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Nome científico: Hyptis mollissima Benth
Nomes populares: macaça. macassa, catinga de mulata, bergamotinha, taia.
Elemento: água, feminino.
Aeollanthus suaveolens, conhecida popularmente como macaça ou catinga de mulata, é uma erva de origem africana que foi introduzida no Brasil durante o período de colonização.  Pertence à familia Lamiaceae e é uma erva anual corrente na Amazônia.
Muito usado no àgbo dos filhos de Oxalá, Oxun e Yemanjá, também são especificamente usadas para banhos de purificatórios para qualquer pessoa. Ela entra no amassi da preparação para lavar os búzios, ari àse, juntamente com outras ervas.
O macaça tem ligação com apaziguamento dos ferros de Ògún quando de sua preparação para o assentamento, purificando-o com suas propriedades.
Na medicina popular  é usada para banhos contra febres de crianças.
Fonte: Ìyalorisà – Nilza de Ògún Àse Òsùmàrè -BA
Fontes: Ewé Orisá – José Flavio P de Barros e Eduardo napoleão
A Flor do Macaça.
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Ègbé Òrun

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A SOCIEDADE EGBE ÒRUN DOS ABIKÜ, AS CRIANCAS
NASCEM PARA MORRER VARIAS VEZES *Se uma mulher, em país iorubá, dá a luz uma série de criancas natimortas ou mortas em baixa idade, a tradicão reza que não se trata da vinda ao mundo de várias criancas diferentes, mas de diversas aparicões do
mesmo ser maléfico chamado abíkú (nascer-morrer) que se julga vir ao
mundo por um breve momento para voltar ao país dos mortos, òrun (o
céu), várias vezes ( 1 1.
Ele passa assim seu tempo a ir e voltar do céu para o mundo sem jamais permanecer aqui por muito tempo, para grande desespero de seus
pais, desejosos de ter numerosos filhos vivos, para assegurar a continuidade da família sobre a terra.
Esta crenca se encontra entre os akan, (2) onde a mãe é chamada
awomawu (ela bota os filhos no mundo para a morte). Os ibo chamam os
abíkú deogbanje, os haucás de danwabi e os fanti, kossamah (3). Sua pre-
– senca entre os Mossi foi estudada por M. Houis (4).
Encontramos informacões a respeito dos àbikú em algumas histórias (itan) de Ifá, sistema de advinhacão dos iorubá, praticada pelos babalaôs (pai-do-segredo) que transmitem de geracão em geracão um enorme
“corpus” de histórias tradicionais, classificadas nos duzentos e cinqüenta
e seis odu ou sinaisde Ifá (5). Oito deste itan são dados no fim destes artigo, nos seus textos originais iorubá, com a sua traducão para o português.
Estas histórias mostram que os abíkú ou eméré (112) (6) formam
sociedades no céu (egbé òrun), presididas por lyajansa (a mãe-se-bate-ecorre) para os meninos (V 11 112 e 76) e olókó (chefe da reunião) para as
meninas (VI3 e V111/77), mas é Aláwaiyé (Rei de Awayé) (V11/17) que
as levou ao mundo pela primeira vez na sua cidade de Awaiyé (V11118).
Lá se encontra a floresta sagrada dos abikú (V11/44), aondé os pais de
ábíkú vão fazer oferendas para que eles fiquem no mundo (VI 1/45,52,54.). Quando eles vêm do céu para a terra, os ahikú passam os limites do
céu diante do guardião da porta, o aduaneiro do céu onjbodé òrun (1/5),
seus companheiros vão com ele até o local onde eles se dizem até logo
(I 11/9). Os que partem declaram o tempo que tencionam ficar no mundo
e o que farão. Se prometem a seus companheiros que não ficarão ausentes, essas criancas, apesar de todos os esforcos de seus pais, retornarão,
para encontrar seus amigos no céu (V/7,9).
Os abíkú podem ficar no mundo por períodos mais ou menos longos. Um àbíkú menina chamada “A-morte-os-puniu” declara diante de
oníbodé òrun (116,161 que nada do que os seus pais facam será capaz de
retê-la no mundo, nem presentes em dinheiro, (117) nem roupas que Ihes
oferecam, (119) nem todas as coisas que eles gostariam de fazer por ela
(111 1) atrairiam os seus olhares nem lhe agradariam (1112).
Um àbíkú menino, chamado Ilere, diz que recusará todo alimento
(1117) e todas as coisas (11/10) que lhe queiram dar no mundo. Ele aceitará tudo isto no céu.
Quando Aláwaiyé levou duzentos e oitenta ibíkú ao mundo pela primeira vez, cada um deles tinha declarado, ao passar a barreira do céu, o
tempo que iria ficar no mundo (VI I 4, 10). Um deles se propunha a voltar ao céu assim que tivesse visto sua mãe; (V11/10) um outro, que iria esperar até o dia em que seus pais decidissem que ele se casasse (VI 111 1 );
um outro, que retornaria ao céu, quando seus pais concebessem um novo
filho (VI 1/15), um ainda não esperaria mais do que o dia em que comecasse a andar (V11/16).
Outros prometem a lyàjanjasà, que está chefiando a sua sociedade
no céu (V 11 1/3), respectivamente, ficar no mundo sete dias, (V 11 111 9 ou
até o momento em que comecasse a andar (VI 11/23) ou quando ele comecasse a se arrastar pelo chão (V I1 1/23), ou quando comecasse a ter dentes (V111124) ou ficar em pé (V111125).
