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Archive for Março, 2014

A Ascensão do àse

Ifá está enraizado na crença de atunwà, ou seja, retornar para evoluir (Iwá Pèlé).

Ifá ensina que Orí é a palavra yorùbá usada para descrever o espírito humano residente no Ikolè òrun, nos intervalos ele viaja para o Ikolè Ayé que significa: a Terra.

Ikolè significa: a casa onde eu aprendo.

Òrun é frequentemente traduzido como: O céu.

Acredito que o òrun é mais bem entendido como o reino invisível em um universo multidimensional. A astrofísica moderna postula que vivemos em um universo de 10 dimensões, Ifá identifica sete dimensões que sugerem que os conceitos são semelhantes. Ambos, Ifá e a astrofísica ensinam que múltiplas dimensões são interativas o que significa que o universo visível está constantemente sob a influência de forças invisíveis. A ciência chama esses princípios de forças fundamentais, Ifá chama de Odù, que significa ventre.

A escritura oral de Ifá, diz que enquanto no òrun, Orí mora em uma cidade sagrada chamada Ilè Ifè.

A cidade yorùbá da Nigéria considerada o centro espiritual de Ifá é também chamada de Ilè Ifè baseada na ideia metafísica, de que o que está acima também está abaixo.

É semelhante à ideia platônica de formas invisíveis. Tanto Platão quanto Ifá postulam que tudo o que vemos no mundo físico, primeiramente está no reino invisível, o òrun.

A palavra Ilè Ifè significa:

Casa do Amor / Terra que se espalha.

De acordo com a metafísica de Ifá as viagens do Orí são para formar a casa do amor no òrun (o reino invisível) e a Casa do Amor no ayé (o reino visível) durante seus vários nascimentos (atunwà) como o Orí individual, o coletivo é o Orí que se expande adotando uma visão mais ampla de si mesmo e do mundo.

Segundo Ifá o propósito da viagem do òrun para o ayé é desenvolver Ìwá-Pèlé.

A palavra Ìwá-Pèlé é comumente traduzida para significar um “bom caráter” e não tem essa conotação.

A língua sagrada yorùbá é baseada em elisões que significam que as sentenças são encurtadas para formar uma palavra com significado simbólico baseado em uma frase completa.

A sentença da qual deriva a palavra é a chave para entender o mistério que está por trás (awo) ou o próprio mundo.

Ìwá-Pèlé é uma elisão formada pela sentença Ìwà opé ile, que significa: venho para cumprimentar a Terra.

Em Ifá Ìwá-Pèlé está enraizado em Ìwá-rere da elisão: Ìwá ire ire.

Ìwá-rere também é comumente traduzido para significar um “bom caráter.”.

Quando uma palavra é repetida em yorùbá é uma referência para a fonte da palavra.

Re re.

É a elisão das palavras ire ire que sugere a fonte da boa sorte.

A tradução literal de Ìwá rere é que eu venha a ter boa sorte.

Esta é uma expressão da crença de que em Ifá todo mundo nasce uma pessoa boa e abençoada, expressado em linguagem yorùbá como: Omo-rere.

Ao dizer que um Orí vem de Ilè Ifé no Ikolè òrun significa que este Orí vem da cidade do amor incondicional, um estado em que o Ser está em perfeito alinhamento com a Fonte da Criação.

Alinhamento perfeito é um estado de graça chamado Lái Lái em yorùbá.

Lái Lái é a imersão da consciência individual ou Orí, que na consciência universal e chamado de Ìponrí.

A viagem para a Terra é uma separação da Fonte, resultando em uma perda de memória associada à Lái Lái.

Esta jornada é descrita simbolicamente em Ifá como flutuando em águas azuis (comumente chamdo de Rio Azul e alusivo a Òsún), o que significa a passagem através do sangue do canal do nascimento.

É o primeiro de uma série de ritos de passagem que formam o Orí em sua jornada desde Ilè Ifé no òrun até Ilè Ifé no ayé.

Quando Orí está em alinhamento com a Fonte ela experimenta um estado eterno do Saber.

Em outras palavras, o crescimento espiritual não é um processo de aprendizagem é uma experiência de se lembrar.

A tarefa da disciplina espiritual de Ifá não é para aprender como se comportar, a tarefa da disciplina espiritual de Ifá é nos lembrar de quem somos.

De acordo com a disciplina espiritual de Ifá a revelação de quem somos é resultado do desenvolvimento de Ìwá-Pèlé.

Saudamos a Terra para aprender o que significa Onilé, o Seu Espírito, para fazermos sim, um lugar melhor para as gerações futuras.

No processo de desenvolvimento de Ìwá-Pèlé nos tornamos Ìwá-rere, como resultado de lembrarmos que somos Omo-rere.

Em termos simples, nós somos seres espirituais tendo uma experiência humana. O desafio é saber disso e permanecermos humildes.

Muitas vezes uma pessoa, que considera a si mesmo um Ser Espiritual, confunde essa condição com a noção que eles têm sempre razão, que eles devem ter alguma coisa que eles imaginam ter e que têm sanção divina para controlar os outros (Òbàrà méjì em ìbì).

A necessidade de controlar os outros se baseia em ciúme e avareza, que Ifá descreve como a fonte de Orí burúkú.

A palavra Orí burúkú é a elisão de:

Orí búburú ikú.

Que significa:

“Consciência que traz a morte.”.

Muitas vezes, é traduzido por significar o mau, mas é mais corretamente entendido como:

Comportamento autodestrutivo.

Os versos da escritura oral de Ifá são chamados de Èsè Odù.

O Odù Òbàrà Méjì fala da importância de compreender a diferença entre autoestima saudável e egoísmo.

O versículo diz que a mosca que não é gananciosa nunca morre dentro de uma garrafa de vinho.

A ganância é o desejo de uma parcela excessiva dos recursos comuns.

A justificativa para a ganância é a crença de que os outros não merecem uma parte justa dos recursos comuns, uma visão que, por sua vez denegri os outros, geralmente na forma de fofoca.

Em termos simples o desenvolvimento da autoestima saudável é guiado pelos tabus culturais yorùbá contra a fofoca, crítica pública e linguagem abusiva.

A tensão entre autoestima e a ganância está no cerne da busca de Ìwà-rere.

