Anúncios
Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for Maio, 2016

Òrìşà

orisa

Òrìşà são forças criadas por Òlódùmarè para nos auxiliar nessa terra.  São criações tão perfeitas que se acoplam à natureza de forma que sejam um só.

Eles sabem exatamente tudo o que precisamos, o que queremos e a hora certa em que tudo deve acontecer.  Suas previsões são tão exatas e precisas como tudo na natureza.

Eles se encontram em tudo, absolutamente em tudo o que somos, fazemos, o que queremos e o que almejamos.

Quando nos afastamos dessas energias, sentimos o peso desse mundo denso em que vivemos, com todas as cargas negativas e positivas misturadas num redemoinho sem fim, onde ficamos perdidos e sem rumo.

Estar em conexão com essas forças emanadas por Òlódùmarè (Deus), é estar em plena harmonia com nosso espírito e assim, equilibrados, estaremos em harmonia com a natureza.

É nos Òrìşà que encontramos forças para enfrentarmos o nosso dia a dia, cada insegurança, cada dúvida, cada dificuldade, conflitos, nossos negativos e as forças negativas existentes no meio em que vivemos, mas encontramos também o equilíbrio e a forma correta para recebermos o positivo, a alegria, as realizações, as conquistas e o amor emanado por Deus (Òlódùmarè).

Nós temos por hábito reclamarmos de tudo o que temos e vemos a nossa volta.  Mas precisamos mudar e começarmos a observar o que temos de bom. Precisamos agradecer as conquistas, ao invés de falarmos das dificuldades que tivemos para obtê-las, agradecer nossa mesa farta, sem reclamarmos do cansaço do trabalho.  Precisamos aprender a agradecer cada alimento que chega a nossa mesa, cada conquista, cada dia de vida e saúde, cada vez que dormimos e acordamos no dia seguinte, a cada vez que podemos ver e sentir o sol, a chuva, por estarmos em nossa casa, nosso lar com a família e valorizarmos cada coisa, cada gesto; o mínimo que seja, tem seu valor.

Precisamos eliminar o quê e quem não presta do nosso caminho, ao invés de nos martirizarmos com as decepções e traições. Precisamos seguir em frente e desfrutarmos dos bons e dos que nos dão valor.

Precisamos sempre lembrar que, enquanto nós reclamamos de uma terra ruim, de maus governantes, de que temos dificuldades para conseguirmos viver e seguir em frente; existem outros povos, em outras terras, com dificuldades tão maiores, tão terríveis, passando por tantas privações, e sem as mínimas condições de vida que precisamos.  Mas eles são confiantes, felizes, certos de que vão conseguir viver cada dia que está no destino deles, e que Òlódùmarè e suas criações, os Òrìşà, estão com eles a cada momento, os movendo a cada dia em busca de vida.  Eles acreditam nessa força maior que pode nos conduzir pelo melhor caminho, para podermos viver e passar por cada obstáculo, por cada dificuldade, com êxito e vitórias.

Esse povo, apesar das dificuldades e das privações, eles comemoram e agradecem cada dia, cada conquista, com alegria, danças e música aos Òrìşà.

E é nessa hora, que vemos o quanto somos pequenos, o quanto reclamamos de tudo, enquanto que precisamos é agradecer o mínimo que seja.  Porque, com certeza, se conseguirmos olhar para o lado, ao invés do nosso umbigo, veremos outros seres, outros povos que tem muito menos, ou não tem nada e que vivem e agradecem por cada dia em que estão vivos, por cada dia que conseguem chegar até o final da jornada e voltar para casa.

Vamos ser gratos pela vida, e pelo que ela nos oferece.

“Porque não há nenhum mal, que não se consiga aguentar e nenhum bem que dure para sempre!”

Por isso, precisamos encontrar o nosso equilíbrio, para sermos capazes de enfrentar qualquer dificuldade, e também, de agradecer cada minuto de vida, cada minuto em que podemos estar vivos para lutarmos por mais um dia.

Precisamos estar sempre em busca do amor de Deus, do Amor Universal, dentro de nós, para que esse amor nos transborde de satisfação em tudo que temos, que conquistamos e tudo o que somos.

