Anúncios
Feeds:
Artigos
Comentários

Egungun

Segundo a tradição do culto de Egungun, que é originário da África, região de Oyò. O culto de Egungun, é exclusivo de homens, sendo Alápini o cargo mais elevado dentro do culto, tendo como auxiliares os Ojés.

Todo integrante do culto de Egungun é chamado de Mariwó.

Xangô (Sòngó), é o fundador do culto a Egungun, somente ele tem o poder de controla-los, como diz um trecho de um Itan:

“Em um dia muito importante, em que os homens estavam prestando culto aos ancestrais, com Xangô a frente, as Yàmi fizeram roupas iguais as de Egungun, vestiram-na e tentaram assustar os homens que participavam do culto, todos correram mas Xangô não o fez, ficou e as enfrentou desafiando os supostos espíritos. As Yàmi ficaram furiosas com Xangô e juraram vingança, em um certo momento em que Xangô estava distraido atendendo seus súditos, sua filha brincava alegremente, subiu em um pé de Obi, e foi aí que as Yàmi atacaram, derrubaram a Adubaiyni filha de Xangô que ele mais adorava. Xangô ficou desesperado, não conseguia mais governar seu reino que até então era muito próspero, foi até Orunmilà, que lhe disse que Yàmi é que havia matado sua filha, Xangô quiz saber o que poderia fazer para ver sua filha só mais uma vez, e Orunmilà lhe disse para fazer oferendas ao Orixá Ikù(Oniborun), o guardião da entrada do mundo dos mortos, assim Xangô fez, seguindo a risca os preceitos de Orunmilà.

Xangô conseguiu rever sua filha e pegou para sí o controle absoluto dos Egungun (ancestrais), estando agora sob domínio dos homens este culto e as vestimentas dos Egungun, e se tornando estremamente proibida a participação de mulheres neste culto, provocando a ira de Olorun, Xangô, Ikú e os próprios Egungun, este foi o preço que as mulheres tiveram que pagar pela maldade de suas ancestrais as Yami”.
Culto aos Egungun é uma das mais importantes instituições, tem por finalidade preservar e assegurar a continuidade do processo civilizatório africano no Brasil, é o culto aos ancestrais masculinos, originário de Oyo, capital do império Nagô, que foi implantado no Brasil no início do século XIX.

O culto principal aos Egungun é praticado na Ilha de Itaparica no Estado da Bahia mas existem casas em outros Estados.

Quanto ao aspecto físico, um terreiro de Egungun ou Egun apresenta basicamente as seguintes unidade:

um espaço público, que pode ser freqüentado por qualquer pessoa, e que se localiza numa parte do barracão de festas;
uma outra parte desse salão, onde só podem ficar e transitar os iniciadores, e para onde os Egun vêm quando são chamados, para se mostrar publicamente;
uma área aberta, situada entre o barracão e o Ilê Igbalé (ou Ilê Awô – a casa do segredo), onde também se encontra um montículo de terra preparado e consagrado, que é o assentamento de Onilé;
um espaço privado ao qual só têm acesso os iniciados da mais alta hierarquia, onde fica o Ilê Awô, com os assentamentos coletivo, e onde se guardam todos os instrumentos e paramentos rituais, como os Isan pronuncia-se (ixan), longas varas com as quais os Ojé invocam (batendo no chão) e controlam os Egungun.
O Culto à Egun ou Egungun veio da África junto com os Orixás trazidos pelos escravos. Era um culto muito fechado, secreto mesmo, mais que o dos Orixás por cultuarem os mortos.

A primeira referência do Culto de Egun no Brasil segundo Juana Elbein dos Santos foram duas linhas escritas por Nina Rodrigues, refere-se a 1896, mas existem evidências de terreiros de Egun fundados por africanos no começo do século XIX.

Os Terreiros de Egun mais famosos foram:

Terreiro de Vera Cruz, fundado +/- 1820 por um africano chamado Tio Serafim, em Vera Cruz, Ilha de Itaparica. Ele trouxe da África o Egun de seu pai, invocado até hoje como Egun Okulelê, faleceu com mais de cem anos.
Terreiro de Mocambo, fundado +/- 1830 por um africano chamado Marcos-o-Velho para distingui-lo do seu filho, na plantação de Mocambo, Ilha de Itaparica. Teria comprado sua carta de alforria, anos mais tarde teria voltado à África junto com seu filho Marcos Teodoro Pimentel conhecido como Tio Marcos, lá permanecendo por muitos anos aperfeiçoando seus conhecimentos litúrgicos, onde também seu filho foi iniciado. Quando voltaram trouxeram com eles o assento do Baba Olukotun, considerado o Olori Egun, o ancestre primordial da nação nagô.
Terreiro de Encarnação, fundado +/- 1840 por um filho do Tio Serafim, chamado João-Dois-Metros por causa de sua altura, no povoado de Encarnação. Foi nesse terreiro que se invocou pela primeira vez no Brasil o Egun Baba Agboula, um dos patriarcas do povo Nagô.
Terreiro de Tuntun, fundado +/- 1850 pelo filho de Marcos-o-Velho, chamado Tio Marcos, num velho povoado de africanos denominado Tuntun, Ilha de Itaparica. Marcos possuiu o título de Alapini, Ipekun Ojé, Sacerdote Supremo do Culto aos Egungun, na tradição histórica Nagô, o Alapini representa os terreiros de Egun ao afin, palácio real.
Tio Marcos, Alapini, faleceu por volta de 1935, e com sua morte desapareceu o terreiro do Tuntun, porém a tradição do culto a Baba Olokotun continuou através de seu sobrinho Arsênio Ferreira dos Santos, que possuia o título de Alagba, este migrou para o Rio de Janeiro levando o assento de Baba Olokotun para o município de São Gonçalo. Depois do falecimento de Arsênio, os assentos dos Baba retornaram para Bahia, através do atual Alapini, Deoscoredes M. dos Santos, conhecido como Mestre Didi Axipá, presidente da Sociedade Cultural e Religiosa Ilê Axipá. Mestre Didi foi iniciado na tradição do culto aos Egungun por Marcos e Arsênio.