De acordo com a experiência de Ifá Láilái é a fonte de autoestima saudável, é a experiência de lembrar quem somos e de onde viemos. Tornamo-nos abertos à experiência por rendição ao Espírito não pelo controle de outros.

O desejo de controlar os outros é geralmente apoiado por ameaças de violência para com aqueles que não se conformam. Na diáspora essas ameaças frequentemente tomam a forma de bruxaria, juju (magias com pó) e rituais destinados a bloquear a sorte do outro.

A experiência de Láilái não vem como resultado do início da experiência de que Láilái traz um estado de graças.

Na cultura yorùbá graças é descrita como:

Òpe ni fun Olórun.

Significando:

Toda a minha bênção vem da fonte de criação.

É uma revelação da nossa conexão compartilhada com a Fonte. A iniciação é uma tentativa humana de experiência aproximada de Láilái, que só pode vir da Fonte.

Abrimos a porta para a possibilidade de Láilái, reconhecendo que nascemos no amor incondicional ou Ilè Ifè que é a fonte de nossas bênçãos como Omo-Rere.

Ifá em Èjì Ogbè diz:

Ìwà-Pelé ni Àyàmò, ati  Àyàmò ni Ìwà-Pelé.

Significado:

Caráter é destino e o destino é o caráter.

Em outras palavras, nós nos tornamos o que somos pela saudação da Terra, ou seja, podemos aprender coma Terra, aprendemos a viver em harmonia como Eu e o mundo.

Na cultura yorùbá tradicional uma pessoa mais jovem cumprimenta sempre um ancião e pede uma bênção, porque um idoso é considerado um mentor e um professor. Nós viemos a Terra para aprender a formar o espírito. Na língua yorùbá a crosta ao redor da Terra é chamada Èèpè erùpè. O Espírito da Terra é chamado Onilé. O áwo ou mistério de Onilé é o conteúdo da Ìwà-Pelé. Isto significa que a Terra é uma manifestação da consciência ou Orí, a Terra é um reflexo perfeito do que nos percebemos ser. Como a consciência humana evolui a Terra evolui para acomodar nossa transformação e crescimento, seja transformação criativa ou destrutiva.

Na língua yorùbá: É a polaridade entre Orí burúkú e Consciência.

Que significa:

Consciencia que traz ire de boa sorte.

Orí burúkú significa o que traz auto destruição.

Quando a consciência humana se move muito longe de sua natureza essencial, a própria Terra repõe limpando a lousa. Em Ifá o poder de regeneração da Terra é chamado Òsá ‘fún.

No Odù Òsá ‘fún está baseada a ideia de que a vida na Terra foi projetada para funcionar. O verso diz que quando o primeiro macaco passou a viver na floresta o macaco mentiu sobre o comportamento do Espírito e o Espírito o acusou de violar o tabu contra a embriaguez. Quando foi descoberto o macaco mentiu, o macaco não tinha permissão para descobrir a paz de espírito, é por isso que eles constantemente gritam.

O verso sugere que não viver em harmonia com a lei natural, torna a estabilidade mental e o crescimento espiritual impossível.

Há um provérbio em Ifá que diz que não há peixes no oceano que sejam desabrigados. Lembrando que estamos incluídos em uma visão de como fazer a vida sem a necessidade de se envolver em fofocas baseada na ganância.

A falta deviver em harmonia com esta visão tem ​​consequências inevitavelmente destrutivas.

A crença de Ifá que vivemos em um universo abundante significa que o esforço coletivo é mais produtivo do que tentar resolver todos os nossos problemas por nós mesmos.

Em termos simples: Viver em um universo abundante significa que devemos viver em uma realidade de consenso.

Isto implica que a vida é o que fazemos dela.

Cada interação com a Terra envolve uma escolha. Podemos torna-lo um lugar melhor, abraçando toda a consciência como uma manifestação da Fonte, ou podemos tentar controlar aTerra, em um esforço para cumprirmetas de autoserviço.

Ifá chama a primeira escolha Orí ire ou a consciência que manifesta boa sorte; Ifá chama a segunda escolha de Orí ìbì ou a consciência que manifesta destruição.

Baba Abimbola gravou o Odù Ogbè Alara no capítulo 9 do livro, Yorùbá Tradição Oral: Poesia em: música dança e Teatro, publicado pelo Departamento de Línguas e Literaturas Africanasda Universidade de Ifé.

O Odù diz que o bom caráter é a esposa de Òrúnmìlá.

Na cultura tradicional yorùbá Òrúnmìlá é o profeta original da disciplina espiritual de Ifá.

A referência ao casamento é uma expressão simbólica da ideia de que Ìwà-Pelé integra os aspectos masculinos e femininos de Orí (consciência individual).

O Odù descreve Ìwà como primeira mulher de Òrúnmìlá que significaa integração da consciência que foi a primeira tarefa do profeta e o primeiro passo no processo de crescimento espiritual.

Há um refrão repetido no verso que diz:

Kámúrágbátagbá, Ìwà.

Kámúrágbátagbá, Ìwà.

Se tomarmos um objeto de madeira feita a partir de rágbá e golpeá-la contra a cabaça, vamos saudar Ìwà.

Se tomarmos um objeto de madeira feita a partir de rágbá para bater na cabaça, vamos saudar Ìwà.

“Se tomarmos um objeto de madeira feita a partir de rágbá e bater a cabaça, vamos saudar Ìwà” é uma referência ao método tradicional de invocar o Espírito.

O Odù está dizendo que, se invocamos o Espírito façamos isso com a finalidade de desenvolver um bom caráter.

Isto significa que invocando o Espírito com a finalidade de bruxaria, denegrir ou prejudicar a boa sorte de outra pessoa é um tabu na religião de Ifá, de acordo com a escritura de Ifá.

Devido à tendenciosa e desinformada representação da espiritualidade Africana comum na mídia, há uma falsa crença de que a espiritualidade Africana baseia-se na ideia de prejudicar os outros. É ridículo acreditar em uma cultura que baseia suas crenças religiosas voltadas para a violência para com os outros, mas o estereótipo persiste, no entanto.

