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61915No Opô Aganju, Lauro de Freitas, Brasil, 1986 – Foto Lázaro Torre“O Candomblé é para mim muito interessante por ser uma religião de exaltação à personalidade das pessoas. Onde se pode ser verdadeiramente como se é, e não o que a sociedade pretende que o cidadão seja. Para pessoas que têm algo a expressar através do inconsciente, o transe é a possibilidade do inconsciente se mostrar”. No seu contato com o candomblé – como frequentador, amigo e iniciado – Verger foi cuidadoso e paciente. Ganhou afeto, proteção, conhecimento e, para honrar a confiança que nele foi depositada, passou o resto da vida registrando lendas, liturgias e procedimentos, em suas fotos e livros, que se tornaram fonte segura de informação para adeptos, pesquisadores e curiosos.
“Só em 1948, dois anos após minha chegada à Bahia e uma longa viagem pelo Recife, Haiti e Guiana Holandesa é que comecei a dar-me conta da importância do Candomblé e do papel que desempenha, dando dignidade à maioria dos habitantes desse lugar, descendentes de africanos”. Foi em 1948 também que ele esteve pela primeira vez no Ilê Axé Opô Afonjá, pouco antes de partir para a África, onde teria uma bolsa de estudos para fotografar rituais religiosos. Mãe Senhora se ofereceu para consagrar a sua cabeça a Xangô. Iniciou-se aí a longa amizade de Verger com o povo de santo.
Na África, esteve com descendentes dos antigos soberanos que originaram os mitos; conheceu os locais sagrados, assistiu e participou de rituais. Quando estava na Bahia, continuava o aprendizado: “O interessante é você conviver, fazer as mesmas coisas e participar sem intenção de entender. Participando, a coisa fica completamente diferente. Foi o que aconteceu comigo aqui. Eu convivia no terreiro do Opô Afonjá, fazia as mesmas coisas das pessoas da Casa, sem saber o porquê, nem como. Vivia em comum tomando parte das preocupações, das crenças.
Com Obarayin, Opô Aganju, Lauro de Freitas, Brasil, 1992 - Foto Marcio LimaCom Obarayin, Opô Aganju, Lauro de Freitas, Brasil, 1992 – Foto Marcio LimaAlém do Afonjá, Verger frequentou muitos outros terreiros, como a Casa Branca, as casas de Joãozinho da Goméia, Joana de Ogum e Catita, onde tinha muitos amigos e, depois de alguns anos, o Aganju, fundado pelo sacerdote e amigo Balbino Daniel de Paula, com a sua ajuda. Até o final da vida, entretanto, Verger se declarava um “francês racionalista” que não tinha “sentimentos religiosos muito fortes“, ainda que talvez não fosse tão cético assim. O fato é que a profundidade do seu conhecimento somado à sua vida monástica e temperamento misterioso o tornaram um referencial para pessoas de todos os credos.

Todos os Direitos das imagens deste site são reservados à Fundação Pierre Verger
2ª travessa da Ladeira da Vila America, nº6 – Engenho Velho de Brotas – 40420-340 Salvador-BA; CNPJ 163012020001-03

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Bom dia e abenção de todos!
“A um tempo atrás, postei uma matéria falando a respeito da origem dos Caboclos e Boiadeiros e hoje gostaria de falar e fazer um breve resumo sobre a origem e tradição dos nossos amados Pretos Velhos”
* Nota: Hoje falarei somente sobre os Negros Bantus, pois eles são a origem dos Pretos Velhos.
– Como disse no post dos Caboclos e Boiadeiros, os Negros Bantus após sua captura e escravatura, e quando eram “comercializados” no Brasil, eram separados e classificados por suas habilidades manuais.
– Os que sabiam mexer com o pastoreio animal iam para o nordeste da Bahia, dai surgindo os Caboclos e Boiadeiros.
– Os que eram mais domesticados, e de feições mais agradáveis eram os trabalhadores domésticos da casa grande.

– As Mulheres novas e bonitas eram as amas e cozinheiras da fazenda.

