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Èbgbé, dando continuidade as homenagens as grandes Iyalorixás do Brasil, Mãe Menininha do Gantois eternizou-se em Mãe Oxun.

Nasceu em 10 de fevereiro de 1894, dia de Santa Escolástica, na Rua da Assembléia, entre a Rua do Tira Chapéu e a Rua da Ajuda, no Centro Histórico de Salvador, Mãe Menininha teve como pais Joaquim e Maria da Glória.

Foi a quarta Iyálorixá do Terreiro do Gantois e a mais famosa de todas as Iyálorixá brasileiras. Sucessora de sua mãe, Maria da Glória Nazareth, foi sucedida por sua filha, Mãe Cleusa Millet que foi sucedida pela atual Iyalorixá Mãe Carmem D’Osogiyan.

Descendente de escravos africanos, ainda criança foi escolhida para ser Iyálorixá do terreiro Ilê Iyá Omi Axé Iyamassê, fundado em 1849 por sua bisavó, Maria Júlia da Conceição Nazaré, cujos pais eram originários de Agbeokuta, sudoeste da Nigéria.

O terreiro, que inicialmente funcionava na Barroquinha, na zona central de Salvador, foi posteriormente, foi transferido para o bairro da Federação, instalando-se em terreno arrendado aos Gantois – família de traficantes de escravos e proprietários de terras de origem belga – pelo cônjuge de Maria Júlia, o negro alforriado Francisco Nazareth de Eta.[1] Situado num lugar alto e cercado por um bosque, o local de difícil acesso era bem conveniente numa época em que o candomblé era perseguido pelas forças da ordem. Geralmente, os rituais terminavam subitamente com a chegada da polícia.[2]

Maria Escolástica foi apelidada Menininha, talvez por seu aspecto franzino. “Não sei quem pôs em mim o nome de Menininha… Minha infância não tem muito o que contar… Agora, dançava o candomblé com todos desde os seis anos”.

Foi iniciada no culto dos orixás de Keto aos 8 anos de idade por sua tia-avó e madrinha de batismo, Pulchéria Maria da Conceição (Mãe Pulchéria), chamada Kekerê – em referência à sua posição hierárquica, Iyá kekerê (Mãe pequena). Menininha seria sua sucessora na função de Iyalorixá do Gantois. Com a morte repentina de Mãe Pulchéria, em 1918, o processo de sucessão foi acelerado. Por um curto período, enquanto a jovem se preparava para assumir o cargo, sua mãe biológica, Maria da Glória Nazareth, permaneceu à frente do Gantois.

“Minha avó, minha tia e os chefes da casa diziam que eu tinha que servir. Eu não podia dizer que não, mas tinha um medo horroroso da missão (…): passar a vida inteira inteira ouvindo relatos de aflições e ter que ficar calada, guardar tudo para mim, procurar a meditação dos encantados para acabar com o sofrimento.” [3]

Em 1922, através do jogo de búzios, os orixás Oxóssi, Xangô, Oxum e Obaluaiyê confirmaram a escolha de Menininha, então com 28 anos. Em 18 de fevereiro daquele ano, ela assume definitivamente o terreiro. “Quando os orixás me escolheram eu não recusei, mas balancei muito para aceitar”, contava.

A partir da década de 1930, a perseguição ao candomblé vai arrefecendo, mas uma Lei de Jogos e Costumes, condicionava a realização de rituais à autorização policial, além de limitar o horário de término dos cultos às 22 horas. Mãe Menininha foi uma das principais articuladoras do término das restrições e proibições. “Isso é uma tradição ancestral, doutor”, ponderava a ialorixá diante do chefe da Delegacia de Jogos e Costumes. “Venha dar uma olhadinha o senhor também.”

Mãe Menininha abriu as portas do Gantois aos brancos e católicos – uma abertura que, em muitos terreiros, ainda é vista com certo estranhamento. Mas afinal, a Lei de Jogos e Costumes foi extinta em meados dos anos 1970. “Como um bispo progressista na Igreja Católica, Menininha modernizou o candomblé sem permitir que ele se transformasse num espetáculo para turistas”, analisa o professor Cid Teixeira, da Universidade Federal da Bahia.

