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Comida dos Orixás.

Acaraje

Comidas rituais são as comidas específicas de cada Orixá, que para serem preparadas são submetidas a um verdadeiro ritual. Esses alimentos depois de prontos são oferecidos aos Orixás acompanhados de rezas e cantigas, durante a festa ou no final, em grande parte são distribuídas para todos os presentes, são chamadas comida de axé pois acredita-se que o Orixá aceitou a oferenda e impregnou de axé as mesmas.

Eis então algumas das principais comidas:

Abará  O abará tem a mesma massa que o acarajé: a única diferença é que o abará é cozido no vapor envolto na foçha de bananeira, enquanto o acarajé é frito.

Aberém é  feito de milho  moído, macerado em água, salgado e cozido em folhas de bananeira secas, oferecidas a Omulu e Oxumaré.

O Acaçá é feito com milho branco que fica de molho em água por um bom tempo, e depois passar no moedor para formar a massa que será cozida em uma panela com água, sem parar de mexer, até ficar no ponto. Ainda quente, pequenas porções da massa devem ser embrulhadas em folha de bananeira já limpa, passada no fogo e cortada em pedaços de igual tamanho e de forma piramidal.Todos os orixás recebem o acaçá como oferenda, é indispensávem e acompanha várias comidas dos Orixás. Tem também o acaçá vermelho feito com fubá de farinha que acompanha a mesa de Ogun, Ossãe e Oxóssi.

Acarajé

Comida principal do ritual do orixá Iansã. Na África, é chamado de àkàrà que significa bola de fogo, enquanto je possui o significado de comer. No Brasil foram reunidas as duas palavras numa só, acara-je, ou seja, “comer bola de fogo”..O acarajé é feito com feijão-fradinho, que deve ser quebrado em um moinho em pedaços grandes e colocado de molho na água para soltar a casca. Após retirar toda a casca, passar novamente no moinho, desta vez deverá ficar uma massa bem fina. A essa massa acrescenta-se cebola ralada e um pouco de sal. Para fritar, use um tacho com bastante azeite-de-dendê. O azeite deve estar bem quente antes de colocar o primeiro acarajé para fritar.Os primeiros 7 acarajés são oferecidos imediatamente a Exú na rua no portão de Casa. Além de Oyá, Xangô, Obá e Exú aceitam e apreciam o Acarajé.

Ado – é uma Comida ritual feita de milho vermelho torrado e moído em moinho e temperado com azeite de dendê e mel, é oferecido principalmente à Orixá Oxum.

Ajebo ou ajébo é comida ritual do Orixá  Xangô Aira, é feito com seis  quiabos cortado em “lasca”, batido com quatro clara de ovos e pode ser regado com gotas de mel de abelha e azeite doce. Há também o Abeoajebó para Oxalá que é batido sem nenhum ingrediente,

Amalá é comida ritual votiva do Orixá Xangô, Iansã, Ibeji e Obá, é feito com quiabo bem picado, cebola ralada, camarão seco ralado, sal, azeite de dendê.  Pode ser feito de várias maneiras para cada Orixá, inclusive no ritual de Ibeji é chamado de Carurú.

Axoxô  é como é conhecida a comida ritual do Orixá Oxóssi no candomblé  que consiste em milho vermelho cozido e enfeitado com fatias de coco sem casca.

Deburú – é a comida ritual do Orixá Obaluaiyê/Omolu, é o milho de pipoca estourado em uma panela forrda com areia da praia lavada e seca. Ao final, a pipoca é enfeitado com pedacinhos de coco. Pode-se forrar o alguidá com uma folha de mamona.

Ebô, palavra oriunda do iorubá, consiste num alimento religioso e votivo para os orixás funfun (branco) Oxalá, dentro das religiões afro-brasileiras. É o milho branco bem lavado, cozido sem tempero e sem sal.

Ebôya, pode-se utilizar o milho branco ou fava de iemanjá é uma comida ritual feito com fava cozido refogado com cebola, camarão, azeite de dendê ou azeite doce. Tem também o Dibô,feita com arroz branco cozido temperado com camarão seco, e cebola. Essas comidas são oferecidas para Yemanjá e também para o Orí substituindo o azeite de dendê pelo azeite doce.

Erã peterê  preparado com cubos de carne de boi de preferência 21 tipos de carne,refogada no dendê e cebola, prato que Ogun aprecia muito.