– Os caçadores e mais fortes eram geralmente alçados ao posto de Capitães do Mato ou homens de confiança dos Srs Fazendeiros, seguranças e etc.
– E os que mexiam com agricultura, iam para o sul da Bahia mexer com o plantio de cacau, café, cana de açucar e todas as outras culturas alimentares, e esses sim são a origem dos Pretos Velhos.
– Mas não foram todos os agricultores que foram divinizados Pretos Velhos, e sim o “Clã de Feiticeiros e Curandeiros”, aqueles negros e negras que sabiam ou tinham o dom da cura e do feitiço, os “Ngangas”.
– Se os Srs notarem, praticamente todas as cantigas de Pretos Velhos, falam de mandinga, feitiço e etc…
– Exemplos:
Maria Conga, é que vence demanda…
…Uma bahiana me chamou para eu ir na Bahia fazer uma macumba, ela me deu banho de ervas fumo de rolo para me “matar”…
– E isso posto podemos afirmar assim como os Caboclos, que a ancestralidade dos Pretos Velhos, são Angolanas, e foram muito bem absorvida pela Umbanda, em seus ritos de curas e atendimentos espirituais.
Logico que a história é bem mais profunda, mas pelo menos podemos ter a noção da origem de tais divindades.
– Quase todos os estudiosos e antropólogos como; Nina Rodrigues, Roger Bastid, Prandit, Manuel Quirino e Rute Lands, fazem menção em seus estudos, na importância desses “Ngangas” na vida tribal.

E isso foi trazido para o Brasil nos porões dos navios, e aqui graças a Nzambi, foram divinizados e hoje, prestam seus serviços aos terreiros e sua comunidade.
Nzambi ua kuatesa!

Òsanyìn – Ewé

Òsanyìn (Òsonyìn) é representado por uma ferramenta de ferro forjado, constituída basicamente de uma haste circundada por outras seis, tendo no mastro principal um pássaro. A sacralização da ferramenta/igbá de Òsanyìn exige do sacerdote um profundo conhecimento das folhas litúrgicas do Candomblé e das recitações mágicas, a fim de “trazer” Òsanyìn ao igbá. Sem dúvidas, o Àse de Òsanyìn é um dos maiores segredos do culto aos Òrìsàs.
Òsanyìn é originário de Ìràwò, ao contrário do que muitos pensam, é um Òrìsà masculino, sendo erroneamente chamado de “Osanha”. O Pai das folhas vive no âmago da floresta ao lado de Àrònì, que também é um exímio conhecedor dos segredos da flora selvagem. Usa um cachimbo feito da casca de “igbin” (caracol) e gosta muito de otí òyìbó (gim) e oyìn (mel). Sempre carrega nas mãos uma rama de Pèrègùn. Suas vestimentas são feitas de Ìkó (palha da costa), folhas e Àdó (pequenas cabaças).
Òssanyìn é o dono das folhas e, no Candomblé, não fazemos nada sem folhas. Isso já mostra a importância singular de Òsanyìn na nossa religião.

Abaixo, transcrevemos uma antiga história de Ifá, que narra como Òsanyìn se tornou um herbanário:

Ifá foi consultado para Òsanyìn no dia em que Olódùmarè cobriu uma cabaça e convidou a Òrúnmìlà ir descobrir-la e através da consulta ao oráculo, adivinhar o que havia dentro dela. Òsanyìn insistiu em acompanhar Òrúnmìlà, mesmo sendo aconselhado a ficar porque ele estava em dificuldade. Òsanyìn, porém, foi inflexível. Antes que eles chegassem lá, Olódùmarè tocou o sangue de sua esposa com um tecido branco de algodão, guardou em uma cabaça sobre a esteira na qual Òrúnmìlà sentaria ao consultar Ifá. Òrúnmìlà consultou Ifá e disse exatamente o que havia dentro da cabaça branca. Olódùmarè o louvou, aclamando seu poder. Òrúnmìlà, então, pediu que Olódùmarè realizasse um sacrifício. Olódùmarè concordou com o sacrifício. Òsanyìn, emocionadamente se juntou a Òrúnmìlà na procura dos materiais para o sacrifício. Enquanto estava se esforçando para ajudar a realizar o sacrifício, a faca que ele estava segurando escapou de sua mão e caiu sobre a sua perna, fazendo uma ferida muito grande. Òrúnmìlà pediu que levassem Òsanyìn para a casa de Òrúnmìlà. Òrúnmìlà o curou, mas Òsanyìn não poderia usar novamente a perna para trabalhos árduos. Òrúnmìlà teve pena dele e deu-lhe vinte folhas de Ifá para cada tipo de enfermidade, para proporcionar-lhe uma fonte de renda. Foi assim que Òsanyìn se tornou um herbolário e, posteriormente, aprofundando-se na farmacopéia.

