Anúncios
Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for the ‘Terreiros’ Category

Casa de Santo

Muito interessante. Este documentário realizado já em 2005 registra as Nações de Candomblé em Maragojipe, no Recôncavo Baiano. Excelente trabalho de Antonio Pastori.

Anúncios

Read Full Post »

A saga de Nã Agotimé é pura magia. Representa a força dos elementos naturais transformando a vida que se transforma em culto.
Desde tempos imemoriais se cultuava os voduns da família real do Daomé, hoje Benim. Um Clã mágico e místico iluminava o continente negro, numa época de uma África conturbada por guerras tribais em busca do poder. Muitos reis passaram e o Daomé, que era apenas uma cidade, tornou-se um país.
No palácio Dãxome, reinava Agongolo. O rei tinha como segunda esposa a rainha Agotimé e dois filhos (Adandozan, do primeiro casamento, e Gezo, nascido de Agotimé). No momento de sua morte, o rei elegeu seu segundo filho para sucedê-lo no trono, mas a sua ordem foi desconsiderada e Adandozan assumiu o trono como tutor de Gezo. Abomey tornou-se vítima de um governo tirânico e cruel.
Mágica e Magia. A rainha era conhecida em seu reino pelas histórias que contava sobre seus ancestrais e sobre o culto aos reis mortos. Guardava os segredos do culto a Xelegbatá, a peste. Detentora de tais conhecimentos, o novo rei tratou de mantê-la isolada, acusando-a de feitiçaria, e não hesitou em vendê-la como escrava.
Em Uidá, grande porto de venda de escravos, Agotimé foi jogada nos porões imundos de um navio e trazida para o Brasil. O sofrimento físico da rainha, traída e humilhada, era uma realidade menor, pois o seu espírito continuava liberto e sobre as ondas a rainha liderou um grande cortejo, atravessando o mar.
Desse episódio se forjou um dos elos que une a África ao Brasil. Chegou ao novo continente um corpo escravo, mas um espírito livre, pronto para cumprir a sua saga e fazer ouvir daqui o som dos tambores Jejes.
Seu primeiro destino foi Itaparica, na Bahia, porto do seu destino e terra santa do conhecimento. Vinda de uma região onde poucos escravos se destinavam ao Brasil, Agotimé se deparou com muitos irmãos de cor, mas não de credo.
No seu encontro com os Nagôs teve o seu primeiro contato com os Orixás, e através deles a Rainha escrava teve notícias de seu povo. Por eles soube que sua gente era chamada Negros-Minas e foram levados para São Luís do Maranhão. Contaram que não tinham local para celebrar o seu culto, pois esperavam um sinal de seus ancestrais. Agotimé logo entendeu por quem esperavam.
Dessa forma a rainha chegou ao Maranhão. Terra da encantaria e de forte representação popular. Os tambores afinados a fogo e tocados com alma por ogãs, inspirados por velhos espíritos africanos, ecoam por ocasião das festa e pela religião. Foi no Maranhão que Agotimé, trazida para o Brasil como escrava, voltou a ser Rainha. Sob orientação de seu vodum, fundou a “Casa das Minas”, de São Luís do Maranhão, em meados do século XIX.

Para contar essa história, trilhando caminho inverso ao de Nã Agotimé, e com uma exposição fotográfica sob a forma de portraits, o fotógrafo maranhense Márcio Vasconcelos viajou ao Benin acompanhado do antropólogo africano Hippolyte Brice Sogbossi.
A proposta do Projeto é realizar uma pesquisa e documentação fotográfica da atual situação de terreiros e seus respectivos chefes no Benim e no Maranhão. Para tanto, foram entrevistados e fotografados personagens de reconhecida importância no cenário do culto aos voduns, com a finalidade de traçar um paralelo entre os Sacerdotes africanos e os Chefes de Terreiros do Tambor de Mina do Maranhão.
No Benin, num período de 25 dias, foram visitadas as cidades de Cotonou, Abomey, Allada, Ouidah, Calavi e Porto Novo. O Projeto “Zeladores de Voduns e outras Entidades do Benin ao Maranhão” foi aprovado no Edital de Apoio à Produção Cultural do ano de 2008 da Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão.

