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Archive for Abril, 2016

Yawô

 

O axé encontra-se numa grande variedade de elementos do reino animal, vegetal e mineral. Encontra-se em elementos da água, doce e salgada e da terra. Acha-se contido nas substâncias essenciais de seres, animados ou não.


Elbein dos Santos (1986) apresenta uma classificação do axé em categorias: sangue vermelho, sangue branco e sangue preto. O sangue vermelho, no reino animal compreende o sangue propriamente dito, animal e humano, aí incluído o fluxo menstrual; no reino vegetal, inclui o epo, azeite de dendê, o osun, pó vermelho extraído de pterocarpus erinacesses e o mel, sangue das flores. O sangue branco incluem no reino animal, o hálito, o plasma, o sêmen, a saliva, o suor e outras secreções; no reino vegetal, a seiva, o sumo, o álcool e as bebidas brancas extraídas de palmeiras e de alguns vegetais, o ori, manteiga vegetal e oiyerosun, pó esbranquiçado extraído do irosun; no reino mineral, os sais, o giz, a prata, o chumbo, etc.
O sangue preto compreende, no reino animal, as cinzas de animais; no vegetal, o sumo escuro de certas plantas, o ilu, índigo extraído de diferentes tipos de árvores, pó azul escuro chamado wáji; no reino mineral, o carvão, ferro, etc.
Para poder atuar, o axé deve ser transmitido através de uma combinação particular que contém representações materiais e simbólicas do branco, do vermelho e do preto, do Aiyê e do orun, competindo ao oráculo à definição da composição necessária do axé a ser implantado ou restituído.
O sangue – animal, vegetal ou mineral – é substância indispensável para a restauração da força. Todo ritual, seja uma oferenda, um processo iniciativo ou uma consagração, realiza implante da força ou revitalização.

O que vive, para poder realizar-se ou realizar, precisa de axé e, não sendo a fonte inesgotável, a reposição se faz necessária e é obtida através da prática ritual que reatualiza a força do tempo primordial, o tempo da criação!
A importância da regularidade dos ritos reside no fato de que a presença das entidades sobrenaturais é favorecida pela atividade ritual, ocasião privilegiada da transferência e redistribuição do axé. Este, oriundo das mãos e do hálito dos mais antigos, na relação interpessoal, é recebido através do corpo e atinge níveis profundos, incluídos os da personalidade, através do sangue mineral, vegetal e animal das oferendas.
Primeiramente, gostaria de citar que existem diferenças entre efun e pemba, osùn e urucum, wàji e anil, estes primeiros facilmente importados do continente Africano, não havendo a necessidade de substituí-los.
Efun é um nome jeje-nago dado a vários tipos de pó, utilizados nos rituais afros brasileiros. É muito mais conhecido pelos leigos e na Umbanda como pemba, nomenclatura utilizada pela nação angola.
No Afro-brasileiro utilizamos somente três pinturas durante a cerimônia do EFUN AGBÉ: efun – (um tipo de argila branca), osùn – um tipo de pó vermelho, obtido da árvore Baphia nitida e Peterocarpus osun ambas Leguminosae Papilionoideae e o wáji – um tipo de pó azul, obtido da árvore Indigofera sp. Leguminosae Papilionoideae.
Cada uma destas cores está relacionada com determinados Odus e existem vários significados para as pinturas, poderei citar as três principais, a saber: As três representam as três passagens do dia, o amanhecer (efun) o crepúsculo (osùn) e o anoitecer (wàji). Essas pinturas também representam uma forma de proteção contra as forças maléficas das três principais Iyami Àjé (as feiticeiras) impedindo-as que pousem sobre as pessoas e uma das principais características destas pinturas, tem como objetivo vincular todo o àse transmitido ao noviço durante os ritos da iniciação.

Adaptação e pesquisa: Ogá Braga D’Òsóòsì do Ilé Àse Òsòlúfón-Íwìn.

Fonte: Internet

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Ejá

peixepargo

Peixe pargo, entra na mesa do borí e participa da iniciação.

O peixe (EJÁ) é visto como símbolo da fecundidade e fraternidade no Candomblé. É ligado a vários Orixás ligados a água e a pesca.

O peixe é o próprio espírito das águas, sendo que esta representa o fluído vital, o fluxo de informações e conhecimento espiritual e material, por isso também representa a sabedoria repassada pela descendência.

O peixe representa as potencialidades individuais de cada um, pois a imensidão do oceano é a sua casa e a liberdade o seu próprio caminho, por isso usamos no Borí, para que tenhamos nossa liberdade das nossas escolhas e caminhos.

O peixe é a comida em vários pratos e oferendas de Orixás, entra no Borí e na iniciação, é um poderoso atin.

Normalmente utilizam-se o pargo ou cioba, pois o peixe equilibra e acalma o Orí proporcionando calma e paz.

Determinados peixes servem também de inibidor de energias negativas, como o bagre, por exemplo, que acompanha e protege a mesa de borí e vai no carrego.

Segundo as tradições antigas, é proibido o uso e alimentação dos peixes de couro, pois estes vivem enterrados na lama e no lodo, assim como todo animal proveniente desse habitat.

peixebagre
Peixe bagre entra na mesa do borí e acompanha o carrego.

Referências: Página Ikodide

Texto: Ogá Braga D’Òsóòsì

Acervo cultural Ilé Àse Òsòlúfón Íwìn

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 O Dia do Índio, 19 de abril, foi criado pelo presidente Getúlio Vargas através do decreto-lei 5540, de 1943. Essa data é lembrada e comemorada anualmente pelas comunidades indígenas, de acordo com a Funai, Fundação Nacional do índio, que também exalta a importância do momento. Mas como foi estabelecida a data? Descubra.

Em 1943, Getúlio Vargas, que era o atual presidente do Brasil, decretou que todo dia 19 de abril seria comemorado o dia do Índio no Brasil

Em 1943, Getúlio Vargas, que era o atual presidente do Brasil, decretou que todo dia 19 de abril seria comemorado o dia do Índio no Brasil

Foto: Getty Images

Em 1940, o México realizou o I Congresso Indigenista, no qual iriam ser discutidos assuntos referentes à qualidade de vida dos índios. Os próprios Índios também foram convidados a participar do Congresso, mas como estavam acostumados a serem desrespeitados, preferiram não participar.

Após alguns dias, os Índios entraram em um acordo e decidiram que iriam participar do Congresso, já que lá seriam discutidos problemas que dizem respeito a eles.

A data em que foi tomada esta decisão tão importante era 19 de abril de 1940. Por este motivo, em 1943, Getúlio Vargas, que era o atual presidente do Brasil, decretou que todo dia “19 de abril” seria comemorado o dia do Índio no Brasil.

Até hoje ocorrem comemorações na data. Geralmente, as festividades são realizadas nas próprias aldeias, ou até mesmo nas sedes dos municípios onde as mesmas estão localizadas. A Funai geralmente contribui financeiramente para as celebrações. Nelas, os índios praticam esportes tradicionais como corridas, canoagem, consomem comidas típicas e fazem manifestações.

 

Result

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Ògún

Ada_Ogun

Ada Ògún

Aquele cuja capacidade de criar problemas não tem uma pequena medida

Aquele que se move com seu exército de uma luta pra outra.

O Éjému na cidade de Olúwonrán

Aquele que amarra uma perna em um lugar de batalha

Ògún a riqueza tem suas recompensas

Sóò eşin

Aquele com muito filhos que vive em Ilè Ifé

O fato de que os ancestrais da nação Yorùbá podem ter sido gigantes, se considerarmos a força física, Ògún é um Ẹbọra (alguns voluntários dizer Ògún deve ser melhor classificado como Òrìșà).

Isto é evidente segundo um dos nomes de louvor:

Àwàlàwúlú Òrìșà tii Jebba ekolo mó bi.

O grande Òrìșà que come centenas de minhocas da terra cruas sem vomitar.

Aquele cujo poder é comparável a qualquer outra divindade.

Foi talvez por causa de sua força e energia que ele foi escolhido por Òlódùmarè para vir à Terra. Ògún foi quem abriu o caminho para as outras divindades. O Ògún fundamental que veio do Ợrùn com as divindades é conhecido como Ògún Eréjà.

Por causa de sua guerra itinerante, ficou mais conhecido como Ògún.

Ògún senhor da guerra.

Praticamente todas as famílias antigas das terras yorùbá cultuam um òrìşà. Nenhuma família existiu a princípio sem ter sua própria divindade e à qual eles obedeciam. Porém, no que se refere ao òrìşà que mais penetrou na vida das pessoas, eu diria que Ògún é provavelmente o mais venerado. A razão não é inverossímil, seus instrumentos sagrados estão em toda parte. Ninguém está acima de um julgamento e Ògún está sendo usado com frequência na agricultura, viagens e até mesmo alguns alimentos tem a mão de Ògún. Por isso não foi difícil para o povo abraçar Ògún independentemente de qualquer outro òrìşà que possa ter seus próprios devotos.

Em Ire, o lugar é apresentado como a casa de Ògún, quase todos os indígenas (pelo menos nas duas últimas décadas) tem o seu ícone de Ògún que é usado para uma função ou outra. No entanto, alguns versos de Ifá traçam a linhagem de Ògún desta maneira:

Ire kii se le Ògún o

Se bemu l’Ògún ya mu

Emu l’Ògún mu níre

Ni o wale mo

Ire não é a casa de Ògún

O vinho de palma foi o que fez Ògún parar de beber

Ògún parou de beber vinho de palma

Ele nunca retornou para sua casa

Como houve várias encarnações de Ògún, se foi este que parou em Ire, então foi o mesmo Ògún ou não, eu não me sinto capaz de dizer, porém, o que é definitivo é que um deles atravessou a famosa cidade e chegou a se estabelecer ali. Como no caso de Ợbàtálá e Ọrúnmìlà, o Ògún divinizado neste lugar pode ter sido um filho ou a encarnação do Ògún original.

Pausa: Há uma forte corrente dentro do Culto Tradicional Yorùbá de que nossos ancestrais divinizados tiveram várias encarnações nesse mundo, nos tempo imemoriais, ou seja, nos primórdios. (Odé Ợlaigbò)

No entanto, um olhar mais atento sobre Ondo, um Estado da Nigéria mostra que a veneração a Ògún está rapidamente se tornando uma atração turística que foi modernizada em uma espécie de carnaval e comemorado como um dia nacional dos indígenas de Ondo todos os anos. Não devemos esquecer que Ọlọfin Odùdúwà enviou Ògún e alguns caçadores para realocar seu filho problemático, Ohùn, nas colinas de Ìdànrè. Ìdànrè até agora está localizada na Nigéria no estado de Òndó (Teologia – Genealogia Yorùbá. Ayo Salami).

Mas vamos revisitar o Ògún original, que se tornou rei após a saída de Ọlọfin Odùdúwà para o Céu. Não nos deixe esquecer que ele era uma personalidade que não permaneceu em um determinado lugar por um longo tempo. Ele estava sempre em guerras, combates, em movimento e expedições realizadas em todos os cantos e recantos da Terra reunido as outras divindades. Talvez poderia ter sido possível que o comportamento de Ògún fosse o responsável por que alguns grupos decidiram estabelecer-se longe de Ile Ife.

Sendo um guerreiro e uma pessoa inquieta que não iria parar até obter justiça, era temido por muitas pessoas do mal. Mas para Ògún entre deixar ir e que ele ficasse longe sem a permissão do rei, ele preferiria ir e trazê-los de volta para que eles pudessem viver juntos na mesma cidade.

Em um verso de Ifá, este Ògún original viajou para travar guerras e capturar escravos em um lugar referido por Ifá como “Ojùgbòròmekùn Eséji” (apesar de ser um rei) ele esteve fora por muito tempo. Isso levou as pessoas de Ife a instalar no poder Ọránmíyàn (todos os reis que subiram ao trono depois de Odùdúwà tornam-se automaticamente Ọlọfin), um neto de Odùdúwà como herdeiro do trono aguardava a chegada de Ògún. Isto levou as pessoas de Ilè Ife a instalarem Ọránmíyàn (o rei que subia ao trono real depois de Odùdúwà automaticamente se tornava Ọlọfin) um neto de Odùdúwà como o herdeiro do trono pendente que aguardava o retorno de Ògún.

Quando ele finalmente retornou, Ògún não sabia que ele estava em Ifé novamente ele decidiu tomar mais escravos de sua própria cidade.

Assim que foi visto como um senhor da guerra pelos habitantes da cidade, a notícia chegou ao palácio do rei, que também era a casa do general do Exército de Ile Ife. Ọránmíyàn rapidamente saltou para atender e enfrentou o senhor da guerra. Eles entraram em uma briga. Uma vez que Ògún era um lutador genuíno, ele pensou que seria fácil vencer, não foi possível. Por mais de Ògún tentasse, ele não poderia ganhar. Ficou tão surpreso que solicitou uma pausa para fazer algumas perguntas.

“Será que há alguém nesse mundo que eu não posso ganhar em uma luta?

Em que você é diferente?

Quem é seu pai?

Preguntou Ògún.

Ògún é o rei desta cidade e não há uma guerra que possa nos capturar durante sua ausência.

Replicou Ọránmíyàn.

O que?

Esta é a cidade de Ilè Ife?

Perguntou Ògún, muito desconcertado.

Você é meu filho Ọránmíyàn?

Ògún muito confuso observou e perguntou.

É você Ògún?

Sim,

Ele respondeu, abatido e cansado.

Se não fosse por você, eu teria destruído a cidade que viemos fundar quando viemos do Ợrùn.

Depois de permanecer triste por um bom tempo, ele pegou seu instrumento de guerra chamado, Asá Ògún, se dirigiu para o interior da terra e ordenou que a Mãe Terra o engolisse e o levasse de volta ao Ợrùn. Este instrumento que ele levou para dentro da terra também se tornou em uma formação rochosa.

A lenda relata que no momento em que entrou na terra a cabeça de Ògún ficou acima da superfície e também se tornou uma formação rochosa. Estas duas formações estão em Idè, no santuário de Ògún (Òkè Ìmògún) ao lado do templo de Ifá em Òde Ìtase. O rei de Ilè Ifè vai todos os anos até lá e oferece sacrifícios ao Ògún de uma outra época.

No Odù Ogbè‘Ògúndá há outra história de como Ògún comoveu o mundo.

Neste verso, Ọrúnmìlà e Ògún se diz terem se envolvido em uma luta feroz durante a qual encantos foram empregadas por Ògún e por Ọrúnmìlà. A história finalmente termina com Ọrúnmìlà soprando Ìyèrósùn em Ògún que caiu do cavalo, entrou na Mãe Terra e se tornou uma rocha ou minério de ferro, Ota.

O verso no entanto acrescenta que devido à sua habilidade ele pisou na natureza e estes minerais permanecem nesses locais até hoje. Se este Ògún era uma encarnação e Ọrúnmìlà foi outra encarnação, como conta a história, este Odù está levemente distorcido (mesmo que a guerra tenha sido um fator comum e Ọránmíyàn era também um Babalawo que também pode ser considerado como Ọrúnmìlà era), nunca poderemos ter certeza.

Apesar do fato de Ògún ser altruísta, ele é severo, violento, porém, simples.

Não se pode tratá-lo com padrões duplos e sair sem um arranhão ou castigo sem olhar para traz.

Uma história que se conta pelo Instituto da Ética e Justiça (Teologia Yorùbá e Tradição, o Homem – Ayo Salami) é uma das muitas que mostram claramente até que ponto tudo isto é verdade. Por causa de sua violência natural, o material de sacrifício de Ògún sempre é colocado do lado de fora da casa.

Alguns líderes intelectuais da cultura Yorùbá também pensam que outra razão para colocar os sacrifícios de Ògún no exterior serve como um lembrete para qualquer um que pretenda se desviar de algum negócio, ele deve saber que quem tenta fazer isso em segredo será exposto para o mundo inteiro.

Ògún (Ògún Eréjà ou Ògún Ògún) foi iniciado no culto de Odù Ifá e sua iniciação teve o Odù Ògúndá Mèjì.

Mas apesar de ter sido iniciado, ele foi muito dado ao uso de encantamentos, como resultado evidente de muitos versos de Ifá especialmente sob o mesmo Ògúndá Mèjì, onde tornou um peixe em dois grandes peixes. No entanto, apesar de seu talento mágico, ele oferecia sacrifícios para Ifá a cada vez que se aventurava na floresta para caçar por prazer ou para a guerra.

Durante uma de suas longas viagens, ele tomou por mulher a esposa de Ọrúnmìlà (isto está baseado em um acordo entre ambos), Àdí.

Em última estancia ele se deitou com Àdí, enquanto sua esposa Epo estava em casa. O poema no entanto, diz que foram as mulheres que seduziram Ògún. No entanto Ọrúnmìlà exigiu Epo, a esposa de Ògún, em troca de Àdí.

É por este motivo que, Ògún (e seus encantos) ‘come’ Epo até hoje, enquanto quase que todas as outras divindades o tomam.

Outras matérias de alimentação de Ògún são grãos torrados, carne de cachorro, e galo. Ela também gosta de vinho de palma e outras bebidas alcoólicas (Gin, destilados em geral). Entre os tabus bem conhecidos associados com Ògún está o grilo “Ìrè”.

Ifá diz que houve uma aliança entre os filhos de Ògún e Ìrè. Acreditava-se que, se algum filho de Ògún comesse grilos e ele ou ela trabalhasse na forja, eles estariam cometendo erros estúpidos em seu trabalho.

Como Ifá, Ògún é dado aos encantamentos, que no seu caso é chamado Ìjálá. Ìjálá é altamente cômico, educacional, informativo e musical.

Ao contrário da prosa de adivinhação, não é padronizado e, portanto, pode ser feito à vontade por qualquer um inspirado espiritualmente.

As palavras podem ser mudadas, o ritmo alternado interposto ou modificada para se tornar adequado para o ambiente em que as músicas são executadas. O aspecto musical de Ìjálá, quando considerados em relação a Ifá, Şàngó e Ẹgbé mostra que a língua Yorùbá é muito musical.

Se os seus hábitos de bebida o retratam como uma pessoa rude, seus trajes não eram melhores, Ògún se vestia com folhas de palmeira na maioria das vezes. Alguns versos de Ifá dizem que ele costumava usar estas folhas para se camuflar a cada vez que ia à caça ou de guerra. Alguns relatos dizem que foi por causa de sua identificação com Ọrúnmìlà e sua iniciação no culto de Ifá.

Os nomes de louvor no entanto mostram que Ògún poderia ter sido alguém que também gostava de usar calções.

Onija oòle, o de kembeku rebi ijà, kembeku.

É um tipo de protetor que o protegia de ser ferido. Isso não podia ser usado sob um par de calças compridas.

Como revelado em Ògúndá’Òtúúrúpòn, essa é a história que leva o nome dado ao Odu Ògúndá Òtúúrúpòn ou Ògúndabaturupon, Ògún da Òbá tu ipon.

Ògún caiu em cima do Òbá que perdeu suas calças.

Ìpòn era o que as mulheres usavam em épocas antigas igual as calças velhas como hoje, Ògún se casou com Òbá, a qual, de acordo com as palavras de Ifá, era uma mulher poderosa. Eles disseram que ela era muito resistente (mais uma prova de que os ancestrais eram fisicamente extraordinários) e tornou-se um terror para todos os homens, apesar de sua beleza. No entanto, sua força física e mental chamou a atenção de Ògún e ele decidiu pedir a mão dela. Enquanto isso Òbá sempre lutava contra qualquer homem que se atrevesse a corteja-la. Todos os homens que tentaram lutar contra Òbá tinham sido derrotados.

Ògún foi a Ọrúnmìlà para perguntar o que poderia ser feito para conseguir o amor de Òbá. Ifá fez algumas prescrições e Ògún foi aconselhado a levar umas espigas de milho quando fosse cortejar Òbá. Todas essas espigas ele jogou no campo onde ele a encontrou e lutou com Òbá. De repente, Òbá tropeçou e caiu depois de pisar em uma das espigas. Ògún ganhou. Sem perder tempo:

Ògún caiu sobre Òbá e tirou as suas calças.

Ògún da Òbá tú Ìpòn e fizeram amor.

Relevância Moderna de Ògún

Por causa dos sacrifícios que ele ofereceu a Ifá, a posição de responsabilidade que lhe foi dada por Òlódùmarè, energizado por sua curiosidade, investigação e desenvolvimento de metais, especialmente o ferro, fizeram com que Ògún chegasse a ser a divindade responsável por todos os objetos de metal. Como todas as outras divindades, ele estaria conectado com a vida.

Ògún e a justiça

Mesmo que sua versatilidade espiritual, rotulagem e envolvimento Ògún é aquele que faz a estrada ser vista tanto do ponto de vista físico como literal. Nos dias atuais, quem quer ter o conhecimento de como lidar com qualquer novo projeto ou se aventurar, pode oferecer sacrifícios para que Ògún, lhe mostre o caminho a percorrer. No sentido literal, Ògún é a divindade que controla o ferro que é utilizado para fazer facões e equipamento para limpar o caminho. Além disto, Ògún é conhecido por proteger contra acidentes e os sacrifícios e devoção a ele sempre são úteis para evitar que a pessoa cometa erros em seus trabalhos. Ògún também é forte para, como se diz, ser capaz de dar vitalidade aos seus devotos.

Ògún não tolera pessoas que causam problemas para a sociedade. Ele é uma divindade cuja ajuda pode ser procurada para investigar, procurar pistas e fazer cumprir a justiça para as pessoas que não podem se defender pelos sentidos ordinários da investigação. Matar sem justificação, incêndio, roubo ou mesmo mentira são crimes graves que podem trazer turbulência para uma sociedade. O uso de Ògún para levar à justiça os desgarrados não requer perícia ou investigação prolongada. É uma questão de alguns sacrifícios codificados que podem ser oferecidos através do próprio Ògún ou de Ifá e é certo que se descobrirá o culpado ou ele morrerá de uma forma que vai deixar claro quem era a pessoa que cometeu o crime sob essa investigação. É seguro fazer isso, é preciso e não se desperdiça tempo, energia e dinheiro.

Diferentemente da diáspora, Ògún é o òrìşà da justiça e é também o òrìşà é invocado quando se faz um juramento. Os tribunais invocavam o nome de Ògún no momento dos depoimentos recolhidos.

Ao passarmos a língua sobre qualquer tipo de metal, estamos fazendo um pacto com esse òrìşà e nos colocamos de forma fragilizada perante ele em caso de mentira ou meias verdades.

Por Ayo Salami – Teologia e Tradição Yorùbá

Tradução: Odé Ợlaigbò

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Quando comecei frequentar como abiyan uma casa de candomblé a mais de 38 anos atrás, naquele tempo não se falava em “qualidade de Orixá” e nem sabíamos direito do que se tratava, o mais importante para os zeladores da época, era realmente procurar o caminho pelo qual o Orixá (supostamente) se apresentava no seu jogo, era comum um zelador confrontar o jogo com o de seu Babá ou de sua Ìyá ou um outro egbon, não havia vaidade que se vê hoje em dia, a preocupação era em estar seguro e amparado pelo seu axé, por isso que naquele tempo haviam muitas saídas de Iyawos semanalmente com grande festa, hoje em dia algumas casas adotaram não fazer festa para tirar Iyawo, parece que estão tirando Iyawo escondido, às segundas-feiras, pouco se vê alguém tirando nome de Iyawo, ou tiram Iyawo sem relevância dentro de festa da Casa.
Meu zelador dizia depois que me iniciei, que eu era de Oxalá moço, Oxaguian, aquele que carrega o pilão de duas bocas como referência e uma vara chamada atorí, “santo funfun” dizia ele, e me prescrevia sempre os interditos, talvez para eu nunca esquecer, tal sua preocupação comigo.(valha-me Babá mi).
Hoje em dia é assustador como as pessoas que ainda mal frequentam uma casa de candomblé já sabem até a qualidade de seu Orixá. É comum um simpatizante dizer que é de qualidade tal e come com tal Orixá, que jogou e o Pai ou Mãe de santo afirmou isso e aquilo que meu odú é forte, que nasci feito, etc, etc.
Sabemos que ao pé da letra que não existe “qualidade de Orixá”, que na verdade é a mesma energia que se divide, espalhando-se, formando vários cultos, variando de acordo com sua localização, região, cultura, dando nome a cidades, lugarejos, rios, lagos, matas, são divinizados, assim , encontraremos por toda Nigéria.
No Brasil, formou-se o panteão dos Orixás por energia regente/afinidade/culto, nasceu o termo qualidade para diferenciá-los nos seus fundamentos e até nação.
Hoje em dia, os “novos zeladores” não preservam mais a energia do Orixá em sí como fator primordial numa consulta, parece que não basta dizer para o neófito qual o Orixá que se apresenta, o Orixá que prepondera naquele momento, o Orixá que responde no jogo, Não! Eles querem ir além,( supostamente evidentemente) dar a qualidade do Orixá, como se isso fosse possível e necessário, sinceramente vira loteria, arrisca-se um palpite em nome de Ifá. Muitas consulentes saem dessas consultas com esses “novos jogadores de búzios” na certeza ilusória de que realmente saber qual é o seu Orixá  e a qualidade, podendo na grande maioria das vezes estarem completamente enganados, incorrerem num erro que pode chegar até a iniciação. Dá para imaginar tamanha irresponsabilidade?
Este neófito poderá passar a amar um suposto Orixá, estudar seu arquétipo, e ainda, seu orí irá comprar involuntariamente uma falsa verdade além de se convencer de forma categórica dessa falsa verdade. O Orí humano compra a história e muitas vezes não há como demove-lo do problema e nem convence-lo a cair ou voltar a realidade.
Esses novos zeladores pseudos jogadores de búzios, alguns até com título de Ifá Tal… aprenderam  a conversar com um Obí? Ou será que eles pensam que numa consulta através dos búzios pode-se afirmar a qualidade ou caminho de um Orixá?
O mais importante não é saber a qualidade de seu Orixá, o mais importante é saber qual é o seu Orixá!
O caminho ou a qualidade certamente virá a posteriori, na iniciação, na apresentação do seu Orixá, na vibração de sua energia  no apere.
Texto: Fernando D’Osogiyan

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saude

Dia 07 de abril é comemorado o dia DIA MUNDIAL DA SAÚDE e nós do candomblé podemos trazer uma reflexão voltada para a saúde da comunidade do terreiro.

Dentro da comunidade são produzidas práticas terapêuticas que atuam na prevenção da saúde entre o mundo físico e espiritual, desenvolvendo diversos processos, como ebós, bori, etc. O bori, por exemplo, é um ritual para proporcionar equilíbrio ao adepto, presente em todas as casas de Candomblé e pelo qual todos os membros da religião passam de forma sistemática. Ele também deve estar associado a outros recursos extra-religiosos para alcançar tal fim.

Através dessa perspectiva, os terreiros agem sobre o processo saúde-doença. No terreiro se trabalha com a concepção pensada e produzida da saúde na relação entre o mítico e o empírico. Enquanto o SUS e a medicina convencional atuam através de um conjunto de serviços preventivos específicos, digamos que o Candomblé trabalha a medicina humana e espiritual, tendo uma visão como um todo.

Trabalhamos não apenas a saúde espiritual, como a psíquica através da escuta desenvolvida em atendimento de cada individuo. Dentro do terreiro é produzida uma idéia de saúde que põe em prática uma proposta que é foco de Políticas Nacionais como o HumanizaSUS: o individuo têm seu lugar de pertencimento e vínculos estabelecidos, desenvolvendo assim, uma rede de apoio que produz saúde no sentido ampliado.

Dentro do terreiro os adeptos sabem que há espaço para cuidar e ser cuidado, ouvir e ser ouvido. A comunidade contribui através dos valores e regras da construção de relações coletivas e interpessoais.

Sentimos ausências de Políticas Públicas que sejam voltadas para o convencional e tradicional, fazendo uma junção em prol dos indivíduos sem distinção de raça, gênero e etnia.

Mirelly Andréia (Aladewi)

Fonte: Página da Casa de Oxossi – Ilê Axé Ibô Omo Apaoká

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Osun Osogbo

Vista do festival anual de Òşún em Ọșogbo, no mês de agosto.

 

No culto de Òşún na cidade de Ọșogbo, existe uma organização coerente, existem:

A líder, assistentes e subordinados, são cargos e funções ditadas pelo oráculo e pela própria Òşún dentro dos ritos do Culto Tradicional, acredito que alguns desses cargos devam existir dentro do nosso Candomblé, porém, devemos ter o máximo de atenção, pois, todos os dignitários desses cargos e os que lhe auferiram esses cargos são olhados de perto por Òşún.

O arranjo seguinte nos dará uma visão geral da estrutura ou organização do culto de Òşún em Ọșogbo.

Àtàója

Ìyá Òşún

Àwòrò Òşún

Arugbá Òşún

Funcionários masculinos e femininos.

Ìsòrò Òşún e Ìwòrò Òşún

Balógun Òşún e Ìyálásè Òşún

Òtún Awo (Ìyá Èwe)

Òsì Awo (Ìyá Èwe)

Ọmọ Òşún (filhos)

Examinaremos os deveres de cada um deles no culto de Òşún Ọșogbo.

Àtàója: O rei ocupa uma posição importante no culto de Òşún em Ọșogbo.

Àtàója respeita Òşún como a sua própria mãe, de acordo com o tratado de paz e prosperidade feito pelo primeiro Àtàója com a divindade Òşún.

O povo acredita que Ọșogbo não seria uma cidade pacifica sem Òşún.

Isto está refletido em seu Oríkì:

Você não sabe que foi Òşún de Ọșogbo quem ditou as regras comunitárias para o rei?

É dever do Àtàója produzir todos os artigos do sacrifício e entretenimento durante festival anual de Òşún. Ele está também totalmente envolvido nos acontecimentos dos sete dias principais do festival. Ele segura a recepção dos visitantes.

No dia de adoração conjunta ele vai junto com Ìyá Òşún, Arugbá e Àwòrò Òşún orar por toda a cidade após o sacrifício ter sido realizado. O rei está totalmente envolvido no culto de Òşún Ọșogbo. Mas muitas coisas estão reduzindo os envolvimentos sacerdotais do rei no culto de Òşún, especialmente sua a afiliação religiosa ao Islã.

As figuras mais proeminentes do culto de Òşún em Ọșogbo são: Àtàója, Ìyà Òşún, Àwòrò Òşún e Arugbá. Todos os outros oficiais são escolhidos de acordo com as necessidades do seu culto, que é um evento recente no culto de Òşún. Isto é semelhante à organização da estrutura política da sociedade yorùbá contemporânea.

Ìyá Òşún:

Ela é a líder de todos os devotos de Òşún. Ela é, juntamente com Àwòrò Òşún organizadora do culto diário, semanal e anual. Ela quebra o Obi (a noz de cola) no ritual do santuário para saber os desejos de Òşún para seu povo.

Ela sabe o que fazer para comungar com Òşún. Ela sabe qual sacrifício oferecer e os rituais a executar quando epidemias e desastres entram na cidade. Ìyá Òşún sabe qual o sacrifício a oferecer para as mulheres estéreis, as que sofrem de Àbíkú e aquelas cujos filhos estão doentes. Ela tem conhecimento adequado dos Oríkì, que é a saudação verbal ou homenagem a Òşún.

Ela trança seu cabelo. No dia do festival, ela usa penas de papagaio para adornar seu penteado trançados e Àgógó, vestindo traje branco. Ela coloca suas contas de coral no pescoço e diferentes tipos de contas. Ela sempre usa pulseiras de bronze em seus dois pulsos. A viúva de um antigo rei, Àtàója, normalmente é a escolhida para este posto quando a anterior morre.

Tal candidata deve ser uma iniciada no culto de Òşún. O atual Ìyá Òşún se chama Omíléyẹ Adénlé que está no cargo desde 2002.

Àwòrò Òşún:

Ele é a cabeça dos devotos do sexo masculino. Ele desempenha um papel de apoio a Ìyà Òşún. Esta posição é uma criação recente do rei, que surgiu a partir dos efeitos da globalização sobre o culto. O rei nomeou o Àwòrò quando ele ficou sem tempo para realizar seu papel sacerdotal adequadamente no culto de Òşún. Isto é melhor apresentado em Wenger (1990: 29) linguagem que:

No decorrer do tempo, quando a cidade já era grande, e o Oba dificilmente poderia fazer justiça ao complexo de envolvimentos seculares e sacerdotais do culto de Òşún, o trabalho foi dividido entre Àwòrò Òşún (iniciado sumo sacerdote) e o Àtàója (Oba). Assim, o Àwòrò junta as mãos com Ìyá Òşún para oferecer vários sacrifícios para Òşún.

Ele também tem o conhecimento do que fazer para Òşún, a fim de conhecer os desejos dela para o povo. Ele representa os oficiais do culto de Òşún, ele reza para o rei no dia do sacrifício para a ‘cabeça’ (Ojo Ìbọrí bọadé).

Em suma, ele representa o rei no culto de Òşún culto Ele sabe o oríkì de Òşún muito bem. Ele sempre tem a sineta de Òşún chamada Aja. Mesmo assim, ele é um homem, ele trança os cabelos sempre como o de uma mulher (mãe Òşún). Ele coloca em seu pescoço e pulsos vários tipos de coral e diferentes de contas, ele veste traje branco com abundância de pérolas no pescoço, no dia do festival de Òşún.

Sempre será Ifá quem decidirá o candidato certo ao ocupar o lugar vago de Àwòrò (quando ele morre) entre os candidatos elegíveis. O nome do atual Àwòrò é Ọlálékan Òrìşàdáre.

Atualmente, o poder da Ìyá Òşún e do Àwòrò Òşún no que diz respeito ao festival anual de Òşún tem sido bastante reduzido. Isto porque, Òşún festival está sendo ocupado por uma comissão instituída pelo Àtàója, conhecido como Comitê do festival de Òşún, onde Ìyá Òşún e Àwòrò Òşún são apenas os membros dessa comissão.

O nome deste Àwòrò Òşún é o um dos nomes dados aos devotos de Ợbàtálá.

Arugbá Òşún:

A empregada devota, é outra figura importante no festival de Òşún em Ọșogbo. Sua principal função torna-se proeminente no último dia do festival.

A Arugbá é uma mulher, uma virgem pura que não flertou com nenhum homem. Ela deve ser uma solteirona enquanto carregar a cabaça de Òşún. Ela deve ser escolhida dentro de uma família real da comunidade. Ela é escolhida dentro da família do Àtàója que esteja atualmente no poder ou esteve no passado, vai depender do resultado do resultado da adivinhação. Ifá irá escolher a melhor candidata entre as candidatas elegíveis apresentadas. Ela continuará a levar a cabaça até que ela está pronta para se casar.

No ano em que ela se casar, será seu último momento de transportar a cabaça. Ela voltará para a casa de seu marido quando regressar do rio. A Arugbá lidera o cortejo real ao santuário principal de Òşún no dia do grande final do festival de Òşún. Os tambores falantes (como pode ser visto abaixo. Fig. 3.1) anunciam a saída da Arugbá para a procissão do ritual do santuário principal de Òşún. Este tambor é chamado bènbé. É o tambor favorito de Òşún. Esses tambores são mantidos no santuário do palácio. Eles utilizam principalmente Dùndún, conjuntos musicais, para diversas atividades ligadas a Òşún.

Ela é levada para o santuário de Òşún, antes do início dos rituais, onde permanecerá por sete dias, passando por diversos rituais de purificação.

A procissão terá início a partir do palácio, com música e canções até o santuário principal de Òşún. Muitos sacerdotes e sacerdotisas de Òşún devem orientá-la e cuidar para que ela não caia/leve um tombo. É a oração da Ìyá Òşún e de outros oficiantes cultuais que são realizadas para que a Arugbá não caia, ela não pode cair no chão. Isto, porque o tombo é considerado um mau presságio e símbolo do mal, ela não pode cair.

Iniciação da Arugbá:

A iniciação da Arugbá faz parte do festival de mascaras. O banho da Arugbá recém escolhida acontece antes do referido festival. Eles a levam para um local fora deste ambiente. Eles vão preparar a cabaça que será usada no festival de Òşún.

No momento que forem tiradas todas as coisas da baça ele deverá estar no chão.

No momento em que tudo isto termina ela deve estar junto da Ìyà Òşún para o início do festival. Muitos rituais serão feitos nela, pois, ela vai carregar a cabaça de Òşún com sucesso durante a procissão até a floresta sagrada.

Estes rituais vão fazer dela apta ritualmente e cerimonialmente limpa de todas as imundices que Òşún detesta e abomina.

A observação mostrou que a ideia da Arugbá no festival de Òşún é um fenômeno estranho em outros lugares onde Òşún é adorada.

Este cargo pode ter sido instituído em Ọșogbo para simbolizar a empregada que carregava a cabaça contendo o Otá de Òşún quando trouxeram os utensílios sagrados de Òşún para Ọșogbo, na fundação da cidade.

Durante o festival das máscaras, ela vai dançar com a cabaça no chão.

Sua limpeza ocorre antes do festival de máscaras. Eles fazem a mesma coisa, como trazer a cabaça com eles, fazendo uma procissão até o mercado.

Eles trazem a cabaça e não se deve olhar ou ser visto seu interior tanto na ida como na volta. Eles então pegam tudo e levam a cabaça para a sala (santuário interior). Quando eles fazem a limpeza, a cabaça já estará fora deste lugar, é neste momento que eles se dirigem ao rio.

Òşún por meio da Ìyá Òşún, que consultará o oráculo, escolherá a nova Arugbá.

O sacerdote de Òşún ira autenticar a candidata. A pessoa escolhida deve ter algumas qualificações: Ser da família real, ser solteira e virgem.

Os adivinhos não precisam conhecer a aparência física da candidata antes da adivinhação.

Òşún pessoalmente irá escolher a pessoa que ela quer, através do oráculo. Somente Òşún sobre quem será esta pessoa. Mesmo que a pessoa esteja no exterior as pessoas iram busca-la. Òşún vai identifica-la e deixar que as pessoas saibam e conheçam quem irá carregar sua cabaça. Portanto, antes dela ser apontada, ninguém poderá dizer quem será, apenas Òşún sabe quem ela é, ela vai descreve-la e dar o seu nome para que eles saibam que é.

Durante o festival das máscaras, onde se traz a imagem de diversas divindades, é feito uma vigília noturna. Eles dançam, cantam, fazem oríkì das divindades representadas e as carregam andando pela cidade. A Arugbá anterior que está pela vizinhança participa do festival de máscaras e anda pela cidade avisando ao povo que a nova Arugbá foi escolhida. Isto é feito no início da manhã do segundo dia do festival de máscaras. A nova Arugbá tem que seguir as máscaras em público enquanto eles anunciam a sua escolha.

Este fórum é para dizer a comunidade que eles escolheram outra criada devotada de Òşún. A iniciação tem lugar no santuário do palácio (não é feito no santuário principal).

A Arugbá recém escolhida será levada para o santuário do palácio para ser limpa por diversas divindades (são vários cultos tradicionais). As sacerdotisas que estão no comando da iniciação vão buscar água no rio Òkánlà para o banho e iniciação da cerimônia.

Esta água é derramada sobre a candidata de forma intermitente enquanto elas invocam os nomes de diversas divindades das águas. Alguns outros itens inclusos neste ritual são folhas, principalmente Òdúndún e rinrin. Estas folhas são consideradas sagradas ao lado dos valores medicinais que contém.

A candidata é lavada nua com folhas e eles derramam a água do rio Òkánlà sobre ela. A lavagem com invocação de várias divindades conota um processo de iniciação dentro da comunidade. Isto demonstra interação entre as divindades do panteão yorùbá.

Diferentes folhas são combinadas para a lavagem da devotada empregada. Quando eles lavam a candidata eles cantam invocando várias divindades desta forma:

Òşún Ọșogbo, venha e dance

Pàkòkó, venha e dance

Muito bem, proprietária do rio!

Òşún Búsanyìn, venha e dance

Muito bem, proprietária do rio!

Ibú Aásè, venha e dance

Muito bem, proprietária do rio!

Òkè Ọbátèdó, venha e dance

Muito bem, proprietária do rio!

Ìdí Bàbá, venha e dance

Muito bem, proprietária do rio!

Şàngó, venha e dance

Muito bem, proprietário do rio!

Ợya, venha e dance

Muito bem, proprietária do rio!

Eles derramam a água do rio Òkánlà em seu corpo, enquanto cantam, eles chamam os nomes de todas as divindades, cerca de cento e quarenta.

Eles vão usar várias folhas, folhas de cada divindade para limpar a candidata e será derramada pequena quantidade de água em seu corpo. Quando terminarem de chamar todas as divindades o restante da água será derramado em seu corpo.

Isto quem faz são as sacerdotisas.

No passado as sacerdotisas de outras divindades, como Ợbàtálá, Şàngó e Òya também estavam presentes a iniciação, agora o egoísmo não mais permite, elas somente permitem ao seu grupo estar presente.

A iniciação é feita exclusivamente por mulheres, não pode haver a presença de nenhum homem. Ela envolve apenas as sacerdotisas e a Ìyá Òşún e todas as sacerdotisas de outras divindades estarão no palácio apenas para enfeitar a ocasião. Outros sacerdotes, tanto homem, como mulheres de outras divindades ficam de fora. O passado da Arugbá deve estar presente no local da iniciação, não só o passado imediato, as mulheres idosas devem estar presentes também.

As sacerdotisas a lavam com suas vestes naturalmente. Não há necessidade de nudez.

Estes banham continuam com a água do mesmo rio até o próximo festival de Òşún. Isto implica que os banhos da Arugbá recém escolhida serão com as águas deste rio. É assim que uma candidata a Arugbá é escolhida. É assim que uma candidata se torna qualificada.

Eles então colocam duas contas em seu pescoço com os símbolos de Òşún. Em outras palavras, ela estará casada com Òşún. A Arugbá recém iniciada vai para o santuário principal a cada cinco dias para adorar Òşún e entrar em comunhão com ela. A partir deste momento, ela ficará com a Ìyá Òşún até o dia de seu casamento.

Ìwòrò and Ìsòrò:

Os membros, do sexo feminino, do culto de Òşún em Ọșogbo são chamadas de Ìwòrò entre os quais temos a Ìyálásè de Òşún, Ìyà ewé e Òsì Awo.

O número de membros dependa da necessidade dentro do culto. Isso significa que elas podem indicar um maior ou menor número para uma mais fácil administração do culto.

Os homens, membros do culto são chamados de Ìsòrò, entre os quais temos o Balógun Òşún e o seu Òtún.

Durante o festival, os dois grupos oficiantes aparecem para ajudar a administrar e facilitar as coisas dentro do culto.

No início não era assim. Além disso a disparidade de nomes, Ìwòrò e Ìsòrò é patriarcal, especialmente se formos interpretar etimologicamente essas duas dicções.

Ìwòrò é cunhado a partir de: I = partícula que representa algo ou alguém.

Wo = uma partícula que representa o verbo ver/assistir.

Orò = uma partícula que representa um substantivo que significa ritual que se realiza.

Temos então Ìwòrò como resultado da elisão que significa:

Aquele que vê ou assiste um ritual e não o realiza ou executa.

Agora temos.

I = partícula que significa algo/alguém.

Se = uma partícula que significa fazer/executar/agir

Orò = uma partícula que é um substantivo que significa que eles usam traje branco.

As mulheres entre eles trançam os cabelos e adornam com búzios.

Todos eles colocam contas de coral, ambos os grupos, no pescoço e pulso.

Todos participam do culto de Òşún, quer durante os dias, as semanas e o festival anual.

Eles também devem saber como louvar Òşún poeticamente. O mais importante, eles orientam e protegem os movimentos da Arugbá durante o ritual no santuário principal e durante a procissão no último dia do festival.

Eles também ajudam as pessoas na busca de água no rio de Òşún, eles se tornaram ritualisticamente habilitados para este ato.

osun river festival

A figura acima mostra como eles ajudam as pessoas em busca de água durante o festival.

Mo jùbá Erelú Òşún Funkè

Àbợrú, Àbợyè Ìyánifa Funmilola

Fonte:

George Olusola Ajibade

Bayreuth Estudos Africanos Documentos de Trabalho

Tradução: Odé Ợlaigbò

http://orisaifa.blogspot.com.br/2016/03/culto-de-osun-uma-visao-geral.html

 

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