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Archive for Abril, 2011

Segundo a tradição dos povos  Fon/Ewé o mundo foi criado da seguinte maneira: “Nanã Buruku (ou Nanã Buluku) com a ajuda das Serpentes Aido Wedo e Dangbala foi quem criou o mundo e deu vida aos animais, a flora e aos minerais.

Após criar o mundo, Nanã deu origem a gêmeos a quem batizou de Mawu-Lisa e deu a eles a tarefa de criar o homem e povoar a Terra.

Com a criação do par Mawu-Lisa, Nanã criou o equilílibrio no mundo e aos seres vivos.

Mawu é o princípio feminino, a fertilidade, a suavidade, a compreensão, a ponderação, a reconciliação e o perdão.

Lisa é o princípio masculino, o julgador, a impaciência, a força cósmica que castiga os homens errados e os corrige, a seriedade. Ele está sempre atento para que as leis de Mawu sejam cumpridas.

Nanã percebeu que Mawu não conseguia mudar mudar o gênio do irmão Lisa, que castigava sem antes observar direito, resolveu separá-los

Enviou Mawu à lua para ser a luz que iluminaria a Terra no período noturno e suavizar os sofrimentos dos seres e projetar a fé e o amor  sobre o planeta. A lua também é o símbolo de varias deusas, um símbolo feminino.

Enviou Lisa ao sol para que esse pudesse ver com mais clareza os erros dos homens e julgasse bem antes de castigá-los. Ordenou também que Lisa uma vez por ano deveria andar na Terra para conviver com os homens e conhecer de perto suas necessidades, ajudando-os e corrigindo-os. Com essas andanças pela Terra, Lisa deixou aqui alguns descendentes que se tornaram divinizados.

Os Fons dizem que a partir dessa separação, Mawu e Lisa só se encontram quando ocorre um eclipse e nessa ocasião Eles fazem amor, gerando mais Voduns para ajudar os homens.

Antes que essa separação se concretizasse, Mawu e Lisa chamaram seu filhos e os enviaram à Terra como os primeiros habitantes e para que esses os ajudassem a governar a Terra, deram a cada um uma atribuição.

  1. Os filhos mais velhos eram os gêmeos Da Zodji e Nyohwe Ananu. Foram habitar as profundezas do mar e regem todas as riquezas minerais da Terra.
  2. Os segundos foram os gêmeos Agbe (Hu) e Naeté. Foram habitar o mar e deveriam levar a paz e o amor para as pessoas.
  3. Aguê, vodum da terra firme, que segundo a lenda violou a mãe Mawu.
  4. Hevioso, foi habitar os vulcões e ficou encarregado de levar a justiça.
  5. Gú, seria o responsável por “fazer cumprir” as leis de Mawu.
  6. Djó teria que enviar a todos os seres o AR necessário à vida e enviar as chuvas para fertilizar a Terra. É andrógino e representado pela atmosfera. Diz-se que no Brasil este vodum é cultuado no Kpò Dagbá.
  7. Legba por ser o caçula e por suas brincadeiras sem limites foi mantido perto dos pais. Recebeu a incumbência de ser o mensageiro entre os irmãos e Mawu-Lisa. Recebeu o dom de saber todos os idiomas e dialetos para que pudesse escutar tudo no céu e na terra e contasse para seus pais.”

Ainda segundo o mito, após criar Mawu e Lisa, Nanã criou Ayizan, vodum que vive no tempo, em uma esteira, vendo a eternidade passar.

Em algumas narrativas, o povo Fon atribui exclusivamente a Mawu todas as tarefas de criação, tendo Lisa como seu auxiliar e a Serpente Aido Wedo e Dangbala. Para eles o nome “nanã” designa a sacerdotisa de Mawu.

O povo Ewé tem em Nanã Buruku sua Grande Mãe que rege as leis e a vida na Terra. Em algumas culturas Nanã também é vista como andrógina.

Em qualquer mito Dan foi auxiliar na criação e por isso é o vodum mais reverenciado dentro do culto Vodum.

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Oposto ao motivo deste conjunto de regras e regulamentos, Deus desenvolveu um plano para despachar todas as divindades para a terra simultaneamente sem nenhum aviso prévio. Uma bela manhã, portanto, Deus chamou a sua criada Arugba para convidar cada uma das divindades, em suas respectivas casas, para aparecerem no palácio celeste na manhã seguinte para um desígnio especial.

Arugba pôs-se a caminho muito cedo naquela manhã. Antes então de qualquer modo, Deus tinha preparado uma câmara especial completamente equipada com vários implementos com os quais Ele contava que as divindades executassem suas tarefas na terra. A mensagem de Arugba para cada uma das divindades foi clara.