Que cada um de nós consiga encontrar essa força divina e perfeita, que é o Òrìşà, dentro de nossos corações.

Eu, tenho certeza que Òrìşà existe em mim e que me leva sempre pelos caminhos necessários para o meu crescimento e pelo meu merecimento!

Àse !!!


ÁFRICA

Terra de tantas privações

Terra de tantas dificuldades

Terra de tantos sacrifícios

Onde os fortes ficam mais fortes

E os fracos, mais fracos

Onde aprendemos o valor da vida

E o valor de cada ser

Terra de povo sofrido

Terra de povo sábio

Terra que nos dá o valor da natureza

Terra que nos dá o valor de Òlódùmarè

Terra que nos dá o valor do Òrìşà

Que nos ensina a viver

Que nos ensina a crescer

Que nos ensina o valor do Sol e da Chuva

Que nos ensina o valor do Amor!


Ase.

Mo jùbá Ìyá mi Òşún Funkè

http://www.efunlase.com

Anúncios

Read Full Post »

Em muitas sociedades africanas o veneração ancestral é um dos princípios tradicionalmente central e básico  mesmo  nos cultos contemporâneos.

O culto ancestral africano é enraizado profundamente no mundo tradicional africano.Dinamismo e vitalismo, compreendido de uma maneira existencial, concreta e afetiva e de aproximação.  A realidade é vista e julgada especialmente em seus aspectos dinâmicos relacionados próximos à vida, o mais real e valioso concedido para cada ser. Dando a ênfase a fecundidade,  a vida  e a identificação entre o ser e o poder ou força vital.

Certamente, o ideal africano dessa cultura é a coexistência de uma existência de uma força vital relacionada com o mundo e o universo. Sobretudo as forças do Deus, que dá a existência e o aumento do poder a todos. Vêm em seguida os mortos, que são dotados com poderes especiais, que vivem uma hierarquia de acordo com seu poder. As maneiras diferentes de ser são distinguidas por suas modalidades e grau de participação de força suprema (deus) e em forças superiores de outros seres “espirituais”

A força, a alma, a vida e a palavra são conectadas próximas um com o outro. A palavra é o princípio da vida, excelência vital do par da força (da força do nome, do ritual, da palavra e do mito). Em algum sentido tudo é participação, porque é a mesma força que anima o universo inteiro; e é normal que essa força  age em tudo.

SOLIDARIEDADE (RELACIONAMENTO), TOTALIDADE  E  PARTICIPAÇÃO

O africano representa não somente em sua mente o objeto de seu conhecimento, mas participa nele em uma forma representativa, mas simultaneamente no sentido físico e místico do mundo, como pode ser observado especialmente nos rituais.

A conexão entre a causa (super natural) e o efeito é imediato; as causas secundárias não são admitidas nem não são consideradas insignificantes. O Deus está, na análise final, atrás de todos os respiradouros no mundo. É a fonte da vida e o poder em que todos participam e, é a fundação do solidário, totalitário, e da participação dos seres humanos e cósmica. Esta visão totalizando, se manifesta pela assimilação do indivíduo no grupo, e pela ausência da diferenciação bem definida entre as várias funções sociais (econômico, jurídica, política, religiosa).

O poder da tradição é conectado com a duração cíclica, repetição ritual, gerontocracia (governo por homens velhos), nos culto dos antepassados, nos ritos de iniciação

O africano não fica satisfeito meramente só por viver no mundo e só experimentar seu ritmo cotidiano de vida, mas deseja sempre também interpretar o simbolismo de todas as coisas criadas, e participar ativamente em plena comunhão com todas elas. O mundo é e existe para o ser  humano, se ele tiver o contato diário com ele, dos mistério, dos sinais e mensagens: tudo tem que  ser interpretado.

O que é também proeminente nesta “maneira incorporada de pensar” é uma forte vivência de vida na comunidade, expressado pela participação na vida em comum, em que o indivíduo é introduzido por vários ritos de iniciação. Isto esclarece o sentido profundo de família mostrada pela ligação com os antepassados.

