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A árvore do Akoko é uma das mais importantes e sagradas do culto aos Deuses Africanos.

A folha do Akoko chegou ao Brasil por meio dos africanos que aqui aportaram e perpetuaram a sua cultura. Seu nome científico é Newboldia Laevis. Embora não seja uma árvore nativa do nosso País, é comum encontrar árvores de Akoko nos Terreiros de Candomblé do Brasil, sendo que suas folhas e tronco são indispensáveis para a nossa religião.

As folhas de Akoko são tão importantes, que são utilizadas para consagrar os títulos honoríficos e religiosos que os seguidores do Candomblé recebem. Uma antiga cantiga yorùbá, versa que não há título sem Akoko. Em outra cantiga diz que a consagração do título ocorre por meio das folhas de Akoko (Akoko Ewe Oye Akoko, Ewe Oye Ni….). Outra cantiga fala da ligação da sagrada ave Agbe com a árvore de Akoko, explicando a ligação dela com os títulos.

As folhas de Akoko são utilizadas em diversos rituais, bem como, o seu tronco. Os seus galhos possuem uma forte ligação com os ancestrais, uma cantiga discorre sobre isso “Olorun Olopa….”. Nesse caso, “Olopá” faz alusão aos galhos consagrados de Akoko para os ancestrais.

Há ainda, Divindades que moram aos pés dessa árvore. Na África, por exemplo, existem assentamentos de Ògún, o Deus Guerreiro, aos pés dessa árvore.

Não podemos aqui, falar sobre todas as utilidades da Árvore, Folhas, Tronco e Galhos do Akoko, mas, à exemplo do Igi Ope (Dendezeiro) é uma árvore que no Candomblé, todas as suas partes possuem uma importante função.

O Terreiro de Òsùmàrè espera ter contribuído um pouco, para o esclarecimento dos temas relacionados ao nosso Candomblé.

Nasce o termo Ìyàwò

O Odù Ogbè’Ògúndá revela:

Iton:

Ìyà era a filha de Oníwòó o rei de Ìwò. Ela era muito bonita e trabalhadora. Ela era muito querida por Oníwòó. No entanto, Oníwòó resolveu ativar sua opção de um companheiro para ela. Oníwòó queria se assegurar que qualquer um que quisesse casar com sua filha deveria ser paciente e não deveria perder o controle facilmente. Ele colocou a provo todos os pretendentes de sua filha e todos falharam. Òrúnmìlá então foi a alguns de seus estudantes para consultar Ifá e determinar se ele se casaria ou não com a filha de Oníwòó e também quis saber se a relação seria frutífera e feliz para os dois. Os estudantes o asseguraram que seria muito bom se ele entrasse neste projeto. No entanto ele foi aconselhado a ser muito paciente e não perder o controle. Ele estava informado que os pais de Ìyà colocariam muitas provas em seu caminho para determinar o nível e o tamanho de sua paciência. Então ele foi aconselhado a oferecer um galo, epo e dinheiro (tanto ele/a devem realizar ritual para Ifá com dois ratos, peixe e dinheiro). Ele cumpriu sua tarefa.

Quando Òrúnmìlá chegou ao palácio de Oníwòó, ele foi recebido calorosamente e foi convidado a ir para seu quarto dormir. Desconhecido de Òrúnmìlá o quarto era uma pocilga dos porcos de Oníwòó. Acima dele era onde as galinhas de Oníwòó ficavam. Òrúnmìlá foi mantido dentro deste quarto sem comida e sem água. Ele fedia muito e as galinhas defecavam sobre o seu corpo. Ele não saiu de seu quarto, não pediu comida ou água ele não pediu para tomar banho e limpar seu corpo.

No quarto dia, Oníwòó chamou Òrúnmìlá ao palácio, quando se apresentou ele estava completamente coberto de fezes e fedia terrivelmente. Ele perguntou se Òrúnmìlá havia desfrutado de sua estadia no seu quarto. Òrúnmìlá disse que o quarto era como se fosse um segundo palácio para ele. Ele pediu para Òrúnmìlá trocar de quarto e ficasse ao lado da cozinha, ele estava se afogando no calor e na fumaça.