O Grande Òrìsà das folhas, vamos falar porque jamais devemos entrar na mata de mãos vazias, sem pagar à Òsanyìn pelas folhas que pegamos em sua morada.

Antes, porém é importante lembrar que a coleta das folhas deve ocorrer à alvorada (há exceções, nas quais as folhas devem ser colhidas à tarde ou ainda ao anoitecer).

Os “Kawé-o” (aquele que “colhe” folhas), Oníìsègùn (curandeiro) ou o Babalòsanyìn/Olóòsanyìn (sacerdote supremo do culto à Òsanyìn) devem estar de “corpo limpo”, ou seja, privados de relações sexuais e em jejum.

As folhas são sagradas e pertencem a Òsanyìn, sempre que vamos à mata devemos pagar pelo o que estamos pegando. Uma antiga história de Ifá explica que Òsanyìn sempre cobra, jamais faz nada de graça.

Os pais de Òsanyìn não lhe deram roupa após seu nascimento. Quando ele cresceu, foi para a floresta e muito aborrecido fez um trabalho contra o pai, a fim de que ele não pudesse respirar bem. Feito isso, partiu em passeio pelo mundo. O Pai de Òsanyìn ficou muito doente, muitas pessoas tentaram curar-lhe, contudo, nenhuma obteve sucesso na empreitada. Diante das tentativas inúteis, foram procurar por Òsanyìn, que já era conhecido pelo poder de suas folhas.

Quando perguntado se podia curar o pai, Òsanyìn disse que sim, entretanto falou: Meu pai é dono de uma roupa, uma calça e um gorro. Garanto que posso curar-lhe, mas ele deve me pagar com essas vestes. O pai, ofegando, consentiu em dar as roupas solicitadas. Òsanyìn então desfez o trabalho e seu pai foi curado. A partir desse dia, Òsanyìn passou a se vestir com panos, sendo que até então cobria-se apenas com suas folhas.

Òsanyìn fez, então, um trabalho para sua mãe ter dor na barriga e, novamente, saiu em passeio pelo mundo. À exemplo do ocorrido com o pai, muitos tentaram em vão curar a mãe de Òsanyìn. Diante de mais um fracasso, foram procurar por Òsanyìn. Ele disse: minha mãe tem um pano listrado, de preto, branco e vermelho, para curá-la peço em troca essa veste. A mãe enviou o pano para o filho e ficou curada.

Texto: Casa de Oxumarê _BA

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O Abìyán

O Abiyan é toda pessoa que depois de fazer uma consulta através dos búzios com o Babalorixá ou Iyalorixá, tenha tomado no mínimo um Obí e tenha um fio de contas lavado de Oxalá.

 

O procedimento e comportamentos básicos de um Abiyan.

. Estar vestido de branco principalmente se a casa for de Oxalá; ressaltando que:

– Para os homens – calçolão branco e camiseta branca;

– Mulheres –  saia/camisú branco;

 

. Ao chegar à casa, ir direto beber um copo d’água para esfriar o corpo da rua, sem fazer paradas e evitar qualquer conversa.

 

. Tomar seu banho de ervas e colocar sua roupa de ração descrita acima;

 

. Bater a cabeça no Axé, na porta dos quartos de Santo; para o Babá/Iyá, “trocar” à benção com TODOS os seus irmãos, sendo por ordem hierárquica (dos mais velhos aos mais novos), de acordo com a ordem iniciada.

 

. Perguntar ao Babá/Iyá, sobre a função que deverá fazer na Casa; muitas vezes por ordem do Babá/Iyá, as funções podem ser determinadas pelas Ajoiês (Ekédi) da Casa.

 

. O Abiyan deverá fazer suas refeições sentadas na ení (esteira), e assim que terminarem, deverão levantar as mesmas e guardá-las; não devem colocar os pés calçados nas enís;

. O Abiyan somente poderá dormir em ení, caso se faça necessário terá a autorização do Babá/Iyá, para dormir nos quartos dos Orisás;

. O Abiyan ao levantar não deve falar com ninguém, deve antes beber um pouco de água; isso é para apagar os vestígios ou traços negativos provocados pelo mau hálito.

. O Abiyan não deve ocultar do Babá/Iyá qualquer tipo de dúvida, problema e mal entendido.

