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Archive for Abril, 2014

Dentre os vários assuntos já muito discutidos, temos os ritos que envolvem os sacrifícios animais praticados habitualmente em nossos Rituais. Inicialmente gostaríamos de relatar que presenciamos regularmente em uma avícola o absurdo que é praticado para matar as “galinhas” que são consumidas com a maior naturalidade e desrespeito pelos clientes assíduos daquele comércio. Existem naquele local alguns cones de aço inox, posicionados em fila indiana, sobre um aparador também de aço inox. No pescoço das aves, próximo à cabeça, é feito um corte com faca e o animal é enfiado de cabeça para baixo no cone, onde se debaterá por vários minutos até que todo o seu sangue tenha escorrido para dentro do “aparador”, provocando-lhe a morte. A população não vê esse método de abate como “aterrorizante”, provocando extremo sofrimento aos animais até que cheguem à morte. Excluídas as vezes em que a grande clientela não deseja esperar muito tempo e os animais são colocados, ainda vivos, em um caldeirão com água fervente a fim de que lhe sejam extraídas as penas mais rapidamente. Este é um aspecto “comercial” onde poucos sentem dó ou reclamam desta forma ainda medieval, portanto cruel, de abate em avícolas.

Os Cristãos, Católicos e Protestantes, são os que mais repudiam o nosso sacrifício animal. Eles deveriam estudar mais o seu Antigo Testamento, em específico o “Levítico”, onde os sacrifícios, não só de animais, são relatados. O Livro “The Lion Handbook to the Bible”, Lion Publishing – England Herts – 1973 de autoria de David e Pat Alexander, relata que o Levítico é o código das leis dadas por Deus a seu povo através de Moisés no Sinai. “As cerimônias e outros ritos e normas não eram um fim em si mesmas. A oferta do sacrifício dia após dia, ano após ano, a recordação anual do dia da expiação recordavam constantemente a Israel o pecado que o separava da presença de Deus. Os israelitas infringiam a aliança com ele desobedecendo as suas leis e estavam condenados à morte. Mas Deus, na sua misericórdia, mostrou-lhes que haveria de aceitar um sucedâneo, a saber, a morte de um animal perfeito e inocente, em lugar da vida do pecador. Suas leis mostram que Deus age em harmonia com as leis naturais para o bem do povo.”, escreve o autor.

Levítico 1-7 – Os Sacrifícios

1 – O Holocausto (capítulo 1 e 6,1-6) único sacrifício em que se queima o animal todo, um sinal de consagração.

2 – Oferta de cereais ou de farinhas (capítulo 2 e 6, 7-11) acompanhava muitas vezes o holocausto e o sacrifício de comunhão (item 1 acima).

3 – O sacrifício da comunhão (capítulo 3 e 7, 11-36)

4 – O sacrifício do pecado (4,1-5,13 e 6, 17-23)

5 – O sacrifício da reparação (5,14-26 e 7, 1-10)

O Fiel trazia sua oferta (um animal sem defeito físico tirado da própria manada ou rebanho ou, no caso do povo pobre, rolas ou pombos) até o pátio diante do tabernáculo.

Colocava a mão sobre ele para significar que o animal o representava e depois o imolava (sacrificava). Se o sacrifício era público o Sacerdote era quem realizava essa operação. O Sacerdote tomava a bacia com o sangue e com ele espargia no altar, queimando a seguir algumas partes específicas do animal que continham determinadas porções de gordura. O que restava era consumido pelos Sacerdotes e suas famílias ou ainda pelo Sacerdote junto com os ofertantes.

Os sacrifícios exprimiam a gratidão do indivíduo pela bondade de Deus, ou eram simplesmente manifestações espontâneas de devoção e homenagem. O sacrifício pelo pecado e o sacrifício da reparação (Levítico 4-5, 26) referem-se às transgressões contra a lei de Deus ou situação em que foi cometida uma falta contra o próximo, porém ambos demonstram a exigência de enfrentar o pecado pelo uso do sangue.

O Sacerdote como representante de Deus tinha a função de declarar se o fiel e sua oferta eram aceitos ou rejeitados por Deus.

