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Archive for the ‘Candomblé’ Category

ODÉ LÁGBÙRÈ

 

 

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Lagbure não é visto por alguns como sendo uma qualidade de Osoosi.  Odé Labure é um Orisa de culto próprio.

“Òo kú o odé Lagburè, e màrìwò làjá kiní ilé òde Òo kú o kódé”

Lagbure vem da junção da plantas Nla + Gbó + Wure que significam literalmente Grande + prosperidade + sorte, esta junção de palavras é usada para falar de um certo tipo de oferenda feita a Orisa Osun, o chamado presente dado a ela em seus festejos é um Lagbure.

Mas porque este caçador leva o nome de Lagbure?

Ele na verdade carrega esta alcunha por ser a divindade que leva os presentes até Osun.

Se conta que em um determinado festejo dedicado a Osun os devotos prepararam um grande presente, um cesto cheio de coisas que ela aprecia. No momento de entregar o presente as pessoas fizeram uma procissão até o Rio, e ao chegar as margens temeram perturbar as águas e não ousaram mergulhar. Então clamaram que Osun viesse buscar o presente, mas Osun não veio. Após algum tempo ouviram um voz feminina ecoar dizendo
“Ọmọ mí ní Ká Odò, Lagburè mí Ká Odò”
Que se traduz como “meu filho venha até o rio buscar o meu presente”
As pessoas observam um homem sair da mata, ele apanhou o presente de Osun na margem e e entrou com com cesto nas águas de onde não saiu mais. Era um caçador da floresta, um dos muitos Orisa filho de Osun, ele ficou conhecido como Odé Lagbure, o caçador que leva o presente.

Esta é a lenda.

Obviamente que o culto deste Orisa não se resume a ser apenas um fulano que carrega um balaio, claro que não, ele tem sua função primordial em ser uma divindade da fartura de alimentos.
Lagbure é cultuado no intuito de ser um Orisa que da sorte a comida, fazendo com que o alimento nunca falte na mesa dos que nele tem fé.
Por isso no Brasil alguns terreiros de Candomblé colocam o assentamento desse orisa na cozinha, que é um hábito Brasileiro mas que faz todo sentido.

Lagbure é destoa do comportamento comum dos demais Odé, que são carrancudos e reservados, ele pelo contrário é dócil e amável, seu culto segue um ritmo alegre e simples.

Pelo fato de no Brasil a falsa crença de Osun ter apenas um único filho muitas pessoas confundem Lagbure com Logunedé. Porém Osun teve muitos filhos como Olose, Paroye e Lagbure.

Texto e foto: Página Felipe Caprini

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O terreiro Ilê Axé Opó Afonjá já tem uma nova líder. Ana de Xangô, 53 anos, foi escolhida em jogo de merindinlogun na manhã deste sábado (28) como nova líder religiosa do terreiro. A decisão acontece um ano depois da morte de Mãe Stella de Oxossí.  Ana foi iniciada no candomblé há 31 anos. Ana é pedagoga e professora em uma escola particular de Salvador.

O jogo foi feito por Balbino Daniel de Paula, o Obaràyí, conforme o CORREIO havia sinalizado que seria. Ele também esteve presente na escolha de Stella. Pai Balbino é uma das maiores autoridades masculinas dos candomblés do Brasil. Babalorixá do Terreiro Aganju, em Lauro de Freitas, ele foi iniciado por Mãe Senhora, a terceira Mãe de Santo na linha sucessória do Afonjá.

Foi o machado de Xangô, orixá da Justiça e patrono do Ilê Axé Opô Afonjá, que decidiu a sucessora de Mãe Stella de Oxóssi – nascida Maria Stella de Azevedo Santos.

O jogo de meindinlogun é tido como um jogo de complicada interpretação, apenas para estudiosos e pessoas com largo conhecimento da religião. Foram feitos três jogos dentro do barracão aberto aos filhos de santo da casa no barracão no terreiro. Ele jogou a primeira vez e falou que seria um jogo de felicidade e uma sucessão de muita tranquilidade. Em seguida, no segundo jogo foi dito que seria uma pessoa de Xangô. Nesse momento, Obaràyí saiu do barracão com algumas pessoas e foram para a casa de Xangô, que fica dentro do terreiro para ser feita a confirmação do nome. Depois, ele retornou para o barracão e fez o anúncio para as pessoas que estavam no local.