Nossas histórias de Ifá nos dizem que oferendas feitas com conhecimento de causa são capazes de reter no mundo esses abíkú e de Ihes fazer esquecer suas promessas de volta, rompendo assim o ciclo de suas
idas e vindas constantes entre o céu e a terra, porque, uma vez que o
tempo marcado para a volta já tenha passado, seus companheiros se
arriscam a perder o poder sobre eles.
E assim que nessas quatro histórias (I, I I I, I V e V) encontramos oferendas que comportam um tronco de bananeira acompanhado de diversas
outras coisas. Um só dos casos narrados, o terceiro, explica a razão dessas
oferendas:
“Um caçador que estava à espreita (11 1/3), no cruzamento dos caminhos dos abl’kú, escutou quais eram as promessas feitas por três abíkú
quanto a época do seu retorno ao céu.
“Um deles promete que deixará o mundo assim que o fogo utilizado
por sua mãe, para preparar sua papa de legumes, se apague por falta de
combustível (II1/11). O segundo esperará que o pano que sua mãe utilizar, para carregá-lo nas costas se rasgue (1 1111 7). A terceia (porque é uma
rrienina abíkú) esperará, para morrer, o dia em que seus pais lhe digam
que é tempo dela se casar e ir morar com seu esposo (1 11/22).
“O cacador vai visitar as três mães no momento em que elas estão
dando a luz seus filhos abíkú (111126) e aconselha à primeira que não deixe se queimar inteiramente a lenha sob o pote que cozinha os legumes
que ela prepara para seu filho (1 11/28); a segunda que não deixe se rasgar
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o pano que ela usar para carregar seu filho nas costas, que utilize um pano de qualidade diferente (dos que se usam geralmente para este fim);
(1 11/32); ele recomenda, enfim, a terceira, de não especificar, quando
chegar a hora, qual será o dia em que sua filha deverá ir para acasa do seu
marido (1 11/33).
As três mães vão, então, consultar a sorte, Ifá, que Ihes recomenda
que facam respectivamente as oferendas de um tronco de bananeira, de
uma cabra e de um galo, impedindo, por meio deste subterfúgio, que os
três ibíkú possam manter seu compromisso. Porque, se a primeira instala um tronco de bananeira no fogo, destinado a cozinhar a papa do seu filho, antes que ele se apague (1 11/43), o tronco de bananeira, cheio de seiva e esponjoso, não pode queimar, e o abíkú, vendo uma acha de lenha
não consumida pelo fogo (11 1/47), diz que o momento de sua partida ainda não é chegado. A pele de cabra oferecida pela segunda serve para reforcar o pano que ela usa para levar seu filho nas costas (1 11/52); a crianca àbíkú não vai achar nunca que esse pano se rasgou e não vai poder
manter sua promessa. Não se sabe bem o porque do oferecimento de um
galo, mas a história conta que, quando chegou a hora de dizer à filha já
uma moça, que ela deveria ir para a casa de seu marido (1 11/55), os pais
não lhe disseram nada e a enviaram bruscamente para casa dele.
Nossos três abíkú não podem mais manter a promessa que fizeram,
porque as circunstâncias que devem anunciar sua partida não se realizaram tais como eles tinham previsto na sua declaração diante de oníbodé
bruna Estes três àbjkú não vão mais morrer. Eles seguiram um outro caminho (I 11175,761.
Comentamos esta história com alguns detalhes porque ilustram bem
o mecanismo das oferendas e de sua funcão. ~ão é seu lado anedolíco
que nos interessa aquí, mas a tentativa de demonstração de que, em país
iorubá, a sorte pode ser modificada, numa certa medida, quando certos
segredos são conhecidos. No caso, as condicões nas quais os três abíkú
deixaram o mundo.
Esta noção sobre a importância de conhecer certos segredos é também expressa na sétima história onde os abíkú combinam entre si, no
momento de sua chegada a Awayé (V11/18), preparar, cada um, quatro
vestimentas (de cor vermelha), assim como um lenço de cabeca e um boné no valor de 1.400, cauris (búzios) para cada um. 0s ab jkú declaram
que se alguém descobrir suas quizilas, quando eles chegarem ao mundo, e
o nome das vestes que eles combinaram fazer (V 11/22, 23), eles ficarão no
mundo.
E por isso que os babalaôs consultados (VI 1/34) prescrevem oferendas desses objetos (V1 1/39, 41 1, a respeito dos quais os abíkú fizeram
uma combinacão (VI 1/42).
Essas oferendas são penduradas nas árvores da floresta sagrada dos
Ãbíku em Awaiyé (V1 1/46), acompanhadas de pratos de alimentos e doces (V 11/52).
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Estas cerimônias serão feitas todos os anos pelos pais (V11/55), e
eles dancarão ao som dos tambores, cantando cancões onde falam du
“Camwood, da cor das roupas vermelhas feitas pelos ablkú, de lenços e
de bonés no valor de 1.400 caurís (búzios) cada um, afirmando, asssim,
ter conhecimento do pacto feito pelos àb&ú quando chegaram em
Awaiyé, e do seu compromisso de ficar no mundo, se os pais viessem a
