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Archive for Junho, 2016

Éèríndílógún e Ifá.

Éèríndílógún, ou, òrìsà dídá, é o nome pelo qual o jogo de dezesseis búzios é conhecido na religião tradicional Yorùbá.
Dizer que o jogo de búzios é Ifá, é de fato um grande erro, Ifá se trata do òpèlè e do ikin, utilizados no culto de Òrúnmìlà.
O jogo de búzios é utilizado pelos sacerdotes de orixá, não de todos, mas, principalmente: Obatala, Osun (Oxum), Esu (Exu), Sango, Yemoja, entre alguns outros.
Existem algumas versões sobre a criação do jogo de búzios, duas conhecidas por mim:

Ifá e Oxum:

Orunmila era casado com Oxum e essa o acompanhava em todos os atendimentos, dessa forma Oxum aprendeu sobre alguns Odu e assim, criou um novo sistema de consulta, que utilizava os 16 odu que Ela, Oxum, dominava.

Outra versão:

Obatala

Obatala teria criado o sistema do jogo de dezesseis búzios, que contém os dezesseis odù Òòsà, sendo eles:
Okanran, eji oko, ogunda, irosun, ose, obara, odi, ogbe, osa, ofun, owonrin, ejilasebora, e outros quatro que variam de acordo com a região e o culto.
Esse sistema, Obatala teria passado para Oxum e essa teria passado para os outros irunmole.

O importante é compreender que, o jogo de dezesseis búzios não é exclusivo de Oxum e não é apenas a mesma que responde no oráculo e sim o irunmole para qual os búzios foram consagrados na iniciação. Diferente de Ikin e opele, que são sacralizados exclusivamente para Ifá (Orunmila).
É importante destacar que, o jogo de búzios é tão amplo e complexo quanto o sistema de Ifá, não se trata de um oráculo intuitivo, tampouco de um sistema de decorar palavras chaves, para manipula-lo, o sacerdote deve ter sido treinado e ter conhecimento dos ese de cada um dos 16 odu utilizados.
O jogo de búzios não é inferior ao Ifá, inclusive, se um sacerdote de orisa conhece mais histórias do jogo de búzios do que um sacerdote de Ifá conhece em Itàn odu, certamente o alcance do jogo de búzios será maior. Digo isto para combater a falsa propaganda de que um oráculo é superior ao outro, isso é mentira!
O que pode ser superior ao outro, é o conhecimento do sacerdote e isso é independente do oráculo e do culto.
Exemplo, se um Tarólogo tem um conhecimento profundo de tarot e um sacerdote de orisa tem um parco conhecimento do jogo de búzios, certamente a consulta de tarot será melhor e mais profunda.

É preciso ter atenção e tomar cuidado com a propaganda, diminuir um sistema para exaltar o outro, ignorando completamente a importância do conhecimento profundo, é algo muito perigoso.

Que Ifá e Obàtálá abençoe a vida de vocês leitores, ire o!

Texto: Bàbá Ònífá Ilésire Ṣówùnmí – Zarcel.
Centro Cultural Ilésire – A Casa da Boa Sorte

Foto de Ìjọ Ifá Òtúrá Orí’re àti Ilé Àṣẹ Ọbàtálá Ọ̀ṣẹ̀rẹ̀màgbò.
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 A MINHA PESQUISA SOBRE OS CABOCLOS COMEÇOU POR UMA CURIOSIDADE DE TENTAR ENTENDER O PORQUE QUE AS CASAS DE SANTO PRINCIPALMENTE AS QUE NÃO são DE TRADIÇÃO ANGOLA FAZEREM UM “XIRÊ DE ANGOLA” PARA TOCAR PARA CABOCLO.

ISSO  SEMPRE ME INCOMODOU, POIS  NA MINHA IGNORÂNCIA EU FALAVA, SE VC É KETU OU GEGE, CANTE SUA BANDEIRA E DEPOIS LOUVE SEU CABOCLO…

MAS DE UMA CERTA MANEIRA ELES ESTÃO CERTOS E EU NÃO SABIA, PORQUE A ORIGEM DO CABOCLO É BANTU / ANGOLA / KONGO.

