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Archive for Abril, 2011

uSòhòkwè (lê-se Soroquê) é um vodun filho de Mawu e Lissá, cujo elemento principal é o fogo. Muitas são as dúvidas relacionadas a esse vodun. Devido a mistura de cultos, já explicada em outros tópicos, Sòhòkwè passou a ser aglutinado na cultura yorubá, passando a ser confundido com um dos caminhos de Ògún. Segundo o mito yorubá, Ògún Sòhòkè (lê-se Xoroquê) é o Ògún que desceu as montanhas, sendo o senhor das trilhas e do fogo líquido onde, Xòrò deriva do termo yorubá “Sòròrò” ou “Xòròrò” que significa descer ou escorrer e,” òkè” significa montanha. Segundo os mais velhos é um Ògún muito arredio, sendo muito coligado ao seu irmão Èsú e tendo todas oferendas e fundamentações com o mesmo. Dizem ainda que essa “qualidade” de Ògún tem muito fundamento com ègún, sendo ele responsável por todos aqueles que desencarnam em acidentes na estrada ou linha férrea. Em outras casas, Sòròkè deixou de ser uma qualidade de Ògún e passou a ser um Èsú , com as mesmas características do Ògún Sòròkè porém, sendo fundamentado como qualidade de Èsú e passando a ser cultuado como o mesmo. Mas para nós de jeje, Sòhòkwè não é nem Èsú nem Ògún e, sim um vòdún independente, com culto próprio e de características próprias que acabou por ser fundido a cultura desses dois òrísás por ter coisas em comum. Isso ocorreu também com outras divindades como Agbé, Aboto, Azansu, Sogbo, Intoto e outos mais que acabaram aglutinados a cultura de outras deidades africanas, talvez por falta de estudos ou fundamentos. Sòhòkwè é o guardião das casas de jeje, onde Sòhò(lê-se sorrô) significa guardião e kwè(lê-se Qüê) significa casa. Seu assentamento é fixado ao chão, cravado na terra, ao lado do assentamento do vodun Légbà, vodun Ayizan e do vodun Gú (Ogun). Sòhòkwè não é iniciado na cabeça de nenhum adepto pois o mesmo não incorpora. É iniciado apenas na cabeça de ogans e ekedis e possui a função de manter a ordem dentro das casas de jeje, punindo e cobrando quem as derrespeita. Sòhòkwè é o caminho formado pela lava após ser expelida do vulcão, possuindo muito fundamento com Badé, Sògbò e outros voduns que moram nos vulcões e que estão ligados ao fogo e também com Oyá. Sua cor é o Azul escuro e o vermelho, seu dia da semana a segunda-feira . Geralmente quando aparece um filho rodante com arquétipo de Sòhòkwè geralmente é iniciado para Ogun.

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Quantas vezes nos pegamos pensando sobre esse tema. Sonhamos com nosso òrìsá ricamente vestido, bailando no salão lotado, a vaidade suprema sem maldade que aflora e povoa nossos pensamentos.

Será que òrìsá é pura vaidade? Será que temos uma disputa interna dentro de cada Ilé, ou dentro de nós mesmos, para saber qual òrìsá dança mais, qual tem o ilá mais bonito, qual rosto mais se modifica, quem recebe mais elogios dos visitantes e dos mais velhos?

É uma questão de foro intimo, será que existe?

Será que estamos praticando religião ou campeonato de vaidade?

Ando pelo Mercadão de Madureira, Rio de Janeiro, olho estarrecido as roupas e os adereços dos òrìsás, estaremos rivalizando com a Marques de Sapucaí? Os aderecistas destas roupas parecem que vieram dos barracões das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, são tantos penduricalhos e enfeites desnecessários, que me pergunto, EVOLUÍMOS?

Olho pessoas ‘babando’ com esses balangandãs, visualizando seu momento de glória, as vozes se alteram e os gestos ficam mais largos, será isso mesmo ou eu viajo demais na mente das pessoas?

