
Òrìsà Oko é o Deus da Fazenda, o Deus da Agricultura, uma Divindade de suma importância na Cultura Yorùbá, mas pouco conhecido no Brasil. No Terreiro de Òsùmàrè ele é festejado há séculos, por meio de obrigações internas e cânticos que destacam o seu grande poder sobre a agricultura. No Candomblé, a exemplo das folhas e água, usamos em abundância os grãos, tubérculos e frutos que a agricultura nos fornece, razão que já evidencia quão importante esse Òrìsà é para a nossa cultura.
Uma antiga história Nàgó, conta que um grupo de pessoas de uma cidade resolveu tramar contra “Olasi”, eles falaram que quando Olasi saísse da sua fazenda eles iriam roubá-lo e bater nele. Essas pessoas tinham grande inveja de Olasi, pois ele tinha grande facilidade em cultivar a terra.
Quando Olasi ficou sabendo da intenção dos seus inimigos, resolveu consultar Ifá, o grande Deus do Oráculo. Ifá disse à Olasi que ele deveria permanecer em sua fazenda por um longo período, cuidando das coisas da terra e que não retornasse à cidade, num período mínimo de um ano. Assim Olasi fez. Nesse período, as pessoas da cidade próxima a fazenda de Olási começaram a passar por grandes dificuldades. As mulheres não engravidavam mais… Os homens não conseguiam trazer alimentos para casa… Toda a cidade ficou em caos.
Nesse período, Olási ficou plantando tudo o que conseguia, criando dessa forma, uma grande produção. Na fazenda de Olasi havia de um tudo. Inhame, milho, feijão, Obì, tudo em abundância. Mas ninguém da cidade desfrutava de toda essa fartura, pois Olasi não retornou mais à cidade.
Prestes de completar um ano, um ancião da cidade consultou Ifá para saber o que a população deveria fazer para que tudo voltasse ao normal. Por meio do jogo, ele descobriu que tudo o que estava acontecendo foi em razão da traição que algumas pessoas da cidade iriam fazer à Olasi. Ifá disse ao ancião, que ele deveria reunir todas as pessoas da cidade e que juntos, eles deveriam ir à fazenda (Oko) de Olási, levando bebidas, tambores e tocando flautas. Quando lá chegassem deveriam pedir perdão à Olasi, pedindo que ele regressasse à cidade.
No outro dia, o ancião reuniu a população da cidade e comunicou o recado de Ifá. Todos foram tocando tambores até a fazenda, quando lá chegaram ficaram maravilhados com tanta fartura, com tantos inhames, com tanto milho. Quando Olasi foi recebê-los eles começaram à gritar: “Òrìsà Oko!!! Òrìsá Oko!!! Òrìsà Oko!!!” (Deus da Fazenda, Deus da Fazenda, Deus da Fazenda).
A partir daquele momento, ele nunca mais foi chamado de Olasi, todas as pessoas o chamavam de “Òrìsà Oko”. Ele perdoou a população, mas disse que, todos os anos as pessoas deveriam fazer uma grande procissão agradecendo por tudo de bom que a terra lhes oferecia. Òrìsà Oko deu a população muitos grãos e inhames e eles voltaram para a cidade em procissão, agradecendo à Òrìsà Oko.
Assim nasceu a procissão de Òrìsà Oko, o Deus da fazenda, o Deus da Agricultura.
Que Òsùmàrè Arákà esteja sempre olhando e abençoando todos!!!
Ilé Òsùmàrè Aràká Asè Ògòdó
Por: Jorge Terra
Divindade da agricultura, ligado a colheita dos inhames novos e a fertilidade da terra. Orixá Yoruba, pouco conhecido no Brasil. Na época em que os escravos chegaram, não deram muita importância a este Orìxá, considerando-o como da agricultura, em seu lugar, Òfún, e dos grãos, Obaluaiyê.
Em sua representação, traz um cajado de madeira que revela sua relação com as árvores, além de uma flauta de osso que lembra sua relação com a sexualidade e a fertilidade. É confundido com Oxalá, pois ambos vestem o branco. Seu Òpásórò (cajado), no Brasil, é confeccionado em madeira. Sendo um Orixá raro, tem poucas qualidades conhecidas. É um Orixá rico.
Seu nome vem do yoruba, significa: Orixá da Palavra. As abelhas são suas mensageiras. É da agricultura junto com Ogum, e portanto, ligado às colheitas, principalmente de inhame.
É representado por uma estátua de madeira provida de um imenso falo. Seus símbolos são: cajado de madeira, uma flauta, uma chibata de couro, uma faca com fileira de búzios. Na África usam uma barra de ferro como símbolo.
Tem o poder de curar a malária, à qual estão expostos aqueles que lidam com agricultura. É árbitro de conflitos, especialmente entre mulheres, e não raro, juiz das costumeiras disputas entre os orixás.
Tem um título: Eni duru, que significa aquele que é erigido, personagem em pé, referência a seus atributos fálicos.
Na época da colheita do inhame, ninguém comia o inhame novo sem antes fazer uma festa para Okô. As sacerdotisas do templo do orixá se entregavam aos sacerdotes sexualmente, e todo homem que encontrava uma mulher podia ter relação sexual naquele dia. Na ocasião, uma bandeja de madeira contendo côco, cana de açúcar, milho, inhame, todos crus, como oferenda. Nas festas na África, cozinha-se todo tipo de vegetais produzidos pela terra e são colocados na rua para que todos se servissem à vontade.
Sacrificam galinha de angola macho, tudo com mel, pois não se usa dendê para esse Orixá. Come cabritos brancos, novos de chifres virados, ou galos brancos com esporão grande, além de pombos brancos.
As comidas devem ser brancas como: acaçá de Oxalá, inhame cozido em fatias com mel, canjica branca também com mel.
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