Márcio Vasconcelos é fotógrafo profissional independente e há mais de uma década vem se dedicando a registrar as manifestações da Cultura Popular e Religiosa dos afro-descendentes no Estado do Maranhão. Hippolyte Brice Sogbossi é beninense e radicado no Brasil há mais de 10 anos. Doutor em Antropologia Social e professor da Universidade Federal de Sergipe.

Grete Pflueger

fonte:http://evanspires.wordpress.com/2010/08/

Os Voduns da Casa das Minas

A Casa das Minas (Kwlegbetan Zomadonu ou Kwerebetan de Zomadonu) é um terreiro quase que bicentenário e que mantém firme as tradições religiosas africanas de culto aos Voduns, em especial àqueles que fazem parte dos cultos da Família Real. Os voduns da Casa são agrupados em família, destacando-se a família de Davice (Família Real) que engloba os voduns antigos reis e nobres, dignatários do antigo Dahomey. A ancestral mítica desta família é Nochê Naé (Sinhá Velha), a quem todos na Casa das Minas obedecem e prestam respeito, sendo que não se deve falar muito dela. Esta família segue duas ramificações: a primeira é de Zomadonu – vodun dono da Casa e vodun da fundadora e das três primeiras mães da Casa; e a segunda é a de Dadaxó (Dadarrô – pai do Dahomé). Outra importante família é a de Dambirá, dos Voduns da terra e das doenças, como Akosi, Azile e Azonce,e  seguindo as famílias hóspedes da casa Queviossô (dos voduns do trovão e dos astros, que são considerados nagôs dentre os jejes da casa, mesmo não sendo orixás, e que são mudos, a exemplo de Badé, Sogbo (que na Casa das Minas é um vodun feminino, sinretizada com Sta Bárbara e Oyá), Averekete, Lissá, Agbé), e as famílias de Savalunu (voduns de Savalu) e Alladanu (voduns de Alladá).

Legba não é cultuado na Casa das Minas e é tido como trapasseiro, um ser maligno. Duas explicações teria este motivo: o sincretismo extremo que caracteriza o Tambor de Mina, e o fato de Adandozan se dizer “um protegido de Legba” e que depois de toda suas atrocidades e maldades deixaram o povo Abomenu entristecidos e inclusive Nã Agotimé.

A Casa das Minas é exclusivamente de cultura Jeje, sendo seus cânticos em lingua fongbé-ewegbe, e suas divindades são exclusivamente Voduns, não havendo nenhum orixá em seu culto (embora devotem-se a Yemanjá, por exemplo, mas não há culto interno para estas divindades). A casa não gerou nenhuma filial, mas sua estruturação serviu de base para organização das outras Casas de Tambor de Mina.

Antigamente cultuavam-se na Casa das Minas, as “meninas” (Tobôssis) e que desapareceram nas décadas de 60 e 70. Segundo fontes o papel das Tobossis era harmonizar a Casa, dando nomes africanos às Vodunsìs e falavam em outra língua.

Autoria: Hùngbónò Charles

 

Read Full Post »

Magia para Venda

1023143803_4676ef33cc

Outro dia encontrei um blog que falava sobre a magia do Candomblé. Estava escrito em Espanhol, e quando acabei a leitura estava com uma enorme dor de cabeça. No meio de tudo, chamou-me a atenção um comentário de apenas 3 palavras: “preciso de ajuda”.

Podemos comprar magia através de diversos indivíduos e de diversas casas. Eu estou pessoalmente familiarizada com umas quantas histórias, de como pessoas sem uma ponta de integridade espiritual se alimentam de pessoas que desesperadamente procuram algum tipo de orientação espiritual para resolver qualquer problema que enfrentam nas suas vidas. No entanto, quando alguém está tão desesperado e freneticamente procura uma solução rápida para um problema, não haverá de facto pior altura para que essas pessoas tomem decisões espirituais.

O desespero na nossa consciência pode ser como álcool no sangue. Quanto mais desesperado esteja o indivíduo, menores são as hipóteses de que consiga tomar uma decisão acertada para si e para a sua família. E muitas pessoas, com mais preocupação com os seus ganhos pessoais do que em ajudar o próximo, estarão mais do que felizes em aproveitar a oportunidade de ajudar pessoas desesperadas a aprender os seus métodos pouco sérios.

