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Peço agô em nome do blog, para comunicar o falecimento de Don Eugênio Sales com quem tive o prazer de conhecer, conversar e observar seu carisma. Homem simples de olhar firme e sólido, solidário e atencioso e acima de tudo, de enorme generosidade religiosa, tolerante e de um caráter social excepcional, o homem das pastorais, das favelas, dos negros, pois era contra a intolerância religiosa,o defensor dos direitos humanos, do regime democrático, dando refúgio a inúmeros políticos e jornalistas no tempo da ditadura. Um homem além da batina de fé inabalável, um religioso voraz dos costumes e normas de sua igreja e acima de tudo um verdadeiro homem de DEUS.

Dom Eugênio é filho de Celso Dantas Sales e Josefa de Araújo Sales (Teca) e irmão de Dom Heitor de Araújo Sales, arcebispo emérito de Natal, Rio Grande do Norte. Nascido na Fazenda Catuana, foi batizado na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Guia, em Acari, no dia 28 de novembro de 1920. De família muito católica, era bisneto de Cândida Mercês da Conceição, uma das fundadoras do Apostolado da Oração na cidade de Acari.

Realizou seus primeiros estudos em Natal, inicialmente em uma escolar particular, depois no Colégio Marista e finalmente ingressou, em 1931, no Seminário Menor. Realizou seus estudos de Filosofia e Teologia no Seminário da Prainha, em Fortaleza, Ceará, no período de 1931 a 1943.

Foi ordenado sacerdote pelas mãos de Dom Marcolino Esmeraldo de Sousa Dantas, bispo de Natal, no dia 21 de novembro de 1943, na mesma igreja onde recebera o batismo.

Casa onde nasceu na Fazenda Catuana onde hoje funciona um abrigo de idosos
Episcopado

No dia 1 de junho de 1954, aos 33 anos, foi nomeado bispo auxiliar de Natal pelo Papa Pio XII, recebendo a sé titular de Thibica.

Foi ordenado bispo no dia 15 de agosto de 1954, pelas mãos de Dom José de Medeiros Delgado, Dom Eliseu Simões Mendes e de José Adelino Dantas.

Em 1962 foi designado administrador apostólico da Arquidiocese de Natal, função que exerceu até 1965, quando da nomeação de Dom Nivaldo Monte.

Em 1964 foi nomeado administrador apostólico da Arquidiocese de São Salvador da Bahia, função na qual permaneceu até 29 de outubro de 1968, quando da sua nomeação a Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, pelo Papa Paulo VI.

Cardinalato

No consistório do dia 28 de abril de 1969, presidido pelo Papa Paulo VI, Dom Eugênio de Araújo Sales foi nomeado cardeal, do título de São Gregório VII, do qual tomou posse solenemente no dia 30 de abril do mesmo ano. Neste consistório foi também nomeado cardeal o brasileiro Dom Vicente Scherer.

No dia 13 de março de 1971, o Papa Paulo VI o nomeou Arcebispo do Rio de Janeiro[2], função que exerceu até 25 de julho de 2001, quando da sua renúncia, e que foi aceita pelo Papa João Paulo II.

Lema
Impendam et Superimpendar

Alusão à frase de São Paulo (2 Cor. 12, 15):
Ego autem libentissime impendam et superimpendar ipse pro animabus vestris. Si plus vos diligo, minus diligar? Quanto a mim, de bom grado despenderei, e me despenderei todo inteiro, em vosso favor. Será que, dedicando-vos mais amor, serei, por isto, menos amado?
Atividade e contribuições

Quando era arcebispo de Salvador, foi um dos criadores das CEBs (Comunidades Eclesiais de Base) e da Campanha da Fraternidade. Enquanto esteve à frente do Arcebispado do Rio, ordenou 169 sacerdotes, um número recorde, frente às outras Arquidioceses e dioceses brasileiras.

Foi um dos primeiros bispos brasileiros a implantar o Diaconato Permanente, ministério clerical que pode ser concedido a homens casados, segundo a restauração do Concílio Vaticano II. Foi membro de onze congregações no Vaticano.