Está sempre conectado muito próximo com a família e a comunidade  e com um grande respeito mostrado ao chefe da família e de outros membros de autoridades em comum. Em muitos casos todos os membros de um clã têm relacionamento místico em especial a um totem (divinizado, orisa) em comum, com que o nome do clã está associado.

Há um sentimento marcado pelo sagrado, compreendido como o “tremendum et o fascinosum”(tremendo e fascinação), e é manifestada essa característica, nos ritos da iniciação que compreendem, entre outras coisas, como um retorno à época sagrada dos antepassados, nos heróis da cultura, nos fundadores e nos arquétipos.

O mundo  é conectado com o mundo pós morte, e vive sempre em  contato próximo com seu antepassados e outros espíritos. Em conseqüência, isso mostra que a tradição africana é caracterizada profundamente por um comportamento mágico-religioso.

A sociedade e a religião são centradas no homem e em seu bem-estar (bem estar, segurança, proteção.

A dignidade humana é respeitada altamente, e o homem tem um lugar privilegiado no universo; interpreta o cosmos nos termos da organização humana. O mundo, fonte eminente da vida, é dado ao homem o poder de reforçar para fazer-lhe mais vida.

O interesse do Deus parece ser baseado principalmente em suas prontidão e capacidade ajudar ao homem em seus interesses terrestres.

O CULTO DOS ANTEPASSADOS

Não há nenhum sistema uniforme da opinião e das práticas deste culto na África.Mas o fato, se encontra nas diferenças de detalhes mesmo no mesmo grupo étnico. Além disso, a veneração ancestral que será descrito aqui não é encontrado em cada comunidade tradicional africana. Não obstante o culto pertence à maioria dos povos. Adicionalmente, apesar das diferenças, há muitos elementos compartilhados em comum por muitas sociedades étnicas.
A veneração ancestral está ligada intimamente na maioria  com a África tradicional. Compreendido como o poder sagrado (força vital), entendido com um elemento central. Este ideal é um das motivações básicas do culto ancestral. Isso porque em muitas sociedades africanas o status ancestral é ligado intimamente com a fecundidade e procriação. Em algumas (mas de nenhuma maneira todas as) comunidades, uma pessoa sem prole não pode transformar-se um antepassado.

Há mesmo os casos onde se acredita que nomear um descendente pelo nome de seu antepassado é possível que o antepassado continue a viver em seu descendente. A opinião é difundida, que o antepassado continuará a sobreviver e nessa circunstância que não será esquecido, isto é, seus descendentes se comunicarão regularmente com ele e oferecer rituais.Bem por isso, o africano costuma  ter muitos filhos que o recordarão e se comunicarão ritualmente com ele.

Um antepassado, por sua parte dá grandes benefícios para seus parentes vivos tais como: a saúde, a vida longa, sorte, prosperidade e bons filhos.

Ninguém pode ser um antepassado de um indivíduo que não lhe seja relacionado ao familiar – sangüíneo. É por esta razão que os rituais para os mortos sem nenhuma referência particular sanguínea, são considerados geralmente como não pertencendo ao culto ancestral.

Embora haja casos onde o relacionamento ancestral não é fundado em laços da família (por exemplo: quando tal relacionamento de uma em sociedade comum – religiosa ou secreta), contudo tal relacionamento raramente – vai além dos limites tribais.

É óbvio que o africano manifesta uma forte da tendência dialética em sua atitude para seus antepassados, a saber: de medo, mas também com uma atração para com eles. Como pode ser visto na descrição acima há umas várias razões de tal atitude ambivalente. Entre tais razões, o sentido do sagrado dos antepassados deve também ser incluído.

Ninguém pode alcançar o status ancestral sem ter tido uma vida moral boa, de acordo com padrões morais africanos tradicionais. Para ser um antepassado é preciso ser considerado como um modelo ou um exemplar de conduta na comunidade, e como a fonte da tradição tribal e da sua estabilidade.

Texto Traduzido e Adaptado por Ifatolà

 

Read Full Post »

Chegamos a mais de 20.000.000 de visualizações, Obrigado!