Ekuru é uma comida ritual. A massa é preparada da mesma forma que a massa do acarajé, feijão fradinho sem casca triturado, envolto em folhas de bananeira como o acaçá e cozido no vapor e sem sal, apreciado por Oxalá.

Farofa Farofa-de-dendê, farofa amarela, farofa vermelha, farofa de azeite ou farofa, farofa de cachaça, de água, farofa de ocvos, etc, vários orixás apreciam a farofa, menos Oxalá.

Furá, são bolas de farinha crua, farinha de milho, farinha de acarajé,etc. Tem também as bolas de Ixú (inhame do norte) muita apreciada por Oxaguiã .

 Ipeté

Ipeté, é uma comida especial de Oxun determinando o fim do ciclo de uma obrigação ou das águas, oferecida especialmente ao Orixa Oxun. Inhame, azeite de dendê, cebola ralada, gengibre, camarão sêco e sal.

Lelê –  milho vermelho, coco ralado, açúcar e leite de coco, muito apreciado por Odé, Oyá.

Omolocum – comida ritual da Orixá Oxum, é feito com feijão fradinho cozido, refogado com cebola ralada, camarão seco, sal, azeite de dendê ou azeite doce.Enfeitado com camarões inteiros e 5 ovos cozidos inteiros sem casca.

 Efó – é uma comida ritual e da culinária baiana , pode ser feita com a folha chamada língua de vaca ou com folha de mostarda.

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Candomblé Jêje

Dahomé, o berço da nação Ewe e fon, denominados Jêjes, no Brasil, enumeram-se em diversas tribos como os Agonis, Axantis, Gans, Popós, Crus etc. Os primeiros povos jêjes tiveram como destino São Luis do Maranhão, onde ainda se mantém vivas as tradições religiosas trazidas da terra mãe, África. Também se encontra o ritual jêje em Salvador, Cachoeira de São Félix, Pernambuco entre outros estados do Brasil como Rio Grande do Sul e São Paulo, que também importou os rituais desta nação.

O negro descendente do Dahomé, hoje Benin, trouxe consigo o culto à suas divindades chamadas Voduns, cujo Deus Supremo é Mawu , a quem são subordinados, assim como Olodumaré o Deus Supremo dos Orixás Yorubás. Diz a Mitologia Fon que Mawu tinha um companheiro chamado Lisa, e são filhos de Nana Buruku (ou Nana Buluku), a grande mãe criadora do mundo. Mawu era a Lua, que teve força ao longo da noite e viveu no oeste. Lisa era o Sol, que fez sua morada no Leste. Quando existia um eclipse dizia-se que Mawu e Lisa estavam fazendo amor. Eles eram pais de todos os outros Deuses. E existem catorze destes deuses, que eram sete pares de gémeos. Este relato é um mito do primeiro povo do Dahomé, os Fons.

O culto aos Voduns teve ênfase na Bahia, conhecido como Candomblé Jêje, e no Maranhão Tambor de Mina.

Nos terreiros mais influenciados pela mina jêje, o predomínio, em certos grupos, é de mulheres como filhas de santo. Os devotos têm que se submeter a longo processo de iniciação. Os detalhes dos rituais são pouco comentados, não há rituais públicos de iniciação; a cada comunidade, apenas duas ou três pessoas se dedicam ao ritual completo de iniciação. Em geral as Vodunsis dão poucas informações sobre os rituais relacionados com o culto, os segredos são mantidos a sete chaves.

Assim como os Orixás do Batuque, os Voduns incorporados, conversam com a assistência, dando bênçãos, conselhos, deixam recados e mantêm os olhos abertos. È comum no culto jêje fazer provas com os iniciados incorporados com os Voduns, como, por exemplo, mergulhar a mão no azeite de dendê fervendo.

Algumas casas de jêje tiveram influencias dos yorubás e vice-versa, formando o que se chama de cultura Jêje-Nagô. A exemplo do candomblé, as instalações dos terreiros contam com um barracão central para as danças, pequenas casas reservadas para as diferentes famílias de divindades, onde são mantidos os assentamentos. O forte sincretismo prevê, também a instalação de uma pequena capela com altar católico, há uma cozinha, quartos para dormir e se vestir e quarto onde os iniciados ficam recolhidos durante as obrigações. há também a casa de Legba, onde são feitas grandes obrigações.