Os igbás dos òrìsás são puras fantasias, usam uma massa chamada durepoxi, e esculpem rostos, armas e sei lá mais o que…

Onde será que tudo isso irá nos levar? Passo olhando por todas essas coisas e vejo a humildade do òrìsá, saindo do fundo do barracão com os pés descalços, sinalizando a beleza com humildade, preciso decifrar isto ou ficou claro?

Não me cabe insinuar que òrìsá não é beleza / riqueza, é sim, e o Odu Ose nos fala disso, precisamos sim nos desvencilhar da vaidade interior. Cuidar de nossas atitudes exacerbadas dentro do culto.

Quando sou convidado para uma saída de Yawo reparo o olhar do abiã se colocando dentro de todos aqueles aparatos e pensando: Não vejo  minha hora chegar, será que vou aprender tudo direitinho, será que na hora que o ohun (run) virar vou saber que é para fazer isso ou aquilo. O objeto da oração esta exposto, é o ser humano, ou melhor, dizendo “O MEU ÒRÌSÁ”.

Não gente, não é nada disso. A responsabilidade repousa nos ombros dos mais velhos, ou será dessa geração de internautas ávidos por conhecimentos e com material disponível, porque o inicio de uma ‘iniciação’ passa pelo ‘jardim de infância’, o tempo de aprender, ouvindo, calando, varrendo, limpando, servindo, aproveitando para observar a tradição de uma casa de òrìsá, vigiando e domando a vaidade.

Os momentos de silêncio são sublimes, poucos sabem aproveitar, os ensinamentos sobre vários assuntos, não tem o mesmo peso para muitas pessoas, enquanto uns querem por que querem saber essa coisa de qualidade de òrìsá, esquecem a essência do próprio òrìsá, esquecem do Ori. Onde tudo começa e onde tudo termina.

Porque queremos seguir essa religião de negros africanos?

Que religião é essa?

O que ela prega?

O que é òrìsá?

O que estou fazendo neste Mundo, o que é atunwá, (reencarnação) como ela se dá?

Os espiritos Abikù será que todos acham mesmo que é uma coisa diferenciada, para se vangloriar?

A sociedade Ogboni, Elemeré, Òrò, Geledè, como será que se encaixam na nossa vida?

Qual a função do Bàbálawo, do Oluwo,  do  Arabá?

As Feiticeiras, os Osos / Oniseguns e seus afosés, pra que servem?

Será que Olodunmarè, Elá, Òrúnmìlá, Ifá, Oduduwá, Odu, Egungun, Eiyelé e Esù, são assuntos que temos que nos abster de saber ou tentar ter uma visão do geral, para entendermos o culto como um todo?

Esù, um capitulo a parte de todo Universo espiritual, Esù escravo de òrìsá!! Onde ‘cara pálida’? De onde surgiu tal informação? Esù mensageiro, após receber sua parte, isso sim podemos dizer.

Mas será que Esù é só isso mesmo? O Bara pessoal, aquele que nos movimenta e movimenta uma formiga, uma folha, o Universo, o que será isso?

Oseturá o Sr. do portal, sem o qual ninguém chega ao Criador.

Que Energia é essa, força anímica do Todo, Irunmolé e Òrìsá, Duplo /Único, Dúbio / Singular, Agbá /Ómóde, Obirin / Okunrin, Obasin, o Fiscal do Universo e dos Òrìsás, Legislador do Universo, O braço forte de Olodunmarè, Onibode Orun (porteiro do céu). É por ele que iremos passar ao atravessar a fronteira do Aiyé / Orun e a ele vamos dar ciência de nossos atos em vida, Ìwá Pèlé, tem tanta coisa a mais para se falar desta Energia.

Porém voltemos ao ponto de partida, ao Ori, o principal òrìsá da nossa vida, aquele que nos permite tudo, até termos um òrìsá para nos abençoar.

Vemos tanta maldade e malicia neste mundo louco e pedimos força ao nosso òrìsá e esquecemos-nos de pedir a Ori que nos permita ser abençoado e nos abençoe e que nos permita ter sabedoria e humildade.

Creio que temos um bom prato para ser saboreado e discutido, que estas indagações sirvam de estimulo e agucem a curiosidade de vocês.

Ire o.