“Meu pai me enviou para convidá-lo a se preparar para uma tarefa especial amanhã pela manhã.

Você deve começar se preparando para partir em missão assim que a mensagem divina lhe for dada.

“Você não deve retornar para sua casa antes de embarcar na missão.”

A maioria das Divindades levou a mensagem ao “pé-da-letra” e não se preocupou em se informar com seus próprios conselheiros ou guardiões em como começar a tarefa que Deus tinha reservado para eles. Arugba visitou as casas das divindades por ordem de idade, que significa que Ọrúnmilá, o mais moço das divindades, foi o último a ser visitado.

Entretanto, Ọrúnmilá que estava habituado a criar circunstâncias de divinação toda manhã, foi avisado por Ifá a fazer um banquete naquele dia particular em antecipação a uma visita em sua residência. Na hora que Arugba alcançou a casa de Ọrúnmilá, já era muito tarde da noite. Não tinha feito nenhuma refeição desde a manhã, e Arugba já estava com muita fome quando alcançou a casa de Ọrúnmilá. Antes de permiti-la entregar a mensagem divina, Ọrúnmilá a persuadiu a fazer uma refeição. Ela comeu até se satisfazer e então contou a Ọrúnmilá que Deus queria que ele

comparecesse em seu palácio no próximo dia, junto com as outras divindades para uma missão especial.

Em reconhecimento a hospitalidade de Ọrúnmilá, ela confidenciou ajudando-o revelando detalhes da missão que Deus tinha reservado para eles.

Ela o avisou para pedir por três favores especiais para Deus em adição a qualquer instrumento que ele coletaria da Câmara Especial para sua missão. Ele deveria perguntar pelo CAMALEÃO, (Alagemo em Yorùbá e OMAENEROKHI em Bini), a galinha multicolorida doméstica de Deus, e a bolsa especial do próprio Deus (Akponimijekun em Yorùbá e Agbavboko em Bini). Nós veremos o significado deste pedido especial mais tarde. Em uma última ressalva, Arugba informou Ọrúnmilá que se ele assim o desejasse, poderia também persuadir Deus em levá-la acompanhando-o na sua missão. Com estas palavras de aviso Arugba partiu para casa, tendo completado sua tarefa.

Na manhã seguinte, um após o outro, todas as divindades apresentaram-se no Palácio Divino de

Deus. Tão logo que chegaram, Deus pediu para cada um deles prosseguir na jornada para a terra sem regressar aos seus respectivos lares. Um após o outro eles vieram e se moveram marchando em ordem para partir para a terra. As primeiras divindades a chegarem a terra logo descobriram que não havia solo para pisar. Todo o lugar era alagado. Havia uma única palmeira que se encontrava no meio das águas com suas raízes no céu, que era o portão para o mesmo. Como eles estavam chegando, e não tinham nenhum outro lugar para ficar exceto nos ramos da palmeira. Era um momento realmente muito difícil.

Antes de partir do céu, cada uma das divindades recolheu da Câmara Especial de Deus todo o material e instrumentos de suas preferências. São os mesmos instrumentos que os iniciados no culto de cada uma das divindades usam na iniciação nos dias de hoje.

Quando Ọrúnmilá chegou ao Palácio de Deus, todos os outros já tinham ido.

Ele apresentou-se ao Pai Todo-Poderoso, e igualmente seguiu marchando em ordem imediatamente para a terra. Ele foi informado como os outros, a recolher todo instrumento que ele achasse na Câmara Especial. Contudo, todos os instrumentos disponíveis tinham sido coletados pelos outros e havia uma única inútil concha de caracol.

Ele não tinha escolha, mas agarrou-se a ela e então suplicou a Deus que já que não tinha nada mais para resgatar da Câmara Especial, pediu:

(a) O Camaleão – a, mas velha das criaturas na casa de Deus para aconselhá-lo em como tentar resolver os problemas da fixação das habitações terrestres.

(b) O benefício de ir a terra com a multicolorida galinha doméstica divina de Deus.

(c) A bolsa divina do próprio Pai Todo Poderoso, para recolher as coisas que ele estava levando, e…

(d) O privilégio de ir para a terra com Arugba, para fazê-los lembrar das regras do céu.

Seus quatro pedidos foram atendidos. Como ele estava partindo, ele coletou quatro plantas diferentes, que um sacerdote de Ifá usa para todos os seus preparativos. Ele também coletou amostras de plantas e animais que ele pôde colocar nas mãos. Ele guardou sua coleção na sacola que Deus lhe havia dado. A sacola Divina tinha a misteriosa capacidade de acomodar qualquer coisa, não importando o tamanho e também produzir tudo o que era preciso para isso.