EXISTEM DOIS TIPOS DE CABOCLOS, SÃO ELES OS CABOCLOS DE PENA E OS CABOCLOS DE COURO OU BOIADEIROS:

– ANTES DE FALAR DE CABOCLOS TEMOS QUE FALAR PRIMEIRO DA JUREMA PRETA OU JUREMA SAGRADA, DO CATIMBÓ, QUE DERAM ORIGEM AO CULTO DOS ENCANTADOS, CABOCLOS E BOIADEIROS.

– DE ACORDO COM OS PESQUISADORES, DENTRE ELES, NINA RODRIGUES, ARTUR RAMOS, MANUEL QUIRINO ENTRE OUTROS, SE TEM NOTÍCIAS DA ORIGEM DO CULTO DA JUREMA NOS ANOS 1532 / 1536 E QUE É ORIGINÁRIA DOS POVOS INDÍGENAS NORDESTINOS DA CAATINGA (QUE SIGNIFICA MATA BRANCA, POR CAUSA DA COR DA VEGETAÇÃO).

– ESSAS ÁRVORES SÃO “PLANTADAS” OU “ACENTADAS” PELO MESTRE JUREMEIRO QUE SE TRANSFORMAM NAS “CIDADES DA JUREMA”. ESSA PLANTAÇÃO É FEITA PELO MESTRE JUREMEIRO, AO SEU MESTRE INVISÍVEL QUE USA REZAS, FUMOS E VELAS, MAS SÓ APÓS O FALECIMENTO DESTE MESTRE JUREMEIRO É QUE A “CIDADE” PASSARA A SER SAGRADA E TER FORÇA.

– UMA CURIOSIDADE: O TERMO “JUREMA” PODE  SIGNIFICAR, UMA CIDADE, UMA CABOCLA E UMA BEBIDA…

– EXISTEM SETE CIDADES QUE SÃO: JUREMA, VAJUCÁ OU AIUCÁ, JUNÇA, ANGICO, AROEIRA, MANACÁ E CATUCÁ.

NOTA: O CULTO A JUREMA, TAMBÉM  CHAMADO DE ADJUNTO DA JUREMA, NA ÉPOCA COLONIAL, ERA PROIBÍDO E QUEM O PRATICASSE ERA PRESO E TORTURADO, AS VEZES ATÉ A MORTE.

O PREPARO DA JUREMA: RASPA-SE A RAIZ, PARA TIRAR A TERRA, EM SEGUIDA É COLOCADA SOBRE UMA PEDRA E É MACERADA, QUANDO ESTÁ BEM MACERADA, COLOCA-SE DENTRO DE UMA VASILHA COM ÁGUA E SE ESPREME COM A MÃO ATÉ A ÁGUA SE TRANSFORMAR EM UMA INFUSÃO VERMELHA E ESPUMOSA ATÉ FICAR NO PONTO DE SER BEBIDA.

– ESTA BEBIDA ALUCINÓGENA É INGERIDA PELOS MESTRES JUREMEIRO PARA QUE ELES ENTREM EM TRANSE, SE APROXIMEM, VAMOS DIZER ASSIM DA ESPIRITUALIDADE, E FAÇAM SUAS SESSÕES DE CURAS E REZAS.

– NÃO SERIA PECADO NENHUM AFIRMAR QUE A “CABOCLA JUREMA” NADA MAIS É QUE O ESPÍRITO DE UMA MESTRA JUREMEIRA FILHA DE OXUM, ENCANTADA NA ÁRVORE DO MESMO NOME, VIDE A CANTIGA COMO EXEMPLO:… “CABOCLO VAI EMBORA, PRA CIDADE DA JUREMA, OXALA TÁ LHE CHAMANDO, PRA CIDADE DA JUREMA….

– “SANTIDADE” FOI UM CULTO QUE NASCEU NO BRASIL AINDA EM 1500 EM QUE OS ÍNDIOS CATEQUIZADOS PELOS PADRES PORTUGUESES JUNTAVAM OS SANTOS CATÓLICOS COM A MITOLOGIA INDÍGENA E DAI TEMOS A MISCIGENAÇÃO.

