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Archive for Março, 2011

Irmãos, segue uma ótima oportunidade para conhecermos ainda mais a história do continente que inseriu sua cultura, história e religiosidade em nossa terra.

Através das mais diversas relações inter-raciais o Brasil constitui uma nação bonita e com um estilo bem “brasileiro” de ser. Além de ter raízes fixas sobre a sua ancestralidade tanto em terras indígenas, como em terras europeias, e sim, em terras africanas.

O Brasil precisa se reconhecer como Brasil para mudar a posição do negro na sociedade, o racismo e a intolerância religiosa. E nada melhor para ajudar nestas lutas que duram séculos do que conhecer a raíz do negro que para cá foi trazido e inserir a sua história na matriz curricular das escolas.

Todos os créditos dessa valiosa informação eu dou a nossa leitora, minha querida Baiana. Muito obrigada pela sugestão, Baiana.

Maiores informações no link: http://www.palmares.gov.br/?p=9697

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Março 27, 2011 por Fernando D’Osogiyan

O Yorubá é afável, e dispõe de saudações para cada ocasião, para os amigos, conhecidos, etc. O homem deve se prostrar diante de uma pessoa mais velha, enquanto uma mulher deve se ajoelhar.
Saudar faz parte do código de ética, incluindo a doentes, lesados, etc. Quem não procede dessa forma é considerada uma pessoa má e que não tem sentimento com os outros. Também é mau hábito oferecer algo com a mão esquerda. Quando uma pessoa se refere ao pai ou à mãe de outro, deve dizer apenas “pai ou mãe”. Usar a expressão “sua mãe” é considerado um insulto. Disso poderia resultar até numa briga corporal. Tão pouco se pode ofender as mulheres estéreis, Ao se discutir com uma pessoa mais idosa, deve se abaixar a cabeça , sendo-se mulher ou homem. Estou contra as opiniões dos ingleses que mal compreendido que é uma cultura como covardia e insinceridade. É errado atribuir, como o fazem os ingleses, uma aura de covardia aos costumes Yorubás. Trata-se de formalidades tradicionais.
Os Yorubás cooperam uns com os outros como podem, há um provérbio segundo o qual “quando há alguém por perto, não se gastam suas próprias energias”. Um homem que sente uma coceira nas costas pode chamar alguém da família ou amigo para ajudar.

Se um Yorubá vê uma pessoa vestida de maneira estranha, ele imediatamente informa, até pode ajudá-la a ajustar a roupa. Na Inglaterra, por exemplo, o costume não permiti a um homem dizer ao outro que seu chapéu está mal colocado. Nesse particular, os Yorubás são bastante extrovertidos.

A hospitalidade faz parte do bom caráter de uma pessoa. É o costume para uma pessoa que está almoçando ou jantando convidar o visitante. Se a comida não for suficiente para ambos, a esposa preparará um prato adicional.

É também comum dar presentes para a família de um morto como contribuição para ritos funerais. Presentes são dados igualmente a uma moça quando se casa. Uma pessoa voltando de uma viagem se sente na obrigação de trazer presentes aos amigos e às famílias. Similarmente, quando uma pessoa está pronta para viajar, recebe presentes de todos os lados para distribuir àqueles que encontrar. Vê-se portanto que os Yorubás são particularmente sociáveis.

O Conceito de Propriedade

Apesar de ser frequente a solidariedade entre os Yorubás, que se manifesta no empréstimo de bens pessoais e na divisão de alimentos entre amigos, existe uma concepção clara de propriedade privada, não sendo bem visto o coletivismo. No entanto, há alguns exemplos de propriedade conjunta de terra, os quais não têm dado bons resultados devido ao individualismo do Yorubá.
Efetivamente, desde cedo é dada ao filho Yorubá a oportunidade de adquirir seus bens particulares. O dinheiro que recebe por ocasião de seu “ikojade” (aniversário) é utilizado em parte para a compra de animais domésticos. Ao crescer, o indivíduo se orgulha de possuir uma propriedade particular. Um filho que trabalha com o pai sempre recebe uma porção d terra para seu próprio benefício.
Dessa maneira, violar a propriedade constituída, desde o período pré-colonial, crime grave. Roubo, por exemplo, era punido por chicotadas quando realizado pela primeira vez. Na segunda vez, mutilava-se um membro do assaltante, no mínimo, passava-se pimenta no local do corte. Muitas vezes o ladrão era vendido por sua família, quando seu caso fosse crônico. Teoricamente, o roubo era condenado por pena de morte; na prática, era comutado por pena mais leve. Um indivíduo que mantivesse um antigo roubo era castigado como se fosse o próprio ladrão. Há um provérbio Yorubá segundo o qual “o ladrão de uma garrafa de óleo de dendê não é aquele que a rouba, mas aquele que a adquire”.
Roubo de domicílio era geralmente castigado por pena de morte. Apenas os marginais pertencentes a famílias influentes tinha a possibilidade de escapara da morte, mas deviam assim mesmo abandonar a cidade para sempre.
A prática do feitiço como forma de derrubar o proprietário de um terreno é muito incomum, implicava muitas vezes em morte.

