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Archive for Maio, 2011

Povo das Ruas

Ègbé, ainda sobre Umbanda, nesse post vamos abordar o Povo das Ruas, que na verdade são legiões de espíritos em desenvolvimento que constituem os povos das ruas, encruzilhadas, esquinas, cemitérios, etc.

O povo da rua tem espíritos masculinos e femininos. O Exús masculinos não revelam seu verdadeiro nome, aparecem nos grupos e legiões diversas e acompanham Preto-Velho, Caboclo e vários Orixás, dentre eles destacamos: Tranca Rua das Almas, Seu Sete Encruzilhadas, João Caveira, Exí Tirirí, Exú Mangueira, Exú Marabô, etc. Os Exús femininos são chamados de Pombagira, tal igual aos Exús masculinos, não revelam seu verdadeiro nome, aparecem em grupos e legiões diversas, acompanham Preto-velho, Caboclos e vários Orixás, dentre eles destacamos: Maria Padilha, Maria Mulambo, Cigana, Figueira, Quitéria, etc.

Exús e Pombagiras tem sua própria organização em Legiões e Falanges, cada um com seu chefe. Os chefes supremos são Exú Rei e Pombagira Rainha, entretanto, mesmo estes têm a quem prestar contas: todos os Exús estão sob o controle de São Miguel das Almas, o Arcanjo Miguel, chefe das hostes dos anjos celestes. Ele é encarregado de controlar os espíritos que ainda se encontram em nível relativamente baixo de desenvolvimento, mais suscetíveis portanto a serem seduzidos por presentes para que façam o mal atendendo a pedidos de pessoas mal intencionadas.

O Povo das Ruas trata de todos os assuntos externos à casa: o trabalho, a carreira, as viagens, a proteção contra todos os tipos de problemas e ameaças. Uma sessão dos Exús, quando bem conduzida e com as cantigas adequadas, tem um efeito benfazejo enorme, através de tais sessões é que nos livramos dos nossos inimigos, resolvemos problemas cruciantes, conseguimos vencer as demandas. Mas é prejudicial, tanto para o mortal quanto para o espírito, que façamos pedidos destinados a fazer o mal a alguém. Como os Exús estão progredindo no plano espiritual, sua ascensão será atrasada sempre que eles praticarem o mal a alguém, por isso, para ajudá-los, devemos sempre lhes endereçar pedidos de defesa, sem que tenhamos que atacar terceiros. Além disso, uma lei da magia diz que tudo que fizermos ao próximo voltará para nós  multiplicado por três. Portanto, é melhor para nós mesmos pedir proteção e abertura de nossos caminhos, em vez de pedir a realização de malefícios que mais cedo ou mais tarde recairão sobre nossa vida.

Exús e Pombagiras são vivos alegres e sensuais.Usam roupas em que se combinam o preto e o vermelho, além de jóiase outros adereços. Sua saudação é Laroiê ou Saravá Exú.

Pontos de Chamada

“Tá chegando a meia-noite
Tá chegando a madrugada (bis)
Salve o povo da Quimbanda,
Sem Exú não se faz nada”. (bis)

“Cambono segura a cantiga
que está chegando a hora (bis)
Saravá toda a encruza
Exú é quem manda agora”. (bis)

“O garfo de Exú é firme
A capa de Exú me rodeia (bis)
Já passei na encruzilhada
Lá Exú não bambeia”. (bis)

“tem morador de certo tem morador (bis)
capela que o galo canta
de certo tem morador”

Pontos de Subida

“Bateu meia noite na capela
O galo cantou na encruzilhada (bis)
Arrume sua capa e seu garfo, meu exú
O meu pai Ogun lhe chamou na madrugada”

“A encruza tá lhe chamando
Firma a gira deste Jacutá.
Seu (diizer o nome do exú) já vai embora,
Firma a gira deste jacutá,
Sua banda é muito longe,
Firma a gira deste jacutá.
Ele vai deixar o endá
Firma a gira deste Jacutá”.

” Candongueiro quando chama
É sinal que stá na hora
candongueiro quando chama
É que Exú já vai embora, maria.
Maria, amarra a saia que Exú vai embora
Maria, amarra a saia que Exú tá na hora”.

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ETUTU – EBÓ

As manifestações de energia

Este artigo foi escrito por Olúwo Ifágbèmí Odùyemí e cedido ao Instituto Awololá.

 Um dos grandes presentes de Ifa encontra-se em sua habilidade de oferecer o remédio para toda a situação àqueles que estão dispostos a procurá-lo e a ouvirem aquilo que ele tem a dizer. Assim prescrever o Ebo é uma habilidade que deve ser cultivada e refinada, porque toda a arte requer do Ebo além da oferta que estamos dispostos a fazer, um comprometimento sincero com a oferenda para que possamos experimentar de forma sincera as transformações que irão ocorrer.

