordem, num processo contínuo de desenvolvimento do mundo, a dinâmica que faz o mundo andar. Se considerarmos que ÈLA é o princípio da ordem e ESU provoca a desordem e se em algum momento imaginássemos que a desordem provocada por ESU levasse ao caos, somente a interferência de ÈLA como princípio poderia garantir uma nova ordem. Desse modo, podemos dizer que ÈLA trabalha juntamente com ESU, especificamente na tarefa de restabelecimento do equilíbrio.
ÈLA como princípio é de suma importância na vida dos sacerdotes em nossa religião, pois o papel dos sacerdotes é manter e/ou instaurar a ordem. Portanto como isso poderia ser feito sem a interferência de ÈLA?
Vamos à outra consideração: Realizar ÈLA significa carregar ISI. O que vem a ser isso. Vamos contar duas histórias para depois tentarmos concluir essa afirmação.
Existia uma localidade onde os reis não duravam mais de três anos e então eram substituídos – o próximo morreria antes de três anos e assim sucessivamente. A família de onde esses reis eram oriundos era muito rica e o poder era algo extremamente cobiçado, mas o fato da morte prematura era um empecilho para que eles quisessem se tornar reis. Foram consultar ORUNMILA e no jogo apareceu o ODU OGUNDA OFUN, significando que todos os reis têm um ORISA ao qual devem saber cultuar antes que lhes seja entregue o OPA.
Outra história trata de um Rei que num determinado tempo teve suas esposas (6), seus filhos e servos (7) contra ele; suas esposas não queriam mais se relacionar com ele; seus filhos voltaram às costas para ele, bem como seus servos. O rei revoltou-se e, munido de seu Opa e de uma espada, saiu à procura deles, que haviam fugido. O rei então falou que eles deveriam carregar ISI, sem o que não seriam perdoados. Os filhos então pegaram 4 inhames e ofereceram para o Rei (que era o próprio ORUNMILA). Prepararam o inhame e o levaram para o Rei, carregando-o na cabeça. O rei então disse que precisaria matar um deles; os filhos responderam que eles haviam feito o que ele havia pedido. O rei perguntou se era ISI macho ou fêmea. Eles responderam que era ISI feminino. Ele ouviu e não soltou o Opa e a espada. Eles pediram três vezes que ele os soltasse. O rei então respondeu:
“Onde vocês ouviram que esposas, servos e filhos não fizessem o que o Rei quer?”
“Assim, antes que eu largue o Opa e a espada, vocês têm que prometer carregar ISI sempre. Só assim eu os perdôo.”
ISI significa carrego de submissão e homenagem. Ou seja, curvar-se diante do sagrado, do superior, do maior. Para se falar em ordem temos que falar em respeito e homenagem, em submissão a um princípio maior que nos proporcionará a felicidade. Aprender que antes de tudo devemos agradecer louvar e cultuar.
ÈLA, por fim, é sempre invocado durante os cultos para que venha e abençoe os oferecimentos, tornando-os aceitáveis. ÈLA também é denominado como o princípio que inspira a aceitação de alguns sacrifícios; que inspira o culto correto e é por ele que a vida tem sido oferecida.
Para finalizar vamos transcrever uma cantiga de ESU:

ESÙ fi ire bò wá o. ÈLA fi ire bò wà yà yà. ESÙ gbè ire ajè kò wá o. ÈLA fi ire bò wà yà yà. IYA-MÒGÚN fi ire bò wà o. ÈLA fi ire bò wá yà yà.

ESU, faça nossas vidas plenas de coisas boas. ÈLA ponha muita sorte em nossas vidas. ESU ponha sorte e progresso em nossas vidas. ÈLA ponha muita sorte em nossas vidas. IYA MOGUN faça nossas vidas plenas de coisas boas. ÈLA ponha muita sorte em nossas vidas.

1999 – Todos os direitos reservados para IOC – INSTITUTO ORUNMILA DE CULTURA
Artigo publicado no INFORMATIVO do ILE ASE MARABO, Número IV, São Paulo – SP.

Por: LEILA CRISTINA ALBAMONTE POMPEO FERRARA – EFURO LOGUNLOWO

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Ifá é o sistema através do qual se processa a consulta oracular, normalmente conhecida por adivinhação, utilizando-se como instrumentos de consulta o Opelé ou os Búzios.

Em qualquer dos casos, o oráculo baseia-se nos dezasseis principais Odù (caminhos), através dos quais Orunmila relata as histórias e lendas nas quais os personagens normalmente enfrentam situações semelhantes aquelas expostas pelo consulente. Mas a escolha da história a ser narrada compete à Divindade.

Os dezasseis Odù relacionam-se entre si (16 x 16), perfazendo um total de 256 caminhos ou diferentes possibilidades de destino, tratados por Esè.

No momento da consulta, Orunmila indica o Odù que será suficiente para orientar as dúvidas do consulente e esclarece de que forma (positiva ou negativa) tal caminho está influenciando a vida da pessoa.

O Sacerdote interpreta então a fala da Divindade, estabelece os pontos principais que devam ser modificados e tratados para restabelecer a tranquilidade ou o bem estar do consulente. A partir daí, são definidas as oferendas votivas a realizar para possibilitar a consecução do vatícinio, bem como aconselhar a respeito de atitudes ou comportamentos que facilitem obter o resultado pretendido.