NOTA: OS PADRES PORTUGUESES ACHAVAM QUE OS ÍNDIOS NÃO TINHA RELIGIÃO, NÃO ACREDITAVAM EM UM DEUS, TAMPOUCO NO DIABO, E QUE ERAM FÁCIL DE SEREM MOLDADOS NO CRISTIANISMO, DIFERENTE DOS PADRES ESPANHÓIS QUE TINHAM UMA LIGAÇÃO MAIS FORTE COM O CLERO E QUE ERAM EXTREMAMENTE INTOLERANTES A TODO E QUALQUER CULTO PAGÃO.

– CATIMBÓ É UM CULTO MUITO PARECIDO COM O DA UMBANDA. OS PESQUISADORES INCLUSIVE ACHAM QUE NA VERDADE O CATIMBÓ É O COMEÇO E ORIGEM DA UMBANDA OU A PRIMEIRA ARTICULAÇÃO DA UMBANDA,  QUE JUNTOU A MITOLOGIA INDÍGENAM COM OS SANTOS CATÓLICOS E OS ENCANTADOS.

– O TRÁFICO DE ESCRAVOS PARA AS AMÉRICAS INCULIVE PARA O BRASIL DUROU CERCA DE 300 ANOS, E OS PRIMEIROS ESCRAVOS QUE APORTARAM AQUI FORAM OS NEGROS BANTUS, ORIUNDOS DAS CIDADES DE ANGOLA, BENGUELA, ÁFRICA DO SUL, KONGO E ETC. ATÉ PELA PROXIMIDADE GEOGRÁFICA.

– NOTA: PARA SE TER UMA IDÉIA, MUITOS DESSES ESCRAVOS FORAM USADOS PELOS BANDEIRANTES PARA DESBRAVAREM O BRASIL E ABRIREM AS FRONTEIRAS.

– A DIVISÃO E VENDA DOS ESCRAVOS ERA FEITO PELO QUE ELES SABIAM FAZER, POR SUAS HABILIDADES PESSOAIS.

–  AS MULHERES ERAM CLASSIFICADAS TAMBÉM POR SUA APARÊNCIA E BELEZA. AS MAIS AFEIÇOADAS ERAM ESCOLHIDAS PARA FICAREM DENTRO DA CASA, GERALMENTE AS MAIS VELHAS FICAVAM NA COZINHA, E  AS MAIS NOVAS ERAM APROVEITADAS COMO MUCAMAS E ESCRAVAS PESSOAIS DAS SENHORINHAS, OU COMO ACOMPANHANTES DAS FILHAS

– OS POVOS QUE MEXIAM COM AGRICULTURA ERAM VENDIDOS PARA AS FAZENDAS DE CULTIVO DE CANA, CACAU, CAFÉ MILHO E ETC, QUE FICAVAM MAIS AO SUL DA BAHIA POR QUESTÕES CLIMÁTICAS.

– E OS NEGROS QUE SABIAM MANEJAR GADO IAM PARA O NORDESTE PARA AJUDAR NAS FAZENDAS DE CRIAÇÃO DE BOIS, VACAS E CAVALOS. AS FAZENDAS DE GADO GERALMENTE FICAVAM NO NORDESTE DA BAHIA QUE FAZEM DIVISA COM PERNAMBUCO, ALAGOAS SERGIPE E PIAUÍ.

– COM ESSA PROXIMIDADE, O ESCRAVO BOIADEIRO SE MISTUROU COM OS ÍNDIOS QUE FAZIAM O CULTO DA JUREMA, ENTÃO HOUVE A PAJELANÇA, QUE FOI A JUNÇÃO DA CULTURA AFRICANA AO NKISI COM A CULTURA INDÍGENA A NATUREZA.

– ALGUNS EXEMPLOS DE CANTIGAS DE EXALTAÇÃO A TERRA NATAL OU DE AFIRMAÇÃO DE CIDADANIA.

—MINA ORA EH, MINA ORA AH, MINA ORA EU SOU DE ANGOLA…

—KITEMBO GANHOU UMA BANDEIRA…. ETC…

CABOCLOS DE PENA:

SÃO OS ESPÍRITOS DOS ÍNDIOS EM SUA GRANDE MAIORIA OS TUPÍS, TUPINANBÁS E ARATAGUI. MISTURADOS COM OS ENCANTADOS DA JUREMA QUE SÃO CULTUADOS AMPLAMENTE NA UMBANDA.