Balbino Daniel de Paula, o Obaràyí, fala sobre a escolha da sucessora de Mãe Stella; vídeo

O funil espiritual inicialmente indica qual “odu”, ou seja, qual caminho ou destino tem a nova ialorixá. Depois, um novo jogo indica qual orixá é dono do ori (cabeça) da pessoa. Muitos então são “eliminados”. De acordo com a queda dos búzios, os que ficam são confirmados ou não. No final, sobra uma pessoa e Xangô dá o veredicto. Hoje, Ana de Xangô foi a escolhida.

Um ano depois da morte de Stella, com a suspensão do calendário litúrgico do terreiro por todo esse período, somente neste sábado (28) pôde ser realizado o jogo.  Na verdade, seria no dia 27, quando se encerra o axexê. O ritual fúnebre dos candomblés da nação ketu é realizado quatro vezes após a morte da líder do terreiro: nos sete dias seguintes ao falecimento, nos sete dias antes de completar três e seis meses do falecimento e nos sete dias antes de completar um ano do falecimento.

Texto:  Correio

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Morre Mãe Tatá as 96 anos.

Amigos, e filhos e filhas de Santo da ialorixá Mãe Tatá Oxum Tomilá lotaram a Capela B do Cemitério Jardim da Saudade, em Brotas, para se despedir da religiosa, na tarde deste domingo (8). Altamira Cecília dos Santos, como foi batizada, tinha 96 anos, e morreu no Sábado (7).  Ela comandava o terreiro Ilê Axé Iyá Nassô Oká, mais conhecido como Casa Branca do Engenho Velho, o mais antigo de Salvador.

Mãe Tatá comandava o terreiro mais antigo da cidade (Foto: Dadá Jaques/ Divulgação)

Pela manhã, filhos de santo que estavam na Casa Branca tentavam confortar uns aos outros. Sentados em grupos, debaixo de árvores sagradas, eles conversaram com o CORREIO sobre a trajetória da sacerdotisa que por 38 anos esteve à frente do lendário terreiro, considerado o primeiro monumento negro a ser tombado no país.

“Ela era a última pessoa da casa iniciada por um africano. Ela era neta de africanos. Agora, as próximas gerações serão iniciadas sem esse contato direto”, lamentou.

Filhos de Santo estiveram no velório, no terreiro (Foto: Betto Jr/ CORREIO)

“Ela falava assim: ‘hoje em dia eu tenho que fazer iniciação em 30 dias porque essa pessoa vai perder, marido, namorada, emprego’. Então essa era a cabeça que ela tinha. Ela foi uma mulher que, dentro da simplicidade dela, acompanhou o tempo, sem deixar de cuidar do sagrado”, lembrou ele.

Mãe Tatá descendia de uma linhagem africana (Foto: Betto Jr/ CORREIO)

A egbomi Neusa Cruz, uma das mais velhas da casa, conta que Mãe Tatá morreu no dia em que completaria aniversário de posse como ialorixá. “Ontem (sábado 7) também foi aniversário do primeiro barco que ela colocou na casa. Hoje, seria a festa de Oxum, que é a orixá dela. Além disso, ela morreu no sábado, que é o dia dedicado às orixás femininas”, afirmou, listando coincidências. Mãe Tatá era regida pela orixá Oxum, patrona das águas doces e também considerada representante do amor e da beleza.

O terreiro Casa Branca foi responsável pelo surgimento de dois outros terreiros famosos em Salvador, o Gantois e o Ilé Axé Opô Afonjá. Ogan do terreiro Opô Afonjá, Ribamar Daniel descreveu o momento como de dor e tristeza.

“Nós do candomblé acreditamos na ancestralidade e aqui a gente deve toda a nossa satisfação e solidariedade, nosso pesar pelo falecimento de Mãe Tatá, mais uma senhora que era um poço de cultura, uma idosa digníssima, singela e de uma beleza inconfundível. Ela está agora nos abençoando e a nos protegendo”, disse.