Quando você considera o fato do que a ciência diz hoje, todos os vivos são descendentes de uma única mulher do Leste Africano,a depreciação da espiritualidade africana é uma diminuição de todos os nossos antepassados. Ifá é uma expressão de ideias religiosas que acredito foram originalmente desenvolvidas na Etiópia e mais tarde se espalhou para o Egito (nota de responsabilidade do autor).

Do Egito, estas ideias religiosas se tornaram a base para o Judaísmo, Cristianismo e Islamismo. Diminuir a espiritualidade africana é diminuir todas as crenças religiosas.

O Odù continua dizendo que Òrúnmìlá pedia a Ìwà para ser sua esposa.

No Odù Ìwà é descrita comoa filha da Paciência.

Na cultura tradicional yorùbá paciência é consideradaa fonte de toda sorte na vida.

De acordo com Ifá a vida funciona quando Orí está ligado à sabedoria infinita.

Isso acontece quando a ausência de cobiça e inveja é acoplada com paciência e humildade. Paciência é usada para colocar o Orí em alinhamento com a Fonte, é a porta para a Graça. A palavra graça significa receber uma bênção da Fonte da Criação, em yorùbá a palavra graça é Láilái e Láilái é a fonte de Orí ire, ou seja, a consciência que cria a boa fortuna.

Com base nesta fórmula boa fortuna é a consequência inevitável de quem entende a relação entre Ìwà e sùúrù (paciência) significado que elas são usadas para o desenvolvimento eficaz do bom caráter.

Ìwà concorda em se tornar esposa de Òrúnmìlá significado que Òrúnmìlá faz o compromisso de desenvolver um bom caráter.

Ìwà diz a Òrúnmìlá que, para que a relação possa prosperar, ela não deve ser mandada embora de sua casa, ela não deve ser utilizada de modo descuidado e ela não deve ser punida desnecessariamente. Em outras palavras, o desenvolvimento de bom caráter é uma disciplina em tempo integral e não é uma questão de conveniência.

Ìwà não é algo que abraçamos quando o humor nos convém, como seres humanos vivendo na Terra, o foco principal de nossa atenção é desenvolver o bom caráter, que deveria ser a nossa maior preocupação.

Na cultura yorùbá tradicional tanto a consciência individual e aconsciência coletiva da família são fundadas sobre o conceito de bom caráter. O desenvolvimento de um bom caráter não é tomado de ânimo leve e inclui um elemento de justiça.

Òrúnmìlá responde a Ìwà dizendo que o Criador não iria deixá-lo violar os seus tabus. Isso significa que o bom caráter é uma manifestação de intenções transcendentes e as intenções são honradas, independentemente dos nossos sentimentos pessoais no momento.

Depois que eles se casaram Òrúnmìlá tornou-se infeliz e começou a queixar-se de Ìwà. Ele era crítico de tudo dizendo que tudo que ela fazia era errado. O reclamante chegou a um ponto onde Ìwà decidiu morar com seu pai no reino dos antepassados.

Esta é claramente uma referência à ideia de que se nós nos engajamos em julgar dos outros o bom caráter é diminuído em nós e eventualmente, torna-se inexistente.

Esta é a base para o tradicional tabu yorùbá contra a fofoca.

Denegrir outra pessoa é denegrir a si mesmo.

Òrúnmìlá retornou para casa e descobriu que Ìwà não estava.

Ele começou a procurarpor toda a parte. Em sua jornadapara localizar Ìwà ele encontrou outros anciãos que lhe falaram sobre problemas semelhantes com seus companheiros.

Isto sugere que Òrúnmìlá aprende a humildade, quando ele descobre que os outros estão lutando com conflitos internos semelhantes. A humildade é a disposição de considerar a opinião de alguém, que é a razão para o tabu contra a fofoca.

Discutirum problema que envolva outra pessoa sem que a outra pessoa esteja presente exclui a possibilidade de humildade, porque não existe um fórum para uma alternativa.

Quando finalmente Òrúnmìlá encontra Ìwà no reino dos ancestrais, ele imploraque ela volte com ele para a Terra.

Encontrar Ìwà no reino dos “ancestrais” significa que o bom caráter tem uma qualidade transcendente que podemos compreender e apreciar, nos lembrando da sabedoria dos antepassados. Ìwà recusa seu pedido e diz-lhe que, se ele retorna a Terra e honrar seus tabus, ela estará sempre com ele em espírito.

Isto sugere que um bom caráter tem um elemento transcendente, que continua a ser um objetivo inalcançável durante nosso tempo na Terra, mas é retido na consciência dos espíritos ancestrais no mundo invisível. Se não temos a certeza que o bom caráter existe em nós, podemos nos voltar para os ancestrais em busca de inspiração.

Versos e escrituras deIfáse referem adiferentes dimensões da realidade.

O casamento entre Òrúnmìlá e Ìwà é uma referência simbólica para o equilíbrio do Eu consciente chamado Orí ode em yorùbá e do Eu interior chamada Orí inu com o Eu superior chamado Ìponrí.

A psicologia refere-se a estes elementos de consciência como o ego, o inconsciente pessoal e o inconsciente coletivo.

O ego(Orí ode) é o rosto que apresentamos ao mundo, o inconsciente pessoal (Orí inu) é a memória de nossas experiências pessoais, o inconsciente coletivo (Ìponrí) é a capacidade humana de acesso à informação fora da esfera da experiência pessoal, que é comumente conhecida como habilidades psíquicas.

Acessar as habilidades psíquicas geralmente requer um estado alterado de consciência normalmente referido como possessão.

A palavra yorùbá para possessão é ini que significa:

Eu sou.

De modo que o entendimento comum da possessão é como algo que acontece a uma pessoa como resultado da invasão de influências externas.

A palavra ‘ini’ sugere que a possessão ocorre a partir do Eu interior.

Isto é consistente coma ideia de que todo mundo tem um Orí pessoal e um Orí inu, porém, Ìponrí existe apenas um e todos nós estamos conectados a ele.

Orí veio à existência no momento da Criação e tem evoluído e se transformado cada vez mais, Orí são os olhos do Criador olhando para ele próprio.

No nível fisiológico de interpretação, Òrúnmìlá representa a saída, o Eu extrovertido e competitivo e Ìwà representa o reflexivo, auto-empatia e introversão.