– EXEMPLOS: PENA BRANCA, PENA ROXA, TUPINAMBÁ, JUPIRA, GIRA MUNDO, GIRA SOL, E ETC..

 CANDOMBLÉ DE CABOCLO:

– ESTE CULTO TEVE ORIGEM PELA NECESSIDADE DOS BOIADEIROS LEMBRAREM DA SUA CIDADE NATAL, E LOUVAREM OS SEUS JINKISI. ONDE ELES CANTAVAM, DANÇAVAM, REZAVAM E AGRADAVAM SEUS SANTOS NA LÍNGUA NATIVA, MISTURADA COM O PORTUGUÊS ARCAICO.

ENTÃO O PROFANO VIROU SAGRADO COM A DIVINIZAÇÃO PÓS MORTEM DOS NEGROS AFRICANOS, E ASSIM OS ESCRAVOS BOIADEIROS VIRARAM SANTOS.

– NO CANDOMBLÉ DE CABOCLO TIVEMOS UM BABALORIXÁ QUE FOI O MAIS FAMOSO DENTRE TODOS, “JUBIABÁ” QUE SE CHAMAVA SEVERIANO MANOEL DE ABREU, NASCIDO EM 20/04/1886 E FALECIDO EM 28/10/1937, QUE FOI CAPITÃO DO EXÉRCITO E QUE RECEBIA O CABOCLO JUBIABÁ QUE FOI O CABOCLO MAIS FAMOSO DA BAHIA, A PONTO DE CHAMAREM O PAI DE SANTO PELO NOME DE SEU CABOCLO, E QUE FOI PAI DE SANTO DO NÃO MENOS FAMOSO BABALORIXÁ JOÃOZINHO DA GOMÉIA QUE RECEBIA O CABOCLO PEDRA PRETA.

– ALGUNS CÂNTICOS DO CANDOMBLÉ DE CABOCLO….

—DE ONDE VEM OGUM MARINHO…. ELE É O REI DOS ASTROS… SAIA DO MAR LINDA SEREIRA… E ETC.

CONCLUINDO:

– DEPOIS DESSAS PESQUISAS E ESTUDOS, PODEMOS AFIRMAR SEM DÚVIDA ALGUMA, QUE TODO CABOCLO SEJA DE PENA OU DE COURO, SÃO NA VERDADE ENCANTADOS ORIUNDOS DO CULTO A JUREMA SAGRADA!!!

 

Tata Euandilu.

 

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 Panãn, um rito de transição em vias de extinção.
Meu empenho nesse new post é de melhor esclarecer e debater o que já se julga saber por ser de domínio mais ou menos público, entre o povo de santo, sobre uma das cerimônias que precedem os “Ritos de Iniciação e Consagração de um Neófito”, preservando na esfera do silêncio os fundamentos do Panãn.
Trata-se de uma cerimonia comunitária de carácter fundamentalmente religioso, organizado e dirigido pelo Corpo Sacerdotal do Terreiro, e que marca a transição de um indivíduo de um status institucionalizado para outro, ou seja, a reintegração do recém iniciado à sociedade da qual faz parte integrante. Em uma colocação particular, o denomino de “Voltar ao estado de consciência e à vida normal”.
Não posso deixar de mencionar que, normalmente, os ritos de transição eram praticados em sociedades tradicionais, organizadas em classes ou grupos etários. Nesses “ritos de passagem”, praticados em festas e em cerimônias simbólicas, os indivíduos eram retirados da sua situação anterior, considerada menor, para, através de uma prova real ou simbólica, “nascerem” para um novo status, considerado superior.
Nesta cerimônia, são realizadas as “quebras dos interditos” da ìyáwòrìṣà, seguindo da sua reinserção nas tarefas cotidiana do dia a dia. “reaprendizagem das atividades quotidianas”, além de “cozinhar, lavar roupa, usar o pilão, limpar o peixe, fazer compras na feira, cuidar de sua toilette, simular o ato sexual, o parto, ninar uma boneca, passear pela cidade ao braço do marido, escovar as roupas deste ao voltar para casa, fumar, ouvir rádio, assistir televisão e até mesmo reaprender a sua profissão.
Uma de suas etapas consiste em se manifestar a representação de um antigo Mercado de Escravos, onde os ìyáwòrìṣà são apresentados por seus atributos “físicos e psíquicos”, dando inicio a um grande leilão das “peças humanas” como acontecia no período da escravidão, apesar do clima ser ameno e repleto de uma conotação cordial e alegre.
Há quem diga que essa cerimônia não passa de um “pequeno espetáculo” de uma “brincadeira de iaô”, que não tem fundamento algum dentro da liturgia afro brasileira.