. O Abiyan não deve fumar na frente de seu Babá/Iyá e tão pouco tomar bebidas alcoólicas.

. O Abiyan nunca fica de pé em frente ao Babá/Iyá e sim agachado, com a cabeça baixa.

. O Abiyan nunca interrompe o Babá/Iyá quando estiver conversando com alguém. Quando tiver visita no barracão (egbomis, ekedis, ogãs, zeladores), seja em dia de festa ou em dia corriqueiro, é correto que os filhos se abaixem próximo a ele para dirigir a palavra. Diz então: AGÔ (Licença) e esperar ele dizer AGÔ YA,  e de cabeça baixa, falar com ele em tom de voz baixa.

. O Abiyan não deve passar pelo o Babá/Iyá com a cabeça erguida, e sim um pouco curvado para frente. Sempre que for servir o Babá/Iyá, deve-se levar o pedido numa bandeja ou prato e abaixar-se para servir.

. O Abiyan não pode usar jóias, brincos e bijuterias.

. O Abiyan só deverá entrar nas rodas de Xirê se forem chamados pelo Baba/Iyalorixá.

. O Abiyan tem suas funções na casa relacionadas à limpeza e manutenção, salvo se for um Abiyan antigo e de confiança com Orixá assentado, poderá exercer outras funções.

. O Abiyan não tem Orixá definido ainda, por isso é denominado um Abiyan (aquele que está começando em um novo caminho)

. O Abiyan deverá sempre pedir Agô para entrar e sair de cada ambiente do terreiro e esperar a resposta, Agô ya.

. O Abiyan só poderá ir embora com autorização do Baba/Iyalorixá.

. O Abiyan não questiona rituais litúrgicos de sua casa, respeita a hierarquia e se coloca sempre no seu lugar.

. O Abiyan deve aproveitar o máximo esse período de aprendizado, humildade e retidão, pois é nesse momento que irão refletir quanto a futura iniciação, as responsabilidades do que é ser um iniciado, um Iyawó.

A Vivência no axé, a disciplina, observar o comportamento dos mais velhos, ser verdadeiro com seus sentimentos para com o Orixá, estar despojado de vaidades, e entender que o mais importante não é “fazer o santo e sim saber o porque de se iniciar para o santo”. Não há pressa para iniciação, Orixá entende e nos concede essa oportunidade de aperfeiçoamento e adaptação, salvo as raras exceções

Ser um bom Abiyan é estar se preparando para no futuro ser um bom Iyawó.

Obs: O Abiyan pode a qualquer tempo desistir da frequentar a Casa de santo, não ensidindo qualquer tipo de responsabilidade.

O Ìyáwó

Para ser um ìyáwó,  palavra de origem yoruba, é a denominação dos iniciados para Orixá que levam o Adôxú, portando passando a ser sacralizados, popularmente chamamos de “Feito no Santo”.

Os preceitos são diversos para um Iyawo, assim como sua responsabilidade cresce perante a sua Casa. Aprendeu a ser um abiyan e levará esse aprendizado para sempre em sua rotina.

Ressalto que um Iyawo, será sempre um Iyawo, independente de ter algum cargo ou posto futuro. É importante também, fazer a observação que nem todo Iyawo possuirá um cargo ou posto*, não deixando de fazer suas obrigações espirituais por este motivo.

* Cargo e/ou posto, não é uma escolha deliberada pelo Babá/Iyá; cargo e/ou posto, está no caminho de cada um, salvo quando a casa cria cargos transitórios e específicos pelo seu zelador.

 

Além de manter os direitos e deveres do Abiyan, Abaixo, resumo algumas normas que o iyawo deverá ter e manter na sua Casa de candomblé.

. O Iyawo, manterá seus 16 fios de conta de cada Orixá no pescoço, toda vez que estiverem na Casa, assim como o mokan (símbolo do Iyawo), até sua obrigação de 7 anos, podendo ter o delogun de seu Orixá na obrigação de 3 anos. O contra-egun, é retirado pelo Babá/Iyá, após o preceito de 3 meses, após a iniciação.

O Iyawo, deverá dormir sempre em sua ení; suas refeições deverão ser servidas em prato de ágata e bebida na caneca de ágata; usar roupas brancas neste período. (Existem casas antigas que mantém essa tradição para sempre)

O Iyawo feminino deverá estar sempre de O Ojá ( pano de cabeça)e tirá-lo quando for dar adobále ou Iká e pano da costa.