Nunca deixou de assistir à missa e até convenceu os bispos da Bahia a permitir a entrada nas igrejas de mulheres, inclusive ela, vestidas com as roupas tradicionais do candomblé.[4]

Aos 29 anos, Menininha casou-se com o advogado Álvaro MacDowell de Oliveira, descendente de escoceses. Com ele teve duas filhas, Cleusa e Carmem. “Meu marido, quando me conheceu, sabia que eu era do candomblé… A gente viveu em paz porque ele passou a gostar de Candomblé. Mas, quando fui feita Iyalorixá, passamos a morar separados. No meu terreiro, eu e minhas filhas. Marido não. Elas nasceram aqui mesmo”. [5]

Em uma entrevista à revista IstoÉ, mãe Carmem conta que ela adorava assistir telenovelas, sendo que uma de suas preferidas teria sido Selva de Pedra.[6] Era colecionadora de peças de porcelana, louça e de cristais, que guardava muito zelo. Não bebia Coca-Cola, pois certa vez lhe disseram que a bebida servia para desentupir os ralos de pias, e ela temia que a ingestão da bebida fizesse efeito análogo em si.[6]

Mãe Menininha do Gantois faleceu de causas naturais, aos 92 anos de idade.

[editar] Homenagens
Mãe Menininha, aos 8 anos de idade.O terreiro está localizado na rua Mãe Menininha do Gantois (antiga rua da Boa Vista, renomeada em 1986),[3] no Alto do Gantois, bairro da Federação, em Salvador. Após a sua morte, seus filhos deixaram seu quarto intacto, com seus objetos de uso pessoal e ritualísticos. O aposento foi transformado no Memorial Mãe Menininha e é uma das grandes atrações do Gantois.

— Ederaldo Gentil e Anísio Félix. “In-Lê-In-Lá”, 1976

In-Lê-In-Lá Lá Lá Ê, In-Lê-In-lá, Oilá
In-Lê-In-Lá Lá Lá Ê, In-Lê-In-lá

Os candomblés estão batendo, foguetes explodem no ar
Em louvor a Menininha, senhora, mãe e rainha do Gantois
Pelo seu aniversário de cinquentenário de Ialorixá (3x)
Ôôô, ÔôÔôôÔô, salve mamãe Oxum, salve meu pai Xangô (2x)
Cinquentenário de batalhas, cinquentenário de fé
Desde quando recebeu os poderes de Maria dos Prazeres Nazaré
Sua vidência se alastrou, iaô iaô iaô ô (2x)
Sacerdotisa de uma raça, rainha de uma nação,
na luta na defesa dos descrentes, ela sempre estendeu suas mãos
Hoje os candomblés estão batendo a seu nome venerar
Ia-mi-mojubá, salve o seu axé, seu candomblé do Alto do Gantois (2x)
———
A beleza do mundo, hein
Tá no Gantois
E a mãe da doçura, hein
Tá no Gantois…

— Dorival Caymmi. “Oração de Mãe Menininha”, 1972.

Site: Mãe Menininha

É com grande pesar que informamos a destruição dos Templos de Sàngo e Òyà na cidade Óyó, Nigéria. Guerras religiosas e enfrentamentos entre muçulmanos, cristãos e cultuadores de òrìsá vem provocando perdas de vidas, mutilações e perdas materiais em várias cidades deste país, uma briga por vagas em estacionamento de uma Igreja levou ao incendio de uma mesquita vizinha e centenas de mortos em março / 2011. Informações nos chegam informando que o Festival de Sàngo, tradicionalmente realizado em Óyó, foi realizado na cidade de Osogbo, por falta de segurança para seus participantes. Esta intolerância que vagarosamente vem crescendo com o incentivo e complacência de autoridades publica e religiosas em nosso pais precisam de reflexão e ponderação de todas as partes envolvidas. Católicos, espíritas e espiritualistas viveram décadas neste pais em perfeita harmonia e tolerância, hoje vemos vilipendiação e profanação de templos religiosos, agressões físicas e verbais, ataques em redes sociais e afins. Hoje neste espaço pretendemos não discutir liturgia e dogmas de nossa religião, mas a convivência diária e obrigatória entre contrários, se assim podemos nos denominar, o radicalismo religioso e o fanatismo podem nos jogar em um abismo sem volta, o estado Laico que este pais diz seguir é uma hipocrisia sem fim, onde vemos crucifixos em repartições publicas, capelas em hospitais públicos, cemitérios monopolizados pela igreja católica, não podemos enterrar nosso povo nas área geográfica de nossos templos. Enfim, temos uma serie de barreiras que podem e devem ser derrubadas, porém a burocracia, a má vontade e a segregação religiosa enrustida, nos proíbem de forma cabal e dissimulada. Temos um exemplo vivo do ‘eu posso, você não pode’, que podemos apontar como uma forma de preconceito.Temos que nos unir aos desprovidos de qualquer tipo de ressentimento e preconceito para evitar este enfrentamento, que dia menos dia virá. Não tem cabimento esta intolerância por questões religiosas, crenças ou modo de vida. Muçulmanos, budistas, católicos, cristãos, umbandistas, candomblecistas e outros tantos que entram para a vida religiosa com o propósito de servir ao próximo, se perdem nas homilias raivosas, nas criações de inimigos que até então nuca existiram, vão acabar criando um monstro sem forma.
Que as forças do ALTO nos de súùru (paciência) e tolerância em nossas mentes para que possamos viver em paz por muitos séculos.
Olodunmarè Obayíya Ki ba se o.

