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Nós, afro-religiosos, não temos um livro de tradições escritas ou uma “bíblia” com textos proféticos como os cristãos. As sociedades africanas baseiam-se na tradição oral e não escrita para perpetuar e repassar seus conhecimentos, tal como o mestre ensina seu aprendiz, o sacerdote da religião africana passa oralmente seu conhecimento para seus iniciados. Estes por sua vez absorvem o conhecimento e a tradição, não se utilizando de papel e tinta para escrever, mas usando a memória. Quando esta cultura embarcou nos navios negreiros e veio para o ocidente ela se estabeleceu e se manteve na forma de tradição oral. Sob a opressão e dificuldades brotaram as religiões afro-brasileiras, com adaptações necessárias a sua sobrevivência na nova terra. Assim nasceu o Candomblé, o Batuque, o Tambor de Mina, o Xangô, e as demais vertentes da religiosidade africana, cada uma com suas peculiaridades, mas todas elas baseadas na tradição oral e na memória. Esta memória se forma com a vivência e a convivência religiosa. O processo de iniciação como bem se sabe, remete-se a um processo simbólico de nascimento do neófito, como se ele fosse uma criança, e ele vai “crescer” e aprender os conhecimentos e absorver a tradição de sua família religiosa. Os mais velhos remetem a importância da senioridade, aqueles que já viveram e aprenderam o suficiente na comunidade religiosa para ensinar.

No entanto, na atualidade, se tem visto uma transgressão nesta norma. Muitos são aqueles que anceiam pelo conhecimento, mas poucos aqueles que esperam seu tempo, agregando conhecimentos fragmentados, e no anseio de ser sacerdote a todo custo, até mesmo comprando seus títulos. Segundo Carol Tavris (1993, p. 1) com relação a memória”…“Para um acontecimento ficar guardado a longo prazo, uma pessoa tem de o perceber, codificar e ensaiá-lo – falar sobre ele – ou ele decai…”. E aí que se perde a memória religiosa e surgem os novos cultos, muitas vezes alegando “evolução”, quando na verdade se trata de desconfiguração da tradição religiosa.

Cada raiz religiosa possui suas particularidades, existem diferenças no modo de aprendizado e na forma de condução dos rituais por parte de cada um que aprende, o chamado fundamento de cada um, no entando, a tradição impõe certas normas não podendo se perder da memória. Apesar de duas ou mais árvores do mesmo fruto não serem exatamente iguais, os frutos são os mesmos, logo a religiosidade africana, apesar de ser uma tradição oral, sem um manual ou livro escrito, deve seguir um parâmetro para que como qualquer outra religião tenha suas características e tradições perpetuadas e preservadas. Hoje observamos em diversos momentos, usos indevidos de roupas, colares ritualísticos, desrespeito às hierarquias e profanação de rituais e elementos religiosos da cultura africana; Invencionismos, muitas vezes baseado em algo visto, mas não compreendido, em algo lido em algum livro, mas não vivenciado, ou baseado na famosa frase “está dando certo” como se a religiosidade fosse uma mágica que precisa funcionar seja qual for o método utilizado.

Religião tem uma raiz, tem características que não podem ser perdidas, tem uma tradição a qual seguem, não vamos desconfigurar nosso Candomblé, preservemos a tradição e a memória de nossos antepassados.

 

Hùngbónò Charles

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Texto de autoria de Alexandre Honorato Custódio:

“Batuque é uma forma genérica de denominar as religiões afro-brasileiras de culto aos Orixás, encontrada principalmente no estado do Rio Grande do Sul, Brasil, de onde sua diáspora se estendeu para outros estados e países vizinhos tais como Uruguai e Argentina.O batuque é fruto cremos que dos povos oriundos África de regiões onde hoje se situam Nigéria e o Benim. Aqui sendo adotado por povos que chegaram oriundos de outras regiões onde hoje se situam a Costa da Guiné.

Divindades:

O culto, no Batuque, é feito exclusivamente aos orixás, sendo o Bará(Exu) o primeiro a ser homenageado antes de qualquer outro pois este é o orixá da comunicação, e encontra-se seu assentamento em todos os terreiros. Os principais orixás cultuados são: Bará, Ogum, Oiá-Iansã, Xangô, Ibeji (que tem seu ritual ligado ao culto de Xangô e Oxum), Odé, Otim, Oba, Osanha, Xapanã, Oxum, Iemanjá, Nanã, Oxalá e Orunmilá (ligado ao culto de Oxalá). E há também divindades que nem todas nações cultuam como: Gama (ligada ao culto de Xapanã), Zína, Zambirá e Xanguín (qualidade rara de Bará). Apesar de considerarem muitas divindades Voduns, sabemos que os Ioruba já vieram cultuando estes Vodun que atualmente se encontram no Batuque como Orixás, assim como Johson registra em seu livro “The History of the Yorubas” pub em 1895, que Xapana e outras divindades Vodun já eram cultuadas por eles.

O Batuque possui centenas de casas e inúmeros praticantes e adeptos.

O Batuque Possui:

– Rituais próprios para feitura e desligamento.
– Jogo Próprio.
– Cozinha ritualística própria adaptando o que temos no Sul como oferendas as divindade.
– Assentamentos, Paramentação e ferramentas próprias para cada divindade.
– Orins próprias.
– Disposição dos Orixás dentro do quarto de santo
– Divindades que são cultuadas dentro do templo e fora dele

Em comum em todas as tradições do batuque vemos:

– Xangô (Rei em quase todos as Tradições): Rei de Oyo. Oyo nós dias de hoje, Cidade Na Nigéria onde o Alafin líder religioso e político acredita-se ser descendente direto. O que não quer dizer que o batuque possui ligação com a religião praticada lá.
– Kassum (Balança): Mesmo nos lados onde Xangô não é o rei a balança é feita entre suas orins (cantigas/rezas) sendo ele quem deve julgar a Obrigação.
– Rituais (oribibo, bori, etc.): guardando as diferenças em todos os lados seguem mais ou menos os mesmos passos.
– Orins (Rezas cantigas, chamadas de rezas por alguns adeptos, mas não são rezas, são apenas cantigas): Praticamente as mesmas, guardando também algumas diferenças.
– Sequencia Toque: Praticamente as mesmas, guardando também algumas diferenças.

A de se fazer um adendo para o Oyo Ibomina onde a uma diferença maior quando a sequência em que os orixás são dispostos no toque. Bom, os povos que aportaram no Rio Grande do Sul vindos das regiões citadas acima não desceram aqui com um culto formado mais fica claro que o panteão Ioruba é o panteão adotado pelo batuque para a formatação culto.

As diferencas existem sim mas não tão marcantes para caracterizar cada tradição como uma nação religiosa. Como vemos no candomblé como Ketu (Orixá), Angola (Inkisis) e Jeje (Vodun) quanto as divindades cultuadas . Nossas diferenças são mais de cunho familiar (qualidades diferentes de Orixás, métodos adotados na feitura, sequencia como são saudadas as Divindades(Orixás) etc..).

Deixando claro que no Sul não existe somente o batuque temos outras formas de culto para outras divindades como Os Voduns, Inkisis etc. Que também são divindades africanas mais pertencem a outro panteão que não o Ioruba e possuem ritos e oferendas próprias.”

Erick Wolff sobre “Nações”

“Nos diversos segmentos religiosos afro-brasileiros todos querem legitimar-se afirmando que sua “nação” é originalmente oriunda de solo africano, desta ou aquela região, iniciado por fulano ou ciclano cujo nome jamais poderá ser checado, supostamente nascido na África. É louvável o desejo da legitimização africana, se não fosse ilusório.

Todas as nações religiosas afro-brasileiras, de todos os segmentos, nasceram no Brasil, são afro-brasileiras, não são africanas, não representam nenhum Estado ou Cidade africana, não praticam nenhum culto na forma tradicional africana mesmo que possuam nomes de cidades africanas em suas definições afro-sociais. É verdade que foram formadas por elementos de matrizes africanas aqui repensadas e reestruturadas, mas estas heranças culturais e religiosas não fazem de nenhuma nação de religião afro-brasileira uma nação pura africana…

…A nação afro-brasileira de Kétu refere-se a uma nação afro-religiosa do candomblé, e não à cidade ioruba africana de Kétu, localizada no Dahome. (José Beniste)…A nação afro-brasileira Angola refere-se a uma nação afro-religiosa do candomblé, e não ao país africano de Angola….A nação afro-brasileira Jeje refere-se a uma nação afro-religiosa do candomblé, batuque ou tambor de mina. Segundo o professor Reginaldo Prandi (USP), não existe nenhuma nação política denominada “jeje” em solo africano. O mesmo vale para a nação religiosa afro-brasileira “nagô”…

…A nação religiosa afro-brasileira kambina, do batuque, refere-se a uma nação religiosa criada e estrutura aqui no Brasil, tanto quanto as outras, e não à alguma cidade ou nação na África. Se as outras aqui formadas são legítimas para o Brasil, a kambina também é. Alguns sacerdotes tentam equivocadamente afirmar que a kambina trata-se de Cabinda, província de Angola, apenas pela semelhança do nome”.

Comentário de Hùngbónò Charles:

Nota-se pelo esclarecimento do autor, que ao nos referirmos à religião denominada Batuque do Rio Grande do Sul, estamos falando de uma religião onde a cultura yorubá e culto de suas divindades – Os Orixás – são a base e a estrutura da mesma, com alguma ou outra influência dos denominanos “jejis” e/ou de suas divindades voduns. Analisamos diversas subdivisões dentro do Batuque do RS, denominadas Kanbina (muitos consideram Cabinda, no entanto não há evidências de sua procedência com a região de Cabinda no continente africano, nem mesmo cultuam divindades bantu), Oyó (e Oyó Igbomina), Jeje (cultua igualmente Orixás, atribuida esta raiz a Custódio Joaquim de Almeida, o qual se acredita ser o príncipe do antigo Reino de Benin, no entanto há divergências históricas quanto a esta figura; vide https://ocandomble.com/2016/02/01/o-principe-custodio-de-xapanasakpata-erupe-e-seu-culto-nago/ , Ijexá e Nago;

A ocupação ou manifestação do orixá é tida como tabu e não deve ser comentada.

No Batuque não existem divisões de cargo tal como existe no Candomblé, no entanto há uma hierarquia que segue:

Babalorixá e Iyalorixá – respectivamente o Pai e a Mãe de Santo; muito embora alguns sacerdotes atuais usem nomenclaturas como Voduno ou Gayaku, tais nomenclaturas não fazem parte nem são utilizadas de maneira correta para se referir aos cargos sacerdotais do Batuque;

Alagbé – é aquele que toca e canta os orins;

Pronto com faca e búzio – é aquele que já é mais velho e já passou por todas as obrigações, análogo ao Egbomi do candomblé;

Pronto – Já passou pelas obrigações, no entando ainda não ganhou direito à faca nem aos búzios;

Borido – aquele que realizou apenas o Borí;

“Cabeça-lavada” – é a pessoa que passou apenas pelo Omieró, o ato de lavar a cabeça com ervas;

A Festa do Batuque

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Após as obrigações cumpridas e encerrada a Levantação (nome dado ao término das obrigações pois como diz a palavra, será levantado todas as frentes que ficaram em um determinado tempo dentro do Quarto-de-Santo), será tocada a Festa, o Batuque.

Normalmente como em uma festa social, muitos convites foram distribuídos para outras Casas de Religião, fiéis e até mesmo curiosos.

O Pai ou Mãe-de-Santo, ajoelhado em frente ao Quarto-de-Santo (lugar onde fica os assentamentos dos orixás), juntamente com todos seus filhos e demais convidados de Religião, tocando a sineta, faz a chamada de todos os Orixás de Bará a Oxalá com suas saudações específicas, pedindo a cada Orixá as coisas que a eles competem. Terminada a chamada, o Pai-de-Santo autoriza o tamboreiro a começar o toque, que correrá em ordem de Bará a Oxalá. Todos que estão na roda dançam com as características de cada Orixá ao qual está sendo tocada a reza, como por exemplo na reza do Bará, todos dançam como se abrindo portas com uma chave em punho na mão direita, já que este Orixá é o dono da chave e abertura dos caminhos, na Reza do Ogum, os fiéis dançam com a mão direita como uma espada tocando a mão esquerda.

A Mesa de Ibejis

A Mesa de Ibejis

“Casinha do Bará”

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Em 1830, algumas mulheres negras originárias de Ketu, na Nigéria, e pertencentes a irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, reuniram-se para estabelecer uma forma de culto que preservasse as tradições africanas aqui, no Brasil.Segundo documentos históricos da época, esta reunião aconteceu na antiga Ladeira do Bercô; hoje, Rua Visconde de Itaparica, próximo a Igreja da Barroquinha na cidade de São Salvador – Estado da Bahia.
Desta reunião, que era formada por várias mulheres, como foi relatado anteriormente, uma mulher ajudada por Baba-Asiká, um ilustre africano da época, se destacou:
– Íyànàssó Kalá ou Oká, cujo o òrúnkó no orixá era Íyàmagbó-Olódùmarè.
Mas, o motivo principal desta reunião era estabelecer um culto africanista no Brasil, pois viram essas mulheres, que se alguma coisa não fosse feita aos seus irmãos negros e descendentes, nada teriam para preservar o “culto de orixá”, já que os negros que aqui chegavam eram batizados na Igreja Católica e obrigados a praticarem assim a religião católica.
Porém, como praticar um culto de origem tribal, numa terra distante de sua ìyá ìlú àiyé èmí, ou a mãe pátria terra da vida, como era chamada a África, pelos antigos africanos?
Primeiro, tentaram fazer uma fusão de várias mitologias, dogmas e liturgias africanas. Este culto, no Brasil, teria que ser similar ao culto praticado na África, em que o principal quesito para se ingressar em seus mistérios seria a iniciação. Enquanto na África a iniciação é feita muitas vezes em plena floresta, no Brasil foi estabelecida uma mini-África, ou seja, a casa de culto teria todos os orixás africanos juntos. Ao contrário da África, onde cada orixá está ligado a uma aldeia, ou cidade; por exemplo: Xangô em Oyó, Oxum em Ijexá e Ijebu e assim por diante.
Mas, por que esse culto foi denominado de Candomblé?
Este culto da forma como é aqui praticado e chamado de Candomblé, não existe na África. O que existe lá é o que se chama de culto ao orixá, ou seja, cada região africana cultua um orixá e só inicia elegun ou pessoa daquele orixá. Portanto, a palavra Candomblé foi uma forma de denominar as reuniões feitas pelos escravos, para cultuar seus deuses, porque também era comum chamar de Candomblé toda festa ou reunião de negros no Brasil. Por esse motivo, antigos Babalorixás e Yalorixás evitavam chamar o “culto dos orixás” de Candomblé. Eles não queriam com isso serem confundidos com estas festas. Mas, com o passar do tempo a palavra Candomblé foi aceita e passou a definir um conjunto de cultos vindo de diversas regiões africanas.
A palavra Candomblé possui 2 (dois) significados entre os pesquisadores: Candomblé seria uma modificação fonética de “Candonbé”, um tipo de atabaque usado pelos negros de Angola; ou ainda, viria de “Candonbidé”, que quer dizer “ato de louvar, pedir por alguém ou por alguma coisa”.
Como forma complementar de culto, a palavra Candomblé passou a definir o modelo de cada tribo ou região africana, conforme a seguir:
Candomblé da Nação Ketu
Candomblé da Nação Jeje
Candomblé da Nação Angola
Candomblé da Nação Congo
Candomblé da Nação Muxicongo
A palavra “Nação” entra aí não para definir uma nação política, pois Nação Jeje não existia em termos políticos. O que é chamado de Nação Jeje é o Candomblé formado pelos povos vindos da região do Dahomé e formado pelos povos Mahin.
Os grupos que falavam a língua yorubá entre eles os de Oyó, Abeokutá, Ijexá, Ebá e Benin vieram constituir uma forma de culto denominada de Candomblé da Nação Ketu.
Ketu era uma cidade igual as demais, mas no Brasil passou a designar o culto de Candomblé da Nação Ketu ou Alaketu.
Esses yorubás, quando guerrearam com os povos Jejes e perderam a batalha, se tornaram escravos desses povos, sendo posteriormente vendidos ao Brasil.
Quando os yorubás chegaram naquela região sofridos e maltratados, foram chamados pelos fons de ànagô, que quer dizer na língua fon, “piolhentos, sujos” entre outras coisas. A palavra com o tempo se modificou e ficou nàgó e passou a ser aceita pelos povos yorubás no Brasil, para definir as suas origens e uma forma de culto. Na verdade, não existe nenhuma nação política denominada nagô.
No Brasil, a palavra nàgó passou a denominar os Candomblés também de Xamba da região norte, mais conhecido como Xangô do Nordeste.
Os Candomblés da Bahia e do Rio de Janeiro passaram a ser chamados de Nação Ketu com raízes yorubás.
Porém, existem variações de Nações, por exemplo, Candomblé da Nação Efan e Candomblé da Nação Ijexá. Efan é uma cidade da região de Ijexá próxima a Osobô e ao rio Oxum. Ijexá não é uma nação política. Ijexá é o nome dado às pessoas que nascem ou vivem na região de Ilexá.
O que caracteriza a Nação Ijexá no Brasil é a posição que desfruta Oxum como a rainha dessa nação.
Da mesma forma como existe uma variação no Ketu, há também no Jeje, como por exemplo, Jeje Mahin. Mahin era uma tribo que existia próximo à cidade de Ketu.
Os Candomblés da Nação Angola e Congo foram desenvolvidos no Brasil com a chegada desses africanos vindos de Angola e Congo.
A partir de Maria Neném e depois os Candomblés de Mansu Bunduquemqué do falecido Bernardino Bate-folha e Bam Dan Guaíne muitas formas surgiram seguindo tradições de cidades como Casanje, Munjolo, Cabinda, Muxicongo e outras.
Nesse estudo sobre Nações de Candomblé, poderia relatar sobre outras formas de Candomblé, como por exemplo, Nagô-vodun que é uma fusão de costumes yorubás e Jeje, e o Alaketu de sua atual dirigente Olga de Alaketu.
O Alaketu não é uma nação específica, mas sim uma Nação yorubá com a origem na mesma região de Ketu, cuja história no Brasil soma-se mais de 350 (trezentos e cinqüenta) anos ao tempo dos ancestrais da casa: Otampé, Ojaró e Odé Akobí.
A verdade é que o culto nigeriano de orixá, chamado de Candomblé no Brasil, foi organizado por mulheres para mulheres. Antigamente, nas primeiras casas de Candomblé, os homens não entravam na roda de dança para os orixás. Mesmo os que tornavam-se Babalorixás tinham uma conduta diferente quanto a roda de dança. Desta forma, a participação dos homens era puramente circunstancial. Daí ter-se que se inserir no culto vários cargos para homens, como por exemplo, os cargos de ogans.
Hoje, a palavra Candomblé define no Brasil o que chamamos de culto afro-brasileiro, ou seja: “Uma Cultura Africana em Solo Brasileiro”.

Esta entrada foi publicada em setembro 6, 2008 às 5:45 a e é arquivado em Candomblé. Etiquetado: Candomblé, Nação Angola, Nação Jeje, Nação Ketu, Nações do candomblé, origem do candomblé.

Texto facebook: “Ìkóòdídé

Foto: Internet

Otito fun ayé

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Reflexão para vida.

“Você pode falar perfeitamente o Yorùbá e saber todos os acentos ao escrevê-lo também.

Mas se você não sabe como falar com bondade e amor ao seu irmão ou irmã, então, você não aprendeu nada.

Você pode memorizar cada Oriki e cada ẹsẹ Odu do Corpus Literário de Ifá e saber como lançar uma adivinhação perfeita.

Mas se você não sabe como tratar as pessoas e como superar suas formas destrutivas e negativas, você ainda é um novato no reino espiritual.

Você pode conhecer cada dança e todas as músicas além de todos os protocolos de sua linhagem.

Mas se você não pode andar por um caminho de paz e de alegria interior ….

…Isto então e apenas uma outra canção e uma outra dança.

Você pode conhecer todos os rituais, cerimônias, e como fazer milhares de obras e trabalhos espirituais.

Mas se você não pode viver o ritual da vida e viver as virtudes do Òrìşà, Egun e seu Ori, então, você é um mero técnico, mas certamente não é um mestre espiritual.

Você pode ter alguns títulos, os mais impressionantes, um ile, templo ou casa de culto para dez mil pessoas.

Mas se você sentir a necessidade de degradar, controlar, manipular os outros ou ofendê-los enquanto eles estiverem em uma posição inferior, você será apenas mais um ego de criança impulsionando e tentando tirar proveito as custas dos outros.

Você pode estar no culto toda a sua vida.

Mas se você acha que isso te faz melhor ou mais avançado do que alguém espiritualmente, então, você é um tolo, pois você não poderá reconhecer que nosso Ori é o nosso primeiro professor…

…e tem ele tem ensinando a cada um desde o nascimento.

Você pode ser velho de anos e chamar a segurança social.

Mas se você ainda viver a vida como uma criança temperamental de 10 ou 15 você ainda terá que caminhar para chegar ao sacerdócio.

Fale-me de Èşù quando você for capaz de fazer escolhas capacitadas e falar a verdade em palavras e atos.

Fale-me de Ògún quando você for capaz de romper suas próprias ilusões, enfrentar seus medos, seus fracassos e corajosamente evoluir para manifestar o melhor de si.

Fale-me de Òsún, quando você for capaz de criar harmonia, alegria e abundância em sua própria vida sem egoísmo.

Fale-me de Ợbàtálá, quando você for capaz de semear a paz mais pura e manter uma mente tranquila.

Fale-me de Òya, quando você for capaz de estar no olho do furacão da vida e fluir facilmente quando os ventos da mudança estiverem sobre você.

Fale-me de Òlòkún ou Yemojá, quando você for capaz de equilibrar suas emoções e empatia com os outros.

Fale-me de Òrúnmìlá, quando você for capaz de ver o mundo através do olho da sabedoria e equilibrar o julgamento com compaixão e não duras críticas e outras inadequações.

Fale-me de Şàngó, quando você puder transcender o seu ego e servir aos outros com compaixão.

Fale-me de Ìyàámi quando você for capaz de honrar as mulheres em sua vida e tratá-las bem e abraçar o lado feminino de sua própria alma.

Fale-me de Egbe Ợrùn / Ibeji quando você for capaz de conhecer e distribuir o amor universal.

Fale-me de Òșóòși quando você for capaz de repartir o alimento com o estrangeiro.

Fale-me Ǫbalúwayè quando você for capaz de identificar e cuidar das doenças do corpo e da alma de um semelhante.

Fale-me de Ìwá Pèlé (caráter) quando você puder realmente tratar os outros como você gostaria de ser tratado, porque você percebe…

…não há separação entre você e eu…

…exceto o que está em nossas próprias mentes.

Fale-me de Ọlódùmarè quando você tiver a certeza que a fonte existe e nos alimenta, que estamos interligados e que ninguém conseguirá cumprir seu destino sozinho.

Se você ainda não se considera capaz de aceitar este ensinamento, você deve retornar ao útero e tentar tudo novamente.
Èmi ni Isese.”

 

Texto:  Iyanifá: Iya Awo Fayele.

 
Ser filho de Òrìṣá é ter uma via de submissão, dedicação, humildade e comprometimento, tanto para com o seu Òrìṣá quanto para com o seu Àṣẹ! É um casamento sem divórcio, férias e aposentadoria!
Imagine?!!
No dia que você precisar de seu Zelador(a) eles lhes digam:
“Não posso e não sei quando poderei!!! Estou com problemas de: dinheiro, sentimental, injustiça e calunias que me fizeram, fiz algumas escolhas erradas e estou chateado e culpando alguém por isso, uma leve depressão, muita fofoca com o meu nome, não quero ver ninguém ou até mesmo não estou com vontade de ir no candomblé”?!!!
Como você agiria se estivesse passando por uma situação que necessitasse da palavra de Orumilá? Ou se você estivesse com suas coisas preparadas para sua obrigação?!!
As pessoas fazem o que querem e quando querem, dão um tempo do Òrìṣá e do Àṣẹ quando bem entendem, cometem seus equívocos em atitudes e palavras, somem e depois ressurgem tranquilamente, dizem deslavadamente que não estão dispostos e não participam nem muito menos se preocupam com o que esta sendo realizado, age como si nada estivesse acontecendo em sua casa de santo e o pior sente-se com razão!
É por isso, que em certas horas dizemos que não são todos que mereçam ser iniciados para Òrìṣá! Não são todos que nasceram para ser verdadeiramente de Òrìṣá!
O culto ao seu Òrìṣá é individual, mas de forma coletiva, é por esse motivo que existem Bàbás, Ìyás e Casas de Candomblé, se não fosse assim, cada um faria sua própria iniciação e cultuava o seu próprio Òrìṣá, sem precisar de nada, nem de ninguém!
Antes de agir de forma inconsequente e egoísta, pense no dia que você fez a sua jura e a assumiu a sua condição para com o seu Òrìṣá e Àṣe de submissão, dedicação, humildade e comprometimento ininterruptos ?
O mundo gira e com certeza o problema, a necessidade, o pedido de ontem poderá vir a ser tão quanto o de a manhã, e são as atitudes que farão as mesmas forças comungarem ao seu favor ou NÃO!
Abandone seu Ygbá Òrìṣá e o seu Àṣẹ e não esqueça que serás abandonado também!
Os Zeladores(as) que tivessem esse tipo de comportamento, você iria gostar?
Texto: Bàbá Fernando de AJagun.

perdao

Sobe pessoas que têm dificuldades em perdoar e/ou se desculpar:

Ògúndá-Mèjì diz

Aquele que tem coador para filtrar a cerveja

A espessa planta em torno do pescoço do elefante

Elas duas, devem estar ali, juntas

Vigorosas marteladas no metal, caracterizam uma ferraria

E incessantes abanos caracterizam o grito

Para colocar o rosto contra o calor do fogo

E as costas contra o calor do Sol

Estes eram os Áwo residentes de Onitenku

Eles foram os que lançaram Ifá para Onitenku

Aquele que ofendeu e foi expulso

Eles se juntaram para lançar Ifá para Abe-Sekete

O filho de Ògún

Quando ele foi fazer amor com a esposa de Ợbàtálá

Ợbàtálá se recusou e disse que nunca mais teria relações com Abe novamente

Abe-Sekete era o filho de Ògún. Ele estava muito próximo a Ợbàtálá, que por sua vez era muito carinhoso com Abe. Não havia lugar que Ợbàtálá não fosse que não levasse Abe com ele. Muitas pessoas achavam que Abe era filho biológico de Ợbàtálá. Não havia nada na vida de Ợbàtálá que Abe não soubesse.

No entanto, um dia Ợbàtálá se casou com uma mulher jovem, essa mulher era muito atraente e tinha uma atitude submissa. Ela era carinhosa com Abe e por isso, Ợbàtálá estava muito satisfeito. Sempre que Ợbàtálá não estava presente, ele costumava enviar Abe a sua casa para fazer companhia a sua esposa e cuidar de suas necessidades. Abe fazia isso com entusiasmo. Sem Ợbàtálá saber, eles dois haviam desenvolvido uma infame luxuria um pelo outro e Abe começou a trair Ợbàtálá ao dormir constantemente com a mulher. Enquanto isso acontecia Ợbàtálá não desconfiava de nada. Logo a situação chegou a um ponto em que eles se mostraram imprudentes e descuidados. Um dia Ợbàtálá foi a uma reunião, era esperado que ele chegasse tarde da reunião, enquanto na reunião, Ợbàtálá se deu conta que havia esquecido algo em casa e ele pediu permissão para ir busca-la, quando ele chegou a residência e abriu a porta e encontrou Abe e sua esposa no auge da paixão. Ele ficou totalmente triste e desiludido por Abe o ter traído dessa forma. Ele disse a Abe que nunca mais voltaria de novo a ter relações com ele e que ele estava cortando todo e qualquer contato com Abe. Ele pegou o que tinha vindo buscar e regressou a reunião. Abe estava extremamente envergonhado de si mesmo. Ele retornou para casa como um homem preocupado, triste, assustado e solitário. Ele começou a planejar o que fazer para buscar os favores de Ợbàtálá novamente.

A jovem esposa empacotou suas coisas e fugiu antes do retorno de Ợbàtálá da reunião e ela não foi vista novamente.

Abe-Sekete esperou por 17 dias e começou suplicar a Ợbàtálá. Ợbàtálá recusava aceita-lo em sua presença e nem sequer escutava o que Abe tinha a dizer. Ele repetiu sua visita à casa de Ợbàtálá por vários dias, porém, ele sempre era expulso. Ao final, ele decidiu ir buscar pessoas influentes que estariam seguras que Ợbàtálá não poderia ignorar interceder a seu favor.

Abe foi implorar a Sakí em Ekiti

E foi implorar a Erìnmì das terras de Owo

Ele foi implorar a Antete das terras de Ìkòyí

Mesmo assim Ợbàtálá recusou

Ele declarou que ele nunca mais teria qualquer contato com Abe

Quando Abe usou tudo que ele sabia para amenizar a situação com Ợbàtálá, não houve resultado positivo. Ele viajou à Ado Ekiti e rogou a Sakí, um dos confidentes mais próximos de Ợbàtálá para que lhe ajudasse a apelar a Ợbàtálá. Sakí foi e suplicou por vários dias, porém, Ợbàtálá recusou escuta-lo.

O passo seguinte foi viajar as terras Owo para implorar junto a Erìnmì de Owo, alguém altamente respeitado e Chefe de Owo, além de ser um amigo íntimo de Ợbàtálá, ele queria ser ajudado junto a Ợbàtálá. Erìnmì de Owo e Ợbàtálá tinham uma estima mutua, eles nunca desejaram ofender um ao outro por causa de qualquer assunto. Erìnmì de Owo viajou todo o caminho a Ìrànjé-Ile onde vivia Ợbàtálá e implorou a seu amigo por vários dias, mesmo assim Ợbàtálá recusou firmemente mudar seus pensamentos sobre Abe-Sekete.

Abe-Sekete novamente foi a cidade de Ìkòyí e implorou a Antete para que o ajudasse a apelar junto a Ợbàtálá para que perdoasse sua ofensa. Antete era uma personalidade altamente influente na comunidade. Sua reputação viajou para longe e chegou a todas as partes e alcançou todas as partes das terras yorùbá e além. Ele era um amigo íntimo de Ợbàtálá. Atente viajou a Ìrànjé-Ile e implorou a Ợbàtálá por vários dias, ele se recusou a mudar de opinião.

Depois que todas essas pessoas fracassaram em mudar a opinião de Ợbàtálá, Abe Sekete lhes agradeceu e decidiu tratar por outros meios e apelar para Ợbàtálá. Ele sentiu que Ợbàtálá se recusava a ouvir suas apelações, por que ele o havia traído terrivelmente e Ợbàtálá sentiu tudo em seu amago. Abe sentiu que quanto maior o amor, maior a inimizade que envolvia a situação. Ele decidiu mandar outras pessoas.

Abe foi implorar a complexidade negra do Agbe

O filho de Ọlọkún Seniade, a divindade dos oceanos

E foi implorar ao vermelho Àlùkò

O filho de Ọlọja, a divindade das lagoas

Mesmo assim, Ợbàtálá recusou

Ele novamente jurou nunca mais ter contato com Abe

No curso de tentar reconciliar-se com Ợbàtálá, Abe viajou até a margem do oceano para implorar a Ọlọkún e pedir que ele enviasse seu filho, Agbe-dudu para que ele o ajudasse a implorar a Ợbàtálá que o perdoasse em sua ofensa. Ọlọkún enviou Agbe-dudu que viajou a Ìrànjé-Ile com Abe. Agbe dudu suplicou a Ợbàtálá por vários dias em favor de Abe, em nome de seu pai Ọlọkún Seniade, porém Ợbàtálá recusou ouvi-lo. Logo Abe foi a Olòòşà, a divindade da lagoa, para implorar que mandasse seu filho Aluko-Dòdòòdò, para que o ajudasse a implorar junto a Ợbàtálá, para que o perdoasse em sua ofensa. Ela concordou, Aluko-Dòdòòdò implorou junto a Ợbàtálá para que perdoasse Abe, Ợbàtálá se recusou a ouvi-lo. Ợbàtálá novamente jurou que nunca mais perdoaria Abe pelo o que ele fez.

Quando Abe viu que todas essas personalidades de alta patente, respeitadas e influentes não conseguiram mudar o pensamento de Ợbàtálá, Abe decidiu ir solicitar a ajuda de Ọrúnmìlà. Ele agora viajou para Ile-Ife para implorar a Ọrúnmìlà que o ajudasse. Ọrúnmìlà consultou Ifá e Ògúndá mèjì foi revelado. A Abe foi dada o seguinte conselho, ofereça ebo com:

X galos, X etu e dinheiro.

Ele obedeceu imediatamente. Depois disso Ọrúnmìlà foi procurar um pouco de vegetais èbùrẹ e saiu para a casa de Ợbàtálá em Ìrànjé-Ile.

Abe então, recorreu a si mesmo

E foi buscar ajuda de Ọrúnmìlà

Quando Ọrúnmìlà estava indo

Ele pegou um ramo de vegetal Èbùrẹ

Porém, Ợbàtálá era reconhecido por sua cuidadosa observação e dedução do que estava acontecendo

Edun-Beleje, o macaco esbelto, que era filho da divindade da floresta, estava atuando como chefe de companhia de Ợbàtálá.

Quando Ọrúnmìlà está prestes a chegar à casa de Ợbàtálá

Ợbàtálá estava dormindo

Ọrúnmìlà gritou as saudações

Edun-Beleje, o filho de Olu-Igbo disse que Ợbàtálá não havia acordado

Eles perguntaram por que?

Ọrúnmìlà disse que Sakí já havia despertado em Ado-Ekiti

E Erìnmì já havia acordado nas terras de Owo

E Antete já havia acordado nas terras Ìkòyí

E Agbe-dudu já havia acordado na margem do oceano

Enquanto Aluko-Dòdòòdò já havia acordado nas margens da lagoa

Quando Ọrúnmìlà estava prestes a chegar a Ìrànjé-Ile, a casa de Ợbàtálá, Ợbàtálá que tinha a reputação de ser altamente dotado na área de fazer cuidadosas observações e deduções cuidadosas, que era o que estava a ponto de acontecer no futuro, já que tinha observado que alguém maior que todas as nações, maior que todas as pessoas tinha sido enviado por Abe e estava se aproximando de sua casa, portanto, ele mesmo se induziu ao sono e deixou uma mensagem com Edun Beleje, para informar a quem chegasse que ele estava dormindo. Quando Ọrúnmìlà chegou, Edun Beleje disse que Ợbàtálá ainda não tinha se levantado. Ọrúnmìlà disse que o acordaria imediatamente. Quando lhe perguntaram por que, Ọrúnmìlà disse que Sakí de Ado, Erìnmì de Owo, Antete de Ìkòyí, Agbe-dudo o filho de Ọlọkún e Aluko-dòdo o filho de Olòòşà já haviam despertado. Não havia razão portanto para Ợbàtálá não acordar nesse momento.

Òrìşànlá, portanto, levantou-se

Ele disse que tinha acordado

Porém, não abriu a porta para que Ọrúnmìlà entrasse

Ọrúnmìlà disse:

Ợbàtálá, abra a porta

Por que Ipepereju,

Porque Ipepereju, a pálpebra é quem abre a porta dos olhos para ele ver.

E a parte baixa que indica o trabalho que abre a porta do parto para um novo recém-nascido.

Quando Ọrúnmìlà escutou que Ợbàtálá estava dormindo, ele disse que a pessoa que ele tinha vindo ver estava em casa, ele ordenou que Ợbàtálá deveria se levantar de seu sono. Quando ele perguntou por que, ele deu as razões do por que Ợbàtálá deveria despertar. Ợbàtálá despertou, porém, insistiu em não abrir a porta para Ọrúnmìlà entrar em sua casa.

Ọrúnmìlà ordenou a Ợbàtálá que abrisse a porta para ele, quando ele perguntou por que, Ọrúnmìlà disse que era a pálpebra que abre a porta dos olhos, é a parte de baixo que indica o trabalho que abre a porta do parto para um novo recém-nascido. Ele disse que, a menos que essas declarações não fossem verdadeiras, então, Ợbàtálá não deveria abrir a porta, mas, se suas declarações eram um fato, ele deveria abrir a porta imediatamente.

Ợbàtálá, então, abriu a porta

Ele disse que ainda que a porta fosse aberta

Ele nunca mostraria o rosto para Ọrúnmìlà

Ọrúnmìlá disse que ele mostraria o rosto a ele (Ọrúnmìlà)

Quando ele perguntou, por que

Ele disse que as solas dos pés não conhecem o caminho de volta

A unha não vira as costas para o dedo.

A unha do dedão do pé não dá as costas ao mesmo dedo

Aquele que alivia seus intestinos em um monte, não dá as costas para o monte.

Quando Ợbàtálá escutou o que Ọrúnmìlà disse quando chegou, ele supôs que estas eram declarações de fato, ele, portanto, abriu a porta de má vontade. Quando a porta se abriu, ele insistiu que Ọrúnmìlà não veria seu rosto para discutir nada, sobre qualquer assunto. Ọrúnmìlà ordenou que ele o olhasse, quando ele perguntou por que, Ọrúnmìlà declarou que o pé não dava as costas ao caminho, a unha não dava as costas ao dedo e a unha do dedão do pé não dava as costas ao mesmo dedo, a pessoa que esvazia seus intestinos no monte, não pode dar as costas ao monte. Ọrúnmìlà declarou que se todas essas declarações fossem verdadeiras, então Ợbàtálá deveria voltar seu rosto em favor de Abe-Sekete, pelo qual ele tinha vindo.

Ợbàtálá, então, voltou seu rosto para Ọrúnmìlà.

Ele disse que embora ele o tenha encarado

Ele nunca sorriria sobre esse assunto

Ọrúnmìlà ordenou que Ợbàtálá sorrisse sobre o assunto

Quando ele perguntou por que

Ele declarou que uma viúva se conhece por seus sorrisos consoladores

Uma mulher obscena se conhece por sua estupida, porém, tem tentadores sorrisos

Sorrisos estupidamente tentadores são a marca de uma prostituta

É com sorriso que as pessoas acendem o fogo, para preparar a bebida

E é com sorriso que a inundação se torna uma torrente

Quando a árvore do algodão produz sua lã

É com sorriso que o fazendeiro faz a colheita

Quando Ợbàtálá eventualmente voltou seu rosto para Ọrúnmìlà para uma conversa cara a cara sobre o assunto de Abe Sekete, Ợbàtálá declarou que não importava o que Ọrúnmìlà diria, ele nunca ficaria satisfeito para chegar ao ponto de sorrir sobre o assunto. Ọrúnmìlà ordenou que ele sorrisse, quando ele perguntou por que, Ọrúnmìlà disse que uma mulher a quem seu esposo recentemente tivesse morrido, ele somente sorriria para consolar a ela mesma e para consolar os outros e dizer que não é o fim da vida, uma prostituta usa seus estrupidos, porém, tentadores sorrisos para convidar seus clientes e a qualquer outro pedestre, os preparadores de bebidas sorriem ao acender o fofo para produzi-las, a inundação sorri quando se junta a torrente e quando a lã do algodão germina e se abre, o fazendeiro as colhe com sorrisos. Ọrúnmìlà declarou que se tudo isso que ele falou não eram fatos, então, Ợbàtálá estava livre para não sorrir sobre o assunto, por outro lado, se as declarações fossem verdadeiras, então, Ợbàtálá não teria outra opção que não fosse sorrir sobre o assunto de Abe-Sekete.

Ợbàtálá então sorriu

Ele declarou que mesmo que tenha sorrido

O assunto não havia deixado sua mente completamente

Ọrúnmìlà ordenou que o assunto deveria ser removido completamente de sua mente

Quando ele perguntou por que

Ele disse que o cão sempre tenta lamber a água

Ele disse, quando o coador de bebidas liquidas se enchem de água totalmente

Quando se afunda o coador, quando sai a água desce em retirada

E quando a armadilha de pesca é submergida na água, a água será removida completamente da armadilha quando ela for removida

E se uma mulher se envolve em negócios de frutos verdes de palmeira

É bastante cansativo

Quando Ợbàtálá sorriu e insistiu que era impossível para ele tirar completamente o assunto de sua mente, Ọrúnmìlà, no entanto, ordenou que o retirasse completamente de sua mente. Quando ele perguntou por que tinha que ser assim, Ọrúnmìlà disse que o coador, quando é submergido em água, ficará cheio de água, será completamente esvaziado de água. A mesma coisa se aplica com a armadilha de pesca, ele também disse que nenhuma mulher se envolve no negócio de frutos de palma não maduras para que alguém descanse. Ele declarou que se isso não fosse verdade, então Ợbàtálá estaria livre para hospedar rancores contra Abe-Sekete. Por outro lado, se estas declarações fossem corretas, então Ợbàtálá deveria limpar completamente sua mente sobre o assunto.

Ợbàtálá declarou que mesmo que todas as coisas estivessem presas em sua mente

Porém, ele disse que nunca ficaria feliz com esse assunto

Ele disse que sua mente havia se tornado um formigueiro

E suas costas estavam cheias de agulhas

Enquanto que sua parte do meio do corpo havia se tornado uma espinha

Ọrúnmìlà declarou que verdadeiramente as coisas estavam presas em sua mente.

Sua mente deveria se voltar para as folhas Òdúndún

E suas costas deveria se voltar para as folhas Tete

Enquanto a parte do meio de seu corpo deveria se voltar par as folhas rinrin.

Abe-Sekete desde a profundeza de sua mente.

Quando Ợbàtálá disse à Ọrúnmìlà que o assunto havia sido removido completamente de sua mente, ele no entanto, declarou que ele nunca estaria feliz com Abe-Sekete novamente. Ọrúnmìlà então declarou que se o assunto foi removido completamente de sua mente, então, não havia razão pela qual ele não poderia estar feliz com Abe-Sekete, então ele estaria albergando animosidades contra ele, a qual era uma completa contradição com sua declaração de que havia perdoado completamente seu seguidor favorito. Assim foi como Ọrúnmìlà limpou a mente de Ợbàtálá sobre esse assunto e consegui que Abe-Sekete fosse perdoado desde o ponto mais profundo de sua mente.

Assim foi como Ọrúnmìlà convidou Abe-Sekete e o reconciliou com Ợbàtálá. Ọrúnmìlà lhe entregou as folhas Èbùrẹ a Abe-Sekete que a mudou e entregou a Ợbàtálá como símbolo de perdão e reconciliação.

Aquele que tem coador para filtrar a cerveja

A espessa planta em torno do pescoço do elefante

Elas duas, devem estar ali, juntas

Vigorosas marteladas no metal, caracterizam uma ferraria

E incessantes abanos caracterizam o grito

Para colocar o rosto contra o calor do fogo

E as costas contra o calor do Sol

Estes eram os Áwo residentes de Onitenku

Eles foram os que lançaram Ifá para Onitenku

Aquele que ofendeu e foi expulso

Eles se juntaram para lançar Ifá para Abe-Sekete

O filho de Ògún

Quando ele foi fazer amor com a esposa de Ợbàtálá

Ợbàtálá se recusou e disse que nunca mais teria relações com Abe novamente

Abe foi implorar a Sakí em Ekiti

E foi implorar a Erìnmì das terras de Owo

Ele foi implorar a Antete das terras de Ìkòyí

Mesmo assim Ợbàtálá recusou

Ele declarou que ele nunca mais teria qualquer contato com Abe

Abe foi implorar a complexidade negra do Agbe

O filho de Ọlọkún Seniade, a divindade dos oceanos

E foi implorar ao vermelho Àlùkò

O filho de Olòòşà, a divindade das lagoas

Mesmo assim, Ợbàtálá recusou

Ele novamente jurou nunca mais ter contato com Abe

Abe então, recorreu a si mesmo

E foi buscar ajuda de Ọrúnmìlà

Quando Ọrúnmìlà estava indo

Ele pegou um ramo de vegetal Èbùrẹ

Porém, Ợbàtálá era reconhecido por sua cuidadosa observação e dedução do que estava acontecendo

Edun-Beleje, o macaco esbelto, que era filho da divindade da floresta, estava atuando como chefe de companhia de Ợbàtálá.

Quando Ọrúnmìlà está prestes a chegar à casa de Ợbàtálá

Ợbàtálá estava dormindo

Ọrúnmìlà gritou as saudações

Edun-Beleje, o filho de Olu-Igbo disse que Ợbàtálá não havia acordado

Eles perguntaram por que?

Ọrúnmìlà disse que Sakí já havia despertado em Ado-Ekiti

E Erìnmì já havia acordado nas terras de Owo

E Antete já havia acordado nas terras Ìkòyí

E Agbe-dudu já havia acordado na margem do oceano

Enquanto Aluko-Dòdòòdò já havia acordado nas margens da lagoa

Òrìşànlá, portanto, levantou-se

Ele disse que tinha acordado

Porém, não abriu a porta para que Ọrúnmìlà entrasse

Ọrúnmìlà disse: Ợbàtálá, abra a porta

Por que Ipepereju,

Porque Ipepereju, a pálpebra é quem abre a porta dos olhos para ele ver.

E a parte baixa que indica o trabalho que abre a porta do parto para um novo recém-nascido.

Ợbàtálá, então, abriu a porta

Ele disse que ainda que a porta fosse aberta

Ele nunca mostraria o rosto para Ọrúnmìlà

Ọrúnmìlá disse que ele mostraria o rosto a ele (Ọrúnmìlà)

Quando ele perguntou, por que

Ele disse que as solas dos pés não conhecem o caminho de volta

A unha não vira as costas para o dedo.

A unha do dedão do pé não dá as costas ao mesmo dedo

Aquele que alivia seus intestinos em um monte, não dá as costas para o monte.

Ợbàtálá, então, voltou seu rosto para Ọrúnmìlà.

Ele disse que embora ele o tenha encarado

Ele nunca sorriria sobre esse assunto

Ọrúnmìlà ordenou que Ợbàtálá sorrisse sobre o assunto

Quando ele perguntou por que

Ele declarou que uma viúva se conhece por seus sorrisos consoladores

Uma mulher obscena se conhece por sua estupida, porém, tem tentadores sorrisos

Sorrisos estupidamente tentadores são a marca de uma prostituta

É com sorriso que as pessoas acendem o fogo, para preparar a bebida

E é com sorriso que a inundação se torna uma torrente

Quando a árvore do algodão produz sua lã

É com sorriso que o fazendeiro faz a colheita

Ợbàtálá então sorriu

Ele declarou que mesmo que tenha sorrido

O assunto não havia deixado sua mente completamente

Ọrúnmìlà ordenou que o assunto deveria ser removido completamente de sua mente

Quando ele perguntou por que

Ele disse que o cão sempre tenta lamber a água

Ele disse, quando o coador de bebidas liquidas se enchem de água totalmente

Quando se afunda o coador, quando sai a água desce em retirada

E quando a armadilha de pesca é submergida na água, a água será removida completamente da armadilha quando ela for removida

E se uma mulher se envolve em negócios de frutos verdes de palmeira

É bastante cansativo

Ợbàtálá declarou que mesmo que todas as coisas estivessem presas em sua mente

Porém, ele disse que nunca ficaria feliz com esse assunto

Ele disse que sua mente havia se tornado um formigueiro

E suas costas estavam cheias de agulhas

Enquanto que sua parte do meio do corpo havia se tornado uma espinha

Ọrúnmìlà declarou que verdadeiramente as coisas estavam presas em sua mente.

Sua mente deveria se voltar para as folhas Òdúndún

E suas costas deveria se voltar para as folhas Tete

Enquanto a parte do meio de seu corpo deveria se voltar par as folhas rinrin.

Ợbàtálá disse que todas as coisas, realmente, haviam sido removidas de sua mente

Que sua mente havia se voltado para Òdúndún

E suas costas a Tete

E meio de seu corpo para rinrin

Aqui vem as folhas de èbùrẹ, o símbolo do perdão

Se vemos uma pessoa importante

Alguém aceitará seus argumentos

Você já aceitou as desculpas de Abe

Além das desculpas de Oko

Quando vemos uma pessoa importante

Nós deveríamos aceitas as desculpas.

Ifá diz que será difícil para a pessoa que tem esse Odù revelado, ser perdoado pela ofensa causada, porém, ao final da história, as desculpas serão aceitas.

Por outro lado, se a pessoa que teve esse Odù revelado for a vítima da ofensa de outra pessoa, ela necessita aceitar as desculpas do culpado se uma pessoa importante interceder em favor do culpado.

Saber perdoar verdadeiramente é um dos maiores ebo que a humanidade pode oferecer.

Ire alaafia.

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O Império de Oyo (c. 1400 – 1835) – em português também grafado Oió – foi um império da África Ocidental situado onde é hoje o sudoeste da Nigéria e o sudeste do Benim. O império foi fundado por yorubás no século XV e cresceu para se tornar um dos maiores estados do Oeste africano. Sua riqueza foi construída através do comércio (sobretudo de escravos) e de uma poderosa cavalaria. Foi o estado mais importante na região de meados do século XVII ao final do século XVIII, dominando não só outras monarquias da Yorubalândia mas também outras monarquias africanas, sendo a mais notável o reino Fon do Dahomé, localizado no que é hoje o Benim.

O segundo príncipe do reino Yorubá de Ifé, Oranyan, fez um acordo com o irmão de lançar uma incursão punitiva sobre os seus vizinhos do norte por estes haverem insultado seu pai, oba Oduduwa, o primeiro Ooni de Ifé. No caminho para a batalha, os irmãos brigaram e o exército foi dividido. A tropa de Oranyan não era suficientemente grande para fazer um ataque com êxito, então eles vagaram pela costa sul até chegar a Bussa. Foi lá que o chefe local recepcionou-o e forneceu-lhe uma grande serpente com um encanto mágico amarrado à sua garganta.

O chefe orientou Oranyan para acompanhar a cobra até que ela parasse em algum lugar por sete dias e desaparecesse no solo. Oranyan seguiu os conselhos e fundou Oyo onde a serpente parou. Oranyan fez de Oyo seu novo reino e tornou-se o primeiro oba com o título de “Alaafin de Oyo” (Alaafin significa “dono do palácio” em Yoruba), deixando todos os seus tesouros em Ife e permitindo que um outro rei chamado Adimu reinasse ali.

Oranyan, o primeiro oba (rei) de Oyo, foi sucedido pelo oba Dadá Ajaká, alaafin de Oyo. Este oba foi deposto porque era desprovido de força militar e porque permitiu demasiada independência a seus subchefes. A liderança foi, então, conferida ao irmão de Ajaka, Sango, que, mais tarde, foi divinizado como a deidade dos trovões e relâmpagos. Ajaka foi reabilitado após a morte de Sango. Ajaka retornou ao trono pronto para a luta e profundamente tirano. Seu sucessor, Kori, conseguiu conquistar o resto do que, mais tarde, os historiadores chamaram de “Oyo metropolitana”.

O coração de Oyo metropolitana foi a sua capital Oyo-Ile, também conhecida como Katunga, Velha Oyo e Oyo-oro. As duas estruturas mais importantes em Oyo-Ile eram o afin (palácio do oba) e o seu mercado. O palácio ficava no centro da cidade, perto do mercado do oba (Oja-oba). Ao redor da capital, havia uma alta muralha de terra com 17 portas. A grandeza das duas estruturas (o palácio e o Oja Oba) simbolizavam a importância do rei em Oyo.

Oyo cresceu com uma força interior formidável até o final do século 14. Durante mais de um século, o estado Yoruba tinha se expandido à custa dos seus vizinhos. Depois, durante o reinado de Onigbogi, Oyo sofreu derrotas militares nas mãos dos Nupes conduzidos por Tsoede. Por volta de 1535, os Nupes ocuparam Oyo e forçaram os seus governantes a refugiar-se no reino de Borgu. Os Nupes continuaram saqueando a capital, o que destruiu Oyo como potência regional até o início do século 17.

A chave para a reconquista Yoruba de Oyo foi um exército mais forte e um governo mais centralizado. Adotando o exemplo de seus inimigos tapas (o termo iorubá para “nupes”), os iorubas rearmaram-se não só com armaduras mas também com cavalaria. Oba Ofinran, Alaafin de Oyo, conseguiu recuperar a Oyo original do território dos Nupe. Uma nova capital, Oyo-Igboho, foi construída, e a original ficou conhecida como Velha Oyo. O próximo oba, Egonoju, conquistou quase totalmente a Iorubalândia. Depois disto, oba Orompoto conduziu ataques destrutivos ao reino Nupe para garantir que Oyo nunca fosse ameaçado por eles novamente.