Em nome de toda a equipa do blog, quero agradecer à todos os nossos leitores, amigos e  visitantes que nos ajudaram atingir essa marca tão expressiva.

Não somos os donos da verdade, nosso objetivo é desmistificar tabus e conceitos pré-estabelecidos que não coadunam com os rituais, preceitos e liturgias dos cultos Afro-brasileiro das nações africanas. Procurar dar um entendimento básico sobre a Religião é a nossa responsabilidade.

Obrigado, saúde e paz que o resto todos corremos atrás!

“Se semeio urtigas, não posso colher rosas”.
É através das minhas ações que o mundo reage a mim.
Elas plantam as sementes do meu futuro.
Se tenho atitudes raivosas, obtenho respostas raivosas.
Se desempenho ações pacíficas, os resultados são pacíficos.
É através das ações que eu crio fortuna ou infortúnio.
Deveríamos deixar que todas as nossas ações
fossem para edificar ao invés de violentar.

Brahma Kumaris

Read Full Post »

Os Nove Filhos de Oya

 

Modern Nigerian woman possessed by the spirit of Oyá, whose animal is the Water Buffalo.

Mulher nigeriana moderna possuído pelo espírito de Oyá , cujo o animal é o búfalo
da água.
Oya teve nove filhos, uns dizem que foi com Ògún outros que foi com Sàngó , oito nasceram mudos e o último nasceu um Égún e graças aos sacrifícios recomendados por Ifà, nasceu com o poder de falar com voz estranha e sobrenatural, chamada Segi, que imita a voz do macaco africano chamado Ijimarè, macaco que é consagrado aos Érés.
– 1 – Imalagà – Nasceu no primeiro dia do Eboykú arrancado do ventre de Oya pelas Ìyámi, e foi envolvido em abanos;
– 2 – Iorugà – Foi envolvido na palha seca e alimentado com talos de bananeira. Nasceu com a vaidade de Oya e é o preferido;
– 3 – Akugà – Nasceu no terceiro dia da tempestade e foi criado nas touceiras de bambu. É rebelde. Não se deve tocar o chão do bambuzal;
– 4 – Urugà- Alimenta-se das folhas da bananeira e esconde-se nas florestas. Faz buracos;
– 5 -Omorugà – Alimenta-se do pó do bambu que está caído no chão. Vive no milharal e fica escondido nos bambuzais observando os seres humanos;
– 6 – Demó – Oya cobriu-o de lama para saber os segredos de seus inimigos. Usa pele de búfalo para acompanhar Òsóòsì;
– 7 – Reigá – Acompanha os mortos e ronda os cemitérios. Esconde-se nas grandes árvores dos cemitérios e ronda as sepulturas a procura de objetos perdidos ou esquecidos pelas pessoas;
– 8 – Heigà- É violento e vive perseguindo o Ori do ser humano. Propicia desastres e desordens;
– 9 – Egungun – Oyá preparou-o para combater. Ele se apossa do ser humano, fazendo-o cometer desatinos.
Oya carrega um par de chifres que deu a seus filhos, dizendo-lhes que se precisassem dela batesse um no outro que ela viria de onde estivesse para acudi-los, também um instrumento de madeira com o rabo do búfalo que serve para afastar os Égùns , chama-se Orukeré.
Recebeu de Sàngó o título de Yànsán , que quer dizer , “a senhora das tardes “, pois chegava sempre as tardes , linda e esvoaçante com sua roupa de fogo.
Rainha de muito brilho e amabilidade, Dona do vermelho, manipuladora do fogo e dos ventos fortes. Oya, recebeu de Oloruno titulo de L’Oyá Fefe Idé ( Oya dona dos ventos fortes).
Ela é a dona do Axêxê, pois foi criado por Oxóssi e quando o mesmo morreu, ela ficou tão desolada pois não tinha más ninguém para compensar tamanha solidão, levava todos os dias de quinta-feira os pratos prediletos de Oxóssi nas matas e fazia um verdadeiro banquete. Seu emblema é o Erukerê e a Ofanje .
É tida como ” Yá Osú ” mãe do vermelho. Suas principais  iguarias são os Acarás, o Amalá e o Ekurú.