O Iyawo não deve entrar em cemitério, só em casos muito especiais, assim mesmo com a cabeça coberta, fio de contas e contra-egun. E somente com a permissão do Babá/Iyá.

O Iyawo não deve entrar em hospital, matadouro, etc, só em casos especiais, assim mesmo com a cabeça coberta. Somente com a permissão do Babá/Iyá.

O Iyawo não deve impor seus desejos, nem mesmo entre os irmãos de barco, evitar conflitos falando sempre com seu Jibonã ou Iransé.

O Iyawo para sempre respeitará sua raiz e seus mais velhos (avós, tios, primos, irmãos mais velhos), manter a hierarquia é respeitar e dar segmento a seu axé e principalmente a sua religião.

O Iyawo não deve tornar publico as coisas que delas participarem em caráter de segredo na Casa de Santo

O Iyawo não deve menosprezar os outros e nem se colocar em falso pedestal de autossuficiente, e sim ser humilde.

O Iyawo nunca, jamais, em tempo ou hipótese alguma, seja no seu barracão ou no barracão do alheio, deve-se sentar na mesma altura que do Babá/Iyá. Ele já passou por vários sacrifícios para estar sentado confortavelmente ali. Você ainda está no meio do caminho. Mesmo que o dono da Casa chame, cabe a você recusar.

O Iyawo não deve ocultar para o Babá/Iyá algum problema que possa aparecer na Casa e demais membros.

O iyawo não deve falar mal da sua Casa ou de casas co-irmãs.

O Iyawo deve evitar participar de grupinhos, mexericos, fofocas.

Todo Abiyan, Iyawo, Ogan, Ajoie, Egbomi, tem que entender que estão na religião por quererem praticar a  religiosidade, pois somos uma Religião com: Dogmas, Teologia e Liturgia.

Devemos todos ter o comprometimento com a Casa, após alguma festividade interna ou não, de deixarmos tudo em ordem, arrumado e limpo, pois com contribuição de todos, fica muito mais fácil a organização administrativa da casa, pois o Ilé Àse é sua segunda Casa.

É bom lembrarmos que esta disponibilidade, não é somente para quem está se iniciando e sim para todos.

Obs: Esses direitos e deveres cabem a minha Casa e naquilo que aprendi nas Casas de Axé dos meus Egbomis.

 

Texto: Bàbálorìsá Fernando D’Òsògíyán – Ilé Àse Òsòlúfón Íwìn

Colaboração: Ìyá Kékeré Mônica D’Òsóòsì – Ilé Àse Òsòlúfón Íwìn

Foto: Carybé

 

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Orixá regente

mae-stella-oxossiEste é um artigo que possui objetivo esclarecedor. Tentarei tornar compreensível um assunto que surge todo princípio de ano. A imprensa faz reportagens e as pessoas indagam umas as outras ou perguntam a si mesmas sobre o orixá que influenciará o novo ano que surge. Fazem isso na tentativa de adivinhas o que é preciso ser divinado. Adivinhar é fazer conjecturas sobre um tema usando a intuição, o que todo ser humano pode fazer. Divinar, todavia, é entrar em comunicação com o sagrado, através de rituais guiados por sacerdotes. É claro que todo ser vivo, por possuir uma parcela divina, é capaz de se conectar com os deuses. Mas a utilização de oráculos, os quais fornecem informações mais precisas sobre o destino da comunidade, requer uma preparação especial e um estilo de vida que propicia à intuição inerente a todos apresentar-se de maneira muito mais clara. A intuição se transforma aqui em revelação: quando os véus que encobrem os mistérios são retirados pelos deuses, a fim de que nossa jornada aconteça de uma maneira orientada e, assim, possamos cumprir a tarefa que nos foi legada com o mínimo de percalços possível, o que torna a vida bem mais leve.

Os leitores acostumados com os artigos que escrevo poderão estranhar a formalidade deste texto. É que “há tempo para tudo”: para contar anedotas, falar poesias, refletir sobre a vida… Esse tema pede seriedade! Faço isso porque creio ser a imprensa o meio ideal para esclarecer assuntos, que só não só melhor comentados por falta de oportunidade e conhecimento. Tendo agora esta oportunidade que me é dada pelo jornal A TARDE, não quero desperdiçá-la. Mesmo tendo eu a consciência de que nada se modifica de um dia para o outro, aproveitarei o momento para tentar fazer com que a população melhor compreenda as respostas do oráculo trazido pelos africanos para o Brasil, esperando que as sementes aqui jogadas possam um dia florescer e dar bons frutos.

A pergunta correta não é qual o orixá que rege o ano e, sim, qual o orixá que rege o ano para aquelas pessoas que cultuam as divindades e estão vinculadas à comunidade em que o jogo de búzios foi utilizado. Se isso não for bem esclarecido e, consequentemente, bem compreendido, parece que todos os sacerdotes erram em suas respostas, uma vez que uma iyalorixá diz que o orixá do ano é Iyemanjá, enquanto outra diz que é Oxum, ou um babalorixá diz que é Oxossi. Mesmo correndo o risco de o texto ficar enfadonho, insistirei em alguns pontos, a fim de elucidá-los melhor. No nosso terreiro, o Ilê Axé Opô Afonjá, o regente do ano 2012 é Xangô. A referida divindade, que se revelou no jogo feito por mim, não esta comandando o mundo inteiro, nem mesmo o Brasil ou a Bahia. Ela é o guia das pessoas que, de uma maneira ou outra (mais profunda – como é o caso dos iniciados; ou mais superficial – os devotos que freqüentam a “Casa”), estão vinculadas a mim enquanto iyalorixá, ou ao terreiro em questão.

O leitor, diante dessa explicação, poderá ficar confuso e sentir necessidade de perguntar: “E eu, que não cultuo orixá e não tenho relação com o candomblé, não serei orientado nem protegido por nenhuma divindade?” A resposta é: “Claro que sim! Por aquela que você cultua ou acredita”. Um católico, ou um protestante será guiado pelos ensinamentos de Jesus; um budista, pelas sábias orientações de Buda… Outra pergunta ainda poderá surgir: “E quanto às pessoas que não são religiosas, elas ficarão à toa?”. Não, é claro que não. Essas serão guiadas e orientadas pela natureza, que é a presença concreta do Deus abstrato. Seus instintos, protegidos por suas cabeças e corações, conduzirão suas vidas de modo que seus passos sigam sempre na direção correta.

Que Xangô – divindade da eloquência, da estratégia, do fogo que produz o movimento necessário a todo tipo de prosperidade – possa receber, de meus filhos espirituais, cultos suficientes para que fortalecido possa torná-los cada vez mais fortes para enfrentar as intempéries que todo ano traz consigo. Obrigada, Ano Velho, pelas experiências passadas para o Ano Novo.

Maria Stella de Azevedo Santos
Iyalorixá de Ilê Axé Opô Afonjá
Jornal A TARDE 04/01/2012

Aqui vemos Siriús, também conhecida como Dog Star.

 

Alabe lápàápá

Okaka ş’obìnrin Yangí Yangí

Foram eles que fizeram adivinhação para Onínú rere

No dia em que ele estava para escolher o seu destino

No mesmo dia em que o Àkàrà sufocou o Òrìşà.

Alabe lápàápá

Okaka ş’obìnrin Yangí Yangí

Este poema conta a história de um homem em particular, cujo nome era Onínú rere.

Eu estava indo escolher o seu Orí e ao mesmo tempo escolher o seu caráter, ìwà.

Foi encontrar um Babalawo no Céu para perguntar como escolher algo de bom para o seu destino.

Ele foi aconselhado a oferecer muitos Àkàrà, óleo de palma, muito Ẹkọ (farinha de milho cozido cozida em fogo lento) e centenas de cauwries.

“Se você fornecer os sacrifícios, terá muita coisa boa para escolher como as suas coisas de destino e estas boas predestinações vão segui-lo para a Terra”, lhe disse o Babalawo.

Ele ofereceu o sacrifício.

Ele foi aconselhado a levá-la ao Òrìşà Ợbàtálá o dia em que escolheria o seu destino.

Sendo um amante de Àkàrà, Ợbàtálá não olhou duas vezes ante os bolinhos de Àkàrà e começou a comê-los.

Comeu tanto que se asfixiou.

Foi quando Onínú rere começou a escolher o seu destino.

“Quero riqueza”, disse Onínú rere e Ợbàtálá concordou (a boca e a garganta do Òrìşà estavam cheias de Àkàrà).

“Quero filhos” “hun hun”, lhe respondeu o Òrìşà

“Quero construir casas”, “hun hun”.