Texto: Baba Guido Olo Ajagùnà.

Colaborando com o texto do Bàbá, o Pònòn é um ritual da iniciação ketu que ocorre no dia seguinte ao Orukó do Iyawo. Tem como objetivo principal fazer com que o noviço reaprenda as atividades do mundo profano e cotidiano, para que nada lhe seja prejudicial no futuro, quebrar os ewós referentes ao Orixá, em algumas casas, o Erê ajuda na quebra de ewós. É um ato de transição entre a reclusão e a luz do sol que o Ìyàwó não vê a muito tempo seu retorno a vida material. 
Normalmente o Iyawo é apresentado pelo bábá ou Iyá aos presentes e filhos de santo da casa, neste momento, simbolicamente é oferecido como um bom escravo, o zelador tentará vende-lo por lance inicial em dinheiro vivo que lhe prover, feito o leilão, cabe a quem comprar o escravo e alforria-lo e dando-lhe a liberdade.
No meu tempo, quando acabava o panãn, os zeladores levavam os iyawos para tomar a benção em outros Axés co-irmãos e ainda assistiam uma missa na Igreja Senhor do Bonfim em São Cristóvão.
Texto: Fernando D’Osogiyan.

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Tecno Candomblé!

Gostaria de falar um pouco sobre o novo movimento que surgiu com o advento do “Orkut (já falecido), Facebook e Watthsap.

Centenas de grupos são criados com o “intuito” (assim dizem seus criadores), de fortalecer e unificar a religião.

Realmente acho temeroso esses pretensos grupos nacionais, onde se troca informações de todo o tipo, seja de cantigas, fundamentos, rezas e tudo que o valha da religião.

Minha pergunta aos leitores. Se faz realmente necessário essa modernidade na religião?

Como pode uma pessoa de um determinado Axé ou Ndanji, trocar informações com o de outros?

A diferença de uns cabe a outros?

E o nosso candomblé de terreiro, onde se aprende com os mais velhos será abolido?

O que mais se vê nesse grupo, são discórdias e brigas em detrimento de um conhecimento diferenciado, que é natural das casas diferentes, não sei se por culpa do ego, ou de uma falta de compreensão sobre as diferenças saudáveis da religião.

Não podemos negar que essas ferramentas de comunicação, são necessárias para o desenvolvimento da humanidade, mas cabe evolução na nossa religião?

Vamos continuar dividindo “Axé” pela Web?

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Patrimônio cultural do estado reconhece, pela primeira vez, a relevância de espaço.

Rio – Pela primeira vez no Estado do Rio, um terreiro de candomblé é reconhecido por sua importância histórica, cultural e etnográfica. O tombamento do Ilê Axé Opô Afonjá — criado há 130 anos na Pedra do Sal, na Região Portuária do Rio, e que funciona desde a década de 1940 no bairro Coelho da Rocha, em São João de Meriti — foi publicado no Diário Oficial do Estado.

Pelo decreto 5.808, de 1982, o tombamento provisório equipara-se ao definitivo e prevê a proteção da estrutura da casa principal, do barracão, da área de convivência destinadas às cerimônias religiosas, da árvore sagrada, denominada Irôko, e do bambuzal, além de alguns bens móveis e integrados do terreiro.

Terreiro funciona desde a década de 1940 no bairro Coelho da Rocha

Foto: Divulgação

A líder religiosa do terreiro, Mãe Regina Lúcia D’Yemonjá, de 75 anos, comentou o ato em um vídeo no Facebook. “O tombamento trata-se de um reconhecimento de anos de resistência pela continuidade cultural”, disse.

O tombamento foi festejado por vários religiosos. Para Athaylton Jorge Monteiro Belo, o Frei Tatá, coordenador da superintendência de Igualdade Racial de São João de Meriti, o Inepac fez um excelente trabalho de pesquisa e fundamentação. “Isso é ótimo para São João de Meriti e para a história das religiões de matrizes africanas”, disse “Mais uma vitória dos povos e comunidades tradicionais de matriz africana”, afirmou a mãe de santo Ignez Teixeira, no Facebook. Em novembro, ela coordenou projeto que apagou frases de intolerância religiosa em muros do Rio.

Por BRUNA FANTTI

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Ợbàtálá é o Espírito do Chefe do Pano Branco na tradição religiosa do Oeste Africano chamada de Ifá. A palavra Ợbàtálá é o nome dado para descrever uma convergência complexa de forças espirituais que são elementos importantes para o conceito de consciência em Ifa. As forças espirituais que formam a base do papel de Ợbàtálá como Sagrado Espírito se relacionam com o movimento dinâmico entre formas e tal como ela existe em todo o universo, De acordo com Ifa, dinâmica e forma representam a polaridade entre as forças de expansão e contração. Juntas, estas Forças criaram a luz e as trevas, que por sua vez sustentam e definem tudo o que existe.

Ifá ensina que é a interação entre a luz e a escuridão que geraram o universo físico é um dos aspectos de Ợbàtálá, é ele que faz essa interação.

Não há tradução literal para a palavra Ifá.

Ifá refere-se a uma tradição religiosa e a compreensão da ética, um processo de transformação espiritual e um conjunto de escrituras que são a base para um complexo sistema de adivinhação.

Dentro da disciplina de Ifá, há um corpo de sabedoria chamado “awo”, que tenta preservar os rituais que criam uma comunicação direta com as Forças da Natureza. Awo é uma palavra yorùbá que normalmente é traduzida como “segredo”. Infelizmente, não há equivalente real em Inglês para a palavra awo, porque a palavra carrega fortes associações culturais e esotéricas. Na cultura yorùbá tradicional, awo remete para os princípios ocultos que explicam o mistério da Criação e da Evolução. Awo é o entendimento esotérico das forças invisíveis que sustentam a dinâmica e a forma dentro da Natureza. A essência dessas forças não são consideradas secretas porque elas são desonestas, eles são secretas, porque eles permanecem ilusórias, terríveis em seu poder de transformar e não são visíveis. Como tal, só pode ser compreendida através da interação direta e participação. Qualquer coisa que possa ser conhecida pelo intelecto por si só, deixa de ser awo.

A inspiração primordial para awo é a comunicação entre as forças Espirituais transcendentes e da consciência humana. Esta comunicação é acreditada para ser facilitada pelo Espírito de Èşù, o Mensageiro Divino. Trabalhando em estreita associação com Èşù está Ògún, o Espírito do Ferro. Ògún tem o poder de limpar os obstáculos que se interpõem no caminho do crescimento. De acordo com o espirito de Ifa, o trabalho realizado por Ògún é guiado por Ọșóòsì, o Espírito do Perseguidor que tem a capacidade de localizar o caminho mais curto para nosso objetivo espiritual. O objetivo essencial de Ọșóòsì é chamado a guiar-nos para a tarefa de construir “iwa-Pelé”, que significa “bom caráter”. Esta orientação assume a forma de uma busca espiritual, que é chamado de “iwakiri”. Uma das funções de Ợbàtálá é preservar a visão mística para aqueles que fazem a busca de iwakiri, em busca de iwa-Pelé.

O poder de Ợbàtálá é descrito por Ifa como uma das muitas forças da natureza espiritual, que são chamadas de “Òrìşà”. A palavra Òrìşà significa “Cabeça Selecionada”. Em um contexto cultural, Òrìşà é uma referência para as várias forças da Natureza que é a guia da consciência.

De acordo com Ifa, tudo na natureza tem alguma forma de consciência chamada “Ori”. O Ori de todos os animais, plantas e seres humanos é acreditado ser guiado por uma força específica na Natureza (Òrìşà), que define a qualidade de uma forma particular de consciência. Há um grande número de Òrìşà e cada Òrìşà tem seu próprio awo.