Read Full Post »

Elegun Sàngó

Elégun Şàngó

Queridos, tenho recebido uma solicitação interessante de discutir sobre transe. Aqui estão as minhas impressões de uma lista de discussões anteriores.

Jorge Amado declarou: “Na Bahia eu não sou um escritor, eu sou um Oba. Um Oba materialista ……. Invasores portugueses trouxeram para o Brasil o Cristo e uma religião masculina um catolicismo muito difícil; Os africanos trouxeram seus deuses da natureza, do mar, do vento, com qualidades e defeitos humanos, cores, músicas e danças, festas, sensualidade e espiritualidade. A profunda diferença …. “

No meio de todos e como pressuposto essencial, encontramos o “transe”.

Transe, se recuperarmos o valor etimológico da palavra, descreveremos a possibilidade de uma passagem para outro lugar (do latim “transire”, para passar). Na verdade durante o transe a consciência humana “altera” e permite uma passagem para um inconsciente “em outro lugar”. Então, é uma ocorrência dinâmica, que, por definição, precisa de uma (espiritual) inclinação de força para acontecer.

Esta inclinação é expressa simbolicamente com a òrìşà Èşù, o Èşù individual que se comporta como sagrado mensageiro entre nós e os Deuses. De um ponto de vista puramente psicológico a inclinação vem de uma diferença de tom entre exigências inconscientes e conscientes (chamada portadores de distonia, ou distúrbio dos movimentos).

Distonia é o inverso da sintonia que expressa, na verdade um equilíbrio perfeito entre duas entidades diferentes (psicológicas). Nos países ocidentais, o termo posse está ligado, em vez de a própria ideia de tomada, de possuir um indivíduo, não consentido por uma entidade estrangeira, geralmente descrita como negativa ou diabólica (assim exigindo exorcismo), no entanto assustador.

Beniste, lembrando o trabalho de Pierre Verger, declara:

“As pessoas entram em transe, mas é um transe de expressão e não um transe de possessão. Òrìşà é algo como um arquétipo de comportamento. Quando alguém é possuído / ele revela o que está escondido dentro do / seu inconsciente e alterna para expressar sua personalidade real ……. “.

A partir deste ponto de vista, o modo com que o próprio termo de posse deve ser objeto de revisão se a ideia de Beniste e Verger estiverem corretas, não há um processo de “adorcismo” (busca da alma perdida), mas uma emergência interior de arquétipos espirituais que expressam o poder que um indivíduo sofre escondido. Este sofrimento viria das tensões não resolvidas entre exigências consciente e inconsciente que não podem ser satisfeitas por meio da qual seria inaceitável na vida da sociedade comum.

No entanto, Beniste esqueceu de descrever o próprio fato de que muitas pessoas, antes de começar a expressar esse comportamento arquetípico interior que é chamado de “posse de Òrìşà”, pode ter uma primeira (ou mais de uma) manifestação que no candomblé é considerado como “Santo bruto “(Santo irracional), que é o surgimento abrupto e inesperado de um transe desordenado e por vezes violento expressando o que pode lembrar um bem real.

Esta manifestação é imediatamente controlada pela intervenção do Olórìsà e o indivíduo é considerado para uma iniciação rápida, a fim de transformar o transe de possessão na expressão transe. Estas duas fases são muito consequentes e lembra uma energia bruta que deve ser levada de volta a algum tipo mais organizado e ritual de expressão.

Eventualmente, na prática, o candomblé, especialmente na raiz do Ketu, transe é ritual, nunca desordenado e obedece a um não escrito, mas regras precisas, segue um rito e narra um mito, com regras comportamentais graves. Transe de fato aparece apenas em pessoas selecionadas e escolhidas, inicia e conclui em horas estabelecidas e ocasiões pré-definidos (“festas dos Òrìşà”), ocorre na sequência de um cenário preestabelecido nunca muda.