Durante o reinado de oba Ajiboyede, aconteceu o primeiro festival Bere, um evento que manteria muita significação entre os Yoruba mesmo depois da queda de Oyo. E foi com o seu sucessor, Abipa, que os Yoruba repovoaram Oyo-Ile. Apesar de uma tentativa falha de conquistar o Império do Benim entre 1578 e 1608, Oyo continuou a expandir-se. Os Yoruba deram autonomia ao sudeste da Oyo metropolitana, onde as áreas não Yoruba poderiam funcionar como um divisor entre Oyo e o império do Benim. Até o final do século 16, os estados Ewe e Aja da moderna Benim foram pagadores de tributo a Oyo.

A rivalidade entre Dahomey e Oyo.

O revigorado Império de Oyo começou incursões em direção ao sul em meados de 1682. Até o final de sua expansão militar, as fronteiras de Oyo atingiriam aproximadamente 200 milhas para o litoral sudoeste da sua capital. Encontrou muito pouca oposição séria, depois do seu fracasso contra o Benim, até o início do século 18. Em 1728, o Império de Oyo invadiu o Reino do Daomé em uma grande e amarga campanha. A força que invadiu Daomé foi inteiramente composta de cavalaria. O Daomé não possuía cavalaria, mas possuía muitas armas de fogo. Essas armas de fogo se revelaram eficazes, assustando os cavalos da cavalaria de Oyo e impedindo-lhes a carga. O exército do Daomé também construiu fortificações com trincheiras, que forçaram o exército de Oyo a lutar como infantaria. A batalha durou quatro dias, mas os Yoruba foram finalmente vitoriosos depois que os seus reforços chegaram. O Daomé foi, então, obrigado a pagar tributo para Oyo. Este não seria o combate final, contudo, e os Yoruba invadiriam o Daomé um total de sete vezes antes de que a pequena monarquia daomeana fosse totalmente subjugada em 1748.

A queda do Reino de Oyó, e sua estruturação.

Muitos acreditam que o declínio do império começou em 1754 com as intrigas dinásticas e os golpes de estado patrocinados pelo primeiro-ministro Bashorun Gaha. Em 1796, uma revolta iniciada em Ilorin contra Awole (o Àláàfin, ou governante de Oyo) foi comandada por Afonjá (o Aare Ona Kakanfo, ou comandante supremo das forças armadas de Oyo). Esta revolta, que levou à separação de Ilorin, marcou o começo da desintegração do Império de Oyo, tão logo outros estados vassalos começaram a seguir o exemplo de Ilorin. Para assegurar apoio à sua causa, Afonjá recorreu à ajuda de um professor fulani itinerante chamado Alim al-Salih, visando a garantir a adesão dos iorubas muçulmanos e voluntários hauçás e fulanis do norte, levando eventualmente à destruição de Oyo Ilê pelos fulanis em 1835 e consequentemente à extinção do Império de Oyo. Enquanto isso, em 1823, o reino do Daomé realizou incursões a territórios de Oyo visando a capturar escravos para serem vendidos. Oyo, então, exigiu um pesado tributo do rei Gezo do Daomé como reparação. O rei Gezo enviou seu agente brasileiro, Francisco Félix de Sousa, para negociar a paz. Na impossibilidade de se chegar a um acordo, Oyo atacou o Daomé e foi derrotado, o que encerrou a dominação de Oyo sobre o reino do Daomé. Este, por sua vez, continuou seus ataques sobre o território de Oyo.

Após a destruição da capital Oyo Ilê, a capital foi transferida para o sul, para a cidade de Ago d’Oyo. O oba Atiba tentou preservar o que restava de Oyo encarregando a cidade de Ibadan de proteger a capital dos ataques de Ilorin vindos do norte e do nordeste. Ele também tentou fazer com que a cidade de Ijaye protegesse a capital dos ataques dos daomeanos vindos do oeste. O centro iorubá de poder moveu-se então para o sul, para a cidade de Ibadan, que havia sido fundada pelos militares de Oyo em 1830. Porém os planos de Atiba fracassaram, e Oyo nunca mais readquiriu seu poder. Em 1888, se tornou um protetorado da Grã-Bretanha. A partir de 1896, perdeu qualquer forma de poder.

Genealogia dos Alafin’s de Oyo (retirada e traduzida diretamente do site oficial do Alafin de Oyo):

1- Oraniyan (Oranmiyan) – Fundador do Império de Oyó.
2- Ajaká (Dada) – Foi destronado e deposto por Sango.
3- Sango – Foi deidificado como deus do trovão e raio.
4- Ajaja – Re-instalado
5- Aganju (Agonju) – Sobrinho de Sango.
6- Kori – Restaurou o Império após a derrota de Dahomey.
7- Oluaso – Filho de Kori.
8- Onigbogi – Conduziu a evacuação de Oyo.
9- Ofiran – Construiu a cidade de Shaki.
10- Egunoju – Fundou Oyo-Igboho.
11- Oronkpoto – Especula-se que foi uma mulher.
12- Ajiboyede – Criador do Festival Bere em Oyo.
13- Abipa – 1570 – 1580
14- Obalokun – 1580 – 1600
14- Oluodo (interino)
15- Ajagbo – 1600 – 1658
16- Odaranwu – 1658 – 1660
17- Kanran – 1660 – 1665
18- Jayin – (Primeiro Awuyale de Ijebu-Ode) 1655 – 1670
19- Ayibi – 1678 – 1690
20- Osiyango – 1690 – 1698
21- Ojigi – 1698 – 1732
22- Gbaru (Baru) – (acredita-se ser uma das reencarnações de Sango) 1732 – 1738
23- Amuniwaye – Filho de Gbaru 1738 – 1742
24- Onisile – 1742 – 1750
25- Labisi – 1750 (deposto)
26- Awonbioju – 1750
27- Agboluaje – (Celebrou o Bere Festival) 1750 – 1772
28- Majeogbe -1772 – 1775
29- Abiodun – (Celebrou o Bere Festival, foi um antigo ministro) 1755 – 1805
30- Aole – 1801
31- Adebo – 1801
32- Maku – 1802 – 1830
33- Majotu – (Ilorin tomada pelos Fulanis) 1830
34- Amodo – 1830
35- Oluewu – (Queda da antiga Oyo)1833 – 1834
36- Abiodun Atiba – (Fundador da Atual Oyo, celebrou o Bere Festival) 1837 – 1859
37- Adelu – 1858 – 1875
38- Adeyemi I – 1875 – 1905
39- Lawani Agogoija – 1905 – 1911
40- Lajigbolu – Jan. 15, 1911 – Dez. 19, 1944
41- Adeniran Adeyemi II – Jan. 5, 1945 – Set. 20, 1955
42- Bello Gbadegesin – (Lajigbolu II) Jul. 20, 1956 – Dez. 20, 1968
43- Adeyemi III – (Alafin atual de Oyo e Chefe da Terra Yoruba) Jan. 14, 1971 até os dias atuais.

Fontes:
Bascom, William (Aug., 1962). «Some Aspects of Yoruba Urbanism». American Anthropologist [S.l.: s.n.] 64 (4): 699–709.

Poli, Ivan da Silva (abril., 2011) – Antropologia dos Orixás – Civilização Yorubá através de seus mitos, orikis e sua diáspora., ed. Três Margens.

Site Oficial do Alafin de Oyó, Oyo State – Nigéria.

Blog: Àláketú Odé

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