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Archive for Fevereiro, 2012

A formação do Sacerdote de culto de òrìsá e longa e penosa.

As noites, as histórias contadas e guardadas, os ensinamentos passados e as duras lições das madrugadas frias ou abafadas.

As indagações, a insegurança e o verdadeiro clamor pela fé.

A sabedoria, o conhecimento e a sensibilidade, advêm de saber muito mais ouvir do que falar, o precioso silencio, o saber que na hora exata tudo se mostrará, faz de figuras ímpares os verdadeiros disseminadores do amor e da fé de nosso culto maravilhoso, explendoroso e mágico.

Não basta a vontade, tem que ter ‘tombo’, ser o escolhido e ser verdadeiramente “verdadeiro” em seus propósitos.

Ser sacerdote é calar, admirar e adorar quando se está diante de uma divindade.

Diz um itan:

Foram os Babalawo que fizeram a adivinhação.

Quando Ómósile veio para à Terra, foi consultar com os Babalawo para saber qual deveria ser a sua profissão para ter uma vida prospera.

Eles lhe disseram que deveria se dedicar ao mercado.

E que somente rendesse culto às divindades, sem exercer o sacerdócio.

Ao chegar ao Mundo, Òmósile esqueceu-se do mercado e iniciou-se no culto aos Orisa.

Sem ter os devidos conhecimentos, abriu seu próprio templo sem fazer os ritos nem os ebo necesários.

Começou em pouco tempo a trabalhar com a religião e a iniciar outros.

Èsù, olhando que o templo feito por Ómósile não tinha a permissão das divindades, fez mexerico entre alguns seguidores de outro culto, dizendo que Òmósile fazia bruxaria para eles.

Avisados por Èsù, foram pela noite até o templo de Ómósile e atearam fogo.

Ao outro dia, quando Ómósile chegou e olhou tudo queimado, foi para a adivinhação.

Os Babalawo disseram que deveria esquecer-se da religião, pois não era seu caminho, pois deveria ser comerciante e apenas render culto às divindades sem exercer o sacerdócio.

Lhes aconselhou que fizesse ebó para achar o caminho da  prosperidade.

Ele fez o ebó.

Ao tempo, sua vida mudou para melhor e começou a prosperar com as vendas.

Casou e teve muitos filhos.

Ele cantou e dançou em louvor aos Babalawos que fizeram a adivinhação.

“Nem todos tem caminho para o sacerdócio.”

Sabedoria celeste.

Por: Bàbá Osvaldo ómó Obàtálá.

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O culto a Egungun- parte 4

Oyá, Egun e os Mitos.

“Oyá não podia ter filhos e foi consultar um babalawo. Este lhe disse então, que, se fizesse sacrifícios, ela os teria. Um dos motivos de não os ter ainda era porque ela não respeitava o seu tabu alimentar (eewó) que proibia comer carne de carneiro.

O sacrifício seria de 18.000 búzios ( pagamento), muito panos coloridos e carne de carneiro. Com a carne ele preparou um remédio para que ela o comesse; e nunca mais ela deveria comer dessa carne. Quanto aos panos, deveriam ser entregues como oferenda”.

Ela assim fez e, tempos depois, deu à luz a nove filhos (número mítico de Oyá). Daí em diante ela passou a ser conhecida peo nome de “Iyá omo mésan”, que quer dizer mãe de nove filhos e que aglutina Yansán.

Filhos de Oyá:Imalegã; Iorugã; Akugã; Urugã; Omorugã; Demó; Reigá; Heigá; Egun Egun. Cada um tem sua característica e seu fundamento próprio, são representados no ojubó de Oyá Igbalé.

Há outra lenda para explicar o mito de Iyansã:

“Em certa época, as mulheres eram relegadas a um segundo plano em suas relações com os homens. Então elas resolveram punir seus maridos, mas sem nenhum critério ou limite, abusando desta decisão, humilhando-os em demasia”.

Oyá era a líder das mulheres, e elas se reuniam na floresta.Oyá havia domado e treinado um macaco marrom chamado`Íjímeré (na Nigéria). Utilizara para isso um galho de atorí (ixan) e o vestia com uma roupa feita com várias tiras de pano coloridas, de modo que ninguém via o macaco sob os panos.

Seguindo o ritual, conforme Oyá brandia o ixan no solo o macaco pulava de uma árvore e aparecia de forma lucinante, movimentando-se como fora ensinado a fazer. Desse modo, durante a noite, quando os homens por lá passavam, as mulheres ( que estavam escondidas) faziam o macaco aparecer e eles fugiam totalmente apavorados.

Cansados de tanta humilhação, os homens foram ver um babalawo para tentar descobrir o que estava acontecendo. Através do jogo de Ifá, e para punir as mulheres o babalawo lhes conta a verdade. Ele os ensina como vencer as mulheres através de sacrifícios e astúcia.