Esta é uma referência simbólica para a polaridade entre introversão e extroversão. Ambas as abordagens para a consciência pode caracterizar o Orí Ode ou o Orí inu tanto em homens, quanto em mulheres.

Em outras palavras, se o Orí ode é introvertido o Orí inu será extrovertido e vice-versa. A meta do crescimento e desenvolvimento espiritual é a capacidade de integrar e equilibrar esses aspectos polares de autoconsciência.

Em yorùbá o equilíbrio é chamado de Orí tutu significando cabeça fria.

Durante o início este equilíbrio é muitas vezes caracterizado pela polaridade entre os Espíritos primários e secundários que formam a consciência do iniciado. No ritual yorùbá tradicional a importância do equilíbrio é frequentemente simbolizada através do travestimento.

A presença em ritual de um homem como penteado de uma mulher ou uma mulher com uma barba falsa representa a unidade entre Orí inu e Orí.

O ato de travestimentos é um gesto ritual simbólico relacionado a questões de orientação sexual e identidade de gênero. É uma declaração sobre a natureza do equilíbrio espiritual.

Em um nível interpessoal o versículo se refere às diretrizes culturais para se envolver em uma relação saudável e produtiva.

Ifá ensina que a tolerância, empatia e perdão são elementos essenciais no processo de criação de um casamento e o começo de uma família. Isso exige o que eu chamo de equidade de gênero, nem o marido e nem a mulher podem estar em uma posição dominante em todos os assuntos. Liderança é baseada em experiência e nem todos sabem tudo.

A cultura yorùbá tradicional tem uma divisão bastante acidentada do trabalho baseada no sexo. Esta divisão é baseada na necessidade e sobrevivência que são requisitos que não existem mais da Diáspora.

Os papéis de gênerosão uma extensão do que eu chamo de ciclo de Ifá na responsabilidade social.Todas as crianças aprendem as habilidades necessárias para a sobrevivência com outras crianças que são alguns anos mais velhos. Nas zonas rurais os homens que são casados​​ fornecem alimentos pela agricultura, às mulheres processam o alimento em casa para que eles possam assistir as crianças.

Os homens também têm a responsabilidade de proteger a vila.

Quando as mulheres se tornam avós suas responsabilidades de cuidados infantis chegam ao fim e assumem novas responsabilidades como guerreiras espirituais que utilizam estados alterados de consciênciapara proteger a vila.

Homens como avôs já não estão fisicamente capazes de proteger a vila, tomar cuidado infantil e ensino de habilidades comerciais. Desta forma,no curso de uma vida, homens e mulheres finalmente são o capitais nos papéis sociais.

Em um nível comum o verso do Odù sobre Ìwà sugere que a criação de uma família saudável estendida depende do equilíbrio entre o que é simbolicamente referido como uma perspectiva masculina e feminina. Que por sua vez reflete a ideia de que o universo é criado através de um equilíbrio de polaridades, forças de expansão e contração e se unem para se manifestar no mundo físico.

Em termos humanos,homens e mulheres têmigual responsabilidade na orientação edesenvolvimento docrescimento espiritualcomum.Homens e mulheresbuscam o equilíbriocom um comportamento modeloque seja eficaz simbolizeo mistériointeriorda Criação.

Esta responsabilidade partilhada é codificada no processo de fazer oferendas para os Imortais.

Os símbolos para os versos de Ifá/escrituras são baseadas em dois conjuntos de quadra gramas. Cada quadra grama tem dezesseis combinações possíveis de simples e duplas linhas verticais.

Ao colocar juntos dois quadra gramas você tem 16×16 ou 256 combinações. Ao fazer uma oferta ao Espírito para pedir ajudana fixação de um problema um adivinho de Ifá usa uma bandeja de madeira chamada Opón Ifá.

A bandeja recebeum pó fino chamado Ìyèròsùn. O Ìyèròsùn é usado como um papel para marcar o Odù que traz a resolução do problema.

Por exemplo, o Odù Ògúndá Òsá aparece como se segue:

II I
I I
I I
I II

Ògúndá Òsá

O verso de Ifá diz que este Espírito remove os obstáculos e traz a abundância.

Quando a oferta é feita, Ògúndá Òsá é marcado no Ìyèròsùn juntamente com Òkànràn Òbàrà.

Ifá ensina que todo problema no mundo nasce do seu padrão energético oposto. Se tomarmos todas as linhas individuais em Ògúndá Òsá e torná-los linhas duplas da seguinte forma obterá o padrão simbólico de Òkànràn Òbàrà da seguinte forma:

                                  

II I I II
I I II II
I I II II
I II II I

Ògúndá Òsá     Òkánrán Òbàrà

Se você contar o número total de linhas simplese o número total de linhas duplas em ambos os Odùo total é de oito linhas simples e oito linhas duplas.

Isto é verdade para todos os versos das escrituras de Ifá quando emparelhado com o seu oposto.

A razão dos Odù ser em emparelhados ao fazer uma oferta é uma expressão da necessidade de equilíbrio do génerono Universo como uma chave para a resolução de problemas.

O símbolo para esse equilíbrio é a serpente que morde a própria cauda.

O Universo é uma onda de grandes sinais. Pense em uma onda de sinal como uma série de W amarrados juntos como este:

WWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWW

Se você desenhar uma linha através do centro da onda, acima de tudo o ponto central é uma força de expansão.

A ciência chama esta força de radiação.

Tudo abaixo da linha é uma força de contração.

A ciência chama essa força de gravidade.

A linha através do centro é um lugar onde as forças de expansão e contração une-se e se tornam um.

No simbolismo de Ifá este lugar de unificação é simbolizado pela procriação dos Espíritos masculinos e femininos.

No exemplo de Ògúndá Òsá, o Espírito masculino ou Òrìsá chamado Ògún e o Òrìsá fêmea chamada Òya oferecem conselhos para alcançar resolução para o problema em questão. No balcão do equilíbrio o Odù Òbàrà Òkànràn o aspecto feminino do Òrìsá Òsóòsì e o macho Òrìsá Sàngó oferecem conselhos sobre a resolução do problema em questão. Como princípio da ciência e de Ifá, se você adicionar fogo para apagá-lo você simplesmente obterá mais fogo. Se você adicionar água ao fogo então você começa a ter vapor.

O antagonismo entre o fogo e a água cria resolução e equilíbrio na manifestação de algo novo.