Sistema de “Iwofa”

A prática da peonagem (Iwofa) entre os Yorubás é um costume interessante. Assim o denominamos por não se assemelhar nem à escravidão nem à vassalagem em suas diversas formas. Iwofa ou peão é o indivíduo que submete a outrem como garantia de um empréstimo recebido até que este seja restituído com juros. O mutuário não serve apenas como garantia de empréstimo, mas também produz de forma a pagar sua dívida. A instituição de peonagem não está restrita ao indivíduo que assume uma dívida. O Iwofa pode ser um filho ou um neto da família que então passa a servir o credor e sua família até que a dívida seja saldada com juros.

Quando Iwofa é uma mulher solteira e mora com seu patrão, este pode tomá-la como esposa para auxiliar nos trabalhos domésticos e, eventualmente, na fazenda. Entretanto, algumas leis protegem as mulheres do abuso sexual por parte dos patrões. Um homem que force relações com uma “Iwofa” perde o empréstimo feito em nome dela ou de sua família. Se a moça for noiva ou casada, o patrão deve pagar pelos danos ao noivo ou esposo. Por fim, se o patrão desejar casar-se com a moça agredida, deve ainda pagar o preço do matrimônio. Apesar de um escravo ser teoricamente mais rentável que um peão, a prática demonstra que o patrão consegue extrair mais trabalho deste, sendo a peonagem, portanto, um ótimo investimento.

Bibliografia: Ademola Adesojí – Professor de História e Costumes da Cultura do povo Yorubá

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Umbanda, Orixás, Linhas…

Na Umbanda, os Orixás e os Guias foram organizados em 7 linhas principais, que chamamos de “os 7 Orixás Maiores”. Cada linha
possui 7 divisões (vibrações), que chamamos de “Orixás Menores”, e cada Orixá Menor, possui 7 guias subordinados, e assim por diante.

Os Orixás Maiores são espíritos extremamente evoluídos, acredita-se na Umbanda, que não é possível o contato direto com eles.
Por isso cada linha de Orixá, envia para trabalhar na Terra os Guias, que são entidades trabalhadoras, que vem de Aruanda ajudar seus
filhos, nos livrando de demandas e transmitindo bons fluidos.

São eles os Guias, nossos conhecidos Pretos Velhos, Caboclos, Crianças, Baianos, Marinheiros, Boiadeiros, Povo da Água, Povo do
Oriente, etc. Cada entidade trabalha dentro de uma linha especifica, por exemplo, O Sr. Caboclo Cobra Coral, trabalha na vibração de
Oxossi, o Sr. Caboclo Pedra Preta na vibração de Xangô, as Crianças na vibração de Ibeji (Yori), e assim por diante. Cada entidade
trabalha na linha que sua vibração mais se idntifica. Por isso é errado o termo “Linha do Oriente” ou “Linha dos Baianos”, o correto é
“Povo do Oriente” e “Povo da Bahia”.

Os Pretos Velhos trabalham tanto na Linha de Xangô, como na Linha de Obaluaiê (Yorimá), isso dependendo de sua vibração. Quanto ao
Povo da Bahia, podem vibrar em qualquer linha, há registros dessas entidades trabalhando na Linha de Oxalá, por exemplo. Todos eles
são entidades de grande valor.

As entidades não comandam Exus, a não ser que participarem de uma das 7 vibrações de um Orixá, por exemplo, a Linha de
Ogum vibra em 7 Orixás Menores, e cada um deles comanda um Exu especifico. Porém um Caboclo da linha de Ogum está
diretamente subordinado a um Orixá Menor.