Muitas vezes presenciei em minha vida de sacerdote, pessoas desesperadas afirmarem que sua vida não tem mais solução. Melhor que reconhecer a responsabilidade pessoal que acompanha o Ebo, seria reconhecer as responsabilidades de nossas ações, pois muitas vezes agimos como que esperando que a repercussão dos meses, dos anos, ou mesmo das décadas de acumulo de energias negativas, possam ser milagrosamente transformados em um instante. E quando os resultados da vida se alteram e não são vistos imediatamente, o Ebo e freqüentemente a divinação são tachados como errôneos. Isto infelizmente e uma prática comum ao mundo moderno, uma espécie de fuga ou de relutância em relação às responsabilidades com nossa própria vida.

A mudança tem que ser vista como um processo interativo e requer que nossos compromissos pessoais estejam sempre em desenvolvimento, aliados sempre a uma boa postura e a um forte Iwa(caráter). A verdade é que o ètùtù promove mudanças de fato em nossa vida de uma maneira muito prática e tangível, injetando energia em nossa essência e no universo à nossa volta criando novas possibilidades, que precisam ser bem administradas para que profundas e verdadeiras mudanças possam ocorrer. Externar o desejo e o verdadeiro comprometimento com esta intenção é a maneira mais correta de promover essas transformações, este é um ponto simples e importante de recordar, pois cria a possibilidade de algo novo e diferente.

Porém e necessário compreender que a fim de conseguir retificar nosso destino, devemos usar nossos olhos para perceber as mudanças que o Ebo criou, e nossa determinação para agirmos em cima dela, caso contrário, se não agirmos para podermos colocar essas transformações em prática, continuaremos presos aos mesmos problemas, sem conseguir fazer com que nossas novas perspectivas interajam com o potencial de transformação criado pelo Ebo, caindo fatalmente em um período de estagnação criado simplesmente por falta de postura em relação a nossa própria vida.

Para aquelas que reconhecem a função verdadeira do ebo, as responsabilidades pessoais que vêm junto com ela realizam-se tão claramente quanto o dia. Compreender os benefícios do Ebo, experimentando assim a totalidade de nossos potenciais, assimilarem que a direção de nossos destinos repousa em nosso Orí e a primeira etapa para podermos explorar a totalidade de nossa capacidade, assim não apenas reivindicando e sim contribuindo para que possamos vivenciar a felicidade que temos por direito, assim como a paz e o próprio bem estar.

Enquanto observado para pessoas alheias ao seu potencial de transformação o Ebo é muitas vezes comparado a uma simples prescrição.

É necessário entendermos que cura e totalmente diferente de transformação, a cura e estabelecida após o mal já estar instalado, já a transformação além de explorar o potencial da cura busca também agir na origem do problema, procurando identificar o que gerou o mal.

Se nosso próprio medo, relutância, negação são a causa de eventos infelizes em nossas vidas, o Ebo explorando o seu poder de transformação e agindo no foco do problema torna-se eficaz impedindo que uma progressão negativa permita a instalação de males.

O verdadeiro processo de cura encontra-se na prevenção, isto requer esforço e foco contínuo na origem de nossos problemas.

O Ebo prescrito durante a divinação ajudará temporariamente ao indivíduo, porém volto a frisar que se não houver uma mudança de postura a mudança será apenas temporária, ou seja, não é o bastante oferecer uma vela para sairmos da escuridão; nós devemos abrir nossos olhos para perceber e mover-se ativamente até a luz.

É imperativo ao nosso crescimento que nós consigamos assimilar e agir dentro da energia explosiva que está sendo evocada ao realizarmos o Ebo, seguindo-a completamente.

Finalmente, somente o esforço de um indivíduo pode sustentar um resultado alterno e digno. Uma parte de minha própria viagem em Ifá foi destinada a poder observar e a assimilar o mundo natural ao meu redor, podendo assim compreender como as energias naturais interagem entre si e principalmente ao entender os seus conceitos compreender a necessidade de manipulá-las para a solução dos problemas chegando ao bem estar.

Nós podemos ver como o vento e as águas se movem através das gargantas e as fendas, encontrando penhascos e outros obstáculos, no entanto fazendo os ajustes necessários eles sempre alcançam seu destino.

