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Archive for Janeiro, 2009

Reza de Oxum

osun_adura

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Reza de Oxóssi

Ososi_adura

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ifa

Conseguir informação de Orunmilá sobre a vida de alguém, é importante demais para ser deixado a um simples deitar do Opelé, 16 búzios, cartas de tarot ou qualquer que seja o sistema de adivinhação utilizado. De acordo com o pensamento tradicional, qualquer pessoa com um Opelé e um livro dos Odús pode andar por aí a fazer adivinhações em nome de Orunmilá. Mas estar equipado com estes instrumentos, não quer dizer que a pessoa esteja em contacto com Orunmilá. E mais importante ainda, embora existam 256 Odús, é impossível para eles, ver com precisão todas as potencialidades da experiência de vida como as infinitas direcções possíveis no caminho espiritual da pessoa. Os Odús podem confundir-nos com alguma facilidade. Nunca é demais salientar que devemos discernir sempre muito bem no que toca à forma como adquirimos informação quanto aos caminhos das nossas vidas. Todo o processo de adivinhação se tornou tão compartimentado, que nos faz pensar como chegou o Ifá ao seu estado actual.

Parte do problema reside no facto de que nem todas as pessoas têm a capacidade de entrar em diálogo com Orunmilá. Uma pessoa de tal integridade, espiritualidade e talento é verdadeiramente um achado nos nossos dias. A certeza deste tipo de adivinho está para além de qualquer questão, mas as pessoas, sendo quem são, tiveram que desenvolver uma técnica ou processo para compensar a falta de preparação daqueles que queiram ser adivinhos sem ter que passar por processos e requisitos rigorosos. Embora todos possamos falar com Orunmilá, os restantes Orixás e os ancestrais, ninguém está verdadeiramente disposto a submeter-se ao esforço para desenvolver o carácter ao ponto de tornar realmente atingível essa comunicação.

Outro cenário é quando o adivinho se encontra numa situação de alguma dificuldade que causa a quebra da sua integridade. Rendas em atraso e a conta do banco em baixo. Logo na próxima leitura o cliente é informado de que alguns Orixás estão descontentes e o cliente precisa então fazer um Ebó para cada um deles. Isto custará uma quantia razoável em Euros. Mas Orunmilá provavelmente nunca disse nada disto. A integridade do adivinho passa a estar em questão, não só porque enganou um cliente, como também utilizou erradamente o nome de Orunmilá para o fazer. A partir daí a ligação espiritual perdeu-se e o adivinho passa a trabalhar às cegas espiritualmente. O adivinho nunca admitirá o seu erro, portanto ele/ela agrava o problema ao continuar a fazer leituras para outros clientes sem o contacto com Orunmilá. O adivinho está neste ponto tão longe do caminho verdadeiro que necessitará apelar para Exú, Oge e Orunmilá se quiser alguma vez voltar ao caminho certo. Mas memorizando os Odús e reconhecendo as caídas pode ajudar a manter a charada até que o adivinho decida limpar o seu acto, se isso alguma vez chegar a acontecer.

Para compensar por estes problemas, e quem sabe quantos mais, os Odús estão desenhados de forma a que, pessoas que antes não os poderiam ler ou saber o possam fazer agora. Não só isso, os Odús darão às pessoas uma análise rápida e uma solução para qualquer problema que possa surgir na vida. Os Odús são a solução de alguém para o marketing em massa que se vai fazendo sobre a adivinhação, como se de um franchise se tratasse. Infelizmente, Orunmilá não está no negócio para resolver problemas triviais, pedir ebós em nome dos Orixás, dizer às pessoas para pagarem fortunas por iniciações, ou qualquer coisa que requeira a transferência de riqueza do cliente para o adivinho. O “trabalho” de Orunmilá é o de dar instruções às pessoas para as suas vidas e caminhos espirituais.

Faria sentido se o adivinho estivesse numa situação de bom e real contacto com Orunmilá, que então Orunmilá o protegesse daqueles que o tentam testar sobre a sua honestidade e capacidade, para o desacreditar. As pessoas estão tão preocupadas em defender a sua fatia do “bolo” da adivinhação que provavelmente confrontariam o próprio Orunmilá se ele lhes surgisse à porta para os fazer parar com a farsa. Consequentemente, não deveria se uma surpresa quando as pessoas pedem uma leitura e Orunmilá lhes diz para parar com a mentira. Portanto, até que Orunmilá apareça, ou seja tomada a escolha de parar, estes pseudo adivinhos continuarão a utilizar o Opelé ou os Búzios, como dados num jogo de casino, até que lhes seja posto fim. Entretanto, os pseudo adivinhos fariam bem em não continuar a utilizar o engano e a mentira e a pedir leituras a Orunmilá.

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Reza de Ossain

Ossanyin_adura

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oya_adura

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Reza de Yemonja

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agnes-do-santo7

(1)

As mulheres da aldeia não engravidavam e tiveram a ideia de recorrer aos poderes de Iroco. Juntaram-se em círculo ao redor da árvore sagrada, tendo o cuidado de manter as costas voltadas para o tronco. Não ousavam olhar a grande planta, pois, os que olhavam Iroco de frente enlouqueciam e morriam. Suplicaram-lhe filhos e ele quis saber o que teria em troca. Cada uma prometia o que o marido tinha para dar: milho, inhame, frutas, cabritos e carneiros. Uma delas, chamada Olurombi, era a mulher do entalhador e seu marido não tinha nada daquilo para oferecer. Desesperada, prometeu dar a Iroco o primeiro filho que tivesse. Nove meses depois a aldeia alegrou-se com o choro de muitos recém-nascidos e as mães foram levar a Iroco suas oferendas. Olurombi contou a história ao marido, mas não pôde cumprir sua promessa. Ela e o marido apegaram-se demais ao menino prometido. No dia da oferenda, Olurombi ficou de longe, segurando nos braços trémulos, temerosa, o filhinho tão querido. O tempo passou e ela mantinha a criança longe da árvore. Mas um belo dia, passava Olurombi pelas imediações do Iroco, quando, no meio da estrada, bem na sua frente, saltou o temível espírito da árvore. Disse Iroco: “Tu me prometeste o menino e não cumpriste a palavra dada. Transformo-te então num pássaro, para que vivas sempre aprisionada em minha copa.” Transformou Olurombi num pássaro que voou para a copa de Iroco para ali viver para sempre. O entalhador a procurou, em vão, por toda parte. Todos os que passavam perto da árvore ouviam um pássaro que cantava, dizendo o nome de cada oferenda feita a Iroco. Até que um dia, quando o artesão passava perto dali, ele próprio escutou o tal pássaro, que cantava assim: “Uma prometeu milho e deu o milho; Outra prometeu inhame e trouxe inhames; Uma prometeu frutas e entregou as frutas; Outra deu o cabrito e outra, o carneiro, sempre conforme a promessa que foi feita. Só quem prometeu a criança não cumpriu o prometido.” Ouvindo o relato de uma história que julgava esquecida, o marido de Olurombi entendeu. Sim, só podia ser Olurombi, enfeitiçada por Iroco. Ele tinha que salvar sua mulher! Mas como, se amava tanto seu pequeno filho? Foi à floresta, escolheu o mais belo lenho de Iroco, levou-o para casa e começou a entalhar. Da madeira entalhada fez uma cópia do rebento, o mais perfeito boneco que jamais havia esculpido, com os doces traços do filho, sempre alegre, sempre sorridente. Poliu e pintou o boneco com esmero, preparando-o com a água perfumada das ervas sagradas. Vestiu a figura de pau com as melhores roupas do menino e a enfeitou com ricas jóias de família e raros adornos. Quando pronto, ele levou o menino de pau a Iroco e o depositou aos pés da árvore sagrada. Iroco gostou muito do presente, o menino que tanto esperava! Sorria sempre, jamais se assustava quando seus olhos se cruzavam. Não fugia como os demais mortais, não gritava de pavor e nem lhe dava as costas, com medo de o olhar de frente. Embalando a criança, seu pequeno menino de pau, batia ritmadamente com os pés no solo e cantava animadamente. Devolveu a Olurombi a forma de mulher que, aliviada e feliz, voltou para casa e para o marido artesão e o filho, já crescido e livre da promessa. Dias depois, os três levaram para Iroco muitas oferendas. Levaram ebós de milho, inhame, frutas, cabritos e carneiros, laços de tecido de estampas coloridas para adornar o tronco da árvore. Eram presentes oferecidos por todos os membros da aldeia, felizes e contentes com o retorno de Olurombi. Até hoje todos levam oferendas a Iroco. Porque Iroco dá o que as pessoas pedem. E todos dão para Iroco o prometido.

(2)

Iroco era um homem bonito e forte e tinha duas irmãs. Ajé, a feiticeira e Ogboí, uma mulher normal. Iroco e suas irmãs vieram juntos do Orun para habitar no Ayê. Iroco foi morar numa frondosa árvore e suas irmãs em casas comuns. Ogboí teve dez filhos e Ajé um só, um passarinho. Um dia, quando Ogboí teve que se ausentar, deixou os dez filhos sob a guarda de Ajé. Ela cuidou bem das crianças até a volta da irmã. Mais tarde, quando Ajé teve também que viajar, deixou o filho pássaro com Ogboí. Foi então que os filhos de Ogbói pediram à mãe que queriam comer um passarinho. Ela lhes ofereceu uma galinha, mas eles, de olhos no primo, recusaram. Gritavam de fome, queriam comer, mas tinha que ser um pássaro. A mãe foi então foi a floresta caçar passarinhos, que seus filhos insistiam em comer. Na ausência da mãe, os filhos de Ogboí mataram, cozinharam e comeram o filho de Ajé. Quando Ajé voltou e se deu por conta da tragédia, partiu desesperada a procura de Iroco. Iroco a recebeu em sua árvore, onde mora até hoje. E de lá, Iroco vingou Ajé, lançando golpes sobre os filhos de Ogboí. Desesperada com a perda de metade de seus filhos e para evitar a morte dos demais, Ogoí ofereceu sacrifícios para o irmão Iroco. Deu-lhe um cabrito e outras coisas e mais um cabrito para Exu. Iroco aceitou o sacrifício e poupou os demais filhos. Ogboí é a mãe de todas as mulheres comuns, mulheres que não são feiticeiras, mulheres que perdem filhos para aplacar a cólera de Ajé e de suas filhas feiticeiras. Iroco mora na gameleira branca e oferece sua justiça na disputa entre as feiticeiras e as mulheres comuns.

(3)

Era uma vez uma mulher sem filhos, que ansiava desesperadamente por um herdeiro. O babalaô lhe disse para ir à árvore de Iroco oferecer um sacrifício. Com panos vistosos ela fez laços e com os laços ela enfeitou o pé de Iroco. Aos seus pés depositou o seu ebó, tudo como mandara o adivinho. Mas de importante preceito ela se esqueceu. O babalaô mandara que nos três dias antes do ebó ela deixasse de ter relações sexuais. Só então, assim, com o corpo limpo, deveria entregar o ebó aos pés da árvore sagrada. A mulher disso se esqueceu e não negou deitar-se com o marido nos três que precediam o ebó. Iroco irritou-se com a ofensa, abriu uma grande boca em seu grosso tronco e engoliu quase totalmente a mulher, deixando de fora só os ombros e a cabeça. A mulher gritava feito louca por ajuda e toda a aldeia correu para o velho Iroco. Todos assistiam o desespero da mulher. O babalawo foi também até a árvore e o jogo que fez revelou sua ofensa, sua oferta com o corpo sujo. Mas a mulher estava arrependida e a grande árvore deixou que ela fosse libertada. Toda a aldeia ali reunida regozijou-se pela mulher. Todos cantaram e dançaram de alegria. Todos deram vivas a Iroco. Tempos depois a mulher percebeu que estava grávida e preparou novos laços de vistosos panos e enfeitou agradecida a planta imensa. Tudo ofereceu-lhe do melhor, antes resguardando-se para ter o corpo limpo. Quando nasceu o filho tão esperado, ela foi ao babalaô e ele leu o futuro da criança: deveria ser iniciada para Iroco. Assim foi feito e Iroco teve muitos devotos. E seu tronco está sempre enfeitado e aos seus pés não lhe faltam oferendas.

Notas bibliográficas
Mitologia dos Orixás – Reginaldo Prandi – 2001

e  Bibliografia da Fundação Pierre (Fatumbi) Verger

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