Sem aresoluçãoda polarizaçãoo universotorna-seestagnado.

Tudo isto é suportado no ritual da vida cotidiana com a ideia de equidade de gênero como base para a construção efetiva da comunidade.

Estas ideias têm vindo recentemente à atenção do mundo da física. No domínio da matemática, a grande pergunta sem resposta foi o que é chamado de problema da teoria do campo unificado. A pesquisa para esta teoria baseou-se na ideia de Einstein que deve haver uma fórmula que explique a relação entre a estrutura dos átomos e a estrutura dos planetas e estrelas. Ele passou mais de vinte anos, considerando soluções para este enigma e finalmente, consegui encontrar uma teoria que pudesse ser apoiada por sólidas equações matemáticas. Recentemente, esta situação mudou. Dr. Òyibó da Nigéria apresentou uma solução matemática para este problema que tem sobrevivido às pressões da revisão de pares do seu grupo. Quando questionado sobre como ele veio com sua equação para a solução do campo da teoria unificada Dr. Òyibó diz que foi ensinado a ele por seus anciãos de Ifá. Eu não acho isso difícil de acreditar. As marcações de Odù Ifá são uma representação bidimensional de três padrões de energia dimensional. Eles são a chave para compreender a estrutura do mundo em que vivemos

Equações do Dr.Òyibó são extremamente difíceis de entender, para aqueles que não sabem matemática avançada, mas a sua premissa não é difícil de entender. Ele baseou seu modelo matemático sobre a ideia de que existe apenas um elemento, o hidrogênio, e que tudo mais é um composto desse elemento único. Em outras palavras, a pedra fundamental da Criação se desdobra para criar o mundo com base em um esquema que inclui todas as variações de energia expansiva e contracionista dentro de uma estrutura esférica. Estas forças são para os átomos o mesmo que eles são para estrelas e galáxias. Odù Ifá chama isto de esquemático.

Para dizer que não é apenas um elemento e tudo o mais é um composto de uma afirmação da antiga ciência alquímica africana. Os russos desenvolveram um método para fabricação de ouro e o preço do ouro continua a ser fixado apenas sob o preço que custaria para Rússia produzir ouro com lucro. Estas ideias não são desconhecidas, mas elas são suprimidas por aqueles que temem as consequências da iluminação.

Ire Baba

Por Áwo Fatunmbi

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O nascimento da Ìyàwò.

O Odù Ogbè’Ògúndá nos traz a história do nascimento do termo Iyawo, uma história de perseverança, luta, paciência e vitória.

Aqueles que perseveram serão os vitoriosos, aqueles que não desistem no meio do caminho, terão mais chances de triunfar.

Não se liguem muito na história do ìyàwò e sim na luta de Òrúnmìlá por um objetivo, o exemplo é visto através de uma leitura simples e deliciosa.

Ifá é interpretativo, não leve ao pé da letra, como se você estive lendo apenas por que o ìyàwò carrega este termo após a iniciação, pois na verdade ele é um Elégun ou iniciado nos mistérios do òrìsà.

Uma boa leitura a todos.

O texto (de propriedade da humanidade) foi extraído, traduzido e arrumado por Odé Gbàfáomi do livro Ifá Dida do Oluwo Pópóolá.

suor

Aqui, Ogbè’Ìyónú diz:

Inú bíbí ò dá nnkàn

Sùúrù ni baba ìwà

Àgbà tó ní sùúrù

Ohun gbogbo ló ní

Díá fún Òrúnmìlà

Baba n lo rèé fé Ìyà

Tíí se Omo Oníwòó

Wón ní kó sákáalè, ebo ní síse.

Ó gbébợ, Ó rúbo.

A raiva não é frutífera

Paciência é o pai do bom caráter

O ser superior possui tudo

Estas foram às declarações do oráculo à Òrúnmìlá

Quando ele ia buscar a mão de Ìyà (sofrimento).

A filha de Oníwòó (rei de Ìwò)

Ele foi aconselhado a oferecer sacrifício

Ele cumpriu.

Ìyà era a filha de Oníwòó o rei de Ìwò. Ela era muito bonita e trabalhadora. Ela era muito querida por Oníwòó. No entanto, Oníwòó resolveu ativar sua opção de um companheiro para ela. Oníwòó queria se assegurar que qualquer um que quisesse casar com sua filha deveria ser paciente e não deveria perder o controle facilmente. Ele colocou a provo todos os pretendentes de sua filha e todos falharam. Òrúnmìlá então foi a alguns de seus estudantes para consultar Ifá e determinar se ele se casaria ou não com a filha de Oníwòó e também quis saber se a relação seria frutífera e feliz para os dois. Os estudantes o asseguraram que seria muito bom se ele entrasse neste projeto. No entanto ele foi aconselhado a ser muito paciente e não perder o controle. Ele estava informado que os pais de Ìyà colocariam muitas provas em seu caminho para determinar o nível e o tamanho de sua paciência. Então ele foi aconselhado a oferecer um galo, epo e dinheiro (tanto ele/a devem realizar ritual para Ifá com dois ratos, peixe e dinheiro). Ele cumpriu sua tarefa.

Quando Òrúnmìlá chegou ao palácio de Oníwòó, ele foi recebido calorosamente e foi convidado a ir para seu quarto dormir. Desconhecido de Òrúnmìlá o quarto era uma pocilga dos porcos de Oníwòó. Acima dele era onde as galinhas de Oníwòó ficavam. Òrúnmìlá foi mantido dentro deste quarto sem comida e sem água. Ele fedia muito e as galinhas defecavam sobre o seu corpo. Ele não saiu de seu quarto, não pediu comida ou água ele não pediu para tomar banho e limpar seu corpo.

No quarto dia, Oníwòó chamou Òrúnmìlá ao palácio, quando se apresentou ele estava completamente coberto de fezes e fedia terrivelmente. Ele perguntou se Òrúnmìlá havia desfrutado de sua estadia no seu quarto. Òrúnmìlá disse que o quarto era como se fosse um segundo palácio para ele. Ele pediu para Òrúnmìlá trocar de quarto e ficasse ao lado da cozinha, ele estava se afogando no calor e na fumaça.

