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Archive for Setembro, 2015

A Prece com seu Orixá.

Prece com seu Orixá.

Prece, adurá ou oração,  é uma conversa com seu Orixá e pode ser representada por um pedido, agradecimento ou reconhecimento da bondade divina.

Geralmente, usamos a prece ou a oração para pedir, no entanto, nem sempre o que nos parece necessário é o que realmente convém à nossa felicidade. Inútil pedir ao Orixá abreviar as nossas provas, nos dar alegrias ou riquezas. Peçamos, antes, os bens mais preciosos da paciência, da compreensão, da resignação e da fé.

Há dois tipos de pessoas que não oram: as que não querem e as que não sabem.

As que não sabem, muitas vezes, rezam mecanicamente, algo decorado que aprenderam na infância. Não compreendem que o valor da prece está no sentimento e não nas palavras utilizadas. Não existe oração poderosa, milagrosa.

Então, por que as orações existem? Apenas como guias e roteiros para os que não conseguem, sozinhos, encontrar as palavras necessárias. Algumas pessoas sentem a necessidade de ter um texto para seguir.

Ao Orixá devemos nos dirigir com humildade e confiança. Isto é fundamental.

Sabemos que estaremos evoluindo, quando deixarmos de pedir por nós mesmos e, deixando o egoísmo de lado, pedirmos por nossos irmãos.

E quais, então, são as condições da prece? Orar em segredo, sem demasia, pois Deus estará lhe escutando e não será a quantidade de palavras mas, sim, a sinceridade com que foram ditas. Purificar o coração, buscando o perdão aos desafetos, despindo-se de mágoas e ressentimentos. Orar com humildade e não com orgulho.

Nosso Orixá ouve as nossas preces? Sim, as preces sinceras, humildes, e nos responderá através dos acontecimentos da vida, embora não do modo que pretendemos, nem no espaço de tempo que desejamos.

Às vezes, por desespero, queremos uma solução imediata e não percebemos que a resposta pode estar no próprio problema. Por exemplo, pedimos a cura para uma doença, sem nos apercebermos que a enfermidade pode ser necessária para a nossa cura espiritual.

O homem, geralmente, só vê o presente, mas se o sofrimento for útil para a sua felicidade futura ele virá ao seu encontro.

O que o Orixá lhe concederá será a coragem, a paciência, a compreensão e a resignação para enfrentá-lo. E, ainda, os meios para se livrar das dificuldades. O esforço, entretanto, será sempre nosso.

Precisamos transformar as preces em ação, trabalho, realização em favor da vida e do próximo.

Quando fizer a prece, recolha-se em seu coração. Faça silêncio e irá sentir a energia do Orixá atravessar a sua pele

Autoria: Eliane de Oliveira Mianni Motta

Texto adaptado: Babá Fernando D’Osogiyan

Nós mesmo podemos escrever nossos Preces diariamente.

Dobrando meus joelhos …

Peço  com humildade com minha testa encostada e minhas mãos espalmadas sobre a Terra, a grande Mãe…

Peço misericórdia ao senhor meu Orixá  por minha avareza, ser quem nada sou ou penso que sou…

Peço perdão pelo meu egoísmo,  minha intolerância e minha arrogância desapercebida…

Peço com vergonha  que  a minha possível  soberba seja punida pela justiça divina…

Peço com a voz  embargada  que a inveja que sinto não seja pela felicidade do outro…

Peço em submissão que não me acovarde nas adversidades, que insista sempre com coragem…

Peço piedosamente que nunca  desistas de mim,  mesmo que por um minuto, um só carinho eu possa merecer…

Peço caridosamente que minha alma tenha piedade ante  meus erros e meu arrependimento seja verídico…

Peço sinceramente que a esperança nasça todas as manhãs quando acordar renovando a minha alegria de viver…

Peço agradecendo com euforia por ter a oportunidade de ser feliz , ser um homem, um Òlorisá de fé.

Babá Fernando D’Osogiyan

PRECE AO GRANDE OXALÁ

Oxalá! Divina manifestação do Bem,

Senhor da perfeita Sabedoria e do Bendito Amor,

Ó! Vós que recebei o poder do supremo.