Ègbé, a idéia do post é homenagearmos as grandes Iyalorixás do Brasil, sacerdotizas que fizeram e fazem a história do candomblé brasileiro e, para começar, ninguém melhor que uma descente da familia real Arô do Ketu em Benin Nigéria.

Perfil – Mãe Olga do Alaketu.

Olga Francisca Régis, nasceu em Salvador, Bahia, em 1925. Filha de Dionísia Francisca Régis, descendente da princesa Otampé Ojarô da linhagem da família Arô, do antigo reino Ketu, Benin África ocidental. Mãe Olga do Alaketu como era conhecida faleceu no dia 29 de setembro de 2005, foi a quarta Iyalorixá na sucessão.
A princesa Otampé Ojarô recebeu no Brasil o nome cristão de Maria do Rosário Francisca Régis, e foi um mito na fundação do terreiro.
Otampé foi sequestrada no final do século XVII, aos nove anos de idade por soldados daomeanos juntamente com sua irmã gemea Obôko Mixôbi e ambas foram vendidas a traficantes de escravos. No Brasil, foram compradas no mercado de escravos aos 16 anos e alforriadas. Otampé teria voltado a África , se casado e posteriormente voltando a Bahia seu marido adotou o nome de João Porfírio Régis. Ao chegar a Bahia arrendou um tereno na antiga Estrada do Matatu Grande, fundando o Ilê Maroiá Láji, casa dedicada a Oxumare até os dias de hoje.
Filha de Oyá com Irôko, Mãe Olga sempre dizia que os Orixás são seus educadores. MÃE OLGA DO ALAKETU- 79 anos

INICIAÇÃO: 79 anos

Filhos carnais: 12

Filhos iniciados: mais de 100

Orixá: Oyá

Mãe Olga do Alaketu, criada de acordo com os costumes africanos, foi iniciada aos 12 anos de idade, no Ilê Axé Maroiá Láji, em Matatu de Brotas. Antes de ser iniciada no candomblé, trabalhava com pintura, tecelagem e bordados. Aos 79 anos, a yalorixá passa seus conhecimentos a filhos, netos e bisnetos.
A mãe-de-santo conta que, em paralelo ao candomblé, teve também uma criação católica e sempre freqüentou a Igreja. “Eu fui batizada e crismada, e minha tia foi criada em um convento”, explica.
Mãe Olga teve 12 filhos biológicos, mas apenas seis estão vivos. Eles sempre acompanharam a mãe nas tarefas do candomblé e cresceram seguindo a religião. Foram iniciados ainda criança e todos ocupam cargo no terreiro. “Minha relação com eles, dentro do axé, é de acordo com as regras africanas. Em casa, eles tinham obrigações com os estudos e com o trabalho”, explica.
No candomblé, a yalorixá diz que não existe diferença na maneira de amar e tratar os filhos biológicos e os filhos-de-santo. “Uma yalorixá deve ter tanto amor pelos filhos-de-santo quanto por aqueles gerados por nós. Sempre peço a Deus por todos eles, que tenham saúde, paz e prosperidade, em qualquer lugar”, diz mãe Olga. “Os orixás são meus educadores. Foi para eles que vivi 79 anos e ensinei a meus filhos a acreditar na força de Deus e dos orixás”, explica.