Ele permaneceu no quarto durante outros três dias sem comida ou bebida, no quarto dia ele foi convidado para ir ao palácio na presença de Oníwòó. Oníwòó lhe perguntou se ele havia desfrutado de sua estadia no novo quarto. Òrúnmìlá disse que o quarto era muito agradável. Oníwòó pediu que Òrúnmìlá fosse alimentado pela primeira vez. Ele comeu da comida do rei.

O próximo quarto dado a ele estava cheio de água rançosa, vermes e insetos, ele não pôde dormir durante três dias e quando chegou o quarto dia pediram-lhe para deixar o quarto, ele tinhas muitas picadas de inseto por todo seu corpo. Quando Oníwòó lhe perguntou se ele havia desfrutado sua estadia no novo quarto Òrúnmìlá respondeu afirmativamente.

Durante três meses Òrúnmìlá estava passando prova em cima de prova. Ele suportou tudo sem queixa. Os próximos três meses foram provas físicas, como reduzir árvores imensas, limpar grandes extensões de terra e carregar cargas pesadas por longas distancias de um lugar ao outro. Ele fez tudo sem queixa.

Depois disto Oníwòó convocou Òrúnmìlá para encontrá-lo, tomar um banho e trocar de roupa (presente do rei). Antes que ele fosse até a corte do palácio, ele descobriu que em todos os lugares as pessoas estavam muito felizes por ele e havia um clima festivo.

Todos estavam cantando, dançando e festejando. Oníwòó pediu a Òrúnmìlá que se sentasse ao seu lado, ele fez. Oníwòó entregou a mão de Ìyà como esposa de Òrúnmìlá. Oníwòó louvou a paciência de Òrúnmìlá e gentileza ao longo de todas as provas por que passou. Ele então pediu a Òrúnmìlá para cuidar de Ìyà, já que havia se mostrado capaz de tomar conta de uma mulher.

Òrúnmìlá estava cheio de alegria, ele havia tido êxito onde muitos haviam falhado. Ele então disse aos seus estudantes que todas as mulheres que se casassem com um homem e passassem a viver debaixo de sua capa deveria ser chamada de Ìyà-Ìwo ou Ìyàwò (o sofrimento de Ìwo). Ele chamou sua nova Ìyà-Ìwo de Èrè (os ganhos para o sofrimento do povo de Ìwo). Todos eles e também seu diretor.

Depois deste dia todas as noivas se tornaram conhecidas como Ìyàwò.

Inú bíbí Ò dá nnkàn

Sùúrù ni baba ìwà

Àgbà tó ní sùúrù

Ohun gbogbo ló ní

Díá fún Òrúnmìlà

Baba n lo rèé fé Ìyà

Tíí se Omo Oníwòó

Wón ní kó sákáalè, ebo ní síse.

Ó gbébợ, Ó rúbo.

Kò pé, kó jìnnà.

E wá bá wa ní wòwó Ire

Ìyà ti Òrúnmìlà je ní Ìwó

Kó seé dele wí

E wá wo Ìyàwò!

A raiva não é frutífera

Paciência é o pai do bom caráter

O ser superior possui tudo

Estas foram às declarações do oráculo de Òrúnmìlá

Quando ele ia buscar a mão de Ìyà (sofrimento).

A filha de Oníwòó (rei de Ìwò)

Ele foi aconselhado a oferecer sacrifício

Ele cumpriu.

Logo depois, não muito tempo depois.

Encontremo-nos em meio a todo ire

O sofrimento que Òrúnmìlá experimentou em Ìwó

Não merece pena.

Olhem minha Ìyàwò (o prêmio pelo sofrimento de Ìwó).

Àse, Àse, Àse O.

Ire Bàbá.

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Está é uma oração onde pedimos por abundancia, alinhamento com nosso destino e que as pessoas nos tratem com carinho.

Alinhar o nosso destino é estar em perfeita harmonia com nosso trabalho, com nossas atitudes e pensamentos.

Alinhar destino é acima de tudo trabalhar para concertar o caráter (iwá), ser uma pessoa que aprimora sua retidão e conduta.

As pessoas que assim não fazem, não devem esperar bênçãos por parte do òrìsà, vão gastar tempo e dinheiro e viverão com a síndrome da Gabriela (Vão nascer assim, vão viver assim e vão morrer assim), buscando a formula que lhe ensine a enxugar gelo.

Olódùmarè é aquele que tudo sabe, pois todos os ebo e pedidos feitos na Terra, são obrigatoriamente endereçados a ele para que recebam sua sanção.

Portanto não devemos nos iludir pensando que tudo que foi pedido e que foi feito e não deu certo é culpa do sacerdote, pois, se o seu caráter é o pior possível, por favor, não coloque a culpa no colo dele, que fez de tudo para que você recebesse suas bênçãos.

Pense nisso, antes de blasfemar.

 Àdúrà Yemojá

Eu estou presente.

Eu estou presente dentro das energias.

Eu e aqueles que estão ao meu redor me protegerão,

Enquanto eu estiver conectado profundamente com a proteção que me foi dada.

Eu me conecto profundamente com aqueles que estão ao meu redor me dando carinho.

Eu clamo por abundância.

E peço aqueles que estão ao meu redor que se conectem profundamente a mim e  me forneçam:

A abundancia da força, da sabedoria e da orientação.

Yemojá eu lhe ofereço:

Efún e peço clareza e o que for necessário para que eu possa cumprir meu destino.

Eu lhe ofereço mel para dissolver qualquer tristeza que esteja em meu caminho e a substitua por doçura.

Eu ofereço moedas para que eu e aqueles que estão ao meu redor possam se beneficiar de riquezas.

Que a boa fortuna se manifeste dentro de mim.

Eu lhe peço bênçãos.

Àse, àse, àse O!

Após a oração  pegue um prato branco, coloque as moedas, cubra com o mel e sopre o efún ralado sobre tudo.

Usar vela é opcional.

Retire as moedas no dia seguinte, use em suas compras e antes converse com este dinheiro sobre o que você deseja dele (dinheiro deve circular) devolva o mel a terra.

Por: Ìyánifá Fakemi

Tradução: Odé Gbàfáomi.

Os iniciados dentro dos mistérios de òrìsà podem fazer este oferecimento sem nenhum problema.