A prática do sacrifício animal remonta ao início das relações entre Deus e os homens (Gênesis 4,4) e no Novo Testamento explica a morte de Jesus (Hebreus 9,11). O Levítico 17,11 diz que o sacrifício é algo dado por Deus ao Homem. A pessoa que leva a oferta apodera-se da vida do sangue animal sacrificado e pode doá-la a Deus, injetando nova vida nas suas relações com Deus, revitalizando o seu dia a dia.

Por que devemos ficar aqui citando longamente as Escrituras Sagradas Judaicas e

Cristãs se nosso objetivo é a Religião Ifá/Òrìsà?

Este é um pequeno espaço para a dignificação da Religião Ifá/Òrìsà, tão agredida pelas Doutrinas Cristãs, principalmente pelos Protestantes. Então, cabe-nos o direito de mostrar quão hipócritas são aqueles que nos agridem e nos repudiam com bases em seus Livros Sagrados, que mostram largamente a pratica de ritos idênticos aos nossos e com a mesma simbologia.

Então dirão os Umbandistas assim como os Cristãos:

– Nós abolimos esses ritos!

– E respondemos à altura:

– A Religião de Òrìsà é extremamente tradicionalista e não muda sua liturgia com fins hipócritas, somente para agradar a visão leiga dos fiéis na tentativa de obter fins lucrativos. O que era feito há 12.000 anos é mantido até hoje por nós, mas não com uma conotação diabólica como desejam nos impor usando uma mídia já desgastada. Hoje o Homem é culto, busca se informar e encontrará a verdade relativa ao nosso mundo religioso.

O culto de Òrìsà nunca esteve envolto ao mundo da Magia Negra, ao baixo astral, ao Satanismo ou muito menos ligado aos demônios somente porque realizamos em nossos ritos o sacrifício animal.

Nós pregamos os ensinamentos de Ifá que são puros em sua essência, não ficamos pregando os atos dos demônios ou a palavra de Deus tirada de livros sagrados de autoria duvidosa. Nossa doutrina religiosa foi mantida pela boa vontade do Homem fiel e temente a Deus, mantendo todos os nossos conhecimentos na memória e transmitindo-os pela oralidade através dos Ẹsè e Itọn-Ifá.

Não temos livros sagrados adaptados a cada momento da história em decorrência das necessidades das instituições religiosas. Não expulsamos demônios em forma de “teatro” para enganar pobres coitados crédulos dizimistas que acreditam nas encenações de atores bem pagos para se contorcerem em público ou darem testemunhos suspeitos, sempre idênticos, sem provas. Não “amarramos” espíritos ruins em nome de Deus.

O que desejamos é somente poder expor que nossa Religião, a Religião de Òrìsà, tem como objetivo Religar o Homem a Deus através da manutenção de ritos tradicionalistas; através de uma hierarquia rígida mantida entre os seguidores e Iniciados; através da exigência de uma conduta honrada e moral dentro das verdadeiras Awo-Ègbé (Sociedades de Culto).

Desejamos mostrar com clareza que nossos verdadeiros Sacerdotes são homens sábios, estudiosos e perseverantes na sua religiosidade, tudo isso com base em uma filosofia mitológica milenar. Qualquer outra versão não tem sustentação real, tratando-se de invencionismo de muitos que pretendem impressionar ou lucrar em benefício próprio usando o nome dos Òrìsà Yorùbá.

Se fazemos sacrifícios é porque somos autorizados por Deus, conforme também era praticado em Israel. Não podemos esquecer que nas mesquitas, anualmente, até os nossos dias, é sacrificado um cordeiro para Allah (Deus). Mas ninguém gosta de agredir o Islã. E sabemos muito bem o porquê!

Èjè (sangue) é muito mais que vida, todos nós aprendemos isso nos templos verdadeiramente consagrados aos Òrìsà. Tiradas as partes sagradas dos animais que são ofertadas às Divindades, o restante é consumido pelos ofertantes. Não há desperdício nas Ilé Òrìsà, em respeito à natureza, conforme nos determinam as Divindades. Os animais ofertados não podem sofrer ao serem imolados, conforme nos determina o Òrìsà Ògún Olóbe, a Força proprietária da Faca.

