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Archive for the ‘Candomblé’ Category

 Será que nós, povo do candomblé, entendemos  o conceito básico e temos o discernimento sobre as duas faces da Tolerância e Intolerância ? Podemos refletir melhor lendo e observando as entre linhas, comparar com o nosso comportamento perante as questões mais simples dentro de uma casa de Candomblé. O texto abaixo nos coloca para pensar e repensar.

Tolerância significa ter a capacidade de aceitar as exigências de algo diferente em nossas crenças e opiniões, justamente ao contrario de Intolerância. Tolerância e Intolerância são termos antônimos, oposto um ao outro.


As duas faces de uma mesma moeda: tolerância e intolerância
Por: Ivone Gebara

Sabemos bem que no cotidiano de nossa vida a palavra tolerância e sua contrária, a intolerância, são palavras acompanhadas de uma carga emocional muitas vezes negativa. É como se ao afirmarmos a palavra tolerância já sentíssemos uma emoção negativa invadindo nosso próprio corpo. É como se um peso ou uma carga se impusesse a nós e modificasse até o nosso equilíbrio psíquico e o nosso humor. E, nessa dinâmica, pode ocorrer que busquemos aliados às nossas emoções e que passemos a ter emoções coletivas em relação a este ou aquele grupo de pessoas. Somos capazes de abandonar qualquer reflexão ou qualquer racionalidade e cometer crimes de intolerância. Tudo se passa como se a irritação provocada pelo outro ou pelos outros fosse capaz de excitar em nós zonas de violência de certa forma desconhecidas, a ponto de fugirmos ao controle do bom senso e ao respeito devido a uma vida em sociedade. Já não é mais a humanidade solidária que vive em nós, mas a violência irracional capaz de tirar a vida daqueles que se tornaram de certa forma objetos de nossa intolerância. Já não reconhecemos o próximo como nosso semelhante e passamos a odiá-lo a partir das diferenças que apontamos nele. Os jornais e os noticiários abundam em fatos ou em delitos de intolerância dos mais diferentes tipos.

Para tentar apaziguar a irrupção das diversas formas de violência em nós tentamos falar da necessidade da tolerância. A partir dessa situação seu sentido toma uma forma particular em nós. Assim, tolerar alguém ou um grupo requer um esforço emocional para além do habitual. Tolerar significa aqui ter que agüentar o outro diferente, o outro com suas crenças, sua linguagem, seus costumes, seu tom de voz, sua sexualidade, suas exigências que no fundo me ameaçam ou agridem. Tolero para não eliminar o outro, para não riscá-lo de minha existência. Tolero porque acredito que é necessária certa civilidade para a convivência humana e porque nossa fragilidade e limitação comum assim o exigem. Mas, espontaneamente o que vem à tona é a vontade de eliminar o outro ou ao menos de calar-lhe a voz ou submetê-lo à minha vontade ou ameaçá-lo com uma punição que julgo merecida ou simplesmente busco sair do círculo da convivência comum. Não tenho nenhuma atitude positiva em relação a ele. Não quero conhecê-lo, nem saber de sua história, nem de seus sofrimentos e nem de seus sonhos e buscas.

Tolero para não eliminar os outros ou o outro que me molesta por sua maneira de existir ou simplesmente por sua existência em minha circunstância. Tolero porque o outro se apresenta talvez como aquele que eu não gostaria que estivesse em minha história e tenho que conviver com ele apesar dos pesares. Tolero porque intuo às vezes que o outro do qual me afasto é em parte minha sombra, meu rosto oculto, a expressão negada de meu próprio eu. A tolerância nesse sentido já nutre as raízes da intolerância.

No processo de intolerância/tolerância o centro é sempre o eu individual e coletivo ou aquilo que julgamos talvez impropriamente como sendo o nosso eu. É o eu que tolera um outro eu ou o eu que é intolerante com outro eu e com tudo o que ele significa. Há uma relação íntima entre pessoas que se toleram e pessoas que são toleradas. No fundo um é o outro. Desta forma, a intolerância não é apenas um processo que se passa no interior da subjetividade humana, mas se manifesta em comportamentos públicos pessoais e grupais de uns para com os outros. Há uma irracionalidade, uma razão sem razão em todos os processos de tolerância e intolerância.