Ogun foi encarregado da missão. Ele chegou a local das aparições antes das mulheres.vestiu-se com vários panos, ficando totalmente encoberto, e se escondeu, quando as mulheres chegaram, ele se apresentou subitamente, correndo, berrando e brandindo sua espada pelos ares. Todas figiram apavoradas, inclusive Oyá.

Desde então os homens dominaram as mulheres e as expulsaram para sempre do culto a Egun. Hoje eles são os únicos a invocá-lo e cultuá-lo. Mas, mesmo assim, eles redem homenagen a Oyá Igbalé, tida até como criadora do culto a Egungun e sendo idolatrada como mãe e rainha dos Eguns.

E, como explica a lenda, Oyá, a floresta e o macaco estão íntimamente ligados ao culto, inclusive com relação a voz do macaco como é o modo de Egun falar.

Pesquisa: revista Candomblé Mitos & Lendas.
Texto de Aulo Barretti Filho,O Culto dos Eguns no Candomblé.

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Começo a publicar um vocabulário usual Angola / Kikongo mensal, para que as pessoas tenham chance de aprender algumas palavras, para um uso doméstico do dia a dia em suas casas de cadomblé, espero que apreciem!

1ª Parte: De “A” ao “J”.

Angolense = designa as pessoas de Angola

Biji = jumento, burro

Bixila!  = boa-viagem!

Bulu = céu

Bungo   =  feitiço para o bem

Diala   = homem

Dibangulango =  guisado de quiabo (Nzazi).

Dibilu Lemba = a volta da procissão.

Dibuba = cachoeira

Diembe = pombo

Dihonjo  =  banana.

Dikala = carvão

Dikanga = longe

Dikanu = boca

Dikelengu = garganta

Dikende = massa de feijão fradinho embrulhada na folha de bananeira.

Dilombe-dia-Nzambi = local consagrado a Lemba, Nzambi.

Dilonga = prato, bacia.

Dilunga = instrumento sonoro por meio do qual se invocam os espíritos (ex.: Adjá, sere, etc.)

Dimi = língua

Dionga = flecha, lança

Disanga  = pote, porrão.

Disu = olho

Ditemu = enxada

Dítui  = orelha

Diunda = arco

Divumu  =  barriga

Dixisa  = esteira

Eie = tu

Eme = eu

Ene = eles, elas

Enu = vós

Etu = nós

Etungi = coxa

Éue = sim

Exobo = parte dos animais que, após preparo específico, vão para o ofertório (Kongo)

Filesuku = verduras

Fobia = mole

Fongana = assentamento

Fumpa = milho vermelho, cozido  ou torrado, enfeitado com Kamusoso ( cipó-chumbo).

Fundumuka! = levanta!

Guriankasi  = tio, sobrinho

Hala  =  caranguejo

Hamua  =  mosquito

Hima   =   macaco

Hombo = cabrito

Hongolo = arco-íris

Hongolo matono = especialista nas  pinturas corporais.

Hoxi = leão

Iari = dois

Ímbia = vaso de boca larga, panela.

Imbiri  = cantador (Kongo)

Imbua  = cachorro

Inaka = cabra

Inji = mosca

Inzo = casa

Inzo Musambu = a casa de Kanduambele (candomblé)

Irima  = legumes

Itumbu = remédio mágico

Ivua  = nove

Ixi = terra

Jíku = fogareiro

Jina = piolho

Jindandu  =  a família…..

Mês que vem publico a letra “K”.

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O culto a Egungun- parte 3

O Salão e a Festa

O espaço físico do salão é dividido entre sacro e profano. O sacro é a parte onde estão os tambores e seus alabês e várias cadeiras especiais previamente preparadas e escolhidas, nas quais os Eguns, após dançarem e cantarem, descansam por alguns momentos na companhia de outros, sentados ou andando, mas sempre unidos, o maior tempo possível, com sua comunidade. Este é o objetivo principal do culto: unir vivos com mortos.

Nesta parte sacra, mulheres não podem entrar nem tocar nas cadeiras, pois o culto é totalmente restrito aos homens. Mas existem raras e previlegiadas mulheres que saõ exceção, como se fossem a própria Oyá. Elas são geralmente iniciadas no culto dos Orixás e possuem simultaneamente Oyê no culto de Egun. Essas mulheres zelam pelo culto fora dos mistérios, ajudam na confecção de roupas, matem a ordem no salão, respondendo a todos os cânticos ou puxando alguns especiais, que somente elas tem o direito de cantar para os Babás.

Antes de iniciar os rituais para Egun, elas fazem uma roda para dançar e cantar em louvou aos Orixás; após esta saudação elas permanecem sentadas junto com outras mulheres. Elas funcionan como um elo entre os atokuns e os Eguns ao transmitir suas mensagens aos fiéis. Elas conhecem todos os babás, seu jeito e suas manias e sabem como agradá-los.

Este espaço sagrado sagrado é o mundo de Egun nos momentos de encontro com seus descendentes. A assistência está separada deste mundo pelos ixans que os amuixan colocam estratégicamente no chão, fazendo assim uma divisão simbólica do ritual dos espaços, separando a “morte” da “vida”. É através do ixan que se evita o contato com o Egun: ele respeita totalmente o preceito, é o instrumento que o invoca e o controla. Às vezes, os mariwos são obrigados a segurar o Egun com um ixan no seu peito, tal é a volúpia e a tendência natural de ele tentar ir ao encontro dos vivos, sendo preciso, vez ou outra, o próprio atokun ter de intervir rápida e rispidamente, pois é o Ojé que por ele zela e o invoca, pelo qual ele tem grande respeito.

O espaço profano é dividido em dois lados: à esquerda ficam mulheres e crianças e à direita, os homens. Após Babá entrar no salão, ele começa a cantar seus cântigos preferidos, porque cada Egun em vida pertencia a um determinado Orixá. Como diz a religião, toda pessoa tem seu próprio Orixá e esta característica é mantida pelo Egun. Por exemplo: se alguém em vida pertencia a Xangô, quando morto e vindo como Egun, ele terá suas vestes as características de Xangô, puxando pelas cores vermelha e branco. Portará um osê (machado de lãmina dupla), que é sua insígnia; pedirá aos alabês que toquem o alujá, que também é o rítmo preferido de Xangô e dançará ao som dos tambores e das palmas entusiastas e hesitantemente marcadas pelos Oyês femininos, que também responderão aos cântigos e exigirão a mesma animação das outras pessoas ali presentes.

Babá também dançará e cantará suas próprias cantigas, após ter louvado a todos e ser bastante reverenciado. Ele conversará com fiéis, falará em um possível Yorubá arcaico e seu atokun funcionará como tradutor. babá Egun começará perguntando pelos fiéis mais frequentes principalmente pelos Oyês femininos, depois pelos outros e finalmente será apresentado às pessoas que ali chegarem pela primeira vez. Babá estará orientando, abençoando e punindo, se necessário, fazendo o papel de um verdadeiro pai, presente entre seus descendentes para aconselha-los e protegê-los, mantendo assim a morale a disciplina comum às suas comunidades, funcionando como um verdadeiro mediador dos costumes e das tradições religiosas e laicas.

Finalizando a conversa com os fiéis e já tendo visto seus filhos, Babá-Egun parte, a festa terminae a porta pricipal é aberta; o dia já amanheceu. Babá partiu, mas continuará protegendo e abençoando os que foram vê-lo.

Esta é uma breve descrição de Egungun, de uma festa e de sua sociedade, não detalhada, mas o suficiente para um primeiro e simples contato com este importante lado da religião. E também para se compreender a morte e a vida através das ancestralidade cultuadas nessas comunidade de Itaparica, como um reflexo da sobrevivência direta, cultural e religiosa dos yorubanos da Nigéria.

Pesquisa: Revista Candomblé Mitos & Lendas.
Texto de Aulo Barretti Filho,O Culto dos Eguns no Candomblé.

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O Culto a Egungun- Parte 2

O Rito

Nas festas de Egungun, em Itaparica, o salão público não tem janelas, e, logo após os fiéis entrarem, a porta principal é fechada e somente aberta no final da cerimônia, quando o dia já está clareando. Os Egunguns entram no salão através de uma uma porta secundária e exclusiva, único local de união com o mundo externo. Os ancestrais são invocados e eles rondam os espaços físicos do terreiro. Vários Amuixan (iniciados que portam o Ixan) funcionam como guardas espalhados pelo terreiro e nos seus limites, para evitar que alguns Babá ou os perigosos Apaaraká que escapem aos olhos atentos dos Ojês saim do espaço delimitado e invadam as redondezas não protegidas.

Os Eguns são invocados numa outra construção sacra, perto mas separada do grande salão chamada de Ilê Awo (casa do segredo), na Bahia, e Igbo Igbalé (bosque na floresta) na Nigéria. O Ilê Awo é dividido em uma ante-sala, onde somente os Ojés podem entrar, e o Lêsànyin ou Balé, onde só os Ojês Agbá entram.

Oiê balé é o local onde estão os idi-egungun, os assentamentos – estes são elementos litúrgicos que, associados, individualizam e identificam o Egun ali cultuado, e, o Ojubó-Babá, que é um buraco feito diretamente na terra, rodeado por vários Ixans, os quais, de pé, delimitam o local.
Nos Ojubós são colocados oferendas de alimentos e sacrifícios de animais para o Egun a ser cultuado ou invocado. No Ilê Awo também está o assentamento da divindade Oyá de culto Igbalé, Oyá Igbalé como é popularmente conhecida, a única divindade feminina venerada e cultuada simultâneamente pelos adeptos e pelos próprios Eguns.

No balé os Ojés atokutun vão invocar o Egun escolhido diretamente no seu assentamento, e é neste local que o awo (segredo)- o poder e o axé e Egun nasce através do conjunto Ojé-ixan/Idi-ojubó.A Roupa é preenchida e Egun se torna visível aos olhos humanos. Após saírem do Ilê Awo, os Eguns são conduzidos pelos amuixan até a porta secundária do salão, entrando no local onde os fiéis os esperam, causando espanto e admiração, pois eles ali chegaram levados pelas vozes dos Ojés, pelo som dos amuixan, branindo os ixans pelo chão e aos gritos de saudação dos alabês (tocadores e cantadores de Egun). O clima é realmente perfeito.

Pesquisa:Revista Candomblé Mitos & Lendas.
Texto de Aulo Barretti Filho,O Culto dos Eguns no Candomblé.

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O corpo literário de Ifá é uma importante fonte de informações sobre o sistema de crença e valores Yorubas. Como porta voz de outras divindades, Ifá é depositário de todos os mitos e dogmas morais das outras divindades. O Povo Yoruba crê que Òrúnmìlá estava presente quando Olódùmarè (Deus todo poderoso) criou o céu e a terra. Portanto, Ifá conhece a história do céu e da terra e domina as leis físicas e morais com as quais Olódùmarè governa o universo. Por isso Òrúnmìlá é tido como sábio conselheiro, historiador e tutor da sabedoria divina. Por isso, entre seus nomes de honra está:

Akónilóran bí ìyekan eni,

Ogbón ile ayé,

Òpìtàn ilè ifè

Aquele que ensina alguém com sabedoria, como se fosse de sua família

A sabedoria da Terra,

O historiador da terra de Ifè

Os importantes conceitos filosóficos personificados no corpo literário de Ifá incluem o conceito de Orí (cabeça espiritual ou interior), ebo (sacrifício) e Ìwà Pèlè (bom caráter).

Esses três conceitos são muito relacionados e complementares entre si.  Orí é a essência da sorte e a mais importante força responsável pelo sucesso ou fracasso humano. Além disso, Orí é a divindade pessoal que governa a vida e se comunica, em prol do indivíduo, com as demais divindades. Qualquer coisa que não tenha sido sancionada pelo Orí de uma pessoa, não pode ser aprovada pelas divindades. Isso que quer dizer a declaração encontrada em Ògúndá Méjì, Ifá diz:

Orí, pèlé,

Atèténíran;

Atètègbenikòòsà

Kò sóòsa tíí dá ‘ níí gbè léyìn orí eni.

Orí, eu te chamo

Você que sempre abençoa rapidamente os seus.

Você, que abençoa o homem antes de qualquer òrìsá,

Nenhum òrìsá abençoa uma pessoa sem o consentimento de seu Orí.

Ebo (sacrifício) é uma forma de comunicação simbólica e ritual entre todas as forças do universo. Os yoruba acreditam que, além do próprio homem, existem duas grandes forças em oposição no universo, uma benevolente em relação aos seres humanos e outra hostil. As forças benevolentes são, coletivamente, conhecidas como ìbo (as divindades), e as malevolentes são conhecidas como ajogun (guerreiros opositores ao homem). As Àjé (feiticeiras) estão também em aliança com os ajogun para a destruição do homem e de sua obra. Os humanos necessitam oferecer sacrifício às duas forças para sobreviver. O Homem necessita oferecer sacrifício às forças benéficas para continuar gozando de seu apoio e bênçãos. Necessita também oferecer sacrifício aos ajogun e às àjé com o objetivo de não encontrar sua oposição quando estiver prestes a realizar algum projeto importante.

A divindade que age como mediador entre as três partes mencionadas acima é Èsù, que partilha um pouco dos atributos das forças benéficas e maléficas. É o policial do universo. Além disso, é imparcial, uma vez que só irá dar apoio ao homem ou divindade que tenha feito sacrifício. Isso é o que quer dizer a afirmação: eni ó rúbo Èsù gbè.

Uma vez recebido o sacrifício prescrito, ele proibirá os ajogun de prejudicar o suplicante.

Èşù  é o guardião do àse, semelhante à autoridade e o poder divino com os quais Olódùmarè criou o universo. Èsù é, conseqüentemente, o verdadeiro administrador do universo, o princípio da ordem e da harmonia e agente da reconciliação. Sua esposa, Agbèrù, recebe todos os sacrifícios em seu nome. Após tirar sua parte de aárùún (cinco búzios) e um pouco de todos os outros materiais oferecidos em sacrifício. Èşù  leva as oferendas para as divindades ou os ajogun envolvidos. O efeito, normalmente, é a restauração da paz e a reconciliação entre as partes conflituosas.

Uma questão emerge imediatamente quando analisamos o que foi dito até agora.

Qual o papel reservado aos seres humanos no universo Yorubá, onde o indivíduo não pode agir de forma independente de seu Orí e está à mercê de dois poderosos conjuntos de forças sobrenaturais aos quais ele deve oferecer sacrifícios incessantemente para poder sobreviver.

O indivíduo realmente importa em tal sistema? É aí que o conceito de Ìwà pèlè entra. Juntamente com um conjunto de princípios menores como àyà e esè, o princípio de Ìwà pèlè, em certo grau, liberta o homem dessa estrutura de universo autoritária e hierárquica e de qualquer forma, provém a ele com um conjunto de princípios com os qual regular sua vida, com o intuito de evitar colisões com os poderes sobrenaturais e com seus companheiros humanos. Segue-se uma pequena descrição e interpretação do princípio de Ìwà relacionado com os as crenças dos Yorubas já citadas acima.

A palavra Ìwà é formada a partir da raiz verbal wà (ser ou existir) adicionada do prefixo deverbativo “i”. O sentido original de Ìwà pode, então, ser interpretado como “o fato de ser, viver ou existir”. Assim, quando Ifá fala de

Ire owó

Ire omo

Ire àikú parí ìwà,

O significado de ìwà nesse contexto é exatamente o referido acima.

Tenho a impressão de que o outro significado de ìwà (caráter, comportamento moral) é originário da utilização idiomática deste sentido léxico original. Se este for o caso, ìwà (caráter) é, portanto, a essência de ser. O ìwà de um ser humano pode ser usado para caracterizar sua vida, especialmente em termos éticos.

Além disso, a palavra ìwà (caráter) pode ser usada para se referir a ambos, bom e mau caráter. Para exemplificar de forma declarativa, alguém poderia dizer:

Ìwà okùnrin náà kò dára

O caráter do homem não é bom.

Ìwà okurin náàá dára

O caráter do homem é bom.

Mas, às vezes, a palavra ìwà pode ser usada para se referir unicamente ao bom caráter.

Obìnrin náàá ní ìwà

A mulher tem bom caráter.

Pode-se dizer também:

1-    Ìwà pèlé (caráter bom, ou manso).

2-    Ìwà búburú /buruku (mau caráter).

Este estudo é sobre Ìwà pèlé, que pode ser traduzido como caráter manso, gentil, ou, em um sentido amplo, bom caráter.

Como mencionado acima, ìwà é tido como um dos muitos objetivos da existência humana para o Yorubá.

Todo indivíduo deve empenhar-se para ter ìwà pèlé, com o objetivo se ser capaz de ter uma boa vida num sistema dominado por muitos poderes sobrenaturais e numa sociedade controlada pela hierarquia nas autoridades.

O homem que possui ìwà pèlé não colidirá com nenhum dos poderes, sejam humanos ou sobrenaturais e, desta forma, viver em completa harmonia com as forcas que governam o universo.

É por isso que o Yoruba tem ìwà pèlé como o mais importante de todos os valores morais e o maior de todos os atributos de qualquer homem.

A essência da prática da religião para o Yoruba consiste, assim, em empenhar-se em cultivar Ìwà pèlè. Isso é o que quer dizer o ditado:

Ìwà Lèsin

(Ìwà é outro nome para a devoção religiosa)

No corpo literário de Ifá, ìwà é representada por uma mulher. Ogbè Alárá (Ogbe’sá), um dos ómó Odù Ifá diz que Ìwà era uma mulher de máxima beleza com a qual Òrúnmìlá se casou, após ela já ter se separado de diversas outras divindades. Apesar de sua beleza, Ìwà não tinha um bom comportamento.

Ela tinha péssimos hábitos e uma língua incontrolável. Além disso, ela era preguiçosa que sempre fugia de suas responsabilidades.

Após eles estarem casados há algum tempo, Òrúnmìlá já não podia mais tolerar seus maus costumes. Assim, ele a mandou embora. Porém, quase imediatamente após ela sair de casa, ele se deu conta de que mal poderia viver sem ela. Ele perdeu o respeito de seus vizinhos e foi desprezado por sua comunidade. Além disso, todos os seus devotos o abandonaram e a prática da divinação não gerava mais lucros. Faltava-lhe dinheiro para gastar, roupas para vestir e outros utensílios necessários para que vivesse uma vida boa e nobre.

Cabe esclarecer que na Nigéria o cargo de Babalawo é um oficio.

Òrúnmìlá, então colocou sua roupa de Egúngún e saiu em busca de Ìwà. Ele visitou as casas dos dezesseis mais importantes chefes do culto à Ifá, porém, não encontrou sua esposa. Ele permaneceu do lado de fora da casa de cada um dos chefes e cantou a seguinte canção:

Sabedoria da mente, sacerdote de Ifá da casa de Alárá

Consultou Ifá para Alárá,

Apelidado de Ejì Òsá, (Osá meji)

Descendente daqueles que usam bastões de ferro para fazer trinta gongos.

Grande compreensão, sacerdote de Ifá de Ajerò

Consultou Ifá para Ajerò,

Descendente do homem valente que se recusa completamente a entrar em uma briga.

Onde você viu Ìwà, me diga

Ìwà, Ìwà, é a você que estou buscando.

Se você tem dinheiro,

Mas não tem um bom caráter,

O dinheiro pertence à outra pessoa.

Ìwà, Ìwà, é a você que estamos buscando.

Se alguém tem filhos,

Mas lhe falta bom caráter,

Seus filhos pertencem à outra pessoa.

Ìwà, Ìwà, é a você que estamos buscando.

Se alguém possui uma casa

Mas lhe falta bom caráter,

Sua casa pertence à outra pessoa.

Ìwà, Ìwà, é a você que estamos buscando.

Se alguém tem roupas,

Mas lhe falta bom caráter

Suas roupas pertencem à outra pessoa.

Ìwà, Ìwà, é a você que estamos buscando.

Todas as boas coisas da vida que um homem tiver,

Se lhe falta bom caráter,

Pertence a outra pessoa.

Ìwà, Ìwà, é a você que estamos buscando.

Após uma longa busca, Òrúnmìlá encontrou Ìwà na casa de Olójo que havia desposado ela novamente. Quando chegou à casa de Olójo, ele cantou a mesma cantiga e Olójo veio para o lado de fora para encontrá-lo.

Òrúnmìlá disse a ele que estava em busca de Ìwà, sua esposa, que o havia abandonado. Olójo se recusou a devolvê-la para Òrúnmìlá e uma disputa seguiu-se, na qual Òrúnmìlá atingiu Olójo com a pata de uma cabra com a qual havia feito sacrifício antes de sair de casa.

O impacto jogou Olójo a muitas milhas de distância. Òrúnmìlá, então, pegou sua esposa de volta, em paz. A história sobre ìwà contada acima é importante por diversas razões. Em primeiro lugar, é digna de nota que o símbolo de bom caráter seja uma mulher.

No folclore Yorùbá, a mulher representa os dois lados opostos do envolvimento emocional. As mulheres são símbolo do amor, cuidado, devoção, suavidade e beleza. Ao mesmo tempo é especialmente o poder ajè, símbolo da maldade, do endurecimento, desfaçatez e deslealdade.

Uma vez que ìwà é um atributo que pode ser tanto mau como bom (conforme explicado acima) somente as mulheres, às quais os Yorùbá lhe atribuem tal visão moral estereotipada, podem ser usadas como símbolo de ìwà.

Usando tal símbolo, o que Ifá quer que entendamos é que todo indivíduo deve tomar cuidado com seu caráter como toma conta de sua esposa. Assim como uma esposa pode ser um fardo para seu marido ou vice e versa, um bom caráter não pode ser um fardo para o justo e fiel, porém estes nunca devem se esquivar de sua responsabilidade.

As mulheres podem ser tidas como feiticeiras e mentirosas, porém o Yorùbá sabe que sem elas a sociedade humana não pode sobreviver.

Da mesma forma, o bom caráter pode ser difícil de possuir como atributo, porém se ninguém o tivesse, o mundo seria um lugar muito difícil de viver.

Em segundo lugar, é importante notar também que a própria Ìwà, é uma mulher que lhe falta um bom caráter e que se permitem péssimos hábitos. Isso significa que um homem que aspire ter bom caráter deve estar preparado para suportar aquilo que os Yorùbá chamam de ègbin (coisa suja ou indecente).

O homem que aspire ter bom caráter deve saber que algumas vezes se encontrará em situações desagradáveis, as quais ofenderam seu senso de dignidade e de decência. Ainda assim ele não deve se afastar do caminho do bom caráter sob pena de perder a própria essência e o valor da vida.

O verso de Ifá citado acima compara ìwà com outras coisas valiosas que o homem também aspira conquistar – dinheiro, filhos, casas e roupas. Ifá posiciona ìwà acima de todas essas coisas de valor. Um homem que possua todas essas coisas, mas, que não tenha ìwà, as perderá rapidamente, provavelmente, para outro que tenha ìwà e que sabia cuidar de tudo isso. Ìwà é, portanto, o mais valioso bem entre tudo aquilo que é valioso no sistema de valores Yorùbá.

Outro verso de Ifá sobre ìwà, citado pelo Sr. Modupe Alade, em sua moradia, no Egbé Ijinlè Yorùbá (Sociedade Cultural Yorùbá), Lagos, em 31 de agosto de 1967 e publicado na revista de cultura Yorùbá, Olókun nº8, de agosto de 1969, se diferencia em alguns detalhes significantes do visto anteriormente. O seguinte é extraído desse poema:

Se pegarmos um objeto de madeira rágbá e batermos com ele numa cabaça,

Vamos saudar Ìwà

Se pegarmos um objeto de madeira rágbá e batermos com ele numa cabaça,

Vamos saudar Ìwà

Se pegarmos um objeto de madeira rágbá e batermos com ele numa pedra,

Vamos saudar Ìwà

Ifá foi consultado para Orunmilá,

Quando nosso pai ia se casar com Ìwà.

Era a primeira vez que Òrúnmìlá se casava com uma mulher,

Ìwà foi com quem ele casou,

Ìwà mesma

Era filha de Sùúrù (paciência).

Quando Òrúnmìlá propôs casamento a Ìwà,

Ela disse que estava de acordo.

Ela disse que se casaria com ele.

Mas que havia uma coisa que ele deveria observar.

Ninguém deveria mandá-la embora de seu lar nupcial.

Mas ela não deveria ser usada de forma descuidada, como alguém usa a água da chuva.

Ninguém deveria puni-la desnecessariamente.

Òrúnmìlá exclamou:

Deus não permita que eu faça tal coisa.

Ele disse que cuidaria dela.

Disse que a trataria com amor,

E que a trataria com gentileza.

Então, ele casou com Ìwà.

Após um longo tempo,

Ele se tornou infeliz com ela.

Então começou a perturbar Ìwà.

Se ela fizesse uma coisa,

Ele reclamava que ela havia feito de forma errada.

Se ela fizesse outra coisa,

Ele também reclamaria.

Quando Ìwà percebeu que aquilo era demais para ela,

Disse:

Tudo bem.

Voltou para a casa de seu pai.

Seu pai era o primogênito de Olódùmarè.

Seu nome era Sùúrù, o pai de Ìwà.

Ela, então, reuniu seus utensílios em uma cabaça,

E partiu para sua casa.

Ela foi para o òrun.

Quando Òrúnmìlá retornou, disse:

Saudações ao povo de dentro de casa.

Saudações ao povo de dentro de casa.

Saudações ao povo de dentro de casa.

Porém Ìwà não apareceu.

Nosso pai então perguntou por Ìwà.

Os outros habitantes da casa disseram que não a viram.

“Onde ela foi? Foi ao mercado? Ela foi a algum lugar?”

Ele perguntou isso durante muito tempo, até que juntou dois búzios com três,

E foi para a casa de um sacerdote de Ifá.

Disseram a ele que ela havia fugido.

Ele foi aconselhado a ir e encontrá-la no lar de Alárá.

Quando ele chegou à casa de Alárá, disse:

Se pegarmos um objeto de madeira rágbá e batermos com ele numa cabaça,

É Ìwà que buscamos.

Vamos saudar Ìwà.

Se pegarmos um objeto de madeira rágbá e batermos com ele numa cabaça,

É Ìwà que buscamos.

Vamos saudar Ìwà.

Se pegarmos um objeto de madeira rágbá e batermos com ele numa pedra,

É Ìwà que buscamos.

Vamos saudar Ìwà.

Alárá, você viu Ìwà, diga-me?

É Ìwà que buscamos.

Ìwà?

Alárá disse que não havia visto Ìwà.

Nosso pai foi, então, para a casa de Òràngún, rei da cidade de Ilá

Descendente de um pássaro com muitas penas.

Ele perguntou se Òràngún tinha visto Ìwà.

Mas Òràngún disse que não tinha visto.

Mal havia outros lugares onde procurar.

Após muito tempo,

Ele voltou,

E indagou a seus instrumentos divinatórios.

Ele disse que procurou por Ìwà na casa de Alárá.

Ele a procurou na casa de Ajerò,

Ele a procurou na casa de Óràngún.

Ele a procurou na residência de Ògbérè, sacerdote de Ifá de Olówu,

Ele a procurou na residência de Àséégbá, sacerdote de Ifá de Ègbá.

Ele a procurou na residência de Àtàkúmòsà, sacerdote de Ifá de Ìjèsà.

Ele a procurou na residência de Òsépurútù, sacerdote de Ifá de Rémo

Mas eles disseram que Ìwà tinha ido para o òrun.

Ele disse que iria lá e a traria de volta.

Eles disseram: tudo bem,

Providenciaram para que ele realizasse sacrifício.

Disseram a ele que oferecesse uma rede,

E desse mel a Èsù.

Ele ofereceu o mel em sacrifício a Èsù.

Quando Èsù provou o mel,

Disse:

O que é isso que é tão doce?

Òrúnmìlá, então, entrou em sua roupa de Egúngún,

E foi para o céu.

E começou a cantar novamente.

Èsù fez um jogo de desfaçatez,

E foi para onde Ìwà estava.

Ele disse:

Um homem chegou ao céu,

Se você ouvir sua canção,

Ele diz tais e tais coisas…

É você que ele está procurando…

Ìwà então partiu (de seu esconderijo),

E foi os encontrar no local onde cantavam.