A iniciação jêje requer um longo período de confinamento, que pode durar de seis meses a um ano de reclusão, onde um Vodunsi aprende as tradições religiosas jêje como: danças, cantigas, preparo das comidas sagradas, cuidar de árvores e espaços sagrados, votos de segredo e obediência. As entidades são assentadas, recebem sacrifícios de animais, comidas, bebidas e outros presentes. Os assentamentos são preparados em pedras, que representam um “imã” que tem a força do Vodun, e ficam guardadas no quarto de segredo recobertos com jarras, louças e ferramentas. Existem, também, assentamentos em outras partes da casa e do quintal marcados por árvores como a cajazeira, ginja e pinhão branco. È comum ter assentamentos no centro do barracão de danças; assim como em outras nações, no culto jêje também são feitos rituais de limpezas, banhos com ervas e muitas preces. Nos rituais antigos o contacto com os voduns dependia muito da vidência das Vodunsis, e a adivinhação era feita através da interpretação dos sonhos, consulta com os Voduns e exame da luz de velas, actualmente é comum o uso dos Búzios para consultar as divindades.

As casas de jêje, além do culto aos Voduns, também incorporam em seus rituais alguns orixás nagôs. O panteão jêje é numeroso, sendo os Voduns agrupados em famílias como: Dambirá, Davice, Savaluno e Queviossô.

As actividades religiosas requerem um extenso calendário com rituais reservados aos iniciados, e em festas públicas que duram um, três ou sete dias; no final das obrigações todos comem as comidas preparadas com a carne dos animais oferecidos em sacrifício às divindades.

Mawu é o ser supremo dos povos Ewe e Fon, criador do mundo, dos seres vivos e das divindades. Mawu (feminino) e Lissá (masculino) forman a divindade dupla Mawu-Lissá cujos Voduns são filhos e descendentes de ambos. Os principais Voduns são: Loko; Gu; Heviossô; Sakpatá; Dan; Agbê; Águé; Ayizan; Agassu; Legba e Fa.

A casa de jêje chama-se Kwe, e o local destinado ao culto dos Voduns é chamado Hunkpame, que é o templo onde está dentro a divindade; é chefiado por um sacerdote ou sacerdotisa, que são responsáveis pelos ensinamentos aos futuros Vodunsis.

No Rio Grande do Sul, os terreiros que ainda mantém firme a cultura Jêje, nota-se a conservação de certas obrigações, à exemplo, nos assentamentos de Ogum Avagã cujas ferramentas usadas são as mesmas para o assentamento de Gu no Dahomé, e algumas não tem o uso do okutá; e também há nomes de Orixás que usam o mesmo dos Voduns, como por exemplo Dã, cujo Orixá de uma famosa Yalorixá da nação Jêje chamava-se Dã e um outro antigo Babalorixá de Porto Alegre pertencente a esta mesma nação, tinha o assentamento de Sobô; (Sobô é nome de um Vodun do Dahomé). Dos pais e mães de santos actuais, da nação Jêje do Rio Grande do Sul, muitos desconhecem a palavra Vodun; deve-se este fato ao predomínio da nação Ijexá, de origem Yorubá que acabou absorvendo as demais, e o termo Vodun com o tempo deixou de existir; mas é certo que a linguagem usada nos cantos rituais e o uso dos aquidavís para percussão dos tambores, o uso do Gã (instrumento de percussão), entre outros fatos reflectem muito os fundamentos do antigo Dahomé.

Há casos em que as tradições culturais africanas resistem, mais que em outros, à mudança, mas em nenhuma instância, nem mesmo nos terreiros mais antigos e ostensivamente zelosos à suas origens, deixou de existir, contudo, se tivesse, no sul um maior interesse em pesquisar a origem dos fundamentos de cada nação é certo que achariam a ligação directa do jêje praticado aqui, com os povos do antigo Dahomé, e assim por diante.

O que sobrevive da vertente jêje como legado cultural acha-se incorporado ou associado ao acervo Yorubá, embora não se fale em Vodu no Rio Grande do Sul, certas práticas da religião do antigo Dahomé, hoje Benin, podem ser detectadas no Batuque do Rio Grande do Sul, principalmente nos terreiros que fazem parte da raiz do falecido Joãozinho de Bará (Esú Biyí).

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Candomblé de Angola

Religião afro-brasileira, de origem banto, que compreende as nações de Angola e Congo (Cassanges, Kikongos, Kimbundo, Umbundo e Kiocos), e se desenvolveu entre os escravos africanos que falavam a linguagem Kimbundo e Kikongo e são facilmente reconhecidos pela maneira diferente de cantar, dançar e percutir seus tambores.

Na hierarquia de Angola o cargo de maior importância é para homem Tata Nkisi (tata de inquinces) e para mulher Mametu Nkisi (Mametu de inquices), que correspondem ao Babalorixá e a Yalorixá dos Yorubás, e o Deus supremo é Zambi (Nzambi) ou Zambiapongo (Ndala Karitanga).

O Candomblé de Caboclo é uma modalidade desta nação, e cultua os antepassados indígenas. Há uma nação que faz parte do Batuque do Rio Grande do Sul que descende de Angola, que é a Cabinda.

Os rituais da nação Angola começam com o Massangá, que é o batismo na cabeça do iniciado, feito com água doce e Obi; Bori com sacrifício de animais para o uso do sangue (menga); ritual de raspagem, conhecido como feitura de santo; ritual de obrigação de 1 ano; ritual de obrigação de 3 anos, onde muda o grau de iniciação; ritual de obrigação de 5 anos, com o uso de frutas, obrigação de 7 anos, quando o iniciado recebe seu cargo, é elevado ao grau de Tata Nkisi (zelador) ou Mametu Nkisi (zeladora). Após 7 anos de obrigações, será renovado a cada ano com o rito de Obi ou Bori, conforme o caso, e de 7 em 7 anos se repete as obrigações para conservar o individuo forte, se transformando em Kukala Ni Nguzu, que quer dizer um ser forte. Além dos búzios, outro sistema antigo de consulta é o Ngombo, no qual o adivinhador recebe o nome de Kambuna.

Os principais Nkisi são: Aluvaiá (também conhecido como: Nkuyu Nfinda, Tata Nfinda, Tona e Cubango), Bombo Njila(Bombojira), Vangira(feminino), Pambu Njila, Pambuguera; Nkisi Nkosi Mukumbe, Roxi Mukumbe, Burê; Nkisi Kabila, Mutalambô, Gongobila, Lambaranguange; Nkise Katendê; Nkisi Zaze (Nsasi, Mukiamamuilo, Kibuco, Kiassubangango) Loango; Nkisi Kaviungo ou Kavungo, Kafungê; Nkise Angorô e Angoroméa; Nkisi Kitembo ou Tempo; Nkisi Tere-Kompenso; Nkisi Matamba, Bamburussenda, Nunvurucemavula; Nikisi Kisimbi, Samba; Nkisi Kaitumbá, Mikaiá; Nkisi Zumbarandá; Nkise Wunge; Nkisi Lembá Dilê, Lembarenganga, jakatamba, Kassuté Lembá, Gangaiobanda; Nkisi Nwunji, Nkisi Kaitumbá, Mikaiá, Kukueto; Nkisi Ndanda Lunda; Nkisi Kaiangu; Kariepembe, Pungu Wanga; Kobayende; Pungu Kasimba; Nkita Kiamasa; Nkita Kuna; Lukankazi, Luganbe, Nzambi Bilongo; Mutalambô, Katalombô, Gunza, Nkuyo Watariamba;

Os cargos e divisão do poder espiritual são:
Mam’etu ria Mukixi – Sacerdotisa chefe (Angola)
Nengua ia Nkisi – Sacerdotisa chefe (Congo)
Tat’etu ria Mukixi – Sacerdote chefe (Angola)
Dise ia Nkisi – Sacerdote chefe (Congo)
Tata Kivonda – Pai sacrificador de animais (Congo)
Kambodu Pokó – Sacrificador de animais (Angola)
Muxikiangoma – Tocador de atabaque
Njimbidi – Cantador (Angola)
Ntodi – Cantador (Congo)

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Candomblé de Ketu/Nagô

Ketu é o nome de um antigo reino da África, na região agora ocupada pela República Popular do Benin e pela Nigéria. Seu rei tem o nome de alaketu, de onde vem o sobrenome da conhecida Iyalorixá Olga de Alaketo. Também indica o nome do povo dessa região, que veio como escravo para o Brasil. Em termos de identidade cultural, forma uma subdivisão da cultura iorubana. Em geral, membros de origem ketu são responsáveis por boa parte dos terreiros mais tradicionais da Bahia.

É a maior e mais popular nação do Candomblé, e a diferença das outras nações está no idioma utilizado, no caso o Yorubá, no toque dos seus atabaques, nas cores e símbolos dos Orixás, e nas cantigas; Os fundamentos são passados oralmente por sacerdotes de Orixás que são chamados de Babalorixá (masculino) Yalorixá (feminino). Os rituais mais conhecidos são: Padê, Sacrifício, Oferenda, lavar contas, Ossé, Xirê, Olubajé, Águas de Oxalá, Ipeté de Oxum, fogueira de Airá, Axexê, etc.

Uma outra grande diferença é em relação ao culto dos Eguns; existe um sacerdote preparado para este ritual especifico chamado Ojé ou Baba Ojé, que faz o uso de um ixãn para dominar os Eguns; conforme informações de um antigo sacerdote de Ketu, chamado Balbino de Xangô, quem lida com Orixás não lida com Eguns; Já no Rio Grande do Sul, é o próprio Sacerdote de orixá quem faz os rituais de Eguns.

Os cargos principais na nação Ketu/Nagô são:
– Babalorixá ou Yalorixá: autoridades máximas no Candomblé
– Iyakekerê: mãe pequena
– Babakekerê: pai pequeno
– Yalaxé: mulher que cuida dos objectos ritual.
– Babalaxé: homem que cuida dos objetos ritual.
– Ajibonã ou jíbonan: mãe/pai criadeira (o) supervisiona e ajuda na iniciação.
– Egbomi: pessoa que já cumpriu sete anos de obrigação.
– Iyabassê: mulher responsável pela preparação das comidas de santo.
– Iyawo: filha (o) de santo (que já incorpora Orixá).
– Abian: novato.
– Axogun: responsável pelo sacrifício de animais.
– Alagbê: responsável pelos atabaques e pelos toques.
– Ogan: tocadores de atabaques.
– Ajoiê ou Ekedi: camareira de Orixá.

Os Orixás cultuados na nação Ketu são: Exu, Ogun, Oxossi, Logun Edé, Xangô, Obaluaiyê, Oxumaré, Ossain, Oyá , Oxun, Yemanjá, Nanã, Ewa, Oba, Oxalá, Ibeji, Irôco, Orunmila.

Na nação Ketu, existente principalmente na Bahia, predominam os Orixás de origem Yorubá, e os terreiros mais conhecidos são: a Casa Branca do Engenho Velho, o Ilê Axé Opô Afonjá, o Gantois; o Candomblé de Alaketu e o Ilê Axé Opô Aganjú localizado em Lauro de Freitas; Asé Oxumarê.

O Candomblé de origem ketu já se espalhou por todos os grandes centros urbanos do Brasil e também para o exterior, e nota-se um movimento de recuperação de raízes africanas, que rejeita o sincretismo católico, procurando reaprender o yorubá como língua original e tenta reproduzir os rituais que estavam perdidos ao longo do tempo, há casos em que muitos sacerdotes procuram viajar até África para descobrir mais sobre a cultura dos Orixás.

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A religião tradicional yorubá envolve adoração e respeito a Olorun ou Olòdùmarè, o criador, dos Orixás e dos antepassados, e cultuam 401 deidades; a maior parte desses Orixás são figuras antropomorfas, que também são associadas com características naturais. As pessoas rezam e fazem sacrifícios, de acordo com suas necessidades e situação. Cada divindade tem as suas regras, ritos e sacrifícios próprios. Os yorubás rezam para os Orixás para intervenção divina em suas vidas.

Olorun (o dono do céu), ou Olòdùmarè é o Deus supremo dos yorubás, ele é o criador, é invocado em bênçãos e em certas obrigações, mas nenhum santuário existe para ele, nenhum sacerdócio organizado.

Os yorubás, também, crêem que os antepassados interferem diariamente nos eventos da terra. Em algumas cidades são feitos festivais anuais, onde cada Egungun dança, e é festejado. Como já vimos os yorubás, são um povo com uma cultura muito rica. Eles superaram muitos obstáculos para alcançar o ponto em que estão hoje. A sua cultura e história podem ser vistas ao longo do mundo, especialmente as convicções religiosas, em outras palavras, os yorubás são dos mais influentes povos do mundo.

Outra explicação que se faz a respeito do aparecimento das divindades seria que Oxalá ou Obatalá, deus da criação instalou o seu reino em Ifé, lugar sagrado dos yorubás. Fala-se que Obatalá tinha um irmão mais jovem chamado Oduduwa, que ambicionava executar as tarefas que Olòdùmarè confiou a Obatalá e, para tanto, fez um ebó, contando com a colaboração de Esu (Exu), que armou uma cilada, provocando muita sede em Obatalá, que se encontrava bastante cansado da viagem. Ao se aproximar de uma palmeira, usando seu cajado, furou a dita palmeira e bebeu o emu ( vinho de palma) que jorrava. Exausto embriagou-se rapidamente e ali mesmo deitou e adormeceu. Oduduwa que vinha de espreita na retaguarda, passou à sua frente, e tornou-se fundador dos povos yorubás.

Olodumare

Poucos sacerdotes falam de Olòdùmarè, pois não existe nenhum altar, nenhum assentamento dedicado a ele e nenhum filho ou filha lhe é consagrado. A religião é parte essencial da cultura dos povos africanos, e acreditam que Olòdùmarè seja o ser supremo, é o Obá Orum, rei do céu. É ele acima de tudo; omnipresente, ele é Olorun Alagbara, o Deus Poderoso.

Diz a mitologia yorubá que Olòdùmarè, junto com a criação do céu e da terra, trouxe para a existência as outras divindades Orixás, para o ajudar a administrar a sua criação, e a importância de cada divindade depende da posição dentro do panteão yorubá. Olòdùmarè é o Deus Supremo dos yorubás, merecedor de grande reverência, o seu status de supremacia é absoluto.

Ele é Omnipotente – tão omnipotente que para Olòdùmarè nada é impossível, ele é o rei cujos trabalhos são feitos para perfeição.

Ele é imortal – Olòdùmarè nunca morre, os yorubás crêem que seja inimaginável para Elemi (o dono da vida) morrer.

Ele é Omnisciente – Olòdùmarè sabe tudo, não existe nada que se possa esconder dele; ele é sábio, tudo está ao seu alcance. Alguns estudiosos afirmam que a religião yorubá, é a religião monoteísta mais antiga da humanidade.

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Temos que ter muito claro que para falarmos de ética dentro de uma determinada religião o primeiro impulso que devemos ter é de fazermos uma separação entre o que se entende por bem e mal. Ao falarmos da religião de Umbanda e das religiões Afro-brasileiras ou afro-descendentes como preferem alguns, não podemos nos envolver com conceitos cristãos de pecado, haja vista não fazer parte de nosso universo religioso.

Estas religiões, desde que existem, têm normas que lhes norteiam, mas que nem sempre são do conhecimento e observância de seus sacerdotes, pois cada Babalorixá /Iyalorixá ou Dirigente Espiritual cuida de colocar suas próprias normas dentro de suas Casas. Isto ocorre até porque não temos um único Mandatário Supremo, todos são supremos em seus Axés. Porém, isto não impossibilita que todos se unam para zelar pelos “Códigos de Ética” que sempre existiram, muito embora a idéia seja que só agora estamos criando essas normas. Ocorre que para isto todos são chamados a observar e cumprir com essas posturas, passarmos para nossos filhos e simpatizantes aí já estaremos ajudando e muito para que a religião tenha seu lugar de respeito e credibilidade. Como disse, tenta-se por no papel aquilo que na prática já existe e só precisa ser observado.

Vejamos, pois que normas, que códigos devemos observar:

1. É imperativo que dentro da Umbanda e dos Cultos Afro-brasileiros, todos estejam preocupados em manter a tradição religiosa e cultural de seu grupo, sem misturas e enxertos, sem junções e adições absurdas e desastrosas e que estas mesmas religiões deixem de se preocupar apenas com a parte litúrgica, para também se dedicarem ao bem-estar das pessoas, da comunidade como um todo, do país, do mundo, e também que esteja sempre presente a preocupação na preservação do meio ambiente, lembrando que somos uma religião ecológica por excelência.

