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Archive for Agosto, 2017

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Muita coisa estranha ou inconclusiva é dita sobre Logun Ede, e ainda assim há pouca informação, seja séria ou não, sobre essa divindade. Esse texto tem o intuito de reunir algumas informações diferentes das que comummente circulam sobre esse Orixá.
Esta foto tirada por Verger mostra uma sacerdotisa de Logun que porta na mão direita uma espada cerimonial de bronze utilizada no século 19 por mulheres em suas danças. Na mão esquerda está o ofá/arco e flecha.
Enquanto a relação entre Logun e Oxum é bastante clara (como será exposto adiante), a ligação com Erinle, ou Ibualamo, não parece tão justificável assim. Embora seja comum a afirmativa que seu pai seja Erinle, um Oriki Oxum afirma outra coisa:
Orunto olufe li o bi Logun Ede. (Orunto Olufe gerou Logun Ede; tradução de Verger em Notas sobre o culto aos orixás e voduns, pág. 414).
A ligação literal com Erinle que eu consegui encontrar foi num oriki Logun colhido por Verger na cidade de Ilexá, no qual consta um epíteto em comum com o de Erinle, colhido em Ilobu pelo mesmo:
Para Logun: Ala opa fari (Ele mexe os braços fantasiosamente)
Para Erinle: Apa fari (Ele movimenta os braços com imaginação)
Quem é/foi Orunto Olufe que figura nessa cantiga de Oxum exposta por Verger?
Orunto Olufe, provavelmente o mesmo que OBALUFE ORUNTO.
Segundo Bascom “Orunto também é conhecido como rei da cidade de Ife, Obalufe, Oba Ilu Ife” Neste sentido Orunto é considerado um gvernante de Ife pré-Odudua. (trecho de ‘African notes: Volume 8’, University of Ibadan. Institute of African Studies – 1979).
Ainda de acordo com Bascom, “(Orunto…) também conhecido como “Oni do exterior, de fora” (Oni ode) porque ele governa fora do palácio. Em Ife havia chefes externos que eram responsáveis por cada distrito da cidade, Orunto em específico era primariamente responsável pelo distrito de Iremo, mas como nos tempos antigos o Oni só saía em público duas vezes ao ano durante festividades de Orisanla e Ogun, cabia a Orunto a responsabilidade pela cidade inteira no lugar do Oni (por isso era chamado de Obalufe, isto é Rei de Ife).
O porque do chefe desse distrito em particular (Iremo) ser escolhido para essa função justifica o porque Logun ser considerado um príncipe. A afirmação de que essa escolha aponta para uma linhagem anterior a Odudua que teria sido mantida dessa forma parece bem plausível já que o único contato pessoal entre o Oni e o Obalufe, que só ocorre uma vez por ano durante o festival de Edi, acontece na forma de uma batalha simulada.
Em Ijebu-Ife (local tido como a origem do Orunto, conhecido localmente como Balufo Ijaogun) ocorre uma cerimônia na qual os sacerdotes-chefe de Obalufe Orunto são identificados como pessoas que teriam possuido a terra anteriormente à ordem vigente e são eles, não o Oni ou algum sacerdote da linhagem de Odudua, que fazem as oferendas para apaziguar os deuses do solo. John Wyndham afirma em seu ‘Myths of Ife’, que o Obalufe clama ser descendente de Oxum.
A ligação entre Logun e Oxum é reforçada desde que é possível observar sua presença em mais Oriki de Oxum.
Trechos de Oriki a Oxum (Verger, Notas sobre o culto aos orixás e voduns, pag. 415):
Yeye Ologun ede obinrin Pepe bi eni se osu (Mãe de Logun ede, mulher trivial como alguem que prepara o legume osu)
Ologunede o gb(e) èru kò s(e) ayo (Ologunede, aquele que tem medo não pode tornar-se uma pessoa importante)
Na página 418 há uma cantiga (cuja tradução que consta é bem rudimentar) proveniente de Ouidah listada entre as de Oxum, mas entre parênteses está escrito “para Logun Ede”, seguem os trechos que considerei interessantes:
Nigbo ti ko yeye mi (Onde que torna mostrar minha mãe)
Mo ko nigbo Ogun ode (Eu volto a mostrar onde Ogun ode)
Kabo ti ko yeye mi (Onde que encontrar mãe minha)
Akuko nlá a bi(i) di rodo (Galo grande ele com cauda desdobrada)
Se considerada uma correspondência entre as frases (as duas ultimas são referidas como refrão), então a frase ‘Akuko nlá a bii di rodo’ refere-se ao supracitado ‘Ogun ode’.
Algumas pessoas afirmam que Logun possui ligação com Ogun, de fato são Orixás caçadores, mas além disso há um Orixá que possui forte ligação com Oxum cultuado na cidade de Oxogbo chamado Owari, ele é tido como o artesão que fabrica as jóias de cobre que Oxum usa, e a tradição afirma que os filhos são as verdadeiras jóias de Oxum. Se as jóias são os filhos, e o fabricante dos filhos-jóias é Owari, então ele pode ser considerado o pai de Logun Ede, no Brasil existe uma divindade adorada sob o nome de Ogun Wari. Como Ogun, tanto Owari quanto Erinle são considerados artífices metalurgicos. A relação entre Erinle e Oxum se dá tambem quando o curso do rio Erinle atravessa o de Oxum em Ilobu.
Deste modo a paternidade de Logun pode variar de acordo com a região em que Oxum seja cultuada, afinal: Loogun-ede? Osun ni! (Loogun-ede? Ele é Oxum!). Tamanha a ligação entre os dois, é com essa frase que um antigo sacerdote de Oxum em Oxogbo respondeu quando indagado sobre Logun!
E quanto à característica infantil de Logun, cito duas passagens de Oriki:
Abikehin yeye tii yo gbogbo omo omi lenu (Filho mais novo da mãezinha (Oxum) que se diverte com os outros filhos das águas)
Tima l(i) ehin yeye (r)e (Encarapitado nas costas de sua mãe)
A fama de ser muito belo também consta em Oriki:
Okansoso gudugu (Ele é muito só e muito belo)
Oda d(i) ohun (Ele é belo até na voz)
Ajangolo okunrin (Homem esbelto)
Ati bitibi ilebe (Ele usa roupas finas)
O dara d(e) eyin oju (Ele é belo até nos olhos)
Okunrin sembeluju (Homem muito belo)
Com Oxossi também compartilha alguns epítetos:
Logun: Oda bi odundun (Ele é fresco como a folha de odundun)
Oxossi: A bi awo lolo (Que possui a pele fresca)
Seus animais parecem ser o leopardo e o falcão/gavião:
Ekun o b(i) awo fini (Leopardo que tem o pêlo muito belo)
Rere gbe adie ti on ti iye (O gavião pega o frango com suas penas)
Panpa bi asa asode bi ologbo (Rápido como um falcão, aquele que caça como um gato)
Por fim duas frases de seu /oriki que citam nomes de outras divindades (Orumilá e Xapanã):
Okansoso Orunmila a(wa) kan ma dahun (Somente em Orunmila nós tocamos, mas ele não responde)
O je oruko bi Soponna sos pe on Soponna e nia hun (Ele tem um nome como Soponna,
é difícil alguém mau chamar-se Soponna).
Concluo este texto com um trecho de uma tese de doutorado da PUC-SP de autoria de Maria das Graças de Santana Rodrigué, entitulada ‘Orí, na tradição dos Orixás – Um estudo nos rituais do Ile Ase Opo Afonja’, que contém uma informação que só tomei conhecimento muito recentemente:
O templo de Ifá encontra-se, na cidade de Ilé Ifé na Nigéria e no ápice do Monte Ijetí está cravado o sacrário de Ifá, e ao lado na mesma colina está o assentamento do Orixá Logun Edé. Colina encalorada devido a sua constituição rochosa a base de mica, mineral do grupo filosicato e o clima da região ser equatoriano. Lá o orixá Logun Edé é reverenciado e conhecido como o escrivão de Ifá. Durante a visita que fizemos à esse templo, perguntamos ao Sacerdote de Oxalá que nos acompanhava: __ quem é mesmo o orixá escrivão de Ifá? Ele respondeu é Logun Edé. Esse fato ocorreu em agosto de 1989.
Assim espero que esse texto sirva pra pessoas que, como eu, não se contentaram com os textos comumente veiculados na internet e até mesmo em livros sobre o Orixá Logun Ede.