O ritual é cercado do máximo respeito seguido de procedimentos de abstinência, onde a pureza e a limpeza espiritual e orgânica dos presentes é exigida com rigor para que eles possam participar desse tipo de oferenda e só aos Iniciados devidamente preparados por anos, cabe exercer o ato de imolar o animal. Isso não cabe a qualquer pessoa despreparada. Há uma liturgia a ser seguida à risca em detalhes, onde o omi (a água), epo pupa (azeite de dendê), Wuara (o leite), oyin (o mel), iyò (o sal), otí (a aguardente), ataare (a pimenta) são orados e encantados recebendo pela palavra propriedades mágicas, para poderem ser ofertados às Divindades como símbolos de doçura, progresso, prosperidade, fartura, fertilidade, alegrias e paz afim de que essas bênçãos sejam retribuídas a todos em troca da oferta. Sem que nunca se esqueça de ofertar para Onilè (a terra) sua parte, pois é ela quem sustenta os nossos pés. Esta frase metafórica Yorùbá nos ensina que é a Mãe Natureza quem nos permite mais um retorno ao Ayè (na Terra) e por isso devemos mostrar nossa gratidão a ela durante os ritos de oferendas.

Só pode ver maldade em uma ritualística dessa quem é mal no mais profundo de sua essência intima, no próprio caráter ou pelo desconhecimento, acabando por julgar sem saber o que verdadeiramente está sendo realizado num ritual em nome de Deus.

Pois graças a esse Deus universal, Olódùmarè, nós não fazemos apologia aos demônios, pois os desconhecemos na nossa cultura religiosa. Para a Cultura Religiosa Yorùbá Deus não “permitiria que os Anjos Caíssem”. Quem faz mal aos homens é o próprio Homem!

A Religião Animista Ifá/Òrìsà não deseja ser melhor que as outras Religiões.

Deseja somente ser respeitada, assim como sabe respeitar. Desejamos somente que as pessoas possam cumprir seu papel em mais uma passagem pela Vida no Ayè com auxílio dos ensinamentos de Ifá. Desejamos somente crescer nas experiências de viver.

Desejamos poder aprender a conviver num mesmo espaço físico com os outros homens, porque o nosso espírito não tem para onde evoluir já que o Homem é um deus-finito.

Evoluir o espírito do Homem seria tentar superar a Deus, pois o nosso espírito foi criado de Deus, portanto somos partículas divinas. Já fomos criados sendo deuses. Tudo o que necessitamos já recebemos de Deus no momento da Criação, só temos que aprender a usar o que nos foi dado por Ele.

Por Wagner Silva.

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O nascimento de Obi

Obi é um elemento muito importante no culto de Òrìsà. A noz de cola, Obi, é o símbolo da oração no òrun (céu).

É um alimento básico e toda vez que é oferecido, seu consumo é sempre precedido por preces.

Foi Òrúnmìlá quem revelou como o Obì (a noz de cola) foi criada.

Quando Olódùmarè descobriu que as divindades estavam lutando umas contra as outras, antes de ficar claro que Èsù era o responsável por isso, Ele decidiu convidar as quatro mais moderadas divindades (A Paz, a Prosperidade, a Concórdia e Ayè, a única divindade feminina presente), para entrarem em acordo sobre a situação….

Eles deliberaram longamente sobre o motivo de os mais jovens não mais respeitarem os mais velhos, como ordenado pelo Deus Supremo.

Todos começaram então a rezar pelo retorno da unanimidade e equilíbrio. Enquanto estavam rezando pela restauração da harmonia, Olódùmarè abriu e fechou sua mão direita apanhando o ar.

Em seguida abriu e fechou sua mão esquerda, de novo apanhando o ar.

Pós isso, Ele foi para fora, mantendo Suas mãos fechadas e plantou o conteúdo das duas mãos no chão.

Suas mãos haviam apanhado no ar as orações e Ele as plantou. No dia seguinte, uma árvore havia crescido no lugar onde Deus havia plantado as orações que Ele apanhara no ar.

Ela rapidamente cresceu, floresceu e deu frutos.

Quando as frutas amadureceram para colheita, começaram a cair no solo.

Ayè pegou-as e as levou para Olódùmarè, e Ele disse a ela para que fosse e preparasse as frutas do jeito que mais lhe agradasse.

Primeiro, ela tostou as frutas, e elas mudaram sua textura, o que as deixou com gosto ruim.

No outro dia, Ela pegou mais frutas e as cozinhou, e elas mudaram de cor e não podiam ser comidas.