Educação
A Iyalorixá compara a forma que foi criada, na década de 20, com a educação dos dias atuais. Mãe Olga conta que foi rigorosa com a educação de seus filhos e critica a educação dos jovens na atualidade. “O dever de um filho é obediência e respeito aos pais, o contrário do que se ver hoje. Os valores estão se perdendo com a criação moderna”, diz.
Mãe Olga alerta para os pais terem mais cuidados com os filhos. “A violência está cada vez maior. Não se deve privar a diversão, mas é preciso saber para onde vão e com quais companhias”, afirma. “Peço que tenham fé nos orixás”.

Mãe Olga recebeu das mãos do então Ministro da Cultura Gilberto Gi e de Mãe Stella de Oxóssi, o Prêmio Opaxorô no ano de 2003.

Sites: Mãe Olga do Alaketu.

A natureza e o Candomblé

Falar sobre Candomblé hoje, para os adeptos mais preocupados e mais ativos quanto à religião, não significa apenas discutir sobre assuntos do terreiro, orixás e obrigações.

Hoje convido a todos para percebermos sobre o espaço em que a nossa religião está inserida, falando sobre a Terra e seus recursos, essa grande mãe que nos fornece além da possibilidade de vida, a possibilidade de termos uma fé, uma crença que se baseia totalmente no seu funcionamento.

Se fizermos um balanço entre os pensamentos que existem nas diversas partes do mundo, veremos diferenças gritantes entre estes pensamentos e conceitos. Estamos inseridos numa sociedade de cultura ocidental – judaico-cristã – a cultura de onde surgiu o conceito econômico mais forte mundialmente, o capitalismo, e de onde surgiu e está cada vez mais inerente a nós a globalização. O dia tem hora pra começar e terminar; andamos nas ruas correndo, vidrados nos relógios; o trânsito é um caos: buzinas, berros, chingamentos; pessoas que se esbarram nas calçadas e nem se pedem desculpas. Falta gentileza, falta o pedir licença, falta o “obrigado”. O individualismo cresce, o egoísmo idem, a violência cresce e nisso, por causa desse tempo louco, dessa falta de calma que nos habita, cresce desordenadamente também o número de pessoas estressadas, depressivas, à beira de um ataque de nervos, que descontam seus vazios no consumo de remédios e de bens materiais como se o dinheiro comprasse a felicidade…

A ideia de que o dinheiro move o mundo e o dinheiro compra tudo está também inserida na nossa sociedade, a vontade para o “agora” é a que prevalece, então, se agora queremos energia elétrica construímos usinas hidroelétricas, independentemente dos prejuízos que estas usinas possam trazer à biodiversidade local ou à cultura de um povo “despejado” da sua própria terra; queremos móveis nas nossas casas independentemente da madeira ser de uma área de floresta protegida; não queremos que as ruas encham d’água durante as chuvas, mas não deixamos de lançar na rua, ou pela janela do carro, ou do coletivo, latas de refrigerantes, embalagens de comidas ou qualquer outro produto que não nos sirva mais.

Nós queremos uma vida melhor não só quanto a comida e a educação: queremos cidades mais limpas, mais puras, não sermos contaminados por uma leptospirose, por exemplo. Mas pouco as pessoas têm feito para mostrar esse tipo de cidadania.

Com tudo isso, a níveis urbanos, ou a níveis mundiais, quero falar sobre a natureza. A humanidade pede socorro e esse fato não é um terrorismo de pensamento, é uma realidade. Nós, como criados numa cultura ocidental aprendemos indiretamente que a natureza está para suprir as nossas necessidades, aprendemos que o homem está acima dela, que deus criou o homem sua imagem e semelhança e criou a natureza para servir a este homem criado a partir de deus. A partir desta concepção, a natureza é explorada, é extrapolada e vem sendo destruída pelo homem.

Como na natureza (assim como na vida) tudo é um ciclo, uma cadeia, sempre há as reações. Diferenças drásticas de temperatura são reações, chuvas torrenciais inesperadas são reações, queimadas desordenadas e quase incontroláveis em vários ecossistemas também são reações, e todas estas reações afetam de maneira direta ou indireta os ciclos que fazem a Terra funcionar e conseqüentemente também a nós, seres humanos, os seres causadores da maior parte de todo este silencioso caos.

Nós fomos criados numa cultura ocidental, porém fazemos parte de uma religião que tem como sua raiz conceitos totalmente contrários aos desta cultura.

Somos ramificações da natureza, fazemos parte dela, assim como ela faz parte de nós. Do que seríamos nós sem ela, do que seria nossa religião sem ela? Seria possível dar continuidade às nossas tradições sem a natureza? Não, meus irmãos. Nossos antepassados em África e também aqui no Brasil nos ensinaram que a natureza vem em primeiro lugar: agradamos a mãe Terra quando agradamos nossos orixás, saudamos a mãe Terra quando saudamos aos nossos orixás, tocamos a mãe Terra, pedimos sua licença, antes de cumprimentar um orixá ou um mais velho dentro da religião.

Nós temos as nossas divindades que fazem parte dos elementos da natureza. Elas estão representadas nestes elementos e os elementos estão representados nelas: os orixás. Olorun deu aos orixás seu respectivo elemento para que cada um o representasse, fosse responsável e com a ajuda dos humanos mantessem o equilíbrio entre a natureza e os seres habitantes da Terra. Nós não estamos acima da natureza e nem abaixo da natureza, pois fazemos parte dela, vimos dela e seja de qualquer maneira, voltaremos para ela.

Provavelmente, se esse pensamento fosse mais coletivo, a natureza não estaria revidando de forma tão agressiva ao tratamento que a temos dado. Por isso, nós como pertencemos a uma religião que tem por base esta natureza e dependemos dela para continuar na nossa fé, temos sim o dever de tentar impactá-la o menos possível, tanto como cidadãos nas ruas evitando lançar o lixo em outro lugar que não seja uma lixeira, por exemplo, como a nível religioso, como por exemplo, a disposição dos ebós quando levados para fora do terreiro ou quanto às oferendas direcionadas a Yemanjá no mar ou a Oxum nos rios, pois aqueles vidros de perfumes, ou outros objetos de plástico ou de vidro não somem simplesmente dentro da água, eles permanecem ali ou são levados de correnteza em correnteza e demoram dezenas ou centenas de anos até sejam decompostos.

Não quero aqui propor uma mobilização para sermos “politicamente corretos”, não é isso de maneira alguma. Apenas penso que se os diversos setores da sociedade se mobilizarem para contribuir com o meio ambiente, estas mobilizações, ainda que pequenas em seu grupos, repercutirão em ótimos resultados se forem observadas numa visão geral. E eu, como religiosa e esperançosa quanto ao futuro da religião a partir dos meus netos e tataranetos, me vejo no dever de contribuir de alguma maneira para um ambiente mais limpo, menos poluído e uma natureza viva e presente no nosso Candomblé nesta e noutras gerações.

Axé!

Postarei uma matéria veiculada por um jornal que nos conta um pouco sobre esta riquíssima fonte de sabedoria e cultura dentro do nosso culto de òrìsá. Tenho muito orgulho de ter participado por quinze anos desta família, minha mãe, da qual me orgulho muito e seu irmão carnal são filhos deste àse, fizeram parte do primeiro barco da ilustrissíma Senhora Dª Regina Bomgbose, mo juba esa.

MATÉRIA JORNAL ICAPRA ”CANDOMBLÉ PERDE SUA IYÀ ÀGBÀ DA FAMÍLIA BAMGBOSE OBTICO”.

 Por: Prof. J. Benistes

Rodolfo Sawser

Uma das últimas Iyálorisas, pertencente a uma rica geração de matriarcas plenamente identificada com as rígidas normas do Candomblé. Regina Topázio de Souza, mais conhecida como Mãe Regina de Bamgbose, foi sempre consciente de suas origens, sabendo preservar com extrema autoridade, uma vida exemplar a ser seguida pelos seus descendentes e merecedora de estudos por ser parte integrante da história dos Candomblés do Brasil.

Sua biografia se reporta aos ancestrais familiares que viveram há mais de 200 anos no Brasil, sempre dedicados a criar uma vida de trabalho e de devoção total às crenças de seus antepassados. Foram tão competentes que influenciaram as demais raízes do Candomblé. A memória coletiva revela que Ìyá Násò, depois de organizar os primeiros momentos do Candomblé do Engenho Velho, em Salvador, resolveu ir para a África juntamente com Oba Tósí, Marcelina da Silva, por volta de 1837. Após 7 anos de permanência, retorna trazendo alguns africanos, entre eles, Bamgbose de Sàngo, que aqui no Brasil tomou o nome civil de Rodolpho Martins de Andrade, e que seria o patriarca de numerosos descendentes. Numa época escravocrata, assumiu condições de trabalho, como forma de ter e lhe dar condições na organização do culto, conforme desejo de todos.
A sua vinda foi de uma importância fundamental para o grupo que estava sendo formado, tentando dar forma a um modelo de ritual dentro de um padrão de possível aceitação na nova terra. Era um grupo ligado ao culto de Sàngo, como Iya Naso, Rodolpho Obitico, Joaquim Oba Sanya, Marcelina Oba Tosi e Aninha Oba Biyi, entre outros. Isto fez com que a participação deste Orisá nos ritos religiosos se tornasse relevante, com possível razão pela inclusão do Osú, como símbolo da iniciação, o uso do ileke, o obrigatório Àmàlà semanal e a seqüência de cânticos denominada Roda de Sàngo, ponto de partida para a manifestação dos demais Orisas.

Conhecido e citado como Bamgbose (Ajuda-me a carregar o Ose) viria a ser reverenciado como Obitiko, (A família que se reúne), na relação dos ancestrais citados durante o ritual de Ipade, ao lado de Asika, Ajadi, Oduro, Kayode, Adeta Okanlede e demais personagens importantes da ancestralidade afro-brasileira. Os nomes dos homens aqui relacionados possuem muita importância, pois os antigos Babalawos eram considerados como irmãos das mães de santo e, assim, vistos como Tios merecedores do maior respeito e reverencia. Tinham eles entrados franca em todas as comunidades e sempre consultado. Eram raros, e não como nos dias atuais. Rodolpho Bamgbose aqui teve vários filhos, sendo que uma de suas filhas viria a dar sentido à família Bamgbose. Julia Maria de Andrade, falecida em 1925 e conhecida como Vovó Julia de Sàngo Aganjú, cujo nome iniciático era Oba Dára (O bom rei). Casou-se com Eduardo Américo de Souza Gomes, um africano natural de Abeokuta, onde nasceu em 1833, e para lá tendo voltado. Um dos filhos do casal seria personagem importante na linhagem religiosa, Felisberto Nazarenos Sowzer, ou Souza, de Ogunjá, iniciado por um tio, Ewetundé, cujo nome dado foi Oguntosí (Ogun é digno, poderoso). Outro filho foi para a Nigéria e não retornou.

Em uma de suas visitas ao Rio, em 1886, Bamgbose, juntamente com Joaquim Vieira e Aninha, organizou um grupo no Bairro da Saúde, num local de reunião de antigos cativos e libertos, talvez um antigo Zungu, deixando alguns símbolos e pedras ligados a Sàngo, que viria fazer parte da história do futuro Axé Opo Afonjá, do Rio. Em uma viagem de Recife para Salvador, passou mal vindo a falecer em Salvador, em 1908. Felisberto, que ficou conhecido como Benzinho, nasceu em Lagos, na Nigéria, vinda criança para o Brasil, tornou a voltar para a África e mais tarde retornando como Babalawo Ifásesi. Talvez seja que neste transito o seu sobrenome Souza. Era inteligente instruí, pois sabia falar inglês e nagô. Passou a viver com uma senhora africana chamada Damásia com quem teve duas filhas, Tertuliana Sowzer de Jesus, iniciada para Ibualámo Ode Tibuse, e Caetana Américo de Souza, já falecida, e que fez Osun Iyeponda. Fundou o Ilê Axé Lajuomin em 1941, em Salvador. Air Jose de Souza de Osogiyan Iwin Solá (Osoguiyan gerou a honra e prosperidade). Filho carnal de Tertuliana e iniciado por Caetana, sua tia viria a fundar, em Salvador, o Ilè Odo Oje, Casa do Pilão de Prata, em 1964. Caetana tem seu rosto esculpido em bronze com o título de Mãe Preta, na frente do Terreiro.

Em seu segundo casamento, com uma filha de Santo de Vovó Júlia, teve quatro filhos: Crispim de Souza, de Osoosi, Taurino de Souza de Obatalá, Regina Topázio de Souza, nascida em 1914, de Yemonja Oguntè, com o nome iniciático de Omi Olà (As águas da fortuna, da riqueza), e Irene Souza dos Santos, nascida em 1919, de Sàngo, cujo nome dado foi Oba Dipo (O rei ocupa o seu lugar), e que teve como Mãe-Pequena, Aninha Oba Biyi. Regina com 6 anos de idade, e Caetana com 13 anos foram iniciadas num mesmo barco, pelas mãos de Judith de Oya, uma filha de santo de Benzinho. Vindo para o Rio, no início do século passado, Benzinho passou a exercer suas atividades na Rua Marques de Sapucaí, no centro da cidade, e depois, na Rua Navarro, no Catumbi. Aqui viveu na mesma época de Abedé, Alágba, Pequena de Osalá e Aninha que aqui estava tendo ambos feitos o ajejê de Abedé em 1933. Foram os autores dos textos da Fecundação os Odús, um sistema de jogo de búzios, mais prático do que o intrincado sistema de ifá, devidamente adaptado à nossa realidade. Todos os Caminhos para a prática do jogo foram legados os seus filhos, tendo sido, mais tarde, adotado por todos que se utilizavam da prática do jogo por Odú.

Benzinho Bamgbose morreu no Rio, em 1943, com 66 anos de idade, tendo mais tarde seu corpo sido transferido para Salvador no mesmo cemitério onde seu avô foi enterrado na Igreja do Pelourinho. Seus descendentes, Caetana e Irene, abriram casa em Salvador; Regina de Yemonja ficou no Rio e abriu sua casa, em Santa Cruz da Serra, o Ilê Axé Iya Omi, na Baixada Fluminense em Duque de Caxias, em 1957, ficando à frente até o seu falecimento. Os Bamgbose possuem grande expressão e sobretudo reconhecimento em razão de seus descendentes serem muito atuantes no meio religioso com a distinção de serem iniciados dentro deste àse poderosíssimo, realizando suas obrigações, de preferência entre si. Sendo a família biológica do Candomblé, de maior número de integrantes, transformaram o importante título Yorubá, em uma denominação marcante representativa de rica linhagem familiar, a Família dos Bamgbose.

Kimbanda

O Kimbanda é um herbalista (que pesquisa plantas curadoras) ou curandeiro espiritual em muitas sociedades africanas e também em muitas sociedades da diáspora africana, tais como aquelas no Haiti, Cuba e Brasil.
Outro termo que designa o curandeiro da tribo é Nganga, que em determinado momento, em parte do território Banto, na África do Sul, acabou ganhando o significado totalmente ao contrário, como se o mesmo se tratasse de um “feiticeiro mal”, e não o seu termo original, que é tido como um benfeitor da tribo.
O Kimbanda é bastante familiarizado com muitas das causas físicas das doenças, e utiliza ervas e plantas da medicina popular em sua prática médica. O tratamento, porém, costuma ser sempre acompanhado de amuletos e fórmulas mágicas para controlar os espíritos maus. É uma crença comum a existência de feiticeiros, pessoas que tentam fazer o mal aos outros usando, por exemplo, magias maléficas.
A tarefa do curandeiro é anular o feitiço empregando os mesmos métodos magísticos.
Os efeitos que o Kimbanda atribui aos medicamentos são devidos não somente às propriedades reais dos elementos naturais (pantas, por exemplo), mas também e sobretudo, à força simbólica desses mesmos elementos.

KIM: Médico ou sacerdote dos Cultos bantos.
BANDA: Lugar ou cidade.

KIMBANDA – O CURANDEIRO.

Artigo: Renato da Silveira
Professor da Universidade Federal da Bahia
Doutor em Antropologia pela E.H.E.S.S de Paris

O JULGAMENTO DIVINO.

Esta semana um comentário no Blog me despertou um sentimento de frustração em relação a algumas pessoas e o modo de se relacionar dentro e com a nossa religião. Baseado nas afirmações indígenas e suas parábolas nigerianas vêem no texto abaixo o destino de pessoas que não encaram os desígnios da egregóra com seriedade.