Uma frase do Evangelho de Jesus me vem à memória: “Por que vês a palha no olho de teu irmão e não vês a trave em teu próprio olho?” (Mateus 7,3) Ou, em outros termos, por que somos capazes de apontar o limite do outro e de certa forma desculpar-nos de nosso próprio limite? Por que mantemos hierarquias de diferentes tipos entre nós e os outros?

Criamos um mar de discórdias entre nós e pouco a pouco vamos desacreditando de nossas possibilidades de respeito e solidariedade. Instauramos o inferno das guerras étnicas, das guerras entre os sexos, das guerras religiosas!

Para muitos de nós a descrença na capacidade humana de desenvolver relações de justiça e igualdade está se tornando moeda corrente. “O homem lobo para o homem” tem se tornado uma conduta comum de vida. Fechamo-nos, defendemo-nos e nos atacamos mutuamente num acirramento de identidades étnicas, sexuais, religiosas cada uma tentando afirmar algo de nós, mas nenhuma suficiente para dar razão à nossa desumanidade.

A tolerância e a intolerância são na realidade duas faces da mesma moeda. Mas, qual é a moeda?  É a moeda da mentira, a moeda falsa, enferrujada por dentro e pintada de ouro por fora. É a moeda enganosa que cria ilusões sobre o poder humano e sua capacidade de dominar a terra e seus habitantes. É a moeda que se tornou mediação das relações humanas cada vez mais sem alma, isto é, sem a honestidade da verdade da interdependência que nos permite existir. Moeda que nada mais é do que uma ilusão passageira, ilusão altamente destrutiva de todas as vidas.

A partir de nossos sonhos queremos restaurar a moeda das trocas diretas, a moeda capaz de ser farinha e pão, água e vinho, cuidado com a terra e todos os seus habitantes. A moeda da ecologia da terra e da ecologia humana capaz de apostar na força de nossa diversidade e no respeito a ela como único caminho para manter a vida viva.
As palavras tolerância e intolerância poderiam ter assim gradativamente seu significado original restaurado. Poderiam ser convite cotidiano para que sejamos apoio para os outros, paciência e perdão. E quando o vírus da intolerância se  manifestar de novo, sermos capazes de lembrar que palhas e traves existem em todos os olhos, mas que além delas existe a beleza do olhar ou existe simplesmente a misteriosa e frágil chama da vida em cada um de nós.

Ivone Gebara
Para Tempo e Presença – Outubro de 2008.

Espontaneamente cada um de nós sabe o que é ser tolerante ou intolerante. Usamos esta palavra quer como verbo, substantivo ou adjetivo em diferentes situações de nosso dia a dia. Porém, poucas vezes paramos para refletir sobre ela e, sobretudo refletir sobre nossa capacidade pessoal de produzirmos comportamentos intolerantes. As palavras são expressões de nossa própria realidade humana, de suas contradições e de sua beleza.

A origem da palavra tolerância vem do latim – tolerare – que significa acolher alguém, ser suporte, ser indulgente para com os outros. Mas, este significado aparentemente positivo não se manteve tal e qual. Percorreu uma longa história marcada por diferentes situações históricas e culturais que foram introduzindo nuances e conteúdos diferentes ao conteúdo inicial. Por exemplo, no século XIII, Tomás de Aquino identificou a palavra tolerância com a virtude da paciência, visto que, dada a nossa imperfeição comum, temos que nos esforçar em ser tolerantes ou pacientes uns com os outros. Nos séculos XVI e XVII, com a Reforma Protestante começou-se a falar de tolerância religiosa como atitude necessária para a convivência entre católicos e protestantes. No século XIX, na França e depois em outros países do mundo, se falava das “casas de tolerância”, que eram casas de prostituição em que comportamentos sexuais que fugiam aos comportamentos admitidos pela sociedade eram tolerados.