Terreiro do Corta-Braço, na Estrada das Boiadas, ponto de reunião de praticantes da capoeira, atualmente bairro da Liberdade, cujo chefe era um africano conhecido como Tio Opê. Um dos Ojé, sacerdotes do culto aos Egungun, conhecido como João Boa Fama, iniciou alguns jovens na Ilha de Itaparica, que se juntariam com os descendentes de Tio Serafim e Tio Marcos para fundarem o Ilê Agboulá, no bairro Vermelho, próximo à Ponta de Areia.
Outros terreiros de Egungun foram registrados no final do século XIX, um localizado em Quitandinha do Capim, que cultuava os Egun Olu-Apelê e Olojá Orum, o de Tio Agostinho, em Matatu que se tornou ponto de concentração de vários Ojés de outras casas inclusive o Alapini Tio Marcos, o Terreiro da Preguiça, ao lado da Igreja da Conceição da Praia.

Ilê Agboulá, Localizado em Ponta de Areia, na Ilha de Itaparica, o Ilê Agboulá é, hoje, no Brasil, um dos poucos lugares dedicados exclusivamente ao culto dos Egun. Sua fundação remonta ao primeiro quarto do século XX por Eduardo Daniel de Paula, Tio Opê, Tio Serafim e Tio Marcos, mas a comunidade que lhe deu origem e que lhe mantém os fundamentos está estabelecida na Ilha, como já vimos há cerca de duzentos anos.
Ilê Olokotun, na Ilha de Itaparica
Ilê Axipá – Sociedade Cultural e Religiosa Ilê Axipá.

Hierarquia

Nas casas de Egungun a hierarquia é patriarcal, só homens podem ser iniciados no cargo de Ojé ou Babá Ojé como são chamados, essa hierarquia é muito rígida, apesar de existirem cargos femininos para outras funções, uma mulher jamais será iniciada para esse cargo.

Masculinos: Alapini (Sacerdote Supremo, Chefe dos alagbás), Alagbá (Chefe de um terreiro), Atokun (guia de Egum), Ojê agbá (ojê ancião), Ojê (iniciado com ritos completos), Amuixan (iniciado com ritos incompletos), Alagbê (tocador de atabaque). Alguns oiê dos ojê agbá: Baxorun, Ojê ladê, Exorun, Faboun, Ojé labi, Alaran, Ojenira, Akere, Ogogo, Olopondá.

Femininos: Iyalode (responde pelo grupo feminino perante os homens), Iyá egbé (cabeça de todas as mulheres), Iyá monde (comanda as ató e fala com os Babá), Iyá erelu (cabeça das cantadoras), erelu (cantadora), Iyá agan (recruta e ensina as ató), ató (adoradora de Egun). Outros oiê: Iyale alabá, Iyá kekere, Iyá monyoyó, Iyá elemaxó, Iyá moro.

RITUAL
Tanto a tradição Nagô como a Jeje e a Congo-Angola cultuam os ancestrais. Para os Nagôs existem no Brasil três formas de cultuar os ancestrais, os Esa, os Egungun e as Iya-mi Agba.

Os terreiros de Candomblé possuem um local apropriado de adoração do espírito de seus mortos ilustres, esse local é denominado de Ilê ibo aku, casa de adoração aos mortos, enfim todos iniciados no culto aos Orixás.

Os Esa são considerados os ancestrais coletivos dos afro-brasileiros. Seu culto se refere à comunidade em geral. O que destaca o Esa é o fato dele ter-se destacado em vida por servir a comunidade e de continuar atuando em outro plano, contribuindo para o bom desenvolvimento do destino dos fiéis e da casa. O Ilê ibo aku onde são assentados e cultuados os Esa é afastado do templo onde são cultuados os Orixás.

Os sacerdotes que são iniciados especialmente para cuidar do Ilê ibo aku não são adoxu, isso é, não manifestam Orixá. Os ancestrais cultuados no Ilê ibo aku são diferentes dos cultuados no Culto aos Egungun, no primeiro são os espíritos dos falecidos da casa de Candomblé e o segundo são os ara-orun em geral e aos espíritos dos Ojé africanos ou brasileiros.

Os Esa são invocados e cultuados em diversas situações, especialmente no padê, e no axexê quando é constituído o assentamento de um adoxu ou dignitário ilustre falecido. O assento de Esa se caracteriza pela representação da existência genérica, e o Egungun pela representação do espírito individualizado, o Egungun se caracteriza pela aparição no aiyê. Os Esa e os Egun são invocados no padê.

oloje iku ike obarainan

Por:  Ally Nebarack / Casa de Babá Egungun Obarainan

 

Anúncios

Cantigas de Xirê Ketu

Uma casa pra chamar de sua

Fe

        Oito anos de blog, de ler relatos, angústias e responder a perguntas me faz perceber padrões, como por exemplo a danada da pergunta: “Orixá 1 com Orixá 2 dá qual qualidade?”. Acho que farei 100 anos e esta pergunta estará sempre no mundo virtual. Não vou falar especialmente de qualidades hoje e nem do top 5 dos tipos de pergunta que mais recebemos. O assunto hoje é casa de axé, a procura do lugar que faz a gente se sentir em casa.