Ele permaneceu no quarto durante outros três dias sem comida ou bebida, no quarto dia ele foi convidado para ir ao palácio na presença de Oníwòó. Oníwòó lhe perguntou se ele havia desfrutado de sua estadia no novo quarto. Òrúnmìlá disse que o quarto era muito agradável. Oníwòó pediu que Òrúnmìlá fosse alimentado pela primeira vez. Ele comeu da comida do rei.

O próximo quarto dado a ele estava cheio de água rançosa, vermes e insetos, ele não pôde dormir durante três dias e quando chegou o quarto dia pediram-lhe para deixar o quarto, ele tinha muitas picadas de inseto por todo seu corpo. Quando Oníwòó lhe perguntou se ele havia desfrutado sua estadia no novo quarto Òrúnmìlá respondeu afirmativamente.

Durante três meses Òrúnmìlá estava passando prova em cima de prova. Ele suportou tudo sem queixa. Os próximos três meses foram provas físicas, como reduzir árvores imensas, limpar grandes extensões de terra e carregar cargas pesadas por longas distancias de um lugar ao outro. Ele fez tudo sem queixa.

Depois disto Oníwòó convocou Òrúnmìlá para encontrá-lo, tomar um banho e trocar de roupa (presente do rei). Antes que ele fosse até a corte do palácio, ele descobriu que em todos os lugares as pessoas estavam muito felizes por ele e havia um clima festivo.

Todos estavam cantando, dançando e festejando. Oníwòó pediu a Òrúnmìlá que se sentasse ao seu lado, ele fez. Oníwòó entregou a mão de Ìyà como esposa de Òrúnmìlá. Oníwòó louvou a paciência de Òrúnmìlá e gentileza ao longo de todas as provas por que passou. Ele então pediu a Òrúnmìlá para cuidar de Ìyà, já que havia se mostrado capaz de tomar conta de uma mulher.

Òrúnmìlá estava cheio de alegria, ele havia tido êxito onde muitos haviam falhado. Ele então disse aos seus estudantes que todas as mulheres que se casassem com um homem e passassem a viver debaixo de sua capa deveria ser chamada de Ìyà-Ìwo ou Ìyàwò (o sofrimento de Ìwo). Ele chamou sua nova Ìyà-Ìwo de Èrè (os ganhos para o sofrimento do povo de Ìwo). Todos eles e também seu chefe.

Depois deste dia todas as noivas se tornaram conhecidas como Ìyàwò.

A raiva não é frutífera

Paciência é o pai do bom caráter

O ser superior possui tudo

Estas foram às declarações do oráculo de Òrúnmìlá

Quando ele ia buscar a mão de Ìyà (sofrimento).

A filha de Oníwòó (rei de Ìwò)

Ele foi aconselhado a oferecer sacrifício

Ele cumpriu.

Logo depois, não muito tempo depois.

Encontremo-nos em meio a todo iré

O sofrimento que Òrúnmìlá experimentou em Ìwó

Não merece pena.

Olhem minha Ìyàwò (o prêmio pelo sofrimento de Ìwó).

Ire Aláàfià;

Coletado em Ifá Dida 2.

Oluwo Popoola

Tradução Odé Gbàfáomi

Òdí’Ìrètè – Ìdin’Ìrẹtẹ – Idin-Amileke (Nomes deste Odù) diz:

Itọn:

Nos tempos em viagens missionárias de Ọrúnmìlá a terra yorùbá de Ọșogbo, ele se encontrou com Òşún. Ọrúnmìlá encontrou Òşún através de Alárè Ountoto que era o Baàlè (o chefe dos pagamentos) antes de se tornar conhecido em Ọșogbo. Ifá disse que Alárè Ountoto convidou Ọrúnmìlá para adivinhação e trabalhos espirituais.

Neste momento Alárè consultou Ifá através de Ọrúnmìlá para a paz, bem estar e tranquilidade de pagamentos. A divinação de Ọrúnmìlá ia descrever o ebo necessário para Alárè Ountoto. Ele manteve os rituais para o ebo. O ebo foi devidamente feito. Como esperado, as orações de Ọrúnmìlá se inflaram e as coisas mudaram para melhor em Ọșogbo.

Ọrúnmìlá ainda estava na casa de Alárè Ountoto quando Òşún ouviu falar dele e foi visitá-lo. Chegando a casa, Òşún consultou Ifá. Ọrúnmìlá lhe disse que seu problema era a falta de filhos e que a posse de seu marido e amor foi conseguida com inúmeros encantos e feitiços e isto era a causa da falta de filhos. Ọrúnmìlá disse à Òşún que para ter filhos ela deve deixar seu marido, Okokoro. Entretanto Okokoro era muito poderoso e organizava o pagamento de Ifá, Okokoro tem muitos encantos potentes e muitos feitiços para serem usados.

Òşún estava desesperada por filhos, ela estava preparada para assumir qualquer risco, mesmo que isto envolvesse a ira de seu marido. Òşún teve determinação para enganar seu marido. No entanto, enquanto ela estava pensando sobre as mensagens de Ifá, ela estava ao mesmo tempo cheia de admiração por Ọrúnmìlá. Ela decidiu propor amizade a ele. Ela disse à Ọrúnmìlá que havia gostado muito dele e propôs ser sua amante. Ọrúnmìlá concordou. As coisas começaram a acontecer. Alguns meses de aventura amorosa e Òşún engravidou, não de seu marido, mas de Ọrúnmìlá.

A gravidez de Òşún era muito inquietante para seu marido Okokoro. Antes disso, Okokoro recebeu informações e muitas dicas sobre o que se passava entre sua esposa Òşún e Ọrúnmìlá. Como resultado desta gravidez ele decidiu desafiar Ọrúnmìlá para uma luta.

Okokoro estava seguro de seus poderes, encantos e magias. E que a figura de Ọrúnmìlá não seria problema por que tudo que ele precisava fazer seria lançar todos os feitiços e magias fortes em Ọrúnmìlá.

Durante o tempo das ameaças de Okokoro, Ọrúnmìlá havia deixado Ọșogbo para ir a outro lugar de acordo com seu trabalho missionário.

Quando Alárè Ountoto quis fazer nova consulta a Ifá, ele mandou aviso para Ọrúnmìlá, no entanto, antes de partir de Ọșogbo, ele já havia ouvido falar das más intenções de Okokoro contra ele. Típico de Ọrúnmìlá, ele estava tranquilo.

Quando chegou a Ọșogbo, como de costume, ele ficou na casa de Alárè Ountoto. A notícia de sua chegada espalhou-se rapidamente. Como um morador da cidade Okokoro ouviu a notícia e foi ao encontro de Ọrúnmìlá. Ele encontrou Ọrúnmìlá. Ele desafiou Ọrúnmìlá para uma luta, porém, encontrou uma parede de pedra. O fato de Ọrúnmìlá nem demostrar que sua presença era importante o enfureceu e ele não perdeu tempo soltando seus feitiços perigosos em Ọrúnmìlá. As magias e feitiços que foram lançadas por Okokoro tornaram Ọrúnmìlá mais forte, porém, ele seguiu lançando.

Inicialmente Ọrúnmìlá estava calmo e tranquilo, quando Okokoro começou a se enfurecer, porém, quando ficou claro que Okokoro não venceria, Ọrúnmìlá determinou a ele parar com a luta e ao mesmo tempo ele o transformava em um rio. Okokoro imediatamente foi transformado em um rio. Este rio tornou-se conhecido como Odò Okokoro. Odò Okokoro é um rio muito conhecido em Ọșogbo. A transformação misteriosa de Okokoro em rio significava que Òşún estava livre dele. Assim ela propôs casamento a Ọrúnmìlá. Ọrúnmìlá aceitou e eles se casaram. Òşún deu muitos filhos a Ọrúnmìlá em Ọșogbo. O local onde Ọrúnmìlá e Òşún tiveram seu primeiro contato físico, mais tarde, foi designado como um local sagrado.

É conhecido como Idi Òşún, o centro de um igbà de Òşún. Este local, Idi Òşún, ainda mantém este nome em Ọșogbo.

Embora Ọrúnmìlá tivesse família em Ọșogbo, ele não estava ligado a esta terra. Ele continuou seu roteiro de trabalho missionário que o levou para fora de Ọșogbo e muitos outros lugares e povos em sua missão curativa.

Uma coisa era certa, de tempos em tempos ele estava em Ọșogbo, ele sempre enchia Òşún com medicamentos especiais de Ifá para que ela administra-se em seus numerosos clientes enquanto ele estava longe. Ọrúnmìlá sempre se assegurava que as medicinas (remédios) seriam suficientes até seu retorno a Ọșogbo. Estas medicinas especiais de Ifá normalmente eram em forma de agbo (chá medicinal, que também pode ser chamado de uma invenção nativa ou uma bebida). O uso deste agbo: bebida, banho ou guarda bênçãos.

O lugar designado para fazer este agbo se chamou Idi Oru e agora é um local sagrado em Ọșogbo.

O agbo que Ọrúnmìlá preparou para Òşún era particularmente muito poderoso e hábil para vários trabalhos de cura, durante sua ausência deste povoado. Este poder de cura trouxe Òşún para o foco, que sua proeza espiritual era sempre o assunto da cidade.

O reconhecimento do povo por Òşún foi trazido por Ọrúnmìlá que agregou respeito, por que as pessoas sabiam que seu poder e fama vieram pela graça especial de Ọrúnmìlá.

No entanto, enquanto a maioria dos cidadãos adorava Ọrúnmìlá e esperava ansiosamente sua próxima visita ao povoado, os Adahunse (Espiritualistas, clarividentes, os leitores de mão, herbalista e outros nesta linha) o odiavam. Seu ódio por Ọrúnmìlá vinha dele fazer com que todos do povoado viessem até ele para adivinhação e sanar seus problemas físico-espirituais, sempre que ele visitava Ọșogbo.

Em vez de trabalhar para melhorar os seus difíceis serviços espirituais e ganhar o respeito do povo, os Adahunse culpavam Ọrúnmìlá pela lentidão em seus ganhos sempre que Ọrúnmìlá visitava o povoado. Eles viram Ọrúnmìlá como uma grave ameaça a seus negócios. Conscientes de suas limitações espirituais, os Adahunse não poderiam se confrontar com Ọrúnmìlá por que ele superaria seus parcos poderes. Pior ainda, eles perceberam que qualquer confronto seria suicídio. Consequentemente eles marcaram uma reunião para decidir o que fazer com ele. Os Adahunse consideraram muitas opções, para adotar um plano contra Ọrúnmìlá fora de Ọșogbo, na próxima visita que ele fizesse.

Eles não poderiam fazer isto sozinho, eles precisariam da ajuda do Baàlè (o cabeça dos pagamentos). Felizmente para eles, Ọrúnmìlá sempre se alojou na casa do Baàlè e foi a ele que recorreram. Os Adahunse foram a Alárè Ountoto, seu Baàlè e contaram muitas histórias falsas sobre Ọrúnmìlá. Eles disseram que ele era muito imprudente em continuar a convidar Ọrúnmìlá para vir em Ọșogbo. Ao final da longa narrativa, eles persuadiram o Baàlè a dizer a Ọrúnmìlá que da próxima vez que viesse a Ọșogbo sua presença não era mais benvinda. Alárè Ountoto estava de acordo e lhe prometeu sua plena cooperação.

Uma vez mais era hora e tempo de Ọrúnmìlá visitar Ọșogbo. Quando ele chegou à cidade, ele foi direto, como de costume, aos aposentos do Alárè Ountoto. Alárè Ountoto não poderia mandar Ọrúnmìlá voltar imediatamente sendo ele querido por tanta gente. Devido a sua boa amizade ele permitiu que ele passasse a noite em sua casa. De acordo com sua promessa, sem demora, ele foi até Ọrúnmìlá muito cedo na manhã seguinte e lhe disse que seus serviços não eram mais necessários e que ele deveria deixar sua casa e o povoado imediatamente. Ọrúnmìlá lhe pediu uma explicação para sua súbita decisão de mandá-lo embora de seus aposentos e da cidade. Ele disse que não tinha nenhuma explicação para lhe dar ou outra maneira de lhe falar que o queria fora de seus aposentos e da cidade. Sem argumento ou mais alguma informação Ọrúnmìlá arrumou suas coisas que eram basicamente seu adorno de Ifá e os colocou em seu Àmininjekun apo (sacola sagrada de Ifá). Entretanto ele decidiu pagar as pessoas com sua própria moeda antes de ir.

Ele pegou seu Òsòòrò Òpá (osun Ifá / Ifá pessoal) e o apontou para o òrun.

No momento em que fez isto, um eclipse súbito se apoderou do povoado inteiro e cada espirito vivo foi dormir imediatamente. Ọrúnmìlá amaldiçoou a cidade pela plenitude do seu tratamento ingrato e injusto para com ele através de seu Baàlè, Alárè Ountoto. Ele deixou a cidade e foi para outro lugar.

Òşún foi a primeira pessoa a ver os sentidos da esquerda de Ọrúnmìlá. Òşún olhou em volta e ficou assustada com o que viu.

Ela rapidamente supôs que uma calamidade havia se sobrepujado sobre a cidade. Ela também sabia que o que aconteceu estava acima de seus poderes, ela precisava mirar o òrun.

Porém, ela precisava mandar alguém chamar Ọrúnmìlá. Para fazer isso significava que ela teria que recorrer a seus escravos. Ela trabalhou freneticamente com alguns deles, porém, apenas um se prontificou. Ela se alegrou com o êxito por que ela não precisaria usar os escravos de Alárè Ountoto, ela ficou feliz em saber que não era a única pessoa acordada em toda a cidade. Ela enviou seu escravo aos aposentos do Alárè para ver Ọrúnmìlá. Como um vento ele correu até os aposentos do Alárè, porém, voltou para dizer a Òşún que Ọrúnmìlá já havia partido. Òşún supôs imediatamente que o fenômeno antinatural que ocorreu era um tipo de punição para alguma coisa que o povo da cidade tivesse feito. Ela também supôs que somente Ọrúnmìlá poderia controlar a situação. Correndo contra o tempo, Òşún correu em perseguição a Ọrúnmìlá e rastreava seu caminho pelas trilhas. Entre andar rápido e correr, Òşún alcançou Ọrúnmìlá no ponto em que ela estava para cruzar a fronteira de Ọșogbo para outro povoado. Ela se agarrou a Ọrúnmìlá e lhe disse que ela não permitiria que ele partisse sem que dissesse o que havia acontecido de errado. Ọrúnmìlá lhe disse que alguns Adahunse ficaram contra ele e ficou surpreendido com o conluio do Alárè Ountoto com eles. Ele concluiu que se os filhos e as pessoas queriam os Adahunse para eles, eles deveriam cuidar do que havia ocorrido com o povo. Òşún concluiu que Ọrúnmìlá era o único que poderia desfazer a calamidade. Ela começou rogando o perdão em nome de seu povo. Ela rogou e rogou.

Logo depois, Ọrúnmìlá rendeu-se e disse que antes dele reverter à maldição, o povo necessitava proporcionar eku, ejá e eran ao ìgbà que deveria ser: 200 eku, 200 bagres defumados e 200 cabras e muitas outras coisas como ebo para a expiação de sua falta de respeito com Ifá. Rapidamente todos os elementos ritualísticos foram proporcionados.

Ọrúnmìlá perdoou as pessoas de Ọșogbo e reverteu a maldição. Além disso, ele orou para Ọșogbo e seu povo. Com grande remorso as pessoas rogaram e persuadiram Ọrúnmìlá a regressar com eles ao povoado, porém Ọrúnmìlá se negou a ir. Ele lhes disse que tudo estaria em ordem e o povo estaria também salvo, de fato ele fez as pessoas experimentarem um pouco do ódio que os Adahunse sentiram dele como um lembrete. Ele disse que Ọșogbo seria uma ótima cidade, mas teria que lidar com o problema do ódio que nasce na inveja. Com este pedido Ọrúnmìlá partiu para Ilè Ifè e deixou Òşún cuidando de Ọșogbo.

Tão misteriosamente como o súbito eclipse que as pessoas experimentaram, segue crescendo na terra o local onde Ọrúnmìlá e Òşún resistiram inesperadamente. Òşún olha para baixo e pede a nação dela para explicar a água misteriosa de Ọrúnmìlá. Ọrúnmìlá lhe disse que ele acostumou a água a lavar a maldição que ele havia colocado no povo muito tempo atrás e que ele havia quitado esta dívida com o ebo que foi realizado. A água crescente logo se tornou um riacho, O riacho foi nomeado Odò Ikin-tu-okun (Ikin Ifá-Solta a corda).

O significado profundo de Ikin-tun-Okun é:

Ifá lava as negatividades e impurezas das pessoas.

Odò Ikin-tu-okun é muito conhecido como Odò Akintokun em Ọșogbo.

Este riacho é agora um riacho sagrado onde os Áwo de Ọșogbo realizam rituais.

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Importante!

Esta história sobre a relação de Ọrúnmìlá e Òşún nunca deverá ser usada fora de contexto.

Ọrúnmìlá é colocado na posição de condição humana, coisa que é feita na maioria dos relatos de suas histórias.

Por: Oluwo Solagbade Popoợlà

Os Itọn e Esè do Corpus Literário de Ifá pertencem a humanidade (Unesco).

Tradução Odé Gbàfáomi.

Axé Força vital que promove os acontecimentos.

É uma qualidade de energia latente mobilizada pelo aspecto sensível dinamizado nas relações, daí dizer que é doada.

Energia primordial que promove a vitalidade enraizada do ser humano com o que se tem de mais antigo dentro de si mesmo, o Orí.

É possível de ser “redistribuída” em ritual entre homens e mulheres que saibam conservá-la como dádiva do universo.

De forma sagrada é passada de mãe para filhos, todos a possuem; é relíquia de nascimento selada durante o parto.

Na cultura africana religiosa, esta energia se cultiva, cultua e renova numa dimensão religiosa.

O preceito da redistribuição do axé se estende ao fundamento de criar e manter as relações sagradas entre pessoas, amigos, ou entes que se amam.

Portanto, é considerada o arqueiro do amor entre os povos.

É o princípio que torna possível o processo vital.

O Axé é nutrido no âmago líquido, nas entranhas do nosso corpo, no sangue, força que sustenta e move a Tradição.

A palavra Axé também pode ser pronunciada e ouvida como forma de agradecimento e louvor.

Àse é transmitido através do hálito, do sopro e do contato físico e da energia espiritual.

Artigo de Maria Rodrigué/ Fernando D’Osogiyan

Àṣẹ.

Meu corpo, meu altar.

A igreja diz: o corpo é uma culpa. A Ciência diz: o corpo é uma máquina. A publicidade diz: o corpo é um negócio. E o corpo diz: eu sou uma festa”. Eduardo Galeano

Ver o nascimento do orixá, perceber o desenvolvimento da interação entre filhos e seus orixás e sentir em minha própria pele uma morada para Oyá me faz perceber na vivência religiosa atos de amor e devoção onde o divino, o sagrado, não está acima, não está ao meu lado: ele está em toda parte, inclusive dentro de mim, e faz do meu corpo, do corpo de todas as filhas de santo uma festa para si e para os que veem a chegada do orixá, a presença do orixá.

Nosso corpo é um altar e como altar precisa de cuidados e preparo para receber a energia que levanta nossos poros. É por isso que desde o princípio é o nosso corpo como um todo que recebe os devidos preparos para ser purificado e facilitar a manifestação e chegada do orixá. É interessante sentir e presenciar o começo do surgimento dessa relação: as primeiras dúvidas, os primeiros medos, as primeiras reações ao sentir o desconhecido palpitando no meio do peito, que com o tempo se tornará mais do que conhecido: se tornará natural, necessário, amado. O corpo se transforma. Aos poucos, a sensação que causara algum desconforto por ser desconhecida passa a ser uma sensação de entrega, de arrebatamento, de encontro com a energia que mais converge com a nossa própria energia individual. O momento de dar as mãos ao orixá e deixar que ele tome conta do nosso corpo e dite a sua própria dança, a sua própria história e traga para este mundo tão caótico, tão cansativo, a suspensão, ainda que momentânea, das dores, dos alvoroços no meio do peito, das agonias e preocupações tão cotidianas que nós estamos fadados a passar no dia a dia.

O meu corpo é um altar e sentiria falta de Oyá se ela me faltasse. E é para que ela não me falte que eu cuido dele, é para que ela não me falte que ele é cuidado periodicamente dentro dos rituais da minha casa, dentro dos nossos preceitos.

Percebo essa questão do corpo (e quando falo corpo também incluo a cabeça) como um elemento de suma importância desde a entrada da pessoa na religião até o seu processo contínuo de renovação de axé. E isso pode ser observado para onde os rituais são direcionados: primeiro se faz as limpezas, os ebós para transferir as energias negativas para os elementos utilizados e propiciar a abertura para as energias positivas, posteriormente a isso temos o ritual da lavagem de cabeça (dentro da minha raiz) que já pegará um corpo limpo para purificar ainda mais o elemento principal nosso: nossa cabeça, para assim continuar com os rituais que já foram predeterminados pelo jogo. Falo de maneira bastante superficial dessas etapas, pois cada um tem suas particularidades, mas já aqui podemos perceber que se o cuidado com o corpo é tão intenso e presente é porque ele passa a representar algo muito importante a partir do momento que decidimos nos ligar ao axé. Isso não significa que deverá haver algum tipo de celibato ou resguardo eterno, pois o corpo não é culpa, é também nosso e serve para nos propiciar prazer também. A alegria de viver está também dentro disso.

Quando falo do corpo espero que compreendam que não falo somente da parte física, material da questão. Quando atento para a importância do corpo não é só para o fato de que ele esteja “limpo” nos momentos em que deve estar. Falo do corpo como um elo, como um elemento que foi transformado num elo e é partir dele que estabelecemos o nosso contato, a nossa conexão com o orixá não somente através da manifestação, mas do pensamento, da reza, da fala, da conversa… Tudo isso gira em torno do nosso corpo, sai de nós.

Noto que há uma necessidade, uma busca incessante de conhecimento (e isso é muito bom), mas noto também que há uma falta de responsabilidade individual enorme entre adeptos e adeptas da religião. A minha ligação mais importante é com Oyá! Não é somente com a minha casa, não é somente com a minha mãe de santo. Se nós duas estamos bem, tudo fica bem, se não estamos outros tantos problemas surgirão. Nossos principais rituais visam a construção e fortalecimento desta ligação, mas se não nos comprometemos individualmente na hora do silêncio, na hora em que estamos sozinhos em recolhimento ou em reza essa ligação não criará essência e não vai ser somente tempo de feitura que nos fará construir isso. O cuidado é contínuo.

Axé,

Dayane de Oyá

 

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“Ka Nzo Ndombe”!!!

“Ka Ndombe”!!!

“Candomblé”!!!

Prometemos que a partir de julho voltaríamos com publicações quem tenham por objetivo, esclarecer alguns temas relacionados a Religião dos Òrìsàs e, para iniciar essa nova série de postagens, escolhemos falar sobre a origem do nome “Candomblé”, bem como, compreender o motivo que fez com que essa expressão fosse escolhida para denominar a Religião dos Deuses Africanos no Brasil, ao passo que essa denominação é desconhecida em terras yorùbá. Vale salientar que esse termo surgiu na Bahia, sendo que em outros Estados, o “Candomblé” originalmente recebeu outras denominações. Exemplificamos com o “Xangô” (Recife) ou Batuque (Rio Grande do Sul).

Há algumas teorias para a etimologia do termo “Candomblé”. Para nós, o que parece fundamentalmente plausível é que a expressão seja a corruptela de uma frase do idioma Kimbundo, falado em Angola por milhões de pessoas. A frase seria: “Ka Nzo Ndombe”.

“Ka Nzo Ndombe” significa em Kimbundo “Pequena Casa de Negros” ou “Pequena Casa de Nativos”. O “Ka” é utilizado como diminutivo. “Nzo” significa “Casa” (vide o nome de diversos Terreiros de origem Angola, que carregam em seus nomes a palavra “Nzo”) e por fim, “Ndombe” (Negro/Nativo).

Assim, acreditamos que o “Ka Nzo Ndombe” tornou-se “Ka Ndombe”, até popularizar-se como conhecemos e falamos hoje “Candomblé”.

Desse modo, não é difícil imaginar um grupo de negros provindos de Angola, dizer: “Vamos ao Ka Nzo Ndombe”. Afinal, eles deixaram como herança para o português do Brasil, uma infinidade de termos e expressões que tem na sua origem, o Kimbundo. Exemplificamos: “Marimbondo”, “Quitanda” (Kitanda), “Farofa” (Falofa) e tantas outras palavras.

Também não é difícil de imaginar, que nos primórdios do Candomblé na Bahia, os lugares de louvação aos Deuses Africanos fossem casebres em lugares distantes do comércio, onde se agrupavam os negros nativos, ou seja, “Ka Nzo Ndombe” (Pequena Casa de Negros/Nativos).

Mas fica a questão da razão da utilização de um termo Kimbundo para nomear uma religião, não somente dos negros de Angola, mas Yoruba, Dahome (Jeji), Egba, etc. Sobre isso, é importante destacar que no Brasil, originou-se um fenômeno de irmandade e de laços étnico-religiosos que no continente africano, a princípio era inexistente. Inexistente por questões como a distância física entre Angola e Nigéria (mais de 2 mil quilômetros), bem como, as disputas territoriais entre Nigéria e Dahome (Benin). Esse conglomerado religioso e de respeito mútuo emergente no Brasil, dificilmente pode ser imaginado no continente africano.

Isso é, sem dúvidas, um aspecto cultural que nos diferencia. Esse respeito e ligação entre os povos são identificados igualmente em alguns cânticos. Basta observar, como exemplo, aquele que se tornou um hino no Brasil para as casas de origem Yorùbá, que diz que os Filhos do Alaketu (Rei de Ketu) devem-se abraçar (…Omo Alaketu Famora…)

Essa união ora edificada pelos negros religiosos que aqui se estabeleceram responde a questão do surgimento do termo “Candomblé”, bem como, sua utilização por povos distintos à origem Angola. Mas se a expressão “Candomblé” nasceu no Brasil, qual então é o nome para a religião dos Òrìsàs em terra yorùbá? No ventre da nossa cultura, a Religião dos Òrìsàs é conhecida como “Isese Lagba” (Ixéxé Lagba) ou ainda como “Esin Ibile Yoruba”.

O Terreiro de Òsùmàrè espera ter contribuído um pouco, para o esclarecimento dos temas relacionados ao nosso Candomblé.

Que Òsùmàrè Araka abençoe todos com paz, saúde e felicidades!!!

Texto: Casa de Òsùmàrè

 ARONI

Na magnífica Religião dos Òrìsàs, acreditamos que existe um conjunto de espíritos que moram no âmago da floresta. Esse conjunto de espíritos é chamado de Ajáà. Um desses espíritos e, talvez, um dos mais temidos é Aroni, que mora na parte mais escura da floresta, onde mesmo a luz do sol não consegue penetrar.

Acreditamos que ele guarda seus poderes… em um pedaço de carvão vegetal, o qual ele usa para potencializar as propriedades mágicas das ervas. O conhecimento de Aroni acerca das propriedades mágicas e medicinais das folhas é gigantesco, prova disso, é que Aroni foi um dos mestres da botânica de Osanyin.

Aroni é temido até mesmo pelos Òrìsàs, primeiro pelo seu elevado conhecimento sobre a magia das folhas e, segundo, pelo seu aspecto inumano. Acreditamos que Aroni seja um espírito com cabeça e cauda de cachorro. Cremos, ainda que, em razão de Aroni sempre estar agachado à busca das ervas mais preciosas ele acabou ficando corcunda.

Existem histórias Nàgó que discorrem que quando alguém se atreve a entrar no âmago da floresta, sem oferecer as oferendas corretas e pronunciar os Ofós (palavras mágicas) corretamente, Aroni as toma para si. Nesse âmbito, Aroni pega essa pessoa que passa a morar com ele na parte mais escura da floresta e, com ele, aprende os segredos mais poderosos das folhas, sendo novamente devolvido para o convívio com a humanidade, somente após ter aprendido o uso e magias de todas as ervas.

Aroni fuma constantemente um cachimbo feito com a casca do Igbin, o qual ele também usa para potencializar as propriedades das folhas e encantar as pessoas que se deparam com ele.

Em verdade, a floresta é um lugar sagrado, mas muito perigoso e todo cuidado deve ser tomado ao adentrá-la, por isso, inúmeros preceitos são realizados para pode entrar na morada dessas Divindades.

Esperamos uma vez mais, ter contribuído para o esclarecimento e disseminação da nossa rica e importante cultura.

Texto: Terreiro de Òsùmàrè

Particularmente entendo que a magia Ossayin transcende e vai além, caipora, saci pererê, duente, anãozinho, etc, transforma-se e confunde, sua camuflagem está na poeira, num rastro, nos bolos de folhagens, nas sombras frias da floresta e participa ativamente na proteção da liturgia de um Axé. Assim podemos chamá-lo de Ossayin, Agué, Akaká,Agá, Aroni, Orô e tantos outros nomes. Dividi-se e sub-dividi-se com uma ou duas pernas ao mesmo tempo. Holá Ossaiyn! Um lagarto, um carijó, um bom vinho, cachimbinho de barro com fumo de rolo, mel, fradinho torrado, sapucaia, moedas. Ewé Ásà ò!

Texto: Fernando D’Osogiyan