As palavras tolerância e intolerância são igualmente usadas na medicina para indicar a aptidão que um organismo tem para tolerar ou não um medicamento ou um alimento. A química pode ser tolerável ou intolerável podendo levar o paciente a morte ou a cura de seus males.
Poderíamos continuar buscando os diferentes significados, usos e costumes em torno das palavras tolerância e intolerância. Entretanto, depois desta breve introdução mostrando a multiplicidade de seus significados, julgo importante tentar trazê-las para nossa vida pessoal para entender alguns dos mecanismos que nós mesmos criamos em relação às outras pessoas ou a certas situações. Tolerantes e intolerantes não são apenas os outros que julgamos assim, mas somos nós mesmos. A tolerância e a intolerância são relações que se estabelecem entre pessoas na linha de uma reciprocidade negativa. E não são apenas frutos do momento, mas são construídas ao largo de nossa história cultural. Por isso se pode fazer a história da intolerância religiosa ou a história da intolerância étnica e assim por diante.

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A minha infância foi marcada por um ritual que muitas vezes eu achava tedioso, mas pela obrigatoriedade fazia sem reclamar: pedir bênção a todos e todas parentes mais velhas assim que eu chegava num lugar. Cansei de chegar da escola ou de qualquer lugar e estar reunida em frente a casa de vovó uma roda de pessoas que ia da minha bisavó à irmã mais nova da minha mãe (minha tia), e da ponta mais velha até a mais nova algumas tias-avós também. Lá íamos nós pedir bênção de uma a uma para então entrarmos e matarmos a fome.

Eu sei que, apesar de ser nova, as coisas hoje acontecem de uma forma um tanto diferente. Com o tempo os comportamentos vão mudando de acordo com as demandas, os estilos de vida etc. As famílias estão “menores”, os parentes costumam morar mais distantes e a ligação torna-se diferente: a famosa família nuclear está a se formar.

Quem acostumou a viver desta segunda formar ao começar a frequentar uma casa de Candomblé logo nota a diferença porque vai ter que começar a fazer o que eu fazia aos 7 e dessa vez de forma mais aprumada e ainda tendo que ter a educação que muitas vezes não é exigida pela espontaneidade da criança: abraçar, perguntar se tá tudo bem, falar qualquer amenidade. Isso com 10, 20, 30 pessoas a depender do dia e do tipo de função… Sim, isso pode ser bem cansativo, mas a gente não pode reclamar.

Ao ser iniciada e passar por todos os procedimentos rituais a gente aprende de forma muito enfática que agora fazemos parte de uma família: aquelas 10, 20, 30 pessoas são nossa família, escolhemos e aceitamos o elo, aceitamos a eternidade desse elo. Há quem vá dizer agora “Mas elo eterno é com o Orixá!”, sim, está subentendido e exatamente pelo elo eterno ser com o Orixá nele vem “omitido” todas as pessoas que estavam vinculadas ao lugar e a família na qual você foi iniciada ou iniciado, queridx omorixá. Uma energia não surge do nada, você nasceu em alguma casa de axé, em alguma família de axé, foram necessárias mãos para que tudo ocorresse, então tudo isso estará contido na tua história com o teu Orixá. Do mesmo modo que Orixá sabe de onde está vindo aquele sacrifício que ele está a receber ele também sabe quem participou do grande momento de concepção do seu filho ou filha para ele. Estamos falando de energia que se materializa, mas que está presente em toda parte. Não sejamos ingênuas ao ponto de pensar Orixá tão limitado como somos nós…

Por causa do pertencimento, do berço, da família que ganhamos, é exigido de nós postura, respeito, bom comportamento. A partir de agora eu represento a mim, o caminho de Ori, o meu Orixá, represento a minha ascendência. A gente pode considerar isso um peso ou então perceber o quanto isso pode trazer benefícios pra vida em âmbitos fora desse mundo religioso.

Há quem goste de separar “no barracão devo me comportar de tal forma, fora dele, salve-se quem puder”. Isso me confunde. A gente percebe que realmente internalizou um aprendizado quando usamos dele aonde nem imaginaríamos. Por exemplo, eu gosto um pouco de uma afronta. Às vezes ela é pode ser bem-vinda para a situação. Mas eu posso pensar antes de engolir a corda que estão me dando: isso vai me beneficiar? Vai melhorar o ambiente de alguma forma ou só vai criar mais um aperreio? Isso é realmente da minha alçada? Quando o sangue esquenta os “olhos” (leia-se juízo) costumam cegar mesmo, mas sempre há aqueles 5 segundos em que dá pra gente ponderar as coisas.