Os não iniciados devem buscar alguém para auxiliá-los, por não terem preparo espiritual.

Quem não observar os conselhos oferecidos, pode se envolver em uma emanação de energia e se ver em apuros, já que não haverá ninguém por perto para auxilia-los.

Ire bàbá

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Àdùrà Òya.

Aqui está uma oração para começar o dia.

 

Òya eu lhe ofereço óleo de palma (dendê).

E peço que você me ajude a remover todos os obstáculos no meu caminho,

E traga as mudanças necessárias para me dar alinhamento em direção ao meu destino.

Traga suavidade e abrace-me com um vento das mensagens positivas.

Para que eu possa levá-las e crescer com a minha família, amigos e comunidade.

Permita que minhas palavras se tornem a minha força.

E minhas ações se fundam com o bom o caráter.

Não permita que eu me sente em desespero e espere o que não virá,

Que eu siga em direção ao alto e em frente, de encontro ao que está esperando por mim e o que está em meu caminho.

Ìbà se Òya! Ìbà se Òya! Ìbà se Òya!

(Eu te saúdo Òya!).

Bênçãos,

Ìyánifá Fakemi

Esta oração e o ebo podem ser usados por qualquer pessoa iniciada dentro dos mistérios do òrìsà.

Os não iniciados podem oferecer a oração suprimindo a primeira frase e o ebo.

Os casos de não observância, podem acarretar consequências de acordo com sua escolha.

A oração pode ser feita diariamente por todos suprimindo a primeira etapa.

 

Odé Gbàfáomi.

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Okotitá metá

Okoritá metá

O papel de Èsù deve ser pensado e avaliado pelos praticantes da religião dos òrìsà, a separação das energias de Povo de Rua e Èsù devem ser preservadas e difundidas, as funções múltiplas deste eborá nos auxiliam, desde que perfeitamente entendidas e o discernimento seja somado ao conhecimento.

Tudo isto somado irá ajuda-lo e lembra-lo de suas obrigações e responsabilidades para com as suas atitudes.

Òrúnmìlá um dia queria ver como seus amigos reagiriam à notícia da sua morte, então ele instruiu sua esposa (Apetebi) para espalhar a notícia de sua morte e depois se escondeu no sótão.

Vários Òrìsà vieram a sua casa para pagar os seus respeitos, mas todos eles disseram à esposa que Òrúnmìlá lhes devia dinheiro e etc., ela pagou a todos eles (era tudo mentira).

Mas quando Èsù chegou, ele estava chorando copiosamente e disse-lhe que se houvesse alguma coisa que ela precisasse bastaria apenas chamá-lo, etc.

Além disso, ele disse a ela que ele tinha uma dívida com Òrúnmìlá sobre algum dinheiro e pagou prontamente.

Òrúnmìlá, em seguida, desceu do sótão e disse à Èsù que ele era um verdadeiro amigo.

A partir de então, os irmãos estavam apertados.

Foi depois disso que Èsù ensinou a Òrúnmìlá os segredos das Ìyàámi e trouxe equilíbrio à polaridade feminino-masculino na Terra.

Èsù é o mensageiro de Ifá, o oráculo.

Ele também cuida da sessão de adivinhação, para ter certeza que está sendo bem feita. Adivinhos têm um Èsù ao lado de seus Ìgbà de Òrúnmìlá.

Olódùmarè fez dele o Òrìsà mais poderoso e ele existe no céu e na Terra simultaneamente. Èsù desempenha um papel central no processo do ebo, para o conceito de reciprocidade yorùbá.

Èsù não só traduz a linguagem dos seres humanos para a do Òrìsà;

Ele também atenua entre os humanos e os Ajogun.

Os Ajogun são energias negativas que impedem nosso progresso.

A crença yorùbá é fundada na ideia de equilíbrio em todas as coisas; que todas as coisas devem buscar o equilíbrio.

Èsù é quem equilibra as duas forças opostas.

Quando criamos algo bom, algo ruim também é criado.

Os manifestos dos Ajogun são doença, perda, dor e etc.

Èsù fez um acordo com eles para eles aceitarem a sua oferta em nosso nome.

A história deste negócio é contada em Òsá Ogbè.

Neste itan um exército de Ajogun estava a caminho de Terra, quando avistaram Èsù.

Eles correram!

Òrúnmìlá disse.

Òrúnmìlá lhe pediu para pegar um monte de coisas para os Ajogun e perguntar-lhes se eles aceitariam os dons em troca da paz para as pessoas que estavam vindo.

Depois que o trato inicial passou, Èsù teve a ideia de que ele poderia ser o intermediário que traria as oferendas para o Ajogun para que eles pudessem deixar as pessoas em paz.

Quando fazemos ebo é Èsù que o leva para o Òrìsà, Egun, Ìyàámi ou Ajogun.

Èsù leva o seu ebo para os Ajogun (no caso do ebo ser para eles) que os aceita em troca dos problemas que estavam prestes a lhe trazer.

Èsù wi o lo dogbo.

Esu wi o lo dogbo.

Emi náà wi mo lo dafakan

Èsù ni ọpọn onà ti si

O ni táa lo kan

Won ni (lagbaja ni)

Esu ni so ru abi o ru?

Won lo ru!

(Tabi ko ru)

Eu estou me movendo para a frente, disse Èsù.

Todo mundo está preocupado, eu respondi.

As presas dos Ajogun estam se movendo.

Esu perguntou:

Quem é o próximo?

Eles disseram:

Ele é fulano de tal. (nome da pessoa)

Será que ele ofereceu o ebo ou não?

Ele ofereceu, (Ou não ofereceu), disseram eles

Nesta parte do ese Odù acima, o crescimento espiritual e a transformação é o que queremos.

Ajogun pode impedir nosso progresso.

Èsù nos permite continuar a crescer por aplacar os Ajogun com o ebo que fazemos.

Mesmo que tenhamos um destino pré-determinado, não é garantido. São nossas escolhas que nos mantêm em alinhamento ou não.

Èsù nos traz as consequências de nossas escolhas e ao fazê-lo nos leva de volta para o alinhamento e seguimos em frente.

Èsù é uma força neutra, mas a maioria das pessoas só pensa nele como alguém que traz problemas.

Se for isto que você pensa, talvez um olhar para o seu próprio comportamento é devido.