saber da sua convenção. Nenhum abíkú, cujos pais fizeram estas cerimrinias, deixará o mundo (V11168, 69) (7).
Tais oferendas são, com efeito, uma forma de expressão sem acompanhamento de palavras articuladas; o discurso é substituído pela apresentacão dos objetos testemunhas, provando que a oferenda conhece os
segredos, fazendo-o assim participar do pacto dos abíkú.
Entre as oferendasque os retêm aqui, em baixo, figuram, em primeiro plano, as plantas litúrgicas. Cinco dentreelas são citadas nestas histórias:
Abíríkolo (Crotalaria lachnophera A. Rich, Papilionacaae).
Agídímagbayin (não identificada).
ldí (Terminalia ivorensis, A. Chev, Combretacae).
lja agborh (não identificada).
Lara pupa (R icinus communis Linn, Euphorbiaceae).
Citemos ainda duas plantas frequentemente utilizadas para reter os
abíkú e que não figuram nessas histórias:
Olobotuje (Jatropha curcas – LINN Euphorbiaceae).
Opá eméré (Waltheria americana LI NN, Sterculiaceae).
A oferta destas folhas constitui uma espécie de mensagem e é acompanhada por encantamentos (ofó); os textos de algumas delas figuram
nos textos apresentados no fim deste artigo.
Resumamos aqui:
Ewé abíríkolo, insinkú òrun e pèhinda (Vl51, 53)
Folhas d’abiríkolo, coveiro do céu, voltai.
Ewé agidl’magbayin, Olorun máa ti ‘kun, a o kú mó (I V121, 23)
Folha de agidímagbayin Olorum fecha a porta (do céu) para que não
morramos mais.
Ewé id í I’ori ki onà òrun tèmi o dí (V1126)
Folhas de idl: dizei que o caminho do céu está fechado para mim.
Ewé ijá agbonrín, não ande pelo longo caminho que conduz ao céu.
Ewé lara pupa ni osún awón àbíkú. (V1133, 34)
A folha de lara vermelha pe o cânhamo dos abíkú.
Olobotuje má jé ki mi bí àbíkú omo
olobotujé &b 17-teiKe parir filhos àbíkú
opá eméré ki pé tífi kú, yio máa eu ni, nwon ni, nwon bá ríòpá eméré
Vara de eméré não os deixe morrer, isto Ihes agrada, ver a vara de eméré.
Notar-se-ão as açsociacões de som que intervêm em algumas dessas
f0rrnulas de encantamento tais como a última sílaba de ljá agbonrín e o
verbo rlh idl’ é do mesmo modo associada ao verbo dí, fecha (o carni-
nho do céu), além disso, esta história faz parte do signo Òdíméji onde se
reencontra a mesma sílaba atuante; para a folha lara pupa, um jogo de
palavras é feito entre o nome da folha lara e l’ara, o corpo (da criança).
Em país iorubá, os pais, para proteger seus filhos àbíkú e tenta; retê-los no mundo, podem se dedicar a certas práticas, tais como fazer incisões (cortes) nas juntas da criança (VI 111 4) e aí esfregar um pó preto, feito de folhas litúrgicas, queimadas para esse fim, ou ainda ligar à cintura
da criança um 6ndè (V1/20, 21 ), talismã feito desse mesmo pó negro,
contido num saquinho de couro.
A ação protetora buscada nas folhas, expressa nas fórmulas de encantamento, é introduzida no corpo da criança por incisões e fricções, e
a parte do pó preto, contida no saquinho do òndè, representa uma mensagem não verbal, uma espécie de apoio material e permanente da mensagem dirigida pelos elementos protetores contra os elementos hostís, sendo essa forma de expressão menos efêmera do que a palavra (8).
No canto da oitava história, são feitas alusões aos xaorôs, anéis providos de guizo, usados nos tronozelos pelas crianças abikú, para afastar
os companheiros que tentam vir buscá-los (9) no mundo e lembrar-lhes
suas promessas (V I I 1/57, 64 I.
De fato, seus companheiros não aceitam assim tão facilmente a falta de palavra dos abíkú, retidos no mundo pelas oferendas, encantamentos e talismãs preparados pelos pais, de acordo com o conselho dos babalaôs.
0s membros da sociedade dos àbíkú, egbé ará òrun, vêm do céu residir nos lugares pantanosos (1 1/28) ou nos regatos (1 1/46, V/20), donde
chamam as crianças que querem ficar no mundo. Vão também ao pé dos
muros (11/47), lá onde vão esvaziar as sujeiras (11148). Ficam nas salas onde as pessoas se lavam (balùwe) no fundo das casas (I11/63), que são lugares frescos, onde é enterrado iwo, a placenta dos recém-nascidos, colocadas num vaso isásun, coberto de folhas de palmeira desfiadas, chamadas
mariwó e caurís (búzios). Isso se chama orisun, a arigem da criança, e
esse lugar é saudado com a seguinte frase: Baluwe, nlé o, o tó omo, at’idí
jegbin omc tuntun Olá, sala de banho, fonte de origem da criança, come
as sujeiras da criança recém-nascida), fórmula que, por um curioso resumo, associa as noções de especulações mui respeitáveis sobre a origem
dos seres humanos às das funções orgânicas.
Nem sempre essas precauções e oferendas são suficientes para reter as criancas abíkú sobre a terra. lyájanjasa é muitas vezes mais forte.
Ela não deixa agir o que as pessoas fazem para os reter (V I1 1/46, 47) e porá a perder tudo o que as pessoas tiverem preparado (V11 1/48, 49). Contra os ab/kú não há remédios. lyájanjasá os atrairá a forca para o céu
(V111/35, 69). Os corpos dos abíkú que morrem assim, são frequentemente mutilados, a fim de que, dizem, eles percam seus atrativ.0~ e seus
companheiros no céu não queiram brincar com eles sobretudo para que
o espírito do àbíkú, maltratado deste modo, não deseje maisvir ao mundo.
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Essas criancas abíkú recebem no seu nascimento, nomes particulares.
Damos no fim deste artigo uma relacão de alguns desses nomes acompanhados de suas saudacões tradicionais. Eles podem ser classificados:
quer nomes que estabelecem sua condicão de abíkú (6, 7, 8, 18,36,
38); quer em nomes que Ihes aconselham ou Ihes suplicam que permaneçam no mundo (2, 9, 11, 13, 14, 16, 17, 23,25, 26, 32, 33, 34, 30);quer
em indicacões de que as condicões para que o abikú volte não são favoráveis (20, 21, 22, 27, 28, 29, 37, 39, 42); quer em promessas de bom tratamen to, caso eles fiquem no mundo (5, 12, 15).
A freqüência com que se encontra, em país iorubá, esses nomes em
adultos ou velhilhos que gozam boa saúde, mostra que muitos abikú ficam no mundo gracas, pensam as almas piedosas, a todas essas precauções, à acão de Orúnmilà, e a intervenção dos babalaôs.
NOMES DADOS AOS ÃBíKÚ
Aiyédun – A vida é doce (NT)
Aiyédun, a vida é doce, venha conhecer nossa sociedade
Aiyélagbe – Nós ficamos no mundo
A iyélagbe, não parta, não se vá
A já – Cão
Cão, não quebre a corda, perdão, não se va
Ajéigbe – A riqueza não está perdida
Ajéigbe vai chegar, a riqueza não se perderá
Aklsatán – Não se usarão mais farrapos
Aklsatán eu não verei mais amarrar as roupas, Akísàtán não parta
mais
Akújí- O que está morto, desperta
Akúji, faca sortes de prestidigitacão
Apara O que frequenta minha casa
Apara, não fique indo e voltando
Aybrunbò – Vá ao céu e volte
Ayorunbo crianca que cobre o corpo de terra
Bánjókó – senta-se comigo
Bánjókó, senta-se, repousa
Dúróddlú – Espera o Senhor
Dúródólú, teu senhor está a caminho
Dúrójaiyé Fica para gozar a vida
Fica para gozar tua vida, fica ainda, Durojaiyé
Dúrdorlike – Fica, tu serás mimada (nome para uma menina àbíkú)
Fica, tu serás muito mimada neste mundo, Obróoríké
Dúrósnm í – Fica, para me enterrar
Fica, para me enterra, não durmas em vão, Dúrósihmi
Dúrósomo – Fica, para fazer filhos
Fica para fazer filhos no mundo, não faça filhos no céu Dúrósomo
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Dúrótoye – Fica para receber um título honorífico
Fica, para receber um título, não vá ao céu de tarde
Dúrówòjú – Fica para olhar nos meus olhos
Fica, para olhar nos olhos de teu pai e tua mãe, Dúrówòjú
Ebelokú – Suplica para que fique
Suplica para que fique, suplicante está a criança, Èbelokú
Enílolobò – Alguém que partiu, volta
Alguém que partiu, volta, alguém semelhante chega
Enúnkúnoníipe – O que consola está cansado de oferecer condolências, iso o cansa Enúnkúnonjipe
lgbéko yl’j – O mato recusou este aqu i,
igbékoyií, o mato recuspu mesmo este aqui’
Ikúfor~/in – A morte perdoou
Meu lkúforoin, tua cabeça não vai mais morrer
Ilètán – A terra acabou (não há mais terra para enterrá-lo)
A terra acabou, não vemos mais possibilidade de enterrá-lo
Jéaríobé – Deixa-nos pedir-te
Deixa-nos pedirte, se te pedimos que nos escute, Jéaríobé
Kíké – Indulgente
A crianca é indulgente, Ki ké
Kòjékú – Não consinta em morrer
Não consinta em morrer, nós o prendemos na terra
Kòkúmó – Não morra mais
Kòkúmó, oh filho do segredo!, não morra mais, fique sobre a terra
Kòníbírè – Não há mais lugar para ir (fora deste mundo)
Kòníbíre não vê lugar para ir
Kèsílè – Não há terra (onde enterrar)
Não há terra, não vemos mais possibilidade de lhe enterrar, Kosjle
Kòsókó – Não há enxada (para cavar o túmulo)
Não morra, não há enxada para cavar a terra Kòsókó
Kúmápdy i i – A morte não leva este daqui
Kumápáyl’í que bebe água na cabeça dos mortos, se ele a usa, a
batalha será hoje mesmo
Kúti – Ele não está totalmente morto
A morte empurra para o mundo, não vá para o céu, morte, empurre
para o mundo
Mákú – Não morra
Não morra, mulher do babalaô, Mákú não morra
Malomó – Não te vás mais
Não te vas mais, retorna, Málomò
Mátanmi – Não me decepciones
Eu terei notícias tuas, não me decepciones, eu terei tuas notícias,
não partas
Obísèsan – Nascido para a vingança
Obísèsan vem fazer a vinganca do bem para o mundo
36 Okúsèhíndé – O cadáver volta
37 Orúkotán – O nome acabou
Orúkotán, seu último nascido, Orukotán
38 Omotúndé – A crianca voltou
A crianca voltou,. ela não será mais Àbl’kú, Ornotúnde
39 Orunkún – O céu está cheio
O céu está cheio, não te vás mais, Orunkún não te vás mais, ele ficou
40 Rótimi – suporta-me
Rótimi boa vinda, bom filho, Rótimi boa vinda
41 Tanímòwò – Quem sabe cuidar dele?
Quem sabe cuidar dele, se não o senhor, Tanlmòwò?
42 Tijúikú – Envergonhado da morte
Tijúikú não deixa a morte te matar.
É PRECISO CUIDAR DOS ABIKÚS, se não eles voltam para o céu.
Pierre Verger
Universidade Federal da Bahia

É com profundo pesar que notificamos que Agba Walquiria de Oxum , umas das mais antigas filhas do Terreiro de Oxumarê partiu para o Orun.

Uma das vozes mais bonitas já ouvidas dentro dos terreiros de candomblé, infelizmente, já não a ouviremos entoar “Osi awa oju” ou até mesmo “Olô que vaqueiro malvado” cânticos que ficaram marcados por serem cantados frequentemente por ela, que tristeza, o candomblé do Brasil perde uma de suas pérolas.

Integrante do único barco com mais de 50 anos de iniciadas que completou essa idade juntas e todas lúcidas, hoje se desintegrou, o barcos das 4 de Yia Simplicia, os orixás chamaram Agba Walquiria pra morar no Orun.

Agba Walquiria nos deixou…
Mas sempre estará no meio de nós, até por que os iniciados no mistério retornam para a casa do renascimento.

Oku aseyinde,
Odigbaose.

OLORUN ASE NDE
OLORUN KOBISE
OLORUN KOSI PUPE
KASUN RE O

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Ewé Ogbó – Cipó de leite, orelha de macaco

A folha de ogbó(Periploca nigrescens) é uma das mais importantes, dentro das casas de Candomblé, sendo considerada uma folha de orò (utilizada para todos). Assim como a folha do Amúnimúyè (Centratherum punctatum- balainho de velho) é utilizado junto com outras folhas para facilitar o transe, principalmente em casos em que o orixá tem dificuldade em “tomar a cabeça” do filho.
Conta um itan que quando Oyá espalhou as folhas que Ossanyìn guardava dentro de sua cabaça, essa foi a primeira folha que Odé (Osossi) pegou pra si. Sendo assim ela representa um dos seus principais fundamentos.
Tradicionalmente o Ogbó está associado a todos os orixás masculinos (oboró) e a terra (é um ewé igbó), sendo por excelência atribuída a Ossanyìn. Suas folhas costumam ser empregadas nas casas de culto aos orixás em trabalhos específicos para a cura de casos de epilepsia, o que vem sendo estudado no meio científico, onde há relatos da sua ação no mecanismo de contração muscular. No Brasil conhecida por Rama de leite, cipó de leite e orelha de macaco.
Texto:  Gunfaremim
Planta originária da África tropical, trazida pelos Nagôs para o Brasil, conhecida também em àfrica por ogbó pupa, ogbo funfun, asogbókan, sóbomo e gbólogbòlo.
Conta um mito muito popular nos candomblés que esta foi a primeira folha liberada por Ossain para ser utilizada por Oxóssi.
By José Pessoa de Barros

Os Orisa continuam a ser Orisa e possuem poderes maiores que qualquer ORI do ser humano.

Na Onda da auto ajuda o ori se limita sim! até que é preciso ir falar com Orisa.

Seres humanos não são positivos o tempo todo, não acertam todas as horas, ou uma consulta nunca teria o ibi não precisaria fazer ebo .. e sem tocar até mesmo em capacitação e privilegio ..Um ori se manter positivo quando o corpo tem fome da mais trabalho!. Orisa continua sendo importante! Orisa nos ajuda!

ou já já estamos quase descartando os Orisa e fazendo um culto só de Ori ou budista: “É a própria mente de um homem, e não o seu inimigo ou adversário, que o seduz para caminhos maléficos. ” Buda

Bem verdade que existem dezenas de versos itan – falando sobre bom comportamento, sobre caráter, sobre ori mas precisamos ter calma ou partiremos para era do Orisa é ferramenta para alcançar objetivos, e não falaremos mais como Orisa sendo Deuses.

Se um ori sozinho pode ajudar? pode sim!! Claro tem ajudado milhares de pessoas entre nós e no mundo que não são do culto de Orisa incluindo ateus. mas, todo ser humano é limitado em algum aspecto da vida! e até Ki´S brilhantes podem morrer cedo! to quase vendo gente perder fé no orisa, e falando como monges.- “A luz natural da consciência é o antídoto dos venenos da alma.” (Dalai lama) – e não que não concorde com a fala dele. Mas só temos que ter cuidado para não cairmos em um universo onde se questiona se Orisa é mesmo necessário!

Quando algo grandioso acontece agradecemos Ori: é claro! e quando vamos agradecer o orisa?

Orisa faz boas coisas na vida de um devoto, mesmo quando um Ori esta torto. Por vezes fui tirada de caminhos, e protegida mesmo com a convicção de um ori teimoso, Orisa quem desviou quando Ori não tinha discernimento para tomar uma ação adequada.

Já vi água jorrar para me desviar! eu vi a força de Yemoja!

Boa conduta é simplesmente obrigação! – e o “boa ” é questionável em uma relatividade sem fim e variável culturalmente e incluem evidente a lei de cada país.

.. e tem aquela – ori atende primeiro que qualquer orisa.. bem verdade… por isso tantos dias quando estou brava, falo coisas com grosseria! ele atende mesmo!!! Se tivesse ido falar com Yemoja ( minha orisa você que chame o seu).. as vezes tinha me acalmado .. e aí quem teria atendido ?

ori minimamente bom – sabe que está precisando de ajuda, outras vezes pode passar períodos , sem conseguir se quer tomar uma ação! E não faltam casos assim ! Quando vai tomar ação de chamar Orisa – e aí vou subverter o jogo – Orisa pode atender mais rápido que o próprio Ori, porque simplesmente foi fazer tal coisa para Orisa e melhorou rápido ! simplesmente porque tem casos que precisamos de Orisa e nosso Ori fragilizado não conseguia tomar ação e se recuperar ! E nem sempre é caso de bori ?nem sempre ! O mundo real tem muitos nuances. Mas também Orisa não deve ser tratado como delivery de boas coisas e muito menos Ori como o sabe tudo ou o caminho será : cultuaremos nós mesmos como celebridades .

escuta .. Não é que Orisa melhore o Ori de alguém, ori precisa mesmo se convencer sozinho, tomar suas próprias decisões, mas Orisa nos ajuda sim a mostrar o caminho ainda que livre arbítrio de ori seja considerado.. parece um ciclo de coisa com outra, indispensáveis.

Essa é uma declaração de fé!
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Boa semana

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Tombamento do Ilê Axé Kalè Bokùn garante preservação do mais antigo terreiro Ijexá do país

“A ialorixá Estelita Lima Calmon recebeu uma visita incomum e ao mesmo tempo emocionante na sua casa, em junho de 2016. Uma comitiva interinstitucional levou, nas suas mãos, o documento que deu início ao processo de tombamento do terreiro Ilê Axé Kalè Bokùn (terra das riquezas profundas), o mais antigo e um dos poucos terreiros da nação Ijexá existentes no Brasil, do qual era a dirigente. Na época, idosa e acamada, estava aos cuidados de seus filhos.”

“Ela assinou a notificação e no dia seguinte descansou. Parecia que estava esperando só isso”, conta a ialorixá Vânia Amaral, 55 anos, sobrinha-neta da sua antecessora, enquanto olha, com respeito e carinho, para a fotografia de mãe Estelita exposta no barracão (local das cerimônias) do templo religioso, instalado, segundo o registro oficial, há 85 anos em Plataforma, numa das áreas de  Salvador com maior concentração de terreiros de Candomblé.

Naquele momento de reconhecimento, um cântico ecoou no quarto. “Quando pegou no papel, a mãe Estelita começou imediatamente a cantar para Ogum. Foi uma coisa linda”, lembra Leonel Monteiro, presidente da Associação Brasileira de Preservação da Cultura Afro-Ameríndia (AFA), que estava presente e foi um dos responsáveis pela solicitação de tombamento.

Durante um período, a casa com muros brancos, numa ruazinha tranquila e serena do bairro, entrou em axexê – cerimônia sagrada cultivada no Candomblé após os ritos fúnebres de uma pessoa iniciada. Um tempo de auto-reflexão interna e reorganização do terreiro. “Apesar da perda, nos sentimos fortes. Sabíamos que o legado deixado estava salvaguardado”, afirma a ialorixá Vânia.

No final de 2018, a Prefeitura de Salvador, através da Fundação Gregório de Mattos, tombou o terreiro Ilê Axê Kalè Bokùn, considerando-o Patrimônio Cultural da cidade de Salvador. É o primeiro Ijexá com tal honraria em todo o país.

“É um reconhecimento desse  bem que é histórico, cultural, religioso e afetivo. Garante o nosso direito de segurança e  preservação. Nós, ijexás, somos praticamente extintos – exceto os troncos daqui que hoje têm filhos na cidade e em outros estados”, afirma Vânia Amaral, referindo-se a terreiros em Lauro de Freitas e no Rio de Janeiro, conduzidos por iniciados no Kalè Bokùn. Com o tombamento, torna-se responsabilidade do poder público preservar o patrimônio físico e os saberes ancestrais ali perpetuados.

“Hoje há muitas dificuldades por conta da especulação, da densidade demográfica, de obras públicas que chegam nesses lugares. Então, é o principal instrumento de proteção. Quando é tombado, o Estado passa a ter a obrigação, junto com a comunidade, de manter aquele patrimônio e o seu conjunto monumental. E aí pode, por força de lei, investir naquele espaço”, explica Leonel.

Para dar sustentação ao processo, um laudo etno-histórico foi  produzido pelo antropólogo, professor e pesquisador da Universidade Federal da Bahia, Vilson Caetano. A extensa pesquisa sobre os ijexás, a partir da presença do Ilê Axé Kalè Bokùn na capital baiana, será publicada em livro no final deste mês, com o título Ijexá: o povo das águas, com apoio da Fundação Gregório de Mattos.

De Ilexá ao Subúrbio Ferroviário

As raízes da nação Ijexá remontam à terra de Ilexá, no continente africano (uma região da Costa Oeste, próxima à Nigéria), e chegaram em terras brasileiras, de acordo com Vilson Caetano, “em dois ciclos de africanos”: o da Costa da Mina e o do Golfo do Benin. “Os ijexás estão entre os chamados ‘últimos africanos’. Foram classificados entre os sudaneses, dividiam a língua iorubá e eram conhecidos como guerreiros e guerreiras”.

Em solos soteropolitanos, circulavam inicialmente pela região central da cidade, a exemplo do Dique do Tororó, Vasco da Gama, Mata Escura. No século 19, migraram para a Península de Itapagipe, que agrega, atualmente, os bairros de Boa Viagem, Bonfim, Ribeira, entre outros. O fundador e primeiro babalorixá do Ilê Axê Kalè Bokùn, Severiano Porto (ou Severiano de Logun Edé), viveu nessas paragens e, em 1933, se fixou no Subúrbio Ferroviário.

“Os ijexás nunca esqueceram que Oxum é o próprio rio. Então, é uma nação de Candomblé que depende da água, de espaços marítimos. Veja que a concentração ocorre em torno dos rios: Dique, Vasco da Gama, Queimadinho e Itapagipe”, exemplifica.