A função única de Ợbàtálá dentro do reino do Awo Òrìşà (Mistérios da Natureza) é fornecer a centelha de luz à consciência que anima. Chamar o Chefe do Pano Branco de Òrìşà é fazer uma referência simbólica a essa substância que torna possível a consciência. A referência ao Pano Branco não é uma referência ao material usado para fazer o pano, é uma referência para o tecido que une todo o universo. Os fios deste tecido são as camadas multi niveladas de consciência, que Ifá ensina existir em todas as coisas em todos os níveis do ser.

Ifá ensina que é essa a capacidade das Forças da Natureza de se comunicarem uns com os outros e a capacidade dos seres humanos se comunicarem com forças da natureza que dá ao mundo uma sensação de unidade espiritual. É o entendimento desta habilidade que dá substância ao conceito que Ifa chama de bom caráter, e é Ợbàtálá, que nos orienta no sentido de desenvolver esse entendimento.

Ifá ensina que todas as forças da natureza entram em um Ser através da manifestação de padrões de energia chamados Odù. Ifá tem identificado e rotulado Odu diferentes que podem ser pensados como diferentes expressões de consciência. Mas, como a própria consciência é gerada por Ợbàtálá, cada Odu contém um elemento do ‘ase’ de Ợbàtálá (O poder).

Em termos metafísicos, isto significa que toda a Criação está ligada à Ợbàtálá como a Fonte do Ser. Ifá ensina que todas as formas de consciência contêm uma centelha do ase (poder espiritual) de Ợbàtálá, e é essa centelha que une tudo o que existe, desde o seu início e é compartilhada.

Eu me humilho diante do mistério de Ợbàtálá.

Você é o Criador do Òrìşà.

Você é o Òrìşà mais poderoso.

Você é o proprietário do Mistério da Consciência.

Você é o Senhor do Mistério de equilíbrio e igualdade.

Você é o proprietário do Mistério da Pureza.

Você é o proprietário do Mistério da paz.

Você é o proprietário do mistério do princípio Feminino e do Princípio Masculino.

Por Áwo Falokun Fatunmbi

Tradução: Odé Ợlaigbò

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Pinturas Sagradas – Wájí

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Wáji, èlú, ou aro (vegetal, negro- Philenoptera cyanescens

Tinta azul em forma de pó petrificado de origem vegetal o qual busca a representação do sangue negro, simbolizando a noite e a relação de ancestres ligados à própria escuridão.

As partes frescas são contundidas a uma polpa, fermentada, seca e vendida nesta forma, as folhas somente são secadas ao sol e são usadas em um estado quebradiço.

Representa o anoitecer.

Este pó azul é utilizado em inúmeros rituais do candomblé, principalmente para assentamentos de orixá “Igba Orixá” e na feitura de santo sobre a cabeça do ìyáwó/elegun. Símbolo da idealização, transformação, direcionamento com o objetivo de proteger contra todos os males espirituais, materiais e psíquicos, principalmente da negatividade de Ìyámi.

o waji é um elemento muito importante no culto aos Orixás, uma vez que, junto com outros elementos, ajuda a proteger a cabeça dos nossos Ìyáwós contra as Ajé. Segunda a crença africana essas pinturas impediriam que eleyé (ave ligada as Ìyámi) pousasse no ori dos  iniciadas, pois caso isso ocorresse seria um desastre para vida dessa pessoa.

O waji representa a cor dundun (preta), o sangue azul que vem das folhas. Existem diversas espécies que podem ser utilizadas para a produção de corantes azuis como a Isatis tinctoria ,Indigofera tinctoria e o Lonchucarpus cyanescens.

Segundo alguns relatos, as duas primeiras não seriam utilizadas para a produção do waji tradicional, sendo apenas usadas para a confecção do anil (usado para tingir jeans, por exemplo). O verdadeiro waji seria, portanto, retirado do processo de fermentação das folhas doLonchucarpus sp. que é conhecido pelo nome de índigo africano ou índigo yorubá.