Protegei-nos das ciladas ilusórias do mundo enganador,

Despertai-nos para a realidade da vida imortal,

Sois a imaculada irradiação do Altíssimo,

que nos guia; com ternura e esperança,

para a   luz.

Rogamos contritos pela salvação da nossa consciência.

Junto a Vós, trilharemos por caminhos iluminados,

Porque sois a divina pureza, acolhedora e misericordiosa.

Santo Nome, envolvei-nos em sentimentos fraternos

de real amor, a fim de chegarmos até Vós,

Oxalá ! Tende pena de nós, tende compaixão…

Êpa, êpa, Babá Oxalá!

 

 

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Ọrúnmìlà / Ifá

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Eu acredito em Ifá, não por que, eu nasci em Ifá; Mas, por que Ifá nasceu em mim.

A filosofia de Ifá é uma das mais antigas formas de conhecimento revelada a humanidade. Infelizmente as revelações de Ọrúnmìlá, têm desde o início dos tempos, sido escondidas no mais completo sigilo daqueles que poderiam dispor de tempo para adquiri-los e não tinham recursos de ir atrás deles.
O aprendizado de Ifá obriga o seu iniciado a fazer viagens, trocar informações, adquiri-las através de sacrifício de tempo ou dinheiro.
Tudo o que sabemos hoje de Ifá, tem sido passado de geração em geração a milênios. Muito do que o povo conhece sobre Ifá é também revelado, até mesmo hoje em dia, pelo próprio Ọrúnmìlá, porque ele regularmente surge para seus seguidores (iniciados ou não) em sonhos, para ensiná-los o que é necessário saber sobre sua obra (No culto de Ifá temos um òrìşà que nos ensina através dos sonhos em outra dimensão). O conhecimento de Ifá tem sobrevivido essencialmente pela tradição oral que passa de um sacerdote de Ifá para outro. Nenhum esforço consciente tem sido feito para publicar a obra completa de Ọrúnmìlá para o público consumidor.
Até os sacerdotes de Ifá, entre eles, são frequentemente relutantes em compartilhar conhecimento por temor que se o mesmo (conhecimento) se tornar de domínio público, a fachada mística oculta na qual eles operam, será destruída. Isto não é totalmente sua culpa, afinal, eles levaram pelo menos 21 anos de aprendizado para se tornarem sacerdotes eficientes.
(Aqui vemos o autor sendo politicamente correto em sua análise, pois, de verdade o que impera é o medo de saber que outros também sabem, que outros também podem curar, orientar, ajudar, prolongar a felicidade e a prosperidade de alguém. Podemos usar o exemplo de uma faculdade Direito, onde todos têm o mesmo acesso à informação e apenas um ou dois se notabilizam por seu esforço e compreensão da matéria).

Esse trabalho que foi diretamente inspirado pelo próprio Ọrúnmìlá, não seria fácil para ninguém dispor de tempo, esforço e dinheiro, para se iniciar em numa aventura interminável. Isso é o que a sociedade de Ifá chama de conhecimento interminável, imutável e imortal.
(Ou seja, muitos sacerdotes de Ifá fracassam, pois, sua vontade de adentrar nos mistérios do culto é apenas uma ponta do seu iceberg de vaidades)
Ver-se-á de suas revelações, que Ọrúnmìlá, embora o mais novo de todas as divindades criadas por Deus (Òlódùmarè), foi verdadeiramente a própria testemunha de Deus quando começou a criar as substâncias orgânicas e inorgânicas (O Cosmos). Este é o porquê dele ser consultado como o Ẹlẹri Ipin (Testemunha do Destino). Somente ele conhece a verdadeira natureza e origem de tudo que é animado ou inanimado e criados por Deus.
Este conhecimento tem lhe dado, desta maneira, incomparáveis poderes que fazem-no o mais eficiente de todas as divindades, que foram as primeiras criaturas de Deus.
(A inabilidade de Ọrúnmìlà em várias frentes de trabalhos lhe rendeu insultos e impropérios por parte das divindades, aqui falamos metaforicamente, acarretando na descoberta de seu maior ire, sorte/coisas boas, a SABEDORIA, que lhe rendeu o conhecimento e a sensibilidade, que hoje formam o tripé da base de qualquer pessoa que deseja ser, ou é escolhido pela divindade, para ser um sacerdote. Sabedoria, conhecimento e sensibilidade).

Os seguidores que são capazes de alcançar este tripé, consequentemente, controlam enorme poder, esse poder muitas vezes tem sido confundido e chamando de magia ou fetiche.

Por outro lado à expressão “Ifá” (A voz de Deus) engloba as revelações, estilos de vida e a religião ensinada por Ọrúnmìlá. Este é o porquê de ser frequentemente dito que Ọrúnmìlá é a divindade mas Ifá é a palavra.
O sacerdote de Ifá é um pedaço da boca de Ọrúnmìlá e até comparativamente ele era o eixo em torno do qual a vida diária da comunidade girava. Nos tempos imemoriais era de bom tom ir abertamente até ele para buscar solução para os problemas da vida. Atualmente tem se tornado moda consultar um sacerdote de Ifá em segredo absoluto e furtivamente.
(Aqui vemos um poema/verso de Ìròsùn ‘Òtúrá que diz:

Quando as pessoas dos limites da Terra disseram que não iriam praticar nenhuma religião (a religião yorùbá),
Ọrúnmìlà disse que as pessoas dos limites da Terra não podem rechaçar sua religião.
Eles (as pessoas) perguntaram por quê?
Ele disse:
Por que um bando de Agbè cultua Olú igbò (O chefe da floresta).
Um bando de Àlùkò cultua Olú òdàn (O chefe das savanas)
Quando Òdìdè viaja para longe ele sempre volta para casa.
Ele [Ọrúnmìlà] disse:
Alupayida atrairá os homens para mim (a religião Yorùbá)
Ele [Ọrúnmìlà] disse:
Alupayida atrairá as mulheres para mim [a religião Yorùbá]
Ele disse:
O pássaro osin é conhecido por um nome apenas.
O rico virá a render-se ao culto,
O afortunado virá render-se ao culto.
E o famoso também virá se render ao culto,
Também o jovem e o velho virão se render ao culto.
Os homens e as mulheres virão se render ao culto.

Este verso diz que jamais poderemos esconder, renegar, camuflar ou disfarçar que somos adeptos/simpatizantes/iniciados nos mistérios da religião ou que buscamos o socorro dentro da sabedoria celeste de Ọrúnmìlà).

Três fatores têm sido os responsáveis por esta espetacular mudança de atitude.

O primeiro é a chegada à civilização moderna e a educação trazida.

O segundo é a despótica influência das religiões modernas as quais foram usadas pela espécie humana como armas para conquistas, não apenas das mentes mortais, mas, também para manifestar ambições de território.

O terceiro é o impacto decorrente das duas primeiras forças. Os filhos dos sacerdotes de Ifá, não mais desejam ser associados a religião e ao modo de vida de seus pais, aos quais eles rejeitam como superstições pagãs.

Muitos sacerdotes de Ifá dotados de brilhante conhecimento teórico e prático do oráculo, têm morrido não restando nada gravado de suas riquezas de conhecimento e experiência. O volume de livros os quais eu estou prestes a lançar (já lançados em Inglês) são uma tentativa para deixar um relato histórico da grande obra de Ọrúnmìlá.
(Um dos maiores relatos que ouço desde 1986: Eles morreram e levaram todo o conhecimento, não legaram nada a seus sucessores. Isso pode ser uma verdade, porém, verdadeiramente quem deu segurança a esse sacerdote de que os ensinamentos seriam bem cuidados e bem passados as gerações futuras?
Ọrúnmìlà diz que prefere uma pessoa sem conhecimentos a uma pessoa sem caráter no sacerdócio. Talvez esse tenha sido um dos motivos que levaram a quebra dessa corrente).

Eles se destinam a provocar debates para o enriquecimento do conhecimento de modo que as gerações vindouras conhecerão sobre Ọrúnmìlá e serem orgulhosos por estar associados a ela. Este trabalho se designa também a assistir os estudantes da filosofia de Ifá na obtenção mais profunda do conhecimento, o Ifismo, quanto gerar interesse no aluno. Também irá prover assistência para aqueles que foram iniciados na religião, mas que continuam a duvidar da veracidade de toda concepção de Ọrúnmìlá ou foram abandonados por seus sacerdotes, após, o pagamento de volumosa quantia financeira.

Frequentemente quando uma pessoa vai a um sacerdote, ele conta para o suplicante os encantamentos específicos do Odù que se apresentou para ele. Depois disso, ele prescreve os sacrifícios a serem feitos sem preocupar-se em narrar ao suplicante a história fundamental do sacrifício que ele (Odù) está pedindo para se feito. Eles o fazem por que acreditam que a mente do não iniciado ou com menos conhecimento (o suplicante/iyawo) não irá entendê-los.
Eles começam a questionar se o sacrifício é ou não relevante.

Se ele faz ou não o sacrifício, torna a reputação do sacerdote de Ifá incerta e não as suas convicções da necessidade disto.
(Aqui encontramos a chave de muitas questões sem respostas. Vamos supor que o Ori do consulente não aceita/rejeita o ebo, porém, fica com vergonha de se expressar, o capítulo final estas nas portas cerradas do Ợrùn, o ebo não chega a Òlódùmarè e se chegar ele vai perguntar a Èşù se o Ori está aceitando o que foi ofertado, em caso negativo a bênção não é dada.
Poucos sabem que a sanção da bênção é dada por Òlódùmarè, todos os ebo passam pelo seu crivo, quer as pessoas acreditem ou não. O ase (força vital) está sob a custódia de Èşù, mas, pertence a Òlódùmarè e Èşù somente libera se for autorizado. Então, o sacerdote quando é versado ele saberá de ante mão se o Ori do suplicante aceitou ou rejeitou o ebo. Como temos visto a parte financeira andar na frente do bem estar do ser humano, este enorme ‘por menor’ é relegado a terceiro/quinto plano, aqui está a resposta para muitos ebo não darem certo ou não terem resposta).

Mais importante é a tentativa de fazer a religião se classificar como muitas religiões novas, como o judaísmo, cristianismo, budismo e islamismo. Estas outras religiões tinham a vantagem da documentação histórica. Tanto ao mais, nós veremos que Ifá é muito mais rico e o mais antigo corpus literário de conhecimentos.

È importante notar que todavia este trabalho não coloca reivindicações, quaisquer que sejam, por conta da religião de Ifá. É dito que ninguém pode conhecer completamente a Obra de Ọrúnmìlá. Este trabalho é portanto o início e a pesquisa será continua durante toda a vida do autor. Espera-se que ela seja atualizada de tempos em tempos tendo em vista a ausência de pesquisas e revelações adicionais.

Por outro lado, o escritor espera, que com esses volumes de dezessete livros ao todo, desmistificar a filosofia da Religião de Ifá. Contrário à todas as aparências externas, não há nada mágico sobre Ifá. A arte é análoga ao trabalho de astrologia. Um astrólogo conta o futuro de um homem lendo o comportamento das estrelas que estavam no céu na época em que a pessoa nasceu. Do mesmo jeito quando uma criança nasce, os instrumentos principais de divinação de Ifá são usados para ‘desvendar’ (Esentayé) sua cabeça e escutá-la. Os instrumentos irão declarar o nome do Odù que será sua estrela guia.
(Explicamos que a criança quando nasce passa pelo rito do nascimento, o rito da descoberta de seu Odù, no terceiro dia de nascido, não o Odù principal, mas, o Odù que lhe servirá de orientação e parâmetro, apontando caminhos, profissão, esposa (s) e etc., até o ritual de descoberta de seu verdadeiro Odù, não há idade para se iniciar em Ifá. A importância deste ritual é balizar o cumprimento do seu destino, obrigação de todo ser humano).

O sacerdote de Ifá irá então revelar a história da vida do Odù que surgiu para ele e pode proclamar com cem por cento de certeza que a vida da criança irá tomar alguns caminhos que aparecem no Odù. É como o ritual que acontece quando o Odù individual surge no jogo para uma pessoa na iniciação da religião de Ifá (dentro do Igbòdù), a sociedade secreta dos Babalawo.

Por exemplo, se a cerimônia do nome ou durante a iniciação em Ifá, Èjì Ogbè é o Odù revelado, a pessoa pode convenientemente ser informada de que sua história de vida seguirá a caminha da vida de Èjì Ogbè.
Se por exemplo o iniciado é negro e de estatura média, ele deve ser informado que se ele for capaz de seguir os conselhos e èèwò (tabu/quizila) de Èjì Ogbè ele certamente prosperará na vida e disporá tempo de sua vida em serviços humanitários.
Se por outro lado à pessoa é clara ou baixa, ele pode ser informado que ele não será provavelmente muito próspero a menos que consulte seu Ifá e execute sacrifícios especiais para remover os obstáculos que Èjì Ogbè tinha em circunstâncias similares. Neste caso Èjì Ogbè retornou ao Ợrùn para se recuperar antes da fortuna lhe sorrir na Terra.
(Aqui vemos um caso clássico onde o indivíduo tem todos os obstáculos avistados em seu caminho, destino, o Corpus Literário de Ifá, está sugerindo, não o retorno ao Ợrùn, mas, o sacrifício que será feito para remover os obstáculos através do conhecimento do Babalawo e da aceitação do que for prescrito como oferta as divindades).

No mesmo jeito, se algum Odù em particular for revelado no jogo, o sacerdote vai perguntar, ao oráculo, se é para realizar algum sacrifício, que já foi executado pelo Odù em tais circunstâncias. Se o jogo revelar que a morte da pessoa é iminente, o sacerdote orientará a pessoa a fazer um sacrifício, desde que Ọrúnmìlá tenha orientado sua execução, uma vez que ele já havia recomendado outras pessoas fazerem a fim de evitar o perigo da morte prematura em circunstâncias similares.
(Neste caso clássico Ọrúnmìlà ganha o nome de louvor: Òkítíìrí, a pa ọjọ Iku dà.
Aquele que pode nos livrar da Morte).

É razoável imaginar pela análise anterior que longe de uma vida de mágico, o sacerdote de Ifá é simplesmente um hábil intérprete. Contanto, ele pode desenvolver uma memória retentiva, no caso então, ele tem somente que relatar (Aqui chamamos essa passagem de Cantar Ifá, ou seja, ler/recitar os versos da Escritura Sagrada/Corpus Literário de Ifá) os problemas de um suplicante, com uma situação análoga que ocorreu em outros tempos (pode ter sido a milhares de anos atrás), para revelar os problemas que estão acontecendo hoje e colocá-los de uma forma apropriada.
Estas considerações sobre a obra de Ọrúnmìlá é uma tentativa de auxiliar os não iniciados, bem como os neófitos, a serem capazes de entender as revelações de Ifá por eles mesmos, a fim de perceber que o sacerdote tenta fazer do discurso sua prática na arte de Ifá.

È importante observar que desde o início Ọrúnmìlá não procurou pela conversão dos fiéis. Essa é uma religião do indivíduo, a qual não confia na importância do poder aquisitivo para sua sobrevivência. Desde os tempos imemoriais, Ọrúnmìlá ensina que a melhor maneira de compreender é preservar os seus conhecimentos, que será completamente eficaz para seu trabalho e para a melodia de sua música.

Ọrúnmìlà está dizendo que nossa religião não é para copiar o que os outros fazem, ela tem que ser entendida e para tanto precisamos estudá-la, interpretá-la e praticá-la. Sem conhecimento, estaremos agindo de forma empírica, entendendo que nosso ouvido tem vida própria e que não precisamos de mais nada.
Acreditamos que isso possa ser um caminho (ouvido/intuição), mas, não é a estrada.

Por: Mr. C. Osamoro IBIE
BOOK:
IFISM
THE COMPLETE WORK OF ORUNMILA

Tradução: Odé Gbàfáomi.

Os grifos e comentários são de Baba Fernando e Ọmọ Ifá Odé Gbàfáomi

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Gèlé – O Pano de Cabeça no Candomblécomo uma deusaBaianíssima.Toda colorida“Gèlé” é uma palavra Yorùbá para um envoltório usado na cabeça das mulheres, ou seja, uma espécies de indumentária feminina. As mulheres Yorùbá são conhecidas por usá-los incrivelmente bem encaixadas, fixadas em suas cabeças, e apesar de ser apenas um apetrecho, pode ser encontrado em quase todas as culturas Africana.

No Candomblé o Gele ou torço, ele ganhou quase que um culto e até mesmo itan para justificá-los?

Gèlé é mais do que apenas uma cabeça coberta, é uma forma de arte. Um grande pano retangular amarrado em na cabeça da mulher em uma variedade de modas, cores e estampas. O material usado para fazer o Gèlé é geralmente duro, mas flexível, por exemplo, Aso-oke (o verdadeiro feito em tear e de seda), Brocado (algodão) e Damasco. Estes materiais vêm em uma ampla variedade de cores, padrões e texturas. Quanto maior o pano (e maior a habilidade) mais elaborado aparenta e até confere certo status. É quando a mulher negra se torna a rainha em toda sua plenitude e beleza!

Amarrando um Gèlé

Amarrar um Gèlé é uma forma de arte que requer prática, paciência e muitas vezes um braço bem tonificado, mas uma vez amarrado, um Gèlé pode fazer qualquer mulher aparentar um certa realeza, um ar de supremacia estética. É uma bela coroa de glória e honra, e hoje eles vêm em cores surpreendentes, padrões e desenhos. Para eventos glamourosos, como casamentos, aniversários, batismo, inaugurações ou até mesmo funerais – aparência de uma mulher é muitas vezes considerada incompleta sem um.

Dentro do Candomblé eles quase que tem uma amarração padrão, porém, estou começando a ver algumas Iyás usando de maneira mais glamourosa, sem deixar a essência religiosa e respeitosa se perder.

QUEM PODE USAR

 A utilização do Pano de Cabeça é restrita às mulheres (. O pano de cabeça, poderá ser utilizado por homens, em obrigações internas em que o mesmo está “recebendo asè, como por exemplo, Bori”);

ABAS:

As abas do Pano de Cabeça, estão relacionadas ao Òrìsà da filha de Santo e a sua idade de santo (se seu Òrìsà for Oboro – masculino, você não poderá usar abas, sendo que essa ficou para as filhas de santo, que possuem Òrìsàs Ayabas – femininos);

ALTURA DO PANO

Deve-se ter discernimento ao usar o Pano de Cabeças. O pano de Cabeças não é turbante com diversas voltas e de altura desmedida; Seu pano de cabeça também não pode ser maior do que o da sua Ìyálòrìsà;

A arte de amarrar um Gèlé ou Torço é como qualquer outra arte, o seu sucesso depende da criatividade e maestria. Um pano de cabeça, como é chamado aqui no Brasil, no Candomblé e Umbanda, quando devidamente amarrado, pode ser como uma coroa, porém, ao contrário, se feito de forma errada pode se tornar um desastre total. Imagine no alto de sua beleza, ele se desfazer no meio do salão? Não seria bom!!!!

Cada Gele é único e não existe uma fórmula verdadeira para alcançar a aparência exata duas vezes. Se você der uma olhada mais de perto, você verá que não há dois Gèlé(s) –Àwon Gèlé –  (uma vez amarrados) iguais. O povo Yorùbá, absolutamente ama Gèlé porque não só eles são amarrados em vários estilos, mas eles são um aspecto da cultura que fazem as mulheres se sentir bonita e são em verdade, não importa a ocasião. O estilo das cores do Gèlé pode ser um reflexo do seu estado de espírito, o estilo ou personalidade.

Porque homens não podem usar pano de cabeça?

Em tempos antigos, escravos homens usavam pano de cabeça simples para carregar peso. Este pano era símbolo de escravidão. Porém, devemos lembrar que aqui falo do pano de cabeça no que tange a Nigéria, pois em outras culturas, existem panos de cabeça, mas para proteção contra o Sol, principalmente em zonas desérticas e muito áridas.

Texto: Babalorixa Ricardo de Láàlú.

**Na linguagem yorùbá ‘ga’ é a forma de transportar o poder e ‘ge’ é a manifestação do poder feminino em ‘gele’, aquele que envolve a cabeça da mulher e vem da elisão: Ge ilé.

**Babá Falokun

*Gèlé, turbantes, torços ou como chamamos comumente nas Casas de Candomblé de “Pano de Cabeça”, faz parte do vestuário feminino das mulheres no candomblé afro brasileiro.

Os Homens em hipótese alguma podem usar Gèlé, turbante, torço ou pano de cabeça nas rodas de candomblé. Homens devem usar Àketè, Elétí Ajá.

*Babá Fernando D’Osogiyan

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Muitos acreditam que “Ori”, conhecido no Brasil como “Banha de Ori”, utilizado, sobretudo nas cerimônias relacionadas ao Òrìṣà Òṣàlá seja “Sebo de Carneiro” – isso é um grande equívoco, uma inverdade.

Esse importante elemento da nossa religião é um extrato da semente de uma árvore africana que leva o mesmo nome.

Hoje ao invés de escrever, postamos aqui o link para um vídeo que mostra como é o processo para extrair esse essencial material no Culto ao Òrìṣa:https://www.youtube.com/watch?v=V95gT6fHZHU.

Blog: Casa de Òsùmàrè Araká

*Obs: O sebo de carneiro é ewó de Oyá, daí a importância da verdadeira banha de Ori africana em seus cultos e somente com a banha de Orí africana se pode pilar os inhames de Osogiyan.

*Banha de Ori, seu nome científico é Butyrospermum parkii (G. Don) Kotschy. As africanas acreditam que este fruto guarda poderes místicos. Também chamada de Limo da costa , manteiga de Karité, gordura vegetal, em outras regiões.

*Babá Fernando D’Osogiyan

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Şàngó estava cruzando por um lugar em particular e estava sedento por um gole de bebida alcoólica. Casualmente se encontrou com um grupo de pessoas que estavam bebendo.

A introdução ao poema diz assim:

 

Ìpín é o sacerdote de od’Ợmợde

Awalaňfa, é o sacerdote de Agogo

Ayé n refé, o sacerdote de Sóko

Lançou Ifá para Oyé Ògòsùn

Aquele que consome quarenta garrafas de vinho para Şàngó degustar

Sendo uma divindade, a cortesia exige dos bebedores se curvar e convida-la a mesa com eles.

Porém eles não fizeram assim e como resultado Şàngó ficou com muita raiva.

Porém, havia uma coisa que Şàngó não sabia, o vinho dentro das garrafas havia acabado e esta foi a razão pela qual eles não o convidaram.

Ele passou por onde eles estavam pela primeira vez e retornou momentos depois, fingindo que tinha esquecido alguma coisa no caminho.

Ao voltar pela terceira vez sem que esperasse ser convidado para se sentar com os bebedores, Şàngó pegou seu Edùn Àrá e castigou a todos eles.

Rapidamente ele se virou para as garrafas de vinho e as levantou, uma a uma, esperando um gole.

Nem sequer uma gota caiu.

Quando se deu conta, era demasiadamente tarde para perceber que as garrafas vazias havia sido a razão para que não fosse convidado, ele gritou, questionando a razão de se manter garrafas de vinho de pé, quando na verdade elas deveriam estar deitadas.

 

Por que você deve colocar as garrafas de pé?

Òyè Ògòsùn.

Quando você sabe que o vinho acabou.

Por que deve colocar a garrafa de pé?

Òyè Ògòsùn

Desde que não era apenas Şàngó que era dado a beber vinho sem álcool, desde esse dia nasceu a prática de qualquer um que estivesse bebendo, qualquer tipo de vinho, deveria sempre colocar as garrafas deitadas quando estão vazias.

Isto é para evitar a possibilidade de uma divindade passar por ali quando menos se espera e que o mesmo acidente que ocorreu com a aquelas pessoas do poema de cima ocorra com eles.

 

Ire Alaafia.

Poema coletado por Áwo Dino (in memoriam).

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