       Quem não conhece aquela pessoa que já foi abian de muitas casa, aquele iyawô que mudou de casa assim que foi iniciado ou aquele iyawô que muda de casa quase sempre? Uns estão numa destas situações porque realmente ainda não criaram o sentimento de compromisso que uma iniciação exige, outros desiludiram, outros estão nessa porque estão perdidos, buscam “algo”. Esse “algo” pode ser muita coisa, inclusive nada… Esse algo pode ser aquela emoção que a gente sente quando um orixá nos toca, ou a vibração porque o toque está sendo bem tocado e as baianas muito bem arrumadas, o xirê organizado. Talvez esse “algo” que tantos buscam seja aquilo que todas e todos nós sentimos, mas que sabemos que não acontece 24 horas por dia na labuta dentro de uma casa axé.

     O Candomblé tem atraído cada vez mais pessoas jovens. Através de manifestações culturais as pessoas têm chegado ao terreiro. Esse movimento é muito positivo porque tem muita gente vindo com uma cabeça aberta sobre o que representa a religião dentro da própria história do Brasil. Chegam emocionados, chegam empolgados e batem com banheiro pra lavar, salão pra varrer, galinha pra depenar e percebem que Candomblé não é somente festa. A gente cuida do Ori e cuida do chão da casa com o mesmo empenho. Sim, exatamente isso. A cabeça é sagrada e cada elemento que compõe uma casa de axé é sagrado também e merece zelo e cuidado.

      É por isso que a gente fala: “seja abian!”. Isso é pra avaliar a casa, avaliar a zeladora ou zelador, avaliar as pessoas que fazem parte da casa, avaliar o ambiente, avaliar a si próprio lá dentro, avaliar se o que está sendo descoberto condiz com a busca ou não. Religião toca na nossa emoção sim, o arrepio é constante, o divino transcende, mas na hora da coisa séria o papo é reto e tudo bem pensado. Costumo fazer uma analogia entre a escolha da casa e a busca de um relacionamento com outra pessoa: num relacionamento há uns dois exemplos básicos: quem está sempre em busca da paixão, do fogo, do tesão, daquela empolgação que faz o coração disparar e quando as coisas amornam, perdem o viço, o interesse e partem pra outra. Há também aquelas pessoas que querem um relacionamento pra compartilhar a vida, ter intimidade no barulho e no silêncio, que entendem que a outra pessoa tem qualidades e defeitos e que haverá dias em que as coisas não estarão bem, serão mais difíceis, mas permanecerão ali enquanto der pros dois ou para as duas. A procura de uma casa de axé é o mesmo caminho: há quem procure o brilho, a emoção, a beleza, a festa, e quando percebe uma rotina comum cai fora e continua caindo fora de todos os lugares; e há quem busque uma casa, busque o orixá, encontre pessoas, encontre uma rotina, observa, se identifica com boa parte do observado e entende que Orixá não é somente festa.

       Tudo isso tem muito a ver com maturidade e pra alguém ser madura ela não precisa ser velha. Penso que maturidade está em saber agir equilibrando razão e emoção, desejo e respeito, paixão e responsabilidade. Maturidade é saber que o Orixá se manifesta num xirê, emociona o salão e emociona o nosso dia a dia também, emociona no cotidiano, regula também o cotidiano.

     Quer chegar e se juntar a nós? Será sempre bem vindo. Mas saiba, uma casa de axé não é festa o tempo inteiro. A festa é o último e menos trabalhoso ato de uma jornada com o que consideramos sagrado. Os melhores momentos meus na minha casa de axé são exatamente no silênio. Olhar pra cada lugar e saber que eu e o meu orixá somos cada pedacinho de lá.

Axé.

Dayane Silva

O amor

012É preciso amar. Amar muito os Orixás e a Religião para cumprir com devoção os compromissos assumidos com prazer. É o amor que estimula a perseverança. É o amor que nos acompanha quando a paixão deslumbrada e inocente é soterrada pelas decepções ao longo do caminho.

O amor faz vibrar, mas só ele traz a serenidade que consegue manter vivos os sonhos, mesmo quando os olhos se abrem.

Não há como ser candomblecista sem amar os Orixás. Talvez os motivos de cada um variem. Talvez o amor tenha intensidades diferentes. Talvez o amor seja subjetivo ao ponto de se colorir de vários matizes. Mas tem que ter amor. Não porque o Candomblé é um peso, um fardo a quem deseja abraça-lo. Mas porque quem o abraça, abraça junto o convívio com muitas coisas, como a dedicação, o preconceito, a intolerância, a incompreensão.

O amor aos Orixás quando é verdadeiro não se dissipa. Se abate, por vezes, por conta do convívio com as pessoas, mas não esmorece.

E justamente o convívio entre as pessoas é que torna o amor um sentimento ímpar no Candomblé.

Pessoas são sempre pessoas, em qualquer lugar, tempo e com qualquer credo. Mas nas Casas de Candomblé elas se chamam de “pais”, ”mães”, ”filhos”, ”irmãos”. Como tratar assim os semelhantes sem desenvolver e nutrir um sentimento de amor?

O amor, mesmo o biológico, o amor que se sente pelos filhos paridos, é também desenvolvido, gerado, ganha corpo e cresce.

Por isso é possível amar de verdade, como os filhos paridos, os filhos que os Orixás nos dão (ou nos emprestam?).

Se por um lado o amor é a mola propulsora de tudo que se faz, ou que se deve fazer em uma Religião, às vezes ele atropela, confunde e gera problemas.

O amor por vezes é traiçoeiro, surpreendente e até mesmo torna-se indesejável. Este sentimento tão puro límpido e inspirador dos mais belos gestos, poesias, músicas e outras expressões artísticas, pode não ser bem vindo.

Numa Casa de Santo não é permitido o relacionamento entre “filhos”, nem entre “filhos” e “pais”. As relações precisam ser bem definidas, pautadas e conduzidas, para que não desandem, sob este ponto de vista.

Em razão disso, é sempre recomendável conduzir as relações com prudência. Evitando intimidades desmedidas, brincadeiras e tratamentos maliciosos, ou situações que possam acarretar consequências que levem o amor fraternal ao desejo sexual. Não que este seja deplorável. Mas incabível na relação fraternal entre irmãos de santo e filhos de santo.

Há contudo casos inúmeros em que casais formados nas Casas de Santo tornaram-se sólidos. Mas na maioria das vezes essas relações quando ocorrem, revelam-se frívolas, descompromissadas e irresponsáveis. É impossível julgar o sentimento alheio. Mas é necessário fazer valer as regras para manter equilibrada a harmonia de toda a comunidade. Administrar um egbé não é simples. As regras precisam valer para todos, senão o zelador perderá o comando, o respeito e a própria confiança.

Nessas situações, melhor que omitir, se alienar, ou estimular, recomenda-se uma conversa franca. Se realmente quiserem viver o amor, deverão afastar-se da Casa, para manter a ordem e a regra.

Há contudo os casais que já chegam no Terreiro como namorados, ou como esposos. Não interessa o sexo, ou a opção sexual: são casais. Os Terreiros de Candomblé sempre funcionaram como verdadeiras embaixadas da diversidade, acolhendo as minorias, dando oportunidade aos diferentes e espaço aos oprimidos. Por isso não pode haver preconceito em uma Casa de Santo.

Esses casais “formados”, na maioria das Casas não é tratado pelas mãos da mesma pessoa. Existe uma tradição nos Terreiros, que diz não dar sorte que um mesmo zelador ponha a mão sobre as cabeças de um casal. Dizem que isso dá azar e desfaz a união.

Claro que o Candomblé é uma Religião brasileira, fundada sobre sua própria história, aspectos sociais, geográficos, etc e tal. Mas é importante dizer que não há motivos litúrgicos, nem rituais que fundamentem isso. Não há itans, orikis, nem orins que descrevam ou expliquem esse impedimento. Nem mesmo a prática na matriz africana reproduz esse medo. Lá, os sacerdotes eram únicos e cuidavam de toda a comunidade, por vezes iniciando famílias inteiras: pais, mães, filhos, netos, tios, avós…

É possível que num Brasil ainda escravagista, quando casais que viviam nas mesmas senzalas eram “tratados” pelo mesmo sacerdote, tenham experimentado o dissabor de serem separados dramaticamente, em razão da condição de escravos. Isso pode ter gerado esta cisma de que a mão do mesmo “pai de Santo” não traz sorte aos casais.

Pois é… o amor é assim mesmo: inexplicável. Mas acima do ọkàn (coração) está orí (a cabeça).

Os iorubas nos ensinaram que é orí (a cabeça) que indica para onde nossos pés (lẹ́sẹ̀) nos levarão; é ela (a cabeça), que decidirá o que ọwọ̀ (as mãos) irão fazer.

Que orí faça sempre boas escolhas e que nos conduza pelo nosso destino com prosperidade.

***********

Márcio de Jagun

05/12/13

Fonte: http://blog.ori.net.br/?p=1659

Quem foi que nunca ouviu a expressão “Ela é amapô”?

Um tipo de dialeto entre o povo de santo muito comum, quando pretendem se referir a uma mulher ou mesmo ao seu órgão genital. Na realidade esse termo “amapô” é nada mais que a corruptela do nome Ìyámàpò.

Os Tradicionais Mitos nos revelam que esta Divindade pertence à SociedadeGẹlẹdẹ /Ẹfẹ e foi a responsável em determinar o local exato da vagina – òbo (a palavra eufêmica seria abẹ́) antes mesmo que Ìyámi Òṣòròngà determina-se o local do útero – inú.

Guardiã e protetora da Floresta Sagrada de Ọ̀ṣún na Cidade de Oṣogbo é constantemente mencionada nos mitos locais desde a fundação desta.

Também conhecida por seu epíteto Ìyá Òbo – Mãe da Vagina, os descendentes de Oṣogbo, lhe prestam reverência e homenagem durante o Àwon Àjo Àfiyèsí ti Ọ̀ṣún a Festividade Anual.

Sabemos que o útero materno guarda um dos maiores Segredo da Criação e o aparelho reprodutor feminino não esta sob o domínio de apenas uma divindade, como no caso da libido e fluídos corporais que escorrem da vagina estão sob a influência de Ìyámàpò.

Texto: Baba Guido Olo Ajagùnà

Ọbàrà Mèjì

7 Òbàrà

A difícil travessia da prosperidade para o mundo.

Quando o rei da Morte teve notícia que aquele único Awo, estava vindo em companhia da prosperidade e da riqueza para a terra, decidiu parar quem quer que fosse. Não sabendo exatamente saber quem era, decidiu colocar todos os Awo do céu em teste sob pena de Morte. Tinha 14 de seus conselheiros com ele. Neste meio tempo o Rei da Morte vestiu a roupa de sua esposa que é a doença e tornou-se tão doente que seu corpo até mesmo viu a roupa dos antigos, começou a transmitir uma dor muito desagradável. Ele também preparou uma quantidade de Obi, que na verdade eram ovos, e pequenos barris de vinho, contendo urina de carneiro para testar seus convidados. Então convidou os Awo celeste um após o outro para vir curá-lo. Deu a cada um deles sete dias para curá-lo, caso falhassem não retornariam para casa.