Sua vida apostólica foi marcada pela defesa da ortodoxia católica. Combateu com firmeza a esquerda católica, a Teologia da Libertação e o engajamento político das Comunidades Eclesiais de Base.

Por outro lado, assumiu a defesa de refugiados políticos dos regimes militares latino-americanos entre 1976 e 1982. Montou uma rede de apoio a estes refugiados juntamente com a Cáritas brasileira e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, que consistia em abrigá-los, inicialmente na Sede Episcopal (Palácio São Joaquim) e posteriormente em apartamentos alugados para tal finalidade. Além disto, financiou a estadia destes refugiados até conseguir-lhes asilo político em países europeus. Foram asiladas mais de quatro mil pessoas. Usou sua autoridade para este fim, inclusive enfrentando os militares por diversas vezes. Ao assumir tal tarefa, telefonou para o General Sílvio Frota e disse-lhe: “Frota, se você receber comunicação de que comunistas estão abrigados no Palácio São Joaquim, de que eu estou protegendo comunistas, saiba que é verdade, eu sou o responsável. Ponto final, ponto final”. Também atuou junto aos militares na libertação de diversos acusados de subversão.[3]

Também recusou-se a celebrar missa pelo aniversário do Ato Institucional Número Cinco, pedida pelo General Abdon Sena, de Salvador.

Foi um dos brasileiros que mais ocupou cargos no Vaticano: foram 11 cargos nas congregações, conselhos e comissões.

Sua ação social abrangeu a criação de centros de atendimento a portadores de AIDS, a pastoral carcerária, um núcleo de formação de líderes na residência do Sumaré.

Sua renúncia foi solicitada em 1997, quando já completara 75 anos. Mas por indulto especial do Papa João Paulo II, seu amigo pessoal, foi autorizado a permanecer à frente da arquidiocese até completar 80 anos. Sua aposentadoria foi finalmente aceita no dia 25 de julho de 2001, quando Dom Eusébio Oscar Scheid, então Arcebispo de Florianópolis, foi nomeado o seu sucessor. Dom Eugênio permaneceu de 25 de julho até 22 de setembro de 2001 como administrador apostólico do Rio, nomeado por João Paulo II.

Em 22 de setembro, na presença de grande número de bispos e sacerdotes, entregou o governo da arquidiocese, através da passagem do báculo (cajado simbólico do pastoreio do povo de Deus, utilizado pelos bispos) a Dom Eusébio, até então não revestido da dignidade cardinalícia, que só viria a obter em 2003. Ainda permaneceu residindo no Rio de Janeiro, no Palácio Apostólico do Sumaré, e permaneceu em funções no Vaticano. Possuiu os títulos de Cardeal Protopresbítero (o mais antigo em idade e/ou nomeação entre os Cardeais Presbíteros) e Arcebispo Emérito (aposentado) da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Dom Eugênio, ao lado do irmão, na comemoração dos 50 anos de ordenação episcopal, em missa solene realizada na Igreja Matriz de Acari-RN.
[editar] Sucessão

Na Arquidiocese de São Salvador da Bahia, Dom Eugênio de Araújo Sales foi o 23º Arcebispo, sucedendo a Dom Augusto Álvaro da Silva e teve como sucessor Dom Avelar Brandão Vilela.

Na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, Dom Eugênio foi o 5º arcebispo, tendo sucedido a Dom Jaime de Barros Câmara e como sucessor Dom Eusébio Oscar Scheid.

Nagô Egba

Um pouco sobre a nação nagô Egba – Xangô do Recife.

Em 1875, Inês Joaquina da Costa (Ifá Tuniké), mais conhecida como Tia Inês, desembarcava em Pernambuco vinda da cidade de Egbá, na Nigéria. Em sua mínima bagagem como por intuição do que estaria por vir, trouxe sementes e materiais usados no culto a Yemonjá, orixá cultuado na sua região, e mais algumas divindades cultuadas no panteão yorubá.