Durante este tempo, Oninú rere continuou a pedir coisas.

Òrìşà continuou comendo Àkàrà enquanto Onínú rere estava ocupado escolhendo todas as coisas boas que ele desejava.

Ao final, quando terminou de escolher e caminhou, enquanto Ợbàtálá estava ocupado consumindo o Àkàrà.

Onínú rere já estava longe quando o Òrìşà se deu conta que quase todas as coisas boas da Terra naquele dia haviam sido levadas pelo homem que lhe deu o Àkàrà.

Onde ele está?

Perguntou o Òrìşà.

Ele já foi.

Como pode uma pessoa apenas colecionar tantas coisas boas para si?

Tenho que fazer algo a respeito.

Rapidamente chamou Àjà, o cachorro, que naquele tempo era um dos servidores do Òrun.

Vá atrás deste homem, que acabou de sair daqui e o traga de volta, ele escolheu mais do que devia como sua porção de destino. Esta foi a instrução dada a Àjà.

Enquanto isso, outros materiais de sacrifício, o Ẹkọ e o Epo pupa, que Oninú foi aconselhado a oferecer, foram colocados de forma intermitente ao longo de seu caminho para a Terra.

Ele estava posicionando estes materiais em intervalos e orando por eles.

Logo depois, Aja deixou a cidade do Céu e encontrou o primeiro desses sacrifícios ao longo do percurso, ele estava com muita fome.

“Este é um monte de boa comida”

Ele deve ter pensado.

Depois de tudo isso, eu ainda irei alcançar este homem em seu caminho para a Terra, enquanto isso deixe-me comer.

Ele comeu tudo, sem deixar que sobrasse nada.

Ele foi atrás de sua vítima e antes que pudesse avançar muito, ele encontrou outro sacrifício ao longo do caminho, e novamente o mesmo Ẹkọ e muito epo pupa.

Será que alguém sabia que eu iria passar por este caminho e colocou essa provisão para mim?

Àjà estava se perguntando.

Ele comeu desta oferta também e se deslocou para a seguinte e assim sucessivamente.

Ele comeu tudo, atém que não sobrasse nada.

Naquele momento ele percebeu que estava na fronteira entre o Céu e a Terra, onde ele não conseguia recuperar mais nada do viajante que iria para a Terra.

Era tarde demais para voltar e mesmo se ele fosse, seria constrangedor.

Aja, portanto, ficou na Terra para morar com eles.

Mas ele não parou de procurar por Oninú rere sequer até hoje.

Sempre que o cão viaja, especialmente à noite, levanta a cabeça e chama Oninú rere.

De volta ao Céu, Ợbatálá esperou em vão pelo retorno do mensageiro que enviou atrás de Oninú rere.

Portanto Ợbatálá amaldiçoou Aja, e mudou a forma do cão para um animal.

Porém, ele decidiu nunca mais comer sua carne.

Òrìşà lembraria os bons tempos em que o cão tinha sido um mensageiro de confiança:

“Se como sua carne, isto seria para me lembrar os tempos em que ele me serviu com toda a sua força”.

Disse o Òrìşà.

Desde então, tem sido um tabu para ele e seus devotos.

Ire aláàfià

Poema coletado por Ayo Salami

Resultado de imagem para fotos de DEUS

Olódùmarè, o Juiz em silêncio vê todas as mentiras.

Mentir vai matar os mentirosos
Juramento quebrado vai matar quem quebra o juramento
Estes foram o aviso de Ifá para Òrúnmìlà
Ao ir em missão de Ifá para os mentirosos na terra
E também quando quebra a missão de Ifá ao quebrar o juramento na terra
Ele foi aconselhado a oferecer ebo
Ele cumpriu
Aqueles que chamam negra como branco
Olódùmarè está te observando
Aqueles que chamam de Iroko de Oriro
Olódùmarè está te observando
Olódùmarè o juiz em silêncio.
Lição de hoje amanhã
1, não minta, porque uma única mentira descoberta pode criar dúvida em toda a verdade.
2, não quebrem um juramento, porque juramento quebrado vai matar aqueles que vão contra o juramento.

Odù Ògúndá Ogbè

Vamos dizer a verdade, porque só pessoa confiável terá o apoio de todos Ìrúnmolé.
Podem mentir para o próximo, porém Olódùmarè tudo sabe e tudo vê.

Estejam todos abençoados.
Awo Ifá Bowale

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