Cortejo foi de cantos e orações (Foto: Gil Santos/ CORREIO)

Em nota, divulgada nas redes sociais, os administradores do Terreiro lamentaram o ocorrido. “Ora iê, iê ô! A nossa querida ialorixá Mãe Tatá, na serenidade que lhe era peculiar, partiu para o Orun, num dia reluzente como o ouro que brilha. As lágrimas que livremente escorrem dos nossos olhos são de saudade e gratidão”.

O cortejo da capela até o local do sepultamento foi de cânticos e orações. A cerimônia entorno do caixão da ialorixá durou cerca de 10 minutos, até ele ser enterrado, e contou com a participação de diversas gerações. Seguindo a tradição, o Casa Branca vai ficar de luto por um ano, quando uma nova líder será escolhida para comandar o terreiro. Até lá, são os povos antigos que assumem o controle. O mais provável é Pai Air José, líder do Pilão de Prata.

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rede de mulheres

Este ano, 2019, a Rede das Mulheres de Terreiro de Pernambuco realiza o ÀPEJO ÈKÈJILÁ OBIRIN N’ILÉ – 13º Encontro Pernambucano das Mulheres de Terreiro. São treze anos de resistência, luta e debate sobre o as questões políticas que envolvem as religiões de afroíndigenas e o protagonismo das mulheres nessa luta.

 

Para reconhecer essa trajetória de luta da Rede das Mulheres de Terreiro, é importante resgatar, lembrar e honrar sua origem. A ideia primeira da Rede surgiu dentro do Ilê Obá Aganjú Okoloyá – Terreiro de Mãe Amara, comunidade religiosa de tradição nagô em Pernambuco existente desde 1945. Num dos encontros habituais de conversa e ensinamentos dentro do Ilê, a YAKEKERÊ MARIA HELENA SAMPAIO teve a ideia de CRIAR a REDE com intuito de “unir o político ao religioso” e fortalecer a importância das mulheres na sociedade.

Maria Helena

Hoje, mais do que nunca, é necessário reverenciarmos as trajetórias de luta e resistência das mulheres negras e de terreiro. A Yakakerê Maria Helena Sampaio é um exemplo de mulher que sempre esteve à frente do seu tempo, protagonizando espaços de luta do povo de terreiro e da cultura negra, valorizando e preservando a tradição nagô de Pernambuco.

Que possamos estar atentas e fortes para continuar na luta contra o fascismo, o racismo e a intolerância religiosa que assola nosso país.

Axé e Ancestralidade Nagô! (Maria Helena Sampaio).

Texto: Marília Gomes, Omoorixá da Oxum e Agibonã do nosso Ilê Obá Aganjú Okoloyá.

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OlóJù Mérìndílogún

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As 16 lamparinas de Òsun – Como Òsun Iluminou a noite.

Segundo os nagôs igbominas malês, o ritual das dezesseis lâmpadas de Oxum, é originário da súplica feita pelo poderoso caçador Olutimehin a Oxum Ieiebiru, e que faz parte da história oral da fundação do reino de Oshobô. Segundo nossa tradição oral, Olutimehin o caçador de elefantes, sedento e cansado, durante longa noite de caça, procurava por água próximo ao rio Oshobô. Absorvido por densa escuridão, que o impedia de encontrar o rio para aliviar sua sede, ele clama por Oxum Ieiebiru como aquela que ilumina a escuridão com seus dezesseis olhos. Como graça divina, surgem espíritos que iluminam o caminho para o rio. Segundo os antigos sacerdotes de nossa tradição ancestral, os ritos de iluminação são realizados de acordo com essa narrativa, que remete ao mito das Lamparinas de Oxum, a divindade da sociedade Geledê. A partir de hoje, 26 de Agosto de 2018, nós, igbominas da diáspora, retornamos a realizar o mesmo rito tal qual era feito por nossa matriarca, a venerável Ialorixá Marcolina Moreira de Araujo – Oxum-oin. O rito de iluminação feita com as lamparinas remonta os laços com a Oshogbo e com nossa matriarca Ìyá Marcolina de Oxum. Adendo: Há 600 anos foi realizado o primeiro ritual, em Oshogbo, e em nossa família faz 105 anos.

