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Archive for Julho, 2011

Temos um post de Bàbá Fernando que nos fala da importancia do Ebó e do sacrificio, muitas vezes nos vemos em situções dos mais variados graus de dificuldades, sempre pensamos que nosso òrìsá ou mesmo Esú não estão satisfeitos com alguma coisa ou tem alguém atazanando nossa vida, ledo engano, muitas vezes temos ajoguns (energias negativas) nos bloqueando o caminho e somente com sacrificio poderemos transpor estes obstáculos, ebó é vida, ebó é caminho, sem ebó não existe culto a òrìsá.

 

Wori’Ogbe, (Iwori Ogbe) um dos Odù mais velhos (discípulo) de Òrúnmìlá, nos revela a influência em nossas vidas da divindade chamada “Infortúnio”. Elenini (Ido-Boo) é a guardiã da Câmara interna do Palácio divino de Olodunmarè, aonde todos vamos nos ajoelhar para fazer os pedidos e juramentos para a nossa permanência no mundo. Uma vez tendo completado as providências para nossa partida, seremos conduzidos por nosso “Eledá” à câmara interna, aonde fazemos nossos próprios desejos. Eledumare não nos conta o que vai ou não vai acontecer conosco ou nos dar algum desígnio especial. Tudo aquilo que vemos, desejamos fazer ou transformar, Ele simplesmente abençoa dizendo: “- Que assim seja minha criança!” Quando Wori’ogbe estava indo para a terra, ele fez um pedido, que queria modificar a face da terra, eliminando todo mal e elementos viciosos. Para ser capaz de executar sua tarefa, ele solicitou de Eledumare um poder especial sobre a vida e a morte. Eledumare respondeu que seu pedido estava concedido. Envolvido pelo poder concedido a ele por Eledumare, partiu rapidamente em sua jornada para o Ikole aiyè ([terra]. Seu Eledá o relembrou da necessidade de assegurar seus pedidos com Elenini a mais poderosa divindade, mas ele disse ao seu anjo que não havia força maior que Eledumare e desde que ele tinha obtido autorização divina, não via porque se justificar com alguma divindade inferior. Assim que deixou o palácio divino, Elenini inverteu os desejos de Woribogbe. Na chegada ao Àiyé, ele descobriu que ao contrário de seus pedidos, estava se encontrando por acaso em dificuldades. Veio, a saber, que tudo aquilo que ele pediu estava acontecendo sempre ao contrário. Quando ele rezava para pessoas viverem, eles morriam, enquanto aqueles que ele desejava mortos viviam. Ele se tornou muito amargurado e desiludido, por que ninguém se atrevia a ir até ele para consultar o Oráculo, ou pedir auxílio, desde aquilo que havia feito, pagava muito caro por isso. Após passar fome dentro de sua frustração por algum tempo, ele decidiu retornar ao Ikolè Òrun [céu]. Chegando ao Òrun, ele foi ao seu Eledá que o relembrou do aviso dado a ele antes da partida do Òrun. Foi neste ponto que ele concordou em ir ao Oráculo, aonde foi informado a fazer sacrifícios elaborados para Elenini, a mais velha das divindades. Ele fez o sacrifício e retornou subseqüentemente para o Àiyé para uma vida produtiva e realizada.

Onon alafiá.

 

 

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Em virtude de vários relatos a respeito de duvidas e certezas de que alguém intitulado Sacerdote, fez algo que não devia ou fez de forma errada ou com maldade, o Òmò Odu Iká-Ofun, nos revela alguns aspectos sobre negligencia, má fe e intromissão no culto religioso, seja ele de Òrúnmìlá ou Òrìsá. Temos que ter a certeza de que o sacerdote também tem responsabilidades muito mais altas que neófitos e iniciados, somos um elo e a junção destes elos formará uma linda corrente.

Estes são alguns aspectos dos mandamentos de Ifá, que na verdade totalizam 16, por ser muito extenso, ficamos apenas com esses.

Itan do Odu Ikafun:

II II

I   I

II II

  I  II

Quando os Maiores (os Irunmole) chegaram a Terra, fizeram todos os tipos de coisas erradas que foram avisados que não fizessem.