Com o passar do tempo, ela se estabeleceu em Recife, no bairro de Água Fria, plantou as sementes das árvores sagradas, a exemplo da gameleira e do Baobá. E assim foi nascendo o Sítio de Tia Inês e uma forma de culto conhecida como Nagô Egbá, tendo sua casa matriz o próprio Sítio de Tia Inês, que mais tarde seria conhecido, registrado e tombado como Terreiro Obá Ogunté, estendendo-se então como culto mais conhecido em Recife e sua região metropolitana e como reflexo presente na cultura pernambucana.

Após a morte da matriarca da nação Nagô Egbá, o Sítio de Tia Inês continuou aos cuidados de seus filhos adotivos e assim a regência passou a ser de pai para filho, causando assim mais uma característica da nação: o patriarcado, como sendo a maneira mais comum de herança. O mais conhecido entre os regentes foi Felipe Sabino da Costa (Ope Watanan), conhecido como Pai Adão, sua figura se mostrou tão popular dentro do culto que a casa passou a ser popularmente conhecida até hoje como Sítio do Pai Adão.

Boa parte dos barracões, atualmente, é regida por zeladores, porém vale salientar que as casas mais tradicionais e mais respeitadas foram fundadas por mulheres.

Os papéis do homem e da mulher são bem fixos no culto, os homens ganharam mais espaço e sempre por trás dos zeladores estão elas, as “senhorinhas” zeladoras os acompanhando. Observando conversas entre zeladores percebo certo machismo e muitas zeladoras repelem esses conceitos, arregaçam as mangas e constroem seus barracões, sendo eles regidos por elas e sendo elas auxiliadas pelos seus ogãs e ègbón mi, mostrando que o futuro poderá refletir novamente o passado.

O Nagô Egbá se assemelha muito ao Ketu. É uma nação onde suas casas tradicionais mantêm as mesmas formas de culto e conceitos ensinados pelos seus antepassados, daí vem o por quê da quantidade de orixás cultuados, que citarei mais adiante, ser relativamente menor que a de outros cultos

Como uma nação de origem yorubá, o Nagô Egbá comporta orixás, teorias e histórias mitológicas iguais ou muito próximas da nação Ketu. Além das pequenas diferenças em sua ritualística interna, a diferença mais clara está presente nas festas, nas formas como os orixás se manifestam e dançam durante os xirês. Os instrumentos principais mudam; no lugar do som mais agudo dos atabaques, está o som mais grave e compassado dos ilús. A sequência de orixás cantada durante a roda do xirê é a mesma em todas as casas e a das toadas geralmente também (provável herança da nossa casa matriz).

Os orixás homenageados em ritual aberto ao público, o toque, são em menor número do que na nação Ketu, como já foi mencionado. São basicamente treze orixás cantados na seguinte sequência: Exu, Ogum, Odé, Obaluayê, Oxumaré, Nanã, Ewá, Obá, Oxum, Yemonjá, Xangô, Oyá e Oxalá. Ossaim tem seu culto e é sempre lembrado e homenageado durante os rituais internos e orôs; Iroko segue lembrado e cultuado nos terreiros na forma da imensa gameleira. Sobre o orixá Logum Edé, não há registro no culto Nagô Egbá, nós não negamos sua existência, apenas não há registro histórico sobre o orixá dentro do culto. Porém, há uma peculiaridade em relação a alguns outros cultos: o culto à Orunmilá é muito conhecido e difundido na nação com suas inúmeras cantigas cantadas durante as saídas dos balaios para Oxum e as panelas de Yemonjá, além de ser também lembrado na cerimônia de Bori.

Houve um tempo, mais precisamente entre 1938 e 1948, em que os terreiros de Candomblé foram perseguidos, fechados e alguns até destruídos. Esse episódio ocorreu em diversas partes do país e não aconteceu diferente em Pernambuco. Muitos zeladores fecharam suas portas, abandonaram a religião, enquanto os que persistiram na sua fé faziam tudo á maneira mais escondida e disfarçada possível.

“Era 31 de dezembro de 1948 e a comunidade de Água Fria, na Zona Norte de Recife, se aprontava para um ritual que há muito não se via, nem ouvia, a não ser em lugares secretos. Naquela noite poderiam outra vez cultuar seus deuses com o consentimento das autoridades.