Seria bem melhor se a pessoa nada fizesse, em lugar de tentar a sorte num esforço de corrigir um problema. È como sentar à mesa de jogo e lançar os dados para solucionar um problema financeiro, pensando “ Os Orixás vão tomar conta de mim porque eu confio neles e está tudo nas suas mãos!”. Mas, se o devoto realmente confiasse nos Orixás, a probabilidade é de ele ou ela desde logo não estariam nesse dilema. Em realidade, para muitos devotos e iniciados, os Orixás foram reduzidos a nada mais do que um alarme de fogo que se liga em caso de emergência.

Dizem os rumores que até os ateus encontram a religião quando estão com problemas sérios. Caso contrário, as pessoas dão-se ao luxo de negligenciar o seu desenvolvimento espiritual. A maioria das pessoas opta por fazer apenas o mínimo possível. Enquanto assistirmos às reuniões de forma regular e participarmos ocasionalmente nas cerimónias ou nos rituais, podemos deixar a responsabilidade da nossa alma ou da nossa espiritualidade aos pés de alguém. Qualquer coisa fora do comum pode esperar até à próxima reunião. E se as coisas saírem do controlo, tocamos então o proverbial alarme.

As pessoas simplesmente se recusam a entender que os Orixás não são os nossos escravos pessoais, atiradores, criados, mordomos, concierges, ou qualquer outra ocupação que descreva alguém que está modestamente ao serviço dos outros. Mas se houvesse uma descrição de um trabalho para os Orixás, seria algo como conselheiro espiritual ou treinador para a vida. Enquanto os Orixás tudo farão para nos manter dentro dos limites dos nossos caminhos espirituais, eles não vão começar a desdobrar-se para ajudar aqueles que não se ajudam a si próprios. Os Orixás não podem querer mais para nós do que nós queremos para nós próprios. Os Orixás não farão por nós aquilo que nós recusamos fazer por nós próprios.

Mas existem pessoas dentro da tradição que querem forçar a ideia de que os Orixás estão ali prontos a responder à nossa chamada de Socorro, pelo baixo preço do sacrifício de um ou dois animais. Se isto não é um negócio, então não sei o que seja. Imagine que o seu destino é o de morrer num determinado local a uma determinada hora. Não está feliz com isto? Um sacerdote pode realizar um ritual que pode solucionar esta situação, para que a sua carta não apareça na lista do anjo da morte assim tão breve! Tem problemas financeiros? Beba uma poção de ervas e o dinheiro irá começar a fluir! Vai andar de avião?  Faça um ritual, e se os Orixás ficarem satisfeitos então o seu avião não se irá despenhar.

Se todas esta noções fossem verdade, então porque é que os sacerdotes não vivem uma vida longa e abundante? De facto, conheço alguns que têm até inúmeras dificuldades para pagar as suas rendas ou até para comprar medicamentos. Têm a capacidade de manipular os Orixás? Então porque não manipulam Omulú para nem sequer terem que comprar medicamentos?

Talvez a manipulação não esteja a ser aplicada aos Orixás, mas aos devotos. Alguém desesperado com sérios problemas na vida seria um óptimo alvo para exploração. Um sacerdote íntegro tudo fará para ajudar o devoto e a comunidade a ultrapassar os problemas. Mas tratar esses problemas com rituais que pouco mais farão do que encher os bolsos, não é de grande ajuda. E depois, quando o milagre não acontece, há sempre a desculpa de que os Orixás têm a sua forma misteriosa de actuar que nos escapa à compreensão.

Sacerdotes íntegros jamais dariam um passo para vender esse tipo de magia aos devotos. Mesmo quando tudo parece perdido a realidade pode ser bem diferente daquilo que aparenta. Com fé, um devoto desesperado talvez aguardasse, aprendesse a ficar calmo enquanto a tempestade passa. É preciso bem mais do que um sacrifício animal e uma tarifa cobrada pelo sacerdote para alterar o curso do destino de uma vida.