LAMPARINAS DE ÒSUN A narrativa que nos elucida o mito sobre as primeiras lamparinas (àtùpà) da divindade Oxum Ieieberu (Yèyébíru) nos foi passada pelos nagôs igbominas malês, na diáspora para solo brasileiro, da mesma maneira que era contada na cidade Oshobô (Òsogbo), em Nigéria. No início da fundação de Oshobô, a cidade era envolvida por dezesseis belos lampiões, que sustentavam a queima de um tipo de chama mística, a qual queimava durante o período do anoitecer ao alvorecer. O ambiente era denominado por “Os dezesseis olhos de Oxum” (Àtùpà Olójú Mérìndílógún Òsun), o qual se destinava a manter a proteção e a celebridade do lugar durante a noite. A chama acessa continha um encanto que protegia a cidade dos ataques humanos e perturbações sobrenaturais. Nos dias atuais, as lamparinas que representam “Os dezesseis olhos de Oxum” são acesas somente na festividade anual da cidade de Oshobô. Os nagôs igbominas malês, descendentes de escravos que viveram em solo brasileiro, preparavam seus “brilhos de fogo”(Ítànná) em panelas de ferro, contendo brasas que queimavam folhas secas de ervas aromáticas. Após o término do ritual, as cinzas eram distribuídas entre os componentes do ritual. OXUM – A LUZ NA ESCURIDÃO Os nagôs igbominas contam, em solo brasileiro, que Olodumare, o criador dos seres humanos, no primeiro dia da criação, determinou que houvesse a Luz no universo. A essa luminosidade deu o nome de Sol. Esse fulgor proporcionaria aos seres humanos o seu desenvolvimento, trabalhando e obtendo o fruto necessário para sobrevivência. Mas, a luz do sol não permanecia o tempo necessário para os seres humanos. Dessa forma, a noite surgia rapidamente, e, com ela, a escuridão longa e maçante, impedindo os seres humanos de se locomoverem. A escuridão era tamanha que não permitia a expansão da luz emanada pela lua. Os seres humanos, em desespero, clamaram aos orixás pela possibilidade de proporcionarem um período maior de luz solar. Após várias súplicas, Yèyébírú, apiedando-se dos seres humanos, pediu a Olodumare permissão para poder amenizar o sofrimento dos mesmos. Quando diante de Olodumare, Yèyébírú se pronunciou: “Senhor, me permita criar algo que faça com que o Sol permaneça por mais tempo iluminando o Mundo novo (Àiyé Titun), o Planeta Terra?” Olodumarê de imediato respondeu: “Sim, já provou por várias vezes que é um ser habilidoso. Assim sendo, eu deixarei realizar essa criação.” Tempos depois, Olodumare convocou todos os orixás a sua presença. Quando diante de todos, informou que Yèyébíru resolveu formalizar um encantamento por meio do qual faria com que o Sol permanecesse por mais tempo iluminando o “Aiyé titun” (O novo mundo). Os orixás, surpresos, perguntaram: “Quais artimanhas Yèyébíru irá aprontar desta vez?” “Saberemos daqui a pouco”, exclamou Olodumare. Tão logo Olodumare terminou sua fala, Yèyébíru, com toda a sua pele ungida por mel de abelhas, surgiu dançando diante de todos. Em sua cabeça, emanando fogo, havia uma lamparina feita de uma abóbora moganga (“elégédé”). Durante a dança, Yèyébíru entregou a Exu as sementes que havia retirado de dentro da moganga, pedindo ao mesmo que por meio de um redemoinho espalhasse as sementes no Novo Mundo (“àiyé titun”). Essa solicitação Exu executou imediatamente. “O que espera conseguir com esse procedimento?”, indagou Olodumare. Sem titubear, Yèyébiru respondeu: “Desejo que os seres humanos possam colher as mogangas, delas se alimentem, e façam delas lamparinas. Assim, iluminarão as noites.” Adendo: Este é o motivo pelo qual acendemos lamparinas durante os festivais consagrados a Òsun.

POR 

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Ewé Étipónlá conhecida no Brasil principalmente por Erva tostão e também por agarra pinto, pega pinto, tangaraca, bredo de porco. Planta presente em vários países sendo disseminada em outros continentes e no Brasil em quase todo território nacional.