Então, começaram a morrer um atrás do outro e, desesperados, puseram-se a gritar e a acusar Orunmilá de está-los assassinando.

Orunmilá então defendeu-se dizendo que não era ele que os estava matando.

Orunmilá disse que os maiores estavam morrendo porque não cumpriam os mandamentos de Ifá.

Então IFÁ disse: A habilidade de comportar-se com honra é obedecer aos mandamentos de Ifá, o que é de sua inteira responsabilidade.

A HABILIDADE DE COMPORTAR-SE COM HONRA E OBEDECER AOS MANDAMENTOS DE IFÁ É MINHA RESPONSABILIDADE TAMBÉM.

POSTAREI ALGUNS PARA REFLEXÃO:

1o Mandamento

 Eles, os 16 Maiores, caminhavam em busca da Terra Prometida, Ile Ifé, a Terra do Amor, para pedirem Ire Ariku (o bem da longevidade) ao Deus Supremo, Olofin. Então perguntaram a Orunmilá: “Viveremos vida longa como foi prometido por Olodumare quando foi feita a consulta através do oráculo de Ifá?” E eles (os adivinhos), responderam: “Aquele que pretende vida longa, que não chame a esúrú” (tipo de inhame parecido com pequenas batatas)”. (Chamar esúrú significa falar do que não se sabe).

Significado do 1o mandamento:

O sacerdote não deve enganar ao seu semelhante acenando com conhecimentos que não possui.

Interpretação:

O sacerdote não deve dizer o que não sabe, ou seja, passar ensinamentos incorretos ou que não tenham sido transmitidos pelos seus mestres e mais velhos. É necessário o conhecimento verdadeiro para a prática da verdadeira religião.

Mensagem:

Quem abusa da confiança do próximo, enganando-o e manipulando-o através da ignorância religiosa, sofrerá graves conseqüências pelos seus atos. A natureza se incumbirá de cobrar os erros cometidos e isto se refletirá em sua descendência consangüínea e espiritual.

DIGNIDADE E HONRA – ATRIBUTOS REAIS

2o Mandamento

“Eles avisaram aos Maiores que não chamassem a todos de esúrú”. (Chamar a todos de “esúrú” é considerar todas as coisas como contas sagradas).

Significado do 2o Mandamento:

O sacerdote deve saber distinguir entre o ser profano e o ser sagrado, o ato profano e o ato sagrado, o objeto profano e o objeto sagrado.

Interpretação:

Não se pode proceder a rituais sem que se tenha investidura e conhecimento básico para realizá-los. Chamar a todos de esúrú é considerar a todos, indiscriminadamente, como seres talhados para a missão sacerdotal, o que é uma inverdade ou, o que é pior, uma manipulação de interesses. Da mesma forma que nem todas as contas servem para formar-se o eleké (colar) de um Orixá (como as contas sagradas), nem todos os seres humanos nasceram fadados para a prática sacerdotal.

Mensagem:

Para ser um sacerdote de Ifá ou Òrìsá, são necessários inúmeros atributos morais, intelectuais, procedimentais e vocacionais.

A simples iniciação de um ser profano, desprovido destes atributos básicos e essenciais, não o habilita como um sacerdote legítimo e legitimado.

Da má interpretação e inobservância deste mandamento resulta a grande quantidade de maus sacerdotes que proliferam hoje em dia dentro do Culto de Orunmilá/ Òrìsá.

Ai observa-se a diferença entre “ser bàbáláwo/Olorisá” e “estar bàbáláwo/Olorisá”. Aquele que se submete à iniciação visando tão somente o status de bàbáláwo/Olorisá, jamais será um verdadeiro sacerdote de Orunmilá/Òrìsá. “Estará” bàbáláwo/Olorisá, cargo adquirido pela iniciação, mas jamais “será” bàbáláwo/Olorisá, condição imposta por sua vocação, dedicação e desprendimento. Cabe ao sacerdote que procede a iniciação escolher, com muito critério, aqueles que são realmente dignos do sacerdócio.