Assim, por exemplo, quando um indivíduo se queixa de não conseguir emprego, mas insiste em continuar a laborar numa área onde o mercado de trabalho está completamente saturado, Orunmila pode esclarecer as suas dificuldades, recomendar os rituais necessários e aconselhá-lo a tentar outra profissão para a qual tenha aptidão, ou simplesmente aconselhar o consulente a deslocar-se para outra região onde seja mais simples conseguir ocupação. Por outras palavras, o Céu ajuda sempre, mas a pessoa tem também que fazer a sua parte.

Os Odù de Ifá são completos e absolutos; cada um deles possui um lado positivo e outro negativo, o Ing e o Iang, o masculino e o feminino e assim por diante, tal como tudo o mais no Universo.

Não existe Odú melhor que outro; dependendo das circunstâncias, o melhor deles pode transformar-se no pior, ou vice-versa.

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ifa

Conseguir informação de Orunmilá sobre a vida de alguém, é importante demais para ser deixado a um simples deitar do Opelé, 16 búzios, cartas de tarot ou qualquer que seja o sistema de adivinhação utilizado. De acordo com o pensamento tradicional, qualquer pessoa com um Opelé e um livro dos Odús pode andar por aí a fazer adivinhações em nome de Orunmilá. Mas estar equipado com estes instrumentos, não quer dizer que a pessoa esteja em contacto com Orunmilá. E mais importante ainda, embora existam 256 Odús, é impossível para eles, ver com precisão todas as potencialidades da experiência de vida como as infinitas direcções possíveis no caminho espiritual da pessoa. Os Odús podem confundir-nos com alguma facilidade. Nunca é demais salientar que devemos discernir sempre muito bem no que toca à forma como adquirimos informação quanto aos caminhos das nossas vidas. Todo o processo de adivinhação se tornou tão compartimentado, que nos faz pensar como chegou o Ifá ao seu estado actual.

Parte do problema reside no facto de que nem todas as pessoas têm a capacidade de entrar em diálogo com Orunmilá. Uma pessoa de tal integridade, espiritualidade e talento é verdadeiramente um achado nos nossos dias. A certeza deste tipo de adivinho está para além de qualquer questão, mas as pessoas, sendo quem são, tiveram que desenvolver uma técnica ou processo para compensar a falta de preparação daqueles que queiram ser adivinhos sem ter que passar por processos e requisitos rigorosos. Embora todos possamos falar com Orunmilá, os restantes Orixás e os ancestrais, ninguém está verdadeiramente disposto a submeter-se ao esforço para desenvolver o carácter ao ponto de tornar realmente atingível essa comunicação.

Outro cenário é quando o adivinho se encontra numa situação de alguma dificuldade que causa a quebra da sua integridade. Rendas em atraso e a conta do banco em baixo. Logo na próxima leitura o cliente é informado de que alguns Orixás estão descontentes e o cliente precisa então fazer um Ebó para cada um deles. Isto custará uma quantia razoável em Euros. Mas Orunmilá provavelmente nunca disse nada disto. A integridade do adivinho passa a estar em questão, não só porque enganou um cliente, como também utilizou erradamente o nome de Orunmilá para o fazer. A partir daí a ligação espiritual perdeu-se e o adivinho passa a trabalhar às cegas espiritualmente. O adivinho nunca admitirá o seu erro, portanto ele/ela agrava o problema ao continuar a fazer leituras para outros clientes sem o contacto com Orunmilá. O adivinho está neste ponto tão longe do caminho verdadeiro que necessitará apelar para Exú, Oge e Orunmilá se quiser alguma vez voltar ao caminho certo. Mas memorizando os Odús e reconhecendo as caídas pode ajudar a manter a charada até que o adivinho decida limpar o seu acto, se isso alguma vez chegar a acontecer.

Para compensar por estes problemas, e quem sabe quantos mais, os Odús estão desenhados de forma a que, pessoas que antes não os poderiam ler ou saber o possam fazer agora. Não só isso, os Odús darão às pessoas uma análise rápida e uma solução para qualquer problema que possa surgir na vida. Os Odús são a solução de alguém para o marketing em massa que se vai fazendo sobre a adivinhação, como se de um franchise se tratasse. Infelizmente, Orunmilá não está no negócio para resolver problemas triviais, pedir ebós em nome dos Orixás, dizer às pessoas para pagarem fortunas por iniciações, ou qualquer coisa que requeira a transferência de riqueza do cliente para o adivinho. O “trabalho” de Orunmilá é o de dar instruções às pessoas para as suas vidas e caminhos espirituais.

Faria sentido se o adivinho estivesse numa situação de bom e real contacto com Orunmilá, que então Orunmilá o protegesse daqueles que o tentam testar sobre a sua honestidade e capacidade, para o desacreditar. As pessoas estão tão preocupadas em defender a sua fatia do “bolo” da adivinhação que provavelmente confrontariam o próprio Orunmilá se ele lhes surgisse à porta para os fazer parar com a farsa. Consequentemente, não deveria se uma surpresa quando as pessoas pedem uma leitura e Orunmilá lhes diz para parar com a mentira. Portanto, até que Orunmilá apareça, ou seja tomada a escolha de parar, estes pseudo adivinhos continuarão a utilizar o Opelé ou os Búzios, como dados num jogo de casino, até que lhes seja posto fim. Entretanto, os pseudo adivinhos fariam bem em não continuar a utilizar o engano e a mentira e a pedir leituras a Orunmilá.

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