O processo de fabricação desse corante era complexo e exigia grande perícia, sendo cercado de prescrições e proibições rituais. Era tão importante que os tinteiros iorubas cultuavam até uma divindade específica para essa finalidade, Iyá Mapo. O pano tingido de índigo significava riqueza, abundância e fertilidade.

Pinturas Sagradas – Osùn

Osun

Osùn, ossun ou pó de ierosun como é chamado pelo povo do santo e pelos babalawos, são feitos de dois tipos de árvores a Baphia nitida que tem uma cor vermelha e Pterocarpus osunw que tem uma cor amarela.

O pó da Baphia nitida que tem a cor vermelha é utilizado em vários rituais do candomblé, na construção de assentamentos de orixá igba orixá, nas pinturas sagradas da iniciação ketu, principalmente na construção do adosun (um cone que fica no centro da cabeça do iaô) com a função de transmitir o poder espiritual chamado de axé e livra-lo do infortúnio gerado por uma das Iyami-Ajé. Este pó representa o crepúsculo.

O pó da Pterocarpus osun que tem a cor amarela é utilizado nos rituais sagrados de Ifá, Orumilá, Oduduwa, alguns orixá nla e orixá funfun, muito utilizado para formar os gráficos de odu no Opon-Ifá e na preparação do merindilogun.

 

Pinturas Sagradas – Efún

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Efun é um nome jeje-nago dado a vários tipos de pó, utilizados nos rituais afro brasileiro. É muito mais conhecido pelos leigos e o povo da umbanda como pemba, nomeclatura utilizada pela nação angola.
É um potente giz branco empregado nas pinturas iniciáticas de todos os Orisa, principalmente os Orisa funfun. É considerado muito sagrado, trás o equilíbrio, tranqüilidade, paz e paciência. Muito empregado no preparo de diversas fórmulas para varias finalidades. Faz parte do ase de sangue branco do reino mineral.Tipos de efunEfun ou pemba mineral é um pó retirado de calcário, que são encontrados na natureza em várias cores, também chamada de tabatinga. É utilizado na feitura de santo que serve para pintar o corpo do neófito, chamada de efum fum (pó branco).Efun ou pemba vegetal é um pó retirado de frutos tipo: obi, orobo, aridan, pichurin, nós-moscada e folhas sagradas. A mistura do efun mineral e o efum vegetal recebe o nome de atin e só deve ser preparada pela iyaefun ou iyalorixa. A farinha de mandioca é chamada naturalmente de efun nos terreiros de candomblé.

Efun ou pemba animal é um pó retirado de ossos e cartilagens dos animais utilizados em sacrifícios aos orixás. Esta extração deve ser feita pelo axogun ou babalorixá, entrando na preparação de assentamento de orixa.

Cerimônia ritual que consiste em pintar a cabeça raspada e o corpo da iniciada , com círculos ou pontos , ou ambos e traços tribais ( nas faces ) , feitos com giz, durante a iniciação. Na primeira saída da camarinha, para Oxalá, a pintura é toda branca. Na segunda é da cor do orixá ” dono da cabeça” Para essa pintura usa-se giz dissolvido em água, com um pouco de goma arábica. Depois da dança a pintura é removida com um banho de ervas sagradas. Efun no iorubá é cal, giz. No culto de Obatalá ( Oxalá) , na África este é representado por bolos redondos de giz – sésé – efun ( xexé efun ) , bem como outros objetos brancos. Efun também é cal. Cal é ” lime ” em inglês , que também é limo. Cremos vir daí a confusão com ” limo” da Costa para representar Oxalá, segundo alguns, quando verdade é cal ou giz ( variedade de cal) material para o “assentamento” desse orixá , pelas tradições africanas.

Agbè lo laró Ki raun aro

Alukò lo lósùn Ki raun osùn

Lékeléke ki lo léfun Ki raun efun

Emi ni yio léke òta mi o

(Agbé tem penas azuis,

Que nunca lhe falte o azul

Alukò possui penas vermelhas,

Que nunca lhe falte o vermelho

Lékeléke tem as penas brancas,

Que nunca lhe falte o branco

Fontes: Exemplos Do Asé – Ikipédia

Pesquisa:Ogá Braga D’Òsóòsì

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