É claro que começou somente com o povo do terreiro do Sítio de Pai Adão. Os filhos e filhas de santo tocavam e dançavam ainda desconfiados; o batuque era discreto. Olhavam pelas janelas para ver se a polícia não apareceria para impedi-los, mais uma vez. As baianas usavam a saia branca do candomblé por cima de vestidos. Ficaria mais fácil de tirá-las caso os perseguidores chegassem de surpresa. Os que não acreditavam no que ouviam, aos poucos, iam se aproximando do salão do terreiro, onde acontecia um toque para Oxalá.

De repente, um grito ecoa no salão. Era o orixá Ogum, manifestado em França, filha de santo antiga da casa. Os ogãs perderam a timidez; soltaram os braços e o toque se animou; os fiéis passaram a cantar mais alto, os cânticos a Oxalá. E os orixás da casa passaram a “descer”. Mãe Joana Batista recebeu sua Iemanjá, e os demais médiuns passaram a entrar em transe e receber seus orixás. Com o passar dos dias, outros terreiros do Recife voltaram a praticar seus rituais de candomblé, livres da perseguição que durou dez anos. O fim do período marcado pelas constantes prisões de babalorixás e filhos de santo, e quebra-quebra da polícia quando encontrava imagens e símbolos africanos nas casas denunciadas, completa hoje sessenta anos.”

(Este texto é de minha autoria, foi publicado primeiramente neste blog há anos atrás e agora está voltando à sua casa já que com a dimensão da internet muitos textos são copiados e não têm nem seus autores, nem sua fonte devidamente citadas).

Axé.

Uma interesante cerimônia acontece todas as semanas, na África, para o Orixá Ògún Igbó-Igbó, na pequena aldeia de Ishede, em Holi, região de floresta úmida situada exatamente na fronteira da república Popular do Benin (antigo Daomé) com a Nigéria.

Trata-se de uma típica semana Yorubá, cujos dias são dedicados sucessivamente a Exú, Ogun, Xangô e Oxalá.

Ishede permaneceu muito tempo isolado do mundo exterior, em função da natureza pantanosa do seu terreno, o que dificulta a construção de rodovias de acesso. Desta forma, esta aldeia tinha conservado até 40 anos atrás (quando foi realizado este ensaio fotográfico), os hábitos e os costumes religiosos dos antepassados, totalmente preservados das influências estramgeiras. Ishede era um excelente exemplo do que foram as cidades nagôs-yorubás antes da chegada dos missionários cristãos e mulçumanos e dos representantes do poder civilizatório.

O Alase (guardião do poder) de Ògún Igbó-Igbó detém, na ladeia, a posição de chefe tradicional, estando sua autoridade fudamentada na força deste Orixá, o poder que ele possui é de características teocráticas. O Alase assiste e preside as cerimônias realizadas a cada semana Yorubá para homenagem a Ògún Igbó-Igbó.

O templo de Ògun Igbó-Igbó está localizado numa grande clareira da floresta, vizinha à aldeia. O santuário onde são venerados os ferros de Ògún, símbolos de seu poder, consiste em uma choupana redonda, de teto em forma cônica, precedida de um galpão cujo o telhado de palha é sustentado por pilastras de madeira esculpida. Ao lado do templo tem um pequeno cercado chamado Idomosun, onde são feitas as oferendas aos ancestrais dos participantes da cerimônia. Em outro cercado, em frente ao templo, guarda-se sob os cuidados de Yafero, o odundun, planta que acalma , conhecida no Brasil como Folha da Costa.

Dois outros Orixás também são abrigados em choupanas ou cabanas, sendo uma de forma cônica, que é o templo de Exú, a outra guarda os objetos sagrados de Oxóssi, o caçador. Existe ainda um abrigo que serve de “caserna” aos Egbenlas, os soldados de Ògún. Os tocadores de atabaques são instalados ao ar livre, ao lado do templo de Ògún.

Há ainda outros assentos em diversos lugares para os demais dignatários da cerimônia e, finalmente, para as mulheres que cantam para saudar, mas, que não entarm em transe durante os rituais. O Alase também não entra em transe, este é um previlégio do sarcedote portador do título de Soba.

A manifestação da presença de Ògún é aconpamhada pelas presenças de Odé e Exú, que incorporam respectivamente em Onisogun e Oluponan.

Uma mulher, Yafero, é encarregada de acalmar Ògún se ele se tornar muito violento. Ela participa de todas as danças do ritual.

No dia consagrado a Ògún, o chão da clareira é cuidadosamente varrido, os sacerdotes dos Orixás e os dignatórios chegam uns após os outros tomam assento nos lugares determinados pela tradição.

Depois de algum tempo de pausa, a orquestra composta de três atabaques entram em ação com seus cântigos e rítmos e os sacerdotes de Saba, Osogun, Oluponan e Yafero, entram em transe e dançam em harmonia perfeita, uma espécie de quadrilha. Eles vão e vêm , saúdam os notáveis e pessoas presentes, Os egbenlas, soldados de Ògún, acompanham suas evoluções armados de facão.

Ao fim de um certo tempo, cada um dos participantes retorna a seu assento no lugar que lhes foi reservado, os atabaques param de tocar, os Orixás retornam aos seus templos e os sacerdotes depois voltam para confraternizar com todos.

Texto de Pierre Verger
*Publicado originalmente na revista Bric à Brac, IV, Brasília, 1990
Fotos sobre o texto podem ser vista no livro:Verger|Batiste – Dimensões de uma amizade.

Segue o link  da Cartilha para legalização de Casas Religiosas de Matriz Africana; um importante passo para nos defendermos mais da intolerância e sermos reconhecidos pelo Estado como detentores de religiosidade, cultura e fé. A cartilha clara, de fácil entendimento e mostra todos os passos necessários para legalizar a sua Casa de Axé.

Avante, irmãos!

Link para a cartilha: http://www.casadoperdao.com.br/images/CARTILHA_30.05.12.pdf

Fonte: Página do axé Casa de Oxumarê (https://www.facebook.com/casadeoxumare)

 

Embora o Òrìsà Obatalá seja o Senhor dos Mistérios do equilíbrio e igualdade e o proprietário dos Mistérios dos princípios feminino e masculino, é o Òrìsà Òsún quem é o proprietário das Forças de atração, Ibadana (afinidade), entre o masculino e o feminino. Embora Iyemoja seja o Dono dos mistérios da maternidade, é Òsún que manipula a natureza sexual não só dos ‘buscadores de Deus, mas de todas as criaturas e criações. Como a viagem do rio para o oceano é em última análise, a afinidade entre as criações masculinas e femininas é basicamente para a reprodução. Toda área abdominal é sagrada para Òsún e para que as mulheres, quandam desejam ter filhos devem propiciar o òrìsá para ajudá-las a alcançar seus desejos. Fertilidade é apenas uma das preocupações de Òsún. Este òrìsá também é responsável por todas as doenças abdominais e operações. Apesar de Òsún ser muito preocupada com a “reprodução”, ela é tão ou mais preocupada com as forças avassaladoras e prazeres provocadores que desbloqueiam os potenciais criativos dos princípios feminino e masculino. Òrìsà Òsún Oluwa áwo inu didun ipilese. A Dona dos Mistérios do Princípio do Prazer. Òsún é o Òrìsà do amor incondicional, receptividade e diplomacia. Òsún é associada com o mel, porque o mel é ao mesmo tempo agradável aos sentidos e tem grandes poderes de cura. Òrìsà Òsún incorpora todos os aspectos da natureza sexual da fêmea. Ela é Iwa Wundia (a virgindade), a maturação dos frutos na videira – aproximando a sua disponibilidade para satisfazer a fome e os sentidos de quem tiver a sorte de provar sua doçura. Ela é Iwa Obinrin (O Ser Mulher); encorporando todos os atributos femininos e masculinos de um ser ciente de estar maduro e fornecer a tela sobre a qual o homem pode escrever suas realizações como um homem, ela é o “espelho” que reflete o macho de si mesmo. Se o macho não respeitar, cuidar, elevar, apoiar e proteger a mulher e o fruto do seu ventre, ele só terá sucesso em diminuir a si mesmo. Òsún também é Pansaga Obirin (A Sedutora fêmea) – que através de seus prazeres, pode tentar o homem a arriscar o trono que ele tem, ou inspirá-lo a tomar o trono de outro. Quando o Àse se tornou auto-consciente e Òlódúmarè experimentou a primeira emoção do amor, – o aspecto do Àse que é o Òrìsà Òsún, ‘nasceu’. Um dos símbolos de Òsún é o espelho, mas isso não deve levá-lo a pensar que Òsún representa apenas a beleza externa. Como Mason e Edwards salientaram, “Òsún é a qualidade de uma mulher que emana beleza de tal modo que a visão não é necessária a fim de lhe apreciar.” Ela é: “… a idéia da excelência, tal como refletida por gosto, requinte e delicadeza.”

Oríkì Òsún

Eu me humilho diante dos mistérios de Òsún.

Você é a Deusa do rio.

Você é o proprietário dos Mistérios da Civilização.

Você é o proprietário dos Mistérios do Amor.

Você é o Òrìsà mais bonito.

Você é o proprietário dos Mistérios do mel.

Você é o proprietário dos mistérios do sexo e intimidade.

Àse.

A Rede Nacional de Cultura Ambiental Afro-brasileira promove a I Semana de Cultura, Cidadania e Ecologia dos Povos Tradicionais de Terreiros. O encontro que tem por objetivo promover justiça social e ambiental será realizado durante a Rio + 20, na Cúpula dos Povos, no Aterro do Flamengo, até o dia 23 de junho, no Rio de Janeiro.

A Cúpula dos Povos tem por objetivo alertar o planeta sobre os riscos sinalizados no processo da Rio+20, questionando os limites de compreensão dos líderes políticos e o posicionamento do sistema capitalista acerca das crises que precisam ser enfrentadas neste século XXI.

Comunidades tradicionais, povos de terreiros, povos indígenas, griôs, quilombolas, pontos de cultura, agentes e ativistas culturais se organizam para aproveitar esse espaço de convergência e aglutinação de um amplo Movimento Social da Cultura que se organiza através de diversas redes culturais nacionais e internacionais.

Compreendendo a importância da cultura para pensarmos um novo modelo de envolvimento sustentável de maneira profunda, estrutural e orgânica, o encontro será um espaço aberto para vivenciar, visibilizar, celebrar, apresentar caminhos, trocar saberes, fazeres e tecnologias, intensificar diálogos e propor soluções simples, viáveis e eficientes – muitas das quais são praticadas há séculos pelas comunidades tradicionais – oferecendo assim, conhecimentos e práticas reais para a construção de uma sociedade global baseada na justiça social e no equilíbrio ambiental.

Terreiros Digitais – Durante toda a Cúpula, comunidades de terreiro receberão informações via internet, com o objetivo de propor para a dinamização e o empoderamento dos participantes no debate e disseminação da cultura digital através da ancestralidade. Acompanhe pela Rádio Stream Mojubá, Laroie, Exu! Conexão Oyá Togun, sempre às 18 horas.

Candomblé e Direitos Humanos, Espaço Xangô – Direito Sagrado, Ouvidoria de crimes contra cultura e religião são alguns dos temas tratados pela programação que transmite amplexos radiofônicos emitidos por Terreiros de todo o Brasil.

Programação da I Semana de Cultura:

20 de junho – quarta

9h30 – Roda de Acolhimento de Cultura Tradicional dos Povos de Terreiros 10h – Mobilização Global Mãe Beata de Yemanjá e Wole Soiynka – Mestres de Cerimônias das Culturas Tradicionais

14h – Marcha Mundial dos Povos (Candelária)

18h – Programação Cultural Show Barravento

Grupo Cultural O Som das Comunidades: Entra na Roda

21 de junho – quinta

9h30 – Roda de acolhimento Cultura Tradicional dos Povos de Terreiros e povos das Florestas

10h – Dinamicas Glocais – Cultura, Cidade, território e modelos de desenvolvimento Camilo Bogotá – subdirector de Prácticas Culturales – Secretaría Distrital de Cultura, Recreación y Deporte de Bogotá Edwin Cubillos – Gestor de Cultura Viva Comunitaria – Secretaría Distrital de Cultura, Recreación y Deporte de Bogotá Hamilton Faria – Instituto Pólis (SP) Atílio Alencar – Casa FDE PoA

12h – Intervenção teatral: Centro de Teatro do Oprimido: Direito à Moradia

12h30- Oficina Percussão da Maré

15h – Roda de Conversa – Artes Públicas e Direito à Cidade Amir Hadad – Teatrólogo e Diretor do Grupo Tá Na Rua Reimont Ottoni – Vereador e Presidente da Frente Parlamentar de Cultura da Cidade do Rio de Janeiro Giuseppe Cocco – Universidade Nômade/ UFRJ Zeca Ligiéro- NEPAA/ UNIRIO

Programação Artística:

18h – Tá na Rua ” Santo Antônio de Lisboa e a Sereia do Mar”

20h30 – Up with people

22 de junho – sexta

Kao, Xango!

9h30 – Roda de acolhimento Cultura Tradicional dos Povos de Terreiros e povos das Florestas

10h às 12h -Dança Palco Pequeno – Iara Cassano

13h – Almoço

15h – Assembleia Cultural dos Povos – Direitos Culturais – Cultura como Bem Comum

23 de junho – sábado

14h – Reunião da Rede Nacional de Cultura Ambiental Afro-brasileira Encaminhamentos, finalização de sistematização dos documentos

20h – Festa de Xango

Fonte: Pontão de Cultura Guaicuru

 

Fonte da notícia: http://religioesafroentrevistas.wordpress.com/2012/06/20/i-semana-de-cultura-cidadania-e-ecologia-dos-povos-tradicionais-de-terreiros-por-uma-cultura-viva-sem-fronteiras/

Autores de livros de autoajuda frequentemente listam coleções de atitudes e sentimentos que resultam em entraves para a trajetória daqueles que se empenham na sua evolução espiritual. Aqui vai a nossa lista de observações para o seu autoexame, com itens que consideramos perigosas armadilhas sempre à espreita do Ego desavisado e que podem conduzir a enganos, resultando em grande perda de tempo na senda:

1. Não reconhecer a negatividade do seu Ego como fonte primeira de todos os problemas, tudo atribuindo a fatores exteriores. Deixar de vigiar e educar de modo correto o seu Eu Interior, mergulhando intensamente na vida espiritual e tudo ao sobrenatural atribuindo, em desconsideração ao aspecto psicológico da sua personalidade.

2. “Amar” aos outros, descurando a si mesmo. Utilizar o álibi do “serviço ao próximo”, ignorando as responsabilidades para consigo próprio e para com os seus dependentes imediatos. Quem não ama a si mesmo é incapaz de amar a quem quer que seja. Só compartilha quem dispõe de algo a ser compartilhado. A Escola Terra destina-se ao burilamento do Eu Divino que se encontra em estado bruto e revestido por camadas egóicas no interior de cada um.

3. Comer incorretamente, ignorando a constituição química do seu corpo físico. Acreditar que numa alimentação que restrinja o prazer degustativo, ou no jejum, encontrará as chaves mágicas da ascensão espiritual. Não praticar exercícios físicos para cuidar do corpo físico que, afinal, é o nosso instrumento principal. Tender para o ascetismo e desligar-se demasiadamente das coisas da Terra, vitais para a nossa experiência em matéria. Identificar-se excessivamente com seus corpos mental ou emocional, sem ter ainda atingido o equilíbrio necessário. Considerar-se evoluído demais para estar na Terra, ao invés de tentar contribuir para uma mudança de paradigma aqui e agora.

4. Exercer domínio sobre os outros através de ameaças e manipulações, sufocando as manifestações do seu livre-arbítrio. Deixar-se enredar pelo glamour e ilusão dos próprios poderes, acabando por esquecer o amor incondicional – onde reside o poder espiritual supremo. Ter a pretensão de acreditar e assegurar que está no “final da roda encarnações”.

5. Tornar-se um extremista fanático, sem enxergar o equilíbrio do caminho do meio. Buscar argumento e justificativa nos dogmas das religiões formais, sem exercer com lucidez o seu próprio discernimento. Apoiar-se e depender da figura de um sacerdote ou guru como intermediário entre si e o Divino.

6. Tornar-se sisudo, autoritário e formal, a ponto de privar-se da alegria e da diversão. Mascarar tranquilidade e suavidade, enquanto a presunção interior ferve com irritação e intolerância.

7. Ser indisciplinado nas suas práticas espirituais, abandonando-as quando se envolve num relacionamento amoroso e conferindo prioridade a ele, em detrimento do seu processo interno.

8. Esperar que Deus, os Mestres ascensionados – ou seja lá quem for – resolvam todos os seus problemas, intercedam pelas suas dívidas cármicas ou assumam as suas responsabilidades. Acreditar que alguém teve o privilégio de nascer “pronto” e que os Seres e Mestres ascensionados não trilharam o mesmo caminho dos desafios, provas que a evolução requer.

9. Convencer-se de que o sofrimento e o cultivo da pobreza são méritos que poderão acelerar a sua evolução ou engrandecê-lo espiritualmente. O trabalho eficiente que produz frutos e riqueza que a muitos beneficia é uma bendita missão na Terra. Cada um tem o direito de honrar o seu próprio esforço e reconhecer o seu valor. O manto da humildade costuma servir de disfarce para a arrogância e o orgulho exacerbado. Falsa humildade não deve ser confundida com elevação espiritual. Quem conhece a sua verdadeira e ínfima dimensão perante o Divino, não precisa mascarar humildade, inferiorizando-se perante os seus semelhantes.

10. Não fechar o seu campo energético, convencido de que “as boas intenções” o tornam imune a todas as influências negativas. Achar que, partindo da premissa de ser merecedor, seus desejos e pedidos devem ser sempre “atendidos”. Ser bem-sucedido é muito gratificante, mas o objetivo principal da vida não é a obtenção de tudo o que se deseja.

11. Viver na zona de conforto relaxando a vigilância sobre suas falhas, acreditando que está imune a quedas e retrocessos.

12. Ler demais, não meditar o bastante e colocar em prática menos ainda.

13. Considerar uma grande honraria poder servir como canal para entidades de outros planos, ao invés de expressar a sua própria voz. É preciso estar ciente de que, mesmo o mais evoluído dos Seres – da Terra ou de outro orbe – não detém o conhecimento total ou poderes ilimitados. Esta é uma prerrogativa da Divindade Suprema – que comanda todo(s) o(s) Universo(s) com seus muitos trilhões de galáxias.

14. Forçar a elevação da sua kundalini e a abertura dos chakras, sem ter ainda o necessário amadurecimento em outros aspectos, como se isso, por si, assegurasse o acesso ao “nirvana”. Portanto, o ideal é procurar equilibrar e integrar intuição, intelecto, sentimento e instinto, cada qual na sua devida proporção e valor.

15. Considerar o seu caminho espiritual – quando não o único-melhor do que o dos outros e aferrar-se a este caminho como Verdade única e definitiva, sem considerar que as vias são inúmeras e que a impermanência é constante no Universo manifestado. É preferível abster-se de discussões ou da pretensão de, no entusiasmo das suas experiências, convidar o outro a experimentar as vivências que são suas. Para cada patamar há afinidades próprias e experiências particulares.

16. Julgar as pessoas em função da sua antiguidade na senda espiritual ou do nível de iniciação que alcançaram. Gabar-se das próprias façanhas espirituais ou das dos seus mentores e guias. Forçar com ansiedade as próximas etapas, ao invés de concentrar-se na realização do trabalho – e nos dissabores – da etapa atual.

17. Competir, comparar-se com outras pessoas e acabar invejando o sucesso alheio, ao invés de perceber que somos únicos, com dons e potencialidades próprias, cada qual segundo circunstâncias e vivências específicas. Por fim, jamais esquecer que o Caminho é individual e, portanto, solitário. Não se imbuir da busca infrutífera de uma eventual “alma gêmea”, sem perceber que a sua própria Alma – a Mônada – dispõe de ambas as polaridades para se complementar plenamente.

Por Òya gbémi – Eliane Haas

Ìyá Ègbé Ilè Àsè Efunlase

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