A relação entre Òrúnmìlá e Èsù é que, enquanto Ifá é um sistema de alerta precoce de problemas iminentes (Ajogun), Èsù é o único que pode evitar esses problemas.

A verdade é que Èsù mais frequentemente não nos protege do que nos traz coisas boas.

Um itan em Òwórín Òsá é um bom exemplo:

Havia um rei, cujo filho foi levado para o rio para sua iniciação.

O grupo de Bàbáláwo foi informado pelo bàbáláwo mais jovem que nesta iniciação, não se deveria usar sangue.

O Bàbáláwo sênior não pagou ao áwo jovem, como o sangue não significaria custos por ele, eles ofereceram uma galinha e assim que o sangue atingiu o chão, o filho do rei desmaiou.

O rei, furioso, disse que se o Bàbáláwo não ressuscitasse seu filho, todos seriam mortos. Todos os Bàbáláwo fugiram, mas foi apenas Ìgbìn, o áwo mais novo que foi salvo por Èsù!

Èsù escondeu-o sob uma folha Òkòkó.

Mais tarde, o áwo jovem foi capaz de ressuscitar o filho do rei (na verdade, Èsù fez isso).

Ele foi recompensado com muita riqueza.

Dizemos que Ifá é melhor do que os clarividentes, porque enquanto os clarividentes podem ver o futuro, eles não podem fazer isso acontecer ou alterá-lo.

Ifá pode e é Èsù que fornece nesse aspecto o status superior de Ifá.

Ifá nos reconecta com o nosso destino e Èsù nos ajuda a chegar lá.

Òsá méjì

… Troca, troca,

O sacerdote de Ifá da casa de Elepé

Foi-lhe dito para oferecer um animal

Para a sua vida, por conta de Ikú (morte).

Como um parceiro de Òrúnmìlá na adivinhação, Èsù é o “executor” de uma ação.

Ofertas, ditada por Òrúnmìlá como o comunicador do oráculo (Ifá), são normalmente oferecidos para o santuário de Èsù.

Todo o ritual começa e termina com Èsù.

Ele tem o poder de traduzir a linguagem humana para a linguagem do Espírito e da natureza e vice-versa.

Èsù é o princípio do caos no universo, mas ele também traz a ordem ao caos através de seu controle de ebo. Ele pode decidir não mais restringir o Ajogun (espíritos malignos) e afetar a pessoa arrogante, a fim de lhes ensinar uma lição.

Ele informa (como mensageiro) a Olódùmarè, Òrìsà, Àjè, quando o ebo foi feito.

Ele vê o uso adequado do sacrifício ritual.

Embora a oferta seja difícil, não é pior que a morte.

Ire é a vida, a saúde, o dinheiro, os filhos e a vida longa.

A conversão de morte para a vida, ou ìbì (negativo) em ire (positivo), é um poder especial de Èsù.

Ògúndá Ìretè diz:

“Pescador não sabe onde começa a água do mar, nem sabe a origem da lagoa.”

Foi jogado Ifá para Elégbára no dia em que ele disse que precisava de apaziguamento, antes ele levaria ebo para o òrun.

Òrúnmìlá perguntou como Elégbára iria mostrar a eles que seu ebo tinha sido levado ao òrun. Elégbára disse que aquelas pessoas cujo ebo haviam sido aceitos saberiam.

Para quem nunca fez um ebo antes, eles devem dizer:

Meu ebo atingiu o mar e a lagoa. Se o fizerem, ele será aceito.

Ele disse:

Qualquer um que tenha feito ebo antes deve dizer, meu ebo chegou ao òrun.

A Elégbára foi dito oferecer ebo para que as pessoas do mundo seguissem sua orientação.

Òrúnmìlá fornece o conhecimento necessário para a pessoa que veio para a divinação, que inclui soluções para os problemas de tempo testados, bem como a oferta ritual necessária para trazer as coisas em ordem ou para trazer as bênçãos para o cliente (para transformar em ire o que está ìbì).

Ordem é trazida pelo ebo adequado, que é supervisionado por Èsù.

O papel do adivinho é transformar ìbì (energia negativa, ou caos, ou de resistência) em ire (energia positiva, ou ordem, ou abertura à mudança).

Òsé Méjì diz:

O mundo está quebrado em pedaços.

O mundo está dividido e aberto (caos)

O mundo está quebrado sem ninguém para consertá-lo.

O mundo está dividido e aberto, sem ninguém para costurá-la

(Há maneira de trazer ordem ao caos).

Foi lançado Ifá para os seis mais velhos

Que estavam descendo para Ilè Ifè.

Eles foram convidados para cuidar de Mole.

Eles foram informados de que eles fariam bem

Se eles fizerem ebo (através do ebo, a ordem poderia ser levada ao caos).

Se o ebo para Èsù não for feito, não será aceito no òrun.

Àse.

Podemos ver que Èsù é uma divindade benevolente e maravilhosa.

Ele tem o poder de ligar e liberar.

Ele pode limitar as ações das forças negativas, bem como trazer as bênçãos das divindades de branco (positivo) para os seres humanos.

Maior papel de Èsù em nossa vida individual (na minha opinião), é golpeá-lo na cabeça quando você está preso a algum dogma. Èsù lembra-nos que a verdade não é estática e nada é permanente.

Quando Èsù “satisfaz você na rua” (costume do yorùbá dizer), pode ser doloroso, especialmente se você tem investido muito em sua verdade concreta;

É por isso que ele recebe uma má definição.

Em Ifá, dogma é a personificação do mal. É isto, e apenas isto, que separa a teologia yorùbá das outras religiões mundiais.

Quando uma pessoa vai para uma leitura/jogo (Dáfá), um Odù é revelado. Pode vir em ire (sorte) ou ìbì (infortúnio). Ìbì em yorùbá significa placenta. Quando você está no útero, você precisa dela para viver, mas se você segurá-la após o nascimento, ela irá matá-lo.

Assim, em yorùbá “o mal” não é obra do diabo.

É dogma.

É o trabalho de Èsù agitá-lo para que você possa crescer e alcançar o seu destino.

Ire Bàbá.

Tradução do texto: Odé Gbàfáomi.

Texto Bàbáláwo Fatègbè Fatunmbi.

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