Em Yorùbá as palavras casa, terra e o planeta Terra vêm de palavras incrivelmente semelhantes: Ilé, Ilè (há um ponto embaixo do e) e Ilé Ayé. Percebam que somente o som das vogais que mudam o sentido entre elas. Enquanto na língua portuguesa as palavras soam tão diferentes, no yorùbá é tudo bem parecido. Isso não é coincidência. Se é tudo tão semelhante é porque nossa conduta deveria ser semelhante também nos diferentes ambientes. O que nós queremos de bom na nossa casa, no chão em que pisamos, no planeta que habitamos? Acredito que não queremos coisas tão diferentes para cada um: desejamos o mínimo de harmonia, que a dor não exista, que a fertilidade esteja presente… Então o que é ser Ìyàwó? Eu responderia: viver nestes três “mundos” como o único mundo que ele de fato é. Não somos Ìyàwós pro barracão, somos Ìyàwós pro mundo.

Egbon Dayane Oyakole

 

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O Jogo de Búzios

No Candomblé utilizamos o jogo de Búzios (Merindilogun)como Oráculo para as consultas espirituais, não utilizamos o Opelé de Ifá; por isso e errado o que muitos Babalorixás fazem, de jogar para ver o Odu de Nascimento da pessoa, pois Odu de nascimento só se vê através do Opelé.
Mais ao contrário, muitos Babalawos andam difamando, o nosso precioso jogo de Búzios, que não é intuitivo, pelo contrário, nós temos que estudar muito, pois cada queda do jogo tem um significado e tradução, Ex: 1 búzio aberto e 15 fechados significa que Exú está respondendo, Tradução: o consulente está correndo perigo de furto, ou de ser enganado pelo sócio, ou traído pelo(a) esposo(a), e perseguição de inimigos. No nosso jogo de Búzios que responde e Exú o Orixá da Comunicação, pois é ele o único Orixá que se comunica com os Outros Orixás e com os humanos, nenhum outro Orixá tem esse poder de andar no Aiyé e Orun, nem mesmo Orunmila.

Ifá é um culto, uma filosofia, um sistema de Oraculo deixado por Orunmila (Divindade), para que assim pudéssemos desvendar seu versos, os Odus.

Ifá não e uma divindade e os Odus são um conjunto de versos que são interpretados pelos Babalawos através do jogo do Opele; Odu não é divindade, não se assenta Odu, não se cultua Odu, não se alimenta Odu, o que se faz é interpretar o que um determinado Odu traz de mensagem e a qual Orixá tem que se agradar ou apaziguar para reequilibrar a vida do consulente.


Só através do nosso jogo de Búzios pode-se definir a qual Orixá se inicia um futuro Omo Orixá, pois quem nos mostra qual Orixá é o guardião do Ori do iniciado e Ori através de Exú, de forma alguma pode-se definir Orixá através do Opele ou Odu, esse e o maior engano que muitos Babalorixás estão cometendo, pois, para definir o Orixá de um iniciado, primeiro se faz um grande número de rituais e não apenas um único jogo de búzios, iniciar uma pessoa no Candomblé é muito complexo, não é brincadeira e nem pode ser por intuição.
Axé !

Texto: Ricardo De Laalu Oliveira

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Owe é a palavra yorùbá que significa provérbio. Na disciplina teológica, um provérbio é definido como um ditado curto que expressa uma verdade religiosa ou cultural. Todas as culturas fazem uso de provérbios para transmitir valores sociais. Como uma introdução para a compreensão do Òrìşà (Espíritos orientadores e forças da natureza), o provérbio yorùbá fornece uma base para Ifá captar a visão da relação entre o Eu e o Mundo.

Muitos dos provérbios que são de uso comum na cultura yorùbá são baseados nas Escrituras de Ifá. Esta Escritura é um longo poema composto de 256 seções orais, ou livros, chamados Odù. Cada Odù tem uma série de versos chamado ẹsẹ. No Odù chamado Òsa’túrá, os estudantes de Òrúnmìlá pediram ao profeta para dizer-lhes a natureza da Verdade. A palavra yorùbá para Verdade é Oniwaben fúnfún, que significa aquele que possui bom caráter é guiado pela luz.