As faltas cometidas são serias e os atos tanto de iniciados, oyès e sacerdotes, nos remetem a contemplação e pensamentos muito tristes. Os tabus são rompidos, a ética é esquecida em alguma gaveta, o desrespeito com os mais velhos e anciãos são recorrentes, já vimos este fato ocorrer no nosso Blog. Eu sempre digo que este mundo é o “mercado”, onde fazemos nossas compras e levamos para nossa verdadeira casa, o Òrum, que tipo de mercadoria viemos comprar?

Com que produtos devemos alimentar o nosso Eledá, que ficou no òrum esperando nossa volta?

Leiam e reflitam.

Ìdájó Ti Olórun – O Julgamento Divino.

Há um lugar definido, fora desta terra, para onde os falecidos vão. O nome utilizado para este lugar é Òrun que, num sentido geral, significa Céu, o lugar onde Olodumarè, os Òrìsás e os espíritos diversos habitam. 
A denominação de todos esses habitantes do Òrun é Ara Òrun, cuja principal diferença entre eles e os araàiyé (habitantes da terra) é a de que aqueles não necessitam do èmí, a respiração, para sobreviver, no dizer de J. E dos Santos – “o òrun é todo espaço abstrato paralelo ao aiyé”.  Outros alegam que o Òrun é muito longe, sendo por isso que o recém-morto tem que adquirir energia, consumido a comida e a bebida oferecidas durante a s cerimônias fúnebres, antes da ida para a longa viagem.
Para uma conclusão lógica da localização do Òrun, devemos nos fixar no seguinte: se Olodumarè é a origem desta alma que continua a viver depois da morte, ela forçosamente irá regressar à sua origem.
O Òrun é dividido em outros tantos espaços para acomodar todos os tipos de espíritos. São em número de nove, segundo as tradições, embora tenhamos conseguido relacionar apenas oito, com denominações diversas e condizentes com suas finalidades:
– Òrun Rere- o bom lugar para aqueles que foram bons durante a vida.
– Òrun Àlàáfíà- o local de paz e tranqüilidade.
– Òrun Funfun- òrun do branco e da pureza.
– Òrun Babá Eni- o òrun do pai das pessoas.
– Òrun Aféfé- o espaço da aragem, local de correção, onde os espíritos permanecem e tudo é corrigido, e lá ficarão até serem reencarnados.
– Òrun Ìsàlú ou Àsàlú- local onde são realizados os julgamentos.
– Òrun Àpàádi – o òrun dos “cacos”, do lixo celestial, das coisas
quebradas, impossíveis de reparar e de serem restituídas à vida terrestre através da reencarnação.
– Òrun Burúkú- o mau espaço, quente como pimenta e destinado às pessoas más.
Alguns dos òruns relacionados se equivalem pela finalidade que possuem, os mortos são encaminhados a um desses espaços após o fator decisivo do julgamento divino, pois, na realidade, o julgamento ocorre durante todo o tempo de vida da pessoa na terra. As divindades contrárias ao mal acompanham as pessoas em sua vida diária e dão a sua punição.
O juízo final fica a cargo de Olodumarè, decidindo quais são os bons e quais são os maus, e os encaminham para os respectivos òrun. O julgamento é
baseado nos atos praticados na terra e devidamente registrados no orí inú, que retorna para Olódùmarè. A maneira como é feito julgamento pode ser entendida através do seguinte provérbio:
 “Todas as coisas que fazemos na terra, damos conta de joelhos no céu”

Somente quando se é absolvido por Olodumarè é que se tem a oportunidade de
reunir-se com seus ancestrais, podendo-se reencarnar e renascer dentro
da mesma família.
Se alguém, porém é condenado vai para o Òrun Àpáàdi, onde irá sofrer com os maus. Quando finalmente for libertado, não terá oportunidade de viver uma vida normal e será condenado a errar, por lugares solitários, comendo alimentos intragáveis.
Isto é lembrado em trechos de palavras de despedida a uma pessoa que morre:

“Não coma centopéias
Não coma vermes
Coma as coisas boas que eles comem no céu
Coma com eles”

Fonte: http://br.geocities.com/cleidepizani/

 *Os nomes dados aos espaços do òrum carecem de confirmação.