 DIGNIDADE E HONRA – ATRIBUTOS REAIS

3o Mandamento  

Eles avisaram que não chamassem forças, da forma errada “ódidé”. (Uma referência às aves noturnas e misteriosas, que se nutrem de sangue. Dar maus conselhos e orientações erradas é expor as pessoas aos perigos de energias maléficas e sem controle).

Significado do 3o mandamento:

O sacerdote nunca deve desencaminhar as pessoas dando-lhes maus conselhos e orientações erradas.

Interpretação:

É inadmissível que um sacerdote se utilize do seu poder e do seu conhecimento religioso para, em proveito próprio, induzir ao erro aqueles que o seguem. Ao agirem desta forma, assumem a postura das aves noturnas que, nas trevas, saciam suas necessidades com o sacrifício e o sangue dos outros.

Mensagem:

Uma das mais importantes funções do sacerdote é orientar seu discípulo, conduzindo-o ao caminho correto, ao encontro do “irê” (boa sorte), de acordo com os ditames estabelecidos por seu Odu pessoal e seus Orixás de cabeça.

Quem chega aos pés de Orunmilá para consultar seu oráculo em busca de soluções, deve ser orientado pelo sacerdote corretamente, independente do interesse deste como olhador.

A pessoa que chega com um problema deve ter seu problema solucionado e não vê-lo acrescentado de outros criados artificialmente com o fito de proporcionar a quem a consulta, vantagens financeiras ou possibilidade de conquistas e abusos.

DIGNIDADE E HONRA – ATRIBUTOS REAIS

4o Mandamento

Eles avisaram que não dissessem que as folhas sagradas do arabá (Ceiba Pethandra), são folhas da árvore “oriro”.

(Tudo deve ser feito de acordo com os ditames e os preceitos religiosos. A simples troca de uma simples folha pode ocasionar conseqüências maléficas ou tornar sem efeito um grande ebó da mesma forma que as folhas do arabá não são iguais às folhas de oriro).

Significado do 4o Mandamento:

O sacerdote não pode, em nenhuma condição, utilizar-se de falsos recursos, fornecendo coisas sem validade religiosa como elementos de segurança ou de culto.

Interpretação:

Os procedimentos litúrgicos devem ser observados integralmente e a ninguém cabe o direito de fazer “isto” por “aquilo” quando em “aquilo” é que está a solução.

Mensagem:

Aquele que se utiliza de meios escusos e enganosos contra seus semelhantes, será culpado do crime de abuso de confiança. Usando de artifícios e mentiras contra as pessoas inocentes e de bom coração, o sacerdote provoca o descontentamento de Orunmilá e a conseqüente ira de Esu, e isto não é bom. Cada entidade espiritual possui um nome individual, de acordo com a determinação de Olofin (Deus). Da mesma forma, cada Esú possui nome e identidade própria, assim como atributos específicos. É inadmissível, portanto, que esta Entidade tão sagrada e importante dentro do culto, seja assentada e entregue de maneira irresponsável, e que aqueles que a recebem permaneçam ignorantes do seu nome, forma de tratamento e especificidade de função.

Sentença: “Orunmilá é aquele que nos olha com amor, não façamos por onde possa nos olhar com desprezo”.

Texto pesquisado na net sem autoria expressa.