Foto de Fonseca no Flickr

Read Full Post »

PB27

Para o Ocidente, o futuro é a grande incógnita a ser decifrada, controlada, um tempo a ser planejado para melhor ser usufruído. A esperança sempre se deposita num tempo vindouro para o qual são pensadas as grandes realizações que devem ser introduzidas em prol da felicidade humana. Investe-se no futuro. Olha-se para o passado procurando os erros cometidos e que devem ser evitados no presente para garantir um futuro melhor. A história ensina como agir com sabedoria e responsabilidade em face do devir. Um emblemático mote de Karl Marx diz que na história nada se repete, a não ser como farsa. Para o africano tradicional é o contrário: a repetição é o almejado, o certo, o inquestionável. O novo, o inesperado, o que não vem do passado, é o falso, o perigoso, o indesejável.

O candomblé dos dias de hoje está posto entre esses dois conceitos opostos de tempo. Um e outro remetem a concepções diversas de aprendizado, saber e autoridade. Levam a noções divergentes sobre a vida e a morte, a reencarnação e a divinização. Nesse embate, a religião muda, adapta-se, encontra novas fórmulas e adota novas linguagens. Os orixás ganham novos territórios, conquistam adeptos nas mais diferentes classes sociais, origens raciais e regiões deste e outros países. O que a realidade social das religiões no Brasil tem mostrado é que a religião dos orixás cresce e prospera (Pierucci e Prandi, 1996). Sobretudo se transforma, cada vez mais brasileira, cada vez menos africana. Mesmo o movimento de africanização, que procura desfazer o sincretismo com o catolicismo e recuperar muitos elementos africanos de caráter doutrinário ou ritualístico perdidos na diáspora, não pode fazer a religião dos orixás no Brasil retornar a conceitos que já se mostraram incompatíveis com os da civilização contemporânea. O tempo africano perde sua grandeza, vai se apagando. Permanece, contudo, nas pequenas coisas, fragmentado, manifestando-se mais como ordenador de um modo peculiar de organizar o cotidiano característico de uma religião que se mostra exótica, extravagante e enigmática.

E pouco a pouco o povo-de-santo acerta seus relógios. Sabe que o candomblé deixou de ser uma religião exclusiva dos descendentes de escravos africanos – uma pequena África fora da sociedade, o terreiro como sucedâneo da perdida cidade africana, como ainda o encontrou Roger Bastide quase meio século atrás (Bastide, 1971, pp. 517-518) – para se tornar uma religião para todos, disposta a competir com os demais credos do país no largo e aberto mercado religioso. Uma instituição dos tempos atuais em um processo de mudança que reformula a tradição e elege novas referências, para o bem e para o mal. O tempo é tempo de mudar.

In: “Concepções de tempo, saber e autoridade da África para as religiões afro-brasileiras” por Reginaldo Prandi

Read Full Post »

 

Read Full Post »

2201125046_69a138027c_o

17/07 às 23h27 O Globo

RIO – Religiosos e pesquisadores comemoraram nesta sexta-feira a decisão do governo do Rio de declarar o candomblé um patrimônio imaterial do estado. A lei, proposta pelo deputado estadual Gilberto Palmares (PT), foi sancionada pelo governador em exercício, Luiz Fernando de Souza Pezão, e publicada quinta-feira no Diário Oficial. Projeto semelhante, que trata da umbanda, já foi aprovado na Alerj e aguarda sanção do governador.

A museóloga e pesquisadora de Cultos Afro do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Márcia Netto comemorou:

– Grande notícia! Acho que muda muita coisa para essas religiões que, até há pouco tempo, eram vistas como folclore ou seita. Vai ajudar a diminuir o preconceito, dar credibilidade e ajudar a desmistificar. O preconceito contra o candomblé vem desde a colonização.

Gilberto Palmares espera que a lei ajude a reduzir a intolerância religiosa:

– A partir do momento em que os cultos viram patrimônio, eles passam a ser mais divulgados, diminuindo a violência – afirmou o deputado.

 

PROJETO DE LEI Nº 2303/2009

EMENTA:

DECLARA O CANDOMBLÉ COMO PATRIMÔNIO IMATERIAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO.

Autor(es): Deputado GILBERTO PALMARES

A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO RESOLVE:

Art. 1º – Declara como patrimônio imaterial do Estado do Rio de Janeiro o Candomblé, religião de matriz afro-brasileira.
Art. 2º – Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Plenário Barbosa Lima Sobrinho, 13 de Maio de 2009.

GILBERTO PALMARES
Deputado Estadual

JUSTIFICATIVA

Trata-se de Projeto de Lei que “DECLARA O CANDOMBLÉ COMO PATRIMÔNIO IMATERIAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO.