Assim nós, como seres humanos, não devemos ver nosso próprio crescimento como impossível como algo miraculoso ou como algo além de nosso próprio poder, muitas vezes impedido por obstáculos imaginários, embora muitas vezes tivesse dificuldades em crer é fácil para todo o organismo evoluir e se aprimorar desde que realmente desejemos isso e ao invés de ficarmos aguardando, contribuirmos para que as transformações ocorram em nossa vida.

Os princípios básicos de Ebo operam dentro desta lei natural, e esta é talvez a coisa mais importante que meus Anciões me ensinaram.

É simples plantar uma semente, o difícil e fazê-la germinar, a divinação e o Ebo dão-nos as ferramentas para crescer, basta apenas percebermos como usá-las.

Ire o.

Por: Olúwo Ifágbèmí Odùyemí e cedido ao Instituto Awololá

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No início

No início da minha caminhada no Candomblé fui ensinada a temer os Orixás. Muitas vezes até receava sequer solicitar uma consulta de búzios sobre a minha vida. Ogum podia estar em pé de guerra, por estar insatisfeito comigo. Xangô estava certamente pronto a desferir-me um golpe com o seu machado de dois gumes, por eu o fazer ficar constantemente zangado comigo. Oyá estava seguramente pronta a soprar problemas para a minha vida. Oxum ou Yemonjá estavam também prontas a afogar-me, e talvez não fosse prudente da minha parte fazer-lhes alguma oferenda, sendo que para tal era necessário eu aproximar-me de algum rio ou do mar.

Talvez outras pessoas pudessem afirmar que não lhes tinha sido dito que os Orixás ou os ancestrais estavam descontentes com eles, mas eu, sendo a crédula e naive que sempre fui, acreditava na palavra dos irmãos e superiores mais velhos e levava à risca e aceitava do fundo do coração tudo o que me era dito.

“Tradicionalmente”, é-nos dito que os Orixás são entidades espirituais que têm o poder de reger os seres humanos com todo o fogo e a fúria de um imperador, demasiado inseguros em si próprios para tolerar qualquer comportamento que possa ser compreendido como uma mínima demonstração de desrespeito. Portanto, seria uma progressão lógica e natural, presumir que o poderoso e facilmente ofendido Orixá estaria no mínimo aborrecido comigo. Um devoto com um sério sentido de humildade e com uma natureza zelosa e de ajuda pode ser facilmente manipulado.

Por exemplo, segundo a interpretação tradicional de Ifá, é ridículo um devoto esperar que Orunmila respeite uma hora marcada para uma leitura. Se para a maioria de nós o tempo é um eufemismo, pois temos a reputação de chegar sempre uns minutos atrasados, então, de acordo com os conceitos tradicionais Africanos, o tempo do Orixá deve ser sinónimo de chegar pelo menos uma semana atrasado, isto caso chegue a aparecer de todo.

Os devotos fariam bem em recordar que têm sorte por haver sequer um Orixá que se recorda da sua existência. Agora, daí a pensar que ele vai ficar preocupado com a hora de uma leitura ou consulta…

Mas, uma vez liberta da grilhetas do pensamento “tradicional”, comecei a reconhecer e a aprender que os Orixás estão longe de ser as entidades egoístas e temperamentais que eu fui levada a acreditar que eles eram. Se os queremos adjectivar de alguma coisa, então eles são das entidades mais humildes que podemos encontrar. Os Orixás não podiam importar-se menos com o domínio e o poder sobre cada um dos devotos que cruza o seu caminho.

Os Orixás sabem que o seu valor não é medido pelo controlo que eles possam exercer. De facto, o controlo sobre outros é, mais do que provavelmente, a menor das suas preocupações, se é que essa preocupação existe sequer.

Nós partilhamos este plano de existência com um elevado número de entidades diferentes, todas elas com capacidades diversas. Enquanto nós humanos nos percepcionamos como superiores a outras espécies em muitos aspectos neste planeta, no grande esquema das coisas não somos assim tão diferentes de tantos outros seres que partilham este planeta connosco. Acrescentemos então entidades como os Orixás a este “Mix” e, se tivermos uma pitada de humildade que seja, percebemos rapidamente que nós, seres humanos, afinal não estamos nem perto de ser o topo da tabela. E se acrescentarmos Olodumaré a esta equação, então a nossa importância no grande cosmos cai ainda mais.

Quer acreditemos, quer não, cada um de nós tem um trabalho a fazer que mais ninguém pode fazer por nós. Podemos imaginar o universo como um relógio complexo, com um infinito número de mecanismos e componentes. Se uma peça do relógio estiver danificada e deixar de fazer o seu trabalho isso causa um “efeito dominó” que eventualmente pode causar a paragem do relógio.

O universo é muito mais complexo do que um relógio, por isso espero que entenda este exemplo apenas como uma mera analogia. O ponto é que os Orixás não são capazes de fazer tudo o que as pessoas podem fazer, tal como as pessoas não podem fazer tudo o que outros animais são capazes de fazer. Devemos respeitar o facto de que os animais têm tanto direito a este planeta como nós, tal como os Orixás respeitam o nosso direito a partilhar este plano de existência com eles.

Na forma como Orunmilá explica o mecanismo do relacionamento, os Orixás não são melhores que os humanos. Todos nós somos manifestações da natureza, todos temos a nossa tarefa a cumprir e todos nós somos produto de Olodumaré, que nós reconhecemos como o Ser Supremo.

Dito isto, os Orixás não vão seguramente optar por uma retirada caso os seres humanos não se ajoelhem sempre que é dito o nome de um Orixá. A reverência não é medida pela quantidade de vezes que o devoto se ajoelha, recita um Adurá, canta um Oriki, dança um ou dois passos, ou algo assim básico e simples.

A verdadeira reverência é medida pela profundidade da sua integridade, a força da sua confiança, a clareza com que compreende, e a intensidade da sua vontade para aprender o mais possível e aplicar as lições aprendidas na vida, no dia-a-dia.

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Ibejadas

Ègbé,

Dando continuidade aos textos sobre as entidades da nossa querida Umbanda, já falamos de Caboclo, Preto-Velho e nesse post vamos abordar Ibejadas.

A Ibejada é a Legião das Crianças da Umbanda. Ela é liderada pelos santos Cosme e Damião e faz parte da linha dos santos ou linha de Oxalá. O termo Ibejada vem de Ibejis, Orixás gemeos que foi sincretizado com todos os santos que também são irmãos, Cosme e Damião e Crispin e Crispiniano. Por isso no Brasil esses santos tornaran-se protetores das crianças, embora não tenham esse significado em outros paízes.  No candomblé, os Erês são a personificação infantil, ligadas aos Orixás, por isso é muitas vezes confundido com os espíritos das crianças, as Ibejadas.

Os pontos cantados se referem muitas vezes a espíritos específicos, chamados por seus nomes: Estrelinha, Formiguinha, Faísca, Cosminho, etc. Também é comum a reverência a Doun que às vezes parece ao lado de Cosme e Damião como uma terceira criança menor que os gêmeos. Na África Doú é a criança que nasce logo após um par de gêmeos. Como estes são considerados muito especiais, o irmão que vem logo depois deles participa um pouco de seus poderes.

A legião Ibejada se divide em sete falangens: Falange Tupãzinho, relacionada à linha de Oxóssi, é formada por espíritos indiozinhos, habitantes das matas; Falange de Doun, realiza curas e habita, praias e jardins; Falange de Alabá, relacionada á linha de ogun, é formada por espíritos infantis que vivem nas cachoeiras e no mar e interferem em lutas e demandas; Falange de Dansu, relacionada à linha de Xangô, é formada por espíritos da natureza, dos temporais e das tempestades, que vivem em pedreiras e cachoeiras; Falange de Sansu, espíritos de meninas, ligadas a Yemanjá; Falange de Damião ou Cipriano, trabalha com Doun; Falange de Cosme ou Crispin, relacionada à linha de Oxalá, cuida de crianças e habita os jardins floridos. Apesar de serem espíritos muito brincalhões, como todas as crianças, as Ibejadas são poderosas e agem como anjos da guarda das pessoas. Como são muito próximas a Oxalá, que  trata como seus filhos diletos, seus pedidos são sempre atendidos por todos os Orixás. Por isso, a Ibejada é uma das falanges mais consultadas na Umbanda.

A festa das Crianças é realizada um dia depois do dia de Cosme e Damião que é dia 26 de setembro. A força da festa de Cosme e Damião foi tão grande que muitos pensam que Cosme Damião, santos católicos é dia 27 de setembro. A tradição das festas de Ibejadas, levam as pessoas a fazerem promeças para as crianças e conseguindo o desejado, fazem 7 saquinhos com 7 doces sortidos e dar para 7 crianças pobres na rua. Isso se popularizou a tal ponto que os saquinhos se multiplicaram, os presentes se multiplicaram, e milhares de pessoas saem as ruas para “pegar doce” e muitos para dar doce e pagar suas promessas. Poucos são os que nunca ganha ou um saquinho de doce.

Vale ressaltar que esse meu trabalho de pesquisa se deve seis pequenos livros que foram lançados pela editora Pallas na década de 70 e muito bem reorganizados e condensados por Eneida D. Gaspar da editora Pallas.

Salve Ibejadas!

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