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Ng’oma ou ngoma (expressão que significa “tambores”) é o tambor típico encontrado em toda a África bantu, construído esticando uma pele de animal sobre um cilindro de madeira. O seu uso foi levado pelos escravos negros por todo o mundo. No Brasil é usado nas cerimónias do candomblé.

É semelhante às congas.

O Atabaque de Origem Africana, hoje muito utilizado nos cultos aos Jinkisi – Orixás e Voduns, de religiões também de origem afro, É na verdade o caminho e a ligação entre o homem e e seus Jinkisi”, os toques são o código de acesso e a chave para o mundo espiritual. Existe informação sobre o atabaque escrita sob duas perspectivas diferentes:

O atabaque enquanto objecto sagrado no candomblé, Batuque e Xambá

De origem africana, o atabaque é usado em quase todos rituais afro-brasileiro, típico do Candomblé e da Umbanda e de outros estilos relacionados e influenciados pela tradição africana. De uso tradicional na música ritual e religiosa, empregados para convocar os Jinkisi.

O atabaque maior tem o nome de RUM o segundo tem o nome de RUMPI e o menor tem o nome de LE.

No Angola não temos o nome de cada um, chamamos simplesmente de Ngoma, podemos falar Ngoma Hianga, Ngoma

Os atabaques no candomblé são objetos sagrados e renovam anualmente esse Axé. São usados unicamente nas dependências do terreiro, não saem para a rua como os que são usados nos Afoxés, estes são preparados exclusivamente para esse fim.

Geralmente os atabaques são encourados com os couros dos animais que são oferecidos aos Jinkisi, independente da cerimônia que é feita para consagração dos mesmos quando são comprados, o couro que veio da loja geralmente é descartado, só depois de passar pelos rituais é que poderá ser usado no terreiro.

O som é o condutor do Ndanji do Jinkisi, é o som do couro e da madeira vibrando que trazem os Jinkisi ao nosso convívio, são sinfonias africanas sem partitura.

         Os atabaques do candomblé só podem ser tocados pelo Alagbê (nação Ketu), Xicarangoma (contração de Kuxika ria N’goma ou tocadores de atabaque – nações Angola e Congo) e Huntó (nação Jeje) que é o responsável pelo RUM (o atabaque maior), e pelos ogans nos atabaques menores sob o seu comando, é o Alagbê que começa o toque e é através do seu desempenho no RUM que o Jinkisi vai executar sua coreografia, de caça, de guerra, sempre acompanhando o floreio do Rum.

Os atabaques são chamados de Ilú na nação Ketu, e N’goma na nação Angola, mas todas as nações adotaram esses nomes Rum, Rumpi e Le para os atabaques, apesar de ser denominação Jeje.

Essa é a diferença entre o atabaque do candomblé e do atabaque instrumento musical comprado nas lojas com a finalidade de apresentações artísticas, que normalmente são industrializados para essa finalidade.

Com a modernidade do candomblé que é uma coisa natural, existem hoje em dia atabaques de tarrachas, o que não são usados em casas tradicionais, que usam o encordoamento, ou seja, ele é encourado com cordas e cunha.

Enfim, Os N’goma ou Atabaques ou Ilús, como vimos são objetos sagrados, e com a capacidade de seus toques e vibrações, convocar o N’kisi, o Orixá ou o Vodum para vir na terra.

Tata Euandilu

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A Casa das Minas

Casa das Minas é o terreiro de tambor de mina mais antigo de São Luís. Foi fundada em 1840 por escravizadas(os) africanas(os) procedentes de Dahomey, atual República do Benin. As(Os) africanas(os) denominavam a Casa de Querebentã de Zomadonu. A fundadora do terreiro, conhecida como Maria Jesuína, era consagrada ao vodun Zomadonu, o dono da casa. Segundo as pesquisas realizadas por Pierre Verger revelaram que a Casa das Minas foi fundada pela rainha Nà Agontimé, viúva do Rei Agonglô (1789-1797) e mãe do Rei Ghezo do Daomé. Em Colóquio da UNESCO, em São Luís, no ano de 1985, para discutir Sobrevivências das Tradições Religiosas na América Latina e Caribe é assinalado que:“A casa fundada no Brasil pela Rainha Agontimé, mãe do Rei Ghezo, condenada à deportação a seguir a um ajuste de contas no seio da família real, antes que seu filho ascendesse ao trono do Dahomey em 1818 e lançasse uma vasta operação de busca a sua mãe. A comunidade da Casa das Minas, com base na família, continua a tradição religiosa real de Zomadonu […]” (UNESCO: 1986, p. 34). A Casa das Minas possui uma organização matriarcal, sendo, portanto, chefiada por mulheres. Começando pelas mães: Na Agontimé, Luísa, Hosana, Andresa Maria (uma das mães mais conhecidas da Casa das Minas, que a governou entre 1914 e 1954)e Leocádia (Vodunsi Gonjai). Depois vieram as mães: Anéris Santos, Manoca, Filomena, Amância, Amélia Vieira Pinto até chegar à Mãe Deni. Mãe Deni, vodunsi de Toi Lépon, é a nona dirigente da Casa. Os voduns da Casa são agrupados em quatro famílias principais: Davice (a mais importante); Dambirá; Quevioso; e Savalunu. Tambor de Mina é o nome dado à religião de origem africana no Maranhão. O modelo de organização dos terreiros de tambor de mina é muito influenciado pela Casa das Minas que foi tombada pelo IPHAN em 2002.

Os Voduns do Tambor de Mina

Os voduns cultuados na Casa das Minas são em sua grande maioria vindos da cultura do povo Gen do sul do Benin, e estão sob o comando de Zomadonu, embora a grande comandante da casa seja Nochê Naé.

“O panteão da Casa das Minas”

“Embora a Casa das Minas não tenha originado outras casas de culto, sua estrutura e panteão tem sido um modelo para outras casas.
Os voduns, deuses do povo fon ou jeje são forças da natureza e antepassados humanos divinizados. Os voduns cultuados na Casa das Minas estão agrupados nas famílias de Davice, Dambirá, Savaluno e Queviossô (Ferretti, 1989, 1996).
Alguns voduns jovens chamados toqüéns ou toqüenos cumprem a função de guias, mensageiros, ajudantes dos outros voduns. São eles que “vêm” na frente e chamam os outros. Têm cerca de quinze anos de idade, podendo ser masculinos ou femininos, pertencendo a maioria à família de Davice. Nos clãs de Quevioçô e Dambirá são os voduns mais jovens que desempenham esse papel.
Além dos voduns, fazem parte do panteão da Casa das Minas as Tobôssis, divindades infantis femininas, consideradas filhas dos voduns, recebidas pelas dançantes com iniciação plena, as chamadas vodúnsi-gonjaí. As princesas meninas não vêm mais na Casa das Minas. Com a morte das últimas vodúnsi-gonjaí, parte do processo de iniciação se perdeu, de modo que as dançantes remanescentes não tiveram iniciação no grau de gonjaí, de senioridade. E as Tobôssis não vieram mais na Casa das Minas. Diferentemente dos voduns, que podem manifestar-se em diferentes adeptos, a Tobôssi, na Casa das Minas, é considerada entidade única, exclusiva de sua vodúnsi-gonjaí, e que desaparece com a morte da dançante que a recebia, não se incorporando depois em mais ninguém.

Os voduns e suas famílias

Conforme estudos exaustivos de Sérgio Ferretti já citados, assim se configura o panteão dos voduns na Casa das Minas, família por família:

Família de Davice

A Família de Davice reúne os voduns da família real do Abomey, no antigo Daomé, atual Benim, e é composta dos seguintes voduns:
Nochê Naê, Mãe Naê – a vodum mais velha e ancestral mítica do clã. Chefe das Tobôssis e considerada a Mãe de Todos os Voduns
Zomadônu – o dono da Casa das Minas e chefe de uma das linhagens da família de Davice. Rei e pai dos toqüéns Toçá e Tocé (gêmeos), Jagoboroçu (Boçu) e Apoji. Zomadônu é filho de Acoicinacaba.
Acoicinacaba (Coicinacaba) – pai de Zomadônu e filho de Dadarrô.
Dadarrô – chefe da primeira linhagem da família; vodum mais velho da família de Davice. Casado com Naedona e pai de Acoicinacaba, portanto, avô de Zomadônu. É pai de Sepazim, Doçu, Bedigá, Nanim e Apojevó. Representa o governo e é protetor dos homens de dinheiro.
Naedona (Naiadona ou Naegongom) – esposa de Dadarrô e mãe de Sepazim, Doçu, Bedigá, Nanim e Apojevó.
Arronoviçavá – irmão de Naedona, é cambinda (mas considerado jeje por outras casas).
Sepazim – princesa casada com Daco-Donu, com quem teve um filho chamado Tói Daco, que é toqüém.
Daco-Donu – marido de Sepazim, pai de Daco.
Daco – filho de Sepazim e Daco-Donu. Toqüém.
Doçu (Doçu-Agajá, Maçon, Huntó ou Bogueçá) – jovem cavaleiro, boêmio, poeta, compositor e tocador. Pai dos três toqüéns Doçupé, Nochê Decé e Nochê Acuevi.
Doçupé – filho de Doçu. Toqüém.
Nochê Decé – filha de Doçu. Toqüém.
Nochê Acuevi – filha de Doçu. Toqüém.
Bedigá – também cavaleiro como o irmão Doçu. Aceitou a coroa do pai Dadarrô que Doçu tinha recusado. Protetor dos governantes, advogados e juízes.
Apojevó – filho mais novo de Dadarrô. Toqüém.
Nochê Nanim (Ananim) – filha adotiva de Dadarrô, criou Daco (neto de Dadarrô) e Apojevó (seu irmão mais novo).

Família de Savaluno

Família de Savaluno. É uma família de voduns amigos da família de Davice. Não são jejes e são hóspedes na Casa das Minas.
Topa – um vodum solitário, o qual tem mais dois irmãos, Agongono e Zacá.
Zacá (Azacá) – vodum caçador.
Agongono – vodum que se relaciona com os astros; amigo de Zomadônu e pai de Jotim.
Jotim – filho de Agongono. Toqüém.

Família de Dambirá (Damballah)

Família de Dambirá. Reúne os voduns da terra, ligados às doenças e às curas.
Acóssi Sapatá (Acóssi, Acossapatá ou Odan) – curador e cientista, conhece o remédio para todas as doenças. Ficou doente também por tratar os enfermos. Pai de Lepom, Poliboji, Borutoi, Bogono, Alogué, Boça, Boçucó e dos gêmeos Roeju e Aboju.
Azile – irmão de Acóssi. Também é doente.
Azonce (Azonço, Agonço ou Dambirá-Agonço) – irmão de Acóssi e Azile, o único que não é doente. É velho e é nagô. Pai de Euá.
Euá – filha de Azonce, também é nagô.
Lepom – filho mais velho de Acóssi. Vodum velho.
Poliboji – também vodum velho.
Borutoi (Borotoe ou Abatotoe) – vodum velho. Usa bengala.
Bogono (Bogon ou Bagolo) – diz-se que se transforma em sapo.
Alogué – diz-se que é aleijado.
Boça (Boçalabê) – mocinha alegre, está sempre com o irmão Boçucó. Toqüém.
Boçucó- outro dos irmãos mais novos. Toqüém.
Roeju e Aboju – irmãos gêmeos. Ambos toqüéns.

Família de Quevioso

Família de Quevioso. É família de voduns considerados nagôs, embora não sejam orixás (entre eles, apenas Nanã é cultuada nos candomblés de orixá, tendo sido incorporada ao panteão iorubá desde a África, assim como seus filhos Omulu e Oxumarê). Quase todos são mudos para evitar que revelem os segredos dos nagôs ao pessoal da Casa das Minas, onde são hóspedes de Zomadônu.
Nanã (Nanã Biocã, Nanã Burucu, Nanã Borocô ou Nanã Borotoi) – diz-se que é de Davice mas auxilia Quevioso. É a nagô mais velha, a que trouxe os outros. Alguns dizem, ser ela a mesma Nochê Naé e a mesma Vó Missã dos nagôs.
Naité (Anaité ou Deguesina) – mulher velha que representa a lua.
Nochê Sobô (Sobô Babadi) – considerada mãe de todos os voduns de Quevioçô (Badé, Lissá, Loco, Ajanutoi, Averequete e Abé). Representa o raio e o trovão.
Badé (Nenem Quevioso) – representa o corisco. Equivale a Xangô entre os nagôs. É mudo e se comunica por sinais.
Lissá – vodum dos astros. Representa o sol. É vadio e anda muito. Também é mudo.
Loco – representa o vento e a tempestade. Também é mudo.
Ajanutoi – é surdo-mudo e não gosta de crianças.
Abé – vodum dos astros, como Loco. Representa o cometa, uma estrela caída nas águas do mar. Vodum jovem e mulher. Uma dos poucos do clã que falam. É toqüém. Corresponde ao orixá Iemanjá dos nagôs.
Averequete (Verequete) – Também fala e é toqüém.
Há dois voduns amigos da família de Quevioso que tomam conta dos filhos de Dambirá. São eles:
Ajautó de Aladá (Aladanu) – amigo da casa. Pai de Avrejó. É velho e usa bengala. Ajuda Acóssi, que é doente. Mora com o povo de Quevioso. É rei nagô, protetor dos advogados.
Avrejó – Filho de Ajautó. Toqüém.

Legba ou Legbara, figura comum nas religiões afro-brasileiras, conhecido em outras “nações” pelo nome de Exu, é a divindade que assume a função de trickster ou trapaceiro. Não tem culto organizado na Casa das Minas, onde é identificado com Satanás, o Mal. Não é aceito como mensageiro, mesmo porque quem realiza essa função são os toqüéns. Apesar de não ter culto organizado, verificam-se uns poucos gestos rituais ligados a Legba, como por exemplo, certos cânticos pedindo para que Legba se afaste, que são cantados ao início de todo tambor. Ocupa, entretanto, lugar importante em outros terreiros influentes de São Luís.
Há outros voduns do tambor-de-mina que não aparecem nesta classificação por não serem referidos na Casa das Minas, mas que são cultuados em outros terreiros, como Boço Jara, Xadantã e Vondereji presentes na Casa de Nagô.”
Nas Pegadas dos Voduns. Um terreiro de tambor-de-mina em São Paulo. Reginaldo Prandi).

Existe também o Tambor de Mina Nagô, onde são cultuados alguns Orixás, juntamente com os voduns. A Casa de Nagô (Nagon Abioton), fundada por africanos de tradição yourubá, mais precisamente, de Abeokuta, deu origem a outros terreiros de São Luís, em que são recebidas entidades africanas jeje-nagôs, como: Doçu, Averequete, Ewá, Aziri, Acóssi, Nanã Buruku, Xapanã, Ogum, Xangô, Badé, Locô, Iemanjá (Abê), Lissá, Naeté, Sogbô, Avó Missã.

No culto do Tambor de Mina, assim como no Batuque do Rio Grande do Sul, ainda existe muito sincretismo, sendo que nas casas de Tambor de Mina há um local destinado exclusivamente para os santos católicos (é erguida uma espécie de capelinha) e é devido a isso a Casa das Minas considerar o Legba um ser do mal, embora outras casas o tenham como um Vodum importantíssimo.

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Preto-Velho

Durante o período da escravidão muitos milhares de crianças, mulheres e homens foram comprados em mercados de escravos africanos e trazidos para o Brasil. Aqui trabalharam duramente construindo a nova nação. Sofreram todo tipo de maus-tratos e humilhações quando ensaiavam qualquer forma de revolta contra a condição escrava, ou porque seus donos consideravam natural tratá-los assim. E, apesar de tudo, ainda tiveram forças para reconstruir sua cultura e sua religião na nova terra contra toda a oposição que encontraram. O tempo passou, a escravidão terminou e, pouco a pouco, as religiões de origem africana puderam crescer.

No início do século XX, nasceu a Umbanda e, nela, os espíritos dos antigos escravos começaram a se mostrar em toda a sua realidade de almas bem-aventuradas, espíritos cheios de luz. Temperando sua grande sabedoria com imensa bondade de seu coração os chamados Pretos-Velhos e Pretas-Velhas se aproximaram de nós, seus fiéis, para, através de seus conselhos, resolver as nossas dúvidas, iluminar os nossos caminhos e curar os nossos males.

Os Pretos-Velhos moram no reino de Aruanda, do outro lado do oceano, para onde retornaram em espírito, e toda a sua ancestralidade familiar. Quando escutam os cântigos nos terreiros, vêm de lá visitar seus “netos” que vivem no lado de cá. Estes espíritos de luz (eguns), ao se manifestarem entre nós, nos dão uma grande lição: o valor do indivíduo deve ser apreciado por seus atos, e não por sua aparência. Assim é que esses grandes guias não são reis e nem mestres, mas pais, tios, tias, vôvos e vovós.

Os Pretos-Velhos se vestem com simplicidade, usam branco e preto; relembram seus tempos antigos no gosto pelo cachimbo, bom café sem açúcar, o fumo mascado. Um rosário e uma bengala costumam ser seus acessórios preferidos. Como fazem parte das Almas bem aventuradas, sua saudação é: Adorei as Almas!

A festa do dos Pretos-Velhos é realizada no dia 13 de maio, data da assinatura da lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil.

A linhados Pretos-Velhos também é chamada Linha das Almas, Iorimá ou linha Africana. Seu chefe supremo é São Cipriano. É constituída de grande grau de desenvolvimento, conhecedores de todos os segredos da magia, e que empregam seu saber na prática da caridade. São conselheiros, protetores e curadores. A linha é dividida em sete Legiões:

Legião do povo d Angola, chefiada poe pai José

Legião do povo de Bengala, chefiada por pai Benguela

Legião do povo da Costa chefiada por Pai cambinda

Legião do povo do Congo chefiada por Rei do Congo

Legião do povo de Guiné chefiada por Zum Guiné

Legião do ovo de Luanda chefiada por pai Francisco

Legião do povo de Moçambique chefiada por pai Jerônimo

O que mais me chamava a atenção nos Pretos-Velhos era a disponibilidade de nos atender, o carinho, atenção, a maletinha com fitinhas, terços, patuás, pemba, mandingas, peninhas, etc. Lembro de uma rezadeira que minha mãe me levou quando era pequeno e tinha cobrelo, aquela ferida que nunca fechava bem na barriga e outra no joelho, que vergonha que medava, era horrível aquela ferida, pois com 3 rezas fiquei curado, foi secando, secando e secou! Era uma Preta-velha do Congo, se não me engano, resmungava baixo, os olhos quase não abriam, e me sinto agradecido até hoje.

Bibliografia: Cantigas de Umbanda organização Eneida Gaspar.

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ORIKI (INVOCAÇÃO)

Por: Sikiru salami.

A palavra Oriki, é formada por duas palavras, Ori = Cabeça e KI = Louvar / saudar.

Então Oriki significa, saudar ou louvar a algo que estamos nos referindo.

Sendo as palavras portadoras de força e asè, dá-se aos orikis o poder de invocarem por si próprios a força vital.

Com a importância a ele atribuída, sua entonação sempre emociona as pessoas a quem são dirigidos. Falam de seus feitos e virtudes, suas características e fraquezas, tendo assim valor documental, pois registrou e registra passagens importantes da cultura tradicional Yorubá.

Usamos os orikis por várias razões, direcionados a um òrìsá, egungun, entes queridos, casamentos, komojade, relatam episódios de bênçãos, ressaltam animais e plantas. Quando referido a òrìsá, enfatizam-se suas qualidades e realizações, pois tais chamamentos acreditam-se, tornam-se infalivelmente ouvidos e as oferendas recebidas.

Assim sendo, servem para louvar e pedir auxilio do ALTO.

Os òrisas podem receber o oriki ou o pipe (chamado): oriki Sòngo ou Sòngo pipe, oriki Esù ou Esù pipe, oriki Òyà ou Òyà pipe. Para outros òrìsá usamos apenas o termo oriki, Yemonja, Òba, Òsun e etc.. Estes são devidamente somente alguns exemplos.

Os orikis são repetitivos em algumas palavras, citamos como exemplo os orikis de Sòngo que incluem: Olukoso, e Òba Koso ( orei que não se enforcou), Alado (aquele que racha pilão), Ogiri èkun (leopardo feroz), Asangiri (aquele que racha parede), Alagiri (aquele que abre paredes), Alafin Òyò ( rei de Òyò). Os relativos à Òyà são:

Òyà oriri (o vendaval), Ti ndagi lokeloke ( a que corta a copa das árvores), Òyà ariná bora bi aso (Òyà vestida de fogo). Os de Òsun relatam: A fide rémó ( a que enfeita seus filhos com braceletes de bronze), O wa yanrin wa yanrin kowo si ( a que cava e cava a areia para esconder suas riquezas). Os relativos à Òba incluem: O jowu obirin ( a mulher ciumenta), To t’Ori owu kòla si gbogbo ara ( a que por ciúmes se cobriu de incisões ornamentais).

Tanto os sacrifícios como os orikis são primordiais para que se tenha a presença do orisa ou dos ancestrais e sua entonação pode facilmente induzir ao tranze. Pessoas iniciadas no culto a determinado orisa podem entrar neste transe ao ouvir esta recitação.

Oriki-orilè é a denominação de orikis referentes ás linhagens. Pode ser dirigida a família ou a um de seus membros, com o intuito de louvar seus ancestrais, demonstrar apreço ou aplacar sua ira.

Usado para rememorá-los e dar conhecimento aos mais novos dos feitos de seus antepassados.

Orikis deste tipo não usados para causar emoções apenas louvamos o reconhecimento dos predicados dos antepassados, onde enfatizamos sua profissão, gosto alimentar e outras de suas particularidades.

Esta modalidade é usual entre os Yorubas, quando temos eventos como casamentos, komojade, inauguração de casa, ritos fúnebres e etc..

Existem pessoas especializadas nestes oriki-orilé, que sempre são convidadas para fazer estas recitações.

Os nascimentos têm um oriki diferenciado, chamado de oriki amutòrunwa, que narram as circunstancias do nascimento da criança. Os gêmeos são saudados com oriki-orilè e oriki amutòrunwa, especialmente dedicados a eles.

Nos funerais de anciãos os oriki-orilè são entoados pelas mulheres e no caso de caçadores se faz o mesmo.

Nota-se que estes chamados são para invocar a presença do homenageado.

Em caso de viagens são entoados em forma de benção relembrando suas profissões, motivo da viagem e Ewó  (interdições).

Lembramos, porém, que existe uma relação entre oriki-orilè e Ila-oju (marcas faciais), ambos servem para identificar suas linhagens, constituindo sinais de identidade familiar.

Sabemos que animais, cidades, povos, terras possuem orikis próprios, que por vezes são acompanhados de tambores tais como: bata, bembé, gangan, ogidigbo, igbin, gbèdu e etc. Convém que faça-mos uma breve referência a esses tambores. A seu respeito, diz, J. Ki-Zerbo, veículos da história falada, esses instrumentos são venerados e sagrados. Com efeito, incorporam-se ao artista e seu lugar é tão importante na mensagem que, graças às línguas tonais, a música torna-se diretamente inteligível, transformando-se o instrumento na voz do artista sem que este tenha que pronunciar uma palavra se quer. O tríplice ritmo, tonal, de intensidade e de duração, faz-se então, musica significante. A musica está tão intimamente ligada a essa tradição que narrativas somente podem ser feitas sob a forma cantada.

Assim sendo temos: Bata, tambor sagrado tocado com dois atori, é usado no culto dos òrìsá, sendo o preferido de Sòngo.

Bèmbè, tocado com um único atori, é o preferido de Òsun.

Ogidigbo e gangan, são tambores sagrados, sendo este ultimo pendurado no ombro e tocado com um atori, usado para marcar a cadência dos cânticos rituais.

Igbin, usado para acompanhar cantos e outros fundamentos do orisá OBATALÁ, divindade sagrada que modela o corpo do homem.

Gbèdu, usado somente para anunciar a morte de um Oba (rei).

Entoados com finalidade religiosa ou não, o simples ouvir de um oriki impõem silencio, compenetração e respeito dos presentes.

Iba se òrìsá.

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