Òrúnmìlá estava em sua roupa Egúngún.

Ele viu Ìwà através da rede da roupa.

Ele a abraçou.

Aqueles que transformam a má sorte em boa, então, abriram a roupa.

Ìwà, porque você se portou de tal maneira?

Deixou-me na Terra e foi embora.

Ìwà disse:

É verdade.

Ela disse que foi por causa da forma que ele a maltratou

Que ela fugiu.

Para que ela tivesse paz em sua mente.

Òrúnmìlá então implorou para, por favor,

Que ela tivesse paciência com ele.

E voltasse com ele.

Mas Ìwà se recusou,

Mas disse:

Tudo bem

Ela ainda podia fazer alguma coisa.

Ela disse:

Você, Òrúnmìlá,

Volte para a Terra

Quando você chegar lá,

Todas as coisas que eu disse para que você não fizesse,

Não tente fazer.

Comporte-se muito bem.

Comporte-se com bom caráter.

Cuide de sua esposa,

E cuide de seus filhos.

De hoje em diante, você não colocará mais os olhos em Ìwà.

Mas eu estarei com você.

Mas, o quer que você faça para mim,

Irá determinar quão ordenada será sua vida.

O verso de Ifá relatado acima confirma o anterior em alguns aspectos. Em ambos Ìwà é uma mulher e foi esposa de Òrúnmìlá.

Além disso, em ambas as histórias, Òrúnmìlá teve que ir procurar por Ìwà depois que ela o deixou.

A canção que Òrúnmìlá cantou em ambos os poemas, enquanto buscava Ìwà é, em certo grau, similar. Apesar disso tudo, os poemas são diferentes.

O segundo poema diz que Ìwà é filha de Sùrùú (paciência) que foi o primogênito de Olódùmarè.

Esse detalhe fundamental falta ao primeiro poema e, portanto é necessário ressaltá-lo e cabe investigação.

O segundo poema liga Ìwà com Paciência e também com o próprio Deus.

O significado disso é que o homem, para obter o bom caráter, deve em primeiro lugar, ter paciência.

É por isso que temos o ditado:

Sùrùú ni baba ìwà (Paciência é o pai do bom caráter).

De todos os atributos que um homem com bom caráter deve ter, paciência é o mais importante se todos porque a pessoa que é paciente terá tempo para meditar sobre as coisas e sempre chegar a justas e honestas conclusões. Devemos, então, ser paciente com as pessoas e aprender a ser tolerantes para podermos ter bom caráter.

Se Òrúnmìlá tivesse aprendido a ser paciente, ele não teria perdido sua esposa Ìwà.

O segundo poema liga Ìwà com Olódùmarè, que, na história, é seu avô.

O significado disso é muito claro.

Significa que Olódùmarè é a personificação do bom caráter.

Ele, então, espera que os seres humanos também tenham bom caráter. É um pecado contra a divina lei de Olódùmarè que qualquer um se desvie do caminho do bom caráter. A pessoa que fizer isso será punida pelas divindades a menos que ofereça sacrifício, o qual mostrará que se arrependeu e restaurará a paz e a harmonia na desgastada relação que seu desvio cria entre a pessoa e as forças sobrenaturais. Isso, então, é a razão pela qual o Yorùbá tem o bom caráter como à essência da religião.

O corpo literário de Ifá pode, então, ser tomado como um conjunto de poemas míticos e históricos que nos oferece, através do uso da analogia, imagens e símbolos, o que se deve fazer no intuito de estarem em paz com Deus, as forças sobrenaturais, nossos vizinhos e em verdade, consigo mesmo.

Todos esses preceitos e advertências podem ser reduzidos a um pensamento:

Atenha-se fortemente ao cultivo do bom caráter para que sua vida seja boa.

O conceito Yorùbá de existência transcende o tempo do indivíduo na Terra.

Vai além de sua época e inclui as memórias que o homem deixa após sua morte. Portanto, é fundamental ser um homem de bom caráter para que deixe boas lembranças quando se for.

Em uma sociedade que eleva os mortos a condição de ancestrais e que armazena homenagens a eles em sua arte verbal, a única recompensa durável para o homem de bom caráter reside nos poemas, nas máscaras e nas cerimônias anuais que serão feitas em sua homenagem após morte.

A importância posta, pelos Yorùbá, no princípio de ìwà mostra que as religiões tradicionais africanas são baseadas em profundos valores morais que sustentam as crenças inerentes a essas religiões.

Freqüentemente, ouvimos dos seguidores ignorantes do Cristianismo e do Islã, que as religiões tradicionais africanas não são baseadas em nenhum valor ético.

Nada pode ser mais distante da verdade.

O princípio de ìwà mostra que as religiões Tradicionais africanas estão baseadas em profundas e significativas idéias filosóficas.

Por: Wande Abimbola.

 


 
 

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