Enquanto isso, outros foram fazendo tentativas, no entanto todas foram mal sucedidas.

Foram então até Olódùmarè para dizer que a missão de descobrir como preparar as nozes era impossível.

Quando ninguém sabia o que fazer, Elénini, a divindade do Obstáculo, se apresentou como voluntária para guardar as frutas.

Todas as frutas colhidas foram então dadas a ela.

Elénini então partiu a cápsula, limpou e lavou as nozes e as guardou com as folhas para que ficassem frescas por catorze dias.

Depois, ela começou a comer as nozes cruas.

Ela esperou mais catorze dias e depois disso percebeu que as nozes estavam vigorosas e frescas.

Após isso, ela levou as frutas para Olódùmarè e disse a todos que o produto das preces, Obi, podia ser ingerido cru sem nenhum perigo.

Deus então decretou que, já que tinha sido Elénini, a mais velha divindade em Sua casa quem conseguiu decodificar o segredo do produto das orações, as nozes deveriam ser dali por diante, não somente um alimento do céu, mas também, onde fossem apresentadas, deveriam ser sempre oferecido primeiro ao mais velho sentado no meio do grupo e seu consumo deveria ser sempre precedido por preces.

Olódùmarè também proclamou que, como um símbolo da prece, a árvore somente cresceria em lugares onde as pessoas respeitassem os mais velhos.

Naquela reunião do Conselho Divino, a primeira noz de cola foi partida pelo Próprio Olódùmarè e tinha duas peças.

Ele pegou uma e deu a outra para Elénini, a mais antiga divindade presente.

A próxima noz de cola tinha três peças, as quais representavam as três divindades masculinas que disseram as orações que fizeram nascer à árvore da noz de cola.

A próxima tinha quatro peças e incluía assim Ayè, a única mulher que estava presente na cerimônia.

A próxima tinha cinco peças e incluiu Òrìsà-Nla.

A próxima tinha seis peças representando a harmonia, o desejo das orações divinas.

A noz de cola com seis peças foi então dividida e distribuída entre todos no Conselho.

Ayè então levou a noz de cola para a Terra, onde sua presença é marcada por preces e onde ela só germina e floresce em comunidades humanas onde existe respeito pelos mais velhos, pelos ancestrais e onde a tradição é glorificada.

Texto sem autoria, garimpado e traduzido na web por Gbàfáomi.

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Um encontro religioso em que todos temos que nos envolver e participar!

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A trindade constituída de Obàtálá, Èsù e Òrúnmìlá exemplifica, no plano filosófico, o provérbio Yorùbá em que a tríplice garante a estabilidade. No esforço para esta estabilidade filosófica o homem foi ensinado pelo oráculo de Ifá a observar a retidão ética de Obàtálá, alegar o elemento imprevisível da vida representado por Èsù e confrontar os problemas com a sabedoria de Òrúnmìlá. Essa é a mensagem abstrata atrás dos mitos e legendas do papel da trindade recontada pelos versos de Ifá.

Este verso de Èjì Ogbè reconta o reconhecimento de status supremo de Obàtálá e o início discreto da trindade de Obàtálá-Èsù-Òrúnmìlá.

Não há águas que possam rivalizar com o Oceano na majestade. Não há nascentes nas montanhas que possam se igualar a Lagoa em grandeza.

Assim declarou o oráculo de Ifá para Obàtálá,

O Ancião dos Dias, no dia em que ele foi dotado com o poder criativo.

Outras divindades exigiram um compartilhamento deste poder, exceto Òrúnmìlá e Èsù.

No verso a seguir veremos Obàtálá conferido com o poder Criativo e veremos a rivalidade de outras divindades que queriam um pouco do poder.

Òrúnmìlá foi convidado para a trama, porém, ele recusou.

Èsù também foi chamado, porém, também recusou.

Desta vez as divindades perderam a batalha para Obàtálá e imediatamente concederam preeminência eterna para ele.

A próxima estrofe de Ìretè méjì revela que a recusa de Òrúnmìlá e Èsù para se agregar na conspiração contra Obàtálá não foi sem benefício calculado. Desassociando-se das outras divindades, Òrúnmìlá e Èsù se auto promoveram a uma co-igualdade com Obàtálá em uma Trindade.