Quando Ọrúnmilá alcançou o portão para a terra, ele encontrou todas as outras divindades penduradas nos ramos da palmeira. Ele também não tinha opção exceto se unir a eles.

Depois de Ọrúnmilá ter estado sentado ou parado nos ramos da palmeira por algum tempo, Arugba recomendou-o, de dentro da sacola Divina onde estava escondida, a pegar a concha do caracol, e virar a boca da mesma na água abaixo porque continha a base do solo da terra e que faria o chão firme para pisarem.

Ọrúnmilá que tinha coletado a concha do caracol vazia da Câmara Especial de Deus, não sabia do seu conteúdo. É também óbvio que se encontrou com somente a concha do caracol dentro da Câmara Especial de Deus porque todos os outros a tinham ignorado. Nenhum deles a não ser Arugba sabia que continha o Segredo da terra. Quando Ọrúnmilá virou a boca da concha do caracol para baixo, o escasso conteúdo de areia caiu na água abaixo e esta começou a borbulhar. Dentro de pouco tempo, grande quantidade de areia começou a se empilhar ao redor da palmeira. Depois de muitos montes terem se formado, Arugba falou outra vez a Ọrúnmilá de dentro da sacola. Desta

vez, recomendando-o a deixar cair à galinha nos montes da areia. Como a galinha espalhou os montes, a área da terra começou a expandir. É a mesma operação que a galinha está executando até hoje. Onde quer que a galinha seja encontrada, vê-se usar os pés para dispersar a areia na terra.

Depois de o solo ter sido expandido sobre uma extensa área, as outras divindades que estavam pasmas com a misteriosa performance de Ọrúnm.lá. Mandaram-no descer e caminhar no solo para verificar se ele poderia suportá-los. Mais uma vez Arugba aconselhou Ọrúnmilá para com a sacola, soltar o camaleão para caminhar primeiro no solo. O camaleão andou sobre o solo furtivamente, por temer que pudesse desmoronar sob seus pés. Mas o chão agüentou firme, e esta é a mesma prudência andando marchando que o camaleão ficou acostumado, até o dia de hoje. Este é o porquê do camaleão pisar gentilmente no solo.

Logo que Ọrúnmilá teve certeza de que o solo estava suficientemente forte, ele desceu da palmeira para a terra, e sua primeira tarefa foi transplantar as plantas que trouxe do céu. Depois disso todas as outras divindades desceram para a terra uma depois da outra. Este é o motivo porque a palmeira, a primeira a ser criada das que tinham suas raízes no céu, é respeitada por todas as divindades. É o antepassado de sua estirpe. Todas as divindades espalharam-se da palmeira para estabelecer seus vários domicílios em diferentes partes da terra. Ọrúnmilá sendo o mais jovem de todas as divindades morou e serviu a cada um dos mais velhos, um de cada vez. Ele serviu Ògún, Şàngó, Olokún, Eziza, etc.

No decurso de sua servidão, uma das divindades apoderou-se de Arugba. Ele foi desta maneira despojado de sua Conselheira Chefe e confidente.

É importante neste estágio mencionar que o processo de iniciação na religião de Ọrúnmilá ou Ifismo é uma tentativa para recordar este processo da partida do céu e chegada no mundo para se estabelecer através da palmeira. A mulher que carrega os Ikin em sua cabeça para Ugbodu é chamada de Arugba. É considerado um fato que Ọrúnmilá nunca casou com Arugba, também não é aconselhável a nenhum iniciado de Ifá casar coma mulher que o acompanha com o UGBODU.

Justamente por isso não é aconselhável empregar alguma esposa para a cerimônia, a fim da mulher não ser na verdade seduzida por algum tempo depois da cerimônia, ou pela morte ou por outros.

A presença de Arugba como única mulher em volta, criou uma gama de problemas para as divindades. Uma após outra, eles lutaram para retê-la. O conflito por Arugba logo trouxe a tona a pior das divindades. A violência de alguns, isto á, Şàngó, Sankpana, Ògún, etc., combates mútuos com todas as defesas a sua disposição. Houve total confusão que se encheu de aspereza entre eles.

Neste momento, Ọrúnmilá foi o primeiro a retornar ao céu para fazer um relato a Deus. O papel de protetor de Arugba perdeu-se para as divindades porque ela tinha sido privada da companhia de Ọrúnmilá com quem ela veio ao mundo.

Todas as outras divindades tinham se estabelecido com os instrumentos que eles coletaram na Câmara Especial de Deus. De sua parte, Ọrúnmilá tinha perdido o uso de todas as coisas que ele trouxe, inclusive até a Sacola Divina, dos quais sem os conselhos de Arugba, ele não sabia como usar. Depois de ter levado uma vida de privações e penúria, ele decidiu voltar para o céu para perguntar a Deus porque a vida na terra era tão dolorosamente diferente da vida no céu. Até as quatro plantas que ele trouxe do céu não o ajudaram apesar de elas serem usadas unicamente durante a iniciação de Ifá até hoje, e elas também são usadas para alguns preparados medicinais

feitos por Ọrúnm.lá.

Quando foi o momento de Ọrúnmilá retornar para o céu, ele foi até o pé da palmeira e subiu para seus ramos donde ele se transfigurou para o céu. De volta ao céu, ele foi o único das muitas divindades a ver a última forma física do próprio Deus.

O Deus Onipotente que era conhecido por nunca perder sua calma estava evidentemente aborrecido diante de Ọrúnmilá. Ele apresentou suas desculpas a Deus por olhar os traços físicos, do pescoço em diante, mas explicou as dificuldades que ele tinha experimentado na terra nas mãos de seus irmãos divinos. Ele reclamou que surpreendentemente, as regras celestes não estavam sendo seguidas na terra. Após ter ouvido o relato revelado por Ọrúnmilá, Deus convenceu-o a permanecer momentaneamente no céu, mas enviou o obstáculo, o mais poderoso de todas as divindades, (Elenini em Yorùbá e Idoboo em Bini) para ir verificar o relatório de Ọrúnmilá. Quando Elenini

chegou a terra, ele observou o espetáculo do restante das divindades no corpo a corpo. Ele não ficou apenas satisfeito que o relato de Ọrúnmilá estava correto, mas também ficou receoso que com a privação predominando na terra, as divindades poderiam acabar guerreando umas contra as outras.

Por: S. Cromwell Osamoro.

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Ninguém deve confundir o mundo tentando igualar as divindades com Deus. Ọrúnmilá tem revelado claramente que todas as divindades menores foram criadas por Deus para assisti-lo na gerência do sistema planetário e sem exceção, todos deviam total lealdade Ele. As divindades consideram a si mesmas como servas de Deus, mandadas ao mundo para ajudá-lo a fazer um lugar mais habitável para colocar os mortais, de modo que através deles, o homem possa ser capaz de apreciar como Deus ama suas criaturas. Quando por exemplo uma sacerdotisa ou sacerdote, da divindade das águas (Olókun), tomando-se possuída (o), ela começa por cantar em louvor a Deus e reconhecendo sua supremacia acima de toda a existência. Quando Ògún (o engenheiro divino) possui seu sacerdote, ele também começa por pagando tributo a Deus todo poderoso e agradecendo-o por fazer o possível por ele (Ògún) para contar aos mortais que eles não deveriam saber de outro modo sobre eles mesmos.

O mesmo é verdade para a divindade dos rios (Sàngó), e para cada uma das 200 divindades criada por Deus. Eles são ditos como membros do conselho Divino de Deus.

Do mesmo modo, o sacerdote de Ifá começa sua atividade reconhecendo Deus como o repositório de todo conhecimento e sabedoría. Não é permitido ao homem por isso pensar que, prestar serviços através de alguma das divindades é ser um substituto dos serviços de Deus.

Ọrúnmilá tem revelado para seus seguidores que as primeiras criações de Deus são as divindades menores. Eles são os primeiros habitantes do céu levando uma vida normal, cada um na imagem que se pareciam como próprio Deus. A Morte, conta o iton que era Nanã tbm, é uma das criações favoritas de Deus e ele (a) era o que buscava a argila para que a imagem dos homens fosse moldada depois pela divindade Obatalá.

Depois da moldagem da figura humana em barro, era tempo de lhe dar o hálito de vida (EMI), de modo que Deus falou a todas as divindades que estavam presentes para fecharem seus olhos. Todos fecharam seus olhos, exceto Ọrúnmilá, que simplesmente cobriu sua face com seus dedos sem cobrir seus olhos. Quando Deus estava insuflando o sopro de vida no homem, descobriu que Ọrúnmilá estava assistindo-o. Quando Ọrúnmilá tentou fechar seus olhos depois de ter sido pego espionando, Deus chamou-o para manter seus olhos abertos já que nada espetacular será feito sem uma testemunha viva. Este é o porquê Ọrúnmilá é chamado Eléri Ipin (Testemunha do próprio Deus).

Segundo a criação do homem, era tempo de Deus talhar a terra para ser habitada. Mas o homem era também ainda muito jovem e inexperiente nos caminhos do céu para ser exposto à tarefa de estabelecer um novo domicílio com seu próprio discernimento. Deus por isso preferiu mandar as divindades a terra para estabelecer com seu próprio discernimento e experiência.

 

 

 

A FUNDAÇÃO DO MUNDO.

 

Quando Deus manda uma mensagem a alguém, Ele não lhe dá termos minuciosos como referência.

Ele conta com o mensageiro para usar seu próprio senso comum ou discrição para executar a tarefa.

Deus apenas espera resultados positivos e é permitido ao mensageiro fazer quatro de dois e dois.

Os primeiros habitantes desta terra foram as 200 divindades. A terra era então chamada DIVINOSFERA, até o momento quando as divindades como são hoje, foram os únicos com capacidade espiritual para se comunicar entre o céu e a terra. Eles são capazes de saber ao mesmo tempo o que está acontecendo na terra e no céu com seus poderes extra visionários. Os habitantes do céu foram se tornando muito populosos, e o próprio Deus, quem poderia no momento, como Pai Onipotente que Ele é, atender pessoalmente as súplicas de suas crianças no Céu, instituiu tarefas tornando-o super dotado por Ele. Por essa razão, Ele decidiu criar um novo Firmamento para Divindades e a verdade, é que não divulgou as suas criaturas que também estava indo transfigurado no ar fino, de modo que depois disso pudesse somente se comunicar como espírito.

A CRIAÇÃO DA DIVINOSFERA:

 

Este trabalho não está tentando desafiar todos os outros relatos da “Criação do Mundo”, que tem previamente sido dado pelos videntes, ouvintes e profetas. É tentar transcrever o relato de Ọrúnmilá de como o fenômeno geográfico agora referido como a terra, veio a ser uma parte do sistema planetário.

Em um dos encontros semanais do Conselho Divino, Deus perguntou as divindades, quais delas estavam preparadas para ir a terra criar uma nova habitação. Deus os informou que todos que se apresentassem voluntariamente para ir estavam indo agirem dentro de uma ordem do Conselho Divino para estabelecer na terra, as leis naturais que fizeram do céu um lugar tão bonito para se viver. Ele os informou que as mesmas regras iriam operar na terra. Havia apenas dois conjuntos amplos de regras que Ele lhes daria:

1 – Ninguém tiraria vantagem indevida de Sua (de Deus) ausência física para atribuir a si mesmo sua função de Pai de todo o Universo. Todos eles deveriam respeito a Ele como o criador de tudo, ou seja, eles sempre dariam início aos seus trabalhos na terra prestando o devido respeito a Ele como seu Pai eterno, e…

2 – Ninguém deveria fazer aos outro o que não gostaria que os outros lhes fizessem; regra a qual é conhecida como “Regra Dourada”. Isto se destinava a que eles não fossem mortos sem um julgamento apropriado pelas divindades.

Eles não furtariam as propriedades uns dos outros, como no céu a punição seria a morte.

Eles não se poriam uns contra os outros, um seduzindo a esposa do outro ou fazendo outra coisa para o outro que resultaria em sofrimento.

Eles deviam se opor ao ímpeto de vingança uns contra os outros, já que todos os desacordos mútuos deviam ser resolvidos através de um julgamento público no Conselho das Divindades. Acima de tudo, eles deviam respeitar sua regra divina que tudo quanto alguém fizesse para prejudicar seu equivalente divino, a retribuição viria para o agressor dez vezes mais. Finalmente, Ele lhes informou que o segredo do sucesso estava em ouvir sempre a voz silenciosa da divindade chamado Perseverança.

Por: S. Cromwell Osamoro.

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QUEM É ESU REALMENTE ?

Devido ao sincretismo cristão, a deidade ou Òrìsà Èsù é sinônimo com o diabo cristão. Existem várias razões pelas quais e como esta passou a ser assim. Vamos examinar essas razões, e nos permitem chegar a uma melhor compreensão do mensageiro de Olórun, também conhecido como Èsù!
Èsù tem muitas personalidades diferentes e pode fazer muitas coisas, como a maioria dos Òrìsá. Ele é mais conhecido popularmente como o malandro, o guardião das encruzilhadas, o porteiro do Céu, o doador e justiceiro. A última tarefa, na minha opinião, é a principal razão pela qual a Comunidade Europeia e os acadêmicos decidiram mascarar Èsù como “ruim”.
Ao nomear ÈsùOfun que diz:
Este Poema de Ifá, conta a história de dois melhores amigos que visitaram um Bàbáláwo para uma consulta. Foi dito por Olódùmarè através de Ifá para o Bàláláwo que os amigos necessários para fazer um sacrifício a fim de preservar sua amizade. Eles tinham fé suficiente no relacionamento que eles se recusaram a realizar o sacrifício. Èsù soube disso, e decidiu colocar um chapéu que era metade branco e metade preto e passou pelos amigos, onde um estava a direita, e outro à esquerda de Èsù. Ambos comentaram sobre o mesmo homem, mas argumentaram sobre a cor de seu chapéu, um vendo apenas o lado branco, e o outro vendo apenas o preto. Acontece que, através dessa discordância eles brigaram e a amizade deles acabou. Se tivessem realizado o sacrifício prescrito por Deus, eles teriam morrido como melhores amigos, ao invés de ter vivido como inimigos.
Este é um exemplo de Èsù ser o malandro, assim como um executor da justiça. A não realização de um sacrifício é um desrespeito a Deus, uma clara demostração que você tem mais poder para controlar seu próprio destino e negar Seu aconselho. Nem Deus, nem Òrúnmìlá, nem Èsù apreciam este tipo de comportamento arrogante. Quando isso acontece, os seres humanos são punidos. Èsù tem o papel de “Justiceiro” isto é o que levou os europeus a convencerem nosso povo de que o mensageiro de Deus é realmente o diabo!
Vamos agora comparar Èsù e o diabo, segundo a Bíblia e os versos de Ifá. A Bíblia diz que o diabo foi expulso do céu para competir com Deus. Isso não é verdade de Èsù, nem há qualquer evidência de histórico / mítico através de texto iorubá por trás esta afirmação.
O diabo faz a sua casa no fogo do inferno e é a antítese de tudo que é Celestial. Èsù reside entre o Céu e a Terra, e serve como mensageiro de Deus para os homens e leva os sacrifícios executados na Terra para o céu. Ele também é o porteiro do Céu, que o diabo não é certamente!
Esu não espera que os seres humanos  morrerem para que ele possa levá-los para o inferno. Esu não incentiva o mal, nem ele é o pai do mal. Estes são atributos do diabo cristão que não existem na cultura iorubá tradicional.
Muitas vezes Èsù vai obrigar-nos a olhar para a feiúra em nós mesmos para que possamos ver que estamos na verdadeira luz, reconhecer-mos nosso erro e mudar, isso para que sejamos mais capazes de agradar a Deus. É Esu que nos faz lembrar:
S’otito, s’ododo, ma s’ika – Òrìsá gbe iwà Pelé o!
Isto significa basicamente fazer o bem, e um bom desempenho sem fazer mal – o òrìsá  apoia o bom caráter!
Isso não quer dizer que os iorubás são ingênuos o suficiente para ter uma descrença nas forças do mal. Isso seria uma tolice – especialmente de uma cultura que acredita firmemente no equilíbrio da natureza. Onde existe o bem, há também  o mal e os nossos antepassados ​​entenderam isso claramente. Foi colocado que Èsù é o dono deste mal, quando na verdade ele não é. Os yorùbá têm uma crença em forças do mal que desfilam durante as horas escuras e causam danos aos seres humanos e a natureza. Estas forças de trabalho com aqueles com Iwá buruku (mau caráter) e ajudá-los a atingir as metas do mal na terra, mas deve-se notar que essas forças não são Òrìsá. Acredita-se fortemente que Olódùmarè idajo ni – o que significa que Deus é o dono do juízo. Aqueles que deliberadamente realizam atos de maldade na Terra acabará por ser julgado por Deus e terão que responder por seus atos.
Que as bênçãos de Deus esteja com você para sempre e sempre.

Ase!

Texto garimpado na net, sem autoria.

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Tòhosú

Existe na região Mahi, ao longo do Rio Uemê e em Abomey, uma categoria de voduns chamados Tòhosú (Toxosu).

Acredita-se que quando Tòhosú vem à terra manifesta sua imagem no corpo de uma criança anormal e monstruosa. Dizem também que para um Tòhosú vir a Terra é sinal de descontentamento. Antigamente era costume, quando crianças anormais nasciam, eram afogadas para que fossem “devolvidas” a seu reino, pois a palavra Tòhosú significa “Rei das Águas”.

Os Tòhosú da familia real (Família Davice, da Casa das Minas)  são considerados voduns muito importantes, pois estes são filhos de reis e reverenciados nos cultos de Nesuhue (Nesuxwé) – instituição religiosa baseada no culto dos ancestrais divinizados da família real de Abomey, os dirigentes do antigo reino do Dahomey.

Em Abomey a tradição diz:

“Akabá, rei de Dahomey, tinha tido um filho anormal. A gravidez da rainha Kuandê tinha sido dolorosa e agitada, se manifestando por duas vezes no dorso, duas vezes no peito, parando em seguida por nada sentir. A parteira ficou espantada quando viu o menino Zomadonu, porque ele tinha seis olhos – dois sobre a fronte, dois atrás da cabeça e dois no peito. Tinha dentes, cabelo e barba e desde o seu nascimeto se pôs a falar e caminhar. No dia seguinte ele entrava a engordar e desaparecia e rolava por terra como uma bola e declarava que era Zomadonu. Horas depois ele estava transformado em um grande pássaro entregue à pescaria no pântano e cantava traduzindo o seu nome. Em certas ocasiões estava de novo como homem. Todos ficavam apavorados com estas manifestações.

O Rei Agajá, irmão e sucessor de Akaba, também teve um filho anormal chamado Kpelu. Tinha vinte dedos, sendo dez em cada mão, dois olhos normais e dois sobre a nuca. Nascera com dentes e grandes cabelos e tinha o dom de predizer o futuro. O Rei Tegbessu, sucessor de Agajá também teve um filho anormal, Adomu, que possuia quase as mesmas características de Kpelu, era caprichoso e diz que queria cortar o nariz das pessoas.”

Há também uma lenda que conta que Zomadonu, junto de Kpelu e Adomu,  invadiram o Abomey liderando um exército de tohosus matando indiscriminadamente os cidadãos que fugiram apavorados, ficando apenas um homem chamado Abadá Homedovó, que sofria de elefantíase.
A vida do homem foi poupada, graças à amizade que ele tinha com Azaká, um tohosu da cidade de Savalu. Ele foi curado por Zomadonu, e ensinado por ele nos mistérios para se propiciar a boa vontade dos tohosu reais. Após isso, o exército dos temíveis pigmeus monstruosos abandona Abomey, entrando no rio. E com Abadá Homedovó começa o culto dos tohosu reais de Abomey, com Zomadonu sendo o principal deles. Hoje, no Benin e em Togo, as crianças que nascem com má formação física ou deficiências mental têm uma cerimônia especial e, em suas casas, um pequeno altar é consegrado aos Tòhosú. Assim, em vez de trazerem desgraças financeira e emocional às suas famílias, trazem bençãos. Aqueles que ficam incapacitados devido a idade, ferimentos ou doenças, também ficam sob a proteção dos Tòhosú.
Na Diáspora, o nome de Zomadonu é conhecido tanto no vodu haitiano, como no Tambor de Mina de Nação Jeje, onde é o patrono do terreiro Casa das Minas, também chamado de ‘Kwerebentan to Zomadonu’ (Querebentã de Zomadonu) em São Luís Maranhão.

Curiosamente, no Maranhão, Zomadonu não possui caracteríticas de Tòhosú, ou seja, deformação física. Zomadonu é o mais importante vodum do Reino do Dahomey, é considerado nobre pertencente a família real de Davice ou Danvice, que é chefiada pela mãe ancestral Nochê Naé. Zomadonu também é pai dos gêmeos Nagono Toçá e Nagono Tocé. Zomadonu é o primeiro vodum a ser homenageado nos toques de tambor da Casa das Minas.

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LEI Nº 1814, DE 24 DE ABRIL DE 1991
 
ESTABELECE SANÇÕES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA APLICÁVEIS A QUALQUER TIPO DE DISCRIMINAÇÃO EM RAZÃO DE ETNIA, RAÇA, COR, CRENÇA RELIGIOSA OU DE SER PORTADOR DE DEFICIÊNCIA.

O GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO,

Faço saber que a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro decreta e eu sanciono a seguinte Lei:Art. 1º –A prática de atos de discriminação em razão de etnia, raça, cor, crença religiosa ou de ser portador de deficiência, sujeitará o agente às sanções previstas nesta Lei, sem prejuízo de outras cominações legais.Art. 2º – Constitui discriminação para os fins previstos nesta Lei:

I – impedir ou dificultar o acesso de alguém devidamente habilitado a qualquer cargo da administração direta, indireta ou fundacional, bem como de concessionária de serviços públicos;

II – negar ou dificultar emprego em empresa privada;

III – recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial ou de prestação de serviços, negando-se a servir, atender ou receber cliente ou comprador;

IV – recusar, negar ou impedir a inscrição ou ingresso de aluno em estabelecimento de ensino público ou privado de qualquer grau;

V – impedir o acesso ou recusar atendimento em estabelecimentos desportivos, casas de diversões ou clubes sociais abertos ao público;

VI – impedir o acesso às entradas sociais de edifícios públicos ou residenciais, elevadores ou escadas;

VII – impedir o acesso ou o uso de transportes públicos, de qualquer natureza;

VIII – impedir ou dificultar, por qualquer meio ou forma, o casamento, a união familiar ou a convivência social;

IX – praticar, induzir ou incitar, pelos meios de comunicação social ou por publicação de qualquer natureza, a discriminação ou o preconceito em razão da etnia, raça, cor crença religiosa ou de ser portador de deficiência.

Art. 3º – A infração ao disposto nesta lei, praticada por servidores públicos no desempenho de sua função, ou demais pessoas sob o poder disciplinar da administração pública, sujeitará o infrator às seguintes penas:

I – multa;

II – suspensão;

III – demissão;

IV – cassação de aposentadoria ou disponibilidade;

V – destituição de cargo em comissão, ou de função gratificada.

Parágrafo único – O Conselho de que trata o artigo 6º poderá, nos casos dos incisos II a V deste artigo, recomendar a autoridade competente enunciada no § 1º do art. 7º a restrição, por tempo determinado, a ocupação de cargo, emprego ou função pública.

Art. 4º – O desrespeito ao disposto nesta Lei praticada por particular ou entidade privada, inclusive delegatário de serviços públicos a qualquer título, sujeitará o infrator às seguintes sanções:

I – multa;

II – suspensão provisória do direito de participar de licitações com os órgãos e entidades da Administração estadual direta, indireta ou fundacional;

III – declaração de inidoneidade para licitar e ou contratar com os órgãos e entidades indicadas no inciso anterior;

IV – recomendação para suspensão de alvará ou interdição provisória de atividades ou estabelecimentos.

Parágrafo único – No caso do inciso IV, a recomendação será encaminhada por ofício ao órgão municipal competente, acompanhada de elementos que justifiquem a medida.

Art. 5º – Apurada a infração em processo administrativo regular, a autoridade administrativa competente, tendo em conta a natureza e a gravidade da infração cometida, aplicará a sanção que reputar cabível, motivadamente, dentre as previstas na presente Lei, observados os seguintes critérios:

I – nos casos do art. 3º:

a) a multa variará entre o mínimo de 1 (uma) e o máximo de 500 UFERJ’s;

b) a suspensão não deverá ser superior a 60 (sessenta) dias, podendo ser cumulada com a pena de multa;

c) as penas previstas nos incisos III a V somente deverão ser aplicadas em caso de reincidência.

II – nos casos do art. 4º:

a) a multa variará entre o mínimo de 1 (uma) e o máximo de 500 UFERJ’s, e poderá ser cumulada com qualquer das outras sanções;

b) as penas previstas nos incisos III e IV somente deverão ser aplicadas em caso de reincidência.

Art. 6º – O processo administrativo será instaurado pelo Governador ou pelo Secretário de Estado de Justiça ou pelo Procurador-Geral da Justiça, sendo ouvido o Conselho Comunitário de Defesa Social e assegurando-se ao acusado ampla defesa.

Art. 7º – O processo administrativo será conduzido por comissão composta de 3 (três) servidores estáveis, designados pelo Secretário de Estado de Justiça, e deverá ser concluído no prazo de 60 (sessenta) dias, prorrogável por igual período.

§ 1º – Ao Governador ou ao Secretário de Estado de Justiça, conforme o caso, caberá a aplicação da sanção recomendada no parecer conclusivo da Comissão prevista no artigo 6º.

§ 2º – Se no curso do processo administrativo forem apurados indícios de ocorrência de infração penal, o Secretário de Estado de Justiça determinará a remessa de peças ao Ministério Público.

Art. 8º – Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Rio de Janeiro, 24 de abril de 1991.

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– Ainda hoje, os estudos lingüísticos privilegiam o Yorubá. O que é um equívoco histórico, pois 75% dos negros africanos trazidos pra cá eram bantu-falantes, oriundos de territórios situados atualmente nos dois Congos e em Angola.

Em meados do século XVII, o contingente bantu era tão grande em Salvador que que um padre chamado Pedro Dias, resolveu escrever uma gramática para facilitar a catequese dos africanos, onde várias palavras bantu substituíram as de sentido equivalente em português como:

Insultar por “Xingar” / Dormitar por “Cochilar”. / Nádegas por “Bunda”. / Aguardente por “Cachaça”.

Os sistemas lingüísticos do bantu e do português arcaico são muito próximos, o que teria permitido uma aglutinação, uma mistura muito bem resolvida.

E é a mulher africana quem foi a base de todo esse entrosamento cultural, como uma espécie de porta-voz entre a casa grande e a senzala.

Ela participava da vida cotidiana do colonizador, servindo-lhe de mucama e de babá. Com ela os meninos brancos aprenderam a falar, assim, africanizamos o português de Camões, numa verdadeira antropofagia lingüística. Por isso no Brasil, onde esta a maior população de ascendência negra fora da África, não existe um crioulo como segunda língua, ou mesmo como língua nacional.

Em Angola e Moçambique também não, e pelos mesmos motivos. Já em Guiné, outra colônia Portuguesa, é diferente; lá não se falava bantu, e o encontro com a língua portuguesa, foi mais conflituosa.

Resultado: Hoje falamos Bantu sem saber.

Caxumba, marimbondo, senzala, maconha, dengo, samba, quilombo, mucama, mama, cafofo, cangica…

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