Assim que algum Awo visitante chegou, Morte deu-lhe Obi para abrir como uma prova de sua grande habilidade, muitos deles falharam no teste de abrir o Obi, e eram imediatamente colocados na cadeia. Os poucos que passavam no teste do Obi, revelando-lhe o que realmente era, um ovo.

Não sobreviveriam ao real teste de cura, porque a maioria deles que tentou administrar remédios ao rei da Morte, com mais indisposição ele dava a impressão de ficar. Ele já tinha uma série de Awo Celestes em sua prisão, quando veio a vez de Ọbàrà-Mèjì.

Quando Ọbàrà Mèjì, recebeu a convocação do Rei da Morte, ele de outra forma chamado Jeen Fidi Hee, ou deixe-me sentar sossegadamente, ou inofensivamente como era chamado no céu.

Decidiu consultar seu Ifá, que o aconselhou a dar 1 bode a Èşù e 1 cabra a seu anjo guardião, ele providenciou os sacrifícios rapidamente. Quando estava partindo para o Palácio do Rei da Morte, vestiu seu colar mágico (Idę), o qual era seu principal instrumento de autoridade e ase, também foi advertido a dar uma escada de mão a cada um dos seus anjos guardiões e para Èşù, o que ele fez.

Quando chegou na casa da Morte, bateu na porta, e foi dito para revelar antes de abrir a porta o número de pessoas que estavam na sala e o que eles estavam fazendo naquele momento. Ele finalmente olhou em sua bola de cristal de seu colar e revelou que haviam 14 deles na sala, cada um segurando um copo de vinho, do qual estavam bebendo. A porta então abriu e ele foi liberado para entrar na sala.

Finalmente o Rei da Morte surgiu parecendo seriamente doente, assim que ele tomou seu assento, Morte ordenou que Obi e Vinho fossem dados a eles. Quando Obi foi servido, Jeen Fidi Hee, disse aos outros para quebrá-los. Usando um encantamento especial com o qual ele evocou-os pelos seus nomes celestes, conjurou Obi e o Vinho, que se eles fossem realmente Obi e Vinho como Deus os criou, ele apoiaria como tal, de outro modo ele ante seus olhos modificaria nas suas verdadeiras e reais identidades.

Rapidamente todos os venenos preparados e contidos imediatamente vieram à tona e a base de urina de ovelha foi ao fundo, ao mesmo tempo os Obi foram transformados em ovos. Ele então protestou o Rei da Morte por tratá-lo de modo tão pouco acolhedor. Morte se desculpou e o acalmou trazendo-lhe Obi e Vinho apropriados. Morte então apelou a despeito de sua indisposição inicial, para ajudar na cura de sua doença. Ele replicou dizendo que tinha de comer e beber primeiro, porque estava com fome de sua longa viagem.

Quando Ọbàrà-Mèjì foi sendo servido com comida Èşù, se transfigurou em um rapaz sonolento e parou no portão, antes de comer a comida, ele retirou seu Ọpẹ́lé (instrumento de divinação), e seu próprio Ifá surgiu. O que fez perguntar se a comida era segura e boa para a saúde.

Ele então convidou o rapaz para comer da comida. O garoto engoliu toda a refeição e seu conteúdo.

Em retorno o garoto disse a Ọbàrà- Mèjì para livrar-se do pote de barro, o que na verdade era o recipiente com o qual seus (Yawa), eram normalmente tratados. Quando ele saiu para se livrar do pote, o garoto avisou para consentir em curar o Rei da Morte. Quando retornou para a sala da Morte, voluntariamente se ofereceu para fazer o máximo para curá-lo Ele também concordou em não retornar para casa em 7 dias se ele falhasse em realizar a tarefa, por sua vez. Ọbàrà Mèjì afirmou que desde que não havia débito sem um crédito correspondente. Ele quis saber a recompensa que esperava ele se fosse bem-sucedido, em curar o Idoso Rei da Morte de sua doença, e Morte prometeu-lhe entregar metade de seus pertences, se ele conseguisse. Pelo mesmo sinal, o garoto também perguntou a ele o que faria para que conseguisse ajudá-lo e Ọbàrà prometeu dar-lhe metade de tudo como um prêmio. O Rei da Morte estava acostumado a remover seu vestido de doença durante a noite, quando ia para a cama colocando-a apenas novamente ao primeiro pensamento da manhã.

Naquela primeira noite, assim que ele foi para a cama, Èsù usou a escada de mão com o qual Ọbàrà fez sacrifício para subir ao quarto da Morte.

Quando Èşù estava fazendo aquilo, conjurou a Morte para dormir profundamente. Assim que a Morte caiu celestemente adormecido, Èşù, como o garoto, ordenou a Ọbàrà para subir na escada ver como chamar o velho homem que parecia particularmente sadio e seu corpo estava sem doença.

Na próxima manhã, Morte, convocou Ọbàrà, para começar o serviço de curá-lo. Em resposta, Ọbàrà colheu todas as folhas disponíveis e adicionou Ìyéròsún, seu pó divinatório, e preparou-os para a Morte se levantar por sete dias. Morte, contudo, não se banhou com o preparado. Ọbàrà estava neste meio tempo dando sempre o quinhão do leão, de alguma comida dada a ele para o garoto.

No 6º dia o rei da Morte disse a Ọbàrà que ele não estava recebendo nenhuma melhora, e que ao contrário estava tendo noites insones. Naquela noite Èşù mais uma vez conjurou a Morte para uma pesada e doce dose de sono e impulsionou Ọbàrà e o rejeitado a se infiltrar por meio da escada invisível no quarto da Morte.

Quanto eles entraram no quarto o rapaz disse para Ọbàrà que a cesta continha a vestimenta de doença da Morte. Uma vez fora, Èşù encantou o caminho para o rio para ficar livre de todas as criaturas vivas, porque é proibido a todo ser vivo ver aquele pote. Depois disso, eles seguiram para levar o pote ao rio no qual foi atirado em seguida, amanheceu, e o dia fatídico tinha chegado, assim que era dia claro, uma multidão da hoste celeste havia se acumulado para testemunhar o fato de Ọbàrà-Mèjì. Enquanto isso Morte tinha se banhado e estendeu sua mão para o pote contendo sua vestimenta de doença, mas não estavam aonde eram para serem achadas. Falhando em achar sua vestimenta, Morte decidiu se trancar no quarto. Após esperar em vão o rei da Morte sair do quarto,

Ọbàrà mandou buscá-lo porque estava ansioso para saber o que estava acontecendo. Depois de bater muitas vezes na porta do quarto da Morte, o velho homem se vestiu e saiu.

Ele tomou seu assento no seu trono, com seu corpo brilhando, radiante e transparentemente parecendo bem e saudável. Ọbàrà então pediu a Morte para tornar público o resultado dos seus esforços e ele afirmou que seu tratamento tinha lhe dado um claro anúncio da saúde.

Morte, então foi para dentro para trazer em dobro todos os tesouros para dar a Ọbàrà, o garoto Rejeitado recomendou a Ọbàrà berrar porque o Rei da Morte tinha voltado em suas palavras. Ọbàrà por essa razão bradou, o seu choro foi ampliado e repetido por Èşù, o qual soou fazendo muitos andares do céu tremerem. O incidente fez tremer o Rei da Morte e ele então foi ao quarto para juntar metade de todos o seu pertence em uma caixa de obi e levou-os para fora. Antes dele sair o garoto rejeitado tinha avisado Ọbàrà que deveria aceitar apenas uma caixa de Obi do Rei da Morte.

Finalmente, Morte saiu com duas caixas – uma caixa de latão contendo besteiras e uma caixa de Obi pedindo a Ọbàrà para escolher uma das duas e Ọbàrà escolheu a caixa de Obi e foi para casa.

Enquanto isso Èşù se transfigurou em um velho homem e estava esperando por Ọbàrà no caminho.

Ọbàrà procurou em vão pelo garoto Rejeitado e como não o localizou, deixou alguns dos pertences para seu próprio guardião e continuou sua jornada.

Antes de chegar em sua casa, ele encontrou um velho homem em uma choupana improvisada, a qual não estava naquele ponto quando foi em sua missão. O velho homem disse para Ọbàrà mostrar-lhe a recompensa de sua missão. Ele começou a se perguntar se era Èşù, em seu jogo novamente.

Para confirmar seus pressentimentos, ele retirou seu Ase e conjurou o velho homem para se transformar no que realmente é. O velho homem transformou-se instantaneamente no garoto Rejeitado e depois em Èşù e em seus objetos reais todos. Ọbàrà então lhe agradeceu pela ajuda que lhe deu durante sua missão impossível. Ele tirou a caixa de Obi e lhe disse para que pegasse qualquer que fosse a porção que ele quisesse deles. Em resposta Èşù lhe disse que por onde quer que ele fosse lhe seria dado uma parte, como ele fez generosamente durante suas façanhas.

Chegando em casa Ọbàrà Mèjì deu outro bode a Èşù e 1 cabra a seu anjo guardião, e então convidou seus amigos para um banquete sendo o único Awo quem teve sucesso em frustrar as maquinações do Rei da Morte. Por essa razão, quando Ọbàrà Mèjì surge na divinação para uma pessoa e Morte está observando para bater em sua porta, ele deverá ser avisado para fazer algum sacrifício que Ọbàrà fez antes de partir para o seu teste da Morte.

Neste estágio Ọbàrà mèjì decidiu que era o momento de partir para a terra. Antes de partir do céu ele foi ao seu sacerdote de Ifa para fazer divinação. Os awo eram chamados.

Wosomi pelembe pelembe

Oromi mimi mimi

Lake iri idi koko ni pa eron

Lembe lembe aaebe be

Ouni mo ju Ọlọjà titu rin rin rin.

Eles disseram que para ter sucesso em conquistar prosperidade no mundo, ele deveria fazer sacrifício com 1 cabra para o seu Ifá, adicionando uma cesta de obi e dar 1 bode para Èşù, ele fez o sacrifício e partiu para a Terra.

Ele nasceu de um pai que tinha apenas a mão direita, enquanto sua mãe era cega de um olho, apesar de suas deficiências físicas seus pais tinham inimigos em abundância. Foi Ọbàrà quem instituiu os sonhos no mundo, porque enquanto no útero ele estava mostrando frequentemente perigos prestes a acontecer. Enquanto no útero as mais velhas da noite viram que uma criança estava preste a nascer, que traria prosperidade para a Terra, elas estavam determinadas a fazê-la nascer morta. Uma noite ele disse para seu pai que preparasse um remédio em um sabão equivalente a 35 niras para tomar banho a fim de desvair o ataque violento das mais velhas da noite. Ele avisou a seu pai que assim que as folhas fossem coletadas, ele deveria deixá-las da noite para o dia no altar de Èşù. Ele foi moê-las na manhã seguinte e misturando no sabão para tomar banho.

Ọbàrà mèjì, por fim nasceu seguramente, eles não tiveram mais problemas com as mais velhas da noite. Quando nasceu seus pais consultaram um sacerdote de Ifá para o dia do nascimento, os Awo se chamavam:

Afenju Ọmọ

Ọmọ are kii kon fene fene

Pobi gbite gbite ya alumen

Ite onaye magba

Nio ni gbe ite òrun.

Ọbàrà mèjì, era o único filho de seus pais. Ele cresceu rapidamente para ser muito esperto. Estava frequentemente contando às riquezas que absurdamente faria de todos os awo mais velhos de Ifá, e eles não estavam contentes com ele. Na tenra idade ele frequentemente comparecia aos encontros dos mais velhos, aonde ele quase sempre roubava a cena. Havia um encontro sempre de awo mais velhos mantidos por 17 dias no palácio do rei em Ifé. O jogo de ayo era frequentemente jogado após o encontro, mas o jogo sempre terminava com a morte de um dos filhos do rei.

O primeiro encontro presenciado por Ọbàrà Mèjì teve muito para beber e após chegar bebeu, ele se gabou que no próximo encontro ele revelaria quais eram os nomes daqueles que eram os responsáveis pelas mortes periódicas dos filhos do rei. Havia um chefe poderoso chamado Osin, que estava clandestinamente fazendo todas as atrocidades. Depois da proclamação do jovem Ọbàrà Mèjì o encontrou e afirmou que se ele falhasse em cumprir sua tarefa ele seria executado.

Convencido de que Ọbàrà mèjì não poderia revelar seus nomes, os conspiradores bolaram um plano de como matá-lo, eles sentaram em um arbusto no caminho para concluir seu plano e a mãe de Ọbàrà mèjì que eles não conheciam, estava retornando para a fazenda e ouviu por acaso o homem firmando seus planos execráveis contra seu filho. Após ouvir os detalhes do plano ela correu para casa para consultar seu sacerdote de Ifá de como salvar a vida do seu filho único. A mãe foi avisada para preparar três inhames amassados, três potes de sopa e enviá-los para a margem do rio onde ela estava por tomar seu banho. Enquanto estivesse se banhando, ela descobriria o que deveria fazer para salvar a vida do seu filho.

Ela voltou para casa, e fez conforme foi dito. No caminho colocou o inhame pilado e a sopa na margem e foi tomar banho no rio. Enquanto se banhava um homem chamado Opolo, veio ao rio e cumprimentou-a. O homem rapidamente tomou seu banho saindo com pressa. Quando a mulher lhe perguntou o porque ele estava com pressa, ele lhe disse que estava apressado para assistir ao dia do encontro no palácio do rei.

Ela convidou-o para comer um pouco da comida que ela deixou na beira do rio antes de vir. Já que não havia comida servida ao longo dos encontros no palácio do rei (o que explica o porquê eles estavam matando seus filhos), Opolo simplesmente ficou muito feliz por comer antes de partir.

Enquanto comia, relembrou que um importante evento estava para ter lugar na conferência do rei, porque eles estariam indo matar o loquaz e presunçoso Ọbàrà Mèjì, já que não sabia que a seção dos jogadores de ayo que eram responsáveis pela morte dos filhos do rei, conforme se gabava. Ele terminou revelando para a mulher que ele Opolo, era na verdade um dos conspiradores, porque o rei era tão avarento que ele nunca servia alguma comida ou refrescos ao longo dos encontros. O próximo homem a vir em seguida foi Òbúkợ, que a ajudou de mesma maneira. Depois de comer o inhame pilado, ele contou a mulher os detalhes de sua missão naquele dia, e acrescentou que era um daqueles assassinos dos filhos do rei, por causa de sua avareza.

Também revelou como um dos conspiradores, estavam determinados a assassinarem o tagarela e vaidoso Ọbàrà Mèjì na conferência, posto que ele nunca saberia seus nomes. Ele então, se apresentou a mulher como Òbúkợ – Ọmọ lubebere tube – e os outros eram: Agbo – Ợmợjojoguole e Opolo-ami soso run.

Terminou contando que eles eram os três conspiradores que estavam matando as crianças do Ọlọfin após o jogo ele ayo. Ele revelou que Ọbàrà-Mèjì tinha vaidosamente prometido revelar o nome de Osin, como o único conspirador enquanto na realidade Osin não estava indo tomar assento na conferência naquele dia- e que o filho mais velho de Osin chamado Aremo, estava indo para tomar o lugar de seu pai, enquanto Osin estava indo sentar ao lado. Por fim ele revelou que um assento especial estava sendo preparado para Ọbàrà Mèjì, sob o qual estaria um buraco coberto com uma esteira. O indiscreto Òbúkợ seguiu em revelar que a única maneira que Ọbàrà Mèjì poderia evitar os fatos que o aguardavam era indo com um cão e um pacote de èkó e àkàrà. Se ele jogasse o èkó e o àkàrà na esteira em baixo da cadeira reservada, seu cão iria por ele. Em suas próprias observações a mulher destacou que seria boa ocasião para Ọbàrà-Mèjì falecer porque a cidade seria um lugar mais pacífico sem ele, com o que Òbúkợ partiu para o palácio do Rei.

Agbo foi o último a chegar ao rio, ele também passou pelo mesmo ritual de revelação após comer o inhame pilado e confirmou o que Opolo e Òbúkợ haviam revelado antes dele. Ele também revelou o porquê tencionavam matar Ọbàrà Mèjì. Depois de comer sua parcela de inhame pilado Agbo seguiu para a conferência.

Logo em seguida, a mãe de Ọbàrà-Mèjì, partiu para casa para dar instruções a seu marido e filho a respeito do que veio a saber no rio. Ela rapidamente transcorreu através da sequência de eventos contando a Ọbàrà Mèjì, o que fazer. Ele deveria ir com seu cão chamado Boghoye aje ejobi. Ela avisou para jogar o Èkó e o Àkàrà debaixo da cadeira preparada para ele, e chamar o cão para ir buscá-los. Se o cão caísse no buraco ele levantaria e perguntaria por uma pessoa chamado Òbúkợ.

Assim que a pessoa se identificasse ele deveria ser oferecido em sacrifício para Èşù, em seguida perguntaria por uma pessoa chamado Agbo e se ele se identificasse, ele deveria ordenar que ele deveria ser oferecido para o altar público dos antepassados.

Por fim ele perguntaria, pela pessoa chamada Opolo e tão logo ele se identificasse, deveria ordenar que uma flecha seria perfurada através de sua boca e anus a ser oferecido em sacrifício para a divindade da terra.

Quando perguntado porque os três homens deveriam ser mortos, revelaria que aqueles eram os conspiradores responsáveis pelas mortes dos filhos do Ọlọfin, após jogar ayo com eles. Após este episódio, ordenaria ao homem no trono para desocupá-lo, porque ele era um impostor e que deveria dar ao seu pai Osin, que naquele momento estaria fumando um cachimbo longo chamado Ekitibe ao lado da sala. Quando Ọbàrà-Mèjì estava partindo para a conferência, vestiu uma roupa de seu pai chamada gbariyee e seu boné chamado Labagaden, ele foi com seu cão chamado Boghoye atoju ma oko, chegando a principal entrada externa para o salão da cidade, os moradores começaram a cantar seu louvor com gritos para Ọbàrà Mèjì Afenju-ọmọ.

Quando adentrou a sala foi direcionado rapidamente a ocupar a cadeira colocada ao lado para ele.

Neste momento ficou quieto e tirou seu pacote de èkó e àkàrà e lançou em baixo da cadeira indicada, direcionando seu cão para ir até eles. Seu cão foi, mas caiu direto através da esteira cobrindo o profundo buraco carregado com ganchos e espinhos por baixo.

Invertendo a ordem na qual ele estava para levar a cabo as suas tarefas diárias, começou por ordenando ao homem sentado no trono para desocupá-lo de uma vez e dar caminho ao chefe Osin, seu pai. O homem do trono rapidamente vagou-o e seu pai se direcionou para ocupar seu lugar.

Ele então chamou o outro homem chamado Òbúkợ e ordenou a se identificar, também chamou os homens chamados Opolo e Agbo para levantarem e se identificarem. Eles todos levantaram de acordo. Ọbàrà Mèjì ordenou que Òbúkợ devesse ser sacrificado para Èşù, Agbo no altar público dos ancestrais masculinos e Opolo para mãe terra (Oriole).

Quando Osin questionou a ofensa feita pelos três homens, ele relembrou de sua promessa de no próximo encontro revelar os conspiradores que eram responsáveis pelas mortes dos filhos de Ọlọfin, após jogarem Ayo. Ele confirmou que os três homens eram cúmplices, culpados. Depois de dizer aquilo os três homens foram de acordo usados para sacrifício. Os culpados na realidade eram: O bode, o carneiro e a rã.

Então toda a conferência prorrompeu em um estrondoso aplauso e ovação a Ọbàrà Mèjì. Ele foi carregado no alto dos ombros em procissão aberta para fora. Antes de chegar em casa, os pais dele tinham jurado cometer suicídio se seu único filho perdesse a vida em seu encontro. Assim que seu pai ouviu os gritos, concluiu que seu filho estava morto e tirou sua própria vida. Quando sua mãe viu o filho sendo carregado nos ombros acima da cabeça de uma procissão triunfal, ela retirou a sua cabeça da corda na qual tinha colocado em preparação para o suicídio.

Então ela usou a corda (Oja) para agradecer a sua própria mãe. Este é o porquê da corda que algumas pessoas usam para o altar de suas mães falecidas em algumas partes do País Yorùbá e Benin até os dias de hoje. Este é o porquê dizem que a Mãe de Ọbàrà Mèjì foi quem o salvou das frias mãos da Morte.

                                                                         A imagem pode conter: 1 pessoa

Ilê Axé Opô Ojú Omí

É com pesar que comunicamos o falecimento de uma grande sacerdotisa do culto aos Orixás: Mãe Beata de Yemanjá.

Beatriz Moreira Costa, que além de Yalorixá era escritora, atriz e artesã, nasceu no Recôncavo Baiano, no ano de 1931, e nos deixa hoje deixando um legado imensurável de muita luta em prol do povo de santo e de contribuição para o Candomblé.

Filha-de-santo da saudosa Olga do Alaketu, e Iyalorixá do Terreiro Ilê Omiojuaro, em Nova Iguaçu – Rio de Janeiro, parte desta Terra deixando-nos com lágrimas nos olhos, porém felizes de termos tido a oportunidade concedida por Olorun de convivermos com este grande ser humano.

O povo-de-santo está em luto!

OLORUN KOSI PURÊ!

Por: Rodrigo Viegas

%d bloggers like this: