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Archive for Novembro, 2009

A transformação é minha natureza

Esta manifestação divina trata da grande alquimia, transformação e transmutação de tudo que acontece no planeta, mais especificamente ligado à terra. Aqui tudo que nasce depende da terra para viver e mesmo depois, é na terra que acontece a transformação enquanto a vida continua inalterada. Por tudo isso está ligado às doenças e epidemias, além de possuir o poder de levá-las, deixando a saúde em seu lugar.

Apesar de ser conhecido e representado como velho, na verdade retrata a inquietude e a impaciência com a acomodação. Mas claro, sempre se revela cauteloso e discreto. Não tolera as coisas estáticas, pois é necessário transformar constantemente e está em eterno movimento. Não se pode esquecer, porém, do seu carácter vingativo e às vezes inconsequente, quando sua vontade não é atendida. Por isso, todos os anos lhe é oferecido um grande balaio colectivo onde suas comidas predilectas são ali incluídas (pipoca e feijão preto com muito dendê).

Nesta oportunidade, algumas casas, aproveitam para distribuir a alimentação para toda a comunidade. Alguns o tem como pobre e ligado à morte, quando na verdade ele é o Senhor da terra, que a todos mantém, a todos sustenta e tudo transforma em vida.

As kijilas que lhe são atribuídas historicamente no Brasil são tangerina, abacaxi e caranguejo (aranhola).
Suas saudações são: Kavungo mateba kukala kuíza (O pai da ráfia está chegando, eu te saúdo)! Kiuá Nsumbo! Pembelê Tat’etu Kikongo! Salve, eu de saúdo!
Seu dia é a segunda feira.
Suas cores variam do Preto e vermelho e branco ou branco e preto e ainda a rajada de terracota e preto. Também gosta de se adornar com contas feitas com argolas de chifres e muita palha.

Os filhos deste caminho demonstram compatibilidades com pessoas de Tat’etu Kabila, Mam’etu Kaia, Mam’etu Zumba ria ndá (Zumbarandá), Mam’etu Matamba e Tat’etu Lembaranganga.

Tata Ngunz’tala
publicado no Jornal Tribuna Afrobrasileira

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A folha que cura  pode matar

Nesta edição vamos falar desta maravilhosa manifestação divina que chamamos de Katendê. Ele é o senhor das ervas e das curas medicamentosas no panteão afro-bantu-brasileiro. Comanda as folhas medicinais e litúrgicas. É o mestre do mato e o Senhor da medicina fitoterápica e com grandes influencias na homeopatia e nos remédios naturais que reúnem as energias da terra, do sol, da lua e das próprias folhas nos auxiliando nas curas, limpezas, sacudimentos, oferendas e preceitos, por isso, Ele está presente em todos os ritos. Muitas vezes é representado com uma única perna (a árvore só tem um tronco. Para o Negro bantu-brasileiro, que tem seus ritos preservados no candomblé de Angola, Katendê é uma das mais importantes divindades, pois sabemos que o sangue das folhas (nguzu – a força vital) é uma das forças mais poderosas, que fazem nascer o que está por vim. Por isso, toda vez que queimamos uma floresta, desmatamos, cortamos árvores, ou simplesmente arrancamos folhas sem necessidade, estamos violando a natureza e ofendendo seriamente a esta manifestação divina.

Seus filhos devem evitar tangerina, melão e carne moída.
Suas principais saudações são: Katendê mukua-xi-unsaba –  Katendê o habitante das folhas. Kiuá Katendê! – Salve Katendê! Katendê Nganga, Katendê! – Senhor Katendê! e  Kisaba Kiasambuká, Katendê! – Folha Sagrada, Katendê!
Tem como símbolo uma árvore de metal.
Suas contas são brancas rajadas de verde.
Seus agrados preferidos são milho vermelho e mel, fumo de rolo e cachimbo.
Seus filhos tem tendências à vida de eremita (gostam da quietude e do isolamento), mas têm compatibilidades principalmente com Kabila, Kaiala, Angorô, Zumba ria Nda, Matamba, Nsumbo e Lemba ria Nganga.

Kiuá Katendê Nganga!

 

Tata Ngunz’tala

Publicado no Jornal Tribuna Afrobrasileira

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Mutakalambo 

O que é meu é meu. O que não é pode vir a ser

Mtakalambô, Mutak’lamb’ngunzo, Cabila e Ngongombila são nomes que revelam a natureza do caçador e a face divina de Deus como provedor. Essa Divindade é responsável pela manutenção da tribo e ainda tem a função de manter a vigilância noturna nas aldeias garantindo-lhes a segurança. Está ligado a abundância de alimentos na Nzo (casa) de culto, proporcionando a fartura, a alimentação, a bem-aventurança financeira dos filhos de santo e da clientela. Seus filhos costumam ser lépidos, faceiros, altivos e possuem  habilidades manuais e rapidez de  movimentos. São também aventureiros e confiantes.    

Ngongobila é também um exíguo pescador e tem a natureza jovial e bela.

Saudação: Pembelê Tat’etu Mutalambô, Kiuá! Cabila Duilo!!!

Seus símbolos são vários e todos ligados à caça ou à defesa, sendo o mais conhecido o arco e fecha, bem como o embornal e a capanga.

No  Brasil se convencionou o dia de quinta-feira em sua homenagem e suas cores várias do azul celeste ou turquesa ao verde.

A comida ritual mais comum a ele oferecida no Brasil é o milho amarelo cozido e o coco. Também pode lhe oferecer grãos torrados e frutas em abundância.

Salve o caçador dos céus!!!!

 

Tata Ngunz’tala

publicado no Jornal Tribuna Afrobrasileira

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