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Orixá Olooke

Orixá Olooke é muito pouco conhecido no Brasil, seu culto chegou ao Brasil por volta do ano de 1856 quando da fundação do “Terreiro do Olorokè” em Salvador pelos africanos Babá Irufá cujo nome brasileiro era Jose´Firmino dos Santos e Adebalu cujo nome lendário era Maria Bernarda da Paixão, conhecida pela alcunha de Maria Violão, isto por ser uma negra de um corpo de bonitas formas. Maria Violão já veio da África iniciada para o orixá Olooke, da cidade de Ekiti Efon. Até 1936, quando ela teve seu desencarne, o Axé Oloroke de Salvador festejou Olooke com todo o ritual da Eketi Efon e de toda a região Ijexá sendo que o ritual feito atualmente no Axé Oloroke de Baurú é idêntico ao que era realizado no Terreiro de Salvador, matriz de todos os Efons do Brasil, até 1936. O Babalorixá Paulo do Efon, responsávelpelo terreiro do Oloroke de Baurú, é uma das maiores autoridades do culto de Olooke no Brasil, tendo o título de “Baba Elejoka” (a voz de Olooke) título este que lhe foi conferido pla maior autoridade do culto de Olooke. O Igbá de Olooke também veio da mesma cidade e é venerado por todos os filhos deste Axé.
Entre os Orixás e os Ebora existe um chamado Orixá-Oke. Entre todos os Oke existe um mestre muito importante de nome Olooke, o dono senhor das montanhas. Olooke foi a primeira ligação entre òde-orun e òde-aiye, sendo que ele foi a primeira terra firme, uma montanha que elevou-se do mar a pedido de Olodumarè, segundo o itan do odú Ofun-Mejí. Inseparável de Obatalá instituído para ser o Guardião de todos Orixás na terra.
Olooke é um Orixá/Imolê de costumes próprios e independente de qualquer outro Orixá, não sendo Oxalá, nem Xangô e nem tão pouco Iroko, como afirmam alguns. Sua árvore de culto principal é o “Ataparaja”, árvore que nasce na região de Ekití no alto das montanhas, assim como o Baobá.
As oferendas de Olooke consistem em qualquer tipo de animal, gosta de carneiros, pato, galos, conken e certa espécie de peixe feito de uma maneira especial que não pode faltar em suas obrigações e o porco que é o caminho da riqueza quando sacrificado a Olooke. A Olooke se serve tudo crú e suas carnes (sobras) é dado um destino diferente de todos os outros Orixás. Olooke come também as folhas de Atapajara sempre acompanhadas de muitos Igbís. Esse Orixá tem que comer a cada seis meses, e se isso não for observado a pena poderá ser até a morte de uma das pessoas do Egbé.
“Apenon”, cargo da casa de Olooke é quem sai à sua frente empunhando um grande atorí ou isan com o qual ele abre o caminho para que o Orixá passe e só ande com o chão coberto de panos brancos e folhas, ninguém deve tocar em Olooke, apenas os homens responsáveis do Egbé. As mulheres ficam sempre agachadas e não podem olhar jamais o rosto de Olooke, elas são consideradas as escravas de Olooke e uma mulher nunca poderá iniciar um Olooke, mas eles podem ser iniciadas para Olooke.
Interessante falar sobre o tambor que se toca para Olooke que é o tambor d’água acompanhado do tambor de vento e muito agogô, aliás existem cântigos dele que só se toca com agogô.
Olooke é o rei de todo Ekiti que quer dizer “montanhas esplendorosas” e estando Efon dentro do Ekití esta leva o nome de Ekití Efon e Olooke é o rei desta cidade africana e desta nação no Brasil. Além de um rei, Efon também tem uma rainha, pois foi na cidade de Ekiti Efon que nasceu Oxun e assim Oxun é a a grande Rainha do Efon-Ijexá. Olloke é o guardião de muitos povos no Ekití e lá estão localizadas as maiores rochas onde se praticam seu culto. As mais notáveis destas rochas e montes ficam nas cidades de Ekiti-Efon, Ikere-Eketi e Okemesi-Ekiti. Nobres entre eles são os montes de EkitíEfon no limite ocidental com o estado de Oxun e próximo a Oxogbò, Ikere-Ekiti na parte sul e montes sde AdoÉkiti na parte central. O festival anual de Olooke leva o nome de “Ojokeregede” tanto no Brasil ainda no tempo de Maria Violão, assim como no Tereiro deo Oloroke de Baurú em São Paulo.

Bibliografia: Orixás candomblé e Umbanda
Editora: Minuando/ D&D-Propaganda e Desing
Editorial: Pai Nene D’Osomarè
texto adaptado

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O amor que se acaba

Devido ao número de comentários de homens e mulheres que procuram através de alguns pseudo zeladores, que se dizem feiticeiros, milagreiros, fazem amarrações para o amor, prometem trazer a pessoa amada e tantas outras promessas que, evidentemente, serão previamente muito bem cobradas dentro da falsa “possibilidade” de ter seu amor de volta, que reproduziremos abaixo esse maravilhoso texto do inesquecível Jornalista, Poeta e Senador da República: Sr. Artur da Távola.

Por sabermos do apego, desamor, desgosto, desilusão, egoísmo, e, principalmente, a inaceitabilidade de entender a decisão do fim, dos caminhos que se separam, como numa bifurcação, cada um para um lado, pedimos aos senhores e senhoras que reflitam.

A dor do amor que se acaba*

 Todo casamento que “acaba” já se acabara muito antes. O amor é sentimento tão forte que até para admitir o seu término é necessário tempo. Quando algo estoura ou vem à tona é porque de há muito borbulhava, subterrâneo. Aceitar que o amor acabou é tão difícil como admitir sua existência!

Fico a pensar nos quilômetros de discussões com as quais milhares de casais disfarçam o amor que começa a terminar ou já morreu e começa a tresandar. Penso na dor sorrateira e covarde do amor que começa a acabar.

Penso no sentimento de perda que se instala até nas relações que se tornam frias e distantes. Sofro por pessoas que estão trilhando o doloroso caminho da descoberta dos impasses com o ser amado; a que estão descobrindo defeitos, desencontros, impossibilidades de encaixes e de suplementação nas relações. Penso nos que estão tentando gostar e já não mais conseguindo. Compadeço-me dos que colocam flores e esparadrapo na própria decepção ou no cansaço de suas relações rotinizadas, cristalizadas, congeladas.

A dor do amor que não se realizou gera doloroso sentimento de perda. A perda prescinde do amor. Até onde este não mais existe, ela dói e machuca. O sentimento de perda transcende o amor. Talvez seja maior, como sentimento, que o amor, pois o sentimento de perda dura a despeito de haver acabado. Sente-se a perda da pessoa a quem se amou e sente-se a perda do amor. A perda dói, porque construída de esperanças mortas, pois se é esperança, morta não está. O que se jaz morto em cada perda não é o amor anterior: é a esperança de felicidade e de encontro que não se realizou. Está morto, mas como é esperança ainda vive e o que vive dói. Por isso, o sentimento de perda é complexo e cheio de dobras ilógicas.

O que dói no amor que termina não é o fato de ter acabado. Nesse sentido é até alívio. Dói o fracasso do que poderia ter sido; é a contemplação da morte através da verificação da existência de uma pessoa em nós e no outro que já não existe, que mudou, transformou-se e cresceu ou apodreceu e piorou.

A gradativa aceitação da inexistência do amor é ferrugem existencial difícil de ser aceita. Por isso, o amor passado é dotado de muitas caras e para se proteger dessa ferrugem admite crescer em outras direções igualmente prazenteiras: a da amizade, carinho e compreensão.

 Artur da Távola

*Texto com adaptações

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UMA DEFINIÇÃO DE ODU.

Tão importante quanto nosso òrìsá, nosso Odu tem importância fundamental em nossas vidas. Este texto esclarece como Odu é fundamental em nosso destino.

Há no Brasil uma grande curiosidade das pessoas em conhecer o orisá de cabeça; quem é seu pai ou sua mãe. É compreensível. Creio, porém, que não devemos perder a dimensão de que é mais importante conhecer o odu pessoal que o orisá de cabeça. Vou tentar explicar a razão. Vamos ao primeiro passo.

Odu é uma espécie de signo que rege o nascimento de cada pessoa. A tradição iorubá aponta a existência de 16 Odus principais, cujas combinações perfazem 256 odus. Cada um de nós é regido por um desses Odus ou omó Odu. Cada odu é composto de uma infinidade de poemas, relatando a história da criação e o papel que os orisás e uma série de outras espiritualidades exerceram nessa história primordial. O conjunto dos odus forma, então, o texto canônico sobre o qual se sustenta a tradição de Ifá.