Nome científico: Boerhaavia difussa L, Nyctaginacede
Orixás: Xangô e Oya
Elementos: Fogo, masculino

Nos candomblés Jêje/Ketu da Bahia, Rio, São Paulo e nos Xangôs de Pernambuco, esta folha é reverenciado nos rituais das “Folhas”, sarsanhas.
Pessoas ilustres no culto a Egungun usam esta folha para proteção contra os ajoguns.

Korin Ewé Étipónlá :

Ifá owó Ifá omo
Ewé étipónlá ‘bà Ifá orò
Itá* owo Itá omo
Ewé étipónlá ‘bà Ifá orò

Orunmilá é quem traz boa sorte e dinheiro
A folha de erva-tostão é abençoada por Orunmilá
Folha de pitanga é quem traz boa sorte e dinheiro
A folha de erva-tostão é abençoada por Orunmilá

Obs: No Korin acima mencionamos Ìtá* – Folha da Pitangueira Ewé Ìtá, é uma folha de muita força, utilizada para atrair felicidade e sorte (axé odára), pertencendo a Ossayin e Osun. É uma folha quente, devendo ser usada com cuidado, principalmente pelos filhos do Orixá nos Caminhos Ògún.

Ewé Ítà: A folha da Prosperidade

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Korin outra versão da cantiga:

A fí pa burúrú,a fí pa burúrú
Etiponlá wa fi pá burúrú
Ita owó, ita omo
Etiponlá wa fi pá burúrú

Nós utilizamos para acabar com as complicações
Etiponlá que nós usamos para acabar com as complicações
A folha de Ita atrai dinheiro, Ita atrai filhos
Etiponlá que nós usamos para acabar com as complicações

Muitas Casas de candomblé espalham Ewé Étipónlá pelo chão do barracão durante antes de começar o xirê.

Pequisa livros: Ewé José Flávio P de barros e Hugo Napoleão Ewé Pierre Verger
Site: Jonatas Gunfaremim
Acervo cultural: Ilé Àse Òsòlúfón-Íwìn

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A alfavaquinha-de-cobra, conhecida na Bahia e Rio de Janeiro, é uma erva de origem africana que disseminou-se por todo o Brasil.Prolifera em lugares úmidos, sendo encontrada com facilidade em pedreiras, jardins, florestas sombreadas e mesmo em terrenos abandonados e beiras de calçadas.
Conhecida entre os erveiros pelo nome de orirí ou orirí-de-oxum, é fundamental nos rituais de iniciações e obrigações periódicas que ocorrem nos candomblés jejê-ketu, entrando no àgbo de todos os Orixás.
Nome popular: Alfavaquinha de cobra, Orirí.
Nome Científico: Peperomia pellucida (L.)Kunth., Piperaceae
Orixás: Oxalá, Oxum e Orí
Elementos: Água/feminino- Fria
Verger (1992:30,31), citando um mito de Ifá, relata que: “Igbádù é a casa de Odú. Não se pode entrar na casa e olhar o interior, se não se esfregar antes os olhos com água de calma, composta de folha de òdúndún, tètè e rínrín, de limo da costa (karitê) e de água (contida no casco) de um caracol.
Todo babalaô que vai fazer o culto de Orumilá na floresta deve antes adorar Odù, sua esposa no Igbádù se não Orumilá não ouvirá seus pedidos e não saberá que este babalaô é seu filho”.
É interessante notar a relação que essa erva tem com os olhos, seja no plano litúrgico, seja no fitoterápico. No plano litúrgico, ela pertence também a Oxum, que, na qualidade de Opará, é sincretizada com Santa Luzia, sendo ambas protetoras dos olhos. Na medicina popular, as pessoas do interior usam o sumo extraído do caule desse vegetal para combater irritações e inflamações oculares.
Korin Ewé:  Rinrin àtòrì ó
                  Ó rinrin àtòrì
                  Ba iyin se ìrùnmalé
                  Ba iy isà ba ba’ri ba’ro
                  Bá ísà ba Bàbá k’Òrun
                  Atá kò ro oju àlà fori kan
                  Ó rinrin àtòrì Bàbá pèsún.
Pesquisa: Ewé – José Flávio P, de Barros e Hugo Napoleão
Ewé -Pierre Verger
Acervo cultural: Ilé Àse Òsòlúfón Íwìn

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