No Odù Òsa’túrá, Òrúnmìlá diz que a Verdade é o Chefe do reino invisível que guia o destino da Terra. Ele continua que a Verdade é uma palavra que jamais poderá perecer, é a Fonte de Poder que supera todas as adversidades. Aqueles que conhecem a verdade podem encontrar a Vontade da Criação. Isto implica que a Verdade é uma forma de saber, em vez de um conjunto rígido de crenças. A Luz significa também que como uma Força da Natureza (Òrìşà), carrega a sua própria forma de consciência que pode ter um impacto direto sobre o curso da evolução. Estes são dois temas centrais nas Escrituras de Ifá e são fundamentais para a compreensão da natureza e função dos Òrìşà a partir da perspectiva da teologia de Ifá.

Dentro da estrutura do ritual de Ifá, o Odù é usado para invocar Èşù, que é tanto o Mensageiro Divino como o Guardião da Verdade. Este duplo papel tem causado alguma confusão entre aqueles que têm escrito sobre a posição do Èşù na cosmologia de Ifá. A confusão parece estar baseada em um mal-entendido sobre o papel da Èşù em causar distúrbios. Uma das funções da desordem natural em assuntos do cotidiano é sacudir a consciência para liberar a sua autoindulgência e pensamento rígido. Porque a Terra está em constante processo, todas as percepções da relação entre o Eu e o Mundo estão em constante estado de fluxo. Aqueles que negam ou ignoram a natureza dinâmica desta relação são regularmente lançados a um estado de confusão, como resultado de algumas mudança inesperada dos acontecimentos. Em termos simples, a percepção humana da verdade é um tamanho constante da mudança e uma das funções de Èşù é nos lembrar que a busca humana pela verdade nunca deveria estagnar.

Dizer que Èşù é o guardião da verdade é a sugerir que a verdade nunca pode tornar-se um conjunto fixo de regras ou dogma. Em vez disso, a Verdade é uma maneira de olhar para si mesmo e o mundo, é um estado de ser, em vez de um ato de conhecimento. Este é um conceito ilusório para alguns ocidentais, porque fomos condicionados pela ideia de que a verdade é estabelecida por fatos objetivos. A ideia de que a verdade só pode ser descoberta se formos periodicamente sacudidos de nossas noções preconcebidas é perturbadoras, para aqueles que querem a religião Ifá tem todas as respostas certas sobre qualquer coisa.

Quando missionários cristãos primeiro traduziram a Bíblia para o yorùbá a palavra Èşù era usada para representar o Diabo. Sem dúvida, isso foi uma tentativa deliberada de rebaixar a crença religiosa tradicional de Ifá. O efeito dessa calúnia é ainda evidente nos Estados Unidos, onde Èşù é muitas vezes associado à ideia de causar danos através do uso de magia e feitiçaria. Um olhar mais atento ao provérbio yorùbá, seu folclore e história sagrada sugere que os danos causados por Èşù é o resultado da recusa de uma pessoa a viver em harmonia com a verdade que se reflete nas Leis da Natureza.

Os provérbios neste capítulo são uma pequena amostra de uma cultura que é rica em uso poético da linguagem. Muitos desses exemplos usam analogias interdimensionais e imagens da natureza que não são comumente utilizados na linguagem coloquial. Isto leva a uma situação em que o significado original do provérbio não pode ser claro sem uma referência às crenças espirituais e sociais de Ifá. Como em todos os provérbios, não há interpretação única e definitiva do seu significado. Os provérbios que apontam para a verdade estão continuamente abertos a reinterpretação. É a sua capacidade de livrar-se das noções pré-concebidas, até dar-lhes a força de uma revelação.

Provérbios e princípios espirituais:

Diẹ diẹ o ékú njóórí.

Pouco a pouco vamos comer a cabeça do rato.

Comentário:

Em muitos versos das escrituras de Ifá na expressão: Pouco a pouco comemos a cabeça do rato.

A primeira linha da primeira estrofe. Comer a cabeça do rato é um dos mistérios da iniciação em Òrìşà e é parte integrante do drama simbólico que ocorre durante os rituais de transição.

Para mim, existem duas interpretações deste provérbio e em ambos vamos para o coração da sabedoria de Ifá como eu o entendo.

O uso mais comum desta frase é uma resposta a uma série de perguntas.

Quando pela primeira vez comecei a estudar Ifá meus anciãos diziam:

O que você está disposto a fazer com a experiência de transformação espiritual?

A resposta correta é:

Estou disposto a comer a cabeça do rato.

Isto seria seguido pela pergunta:

Como assim, comer a cabeça do rato?

A resposta esperada é:

Pouco a pouco vamos comer a cabeça do rato.

A partir de uma perspectiva ocidental, esse diálogo tem uma conotação clara e bem diferente da reação da cultura yorùbá. Para aqueles de nós que foram criados em um ambiente urbano, a ideia de comer um rato é muito nojento. No entanto, nas selvas da Nigéria, há uma grande variedade de roedores, que variam em tamanho de alguns centímetros a forma e a aparência de um porco pequeno.

Estes roedores são incluídos na dieta normal Yorùbá e são consideradas uma adição desejável para qualquer refeição.

Eu vou admitir que eu fui cético a primeira vez que me foi servida uma sopa de roedores, mas uma vez eu reuni a coragem de dar a primeira mordida, eu não tive dificuldade com o sabor.

A experiência realmente mudou minha compreensão do provérbio ‘comer ratos’.

No início, eu supus que a frase comer a cabeça do rato significa que o iniciado, os novatos estariam dispostos a fazer qualquer coisa, não importa o quão desagradável seria para alcançar a transformação espiritual.

Na minha experiência, isso é uma interpretação comum, quando utilizado na adoração de Òrìşà aqui no Ocidente.

Porque na África não há nada de ofensivo em comer roedores, eu fui forçado a reconsiderar a minha interpretação do provérbio.

Em termos práticos, a cabeça do rato é muito difícil para comer por causa dos ossos frágeis que cortam sua boca se você não remover cuidadosamente carne.

Foi com base nessa observação que cheguei a suspeitar que pouco a pouco vamos comer a cabeça do rato tinha uma interpretação muito mais literal.

Ifá é baseado na crença de que a transformação espiritual acontece lentamente, um passo de cada vez em uma sequência regular levando a um resultado desejado.

Se você vai comer a cabeça do rato, deve ser muito lentamente e com cuidado, retire a carne, um pouco de cada vez.

Muitas vezes, se perde esse ensinamento sobre a verdade. Temos a vã esperança de que o Òrìşà resolverá todos os nossos problemas através de algum processo mágico que não requer nenhum esforço de nossa parte.

O Odù Òsa’túrá (Òsá Òtúrá), diz que quando o profeta Òrúnmìlá define a natureza da Verdade, diz que aqueles que dizem a verdade serão guiados pelo Òrìşà.

Dizer a verdade na cultura yorùbá significa também viver e atuar Verdadeiramente.

A verdade para o Òrìşà não é algo que uma pessoa faz, é sempre um processo que a envolve. Como apertar as mãos com a força e emanar energia, saiba:

Nós viemos do reino espiritual.

Conhecimento sem ação é uma verdade oca.

Por: Áwo Falokun Fatunmbi.

Tradução: Odé Ợlaigbò

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Àsèsè -O Rito

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*Axêxê é a cerimônia que louva os ancestrais de todos os tempos e nações. Esta cerimônia começa pelo Ìpadé fúnebre, ligeiramente diferenciado dos demais e poderá durar de 1 a 7 dias

Através do rito do Axêxê se tem todo um sentido de manifestação do Povo do Santo, rodando, dançando, se integrando com o cosmos, mostrando que temos consciência de que somos elementos dinâmicos, de que o movimento da roda no sentido anti-horário nos liga aos antepassados, proporcionando paz, alegria, saúde e longevidade, dando-nos a certeza que nossa passagem na terra é finita, mas que nossa vida espiritual é infinita – donde os Homens e mulheres são os elementos que dançam em círculo – representa o altar da criação, da vida, já que a terra está em movimento, o universo está em movimento e só se conseguirá estar em sintonia com o universo através do movimento e assim sendo, proporcionando o bem estar da comunidade. Em todos os ritos e principalmente no do Axêxê, os laços de sangue são substituídos pelos de participação na comunidade, de acordo com a antiguidade, as obrigações e a linhagem iniciática. Todos estão unidos por laços de iniciação às divindades cultuadas, aos demais iniciados, às autoridades, aos antepassados e aos ancestrais da comunidade. As oferendas, principalmente a de sacrifícios vegetais, animais e minerais, representam o não uso da violência para resolver questões. Há um princípio de completude do outro, de que a vida se constrói de mãos dadas e de que cada um de nós à medida em que estabelece esta relação, estabelece um elo mais completo com as coisas que estão à volta.


Cada ser é perfeito dentro de sua própria verdade. A solidão é fruto da individualidade inflexível que está dentro de nós em aceitar o próximo como ele é. Muitas vezes ficamos fechado com nossa solidão interior e atribuímos essa culpa ao outro. Solidão é opção! A forma de reverter essa solidão é refletir sobre esse assunto e buscar dentro de si mesmo o que deve ser transformado e começar a agir. Respeitar o outro é fundamental, mesmo que não concordemos com suas idéias.

Babá Lokanfu.Toluaye.

*Babá Fernando D’Osogiyan

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MUKANGE UÁ BANTU (MÁSCARAS)

Muito se discute Hoje em Dia Sobre a utilização de Máscaras NAS casas de Angola, com o intuito de UO uma Desculpa de Querer se ” desnagotizar “, como casas de matriz kongo e Angola.

DEPOIS de ler Bastante Nina Rodrigues e Oscar Ribas (este naturais de Angola), Que São OS MAIORES nomos do Estudo da antropologia Africana, e Fazer Pesquisas Sobre o USO OU NÃO das Máscaras, vi that como “MUKANGES” Simplesmente Não foram inseridas no candomblé bantu brasileiro Porque ELAS representam o ato de Passagem da Criança parágrafo a fase adulta, É Só TEM Direito a EUA-las Homens ” circuncidados” , SEJA OU, Que tenham Passado Pela Cerimônia de da “mukanda”.

Mesmo que a divindade feminina só os homens podem usar como máscaras”

“A cerimónia DA mukanda” – Como Disse Acima, e Um rito espiritual de Passagem da Criança parágrafo a fase adulta. Na África tribal, não existe adolescência. Uma criança em torno dos 10/12 anos passa por esta cerimônia, e partir disso, ela passa a ter o direito ou a responsabilidade de Pai (se houver necessidade), pode sustentar sua família ou ajudar sua mãe na falta do Pai .

“A cerimónia” – Existe na aldeia OU tribo (SEJA ELA qua por nenhuma Território Africano), o Nganga Mukanda,   that  E o  sacerdote Responsável Pela circuncisão, that pega a Criança e lev um hum Espaço sagrado Dentro da Floresta, Onde se reunem Vários Sacerdotes e Depois de Consultar o “ngombo” (jogo de adivinhação bantu), São entoados cânticos Sagrados Para evocar o Nkisi Responsável Pelo rito de Passagem da Criança, é esse Nkisi Que Será o patrono e POR Aquela pessoa a Partir Desse rito, é esse Nkisi, difere de um para o outro.

Após esse rito, dependendo da ancestralidade do já adulto, deve ser confeccionado sua máscara usando o rosto da pessoa como molde, com as propriedades e natureza daquele Nkisi patrono daquela pessoa.

Nota: Nem o PRÓPRIO Usuário da máscara, PODE Colocar ELA em Seu tosto, ISSO e Feito Pelo Seu nganga QUANDO ELE ESTÁ POR manifestado Seu ancestral. Esta máscara de fundo com mais de seu coração, ela não tem de herança para ninguém.

Na verdade todo candomblé brasileiro, é Europeizado, com louças servindo como igbás, baianas e batas que eram usadas em senhoras de engenho, e nos homens de ternos e luvas que são vestimentas típicas dos homens europeus e consequentemente Srs das fazendas e engenho.

Acho louvável, querermos ter identidade própria. Resgatar o que os nossos faziam, mas com responsabilidade, o que tinha que ter vindo para o Brasil, veio.

O Nkisi se mudou de mala e kuia para o Brasil, e agora as pessoas querem levar ele de volta para lá.

Quer saber se uma casa está certa? Olhe para uma casa de matriz que aquela casa diz pertencer, não há solução para o uso de alguma coisa, não há dúvida de que faz parte do candomblé.

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Vamos louvar Iemanjá

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