Seguindo os preceitos de Beniste, faz acontecer na Terra o que aconteceu no mundo dos sonhos. Além disso, quando Beniste e Verger consideram “expressão” toda a manifestação do transe implicitamente reconhece que não há papel para a presença e guia de um Olórìsà durante rituais e ritos. Na verdade, “Pai e Mãe de Santo” teriam, nesse caso, só um papel passivo de hipnoterapeutas inconscientes muito semelhante ao que em NPL define “âncora”, ou seja, uma ligação psicológica capaz de dar um re-acesso aos estados de consciência alterada.

É muito significativo a partir deste ponto de vista a definição de transe como “a se aposentar dentro de um mundo interior” que é muito paradigmático da essência da ocorrência de expressão transe, rejeitando a ideia de uma “penetração” da entidade espiritual externa e estrangeira no chamado “processo adorcismo” como orientado e favorecido pelo “zelador de santo”, o Baba / Ìyálorìsà.

Esses estados alterados de consciência têm diferentes implicações entre os quais um muito significativo é o potencial de curar trauma interno e sofrimentos, alcançando um melhor equilíbrio emocional (de portadores de distonia para sintonia).

No entanto, é inegável que os seguidores veem o processo como ganho real por um Deus que está “montando” o “cavalo”, em oposição à expressão transe.

Além disso, esta interpretação Junghiniana de transe no candomblé é muito fascinante e se encaixa com muitas observações práticas e experiências. No entanto, pode, paradoxalmente, reduzir o valor espiritual desta prática como “religião”.

Ambos Verger e Beniste (afinal Verger sempre se declarou um racionalista irremediável francês e ateu), que eram de fato os principais apoiadores incompreendidos do Candomblé como prática não-religiosa, não procedeu, na tentativa de juntar estas observações e possibilidades visando unificar um conceito que, sem dúvida, assume uma importância concreta, tanto no espiritual e nas laterais psicológicas.

Considerando transe Candomblé exclusivamente como uma forma de expressão ou exclusivamente como uma forma de possessão pode muito bem ser um erro claro como não há contradição necessária entre estas duas formas de transe e manifestação, mas uma sinergia definida. É muito claro para mim que as pessoas podem ter formas “puras” de expressão ou de posse transe mesmo excluindo a partir desta última a manifestação da patologia da histeria, enquanto os mecanismos espirituais e psicológicos podem interagir para obter uma manifestação distinta e completa do transe do “Òrìşà”.

Como discutido em outros segmentos, é muito claro que a “posse” é precedida de uma preparação do “ambiente” pessoal, que é uma forma de transe hipnótico induzido analogicamente. A porta está aberta, então não é a “posse”. Posse se manifesta como a presença espiritual do Òrìşà que assume um impacto vibratório relevante e permite ao sujeito inconsciente ter acesso ao reino dos Arquétipos (inconsciente coletivo) para expressar seus / suas necessidades arquetípicas como relacionado a esse Òrìşà específico, que é de fato específica e inespecífica em sua presença.

Ela é específica quando expressa uma energia relacionada a natureza específica (Ogun é o Deus guerreiro do ferro, Ợbàtálá é o Deus das roupas brancas e assim por diante), enquanto também é inespecífico como muito individual: “meu” Ọbalúwayè, embora em representação de sua especificidade o Òrìşà de doenças infecciosas, mesmo em uma de expressão ritual durante as cerimônias rituais, sempre será diferente de outros Ọbalúwayè que pertencem a outras pessoas.

Em suma, durante o transe diferentes forças se interconectam: o inconsciente individual, o coletivo e inconsciente arquetípico, o Iponri Ẹlẹdá ou Òrìşà individual vindo do Orun para permitir que seus / suas filhas expressem simultaneamente a possibilidade de manifestar-se na terra os antigos mitos que Òrìşà e a (cura) expressão do transe.

Nossa consciência humana muito limitada não nos torna capazes de maneira lógica e completa conseguir interpretar este complexo de ocorrências para todos os que fazem parte de Ifá / Òrìşà. Experiência e fé são as únicas formas de conhecimento, enquanto que palavras e expressões permanecem limitadas como nossa natureza de seres humanos.

Por: Bàbáláwo Fagbami Nougbodekon

https://www.facebook.com/AwoFagbami?fref=ts

Tradução: Odé Ợlaigbò

 

Read Full Post »

%d bloggers like this: