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Èsù Okoto

okoto 2

O Senhor da evolução, representado pelo caracol.

Diferentes origens de Èsù são narradas em diversos itan de Ifá. Uma delas, que determina a ligação existente entre Èsù e Òrúnmìlá, contida no Odù Ogbè ‘Òkánrán, conta que:

Quando Olódùmarè e Obàtálá estavam começando a criar o ser humano, criaram, antes, a Èsù. Tendo visto Èsù na casa de Obàtálá, Òrúnmìlá demonstrou o desejo de possuir um, mas foi-lhe recomendado que voltasse um mês mais tarde porque tudo o que vira estava ainda em fase experimental. Inconformado, Òrúnmìlá insistiu tanto que Obàtálá resolveu atender à sua vontade, orientando-o para que pusesse as mãos sobre a cabeça de Èsù e que, voltando para casa, fizesse sexo com sua mulher. Tudo foi feito de acordo com a orientação de Obàtálá e, doze meses depois, Yebìirú, mulher de Òrúnmìlá, deu à luz um filho do sexo masculino e porque Obàtálá dissera que a criança seria Alágbára (Senhor do Poder), Òrúnmìlá resolveu chamá-lo de Elégbára. Logo que seu pai pronunciou seu nome, a criança começou a chorar e a dizer: Iyá, iyá, ng o je eku – (Mãe, mãe, eu quero comer preás). Ouvindo os apelos de seu filho, a mãe respondeu de imediato: Omo naa jeé! – Filho, come, come! Omo l’okun, – Um filho é como contas de coral vermelho, Omo ni de – Um filho é como cobre, Omo ni jìngìndìnrìngìn, Um filho é como uma alegria inextinguível, A mu se yì, mù s’òrun – Uma honra apresentável, que nos Ara eni. – nos representará depois da morte. O relato se estende mostrando como Esù, servido por sua mãe, devorou todos os quadrúpedes, aves e peixes e, não tendo mais nenhum animal sobre a face da terra, engoliu a própria mãe. Assustado com o ocorrido, Òrúnmìlá consultou o oráculo e lhe foi recomendado fazer um ebó composto de uma espada, um bode e quatorze mil cawuries (búzios).

Feita a oferenda, Òrúnmìlá aproximou-se de Èsù, que não parava de chorar e de gritar.

“Bàbá, bàbá, ng ò je ó ó!”

(Pai, pai, eu quero comê-lo!)

Berrou o menino.

Òrúnmìlá, então, cantou a canção da mãe de Èsù e quando este se aproximou para devorá-lo, atacou-o com a espada do ebó. Èsù foi então cortado em duzentos pedaços e cada pedaço transformava-se num novo Yangi, num novo Èsù. A perseguição se estendeu pelos nove òrun e, em cada um deles, Èsù era seccionado em duzentas partes e cada uma delas se transformava num novo Yangi. No último òrun, depois de ser novamente retalhado, Èsù propôs um pacto a Òrúnmìlá: Cada Yangi seria uma representação sua e Òrúnmìlá poderia consultá-los e mandá-los executar trabalhos sempre que fosse necessário. Òrúnmìlá, então, perguntou-lhe por tudo o que havia devorado, inclusive sua mãe, e Èsù respondeu:

“Òrúnmìlá kí o maa kési oun bí ó bá féé gba gbogbo àwon nkan bi eran ati eye tí òun ó máà ràn án lówó láti gbà padà fún láti owo àwon Omo aràyé”.

(Òrúnmìlá deveria chamá-lo se ele quisesse recuperar a todos e cada um dos animais e aves que ele tinha comido sobre a terra; ele, Èsù os assistiria para reavê-los nas mãos dos seres humanos).

O que a lenda ensina é que Èsù é um só subdividido em incontáveis partes e desta forma, todos os seres humanos, animais e vegetais, assim como os próprios òrìsà possuem os seus Èsù individuais. Èsù é o comunicador, o intermediário, o policial, o juiz e o carrasco e, da mesma forma que castiga os malfeitores, premia aqueles que agem corretamente. Èsù é, portanto, a divindade de maior atuação no contexto religioso da religião dos òrìsà. Èsù resulta da interação de Obàtálá e Odùdúwà e como o primeiro elemento procriado seria a personalização da energia que reúne os átomos, possibilitando a diferenciação da matéria a partir de uma essência única. Ele é o grande transformador, o comunicador, o intermediário entre os homens e as divindades e entre estas e o supremo criador.

O exposto acima é uma compilação do livro Èsù a Pedra Fundamental.

Àse.

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É recorrente e bastante cotidiano nos chegar vários leitores diariamente dizendo que querem sair da casa na qual foram iniciados pelos mais variados e discrepantes motivos. Fora deste mundo virtual eu – e presumo que todos os religiosos – vejo com alguma recorrência isso também acontecer com uma facilidade surpreendente: iyawôs que trocam de casa, que saem pulando de uma em uma e passam os anos que deveriam aprender a serem bons egbomis passando temporárias estadias em diferentes lugares.

Por outro lado, há alguns problemas de ordem interna ou de administração de casa que acabam por fazendo o iyawô tomar essa decisão drástica e ficarem perdidos por apenas quererem uma casa pra permanecer, pra sentir bem o seu orixá longe dessa bagunça de troca-troca anual de casa tão vista por aí.

Nunca parei pra pensar sobre isso antes, pois até então sempre fui firme e convicta de que sempre seria da casa onde nasci e nunca tinha vivido nem presenciado este fato por parte de um iniciado. E também por ser mais nova esse tipo de acontecimento sempre ficou distante de mim e ao encargo dos mais velhos.

Não é à toa que a palavra iyawô signifique “noiva”. Durante a minha iniciação ouvi: “É pra sempre: a ligação com o orixá é pra vida toda”. Iniciação é um casamento, um casamento com o seu orixá que não aceita divórcio, contrato, acordo ou qualquer coisa do tipo. Está acima das pessoas, do humano e de qualquer convenção que existe. Este laço só se desfaz com a morte, a partida para o orun. Neste processo o axé é imprescindível; a navalha, de extrema importância; o zelador, fundamental.

Muito falamos aqui sobre o tempo de abiyan, sobre o tempo de aprendizado, de adaptação e nada disso aqui é falado sem nenhuma pretensão. Iniciação é um ato sério, requer responsabilidade e compromisso. Ser iniciado significa tentar ter toda a retidão possível para com o seu orixá a fim de conseguir ouvir e entender o que ele falar, o que ele apontar, pois Ori pode ser soberano, mas o nosso orixá sempre deve ser escutado e ele não se comunica melhor com ninguém do que com o seu próprio filho, afinal de contas temos sua energia em nós. Eu tenho cá com os meus botões que a gente passa todos os nossos anos de iniciado buscando essa sintonia perfeita, buscando não errar seguindo os conselhos do nosso orixá e essa busca é feita em cima de responsabilidade, respeito, compromisso, preceito, retidão e tempo.

Contudo, alguns iniciados acabam não captando isso e/ou alguns zeladores acabam também não captando a mesma mensagem. Algo entra em desalinho e nesse desalinho pode ter de um tudo: desde o respeito que possa ter deixado de existir, diferenças entre irmãos, até caminhos apontados pelo orixá. Se o quadro se mantém e o tempo não ameniza, sair é a solução?

Meus textos são delicados, pois levo a minha fé de forma delicada – embora minha personalidade não seja -, mas eu sei e partilho da ideia de que gente de Candomblé tem que ser casca grossa. Cultuar orixá é a coisa mais linda do mundo, mas, às vezes, a gente escuta o que não gosta, ver o que não quer e isso é normal, pois uma casa de Candomblé é quase a mesma coisa que o mundo lá fora adicionado (muito adicionado) com personalidades mais abertas, mais a mostra, já que a nossa religião preza isso. Numa casa de Candomblé somos ainda mais nós mesmos e ainda com uma grande presença do nosso orixá. Abri esse parágrafo somente pra escancarar que casa de Candomblé é amor ao orixá, é servir ao orixá, mas quando o assunto são as pessoas, não é um mar de rosas, é um mundo real. No mundo real ninguém diz “cansei” e sai dele. Pois é. Em casa de axé também é assim. Ou ao menos deveria.

Todo iniciado, como já disse antes, carrega muitas responsabilidades e pensar sobre uma saída é algo que requer muito cuidado, muita reflexão sobre as conseqüências, tempo e saber o que o orixá pensa, o que ele quer. Não é uma decisão a ser tomada como um espasmo, um susto, uma virada de noite, um abuso qualquer. É praticamente esperar brotar a flor e amadurecer o fruto. Ou seja, exige uma coisa que eu sei que existe, mas não sei como funciona muito bem: paciência. Só que partilho aqui como conselho, pois acho que os constantes pedidos da minha zeladora a Oxalá para que me dê paciência talvez estejam dando resultado.

Falo isso de forma aberta, pois já tomei essa atitude de sair da casa onde nasci e depois acabei voltando porque Xangô me chamou e me acolheu de volta. Todos estes acontecimentos me confundiram um pouco e me fizeram repensar se tudo que eu sempre falei aqui eu estava vivendo de fato. Volto a escrever respondendo ao meu próprio silêncio que se todo aquele vendaval passou pela minha vida religiosa e hoje eu continuo firme e vibrante na minha fé, é porque eu nunca me escondi das minhas responsabilidades e do amor pela minha religião. Tudo o que eu sempre falei sobre viver a religião continua de pé sim. E digo que hoje bem mais que antes.

Já, já tô voltando, gente! 😀

Dayane Silva

Yemojá

Como no Brasil temos o hábito de cultuar Yemojá no dia 2 de fevereiro. O blog não poderia deixar de homenagear este grande òrìsà.

Ìyà mi Odò.

Mo jùbá Aìyàgbà Okún.

Yemojá além de ser uma das principais energias entre os òrìsà é também incompreendida, enigmática ou pouco conhecida em sua essência.

Ela não é apenas uma figura feminina passiva e materna, é uma matriz energética extremamente poderosa e esbanjando sensualidade, controlando uma série de atributos.

Sendo a principal conhecedora das profundezas e labirintos do Orí, a cerimônia de Akunleyan (a cerimônia onde Ori escolhe seu destino) tem sua participação, a confecção de todos os destinos tem sua supervisão, lhe dando atributos de conhecedora e conservadora de destinos humanos.

Os domínios de Àjàlá Mopin sempre contam com sua presença.

A cerimônia do Bori tem sua energia invocada obrigatoriamente, juntamente com Obàtálá.

De professora a mãe provedora, domina a posse dos segredos das profundezas do oceano e suas riquezas.

Pode naturalmente responder suplicas às margens de rios e lagos.

Pode causar uma destruição incrivelmente forte personificada por furacões e agitação descontrolada dos oceanos, é uma das energias fundamentais da cosmogonia / cosmogenese de Ifá.

Yemojá pode descobrir as mais remotas dificuldades de um Orí, seu poder e conhecimento nesta área não são superados por outra energia celeste.

Yemojá está contida em todos os seres humanos através dos sais das águas marinhas que estão contidos no suor e nas lágrimas.

Mitos a confundem e a inserem como ‘irmã’ de Ajè Sàlùgà, filha de Aládì e Olókun Seniade, esposa de Obàtálá, mãe de vários Irúnmólè e etc.

A verdade é que não existe òrìsà mais importante na arte de apoiar e concertar um mau Ori.

Oríkì Yemojá

Para invocação de boa fortuna e bênçãos.

Agbè ni igbe’re ki Yemojá ibi kejì Odò.

Aluko ni igbe’re k’losa, ibi kejì Odò.

Ogbo Odidere i igbe’re k’oniwo.

Omo at ‘Òrun gbe ‘gba ajé ka’ ri w’aiye.

Olúgbe-rere ko,

Olúgbe-rere ko, Olúgbe-rere ko, gbe rere ko ni Olúgbe-rere.

Àse!

É o pássaro Agbè que leva fortuna boa ao Espírito da mãe da pesca, a deusa do mar.

É o pássaro Aluko que leva fortuna boa ao espírito da lagoa, o assistente da deusa do mar.

É o papagaio que leva fortuna boa ao Chefe de Iwo.

São crianças que trazem fortuna boa do Òrun para o Ayè.

Ó Grande mãe que dá coisas boas, Ó Grande mãe que dá coisas boas, Ó Grande mãe que dá coisas boas.

Dê-me coisas boas.

Oh! Grande mãe que dá coisas boas.

Àse.

Saudação:

Obà si Yemojá.

(Yemojá é rainha).

Odò Ìyà, Aìyàgbá Odò, Aìyàgbà okùn.

(Mãe do rio, rainha dos rios, rainha dos mares).

Epá òrìsà.

Texto Odé Gbàfáomi

Muitos internautas, novos pesquisadores, adeptos, abian e suplicantes que vão buscar conselhos junto ao oráculo, quando vêem este Odù revelado em uma consulta recebem a informação de que Òbàrà é Odù da prosperidade, da riqueza, do dinheiro e etc.

Os olhos brilham de felicidade, a vaidade aflora, a dor desaparece, é como se o remédio para todos os males estivesse pronto para ser ministrado.

Doce engano. Òbàrà fala de prosperidade financeira, quando temos atrelado a isso, as mudanças requeridas para conquistar tais bênçãos. Òbàrà nos empurra na direção das mudanças interiores, das mudanças de maus hábitos, da mentira, da ignorância, da falta de educação para com os mais velhos e semelhantes, para a retirada da imposição de atitude, onde você se acha o dono da verdade e ninguém será capaz de movê-lo para a direita.

Pensem bem sobre o texto, analisem a conduta de Òbàrà, veja o quanto sua humildade é enaltecida e sua recompensa em cima da arrogância das outras pessoas.

Òbàrà fala de Orí, Orí fala de caráter, caráter fala de comportamento, comportamento está ligado a cumprir seu destino e cumprir destino está ligado a alegria ou sofrimentos. Estamos em uma colcha de retalhos, tudo e todos estão interligados.

Epá Obàtálá, divindade suprema que nos cobre com seu Alá Nlá e nos acolhe para que possamos ter tempo de pensar e mudar nossas atitudes.

Òbàrà méjì

I

I

II

II

II

II

II

II

Por esta marcação o Bàbáláwo reconhece este Odù. Chamamos de marcação binária.

Esse Ifá:

Òbàrà o que você vende que o fez tão rico?

Vendi abóboras.

O Abutre é calvo por não ter medo de navalha.

Píton, o sacerdote de Àgbaalè.

O ferreiro não quer ver o fim das guerras na face da Terra.

Foi este que lançou Ifá para Éjì Òbàrà.

A criança entre todos eles.

No dia que eles foram lançar Ifá na casa de Olófin.

Estes quatro eram os que lançavam Ifá para Olófin a cada quatro dias.

Sempre que eles vinham Olófin lhes dava comida e bebida.

Porém, um dia.

Olófin pegou quatro abóboras abriu e colocou dinheiro dentro delas.

Ele colocou contas Okun e Iyùn dentro delas.

Ele colocou láàràngúnkàn, as roupas do rei.

Ele também colocou outras coisas valiosas da cidade de Ilé Ifé

Depois que ele terminou o trabalho

Èsù esfregou suas mãos sobre elas fazendo as marcas da faca desaparecerem.

Quando Òbàrà e seus amigos chegaram

Olófin não lhes deu comida e nem bebida

Depois eles foram descansar por um tempo

Olófin deu uma abóbora para cada um

Três estavam curiosos sobre o que fazer com as abóboras

Eles disseram:

Òbàrà por que você não leva as abóboras?

E foi assim que eles empurraram as abóboras para Òbàrà

Quando ele chegou a casa

Ele deu as abóboras para sua esposa

Ela disse:

O que eu farei com essas abóboras?

Ele também as recusou e as deixou para Òbàrà.

Quando a fome lhe apertou o estômago, ele foi à cozinha.

Ele colocou uma panela no fogo

Quando ele cortou as abóboras o dinheiro apareceu em quantidade.

Quando ele cortou as outras três

Ele encontrou muitas coisas valiosas

Que o Olófin havia colocado dentro delas

Foi assim que Òbàrà se tornou um homem rico

Quando eles retornaram a casa do Olófin

Ele já estava construindo sua casa

Ele já tinha uma nova esposa

Ele havia comprado um cavalo preto

Ele também comprou um cavalo vermelho

Òbàrà se tornou um homem famoso no mundo inteiro

Ele começou a se alegrar

Os sinos tocaram em Ìpóró

Os tambores foram tocados em Ìkijà

As varas foram usadas incessantemente em vários tipos de tambor,

Na cidade de Ìserimogbe.

Òbàrà louvou seu Áwo

Seu Áwo louvou Ifá

Ifá louvou Olódùmarè

Ele abriu sua boca

E Èsù colocou uma canção

Ele disse que foi exatamente como previsto pelo Áwo

Eles usaram suas vozes para louvar Ifá.

Òbàrà, o que você vendeu para ficar tão rico?

Vendi abóboras.

O Abutre é calvo por que não tem medo da navalha.

Píton o sacerdote de Àgbaalè

O ferreiro não quer que a guerra acabe no mundo.

Foram eles que lançaram Ifá para Éjì Òbàrà

O filho e tudo

No dia em que eles iriam lançar Ifá no palácio de Olófin

Eles não colocam mais Òbàrà em último lugar

Ele é o primeiro de todos

Éjì Òbàrà pegou um cavalo preto

Éjì Òbàrà pegou um cavalo vermelho

Éjì Òbàrà o que você vende?

abóboras.

O que foi que o deixou tão rico?

abóboras.

Àse.

 

Os nomes dos Áwo geralmente são pistas para a interpretação do Odù.

Aqui temos o Abutre, a Píton e o Ferreiro.

O Abutre representa as Mães, o Ferreiro representa Ògún e a Píton representa um menos conhecido, porém, muito poderoso òrìsà Òsúmàré.

As mães, em forma de Òsún, a personificação do princípio feminino.

Ògún a personificação do princípio masculino e a unidade simbolizada na Píton (ere). A Píton é o símbolo de Òsúmàré, que aparece em forma de arco-íris, frequentemente representado por um par de serpentes ou uma única serpente com duas cabeças. Òsúmàré está associado com a riqueza e a prosperidade.

Curiosamente, a palavra ‘maré’ (significa: O Imenso, o Infinito ou a Eternidade), aparece em Òsúmàré e em Olódùmarè. Diz no antigo mito que o arco-íris é uma mensagem de Olódùmarè para sua mãe, a Píton, no submundo. Aqui encontramos a antiga ideia de que Olódùmarè, a luz, saiu da escuridão, a mãe dele no submundo.

O equilíbrio das forças no interior do indivíduo, o alinhamento do Ori Inu (Eu interior) com seu Orí (destino) e os Ìpòrì (Eu superior) leva a riqueza e a prosperidade espiritual, abundância (gbogbo ire). O princípio central de Ifá é a necessidade de estabelecer uma boa relação com o mundo que habitamos. Praticantes de Ifá acreditam em reencarnação, onde o indivíduo retorna repetidamente após sua morte, para saudar a Terra, enquanto parte de sua essência continua residindo no òrun como seu duplo espiritual.

Em Ifá o conceito de troca justa significa cumprimentar a terra com seu bom caráter (Ìwá Pèlé), uma elisão de: Iwá opè ilé. Que significa: Venho cumprimentar a terra), aonde o mundo natural vai recebe-lo e o apoiar.

Em yorùbá a palavra para ser humano é eniyan, que significa: Os escolhidos.

Escolhido para continuar trazendo o bem para a Terra. Devemos viver em harmonia com as estações do ano, o meio ambiente e os outros habitantes da Terra. Claramente deve ser entendido que nosso respeito ao meio ambiente está ligado ao não abuso e ao desperdício, os dons e bênçãos que desfrutamos enquanto estamos sobre a terra, o não respeito a estes valores, trará consequências negativas e sofrimentos.

Para viver um caminho honrado, devemos desenvolver atributos específicos do bom caráter e do comportamento ético. Isto implica em responsabilidade pessoal, a natureza gentil e uma disposição para a humildade. Porém, além disso, é preciso equilibrar as forças internas. O objetivo de Ifá é equilibrar todos os elementos da consciência. Temos aqui o Abutre, o Ferreiro e a Píton.

As coisas colocadas dentro da abóbora tem seu significado esotérico também. Vamos apenas dizer que o Ori de Òbàrà (consciência/destino) está sendo elevado em um grande momento. Òbàrà sempre foi humilde ao ir lançar Ifá para Olófin, pois, sempre foi relegado ao último lugar. Ele não dizia nada, apenas se manteve calmo. As abóboras também tem seu significado esotérico, pois, os outros Áwo e sua esposa não as queriam e as desprezaram, e isto denota certa falta de caráter por parte deles.

Os cavalos, vermelho e preto, as cores de Èsù. Cavalos representam títulos elevados, como Olófin ou um Obà (Rei).

Èsù cuida daqueles que fazem o ebo adequadamente. Òbàrà não discutiu com os outros sobre suas abóboras, ele não foi arrogante a ponto de supor que elas eram inúteis e Èsù o recompensou.

Ele não caiu em desgraça aos pés de Èsù.

Ese Ifá (Poema de Ifá) Òbàrà méjì domínio da humanidade.

Texto: Odé Gbàfáomi e Áwo Fatègbè Fatunmbi

Tradução: Da Ilha.

 

Odù Ogbè’Òfún

Continuando com nossos conselhos para o ano que começa, temos um conselho de Ifá para aquelas pessoas que fazem qualquer coisa por dinheiro, ou algumas que fazem poucas coisas, muito feias também, por dinheiro.

As pessoas não devem ser muito ávidas por dinheiro. Elas devem seguir certos procedimentos e não ser impacientes em sua busca por riquezas.

Aqui Ifá diz:

Os Ooro finos os obrigam a refugiar-se em uma árvore de Agúnwà

Este foi o Áwo que lançou Ifá (fez jogo) para Agúnwà.

Ele revelou o mesmo para Ami.

Quando ambos estavam se lamentando por sua incapacidade de adquirir dinheiro

Eles foram aconselhados a oferecer sacrifício

Somente Agúnwà cumpriu com o conselho do Áwo.

Diz o Itòn:

Amí e Agúnwà eram amigos. Eles eram amigos desde a juventude. Eles se gostavam muito. Infelizmente, eles dois eram muito pobres. Eles não tinham dinheiro para adquirir coisas materiais para viver bem, Este fato fazia dos dois, pessoas muito tristes.

Um dia os dois resolveram ir ao Áwo acima descrito para uma consulta com Ifá.

Será que eles seriam ricos e bem sucedidos na vida?

Poderiam eles construir uma casa, ter esposas de sua escolha, obter cavalos, boas roupas e grandes e ainda por cima serem reconhecidos em sua comunidade?

O Áwo os aconselhou a ficarem tranquilos.

Ele disse para nunca terem pressa em adquirir riquezas. Ele disse que o sucesso estava nas mãos deles.

No entanto ele avisou que se eles ficassem demasiadamente desesperados, eles poderiam se lamentar pela riqueza adquirida.

O Áwo aconselhou igualmente aos dois amigos que oferecessem sacrifício com nove ratos cada um. Eles teriam que pegar um rato por dia e ir ao igbá de Èsù Òdàrà durante nove dias consecutivos. Cada um deles teria que orar por riqueza dentro do Igbá de Èsù Òdàrà e suas orações seriam respondidas:

Amí e Agúnwà foram embora. Agunwà realizou o ritual conforme aconselhado pelo Áwo. Agúnwà era da opinião de que não tinha nada a perder e nove ratos não seriam obstáculo para que suas orações fossem ouvidas. Ele disse que já tinha perdido muito mais que nove ratos, antes disso ele havia perdido a conta do número de cabras e gado que morreu ou foram mortos por chuva ou inundação.

Aos olhos de Amí, não havia nenhum motivo para obedecer a tal conselho que ele achava ridículo.

Ele argumentou que em vez de perder seu tempo valioso indo ao Ojugbò de Èsù Òdàrà, ele poderia investir na busca de seu alimento diário. Ele se negou a cumprir o conselho do Áwo. Amí disse a seu amigo que ele nunca obedeceria a este ordem dada pelo Áwo.

No dia seguinte Agúnwà comprou os ratos e se dirigiu ao Ojugbò de Èsù Òdàrà. Dentro do Ojugbò ele pagou homenagem a Èsù Òdàrà com reverencia adequada e merecida pela divindade. Depois disto ele colocou o rato respeitosamente enfrente a Èsù e rezou por riqueza.

No caminho de casa Agúnwà ouviu uma voz chamando-o, ele se virou e viu Èsù carregando um saco de dinheiro (um saco contém 20.00 cauwries). Èsù colocou o saco sobre a cabeça de Agúnwà suavemente e orou por Agúnwà.

Este acontecimento se repetiu pelos nove dias que Agúnwà levou os ratos ao Ojugbò de Èsù Òdàrà. Ao final de nove dias, Agúnwà tinha nove bolsas de dinheiro (180.000 cauwries) e estava rico. Ele estava muito contente e se tornou muito famoso. Ele adquiriu muitas propriedades e se lançou em vários empreendimentos comerciais.

Quando Amí viu esta transformação súbita da pobreza em riqueza de obscuridade a popularidade, ele chamou seu amigo para que lhe explicasse o fato. Seu amigo ficou surpreendido com a atitude de Amí em lhe fazer esta pergunta, uma vez que ambos poderiam ter feito o ritual juntos e se tornarem ricos ao mesmo tempo.

Quando Amí disse a seu amigo que não tinha realizado o ritual como prescrito pelo Áwo, Agúnwà ficou muito decepcionado. Ele pediu a seu amigo Amí para que fosse imediatamente ao Ojugbò de Èsù Òdàrà e fizesse o sacrifício pelos nove dias consecutivos conforme as instruções.

Amí ficou pensando que ele não poderia esperar por nove dias, enquanto seu amigo estava nadando na riqueza. Ele comprou os nove ratos, no entanto, este dinheiro havia sido dado por seu amigo Agúnwà, ele se dirigiu ao Ojugbò de Èsù Òdàrà e colocou os nove ratos de uma única vez, ele disse a Èsù que se ele não lhe desse todo o dinheiro de uma vez só, isto seria motivo de vergonha para Èsù Òdàrà.

Amí deixou o Ojugbò de Èsù e caminhou para casa, logo ele ouviu uma voz lhe chamando. Ele se voltou e viu Èsù Òdàrà que levava nove sacos de dinheiro contendo 180.000 cauwries e os colocou sobre a cabeça de Amí.

Amí desmaiou imediatamente. Ele caiu com o peso das nove sacas de dinheiro que cobriam sua cara. Ele morreu instantaneamente. Todos que viram aquela cena em que Amí estava com as nove sacas de dinheiro se perguntavam como o dinheiro poderia tê-lo matado, uma vez que eles sempre ouviam falar que as pessoas morriam por causa de sua pobreza.

Os Ooro finos obrigam a refugiar-se em uma árvore de Agúnwà

Este foi o Áwo que lançou Ifá para Agúnwà

Ele revelou o mesmo para Ami

Quando ambos estavam se lamentando por sua incapacidade de adquirir dinheiro

Eles foram aconselhados a oferecer sacrifício

Somente Agúnwà cumpriu com o conselho do Áwo.

Agúnwà se tornou próspero

Agúnwà se tornou personalidade importante

Enquanto a pobreza matava outras pessoas

Foi o dinheiro que matou Amí neste episódio.

Ifá diz que a pessoa deve ser paciente.

Ela deve seguir a sua busca pela riqueza e abundância com respeito e cortesia.

Se isto for feito ele será salvo da agonia que o aflige ou de qualquer desastre.

Ifá diz que a pessoa não deve ficar invejando o êxito de outras pessoas ou ficar medido o tamanho de seu trabalho, para calibrar o sucesso em sua vida.

Isto evitará que ele se encontre com a ira de Èsù Òdàrà, fato que pode levá-lo a uma morte banal.

Epá Odù.

Texto sem domínio,  traduzido por Da Ilha.

O Odù Ogbè’sá

As leis Sagradas de Olódùmarè nos deixa impregnado da noção de certo e errado desde o sopro divino (Emi), no nascimento.

Acreditamos que ao recebermos o sopro divino da vida, o Emi, Olòdùmarè nos dá a noção do certo e do errado, é comum vermos crianças fazendo traquinagens e olhando para trás e se certificando que não tem ninguém olhando para repreende-la. Isto é o embrião do caráter que está se formando é o embrião do certo e do errado.

Muitas pessoas tem esta noção mais latente que as demais, isto faz com que existam vários tipos de caráter e pessoas que chamamos de boas, boazinhas e benévolas. Não devemos rotular pessoas desta forma, afinal de contas não tem ladrão, ladrãozinho e ladrãozão, todos são ladrões, de R$ 1,00 a R$ 1.000.000,00 é tudo a mesma coisa, ou a pessoa é correta ou não é correta.

Neste verso de Ifá, transcrito por Ogbè’sá (Ògbè’ Òsá), vemos a traição como um dos piores atos que um ser humano pode cometer contra o outro.

Aos olhos de Olódùmarè, trair é um ato nefasto. Então não importa quem você vai trair, o que importa aos olhos de Deus é que você vai trair.

O Odù Ògúndá’Ìròsùn nos fala de Ògún, que fazia justiça dentro de um reino onde ele era o carrasco e sacrificava as pessoas que cometiam faltas consideradas graves pelo conselho do Obà (rei), um dia Ògún resolveu testar e saber se este código de conduta era realmente infalível. Ele matou o bode real (o bode do rei) e colocou a cabeça do bode ao lado da cama de seu irmão.

Quando foi dada a falta do bode e o encontro da cabeça do animal ao lado do irmão de Ògún foi um alarido.

Como sua família não era uma qualquer, todos ficaram apreensivos em punir alguém desta família, o rei mandou investigar e um dia disseram à Ògún que ele se preparasse pois a pessoa que havia cometido este ato covarde e incriminado seu irmão tinha sido capturada. O guarda que o trouxe disse que ele mesmo tinha sido testemunha do ato transgressor e este homem era o culpado.

Ògún então mandou que soltassem o acusado e matou o guarda, afinal de contas somente ele sabia quem realmente havia matado o bode do rei.

A mentira e a traição do guarda foram os motivos de sua punição.

No Ese Ifá abaixo (Lei Divina transcrito em forma de poema) poderemos constatar que as punições celestiais são severas, a morte apenas serve como referência para mostrar como é forte a indignação contra este tipo de comportamento.

Muitas vezes a razão para as coisas não darem certo em nossas vidas podem estar escondidas por detrás de atitudes cometidas no nosso passado ou no nosso cotidiano e não nos damos conta disso e não mudamos nossas atitudes.

Boa leitura.

 

 

Ogbè’sá diz:

 

Eram quatro amigos:

Osì o macaco, Tókon a planta rasteira, Àgbó o carneiro e Sàngó.

O país onde viviam ninguém conhecia a paz.

O Obà da cidade então resolveu ir consultar Ifá,

Apareceu Ogbè’sá e este mandou buscar Osì, matá-lo e enterrá-lo;

Ifá então disse que depois que o matasse o mundo teria paz.

Toda a população estava atrás de Osì.

O Obà disse então:

Eu como um Obà se não conseguir capturar Òsì eu farei um bom governo?

Então prometeu trazer 200.000 búzios e 200.000 unidades de qualquer coisa para quem trouxesse Osì.

Àgbó um dos quatro amigos ouviu o que o Obà disse para Ifá

E então resolveu enganar Osì,

Ele fez uma jaula e pediu para o Obà colocar dentro da jaula suas pulseiras e uns Obí, tudo isto com o objetivo de capturar Osì.

O Obà seguiu o conselho do amigo e deu as coisas para Àgbó concluir seus objetivos.

Ele foi até a casa de seu amigo e o chamou, Osì saiu e viu as pulseiras e os Obí então disse:

Coma amigo?

O que há de mal nisto?

O que é que você quer amigo?

Àgbó disse:

Isto é para você!

Pegue o que quiser desta jaula.

Osì viu os Obí e queria pegar, porém, teve que subir dentro da jaula porque esta era bem profunda então quando entrou, Àgbó fechou a mesma.

Ele então foi para a casa do Obà.

Então viu que seu amigo o estava traindo

E que ele estava indo direto para a morte,

Assim ele gritou por Sàngó.

Com esta oração de ajuda feita por Òsì, Sàngó mandou relâmpagos e chuva,

Com isto a jaula caiu e se abriu e então Osì se foi.

Àgbó que nada percebera continuou no caminho até o palácio do Obà.

No caminho este encontrou com os camponeses da região e disse:

Estou trazendo a paz e a riqueza para o mundo.

Um deles ajudou a colocar a jaula no chão e quando abriram encontraram somente as pulseiras do Obà e uns Obí.

O Obà disse:

Trouxe Osì?

Ele disse: Veja.

Então o Obà falou:

Como você fez isto!

Será você quem irá no lugar de Òsì!

Ao trair o amigo, Àgbó pagou com a vida.

Assim o sacrifício fora feito.

 

Osì cantou.

 Sebele ku ee!

Àgbó ku Sebele!

 

Alegria, ele morreu!

O carneiro morreu, alegria!

 

Sagrado Odù Ogbè’sá.

 

O grande mote deste e muitos outros versos é que Olódùmarè não quer sair punindo a todos pelas suas faltas e erros, ele quer a mudança, ele quer a elevação espiritual (não confundir com desenvolvimento espiritual), ele  quer que você mude de atitude se estiver agindo de forma errada, ele quer um mundo melhor, pessoas que possam conviver e tolerar umas as outras.

Você deve saber que todos estão em desenvolvimento e pagando por suas faltas, portanto o incentivo, o elogio e a mão amiga devem fazer parte do seu dia a dia.

A orientação para aqueles que vivem no erro também faz parte da nossa responsabilidade para com o ser humano  e o seu desenvolvimento, Òrúnmìlá não gosta de ver as pessoas na ignorância, errando por ignorância, ele pede para aqueles que tem mais conhecimento possam dividir com quem não tem, somente assim haverá evolução.

Somente assim formaremos líderes de verdade.

Quem não sabe ler, não adquire cultura e conhecimento. Um sábio precisa de conhecimento, pois se assim não for, ele ficará limitado a seus sentimentos e não poderá aprofundar o ensinamento.

Ir e difundir, não devemos reter o conhecimento, afinal de contas, a maior parte das pessoas reclama do jogo de esconde-esconde que impera no mundo espiritual.

Eu nunca privei ninguém de copiar meus textos e gostaria que copiassem e difundissem cada vez mais os ensinamentos de Olódùmarè.

 

Ire l’onà aiku.

Caminhos de vida longa.

 

Uma pequena ilustração:

As pessoas regidas (nascidas) por este Odù tem como tabu entre tantas coisas, a falta de humildade.

Portanto vemos que nosso comportamento também é analisado na hora de recebermos nossas bênçãos.

 

Texto e tradução do Ese Ifá: Da Ilha

Òsún e a Água

Osun river

Em todo o mundo, quando nos deparamos com a água, encontramos a personificação do feminino, da purificação e da fertilidade. É a água que sustenta nossas vidas frágeis no ventre de nossas mães antes de chegarmos a cada encarnação.

É água que é o agente pelo qual nós purificamos o corpo e a alma.

Em muitas culturas, a santidade da água é captada no arquétipo de uma divindade feminina, o que também é o caso da cultura yorùbá da África Ocidental.

A importância primordial da água é ser reconhecida e venerada por meio da adoração dos ribeirinhos ao Òrìsá Òsún (divindade).

Òsún é o proprietário de todos os rios e de todas as águas doces do mundo, incluindo a água do corpo e da corrente sanguínea. Em geografia sagrada, a energia Òsún é encarnada em seu rio sagrado que leva seu nome. O rio Òsún que nasce no Estado de Ekiti, no leste da Nigéria e do fluxo para o oeste através de sua casa, Osogbo, onde a adoração é centrada em Òsún. Esta é a casa de sua mais alta sacerdotisa, a Ìyá Òsún (Mãe Òsún).

É como o dono das águas santas que encontramos a divindade a quem muitas mulheres vão orar para ter uma criança. De fato, no santuário Òsún, e do Atoaja (rei) do palácio de Osogbo, encontramos um pote de água que é considerada remédio para todas as doenças. É considerada especialmente eficaz em causar a gravidez. Muitos devotos fazem uma oferta de nozes de cola (Obí), que a Ìyá Òsún de bom grado oferece a ela, bem como uma oração para a mulher esperançosa de ser mãe.

Em uma sociedade tradicional, especialmente entre os yorùbás, a fertilidade é não só uma necessidade, mas uma bênção. Crianças e gravidez não são vistos como um fardo, mas como uma forma em que podemos voltar a esta terra. Acredita-se que uma vez que você passe para o outro mundo, você vai nascer de novo através de sua própria linhagem.

Em Òsún, a mulher estéril encontra um Òrìsá que se foi através do mesmo. Òsún ao mesmo tempo, de acordo com sua mitologia era uma mulher estéril. Foi apenas através da adivinhação apropriada, o sacrifício e o uso de suas próprias águas que ela foi capaz de receber a sua fertilidade.

Òsún na diáspora yorùbá manteve sua associação com o nascimento da criança, na verdade, ele disse que os seus devotos, especialmente as mulheres férteis, tem amor para ter um filho após o outro. Em sua poesia de elogios na Nigéria, Òsún é elogiada como a mãe que alimenta seus adoradores tratando-os como seus próprios filhos, amamentando-os em seu peito. Ela também é exaltada como a mãe que dá à luz com a freqüência e facilidade de animal.

É na estação das chuvas, quando o rio Òsún está cheio de águas, a sua cura e a fecundidade da terra está a sua altura, é quando é feito o festival anual para honrá-la é celebrada. É a sua sacerdotisa, a Ìyá Òsún e sua contraparte terrena / parceiro, o Atoaja, que tomam o centro do palco para se certificar de que ela é propiciada de forma correta, de modo que a cidade inteira, na verdade, todo o nigeriano e adorador mundo afora possa experimentar um ano próspero.

Além de ser o Òrìsá da fertilidade corporal, Òsún é uma divindade da fertilidade monetária. Òsún é associada à riqueza e pode provavelmente transmitir a riqueza como ela faz com as crianças. Novamente, podemos olhar para a sua poesia de louvor e compreender sua associação com a riqueza. Em seus poemas vemos muitos elogios, encontramos a altura da beleza, a luz delgada de sua pele que é adornada com o bronze, metal precioso e carrega um pente de contas.

É no rio Òsún que encontramos os meios de troca monetária, o búzio, que é usado pelos yorùbá. Tão forte é sua associação com a riqueza, que na diáspora, ela é freqüentemente invocada a trazer estabilidade financeira e sorte. Frequentemente, o devoto em busca de riqueza irá encontrar um rio e as ofertas de um dos alimentos especiais Òsún, o mel, juntamente com cinco moedas de cobre. Em Osogbo, não seria incomum para uma pessoa que precisa de dinheiro trazer seus presentes ao bosque sagrado e oferecê-los diretamente ao rio para pedir favores.

Enquanto o buzio é um meio de troca, ele também pode ser usado para adivinhação. Òsún é também um adivinho através de sua associação com búzios e sua associação com a òrìsá da Adivinhação Òrúnmìlá (vis-à-vis o casamento). Deparamos-nos com mais uma faceta deste Òrìsá muito importante, nos deparamos com uma mulher de conhecimento.

Òsún é dito ser o Òrìsá que aprendeu o sistema de adivinhação com dezesseis búzios. De fato, em algumas das mitologias, é Òsún quem executa adivinhação na casa de Òrúnmìlá quando ele está longe.

Embora para nós Òsún seja o máximo em feminilidade, ela como todos os òrìsá são um poder divino que incorpora a feminilidade.

Foi Òsún, que desceu a Terra com os 16 òrìsá para deixar o mundo pronto para a humanidade. Entre os Òrìsá que desceram, Òsún foi à única do sexo feminino e, como ilustrado pelo poema abaixo de Òsétúrá, Òsún não estava para brincadeiras:

Ifá foi adivinhado para os 400 Irùnmolé no lado direito

Ifá foi adivinhado para os 200 igba imole do lado esquerdo.

Foram eles que construíram a estrada para o bosque sagrado de Opá.

Foram eles que construíram a estrada no sagrado bosque para o ojugbó de Orò

Eles não foram consultar Òsún.

Eles chamaram o espírito de Egun, Egun não veio.

Eles chamaram o espírito de Orò, Orò não veio.

Fizeram uma estrada para Ilé Ifè, mas ninguém iria utilizá-la.

Eles fizeram inhame moído, que ficou cheio de caroços.

Eles fizeram amala, mas ficou muito aguado.

Ifá adivinhava para Òsún, proprietária do pente muito bonito de madeira.

Que usou seus poderes para confundir os esforços dos Irùnmolé.

Eles foram a Olodumarè

Disseram que eles foram incapazes de concluir suas tarefas.

Olodumaré perguntou:

Quem é a única mulher entre vocês?

Ele perguntou:

Será que vocês a respeitaram?

Disseram-lhe que não a consultaram.

Olodumaré avisou ​​de que deveria retornar e incluir Òsún em sua decisão

Eles voltaram e mostraram o devido respeito à Òsún

Eles chamaram o espírito de Égun, Égun veio.

Eles chamaram o espírito de Orò, Orò veio.

As pessoas usaram o caminho para a Ilé Ifè.

Eles fizeram inhame moído, ficou bom.

Eles fizeram àmálá, ficou bom.

Damos nossa reverência a Òsún.

A mãe invisível estava em todas as reuniões.

É aqui que ficamos sabendo que uma mulher solteira estava confundindo os esforços de todos os Irunmole (Òrìsá). Quando desceu a Terra, Òsún foi tratada como uma escrava, mantida na cozinha. Em outras palavras, tratou-se de chauvinismo e se recusou a tratá-la como igual.

Quando todos os seus esforços foram em vão, eles voltaram para o òrun e falaram com o alto Deus, Olodumarè.

Em um exame minucioso, Olodumarè viu que sem o consentimento de Òsún nada seria realizado. Na verdade, não era para ela ser somente consultada, era para ser iniciada nos mistérios.

Em Òsún temos a personificação da riqueza, prosperidade, amor, beleza, elegância, sexualidade e sensualidade e uma feminista divinamente sancionada.

Mo ke mogbà l’odò omi.

Eu choro por libertação através da água!

Àse

Texto garimpado na Web.

Tradução Da Ilha.