O candomblé e uma religião que teve origem na cidade de Ifé, na África, e foi trazida para o Brasil pelos negros iorubas. Seus deuses são os Orixás, dos quais somente 16 são cultuados no nosso país: Essú, Ògun, Osossì, Osanyin, Obalúaye, Òsúmàré, Nàná Buruku, Sàngó, Oya, Oba, Ewa, Osun, Yemanjá, Logun Ede, Oságuian e Osàlufan. A antiga cidade de Ifé, ao sudoeste da atual Nigéria, deslumbrava desde o começo do século como capital religiosa e artística do território que cobria uma parte central da atual República do Daomé. É a fonte mística do poder e da legitimidade, o berço da consagração espiritual, e para onde voltaram os restos mortais e as insígnias de todos os reis iorubas. A civilização de Ifé, ainda hoje, é pouco conhecida e apresenta uma criação artística variada do realismo, enquanto que a maioria da arte africana é abstrata. O material empregado na arte de Ifé espanta e abisma qualquer historiador, incluindo os próprios africanistas. Ao lado das esculturas em pedra e terracota (argila modelada e cozida ao fogo) tradicionais na África, estão as esculturas em bronze e artefatos em perola.

O candomblé é uma religião com uma vasta cultura e rica em preceitos. São pouquíssimas as pessoas que realmente a conhecem a fundo. È necessária muita dedicação e anos de estudo para se chegar a um conhecimento profundo da religião. Seus preceitos são todos fundamentados e qualquer um pode se dedicar ao seu estudo e desfrutar seus benefícios. Existe muita energia positiva no candomblé, e o seu culto pode trazer muita paz e felicidade.

Pelo exposto, conclamamos os representantes do Povo Fluminense a aprovarem a presente proposição, por se tratar de justa homenagem a uma religião de matriz afro-brasileira, que muito contribuiu para a formação do patrimônio cultural do Rio de Janeiro e do Brasil.

Read Full Post »

si9

Os instrumentos e os ritmos que executamos possuem valores históricos documentados da sua vida profana e sagrada. “São meios de comunicação e de informação, são sagrados e após obrigações tornam-se instrumentos de materialização e exteriorização das forças vitais, tais como a própria palavra, as vozes e a respiração“.

Eles emitem como elementos de origem divina, forças fundamentais comparadas às que são emitidas pelos próprios orixás, portanto são instrumentos da criação e do pré-existente.

ABÊ, instrumento constituído por uma cabaça (fruto vegetal) coberta por um entrelaçado de missangas (no passado eram utilizados búzios ou ave-marias) que friccionados pelas mãos dos percussionistas emitem um som que lembra a palavra “xequerê” (como também é conhecido).

ATABAQUES, instrumentos de madeira e pele encontrados nos ritos da Nação Ketu, eles são três (run, rumpi e lé) e desempenham, respectivamente, ritmos cadenciados em sequências de batidas, que nos afoxés são tocados com as mãos resultando numa verdadeira orquestra percussiva, essa polirritmia é uma característica da manifestação.

Curiosidade: Existe uma região na Nigéria, mas precisamente em Osógbò (Oshobô), onde se realiza festas ritualísticas em homenagem à Deusa Oxum, as margens do rio com mesmo nome, lá apenas as mulheres tocam os instrumentos, tendo como base o tambor “agere” muito parecido e conhecido do nosso candomblé da nação Nagô que é o ILÚ (tambor pequeno encourado dos dois lados, preso a ástes de ferro e madeira, que são três, chamados: Yan, Melêyancó e Melê, respectivamente, grave, médio e agudo, que é percutido apenas pelas mãos de homens em nossa cultura os OGÃS), em Irá, região onde nasceu Oyá também existem festas ritualísticas nas margens do rio Níger (Odô OYA) em homenagem a está Deusa.

ALABÊS, são os tocadores de atabaques no candomblé de Nação Ketu.

AGOGÔ, instrumento de percussão que rége as batidas do afoxé, o maestro da nossa nação, devido a sua sonoridade marcante, sendo seguido pelos demais instrumentos. Feito de metal possui duas campanas com sons diferentes (e com uma campana é chamado de GAN, utilizado nos cultos de candomblé).

Read Full Post »

Older Posts »

%d bloggers like this: