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Archive for Julho, 2014

Eu gostaria de abrir este post, dizendo que as rezas não são propriedades de nenhum sacerdote, que somente “os mais velhos” podem conhecer e saber de cor. Isto é enganação, enrolação, embromação e falta de caráter de quem retém a informação. Conhecemos muito bem as rezas que não podem sair do ilè Ikú, todo iniciado tem o direito a conhecer, rezar e aumentar o seu portfólio de conhecimento.

Nosso saudoso e que tanto contribuiu com nosso culto Altair T’Ògún, entendeu este problema e publicou o livro de rezas mais completo que conhecemos: Elégun. Portanto iniciados, adeptos e abian, comecem a decorar suas rezas, vocês vão precisar.

Òrìsà gbe wa o.

As rezas são expressões dos desejos que nós queremos manifestar de forma séria e sincera. A reza então significa comunicar nosso desejo às divindades para que nos apoie e nos ajudem a assegurar que nossos desejos se concretizem.

Muitas pessoas não sabem como rezar para que se obtenha o efeito desejado. Algumas pessoas rezam mecanicamente e esperam resultados. Desafortunadamente, os resultados não serão positivos por um longo tempo. Na história do homem, o rezar é o entendimento de como se trabalhar uma reza que nós apreciamos e como fazer com que ela funcione para nós.

Ifá reconhece três tipos de rezas:

As rezas sócias religiosas

As rezas de precaução.

As rezas ocultas esotéricas

Reza sócio religiosa

 

Este tipo de reza é a mais comum entre as três. Geralmente é usada pelos líderes religiosos, os maiores ou aqueles que demostram apreço por alguém que lhes fez um favor ou necessitam de um.

Aqueles que estão buscando ajuda também utilizam este tipo de reza.

Estas rezas se dizem durante batizados, ocasiões importantes como: bodas, funeral, devoções matutinas e etc.

Quando alguém entra em uma casa, que acaba de comprar ou construir, as pessoas vêm e compartilham da alegria pelo esforço da pessoa feliz. O sacerdote encarregado rezará para que as divindades dêem a mesma sorte a todos os presentes. Quando alguém da à luz a um filho, durante o batismo de um bebe, o sacerdote rezará para que as divindades estendam a mesma sorte a todos os presentes. Quando um casal se casa, o sacerdote oficiante rezará aos deuses para que estenda essa felicidade para todos os presentes. Quando um jovem morre o sacerdote reza aos deuses para que ponha um fim à morte prematura. Todos os presentes devem dizer àse, pois estaram se resguardando dos equívocos desta reza. Todos nós sabemos que todos não podem ter a mesma sorte, todos nós sabemos que nem todas as pessoas poderão ter uma casa, nem todos poderão ter filhos, nem todos poderão se casar formalmente e nem todos viveram até a velhice. Também quando as pessoas buscam ajuda de alguém, a pessoa que necessita de ajuda deverá rezar aos deuses para que abençoe a pessoa que está buscando ajudá-la. Quando o benfeitor é capaz de cumprir as expectativas da pessoa que buscou ajuda, se fará outra onda de rezas pelos bons gestos do benfeitor.  Quem está buscando ajuda pede aos deuses que abençoe seu benfeitor e que os faça maiores do que nunca.

Isto é muito comum entre os que pedem e os que levam vidas relacionadas com a medicina. Essas rezas podem fazer com que as coisas passem ou não (benção). Sem exagerar, porém a pessoa que reza e a que recebe a benção são felizes.

Em outras ocasiões, a pessoa faz algo grande ou oportuno para a sociedade ou para algum mais velho da sociedade. Os que recebem essas bênçãos devem aprecia-la e comover-se para rezar por esta pessoa por algo que foi feito por eles para que receba as bênçãos e a bondade das divindades.

Todos os envolvidos devem dizer àse para que as orações se tornem realidade.

Aqueles que não são capazes de pagar em dinheiro o favor que lhe prestaram, ou aqueles que não aceitam qualquer tipo de recompensa também são eficazes, normalmente são pagos com cerimonias sócio-políticas, com honrarias, medalhas, certificados e etc.

Os heróis, os líderes de comunidade, aqueles que foram trazidos para frente da sociedade, os jovens que se destacam por seus serviços a sociedade, podem receber serviços de reza especial em apreço às boas ações em prol da sociedade.

De qualquer maneira, em vez deste encurtamento, as rezas sócias religiosas têm um efeito muito profundo nos que as recebem. Estas rezas não são à base de nenhuma força ou energia que engrandeça a manifestação destas rezas.

Como uma nota pratica, ainda assim, neste tipo de reza, aqueles que devem ter êxito, definitivamente terão êxito e aqueles que devem fracassar definitivamente fracassaram.

 

Rezas para precaução:

 

Este é o tipo de reza que as pessoas oferecem regularmente e ao mesmo tempo reforçam com medidas práticas para assegurar sua manifestação. Isto requer, mas do que meras súplicas às divindades reivindicando sua ajuda.

Uma pessoa que pede por sucesso deve trabalhar duro para conseguir o êxito, uma pessoa que pede para ter filhos deve se casar, copular, encontrar remédios para as enfermidades ginecológicas, se houver alguma e esperar pelo melhor, uma pessoa que pede para ter vida longa, deve ter cuidados com seu corpo, de sua saúde, comer bem e ter uma dieta bem balanceada e rezar pelo melhor e etc. Estas são as chaves para o êxito que se espera que os praticantes de Ifà sigam.

É Òsé Méjì que estabelece que aqueles que planejam ter êxito devem ser trabalhadores e dedicados.

 

Neste Odù, Ifá diz:

 

Sekúbe, o Bàbáláwo de Ìbàdàn (cidade nigeriana).

Este foi o Bàbáláwo que consultou Ifá para os filhos de Ìbàdàn.

Quando choravam lamentando-se por sua inabilidade em conseguir êxito financeiro.

Eles foram aconselhados a oferecer ebo

Eles aceitaram.

Depois de algum tempo, logo depois,

O sucesso e a riqueza tinham chegado.

Viajantes de Ìpo e Ọfà (cidades míticas da história yorùbá)

Vocês não podem ver que sem trabalhar duro, ninguém conseguirá êxito?

 

Então qualquer oração para o sucesso financeiro deve, como meio para alcançá-la, ser apoiada pelo trabalho duro e dedicação ao dever. Caso contrário, a oração vai ser uma mera oração sócia religiosa, que não será apoiada por nenhuma divindade.

No Odù Òtúrúpon-Ngbònwú (Òtúrúpon-Òfún), Ifá diz que para viver muito se deve aprender a pisar precavidamente e com extremo cuidado.

Neste Odù, Ifá diz:

 

Bom para você oferecer sacrifício, o Bàbáláwo de Ègbá (uma tribo)

Bem feito por realizar rituais, o Bàbáláwo de Ìjèsà (povo de Ìlẹşà)

Parte do algodão é adicionada como medida adicional a que foi trazida

Òtúrú carrega o algodão sem girá-lo.

Estas foram às declarações de Ifá aos seis anciãos.

Quando estavam indo a Ilé Ifè (capital espiritual nigeriana)

Para pedir por sua longevidade.

Eles foram aconselhados a oferecer sacrifício.

Eles aceitaram

A vida longa não tem encanto

A docilidade é o encanto da vida longa

Se você vê uma vala

Não planeje brincar

A vida longa não tem encanto

A docilidade é o encanto da vida longa

Se você vê uma casa se incendiando

Não entre nela

A vida longa não tem encanto

A docilidade é o encanto da vida longa

Se você vê um homem louco com um facão

Não o espere (ou tente ser um herói)

A vida longa não tem encanto

A docilidade é o encanto da vida longa

Se você come com satisfação

Não busque ter azia

A vida longa não tem encanto

A docilidade é o encanto da vida longa

Em tempos de tribulações

Não cometa suicídio

A vida longa não tem encanto

A docilidade é o encanto da vida longa

 

Aqueles que desejam viver muito devem oferecer muito mais que uma grande oração às divindades. Eles devem se assegurar de não fazer nada que possa causar a morte imediata. Também devem evitar o que pode encurtar suas vidas.

 

Rezas ocultas esotéricas

 

É o tipo de reza que é realizada por forças e energias físicas e metafisicas. Este é o tipo de oração que contém todos os segredos da vida. Quanto mais se sabe essas orações e as domina, mais você se torna maior.

Verificou-se que se alguém entende este trabalho ou seus mecanismos que qualquer parte da natureza, alguém pode utilizar este conhecimento para realizar maravilhas para alguém ou para si mesmo ou para a sociedade em que se desenvolve.

Neste tipo de reza se utilizam métodos para atrair o poder dos objetos ao nosso redor, animados ou inanimados.

As pessoas usam plantas, ramos, troncos, folhas animais e/ou partes dos animais, insetos, ratos ou partes do rato, peixe, água, azeite e etc., para energizar suas orações para que se manifestem da maneira que elas querem, as pessoas também utilizam o nome das divindades, deuses, semideuses, espíritos, ancestrais, vento, sol, lua, meteoros e etc., e o poder da palavra falada para energizar as orações.

Estas rezas requer um grande poder de observação, conhecimento esotérico e habilidade para abster-se de todos os tabus para entender o propósito porque Olódùmarè criou todas as coisas da natureza e como elas trabalham e afetam todas as outras coisas individual e coletivamente antes que estes recursos abundantes de poder possam ser devidamente identificados e usados.

Não existe um limite para o poder que uma pessoa possa possuir, tudo depende da capacidade da pessoa adquirir conhecimento que é a chave para abrir a porta para este poder.

Aproximar os mecanismos de trabalho da natureza ou parte desta faz toda a diferença entre rezar e esperar limitadamente os resultados.

De forma alguma as explicações exaustivas de como fazer farão elas funcionarem em nós. Todos os livros de texto de rezas não podem fazer justiça a isto. Estes exemplos se dão para abrir os olhos dos que trabalham com rezas, enquanto o leitor é livre para implementá-las em sua vida.

 

O Odù Òfún mèjì (Epá Odù) orienta a humanidade a rezar com fervor, com afinco, com fé, sem dúvidas. Para que o objetivo seja alcançado, para que a reza seja o motor do sacrifício.

Não adianta nada, tomar banho, fazer jejum, dormir na esteira, colocar roupa limpa, fio de contas maravilhosos, trabalhar na casa de àse, dançar para a divindade, oferecer sacrifício, se a fé não estiver presente.

Pode-se obter o resultado pela invocação e atuação da energia, porém, o resultado é efêmero, pois, não há sustentação. Não há uma base, uma renovação no oxigênio da energia.

Pense nisso.

Nosso culto vai além de 99,9% das perguntas postadas aqui neste blog.

Nosso culto é filosófico, é o culto a entidade chamada Orí (VOCÊ), cultuamos e buscamos a divindade para que nos favoreçam, pois, assim foi determinado.

A divindade que neste mundo está a bilhões de anos não precisa de você para nada.

Ela continuará sendo esta força imensurável, incontrolável, inimaginável em seu poder, reforço a mensagem, ela não precisa de você e tampouco de mim.

Se você não busca-a, se você não acha a conexão entre você e ela, não haverá iniciação, sacerdote, pai de santo (odeio este termo), ogan, Èkèjì e outros mais que darão jeito nesta situação.

É você, somente você, que tem interesse neste assunto e é sua responsabilidade manter esta chama acesa. Não coloque culpa nas pessoas, no sacerdote ou quem quer que seja. Faça uma análise de tudo que você vem fazendo, do seu comportamento, do seu caráter, da sua promiscuidade, mentiras, intrigas, fofocas, tabus rompidos, enganações e etc.

Seja sincero com você, pelo menos uma vez na vida, pois, você nunca engana um alguém (seja ele quem for, visível ou invisível), você com toda certeza engana a si mesmo.

E dentro de Àtúnwá (o ir e vir para este mundo dentro de nossa cosmogonia) perder a viagem é muito desgastante, inevitavelmente acumularemos karma para a próxima viagem ao Ayè (nosso mundo).

Existe uma grande diferença em ser crente e ser fanático.

Crente é quem crê e o fanático…, dispenso descrevê-lo.

Não ter vergonha de suas divindades quando em público, conhecer suas divindades e saber qual o papel delas no universo e no nosso mundo. Assumir sem qualquer vestígio de vergonha sua crença e sua filosofia espiritual de vida.

 

 

Texto: Ifá, A chave da compreensão.

Fásínà Fálàdé

Rezas: Patrimônio Mundial da Humanidade conforme decreto da Unesco.

 

Tradução e texto final: Odé Gbàfáomi.

http://www.orisaifa.blogspot.com

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Ògúndá mèjì

Ògundá mèjì

Este é o Òpèlè Ifá (instrumento de consulta do Bàbáláwo) mostrando a figura do Odù Ògúndá mèjì.

O texto é um Iton deste Odù.

Iton não são verdades absolutas, são narrativas que nos ajudam a entender o valor do mito gerado por sua historia ‘de vida’ e importância dentro do culto de Ifá/Òrìsà.

Ògúndá Mèjì foi um dos mais poderosos divinadores, tanto no céu como na terra. Ele era considerado por ter a força de Ògún e a inteligência de Ọrùnmìlá em seu trabalho. Foi ele quem revelou a estória da segunda tentativa de fazer as divindades colonizar a terra. Òbàrà Bòdí um dos discípulos de Òrùnmìlá revelará mais tarde os detalhes da primeira tentativa de colonizar a terra e como foi fundada.

Ògún, a divindade do ferro e a mais velha das divindades criadas por Deus era também fisicamente mais forte que todas as 200 divindades. Ele freqüentemente era referido como o Desbravador de Caminhos, porque guiou a segunda missão de reconhecimento do céu para a terra. Diz Ògúndá-Mèjì, que foi por conta dos atributos físicos de Ògún que Deus apontou-o para abrir uma trilha para a segunda habitação na terra. Ele era conhecido por ser egocêntrico, vaidoso e quase nunca consultava alguém para aconselhar-se.

Ele confiava quase que exclusivamente em suas habilidades produtivas e força física. O que explica o porquê não se incomodou em ir a divinação ou consultar alguém quando foi indicado por Deus para empreender a tarefa de estabelecer habitação na terra.

Assim que recebeu de Deus a ordem de prosseguir, ele o fez quase que imediatamente. Deus lhe deu 400 homens e mulheres para acompanhá-lo na missão. Chegando a terra, não demorou em descobrir as consequências de não fazer os preparativos adequados antes de virem do céu.

Seus seguidores mortais logo ficaram com fome, e exigiram comida. Já que vieram para o mundo sem nenhum suprimento, ele apenas poderia recomendar-lhes a cortar gravetos de uma floresta próxima para comer. O processo de se alimentar com gravetos não os satisfez e logo seus seguidores começaram a morrer de fome. Apreensivo por perder todos os seus seguidores por inanição decidiu retornar para o céu e comunicar o Pai Todo Poderoso que sua missão era impossível.

Em seguida Deus convocou Olókun, a divindade da água para guiar a segunda missão para a terra.

Ele também é igualmente orgulhoso e cheio de alto confiança. Também lhe foi dado 200 homens e 200 mulheres para acompanhá-lo. Ele também não fez nenhuma consulta nem divinação com os mais velhos celestes antes de vir para a terra. Chegando ele também não teve indício de como alimentar seus seguidores. Ele apenas pediu-lhes para beberem água quando ficassem com fome. Já que a água não podia alimentá-los com eficiência, começaram a morrer de fome. Logo em seguida, ele também retornou com seus seguidores que sobreviveram ao céu para informar o fracasso de sua missão. Deus então convocou Ọrùnmìlá, acompanhado por 200 homens e 200 mulheres para estabelecer uma habitação na terra. Ọrùnmìlá ponderou se ele poderia ter sucesso na missão a qual tinha desafiado os esforços dos mais velhos e das divindades mais fortes como Ògún e Olokún.

Deus persuadiu-o a fazer o seu melhor, porque era necessário despovoar o céu, estabelecendo uma habitação satélite na terra. Seu servo fiel Òpèlè avisou Ọrùnmìlá a não recusar a tarefa porque com as preparações adequadas, ele estava convencido que o sucesso o aguardava.

Com as palavras de persuasão de seu Òpèlè favorito, Ọrùnmìlá concordou em partir na missão, mas apelou a Deus em lhe dar a indulgência para se preparar em alguns dias antes de partir.

Ọrùnmìlá implorou as divindades mais velhas do céu para assisti-lo no planejamento de sua missão.

Eles lhe garantiram que ele teria sucesso em estabelecer uma habitação na terra. Ògúndá-Mèjì, um de seus próprios filhos pediu-lhe seis cawries e avisou-o para coletar um de cada dos animais e plantas comestíveis no céu, para a missão. Ele também avisou para dar um bode para Èşù e apelar para Èşù segui-lo para a terra na missão.

Após fazer todos os sacrifícios prescritos, ele foi finalmente liberado por Deus. Antes de partir implorou a Deus para permitir que Ilè, a divindade da habitação, fosse com ele.

Mas Deus lhe disse que não era sua intenção divina despachar duas divindades para terra ao mesmo tempo, já que Ele pretendia mandá-las uma após outras. Deus, entretanto assegurou a Ọrùnmìlá que ele teria sucesso na terra, e enviaria seu servo Òpèlè para voltar ao céu e buscar Ilè, para auxiliá-lo. Ele então partiu para a terra.

Tão logo Ọrùnmìlá partiu, Èşù foi contar a Ògún que Ọrùnmìlá estava viajando para terra pela rota a qual ele (Ògún) estabeleceu. Ògún imediatamente foi bloquear a rota com uma espessa floresta.

Quando os partidários de Ọrùnmìlá se aproximaram da floresta, não sabiam o que fazer. Ele enviou o rato para procurar um caminho através da floresta. Antes que o rato retorna-se, Ògún apareceu a Ọrùnmìlá e interrogou-o pela ousadia em prosseguir para a Terra sem informá-lo. Ele, entretanto explicou que havia enviado Èşù para informá-lo e quando Ògún relembrou que foi Èşù quem realmente avisou-o, imediatamente limpou a floresta para Ọrùnmìlá prosseguir em sua jornada.

Antes de deixá-lo, Ògún avisou Ọrùnmìlá que apenas outra obrigação ele lhe devia, era alimentar seus seguidores com os gravetos da mesma forma que ele fez, e então Òrúnmìlá prometeu fazer.

Nesse meio tempo, Èşù também informou à Olokún que Ọrùnmìlá estava em seu caminho para a terra para ter sucesso aonde eles falharam. Olokún reagiu provocando um largo rio para bloquear o avanço. Quando Ọrùnmìlá veio à margem do rio, despachou um peixe para procurar uma passagem através do rio. Enquanto aguardava pelo retorno do peixe, Olokún apareceu e interrogou-o porque ele ousou embarcar em uma viagem para a terra sem obter sua permissão.

Ọrùnmìlá explicou que longe de desdenhar Olokún, ele tinha na verdade enviado Èşù para informá-lo de sua missão na terra. Quando Olokún compreendeu que Èşù tinha vindo a ele, retirou a água para Ọrùnmìlá prosseguir em sua jornada. Contudo alertou Ọrùnmìlá que ele estava sob a obrigação divina de alimentar seus seguidores como ele (Olokún), com água. Ọrùnmìlá prometeu acatar o conselho de Olokún. Sem mais obstáculos em seu caminho, Ọrùnmìlá prosseguiu sua jornada.

Chegando ao mundo, ele rapidamente avisou a todos os seus seguidores masculinos para limpar o mato e construir cabanas temporárias cobertas com esteiras. Quando aquela tarefa foi completada, retiraram os produtos agrícolas e sementes que ele trouxe para seus seguidores plantarem no mato que tinham limpado. Ao anoitecer todos eles se retiraram para dormir em suas cabanas. Èşù, que tinha recebido um bode antes da missão partir do céu, foi trabalhar nas sementes plantadas e nos animais. Quando eles levantaram ao amanhecer, descobriram que todos os produtos agrícolas tinham não apenas germinado, mas tinham produzido frutos, prontos para a colheita. Estes incluíam inhames, plantações, milho, vegetais, frutas, etc. Ao mesmo tempo toda a criação que eles trouxeram do céu tinham se multiplicado durante a noite. Aquele foi o primeiro milagre operado por Ọrùnmìlá na terra, como uma manifestação direta dos sacrifícios que ele fez antes de vir do céu.

Quando seus seguidores então pediram por comida antes de se lançarem ao trabalho rotineiro do dia, ele lhes disse, em respeito à injunção de Ògún, para cortar gravetos do mato ao lado para comer. Eles fizeram como lhes foi dito. Após mastigarem os gravetos por um longo tempo, lhes disse para beberem água como ele foi advertido em fazer por Olókun. O processo de acatar as instruções dadas a ele por Olókun e Ògún é seguido até os dias de hoje por toda a humanidade, por meio da rotina de começar o dia com a mastigação de gravetos ou escovação dos dentes e enxaguando a boca com água.

Tendo atendido aos desejos de seus mais velhos, Ọrùnmìlá disse ao seu povo para se alimentar com os animais e plantas que abundavam no povoado. Eles tinham sucesso em preparar o terreno para uma habitação permanente na terra. Satisfeito que nada então ficou em seu caminho para o sucesso na terra, Òpèlè propôs a Ọrùnmìlá que era hora de enviá-lo para informar a Deus que a terra já estava adequadamente habitável o suficiente para Ilè juntar-se a ele. Ọrùnmìlá concordou, mas lhe disse que ele primeiro convocaria Èşù para acompanhá-lo na terra antes de pedir por Ilè. Tendo prometido anteriormente acompanhá-lo assim que fosse convocado, Èşù imediatamente concordou em acompanhar Òpèlè a terra.

Antes da chegada Ọrùnmìlá pediu a seus seguidores para construir uma cabana para Èşù na entrada do povoado. Tão logo Èsù instalou-se em seus aposentos, Ọrùnmìlá enviou um bode a ele. Ele ficou muito feliz em comer a sua comida preferida, a qual imaginou que não estaria disponível na terra.

Quando Òpèlè veio conferir se Èşù estava bem, o primeiro lhe disse-lhe para pedir a Ọrùnmìlá para perdoá-lo por causa das dificuldades iniciais que criou antes do mesmo partir do céu, incitando Ògún e Olókun contra ele. Ọrùnmìlá perdoou e implorou a Èşù para ficar na terra para ser seu posto de ouvinte, prometendo sempre alimentá-lo. Após aguardar em vão pelo fracasso de e retorno para o céu de Ọrùnmìlá e seus seguidores, Olokún decidiu no céu retornar a terra para descobrir como a missão estava indo. Quando Olokún chegou a terra, encontrou Èşù que lhe disse que Ọrùnmìlá tinha tido sucesso em tornar a terra habitável. Quando Olokún encontrou Ọrùnmìlá, pediu-lhe para perdoar por conta dos obstáculos iniciais criados por ele. Ọrùnmìlá lhe disse que as desculpas não eram necessárias porque o sucesso não é gratificante sem dificuldades iniciais. Contudo Ọrùnmìlá disse para Olokún concordar em viver com ele na terra. Ele então concordou em fazê-lo, mas insistiu que teria que ir ao céu para pedir ao Pai Todo Poderoso para permiti-lo retornar com seus seguidores. Olókun chegou ao céu e Deus permitiu-lhe retornar a terra com seus seguidores.

Quando Ògún ouviu que Olókun havia partido para acompanhar Ọrùnmìlá na Terra, ele também decidiu ir e ver as coisas por si mesmo. Quando Òpèlè viu Ògún partindo do céu para a Terra, alertou Òrúnmìlá que imediatamente instruiu seus seguidores a dar outro bode a Èşù para evitar algum choque entre eles. Quando Ògún chegou, Èşù ainda estava comendo seu bode e estava muito ocupado para se incomodar. Ele simplesmente indicou a Ògún para seguir para onde Ọrùnmìlá morava. Assim que Ọrùnmìlá viu Ògún, se ajoelhou para cumprimentá-lo, sendo seu irmão mais velho. Ògún retribuiu a altura desculpando-se com Ọrùnmìlá pelas dificuldades iniciais que criou para ele. Novamente Ọrùnmìlá explicou que as desculpas eram desnecessárias porque sem aqueles problemas duros, provavelmente não teria tido indicio de como alimentar seus seguidores. Ọrùnmìlá então persuadiu Ògún em ficar na Terra com ele, porque sem ele (Ògún) era impossível alguma tecnologia se desenvolver na Terra. Ọrùnmìlá explicou que sabia apenas fazer divinação, mas que não sabia como inventar ou fabricar. Sentindo-se lisonjeado, Ògún rapidamente concordou em retornar ao céu para ter permissão de Deus para voltar com seus seguidores para a terra. Ògún por fim retornou com seus seguidores.

Foi naquele estágio que Ọrùnmìlá finalmente enviou Òpèlè para trazer Ilè do céu. Quando Òpèlè narrou a mensagem de Ọrùnmìlá para Deus, o Pai Todo Poderoso, instantaneamente convocou Ilè para seguir para a Terra para auxiliar Ọrùnmìlá. Èşù foi novamente o primeiro agente que Ilè encontrou chegando a Terra. Èşù encaminhou-o para encontrar Ọrùnmìlá em sua cabana. Longe de desafiar Ilè como fez com Olokún e Ògún, Èşù implorou a Ilè que ele sempre seria mais bem sucedido que seus irmãos mais velhos e sem ele ninguém teria satisfação completa na Terra, porque ele era caracteristicamente paciente e inofensivo. Quando Ilè encontrou Ọrùnmìlá, prestou-lhe respeito, fazendo-o capaz de vir e auxiliá-lo na terra. Ọrùnmìlá retrucou proclamando com seu instrumento de autoridade (Àşè) que:

Se respeito lhe fosse prestado, seria sempre estendido a Terra;

Olokún sempre moraria na água tendo em vista o rio que usou para bloquear sua aproximação a terra, mas que ele seria o distribuidor de riquezas e prosperidade para a espécie humana;

Ògún sempre seria usado para produzir grandes feitos, mas que ele próprio sempre trabalharia agitadamente noite e dia e não teria paz de mente.

Ele então disse aos três para seguirem em seus caminhos em separado. Os três deixaram os aposentos de Ọrùnmìlá. Eles mal haviam se movido para fora do aposento, quando subitamente Ilè desfaleceu morto. Assim que caiu morto seu corpo desapareceu da vista e em seu lugar uma constelação de casas, prédios, e residências surgiram no chão. Desta forma, Ilè tinha se transfigurado em casas respeitáveis para todos os habitantes existentes e futuros morarem. Ọrùnmìlá rapidamente deixou sua cabana coberta de esteiras e foi para ficar no melhor e mais agradável aposento produzido para ele por Ilè. Ògún ficou aborrecido e se recusou a ficar em qualquer um dos aposentos providenciados por Ilè. Então construiu sua própria casa caindo aos pedaços, chamada izegede, a qual onde ele está até hoje.

Olokún também se sentiu provocado e voltou-se para a água para constituir-se nos oceanos, mares e rios dessa terra. Os homens e as mulheres trazidos para a Terra por Ọrùnmìlá, Olókun e Ògún, logo começaram a casar entre si e multiplicar-se pelos quatro ventos desta terra.

É importante relembrar que o fim da vida e reencarnação posterior dos seguidores que inicialmente vieram com Ọrùnmìlá, Ògún, Olókun e outras divindades tornaram-se os sacerdotes e filhos destas divindades até hoje e para a eternidade. Aqueles que desviaram o caminho do rebanho, ou que não foram privilegiados em descobrir sua família, são os homens e mulheres que passam por todos os tipos de dificuldades na Terra.

Neste estágio Òpèlè partiu para o céu, mas avisou a Ọrùnmìlá para procurar por ele depois de algum tempo no caminho para a fazenda. Por fim transformou-se em uma árvore cujo os frutos são usados até hoje para preparar o instrumento divinatório Òpèlè. Ele disse à Ọrùnmìlá como usar as sementes que ele traria dali em diante para divinação.

Por: Bàláláwo Osamoro

Tradução Odé Gbàfáomi

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O Homem das estradas,

O homem das montanhas e da Criação.

Usaremos sua espada para tocar o solo.

Mo jùbá Ojisé

Comentário:

A escrita de Ifá diz que no dia em que todos os 16 Imortais do Ikolè Ayè chegaram a Terra, havia incerteza sobre o seu propósito no novo planeta. Enquanto os Imortais estavam considerando o problema, concordaram com a chegada de Osetura (Princípio Divino), que veio para o Ikolè Ayè na forma de Odù de Èsù (Mensageiro Divino da Transformação), que é o XVII Olódù (Princípio Divino) a partir do Ikolè Òrun. Foi Èsù Òdàràa quem disse que sabia o propósito da vida no Ikolè Ayè, mas os Imortais o consideraram muito jovem e insignificante para se consultado sobre uma questão tão importante.

Em resposta, Èsù Òdàrà fez os Imortais se misturarem, o que aumentou o número de 17 para 256. Maior ficou a confusão dos Imortais no novo mundo e a confusão levou a males e doenças. Quando Imortais perguntaram o propósito de Èsù no novo país, Èsù Òdàrà perguntou sobre o que ele ganharia. Naquela época, Èsù Òdàrà disse que não iria responder, a menos que fizessem uma oferta.

A oferta foi feita. Òdàrà Èsù disse: “Gente da Terra estava destinado a ter uma vida boa e através de ofertas ao Espírito, eles seriam orientados para a vida boa.”

Neste papel como mensageiro divino, Èsù é a primeira força espiritual que deve ser abordada durante o ritual e a cerimônia.

Isso ocorre porque o Èsù é o Dono do Mistério que traduz a linguagem humana para a linguagem da natureza e que traduz a linguagem da natureza para a linguagem humana. A chave para este mistério é o conceito de Ifa para a Verdade.

Ifá ensina que a Verdade é o que existe como é, não como pensamos que deveria ser.

A verdade é o ventre da criação, que está situado no Mistério de Olódunmárè (Fonte da Criação).

É o caráter interno de Olódunmárè que reflete a verdade. A natureza interna de Olódunmárè e chamada de Oniwaben funfun.

Que significa: Mestre do Mistério do bom caráter e da Luz.

A referência aqui para a Luz está relacionada com a essência luminosa do Ser em si.

Neste papel de Mensageiro Divino, Èsù tem um papel a perturbar aqueles que se tornaram complacentes e como conseqüência dessa negligência, perdem a responsabilidade de encontrar o seu propósito no mundo.

No Ocidente há uma noção comum de que tal ruptura, caos e desastres naturais são eventos aleatórios, não regidos pelo direito natural.

Os físicos modernos têm estudado este fenômeno em um ramo da ciência chamada Teoria do Caos.

Segundo esta teoria, os eventos que parecem aleatórios ou caóticos seguem um padrão definido, que aparece quando visto por longos períodos de tempo.

Esta teoria é consistente com a cosmologia de Ifá, que mostra que o que parece ser o caos é uma forma da natureza manter-se estável.

Pela obra e graça do Divino Mensageiro (Èsù), responsavel pelo movimento e equilibrio do Universo.

Como vemos Èsù está muito além de uma garrafa de cachaça, uma vela, um padê e um charuto.

Por Áwo Fatunmbi

Tradução Odé Gbàfáomi

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