Além das especificidades da localização geográfica, os ijexás guardam um legado histórico, cultural e religioso profundo, associado tanto à capital baiana, quanto às suas matrizes africanas. O ritmo homônimo, de toque cadenciado, amplamente  conhecido na cidade e vinculado aos afoxés e ao Carnaval, tem as suas origens diretamente articuladas aos integrantes desta nação, que tinham o costume de caminhar em procissão pela cidade – por exemplo, para presentear Iemanjá no Rio Vermelho.

“Foi por causa dessa característica que se confundiu uma nação de Candomblé com um ritmo musical. Os ijexás saíam nas ruas levando os presentes e tocando os tamborzinhos. Aí se dizia: são os ijexás. O rito se confundiu com o ritmo e o ritmo nos anos 80 passou a substituir o rito. Infelizmente, hoje quando se fala ijexá se pensa logo no ritmo e não na nação”, complementa Vilson.

Cidade e resistência 

Durante o período de proibição dos rituais, considerados contravenção e, posteriormente, de intensa intolerância e perseguição policial aos terreiros, esses pequenos tambores (ilús) possibilitavam o acontecimento das cerimônias sem chamar a atenção da vizinhança e dos detratores.  São até hoje utilizados, sobretudo por mulheres que, por conta de preceitos da religião, não tocam os atabaques.

“Acompanhavam o chamado ‘Candomblé de palma’ (sem o uso de atabaques, apenas com palmas e a  cabaça). Isso por si só explica a dimensão simbólica importante dos ijexás. E significa resistência, afirmação das identidades negras africanas reconstruídas na diáspora”, defende Vilson.

A diretora de Patrimônio e Humanidades da Fundação Gregório de Mattos, Milena Tavares, chama a atenção de que, no caso do Ilê Axê Kalè Bokùn, a própria estrutura, que remete a uma residência, já se configurava como estratégia de resistência aos perseguidores. Outros aspectos da edificação também materializam as especificidades da nação.

“O terreiro preserva aspectos construtivos de época e mobiliário antigo. Percebe-se diversos elementos da singularidade do culto ijexá”, diz  Milena, listando  características como o santo de canudos assentado na cumeeira, os quartos de orixás da nação, o salão de festas, a cozinha do axé (preparo de alimentação ritual), os pejis – formando uma espécie de vila dos orixás –, local de recolhimento (camarinha), fonte sagrada e área de plantas.

No processo de tombamento, tudo isso foi levado em consideração, assim como a continuidade histórica – as  três gerações. A atual ialorixá, Vânia Amaral, também é neta do fundador Severiano Porto – filho de uma africana da nação ijexá – descrito  por  antigos como um homem simples e amigo, porém rigoroso.

Os preceitos e ritos  internos também envolvem  a singularidade dos ijexás. O período de iniciação e recolhimento no terreiro é mais longo em relação a outras nações – varia de quatro a seis meses, de acordo com o orixá. Mas existe certa flexibilidade, hoje em dia, para a pessoa em iniciação trabalhar fora e, após o expediente, voltar para o Kalè Bokùn.

A razão disso é preservar as tradições e obrigações, os atributos que marcam  os ijexás, como diz Vânia Amaral, uma relação diferente com o  tempo, seja nos toques, seja nos preceitos.

“Quando outras pessoas, irmãos de outros terreiros e nações chegam aqui, sentem que somos muito calmos. Trazemos a calma e a lentidão também no nosso modo de cantar, de dançar. Realmente somos devagar. E dizem: ‘Vocês dançam mesmo ijexá’”.

No terreiro de Plataforma,  Logun Edé  e  Oxum são os orixás principais desde a criação do terreiro. Vânia  acrescenta que Oxalá é patrono  da casa, porque a ialorixá de Severiano era filha deste orixá. “Nós temos muita devoção. Aqui existe um Oxalá do tempo da Guerra de Canudos”.

Sociedade de mulheres

Dentre as atividades  cotidianas  e internas do terreiro, existe  o culto, somente de mulheres, o Geledé. A ebomi do Kalè Bokùn e iniciada no terreiro há 33 anos, Márcia Lima, expõe que, por ser interno, não é possível revelar muitos detalhes acerca  do rito, mas, de maneira ampla, fala que se trata da sociedade das Ìyàmìs, conjunto de entidades femininas.

“É  fechada e  cheia de tabus. Só quem participa sabe o que acontece. É uma sociedade feminina que trabalha em prol de união, fraternidade, transmissão de legado, ensinamentos para fortalecer a religião”, conta Márcia, que é ialorixá do terreiro Ilê Axé Ewá Olodumaré, filho do Kalè Bokùn, em Lauro de Freitas. Esse culto, argumenta, entra em consonância com o perfil “matriarcal”  do Candomblé como um todo.

“A mulher sempre foi o elemento mais importante da religião, tanto que nos tempos antigos, a mulher está à frente de alguns ritos, de algumas obrigações. É um empoderamento”, afirma.

Ela chegou  ao Kalè Bokùn na infância, junto com a mãe, que tinha ligação prévia com o Candomblé (era filha biológica de Juvenal Chame-Chame – o Ogã de Jubiabá, de  Baía de Todos os Santos, livro de Jorge Amado), onde também foi iniciada.

Segundo a sacerdotisa, a sua experiência  fundamental no terreiro, nesses anos, foi de aprendizado de amor, solidariedade e  fraternidade: “São  sentimentos verdadeiros e valorosos por pessoas que, às vezes, a gente nem conhecia. Não somos pais, mães, irmãos pelo elo sanguíneo, mas pelo elo religioso. E, sendo assim, o sentimento de solidariedade se fortalece”.

Num processo de entrada diferente, a ebomi Tania Bispo frequentou o terreiro inicialmente como abiã  (pessoa da religião, porém  ainda não iniciada). De “família do axé”, foi escolhida, há 18 anos, pelo orixá Logun Edé e pelo Kalè Bokùn.

“A minha iniciação foi num terreiro de Ijexá porque Logun Edé é de terreiro de Ijexá. E os conhecimentos que vem, a partir disso, você só adquire quando começa a vivenciar. Não é de livro, mas de uma experiência corporal, de você com seus orixás e a sua energia”, diz Tania, que  é funcionária pública, professora de dança  e psicoterapeuta junguiana.

Corpo e espiritualidade

Ela entende que  há uma complexidade na nação Ijexá – nas suas palavras, “uma alquimia”. Por conta de sua formação, aliada às  experiências e reflexões, valoriza a  aproximação do processo de individuação (desenvolvimento psíquico) com as múltiplas iniciações no Candomblé enquanto ciclos.

“A reiniciação é sempre algo novo, um processo de amadurecimento biopsíquico, um trânsito entre a consciência e o inconsciente, que leva a um poder de amadurecimento”, argumenta, defendendo também o respeito ao espaço sagrado e às variáveis essenciais que permeiam a conexão religiosa.

O vínculo entre corpo e espiritualidade, como  possibilidade de cura, levou também Walter Amaral, conhecido carinhosamente  como Bahia, irmão biológico da  ialorixá Vânia Amaral, ao terreiro Kalè Bokùn com sete anos. Chegou ao espaço com graves  problemas respiratórios, após diversos tratamentos médicos sem resultados positivos.

“Os homens disseram que não tinha mais jeito, que só levando para o outro lado. E aqui encontrei a mãe Estelita, minha madrinha, e vim para os braços  dela. Fui melhorando, fiquei, estou até hoje me cuidando. E não tive mais nada. Depois, quando ela estava doente, larguei tudo para ficar cuidando dela. E continuo aqui. Não dou as costas a quem me salvou”, afirma.

Em sintonia com as riquezas profundas, Tania acrescenta: “É como um útero que lhe acolhe. O ijexá é a terra da água, do colo, do amor”.

Daniel Oliveira | Foto: Raphael Müller | Ag. A TARDE

ogun e nana

Já vi gente agradecer para que 2018 terminasse logo, pois não aguentou a seriedade de Xangô, o Orixá regente deste ano que findou.

Sobre a influência do Orixá Xangô 2018 foi aplicada a justiça para todos, sem tolerância ou diferenças. Justiça esta sendo feita pelo amor ou pela dor, segundo a resistência de cada pessoa.

Xangô que trouxe a tona muitas injustiças a serem sanadas e julgadas agora. A Justiça de Xangô e de Oxalá não falha.

Agora, para quem acredita que 2019 será mais sereno, pode esquecer!!

O Orixá regente de 2019 vai cobrar a Ferro e Fogo a Injustiças, mazelas e erros que as pessoas fizeram, que Xangô expos.

No ano de 2019 o Orixá regente será OGUM, poderoso, forte e temido Orixá.

Guerras, avanço tecnológico, brigas, nervos a flor da pele, fim de sociedades, transformações, serão algumas das características do ano de 2019, do Senhor do Ferro e do Fogo.

É um lutador que defende a lei e a ordem. No sincretismo, é São Jorge.

Teremos em 2019 muito avanço Tecnológico em todas as áreas. Mais conhecimento para todos. Crescimento nas ciências e tecnologias em geral. A mente de muitos crescerá, pois a oportunidade de estudos será ainda mais fácil em 2019.

Ogum Orixá das Batalhas e Guerras. Será vitorioso quem lutar ao lado do bem. Vencera as demandas quem estiver com Ogum a seu lado. Muitas mascaras cairão. Muitas verdades virão a tona em todas as esferas: pessoais, profissionais e políticas.

Os mentirosos, maldosos, fofoqueiros e espertinhos que se preparem para as cobranças e demandas deste Orixá, com aval de Xangô que já preparou o terreno em 2018.

Só que o ano de 2019 tem a influencia de outro Orixá.

Junto com Ogum, Nanã Buruquê rege o ano a partir do segundo semestre, trazendo mais calma, mais reflexão nas palavras e atitudes das pessoas.

Também Nanã fará que todos pensem mais na família, familiares e parceiros amorosos.

Se os primeiros meses de 2019 estarão mais intolerantes, armados para a Guerra com o que não merece o nosso respeito, e fazendo limpeza em nossas amizades e no que nos incomoda, a partir do segundo semestre mais serenidade, mais oportunidade para voltarmos atrás em algo que possamos ter errado, seremos mais tolerantes com todos e para aquele que se dedicar a fazer o bem, certamente receberá o bem de uma forma mais intensa.

Mas, não se engane. Mais tolerantes sim, mas explosivos sempre.

Na regência conjunta de Ogum com Nanã, iremos em 2019 das batalhas para a paz em segundos. Logo, muito cuidado com pensamentos, palavras, troca de opiniões calorosas, paixões sem freio, brigas e vinganças.

Quando sentir que a coisa esta saindo do seu controle, seja sábio e recue nas palavras e ações. Acalme-se.

Em resumo, 2019 será um ano de mudanças, crescimento e transformações para quem tem sangue de guerreiro e veia de vencedor.

Tenha as suas metas e planos de ação bem definidas e boa sorte.

Em: Alma Serena

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