Dentro dos odus estão os caminhos e as possibilidades que cada um de nós carregará para o resto das vidas. Nesse sentido, odu é o destino possível de cada um. Meu odu, por exemplo, contém as coisas que devo evitar os eventos que podem colocar em risco a minha vida, as comidas que me fazem bem, as comidas que me fazem mal, minhas aptidões profissionais, minha relação com meus ancestrais, as folhas que me curam, as folhas que me matam, os ebós que me salvam os orisás que me acompanham… O que salva, no meu odu, pode matar, no odu de outra pessoa. Nenhum homem escapa ao seu odu. Vive os caminhos ire (positivos) ou ibi (negativos), mas não escapa. Odu é o designo de Olorum, o deus maior.

Em cada odu, os poemas relatam as histórias dos orisás e de outros elementos encantados da natureza. Eu, por exemplo, sou filho de Ogum. No meu odu, Ogum não aparece como o guerreiro violento e conquistador. Ogum surge como o inventor do arado; agricultor e mestre ferreiro. A tendência é que a energia de Ogum se manifeste na minha vida dessa forma mais branda.

Tenho irmãos de Ifá filhos de Ogum que, entretanto, possuem odus onde os poemas que envolvem o orisá falam de violência e guerra. É assim que a energia de Ogum pode se manifestar para eles. Não se compreende a natureza do orisá de cabeça sem o conhecimento do odu e dos caminhos em que nele o orisá se apresenta. Para efeito de comparação, quem conhece apenas meu orisá sabe em que cidade eu moro. Já é muita coisa. Quem conhece meu odu pessoal, com seus caminhos, e sabe como a energia do meu orisá se manifesta nele, tem uma cópia da chave da minha casa.

Não se faz – ou não se deveria fazer – santo na cabeça de uma pessoa sem o conhecimento prévio do odu da mesma. Exemplifico. Digamos que o Iywao que vai se iniciar seja filho de Sòngo. Há um dos 256 odus – daqueles famosos, que todo babalawo conhece – em que Ifá revela que a energia de Sòngò é forte demais para ser consagrada na cabeça de alguém. A simples menção do nome deste odu evoca os poderes do fogo. Imaginem raspar Sòngò no ori de um noviço que seja desse signo. Não se raspa em nenhuma hipótese. Assim Ifá ensina assim o sacerdote deve agir. Osa Irosun nos diz em um de seus versos: Só Orunmilá pode revelar o orisá de cabeça de cada pessoa e só Orunmilá pode determinar que orisá deva ser consagrado na cabeça de cada um. É por isso que conheço exemplos louváveis de grandes Bàbá/Iyàlorisá que não fazem orisá na cabeça de ninguém sem antes consultar um babalawo, para confirmar se os procedimentos litúrgicos adotados estão de acordo com as ordens do único orisá que pode estabelecer isso: Orunmilá.

Após essa rápida introdução, surge a dúvida: como se revela o odu de cada um?

Texto compilado na net sem autoria na fonte pesquisada.

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Avlekete ou Averekete é um vodun ligado à pesca e a caça, erroneamente comparado ao orixá Logun Edé e a um outro vodun chamado Ajaunsi. Estas divindades são bem diferentes uma da outra, sendo sincretizados, talvez, pela característica de ambos serem ligados a caça e a pesca, mas a cosmogonia deles é bem diferente.

Logun Edé é um orixá de Ijexá filho de Oxun e Odé, ligado a caça e a pesca, um dos mais belos Orixás, pois assim também a beleza é uma característica de seus pais. Suas cores são o azul turquesa e o amarelo ouro e tem como símbolos a balança, o ofá, o abebè e o cavalo marinho.

Averekete nasceu da união do vodun Sogbo com Naeté (em outros mitos com Naé Agbé), tornando-se então um elo entre os voduns do céu (jí-voduns) e os voduns do oceano (tó-voduns). Desempenha a função de mensageiro entre estes voduns. É visto como um vodun jovem, com idade semelhante a de um adolescente. Vive na beira do mar e tem como símbolos o machado simples, o anzol e o punhal. Suas cores são o azul, o vermelho e o branco. Na Casa das Minas é usado o termo tóquen ( tóqüen ) ou toqueno (toqüeno) para designar Averekete e outros voduns jovens tidos como adolescentes.
No Jeje Mahi, Averekete pertence a família dos Voduns Kavionos (ou Hevioso), visto como o filho mais jovem de Sogbo.