Os Orixás Maiores são:

1ª. Linha – Oxalá

2ª. Linha – Iemanjá

3ª. Linha – Ogum

4ª. Linha – Xangô

5ª. Linha – Oxossi

6ª. Linha – Ibeji (Yori ou Erê)

7ª. Linha – Obaluaê (Yorima, nessa linha trabalham também
os nossos queridos Preto-Velhos).

Alguns cultos Umbandista, trabalham com algumas diferenças quanto aos Orixás Maiores, por exemplo, já foi notado nossa
querida Oxum como Orixá Maior, porém Oxum trabalha na linha de Iemanjá, sendo ela então um Orixá Menor, o que não desabona em
nada seu poder ou grandeza. Acredita-se que não existe Orixá mais ou menos importante. Também foi verificado alterações
quanto a ordem dos Orixás nas linhas.

Segundo alguns estudiosos, podemos encontrar ainda uma dupla de Orixás Maiores que comandam as linhas. Assim podemos ter:

Oxalá – par vibracional com Odudua

Iemanjá – par vibracional com Oxumaré

Ogum – par vibracional com Iansã *

Oxóssi – par vibracional com Obá

Xangô – par vibracional com Egunitá

Yori – par vibracional com Oxun *

Yorimá – par vibracional com Nanã *

* estas divindades tambem são representadas como orixás menores sendo Oxun e Nanã da linha de Iemanjá e Iansã da linha de Xangô.

Egunitá que é considerada orixá e pouco conhecida devido a falta de sincretismo com uma santa católica é por vezes confundida com Iansã, embora haja ligação entre elas, isso é uma precipitação. Egunitá é o polo feminino ligado ao fogo e Xangô é o masculino. Iansã por sua vez liga-se aos ventos e aos raios. Mas mesmo assim é comum a sitação Iansã Egunitá definida como a Iansã do Fogo.

Os pontos riscados de Umbanda são um exemplo de influência Jeje. Estes simbolos vem da cultura daomeana dos vevés ou símbolos de Vodún, usados principalmente no Vodu haitiano. Estes simbolos servem para chamar ou simplesmente representar a divindade a qual fazem referencia.

Há também uma divindade conhecida como Mãe Sinda que alguns chamam de Mãe Ondina (para alguns são duas divindades independentes), ligada a Iemanjá, que segundo alguns pesquisadores, seu nome é formado por Sin=água e Da (Dan)=serpente e está ligada à influência jeje.

“Oh Mamãe Sinda como é linda                                                                                               Olha a Sinda mamãe o que é                                                                                                     Oh Mamãe Sinda mirongueira                                                                                                 Olha a Sinda mamãe o que é”

Outra divindade que muito se discute na Umbanda é Nanã, por vezes chamada de Mãe Santana devido a seu sincretismo com Santa Ana, a avó de Jesus Cristo. Quando esta divindade manifesta-se na lei de Umbanda, vem como uma anciã, uma senhora muito velha e curvada pelo peso das Eras.

Bém, se alguém tiver alguma contribuição fico grato!

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Vodu Haitiano

O termo Vodun aplica-se aos ramos de uma tradição religiosa teísta-animista baseada nos ancestrais, que tem as suas raízes primárias entre os povos Fon-Ewe da África Ocidental, no país hoje chamado Benin, anteriormente Reino do Daomé ou Dahomey, onde o vodu é hoje em dia a religião nacional de mais de 7 milhões de pessoas.
Além da tradição fon, ou do Daomé, que permaneceu em África, existem tradições relacionadas que lançaram raízes no Novo Mundo durante a época do tráfico transatlântico de escravos africanos.
Para além do Benin, o vodu africano e as práticas que dele descendem podem ser encontrados na República Dominicana, Porto Rico, Cuba, Brasil, Gana, Haiti e Togo. A palavra vodun é a palavra Fon-Ewe para divindade.
A tradição Fon mais ou menos “pura” de Cuba é conhecida como La Regla Arara.
No Brasil, a tradição Fon dos antigos escravos deu origem à tradição conhecida como Candomblé Jeje.
Chamado Sèvis Gine ou “serviço africano” no Haiti, o Vodu Haitiano tem também fortes elementos dos povos Ibo, Congo da África Central, e o Yoruba da Nigéria, embora muitos povos diferentes ou “nações” da África têm representação na liturgia do Sèvis Gine, assim como os índios Taíno, os povos originais das ilhas agora conhecidas como Hispaniola.
Formas crioulas de Vodu existem no Haiti (onde é nativo), na República Dominicana, em partes de Cuba, e nos Estados Unidos, e em outros lugares em que os imigrantes de Haiti dispersaram durante os anos. É similar a outras religiões da diáspora africana, tais como Lukumi ou Regla de Ocha (conhecida também como Santería) em Cuba, Candomblé no Brasil, todas essas religiões que evoluíram entre descendentes de africanos transplantados nas Américas.

Loas ou Lwas

Loas ou Lwas são os espíritos do Vodu. Os Loas do Vodu haitiano são divididos em Famílias que são:

Família Rada

A Família Rada é composta de Loas antigos e ligados à criação. São daomeanos. A cor cerimonial é o Branco. Dentre eles encontramos:

  • Papa Legba: loa da ligação entre os homens e os loás, é o primeiro a ser saudado nas cerimônias de Vodu. No Brasil é conhecido como Vodum Legba e tem praticamente as mesmas atribuições.
  • Ayizan Velekete: loa ligada a iniciação vodu e considerada a mulher de Papa Loko. No Brasil encontramos Vodum Ayizan que está ligada a Terra e aos ancestrais e cujo nome significa “esteira da terra”.
  • Papa Loko: é o loa da iniciação, assim como Ayizan, e habita a árvore sagrada do Vodu. No Brasil é conhecido como Vodum Loko.
  • Dambalah: é o loa serpente ligado a criação, casado com Aido Wedo e Ezili Freda.
  • Aido Wedo: serpente do arco-íris, casada com Dambalah.
  • Met Agwe (Maitre Agwe): loa do mar, casado com La Siren e Ezili Freda e namorado de Aido Wedo. Dizem que quando o arco-íris toca o mar Agwe está nos braços da amada. Também é conhecido um Vodum com o nome de Agboe.
  • La Siren (Erzuliê La Sirene): loa cujo nome significa “A Sereia”, é considerada a Maitresse Dlo (Senhora das Águas) é a esposa de Agwe e pode ser associada tanto à Naeté quanto a Yemanjá.
  • Ezili Freda Dahomey (Erzuliê Freda): é a loa da beleza, da vaidade e do amor. Leva três alianças, uma para cada marido (Dambalah, Agwe e Ogoun). É muito elegante e pode ser comparada com Oxun.
  • Azaka: loa da agricultura e da humildade. Na representação muito se parace com os pretos velhos da umbanda.
  • Bossu: é touro de três chifres, muito agressivo.
  • Silibo: loa muito parecido com Nanã Buruku.

Família Ogoun

Formada por loas nagôs ou yorubas. Todos levam o primeiro nome Ogoun:

  • Ogoun Feraille: é o loa ferreiro e guerreiro.
  • Ogoun Shango: é o loa justiceiro (Xangô)
  • Ogoun Ossange: ligado as ervas e a medicina (Ossaim)
  • Ogoun Djansan: loa semelhante a Iansã
  • Ogoun Oshala: Oxalá.

Família Ghede

Formada pelos loas mortos (almas), incluindo o Baron e a Maman Brigitte. São extremamente rudes e obsenos. A cor cerimonial é o purpura e o preto. O Baron é o pai ancestral da Família tendo quatro qualidades principais:

  • Baron Samedi: é o chefe de todos. Marido de Maman Brigitte. Habita a cruz cerimonial dos cemitérios.
  • Baron Cemitiére: é representado como um coveiro.
  • Baron La Croix: é o mais refinado e educado, ligado ao mistério da morte.
  • Baron Kriminel: é o mais agressivo.

Maman Brigitte é a mãe dos loas ghede.

Família Petro

Depois do Rada e do Ghede resta uma parte da cerimônia dedicada para os loa do grupo Petro.
Estes loa são predominantemente do Congo e de origem ocidental.
Sua cor cerimonial é vermelha.
Eles são considerados ferozes, protetores, mágicos e agressivo para com os adversários. Alguns deles:

  • Ezili Dantor (Erzuliê Dantor): é uma loa velha e dedicada aos filhos, é porém muito agressiva. Tem o rosto coberto de cicatrizes, marca da rivalidade com a prima e vizinha Ezili Freda, lembrando a luta entre Oxun e Obá.
  • Marinete Bwa Chec: loa ligada tanto a prisão como a liberdade. Dizem que em vida ela foi uma Mambo (sacerdotiza) que matou um porco para Erzuliê Dantor no final da Guerra do Haiti, libertanto seu povo.
  • Karrefour ou Kalfour: é o lado obscuro de Legba. Dizem que quando Karrefour entra na cerimonia, todo o mal entra com ele.
  • Simbi: é um loa ligado a ancestralidade e a antiguidade. Muito misterioso é um loa que vem do Congo.

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Candomblé de Jeje

Djedje (jeje) é uma palavra de origem yoruba que significa estrangeiro, forasteiro e estranho; que recebeu uma conotação pejorativa como “inimigo”, por parte dos povos conquistados pelos reis de Dahomey e seu exército. Segundo a história, quando os conquistadores eram avistados pelos nativos de uma aldeia, muitos gritavam dando o alarme “Pou okan, djedje hum wa!” (olhem, os jejes estão chegando!). Quando os primeiros daomeanos chegaram ao Brasil como escravos, aqueles que já estavam aqui reconheceram o inimigo e gritaram “Pou okan, djedje hum wa!”; e assim ficou conhecido o culto dos Voduns no Brasil “nação Jeje”. A nação jeje pode ser divididas em vários segmentos dependendo da origem. Assim temos o Jeje-Mahi, o Jeje Dahomey, o Jeje Savalu, o Jeje Modubi, o Tambor de Mina (Jeje Mina) encontrado sobretudo no Maranhão, onde também se encontra o segmento Jeje-Fanti-Ashanti.

Jeje Mahi (Djedje Maxi)

Os mahis cultuam voduns que se relacionam diretamente com os orixás e deles tiveram origem de culto na África, e de sua região mahi. Assim comumente ouvimos “sou de Xangô de um filho de Sógbó”.
Eguns e voduns que tiveram vida terrena como os reais do Dahomey não são cultuados em Mahi, todos os antepassados da casa são reverenciados saudando-se e ofertando-se ao vodun Ayizan, que sempre está a frente da casa principal (Ayizan, que em Mahi, é vista como esposa de Legba e ligada a terra, a morte  e aos ancestrais). Os Voduns de Jeje-Mahi são aqueles que assim como os Orixás, não possuem sepultura, são antepassados míticos.

O Vodum que representa a Nação Jeje Mahi é Gbesen (Bessém).

O Jeje-Mahi foi fundamentado no Brasil pela africana Ludovina Pessoa, da cidade de Mahi. Segundo a tradição ela foi escolhida pelos Voduns para fundar três terreiros:

  • Zòogodo Bogum Malé Hundò ou Terreiro do Bogum, para Hevioso.
  • Zòogodo Bogum Malé Seja Undè ou Kwe Seja Undê para Dan.
  • E o outro para Ajunsun Sakpata que não se sabe por que não foi fundado.

o Jeje Modubi tem culto fundamentados para os Akututos (Eguns), segmento onde reina o Vodum Azonsu.

Tambor de Mina

O Tambor de Mina é o nome mais difundido da cultura africana no Maranhão. Mina deriva de negro-Mina de São Jorge da Mina, denominação dada aos escravos procedentes da “costa situada a leste do Castelo de São Jorge da Mina” (Verger, 1987: 12) , no atual República do Gana, trazidos da região das hoje Repúblicas do Togo, Benin e da Nigéria, que eram conhecidos principalmente como negros mina-jejes e mina-nagôs.

O Tambor de Mina cultua em grande parte os Voduns reais de Dahomey, alguns nagôs (orixás) e também os Encantados (que seriam os Caboclos).

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Ewé! A Força que vem das Folhas!

Por Bàbá Asògún Olúmo (Ulisses Manaia)

(Texto publicado na revista “Candomblés nº 1”,  – da Editora Minuano – Fevereiro de 2011)

KÒ SÍ EWÉ, KÒ SÍ ÒRÌSÀ! Expressão no idioma Yorùbá que quer dizer: “Se não há folhas, não há Òrìsà!” Esta expressão dá ao leitor o entendimento da importância das folhas dentro dos rituais de origem africana, no entanto, queremos aqui ampliar este conceito, traduzindo por folhas os vegetais de um modo geral, incluindo além de suas folhas, seus frutos, sementes, e até mesmo seu caule; e traduzindo por Òrìsà, os diversos usos “mágicos” desses vegetais.

Na caminhada evolutiva do homem, que hoje a maioria dos estudiosos acredita ter começado no continente africano, ele se valeu da observação da natureza para o desenvolvimento de habilidades que até então ele não possuía e, naquele continente onde “tudo começou”, sociedades ditas “animistas” ou “tradicionais” continuam até hoje vivendo em harmonia com a natureza, dela tirando ensinamentos para a sua vida social. Animistas porque acreditam que “toda manifestação viva pressupõe a presença de uma força vital, determinante do ideal de viver”, e que utilizando práticas específicas esta “força” poderá ser utilizada em seu favor! E dentro deste conceito os vegetais representam um grande potencial de possibilidades.

“Se para a medicina ocidental o conhecimento do nome científico das plantas usadas e suas características farmacológicas é o principal, para os Yorùbá o conhecimento dos ofò, encantações pronunciadas no momento da preparação das receitas e transmitidas oralmente, é o que é essencial. Neles encontramos a definição da ação esperada de cada uma das plantas que entram na receita.” (Ewé,Pierre Verger, 1995).

Bom, diante dessa referência concluímos que as plantas e seus derivados não são utilizados aleatoriamente, visam atender necessidades específicas, ou seja, qual o resultado esperado? Ou ainda: utilizar a folha certa no momento certo! Vimos também que a ação esperada dessas folhas está ligada ao que vai ser dito no momento de sua utilização, o ofò, que nada mais é do que a utilização da palavra enquanto transmissora de àse. Verger diz ainda que à primeira vista é difícil perceber nas diversas “receitas”, que tem como ingredientes elementos vegetais, qual é a parte “mágica”, ou seja, aquela que o efeito vai se dar pelo àse nela contido, e quais as virtudes testadas experimentalmente dessas plantas, ou seja, ele diz com isso que muitas dessas plantas já tiveram suas propriedades farmacológicas comprovadas.

Dentro desse contexto quero destacar o trecho de uma canção brasileira, interpretada pela célebre cantora baiana Maria Bethânia:
“Salve as folhas brasileiras! Salvem as folhas para mim! Se me der a folha certa, e eu cantar como aprendi, vou livrar a Terra inteira de tudo que é ruim! Eu sou o dono da terra, eu sou o caboclo daqui! Eu sou Tupinambá que vigia, eu sou o dono daqui!” (meu grifo).

O que me chamou atenção nessa composição, e que destaco para o leitor, é que ela ilustra o trecho acima de Verger, e mais ainda, a utilização das folhas está associada a um dos grupos indígenas brasileiros, sugerindo que esses nativos, primeiros habitantes do nosso País, também conheciam essa prática!

Ainda de Pierre Verger:
“Na língua Yorùbá, freqüentemente existe uma relação direta entre os nomes das plantas e suas qualidades, e seria importante saber se receberam tais nomes devido às suas virtudes ou se devido a seus
nomes, determinadas características foram a elas atribuídas.” (meu grifo).

Como ilustração, transcrevemos o trecho de uma preparação Yorùbá para obtenção de dinheiro:

PÈRÈGÚN NÍ Í PE IRÚNMOLÈ L’ÁT’ÒDE ÒRUN W’ÁYÉ!
Pèrègún que chama os espíritos do além para a terra!)

PÈRÈGÚN WÁ LO RÈÉ PE AJÉ TÈMI WÁ L’ÁT’ÒDE ÒRUN!

(Pèrègún, agora vá e chame minhas riquezas do além!)

Nesta preparação encontramos referência a uma folha, conhecida pela maioria de nós: o Pèrègún, cujo nome é a contração do verbo “PÈ”, que significa chamar, com a palavra “EGÚN”, que significa espírito, ancestral, etc. Percebe-se então que esta folha tem a finalidade de “chamar (invocar) espíritos”, e que a própria pronúncia de seu nome já funciona como um ofò! No caso da receita acima, a sabedoria daqueles nossos ancestrais yorubanos que a elaboraram fez esse trocadilho: se Pèrègún pode chamar espíritos, pode chamar a riqueza! Certa vez ouvi de meu “bàbá” que o negro yorubano tem sobre nós a vantagem do uso corrente do idioma, enquanto nós aqui no Brasil ficamos presos a textos prontos, que nos foram transmitidos ao longo do tempo.

Para algumas pessoas, principalmente para aquelas que não estão ligadas aos cultos de matriz africana, pode parecer um tanto “primitivo” pensar dessa maneira, digo, esperar resultados a partir da utilização de certas plantas, de sementes, etc., enfim de elementos da natureza, aparentemente inanimados. No entanto, repetimos, existe por traz da utilização desses elementos uma questão cultural. Eles se utilizam desses elementos da natureza acreditando que eles expressam as suas necessidades perante o “Criador”, o destino final de seus pedidos:
“…Uma composição mágica parece ser considerada como uma coleção de coisas materiais, às quais é dado um valor simbólico; juntas constituem uma mensagem…” (Ewé, Pierre Verger, 1995)

Entre os Yorùbá, os ofò são frases curtas nas quais muito freqüentemente o “verbo” que define a acão esperada, chamado de “verbo atuante”, é uma das sílabas do nome da planta ou do ingrediente empregado. No entanto, o elo entre o nome da folha e a ação esperada, invocada através do ofò, não se limita apenas ao verbo, mas pode aparecer em uma frase curta ou longa, nesse caso estabelecendo uma relação simbólica entre algumas “características naturais” daquela planta a as “necessidades” do homem.
Vejamos alguns exemplos:

ÀT’ÒJÒ ÀTEÈRÙN KÌ Í RE TÈTÈ
(Tètè nunca está doente, nem na estação chuvosa nem na seca)

Este ofò faz referência a uma folha conhecida popularmente por Bredo ou Caruru de porco, e cujo nome Yorùbá é Tètè. É uma folha facilmente encontrada, tanto no meio urbano, nas margens de calçadas, como no meio rural, e confesso que antes de conhecer o seu valor ritual, passava-me despercebida, assim com muitas folhas que não conhecemos! Percebemos pela tradução que é uma planta resistente às variações da natureza, permanecendo sempre saudável, e não é este tipo de força que
queremos para nossa vida?

OJÚ ORÓ NI Ó N’LÉKÈ OMI, TÈMI Ó L’Á LÉ
(Ojú oró flutua na água, eu também ficarei por cima)

Ojú oró é conhecida popularmente por Erva de Santa Luzia, é uma planta aquática, encontrada em rios ou lagoas. Percebemos que nesse ofò evoca-se o poder dessa planta de conseguir manter-se sempre por cima da água!

Em território Yorùbá, na preparação dos trabalhos ligados à obtenção de todo tipo de sorte, ou para afastar algum mal, esses vegetais são pilados e misturados ao sabão africano Ose (oxé) Dudu, com o qual toma-se banho, ou então são torrados, até a obtenção de um pó, que poderá ser misturado à comida, a bebidas destiladas, ou até mesmo esfregado em incisões feitas no corpo, particularmente nos punhos.
Essas práticas quase não sobreviveram aqui no Brasil, por ocasião da reestruturação do culto aos Òrìsà, no entanto há uma prática viva entre nós: o Oro Asa Òsónyìn ou Sassanha, como é mais conhecido, um
ritual realizado nas casas de raízes Yorùbá, que significa basicamente: Ritual de proteção de Òsónyìn. Utilizamos o recurso dos “cânticos da folhas” para determinar que as oferendas sejam cobertas de realizações, uma vez que esses cânticos possuem “verbos atuantes” que facilitam a comunicação entre o povo e os Ancestrais Divinizados. No caso de uma Iniciação para Òrìsà ou “Feitura de Santo”, este ritual é realizado para preparar a “esteira”, onde ficará deitado o iniciado e o “banho” para lavar todos os seus objetos rituais, bem como para os seus banhos matinais diários.

Referências Bibliográficas:

– Monteiro, Marcelo dos Santos, 1960 – Curso Teórico e Prático de Folhas Sagradas – Oro Asa
Òsónyìn – Rio de Janeiro – 1999 – 59 p. (Biblioteca Nacional);

– Verger, Pierre Fatumbi – Ewé: o uso das plantas na sociedade ioruba – São Paulo: Companhia
das, Letras, 1995;

– CD “Dentro do mar tem rio”, Maria Bethânia – Gravadora Biscoito Fino.

Por: Ulisses Manaia

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Caros leitores,

Está aqui publicado, no espaço mais de vocês do que nosso,  mais uma grande ideia de um dos nossos leitores – o Eurico –  que resgatou esse vídeo maravilhoso e nos deu a oportunidade de ouvir, ver ou rever o grande Pai Agenor Miranda e suas sábias palavras.

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