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Archive for the ‘Cerimónias/Rituais’ Category

Ibejadas

Ègbé,

Dando continuidade aos textos sobre as entidades da nossa querida Umbanda, já falamos de Caboclo, Preto-Velho e nesse post vamos abordar Ibejadas.

A Ibejada é a Legião das Crianças da Umbanda. Ela é liderada pelos santos Cosme e Damião e faz parte da linha dos santos ou linha de Oxalá. O termo Ibejada vem de Ibejis, Orixás gemeos que foi sincretizado com todos os santos que também são irmãos, Cosme e Damião e Crispin e Crispiniano. Por isso no Brasil esses santos tornaran-se protetores das crianças, embora não tenham esse significado em outros paízes.  No candomblé, os Erês são a personificação infantil, ligadas aos Orixás, por isso é muitas vezes confundido com os espíritos das crianças, as Ibejadas.

Os pontos cantados se referem muitas vezes a espíritos específicos, chamados por seus nomes: Estrelinha, Formiguinha, Faísca, Cosminho, etc. Também é comum a reverência a Doun que às vezes parece ao lado de Cosme e Damião como uma terceira criança menor que os gêmeos. Na África Doú é a criança que nasce logo após um par de gêmeos. Como estes são considerados muito especiais, o irmão que vem logo depois deles participa um pouco de seus poderes.

A legião Ibejada se divide em sete falangens: Falange Tupãzinho, relacionada à linha de Oxóssi, é formada por espíritos indiozinhos, habitantes das matas; Falange de Doun, realiza curas e habita, praias e jardins; Falange de Alabá, relacionada á linha de ogun, é formada por espíritos infantis que vivem nas cachoeiras e no mar e interferem em lutas e demandas; Falange de Dansu, relacionada à linha de Xangô, é formada por espíritos da natureza, dos temporais e das tempestades, que vivem em pedreiras e cachoeiras; Falange de Sansu, espíritos de meninas, ligadas a Yemanjá; Falange de Damião ou Cipriano, trabalha com Doun; Falange de Cosme ou Crispin, relacionada à linha de Oxalá, cuida de crianças e habita os jardins floridos. Apesar de serem espíritos muito brincalhões, como todas as crianças, as Ibejadas são poderosas e agem como anjos da guarda das pessoas. Como são muito próximas a Oxalá, que  trata como seus filhos diletos, seus pedidos são sempre atendidos por todos os Orixás. Por isso, a Ibejada é uma das falanges mais consultadas na Umbanda.

A festa das Crianças é realizada um dia depois do dia de Cosme e Damião que é dia 26 de setembro. A força da festa de Cosme e Damião foi tão grande que muitos pensam que Cosme Damião, santos católicos é dia 27 de setembro. A tradição das festas de Ibejadas, levam as pessoas a fazerem promeças para as crianças e conseguindo o desejado, fazem 7 saquinhos com 7 doces sortidos e dar para 7 crianças pobres na rua. Isso se popularizou a tal ponto que os saquinhos se multiplicaram, os presentes se multiplicaram, e milhares de pessoas saem as ruas para “pegar doce” e muitos para dar doce e pagar suas promessas. Poucos são os que nunca ganha ou um saquinho de doce.

Vale ressaltar que esse meu trabalho de pesquisa se deve seis pequenos livros que foram lançados pela editora Pallas na década de 70 e muito bem reorganizados e condensados por Eneida D. Gaspar da editora Pallas.

Salve Ibejadas!

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Prezados leitores

Um tema tão complexo quanto misterioso, minha idéia é sintetizar um mínimo entendimento sobre um dos Orôs mais respeitados e tradicionais nas casas de candomblé Ketu/Nagô, o ritual das “Águas de Oxalá”.

Esse ritual anual de purificação, renovação, pode ser considerado um “rito de passagem”, o fim e o começo, um novo ciclo, reverencia a presença da água, fonte primordial da vida, que se apresenta em todos os rituais da Religião dos Orixás. A Água é enobrecida na abertura do calendário, com os ritos de Orixan’lá, como procedência de Orí no Ayê – Iyá Omí Olorí – mãe de Orí, uma antiga divindade das águas, a deusa que se assenta na fonte de origem, simbolicamente, um banco, cadeira de espelho no umbigo do mar, no seio das águas, lugar simbólico da transformação. Mãe Ancestral. A celebração do Orixá é precedida de uma meticulosa preparação, interação e durante 16 dias.

Oxalá representa a pureza, Obatalá, O rei do Imaculado ou O rei do Branco, não existirá outra cor durante os 16 dias na liturgia das Águas se não, o “Branco,” dentro do terreiro e a todos que lá chegarem, a retidão e o silêncio tomarão conta do Axé, tudo deverá estar limpo, a preocupação com as roupas que deverão estar alvas, engomadas e perfeitas. Do portão de entrada do terreiro até a porta do barracão e demais dependências, será estendido sobre nossas cabeças uma peça ou mais de morim branco, cobrindo como um teto os Orís de todos. Na maioria das casas, o ritual começa na madrugada da sexta-feira com a confecção do baluwê (pequena cabana feita com bambús e de folhagens de coqueiros, pitombas, etc) o ajubó do Oxalá mais velho será posicionado sobre uma enorme bacia, outros assentamentos de Oxalá podem ficar ao lado acompanhando o velho Orixá, permanecerão até o 2º domingo das águas quando então Oxalufan volta para sua casa. Começará então a procissão de ir no rio ou na fonte pegar água fresca, cada um com seu pote, jarro ou quartinha sobre seus Orís para depois levarem até a cabana de Oxalá e lá a Iyalorixá ou Babalorixá estará esperando todos e em ordem hierárquica, receberá as quartinhas com água e lavará o Orí de cada um, colocando um Obí no Orí cobrindo-o com um ojá. Esse ritual é feito em todos que se encontrarem na casa, abians, iniciados e visitantes, sem excessão, o Orí se renova. Retorna-se ao rio ou fonte mais algumas vêzes dando seguimento ao osé de Oxalá.

O ritual em algumas casas mais tradicionais é feito em quatro momentos e seguida de três domingos subsequentes com festas e grande orô. Os domingos de festa cumprem uma etapa fundamental das obrigações, o ciclo se realiza ao se reviverem durante os 16 dias o caminho mitológico do Orixá nos três domingos e tudo começa na saudação a Orixan’lá bem cedo em em frente ao seu Ojubó na cabana, todos prostados com o Orí sobre os punhos em formato de pilão, rezando e saudando o Orí ( Orí Aperê o).

1º Domingo-Festa de Oduduwá (ancestralidade- A Terra).
O caminho do Orixá, a paz silenciosa toma conta de tudo, as roupas alvas, a alimentação sem sal por 16 dias o ajeum funfun estará presente. O ciclo do primeiro domingo se fechará num orô somente com Orixás funfun em roda e os omolorixás da casa no toque tradicional do batá em celebração a Oduduwa ao mais antigo Orixá funfun.

2º Domingo- Festa de Oxalufan (ancestralidade- O Alá).
Continua o preceito e neste dia bem cedo antes do xirê, os assentamentos, cabaças e axés voltam para sua “Casa”, ao som de cantigas e revoadas de pombos brancos soltos por egbomis, um grande Alá acompanha o Orixá em seu retorno que passará para reverencias no Ilê Ibô Akú (casa de antigos ancestrais) e também na casa ou quarto de Yemanjá. Terminado a caminhada em sua casa ou quarto, o Grande Oxalufan descansará e as Iyás arrumarão seu ajubó entoando cantigas em tom baixo em respeito e devoção. Mais tarde na festa, o xirê se repetirá em roda, muito Ebô, o rítmo Igbí, Babá Daribô com seu Opaxorô nos brindará dançando ao som de cantigas toda sua odisséia.

3º Domingo- Festa de Oxaguian (Ancestralidade- O Pilão).
Orisagiyan é o Elemoaxó funfun, cantigas mais aceleradas e a dança do Guerreiro do universo, do Pai Senhor da Guerra à Paz. Aparecem as contas com seguí, símbolo que o dignifica como único Orixá funfun Ajagunan. A raiz de inhame é o elemento que se apresenta da cozinha direto para o barracão, como prato do preceito, em bolas de inhame pilado, alimento de expansão do Axé, o simbolismo da Tradição dos Orixás. . Cantigas lembraram os ritos do atorí e vários atoris são distribuidos pela Iyalorixá ou Babalorixá que dá início tocando em Oxaguian e depois vão tocando uns aos outros na roda de forma hierárquica em que do mais velho Oxalá ao mais novo iniciado da casa participam até que todos tenham sido tocados por Oxaguian. O ciclo e todas as festividades das Águas de Oxalá, de renovação da existência e expansão do Axé será encerrado formando novamente a roda e fazer o encerramento com a cantiga em reverencia Olodumare.

Axé.

Por Fernando D’Osogiyan

Pesquisa no livro de Maria das Graças de Santana Rofrigué- Orí Aperê – Mestre em Ciência da Religião PUC-SP. Pedagoga pela Universidade Católica de Salvador- Omolorixá do Asé Opo Afonjá-Bahia

Acervo cultural Asé Òsòlùfón-Íwìn-Guapimirim/RJ

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egum

Egum ou Egum-gum em Nagô, quer dizer Osso. Mas o seu significado é mais amplo, significando também “alma de pessoa morta”.

Assim, Egum, é o espírito de uma pessoa falecida. Por esta razão, não recebe o mesmo tratamento que um Orixá. 

Os Caboclos e Pretos Velhos são Eguns, no entanto, embora espíritos de pessoas falecidas – índios de qualquer tribo ou africanos de qualquer nação.

No Candomblé, os Caboclos são recebidos, reverenciados e respeitados dentro dos terreiros. São espíritos de muita luz, que na sua rusticidade e simplicidade, são possuidores de grande luz espiritual, muita sabedoria e força. Na sua sabedoria, aparentemente ingénua, eles ensinam grandes verdades e dão conselhos sábios e dignos dos mais elevados Mestres. 

Estes espíritos, apresentam-se nos terreiros durante as celebrações a eles dedicadas, porque esta foi a forma que escolheram de continuar a sua evolução, ajudando e trabalhando sempre em prol do bem.

Mas, o Egum, propriamente dito, é um espírito de outra categoria. Não desce em missão de trabalho. Muitas vezes, até inconscientemente, são prejudiciais ao próximo. Daí serem imediatamente afastados.

Por esta razão, a casa de Egum é sempre situada fora do terreiro de Candomblé.

Em alguns terreiros de Candomblé, realiza-se anualmente a festa para os Eguns, a alma dos Babalorixás, Yalorixás, ou Filhos de Santo do terreiro, já falecidos. São também nessa ocasião reverenciadas as almas dos Ogãs ou de pessoas que tenham exercido posição de destaque dentro do Ilê. 

A Festa de Egum tem por finalidade, não só prestar-lhes uma homenagem, como ajudá-los a ocupar o seu lugar dentro da casa de Egum. Muitas vezes acontece que eles não se “compenetram” da sua condição. Normalmente, só ao fim de sete anos de morte, recebida a homenagem, é que eles ocupam o seu lugar. 

A casa de Egum é indispensável em qualquer terreiro, embora possam não o festejar. Mas, devem ser servidos e tratados. É normalmente uma casa pequena, onde são colocados recipientes contendo alimentos. As louças usadas, de um modo geral, são louças quebradas, que simbolizam a vida que se partiu.

Não se faz festa de Egum dentro do terreiro, onde são festejados os Orixás. Estas festas são realizadas ao ar livre. Nessas ocasiões, geralmente, observa-se o fenómeno de materialização de alguns Eguns, daí a seriedade e responsabilidade da cerimónia realizada.

Como em qualquer outra cerimónia, a Festa de Egum também começa pelo Padê de Exú. Em seguida, canta-se para todos os Orixás, oferecendo cada um dos presentes, uma moeda por cada Orixá que é invocado, sendo estas colocadas numa panela de barro que se encontra no centro, e em torno da qual se canta e dança.

Terminados os cânticos para os Orixás, inicia-se então a Festa para Egum. Antes de iniciar os cânticos, todos os filhos da pessoa morta – para quem se vai cantar – devem voltar-se em direcção à casa de Egum e pedir licença a quem a “fez” no Santo.

Durante toda a cerimónia, os Ogês ou Anixás seguram uma vara listada de preto e branco, o Ixã, com o qual procurarão conter os Eguns, em caso de necessidade.

 Ninguém pode sair antes de terminar a Festa de Egum, sob pena de poder ser prejudicado por Eguns que se encontrem na proximidade, sendo que isto também constituiria um acto de desrespeito a todos eles. Os Eguns são também os nossos antepassados, que devemos sempre respeitar.

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iyawoefect

O sacerdócio e organização dos ritos para o culto dos orixás são complexos, com todo um aprendizado que administra os padrões culturais de transe, pelo qual os deuses se manifestam no corpo de seus iniciados durante as cerimónias para serem admirados, louvados, cultuados. Os iniciados, filhos e filhas-de-santo (iaô, em linguagem ritual), também são popularmente denominados “cavalos dos deuses” uma vez que o transe consiste basicamente em mecanismo pelo qual cada filho ou filha se deixa cavalgar pela divindade, que se apropria do corpo e da mente do iniciado, num modelo de transe inconsciente bem diferente daquele do kardecismo, em que o médium, mesmo em transe, deve sempre permanecer atento à presença do espírito. O processo de se transformar num “cavalo” é uma estrada longa, difícil e cara, cujos estágios na “nação” queto podem ser assim sumariados:

Para começar, a mãe-de-santo deve determinar, através do jogo de búzios, qual é o orixá dono da cabeça daquele indivíduo (Braga, 1988). Ele ou ela recebe então um fio de contas sacralizado, cujas cores simbolizam o seu orixá (ver Anexo), dando-se início a um longo aprendizado que acompanhará o mesmo por toda a vida. A primeira cerimónia privada a que a noviça (abiã) é submetida consiste num sacrifício votivo à sua própria cabeça (ebori), para que a cabeça possa se fortalecer e estar preparada para algum dia receber o orixá no transe de possessão. Para se iniciar como cavalo dos deuses, a abiã precisa juntar dinheiro suficiente para cobrir os gastos com as oferendas (animais e ampla variedade de alimentos e objectos), roupas cerimoniais, utensílios e adornos rituais e demais despesas suas, da família-de-santo, e eventualmente de sua própria família durante o período de reclusão iniciática em que não estará, evidentemente, disponível para o trabalho no mundo profano.

Como parte da iniciação, a noviça permanece em reclusão no terreiro por um número em torno de 21 dias. Na fase final da reclusão, uma representação material do orixá do iniciado (assentamento ou ibá-orixá) é lavada com um preparado de folhas sagradas trituradas (amassi). A cabeça da noviça é raspada e pintada, assim preparada para receber o orixá no curso do sacrifício então oferecido (orô). Dependendo do orixá, alguns dos animais seguintes podem ser oferecidos: cabritos, ovelhas, pombas, galinhas, galos, caramujos. O sangue é derramado sobre a cabeça da noviça, no assentamento do orixá e no chão do terreiro, criando este sacrifício um laço sagrado entre a noviça, o seu orixá e a comunidade de culto, da qual a mãe-de-santo é a cabeça. Durante a etapa das cerimónias iniciáticas em que a noviça é apresentada pela primeira vez à comunidade, seu orixá grita seu nome, fazendo-se assim reconhecer por todos, completando-se a iniciação como iaô (iniciada jovem que “recebe” orixá). O orixá está pronto para ser festejado e para isso é vestido e paramentado, e levado para junto dos atabaques, para dançar, dançar e dançar.

No candomblé sempre estão presentes o ritmo dos tambores, os cantos, a dança e a comida (Motta, 1991). Uma festa de louvor aos orixás (toque) sempre se encerra com um grande banquete comunitário (ajeum, que significa “vamos comer”), preparado com carne dos animais sacrificados. O novo filho ou filha-de-santo deverá oferecer sacrifícios e cerimónias festivas ao final do primeiro, terceiro e sétimo ano de sua iniciação. No sétimo aniversário, recebe o grau de senioridade (ebômi, que significa “meu irmão mais velho”), estando ritualmente autorizado a abrir sua própria casa de culto. Cerimônias sacrificiais são também oferecidas em outras etapas da vida, como no vigésimo primeiro aniversário de iniciação.

Quando o ebômi morre, rituais fúnebres (axexê) são realizados pela comunidade para que o orixá fixado na cabeça durante a primeira fase da iniciação possa desligar-se do corpo e retornar ao mundo paralelo dos deuses (orum) e para que o espírito da pessoa morta (egum) liberte-se daquele corpo, para renascer um dia e poder de novo gozar dos prazeres deste mundo.

In: Herdeiras do Axé por Reginaldo Prandi

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Olùgbàjẹ

Olubajé é um ritual anual para Obaluaiê e só é feito em casas de Candomblé, sendo obrigatório em casas onde haja feito um Yawo de Obaluaiyê há menos de sete anos ou o próprio Zelador ou Zeladora seja deste Orixá.
Olubajé é uma palavra de origem Iorubana e significa Olú : Aquele Que; Ba : Aceita; Je : Comer.

Olubajé

Diz uma lenda que Xangô, um Rei muito vaidoso, deu uma grande festa em seu palácio e convidou todos os Orixás, menos Obaluaiyê, pois as suas características de pobre e de doente assustavam o rei do trovão. No meio do grande cerimonial todos os outros Orixás começaram a notar a falta do Orixá Rei da Terra e começaram a indagar o porquê da sua ausência, até que um deles descobriu de que ele não havia sido convidado.
Todos se revoltaram e abandonaram a festa indo a casa de Obaluaiyê pedir desculpas, Obaluaiyê recusava-se a perdoar aquela ofensa até que chegou a um acordo; daria uma vez por ano uma festa em que todos os Orixás seriam reverenciados e este ofereceria comida a todos desde que Xangô comesse aos seus pés e ele aos pés de Xangô.
Nascia assim a cerimónia do Olubajé. Porém, existem diversas outras lendas que narram outros motivos sobre o porquê de Xangô e Ogum não se manifestarem no Olubajé.

Aqui vou contar um resumidamente o que acontece nessa cerimónia:
Nesse dia todo o terreiro se encontra ornamentado na cor deste Orixá, Obaluaiyê – devo ressaltar que essa é a única cerimónia dentro do Candomblé que dispensa o Ipadé de Exú.
Chega a hora e o Babalorixá ou a Yalorixá faz soar o adjá, forma-se uma fila indiana, trazendo panelas de barro ornamentadas com faixas, todas elas contendo as comidas de todos os Orixás com excepção da comida do Orixá Xangô; à frente estará a Yalorixá ou o Babalorixá seguida por uma filha de Iansã, carregando uma esteira, uma outra com um pote na cabeça contendo a bebida sagrada das cerimónia chamada de Aluá, mais uma com um vasilhame de barro cheia de Ewe Lara (folha de mamona) a qual servirá de prato para as comidas; logo em seguida mais 21 pessoas ou 7 – estes são os números das comidas oferecidas – transportarão vasilhames de barro à cabeça, trazendo-os para o centro da sala, onde serão colocados sobre a esteira, formando assim a mesa do banquete.

É importante ressaltar que todos, como numa cerimónia de um Bori, inclusive os assistentes, deverão estar descalços.

Em seguida, três dos iniciados mais antigos servem as comidas, colocando um pouco de cada uma das comidas existentes no banquete sobre uma folha de mamona que serve de prato. Todos os presentes na cerimónia devem comer um pouco de cada uma das comidas, utilizando apenas as mãos para comer, e é também obrigatório que todos dancem ao som das músicas e cantigas que vão sendo entoadas em louvor do Orixá.
Todos batem palmas pausadamente – paó – saudando Obaluayê. Com voz forte e cheia de entusiasmo, esta frase melodiosa ecoa:

Omulú Kíí bèrú já__Kòlòbó se a je nbo
Kòlòbó se a je nbo__Kòlòbó se a je nbo__Aráayé.
Omulú não tem medo dde guerras,.
Na pequena cabaça traz a comida do ebó.

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Inhames Novos

Para falar sobre o Pilão de Oxalá (ou Festa dos Inhames Novos), não nos podemos esquecer de uma das lendas, que abaixo descrevo, como também não devemos, ao efectuar tal celebração, deixar que algum participante desonre a mesma entrando na roda feita com roupa de outra cor a não ser a branca.

A Lenda:

Orixá Olufón  morava com o filho Orixá Ògiyán. Quando resolveu visitar o outro filho, Xangô, Ifá disse que ele correria perigo na viagem; mandou levar 3 mudas de roupa, sabão e ori (creme de dendê); e recomendou que não brigasse com ninguém. Na viagem, Orixá Olufón  encontrou Exú Elepó, que o abraçou e sujou de dendê; controlando-se para não brigar, ele lavou-se, vestiu roupa limpa e despachou a suja com ori. Isso repetiu-se com Exú Eledu, que o sujou de carvão, e com Exú Aladi, que o sujou com óleo de caroço de dendê. Adiante, encontrou um cavalo que havia dado ao filho Xangô; quando o pegou, os criados de Xangô chegaram, pensaram que ele estava a roubar o animal e colocaram-no na prisão, onde ficou por 7 anos. Nesse tempo, o reino sofreu seca, os alimentos acabaram e as mulheres ficaram estéreis. Ifá disse que a causa era a prisão de um inocente. Xangô mandou revistar as prisões e reconheceu o pai. Ele mesmo o lavou e vestiu, e então o reino voltou a ser próspero.

Motivo deste Festejo

Orixá Ògiyán era um guerreiro impetuoso e protector dos Fùlàní, e sempre se altera com outros Orixás, com Omulú em particular. É também conhecido como Elémòsò, um nome ligado à história de Ogbómònsó, lugar onde se faz o culto a Orixá Pópó. Os antigos relatos dizem que quando Òrànmíyàn se dirigia para Meca a fim de vingar a morte de Lámúrúdù, pai de Odùdúwà, ele se desvia de sua rota e funda a antiga Òyó. Muitos membros da sua família o seguiam, entre eles Akínjole, um dos filhos de Ògiriniyán, o mais jovem dos filhos de Odùdúwà. Este Akinjole funda Èjigbò e passa a ser intitulado Eléèjìgbò e denominado Oxaguiã ou Ògiyán, por gostar muito de inhame pilado (Iyán).

A procissão inicia-se no local onde fica o Ibá de Oxalá, os apetrechos são trazidos ao barracão pelas Abòrìsàs, O destaque é para um banquinho e o pilão envoltos num tecido branco, e algumas pessoas que levam um Alá sobre os mesmos. (todos convidados permanecem em pé); os apetrechos são levados aos pontos principais da casa (porta, centro do Ilê e os atabaques); em local pré-estipulado é colocado o banquinho e à sua frente o pilão. O dirigente da festa inicia a entoar cantigas louvando o Dono do pano Branco (Oxalá), o qual através do corpo de um escolhido se faz presente; ele dança à frente do pilão e comemora a volta de seu pai Orixá Olufón, as suas terras, e redime-se perante ele do erro cometido pelos súbditos do Oba Koso (Xangô). Alguns atoris (varas) são distribuídos a membros importantes dentro da religião. Estes, por sua vez. Saem tocando os ombros dos presentes, relembrando a guerra ocorrida em Ejigbò; momento em que vários Orixás se manifestam para participarem da alegria de Oxalá, culminando o final da festa onde todos se retiram excepto Xangô que leva consigo o pilão usado nos festejos.

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carybe_oferenda

O que é um Ebó?
São rituais que visam corrigir várias deficiências na vida de um ser humano (saúde, amor, prosperidade, trabalho profissional, equilíbrio, harmonia familiar, etc.) A composição de cada Ebó depende da sua finalidade, e os seus componentes vão desde bebidas a frutas, folhas, velas, adornos, alimentos secos, mel, óleo de palma, louças, artefactos de barro ou ágata., etc..

O que é uma Oferenda?
Chamamos oferendas aos rituais compostos de frutas, alimentos, carnes, bebidas, flores, louças e adereços que servem para oferecer aos Orixás, como uma súplica para se alcançar uma graça, bem como para homenagear e cultuar um Orixá, de forma a fortalecer o nosso vínculo com o mesmo.

Cada Orixá tem os seus respectivos alimentos, as suas flores, as suas cores, as suas bebidas e a sua forma particular de culto, orações e invocações.

Conselhos: Ao fazer um Trabalho/Ebó, além da fé você deve:
1. Só utilizar material novo.
2. Nunca substituir um material por outro.
3. Usar somente o que a receita pede.
4. Ao fazer o trabalho, mantenha o pensamento firme no que você realmente deseja.

Atenção: Nunca faça um Trabalho/Ebó para desejar o mal de alguém, pois um pensamento negativo atrai para si essa má vibração. E, sempre que tiver o seu desejo realizado, lembre-se de agradecer, dessa forma, um universo de boas energias passará a “conspirar” por si.

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