Ológun È̩dé̩

Uma exposição arquetípica.
É Guerreiro Caçador porque guerreia feito um caçador, isto é, planeja, rastreia, persegue os inimigos. Do contrário seria Caçador Guerreiro, acaso fosse um caçador que eventualmente guerreia.
O é dentre os Orixá. Orixá são as potências naturais, pristinas, as matrizes do universo cujos inimigos são os poderes de inércia, de desequilíbrio.
Ológun È̩dé̩ é a “inteligencia bélica” Ideal.
Metamorfoseando-se sempre que é preciso ele incorpora a adaptabilidade da própria vida que é capaz de vencer as adversidades. Esta habilidade ilimitada de transformação simboliza a eficácia em todo e qualquer campo e circunstância.
Lua, leopardo, pássaros e serpentes são alguns de seus elogios, aludindo às suas qualidades de proteção, proeminência, mutação, assertividade, beleza, e prosperidade.
A si w’aju ogun / Líder na vanguarda
A gbè yin ogun / Líder na retaguarda
Apenas o valente vai na frente, e apenas o vitorioso retorna na frente!
Ologun Kin / Guerreiro Poderoso!

Texto e pesquisa: LAURA SVORAZAROVSKI

Postado no site: http://elaquecaminhasobreomar.blogspot.com.br/

Fonte (Nossos Ancestrais]

Postado por Oba Jakutà Olufinran , no grupo “Sou ketu, a nação mais Odara”

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Nação Cabinda não é uma fraude, é uma tradição ancestral do Rio Grande do Sul.

O presente trabalho tem como principal objetivo a defesa da vertente religiosa Cabinda/Kanbina¹, como parte integrante e legítima do Batuque do Rio Grande do Sul².

O proposito deste trabalho é contrapor uma publicação (Cabinda, Qual é a origem da acepção Cabinda?) recentemente lançada via redes sociais e na internet, de que a vertente religiosa de Cabinda/Kanbina seria uma invenção de seu fundador Waldemar (Valdemar) Antônio dos Santos e que não teria valor cultural e religioso, sendo assim, não podendo ser considerada uma forma de culto religioso afro-brasileiro. No decorrer deste artigo apontarei algumas inconsistências e falhas na dada publicação, que nitidamente representa um ataque infundado a uma forma de culto, bem como a seus adeptos e ao seu fundador, o Sr. Waldemar Antônio dos Santos.

1 Uma das questões abordadas no presente trabalho será a nomenclatura da vertente, se a mesma seria Cabinda ou Kanbina.
2 Forma religiosa implantada pelos africanos escravizados e seus descendentes no Estado do Rio Grande do Sul/Brasil, e que posteriormente foi introduzida em outros Estados brasileiros, bem como em países vizinhos tais como Argentina e Uruguai.

Link para acesso ao trabalho completo: https://drive.google.com/file/d/0B7oGeEZgb95gVjZ2dV9FeVVTeU0/view

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A sinergia existente entre o Ebora Sàngó, Àyán e Bàbá Egún Na introdução deste novo tópico vou partir de um interessante Oríkì dedicado ao Ebora descendente Sàngó: – Sàngó Arékùjayé! [Sàngó a ru Eku j’ayé = Sàngó, aquele que realiza o Culto Egúngún, a fim de aproveitar a vida], uma clara demonstração de sua profunda interligação com Egúngún. Para que compreendamos melhor a questão postada neste tópico, é vital relembrarmos que o Ebora Sàngó, representa dinastia, neste sentido simbolizando a imagem coletiva dos Egúngún, enquanto que Egúngún representa a Ancestralidade em si, assim sendo podemos facilmente concluir que são duas faces da mesma moeda. Algumas pessoas afirmam que Sàngó teme Bàbá Egún, isso é no mínimo hilário, pois este poderoso Ebora não teme nada! O que acontece é que ele representa o elemento fogo, assim sendo, o que ele evita é o frio, representado pelos Egúngún. Podemos observar ainda que as vestes dos Ancestrais são na verdade, as vestes do Ebora Sángó, como podemos notar há sim grandes ligações entre eles e diferentemente do que pensam alguns, Sàngó é parte fundamental e integrante do Culto, tanto que os ritmos mais apropriados são o Alujá e o Bàtá. Os Tambores Falantes[Bàtá]instrumento de percussão yorùbá pertencente aos “Àyánbí ou Omo Ayán”[nome dado a todos os membros de uma família Yorùbá que cultuem os tambores Batá], marcam o ritmo da dança Bàtá que é rápido e energético, sempre acompanhando os Rituais de Sàngó, bem como as aparições dos Alárìnjó[Alárìnjó, é uma prática teatral[mascarada]secular e itinerante de cunho altamente satírico realizada pelo povo yorùbá], Agbégijó, Apidán e Eégún Alare[Alárì]. Retornando mais especificamente a Sàngó e Egúngún, percebemos então que são dois níveis similares e opostos, mas que representam a Ancestralidade[Dinastia e Antepassados]. Enfim, é bom abordarmos este tópico por que a Ancestralidade é a “Raiz”, e não se Cultua Òrìsà apropriadamente sem a raiz, ou seja, sem Cultuar Egúngún. Há algum tempo venho trazendo a luz temas quase desconhecidos da grande maioria, sei que alguns de meus tópicos podem até causar alguma polêmica, más isso é apenas um efeito colateral passageiro, pois acredito que somente buscando e dividindo informação sustentada e concreta possamos de fato evoluir nossos conceitos sobre a Ancestralidade. Quanto ao Ebora Sàngó, há duas concepções, uma histórica e outra religiosa e algumas pessoas às vezes confundem as duas. Aqui tratarei somente da que me é afeto, ou seja, a concepção de que este Ebora descendente é o símbolo do elemento fogo, sendo o representante deste elemento sob o seu aspecto mais forte. Sàngó é um ícone de dinastia, e nesse aspecto em particular, torna-se a contrapartida de Bàbá Egún [Representante da Ancestralidade por excelência]. Então podemos observar que os dois se locupletam, nunca percamos de vista que a Cultura Religiosa Indígena Tradicional Africana, bem como a Afro-descendente se baseiam em binários opostos. Sàngó enquanto representante de dinastia tem profunda ligação com Ikú, más é sempre bom lembrar que a morte segundo o pensamento africano não é o fim, más sim o início de uma nova etapa ou ciclo. Quanto a temores, por certo nosso pai Sàngó nada teme haja vista que é um Ebora, e acredito que com o devido tempo, caiam por terra algumas crendices sobre o poderoso Sàngó. O que acontece é que na realidade, ele por ser um símbolo do quente[vermelho, fogo] evita o frio emanado por Egúngún, nada mais. Volto a frisar que as deidades não têm fronteiras, somente os homens a tem, se notarmos bem encontramos neste tópico uma profunda sinergia entre o Ebora Sàngó, Àyán a deidade dos Tambores Bàtá, Egúngún e Alárìnjó[Eégún Alare]. O que nos mostra claramente que nem tudo é aquilo que a princípio parece, e que existem explicações lógicas para tudo aquilo que praticamos dentro da nossa Fé.

Texto: Ifagbenusola

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