Dois personagens:

Emissário da Terra e O criador da cidade de Ifé, foram os regulares mensageiros de Òrúnmìlá para Olódùmarè, o Onipotente.

A mensagem para o Onipotente talvez seja:

Com o estado das coisas em Ifé nos dias de hoje, que sacrifícios deveriam ser apontados como remédio?

A resposta veio:

Ofereça um rato do mato.

Atuando nestas recomendações Òrúnmìlá receberia bons auspícios para a cidade e tudo tornaria a ficar bem.

Mas assim que o tempo passou, as coisas mudaram.

Quando o Onipotente disse que uma cabra deveria ser oferecida, estes mensageiros reportaram a Òrúnmìlá que um cordeiro deveria ser oferecido.

O sacrifício resultaria em falha.

O que seria responsável por estes eventos?

Òrúnmìlá perguntou a si mesmo, não sendo cúmplice da traição dos seus mensageiros.

Eventualmente, a verdade apareceu, porém Òrúnmìlá nada disse.

Ele apenas impediu os mensageiros de enviarem ainda mais solicitações ao Onipotente.

Um dia, sem notícias, no curso normal de uma consulta divinatória Òrúnmìlá de repente apreendeu os mensageiros e matou os dois.

Quando os cidadãos de Ifé descobriram a ação de Òrúnmìlá, eles ficaram chocados.

Como pode Òrúnmìlá ter matado seus mensageiros cujos recados para o Onipotente sempre trouxeram prosperidade à Ifé?

Quando Òrúnmìlá conseguiria substituir os mensageiros por outros melhores ou de iguais serviços?

Òrúnmìlá respondeu que o problema estava longe de ser simples, que a verdade iludiu os cidadãos.

Os cidadãos furiosos tornaram-se duros e no final sitiaram a casa de Òrúnmìlá.   Òrúnmìlá, os mandou para longe e se escondeu.

Os invasores irados armaram contra o Omo Ifá de Òrúnmìlá chamado Imulegbẹ (O Adepto) e bateram severamente nele.

Eles acharam outro convidado Àkàlé (O Protetor da Casa) e o estapearam muitas vezes, então retornaram para Imulegbẹ para rasgar suas roupas em pedaços.

Nisto, Òrúnmìlá apareceu para desafiar os agressores:

Então não há mais respeito ou reverência por mim nesta cidade?

Vocês, cidadãos de Ifé, não prosperaram sob minha orientação?

É correto que os meus convidados sejam tão maltratados por vocês?

Em uma grande fúria, Òrúnmìlá deixou a cidade rapidamente seguido prontamente de Imulegbẹ e Àkàlé.

Contudo, antes de deixar Ifé, Òrúnmìlá ordenou a todos os adivinhos de ífá, incluindo os que empregam três, quatro, oito ou dezesseis búzios a doravante recusar a consulta para os cidadãos de Ifé.

Assim, os cidadãos de Ifé iriam aprender quão fáceis é administrar seus próprios assuntos sem a orientação dos adivinhos.

Tendo deixado Ifé, Òrúnmìlá e seus dois amigos viajaram profundamente dentro da floresta até que chegaram “No Meio do Nada” e eles construíram três cabanas de colmo com folhas de palmeira:

Uma para Àkàlé (Codinome de Èsù) e a segunda para Imulegbẹ, um outro nome para Obàtálá e a última para Òrúnmìlá.

Com a partida de Òrúnmìlá, a cidade de Ifé ficou engolida de problemas.

Os alimentos tornaram-se escassos, mulheres grávidas sentiram as dores do parto mas não conseguiram parir.

As recém-casadas não conseguiram engravidar.

Os homens se tornaram impotentes.

Em pouco tempo a desordem e a confusão reinaram.

Os cidadãos consultaram os adivinhos de 3,4,8 ou 16 búzios para ver como o desastre poderia ser detido mas, os adivinhos, responderam que todos os seus pedidos não poderiam ser satisfeitos uma vez que seus búzios usados para adivinhação foram completamente gastos em dias de necessidades.

O que eles fariam?

Onde se escondiam as soluções?

O próprio Rei de Ifé estava perplexo e perdido com as condições da cidade que só pioravam a cada dia.

Não choveu e tudo começou a ficar parado, então os cidadãos levaram os problemas mais a sério e viajaram para fora de Ifé para solicitar assistência em qualquer lugar possível.

Primeiro conheceram um adivinho cujo apelido era “Caranguejo que se arrasta em buracos no pântano longe dos habitantes aquáticos”.

Ele rejeitou a consulta do Oráculo em seu nome alegando a injunção imposta a ele por Òrúnmìlá seu mestre que antes deixou Ifé.

“Mas nós não sabemos onde está seu mestre” responderam os cidadãos.

“O que deveríamos fazer para sair dessa situação desesperadora?”

Tendo pena de seus apuros o adivinho aconselhou-os a caçar um antílope e trazer para ele, depois ele os apresentaria a outro adivinho.

Os cidadãos cumpriram muito prontamente.

Então, eles foram despachados para outro adivinho cujo apelido era “Cor de Ouro assim como Óleo Fresco de Palmeira”, que foi esperado para levá-los até o esconderijo de Òrúnmìlá.

Depois de ter escutado suas predicações o adivinho exclamou:

Isso é realmente verdade?

Oras, então vá buscar um antílope e traga-o para mim.

Os cidadãos se aprontaram e depois de um tempo acharam um antílope o qual eles perseguiram até o alto da colina, abaixo dos pequenos vales.

Cada vez mais fundo na floresta a dentro a perseguição continuou, até que os cidadãos se acharam “No Meio do Nada” quando de repente o antílope desapareceu.

Procurando pelo antílope perdido, os cidadãos logo avistaram três cabanas de colmo com folhas de palmeiras.

Completamente assombrados eles disseram a eles mesmos:

“Que lugar mais deserto para se escolher como habitação”!

Como pode alguém morar aqui quando, em Ifé, nós estamos morrendo de fome?

Um deles pegou uma pedra e arremessou-a em uma cabana.

Saiu de lá Àkàlé (Èsù) perguntando com irritação:

Quem arremessou esta pedra em minha cabana?

Responderam os cidadãos.

Fomos nós.

Qual é o problema.

Exigiu Èsù:

Que missão os trazem aqui?

Vocês nos proíbem de morar aqui também?

Ha!

Exclamaram os cidadãos.

Vocês, finalmente.

Eles chamaram Èsù e narraram para ele a miserável condição de vida em Ifé.

Disse Èsù:

Agora vocês vão retornar a Ifé e trazer os reparos por terem apedrejado minha cabana: 2 ratos do mato, 2 peixes secos e todas as outras coisas em dois.

Eles voltaram a Ifé com a intenção de providenciar os reparos necessários.

No processo eles relataram ao Rei que havia um raio de esperança no meio do nada.

Uma pessoa que falou com eles exigiu reparações deles.

O Rei respondeu que suspeitava de que Òrúnmìlá também estivesse na companhia de seu interlocutor.

Os cidadãos deveriam retornar para a floresta com as reparações requeridas e relatar os desenvolvimentos.

Entretanto, antes dos cidadãos retornarem, Àkàlé (Èsù) foi ao encontro de Òrúnmìlá.

Há um desenvolvimento interessante, ele disse.

Um dos cidadãos de Ifé que veio aqui apedrejou minha cabana.

Eu me retirei, ouvi seus contos de aflição e antes de prometer qualquer coisa eu ordenei reparações pelas suas transgressões.

O que nós faremos se eles voltarem com as reparações?

Òrúnmìlá levou consigo Èsù para relatar a situação para Obàtálá, que é chamado de Elége (O Adepto).

Desta vez Òrúnmìlá disse:

Obàtálá, por favor, escute.

Èsù acabou de me contar que os Cidadãos de Ifé vieram aqui e sua história é cruel, muito cruel.

O desastre é iminente a não ser que façamos algo para ajudar.

Obàtálá respondeu:

Realmente! Mas você sabe Òrúnmìlá, que desde o nosso exílio aqui eu fechei as comportas de chuva.

Nenhuma gota irá cair na Terra até que o mundo todo seja destruído.

Eu não vou escutar nenhum apelo.

Apesar de muitas tentativas de Òrúnmìlá e Èsù, Obàtálá se recusou a mudar de ideia.

Foi quando Òrúnmìlá disse essa pesada palavra:

(Oríkì erò Obàtálá)

….

Neste ponto não podemos avançar muito.

….

Perplexo nestes elogios sutis, Obàtálá respondeu:

Na verdade, Òrúnmìlá, você recontou muitas das minhas histórias.

Nada mais resta a não ser aceitar seus apelos.

Consequentemente quando os cidadãos de Ifé voltaram com as reparações, Òrúnmìlá perdoou-os, Obàtálá perdoou-os e Èsù perdoou-os.

Com as reparações, um sacrifício de indenização foi cumprido.

Acerca disso os três adivinhos e os cidadãos voltaram a Ifé dançando e alegrando-se por que a cidade fora salva do desastre.

Daquela vez a cidade de Ifé se expandiu em várias direções até que englobou todo o mundo.

OBÀTÁLÁ, ÈSÙ E ÒRÚNMÌLÁ.

OBÀTÁLÁ

O òrìsà de paz, harmonia e pureza. Ele é o pai da maioria dos òrìsà e o criador da humanidade. Ele é o dono da criação. Ele representa claridade, justiça e sabedoria. Tudo o que é branco na Terra pertence a ele: a neve, as nuvens brancas, os ossos, o cérebro, o algodão.

Obàtálá é o sol e é também a chuva que cai para fertilizar a terra.

É o dono da argila e da criação, onde molda os seres humanos em barro.

“O grande òrìsà” ocupa uma posição única e inconteste do mais importante òrìsà e o mais elevado dos Deuses Yorùbá.

Senhor do silêncio, do vácuo frio e calmo, onde as palavras não podem ser ouvidas. Pode ser lento como um caramujo, todo de branco como seu ritual exige e também ser enérgico e guerreiro, em todas as versões, é Obàtálá o rei do Pano Branco.

ÈSÙ

Èsù foi criado por Olódùmarè como um òrìsà especial de maneira tal que ele deve existir em tudo e residir em cada pessoa. Foi dessa matéria primordial e divina da qual, posteriormente, ele fez todos os òrìsà. Assim, Èsù é o primeiro ser criado.

Èsù é conhecido como “Èsù Àgbá”, o Ancestral primordial, e seus assentamentos mais antigos e tradicionais eram simples pedras de laterita vermelha. Èsù é por excelência o símbolo da existência diferenciada e, em consequência disso, o elemento dinâmico que leva ao movimento, à transformação e ao crescimento. Ele é o princípio dinâmico de tudo que existe e do que virá a existir.   Èsù é a energia absoluta da oportunidade!

Èsù é o primeiro a ser cultuado, e isso se explica devido ao seu papel de energia condutora, propulsora, recapacitadora e reconstituidora.

Sem Èsù, tudo estaria paralisado, estagnado, sem desenvolvimento.

É Èsù quem faz cumprir o equilíbrio de tudo que existe. É o equilíbrio que permite a multiplicação e o crescimento.

ÒRÚNMÌLÁ

Òrúnmìlá é o òrìsà Senhor da sabedoria e do conhecimento, que tendo adquirido o direito de viver entre o céu e a terra, tudo sabe e tudo vê na totalidade dos mundos, transcendendo espaço e tempo.

Foi testemunha da criação universal e detém o conhecimento do passado, presente e futuro do destino de todos os habitantes da terra e do céu.

Na Terra, Òrúnmìlá é quem apresenta o destino ao reencarnado por ocasião do seu nascimento. Conhece todos os destinos e como propiciar o sucesso em todos os âmbitos, além de revelar o òrìsà pessoal de cada um.

Òrúnmìlá é a soma da sabedoria suprema, a vida e a morte, o nascimento da natureza, a visão total do mundo e da existência estabelecendo normas éticas que irão comandar as sociedades e os homens. É o equilíbrio que ajusta a força que conduz a sustentação do planeta.   Òrúnmìlá representa a antiga sabedoria do Culto Yorùbá.

Uma modalidade oracular mais popular é o Òpèlè Ifá. Apenas sacerdotes iniciados no culto de Òrúnmìlá – os Oluwo Ifá e Bàbáláwo – são credenciados para utilizar esses oráculos.

Todo o corpo filosófico da religião Yorùbá se resume nos signos de Ifá.

Texto cedido pelo meu sacerdote Obàálá Oluwo Olóri Ifárunaola Adesanya.

http://www.efunlase.com

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Egbé òrun são companheiros espirituais.

Cada pessoa tem a sua preferência de companhia no òrun antes de vir ao ayè, quando uma pessoa vem do òrun ela pode estar associada a muitos grupos.

Um destes grupos é chamado Ègbé Emere um dos mais poderosos.

O destino de uma pessoa já está traçado antes dele vir a Terra. Seu espírito já fez seus acordos com os poderes constituídos. Este acordo pode ser por dinheiro, vida longa, filhos e etc.

Este acordo depende do individuo. Em alguns casos uma pessoa pode ter marido/esposa durante seu tempo no òrun e ter feito uma promessa significativa para ele/ela.

Eles podem ter prometido não se casar com ninguém enquanto viverem na Terra. Como podem ter prometido passar apenas um dia, mês ou ano na terra.

Se o acordo foi quebrado quando esta pessoa estava na Terra, esta pessoa vai ter muitos problemas em sua vida terrena.

É importante que uma pessoa faça um sacrifício relevante para Ègbé Emere, Ègbé Eru Didi ou Ègbé òrun, para sua situação em particular quando chegar a este mundo.

Alguns prometem fazer este sacrificio quando estão no òrun, mas quando chegam a Terra não buscam estas informações e não fazem o sacrificio combinado.

Algumas pessoas tem acordo com Egbé òrun no oceano, outros em árvores, todos tem seus companheiros de Ègbé ou espiritos que estavam junto dele enquanto permaneciam no òrun.

 

No Odù Òyékú’Ogbè vemos

 

Ìjì Àjí a ko jiré

Isun asùn a ko sun ire

Ebo Òyèkú-L’ogbè la o mon.

 

Foi divinado para Òrúnmìlá quando ele guardava seu dinheiro no quarto.

Um dia ele voltou de viagem e descobriu que estava faltando dinheiro.

Ele pensou que fossem seus Áwo que estavam lhe roubando.

O dinheiro continuava sumindo e Òrúnmìlá descobriu que era seu Egbé que estava perturbando sua vida.

Ele realizou sacrificio, alimentou-os.

Após fazer isso o dinheiro deixou de sumir.

Ele então começou a alimentá-los periodicamente e não teve mais problema.

 

Os problemas das pessoas se manifestam de maneiras diferentes.

Alguns perdem emprego, outros têm problemas no parto, no casamento ou no relacionamento, isto depende da circunstância individual. Tudo isto poderia ser uma promessa quebrada com seu Egbé ou o descontentamento deles com algo que a pessoa esteja fazendo na Terra. É o Egbé que tem o poder de levar coisas essenciais a alguém para fazer sua vida infeliz, é feito por causa de um acordo quebrado.

Nem todos são Abiku, nem todos vão morrer na cerimônia do nome ou no dia do casamento. Porém para alguns pode ser o caso.

Quando Egbé òrun vem buscá-lo é por causa do acordo original.

 

Em Òsé-Ògúndá temos:

 

Òsé Omolú

Òsí ko mo áwo

Agada ko mo Orí

Eni o da oru

 

Foi feita divinação para ómó Asode, ómó Aroko e ómó Asawo, estas três crianças vieram do òrun, no mesmo período e com a mesma promessa.

Eles fizeram promessa antes de vir a Terra e iriam voltar para o òrun depois de ficar apenas sete dias.

As três mães fizeram jogo com babalawo.

Apenas uma das mães fez o sacrificio prescrito.

Elas foram orientadas a não fazer a cerimônia do nome e nem fazer festa, elas deveriam apenas dar um nome a criança e nada mais.

As outras duas mães usaram o dinheiro para uma grande festa em vez de fazer o sacrificio.

Durante a cerimônia do nome, Ègbé òrun chamou suas crianças de volta para casa.

Quando chegaram a ómó Asawo eles foram incapazes de levá-lo.

É destino de algumas pessoas serem muito poderosas na Terra. É através do Egbé que seus aspectos positivos se manifestarão. Para algumas pessoas uma coisa pequena e insignificante se transformará em algo muito grande através da influencia de Ègbé. É sempre importante que as pessoas cuidem de Ègbé. Em casos de crianças doentes é importantíssimo, pois problemas na infância podem estar ligados e sendo causados por Ègbé òrun.

 

Texto de: Owolabi Aworeni.

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