Ajaunsi é um vodun masculino, pertencente ao panteão da terra e extremamente coligado ao universo das Naés (mães d’água). É um exímio caçador e pescador, e vive na beira dos rios acompanhando as Naés. Rege os animais que vivem tanto na terra quanto na água, tais como répteis, anfíbios e alguns pássaros. Divindade da juventude e da alegria, representa a inocência e a pureza, protegendo as pessoas durante a fase jovem. Responsável por todo o aprendizado das crianças, desde fala até mesmo o andar. Suas cores variam entre o azul, o verde e o amarelo. 

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Hunjeve e Laguidibá

Alguns grafam também como Hunjegbe. Trata-se do colar cnhecido como “a joia da nação”, pertencendo exclusivamente a Nação Jeje, embora, devido a mesclas outras nações às vezes fazem uso do mesmo. O Hunjeve é um colar pessoal, entregue a vodunsi quando completa seu ciclo de 7 anos, onde se tornará um Etemi (mais velho), embora alguns defendam que o Hunjeve deve ser entregue na iniciação. Quando a pessoa morre seu hunjeve é enterrado junto a ela depois que todos os preceitos forem realizados.

Vale ressaltar que o hunjeve é pessoal, sendo que não deve ser tocado muito menos usado por quem não seja seu dono. Para cada pessoa há um tamanho específico, assim como a quantidade de contas utilizadas, evidênciando a propriedade do colar. O Hunjeve é o simbolo da ligação vodun x vodunsi.

O Laguidibá é um outro colar também importante dentro da liturgia, confeccionado com chifre de búfalo, na cor preta, pertence aos voduns da família de Sakpata, embora vodunsis de outras famílias também o usem, geralmente depois que ganham cargo.

Os fios de conta

Os fios de conta usados pelas vodunsis, em geral trata-se de colares simples, com uma única “perna” com as contas nas cores correspondentes ao vodun. O colar do(a) zelador(a) pode ser mais trabalhado, porém nada que fuja ao tradicional.

Abaixo as cores das contas referentes aos principais Voduns (como base uso as usadas aqui em casa e também nas casas de amigos que conheço):

Legba: Vermelho e transparente, podendo ser multicolorida;

Ogun: Verde e vermelho, verde musgo ou azul turquesa;

Agué: Verde e branco rajado ou verde e amarelo (alguns usam verde, amarelo e vermelho ou multicolorido);

Odé: Verde ou azul turquesa;

Azansú e demais voduns da família Sakpata: Roxo (ou bordô), preto e branco (varia segundo a escolha do vodun, notando-se uma maior presença do branco para Avimaje);

Loko: Branco rajado de verde;

Sogbo/Badé/Akarumbé: Branco leitoso e vermelho, bordô e branco ou terracota e branco;

Oyá: vermelho, podendo ser também marron terracota;

Kposu: Bordô e branco  ou  laranja rajado de preto;

Averekete: Branca rajada de vermelho e azul, ou contas intercaladas nestas cores;

Nanã: Lilás ou branca rajada de azul marinho;

Aziri Tolá: Amarelo leitoso;

Aziri Togbosi: Miçangas brancas ou pérolas, podendo ser branco rajado de azul claro;

Yemanjá: Miçangas brancas ou transparentes e azul;

Oxun: Amarelo ouro ou amarelo cristal;

Gbèsén (Bessém): Amarelo cristal  ou amarelo cristal e verde cristal;

Frekwen (Kwenkwen): verde cristal podendo ser também a mesma de Bessém;

Dan Jikún (Ojikún): vermelho cristal ou vermelho cristal e transparente;

Ewá: vermelho e rosa;

Lissá: Branco leitoso;

Aido Wedo: cores do arco-íris intercaladas 1 conta de cada cor na sequência;

Dangbalah Wedo: cores do arco-íris 3 contas de cada cor na sequência.

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