2. Precisamos aprender a respeitar a nação do outro, pois todos os segmentos têm origem em comum na Mãe África, cultuam Orixá, Vodun, Nkissi, Bacuro, Encantados e Guias que são muito queridos e amados por seus adeptos. O desrespeito à liturgia e ao ritual de cada um incorre num grande mal para toda a comunidade afro-brasileira.

3. Precisamos ter respeito com os mais velhos, com os Agba da religião, com nossos ancestrais. Vêem-se hoje em dia pessoas novas chamando a atenção e querendo ensinar os mais antigos. Se os mais velhos não souberem nada, o que diremos dos novos? Pensamos que se precisa de entendimento e muito diálogo entre as gerações a fim de se tirar o melhor proveito. Mas tudo com seriedade e dignidade.

4. Em todos os grandes eventos (Congressos, Seminários, Encontros etc.), deve-se ter um Cerimonial adequado para se ver “quem é quem”, dando-se as devidas precedências e evitando-se constrangimentos ao se destacar, por exemplo, um filho em detrimento de seu pai. É antiético.

5. Nas festas religiosas (Toques), devemos nos preocupar com nossos convidados e dar-lhes a atenção devida, também fazendo com que todo o Egbé saiba se portar e respeitar. É desagradável chegarmos a lugares onde muitos torcem a cara e ignoram aqueles que com carinho ali estão para prestigiar e participar.

Urge que conversemos com nossos Sacerdotes e adeptos para que não confundam religião com “questões sexuais”. Graças à Avievodum, Olodumare, Zambiapongo, temos uma religião liberal que não nos castra. Entretanto, muitos se aproveitam de seus cargos e postos para desfilarem frustrações sexuais e travestirem nossa Religião colocando-nos em descrédito perante as autoridades e à própria sociedade; Devemos lutar pela união sincera e verdadeira das pessoas interessadas na preservação dos nossos segmentos religiosos.

A discórdia, a desunião, a intriga só enfraquece a própria religião. Cada um deve fazer sua parte, com critérios, com seriedade, com dignidade. Não devemos nos ver como concorrentes, mas como membros unidos de um mesmo corpo. Precisamos acabar com a idéia de que um é melhor que o outro. Para nossos Deuses somos todos iguais. Será, por exemplo, que meu Vodum Toy Azonce só gosta de mim e não gostará de outros seus filhos? Será que Odé, Oxossi, Águè só ama um filho e esquece os outros? Não, certamente que não, o problema é individual, é pessoal, é falta de boa formação, de bom berço; Vamos lutar para que os congressos sejam fóruns de grandes decisões, de momentos de verdadeiras reflexões, de congraçamentos, de bons e felizes reencontros e não que deixemos nossos lares para nos digladiar.

Não devemos confundir pontos de vista diferentes com geração de ódio. Isso não é ético; Vamos valorizar com toda sinceridade as diferentes formas tradicionais dos cultos afros. Lutemos por uma união e não por uma unidade.

Daí o lema da INTECAB que é a “união na diversidade”; Resgatemos a língua de cada culto e devemos usar nossos títulos corretamente. Jamais se deve estimular o absurdo, a invencionice, títulos inadequados. Por exemplo: não é ético chamarmos uma Sacerdotisa de Umbanda de Iyalorixá, pois esta não foi iniciada e nem inicia ninguém. Seu grande valor está em ser uma Dirigente Espiritual, uma digna Babá de Umbanda sem nenhum demérito de seu potencial espiritual e material;

Todos têm o dever de recusar a efetivação de rituais religiosos que firam sua tradição de origem e sejam contrários aos ditames de sua consciência;

É de suma importância zelar pela dignidade da tradição e cultura Afro-brasileira em todos os seus níveis de desdobramentos, sendo este o papel preponderante de todos os verdadeiros Sacerdotes;

Somos todos tradicionalistas: da Umbanda, do Kêtú, do Mina Jêje, do Ifon, da Angola, do Jêje Mahi, do Omolocô, do Nagô Egbá, do Alakêtú, do Mina Nagô, da Encantaria, da Tradição de Orixá ou do Fanti-Ashanti, desde que sigamos nossos rituais e costumes legados por nossos antepassados. Esta é uma postura ética que precisa ser levada em conta;

A exploração que alguns sacerdotes fazem com seus filhos é imoral, antes de ser ética, e precisa de grandes reflexões. Tenta-se criar a idéia de que quanto mais dinheiro, mais axé, e assim torna-se comércio. “Cobrar “salva” ou chão” é entendido como axé, mas exploração é caso de polícia;

Outro tema polêmico e delicado diz respeito à quebra de tabus religiosos, incluindo-se nestes os relacionamentos sexuais entre pais e filhos de uma mesma casa. Comete-se o incesto; Finalizamos abordando a questão do “Jogo de Búzios” antes exercido somente por grandes e sábios sacerdotes e sacerdotisas, de forma extremamente sagrado, e hoje feito em praças públicas, viadutos, feiras esotéricas, shoppings, sem falar no “disque búzios” e “0900”, que tanto entristecem os tradicionalistas.

(Palestra apresentada no 1º Congresso de Cultura Afro-Brasileira, Uberlândia, MG, Set./1999) Toy Vódunnon Francelino de Shapanan

Exú Não É O Diabo

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“… E o Anjo Lúcifer, de rara beleza, quis ser o filho de Deus na Terra. Mas Deus recusou. Lúcifer, então, revoltou-se contra o Todo Poderoso e foi banido dos Céus, com os seus fiéis e confinado ao Inferno, onde ficaria para todo o sempre…”

A Mitologia cristã, então, deu nome aos dois, ou seja, explicou a existência do Bem e do Mal, embora jamais admita que ambas as forças são de igual peso, pois assim admitiria que Lúcifer, o Anjo banido do Céu, teria o mesmo poder que o criador. Convenhamos que ficaria bastante difícil…

Assim, o homem criou a imagem do Diabo, Demónio, Satanás, Capeta, Cão, ou outro qualquer sinónimo ou adjectivo que queiram aplicar-lhe.

Teria então, o Diabo, a imagem repugnante de um homem de chifres, com asas de morcego, pés de bode, corpo avermelhado, dentes pontiagudos e dotado de uma maldade infinita.

A Igreja correlacionou, então, o Diabo cristão com o Exú dos Africanos, mostrando que nós, seguidores da cultura Africana, adoramos também o Capeta. E praticamente conseguiram perpetuar essa imagem e passá-la para a Umbanda, que tem, nas casas de Exú, imagens como aquelas que descrevi do Diabo.

Existem até aqueles que fazem uma relação de variações de Demónios cristãos como Asmodeus, Belzebu e Lúcifer, com Exús Africanos como Exú Tiriri, Exú Lalu, Exú Marabô, por exemplo. Mas isso não passa de um equívoco. Não chega a ser, nem de longe, sincretismo, muito menos uma equivalência.

A imagem do Diabo foi criada pelos cristãos. O mal assim ganhou forma, e hoje, a quase totalidade da humanidade acredita nesta figura temida, horrorosa e repugnante do Diabo.

Colocando de lado as questões de “Deus e Diabo”, temos que admitir que existe o equilíbrio de forças do Bem e do Mal dentro de cada um de nós. Desenvolvemos aquela que mais nos fascina, mas não culpemos o Diabo, nem mesmo a Deus, pois temos o livre-arbítrio para escolher a nossa conduta. Desenvolvemos as duas forças dentro de nós, nas mesmas proporções, se quisermos, pois podemos ser bons ao extremo, e maus, na mesmíssima proporção.

Tudo o que é bom, tem um lado mau. E vice-versa. O homem é que delineia isso, aliado às condições sociais, ou através do seu interior, que pode tender para qualquer lado ou em qualquer direcção.

Fica assim o Diabo, como representação “folclórica” de tudo aquilo que não presta, de tudo aquilo que é contrário aos dogmas da Igreja e tudo aquilo que é, decididamente, Mal. Fica o Diabo como símbolo de todos os crimes, destruições, situações adversas e maldades existentes no mundo, pois a preguiça do homem – que por sinal é obra do “Capeta” – não permite que ele veja os pólos opostos que, óbvia e logicamente, existem no Universo, incluindo o planeta em que vivemos.

Então, “o Diabo que os carregue”, pois prefiro ver as coisas de forma mais lógica e transparente. Prefiro olhar para a Natureza, admirá-la, estudá-la, para que possa, como muitos que pensam desta maneira, encontrar a harmonia plena e definitiva.