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Esqueça os fundamentos, rezas e ofós. Você precisa mesmo aprender a entender, sentir e viver religiosidade.

Você acabou de se iniciar no Candomblé e quer se tornar um grande Egbomi, Babá ou Iyalorixá?

Vou me atrever a dar um conselho: Não se preocupe com nada disso. Não queira ser grande. Não tenha pressa de aprender os Ofós, Orikis, Gbaduras, Rezas, Fundamentos, Qualidades, Caminhos, Quedas de Búzios e nada dessas coisas…

Use esses primeiros 7 anos (no mínimo) para viver a sua religião. Respire o Candomblé. Crie intimidade com a religiosidade, com os costumes, o terreiro, e com a família de santo.
Crie uma relação com suas roupas brancas (elas te fortalecem a medida que são usadas): Aceite-as no seu dia-a-dia. Use suas contas em locais públicos e se empodere do que é seu. Sua estética religiosa é também um ato político contra a opressão racista que inferioriza nossas vestes e símbolos sagrados

Não se incomode com o fato de precisar andar de cabeça baixa em alguns momentos, mas se incomode se alguém te maltratar nessa condição.
Não há problema algum ser Abian, Iyawo, Elegun. São fases importantes da religiosidade. Aproveite esse tempo.
Não é tempo livre, é um tempo de estudo, de conhecimento de si, de afirmação e construção de identidade.
É a gestação de uma Identidade ancestral. Molde a si com aquilo que melhor te serve. Vista-se do que te completa a alma.

Saiba reconhecer e respeitar o seu lugar que, por mais que grande parte dos sacerdotes menospreze as novas vidas de axé, são extremamente importantes para a continuidade.
Tenha consciência disso. Você é especial
E saiba que a religião só existirá se você continuar.

Aproveite esse tempo bom para mergulhar na história do continente africano.
África não é um país. É um continente incrível formado por 54 países.
Conheça a história do negro no Brasil.
Conheça e se Indigne com a história da escravidão.
Entenda o racismo estrutural que fomenta a intolerância religiosa e demonização da fé nas divindades africanas.
Entenda que os Orixás são Negros e Negras. São Reis e Rainhas criados à semelhança de seus e suas descendentes

Os tempos são difíceis, a Intolerância Grita em nossas caras, e para você que acaba de chegar, os fundamentos e toda a complexidade do rito não devem ser prioridades, nesse momento.
Leia sobre racismo. Assista filmes, documentários, compre livros, vá à palestras, junte-se a movimentos sociais, crie grupos de estudos. Conheça a história da sua religião, da sua nação, do seu Orixá do seu País.

Aprenda a responder contra a violência, munido de verdades e pautado em direitos sociais.
Você não precisa ser negro para entender o que é e combater o racismo. Como não é preciso ser gay, lésbica ou trans para fortalecer as pautas sobre diversidade de gênero.
E pra quê saber dessas coisas que não tem a ver com você? Respondo que o Candomblé é uma religião que em essência deve acolher e respeitar a todos, e cabe a nós lutar por direitos assegurados. Qual o sentido e lutar pela liberdade religiosa se não respeito à liberdade de escolha de alguém?

É importante para resistir. É importante entender e conhecer o mínimo da história daqueles que lutaram para que você usasse suas roupas brancas e fios de contas!

Não se preocupe com roupas bonitas!

Entenda a urgência de se combater, por exemplo a intolerância religiosa, mas antes de brigar, procure saber como ela acontece e o porquê de acontecer contra nós.

Texto e Foto: Roger Cipó © Olhar de um Cipó – Todos os Direitos Reservados / All Copyrights Reserved
Roger Cipó © Olhar de um Cipó – Todos os Direitos Reservados / All Copyrights Reserved

Publicação:   – Ilé Àse Òsòlúfón Íwìn – R.J

Aulo Barretti Filho (nascido em São Paulo, 23/08/1953 – 2016), odontólogo. Pesquisador, escritor e professor da religião tradicional Yorùbá, da afrodescendente e babalorixá do candomblé do Ilé Àse Ode Kitálesi em São Paulo e Asojú Oba Alákétu (em Kétu no Benin), mais conhecido como Aulo de Oxóssi.”Presidente da FUNACULTY – Fundação de Apoio ao Culto e Tradição Yorùbá no Brasil” (Silva, 2000, pp. 47-48, nota 29), que desde 1985 fomenta as questões sócio-culturais e religiosas do povo yorùbá no Brasil.

Livros: Dos Yorùbá ao Candomblé Kétu – Origens, Tradições e Continuidade. (Org.) São Paulo, Edusp, 2010. ISBN 9788531412202
“Òsóòsì e Èsù, os Òrìsà Alákétu”. In: Dos Yorùbá ao Candomblé Kétu. Aulo Barretti Filho (org.), pp. 75-139. São Paulo, Edusp, 2010.
“Dall’oralità alla scrittura – La Riafricanizzazione”. In: La Voce Degli Dei. Bruno Barba (org.), pp. 118-135. Gênova, Cisu, 2010. ISBN 9788879754835

Como uma população fica mais pobre?Certamente não é apenas com o perder do dinheiro, a maior riqueza de uma população esta em pessoas que querem mudar a sociedade e principalmente aquelas que lutam por Respeito. O bom acaso é que nossa religião prevê que quando uma pessoa parte para o Orun ela pode se tronar um Ancestral um mentor. Assim desejamos!

Nosso sentimento a família carnal e espiritual.

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Nós, afro-religiosos, não temos um livro de tradições escritas ou uma “bíblia” com textos proféticos como os cristãos. As sociedades africanas baseiam-se na tradição oral e não escrita para perpetuar e repassar seus conhecimentos, tal como o mestre ensina seu aprendiz, o sacerdote da religião africana passa oralmente seu conhecimento para seus iniciados. Estes por sua vez absorvem o conhecimento e a tradição, não se utilizando de papel e tinta para escrever, mas usando a memória. Quando esta cultura embarcou nos navios negreiros e veio para o ocidente ela se estabeleceu e se manteve na forma de tradição oral. Sob a opressão e dificuldades brotaram as religiões afro-brasileiras, com adaptações necessárias a sua sobrevivência na nova terra. Assim nasceu o Candomblé, o Batuque, o Tambor de Mina, o Xangô, e as demais vertentes da religiosidade africana, cada uma com suas peculiaridades, mas todas elas baseadas na tradição oral e na memória. Esta memória se forma com a vivência e a convivência religiosa. O processo de iniciação como bem se sabe, remete-se a um processo simbólico de nascimento do neófito, como se ele fosse uma criança, e ele vai “crescer” e aprender os conhecimentos e absorver a tradição de sua família religiosa. Os mais velhos remetem a importância da senioridade, aqueles que já viveram e aprenderam o suficiente na comunidade religiosa para ensinar.

No entanto, na atualidade, se tem visto uma transgressão nesta norma. Muitos são aqueles que anceiam pelo conhecimento, mas poucos aqueles que esperam seu tempo, agregando conhecimentos fragmentados, e no anseio de ser sacerdote a todo custo, até mesmo comprando seus títulos. Segundo Carol Tavris (1993, p. 1) com relação a memória”…“Para um acontecimento ficar guardado a longo prazo, uma pessoa tem de o perceber, codificar e ensaiá-lo – falar sobre ele – ou ele decai…”. E aí que se perde a memória religiosa e surgem os novos cultos, muitas vezes alegando “evolução”, quando na verdade se trata de desconfiguração da tradição religiosa.

Cada raiz religiosa possui suas particularidades, existem diferenças no modo de aprendizado e na forma de condução dos rituais por parte de cada um que aprende, o chamado fundamento de cada um, no entando, a tradição impõe certas normas não podendo se perder da memória. Apesar de duas ou mais árvores do mesmo fruto não serem exatamente iguais, os frutos são os mesmos, logo a religiosidade africana, apesar de ser uma tradição oral, sem um manual ou livro escrito, deve seguir um parâmetro para que como qualquer outra religião tenha suas características e tradições perpetuadas e preservadas. Hoje observamos em diversos momentos, usos indevidos de roupas, colares ritualísticos, desrespeito às hierarquias e profanação de rituais e elementos religiosos da cultura africana; Invencionismos, muitas vezes baseado em algo visto, mas não compreendido, em algo lido em algum livro, mas não vivenciado, ou baseado na famosa frase “está dando certo” como se a religiosidade fosse uma mágica que precisa funcionar seja qual for o método utilizado.

Religião tem uma raiz, tem características que não podem ser perdidas, tem uma tradição a qual seguem, não vamos desconfigurar nosso Candomblé, preservemos a tradição e a memória de nossos antepassados.

 

Hùngbónò Charles

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Texto de autoria de Alexandre Honorato Custódio:

“Batuque é uma forma genérica de denominar as religiões afro-brasileiras de culto aos Orixás, encontrada principalmente no estado do Rio Grande do Sul, Brasil, de onde sua diáspora se estendeu para outros estados e países vizinhos tais como Uruguai e Argentina.O batuque é fruto cremos que dos povos oriundos África de regiões onde hoje se situam Nigéria e o Benim. Aqui sendo adotado por povos que chegaram oriundos de outras regiões onde hoje se situam a Costa da Guiné.

Divindades:

O culto, no Batuque, é feito exclusivamente aos orixás, sendo o Bará(Exu) o primeiro a ser homenageado antes de qualquer outro pois este é o orixá da comunicação, e encontra-se seu assentamento em todos os terreiros. Os principais orixás cultuados são: Bará, Ogum, Oiá-Iansã, Xangô, Ibeji (que tem seu ritual ligado ao culto de Xangô e Oxum), Odé, Otim, Oba, Osanha, Xapanã, Oxum, Iemanjá, Nanã, Oxalá e Orunmilá (ligado ao culto de Oxalá). E há também divindades que nem todas nações cultuam como: Gama (ligada ao culto de Xapanã), Zína, Zambirá e Xanguín (qualidade rara de Bará). Apesar de considerarem muitas divindades Voduns, sabemos que os Ioruba já vieram cultuando estes Vodun que atualmente se encontram no Batuque como Orixás, assim como Johson registra em seu livro “The History of the Yorubas” pub em 1895, que Xapana e outras divindades Vodun já eram cultuadas por eles.

O Batuque possui centenas de casas e inúmeros praticantes e adeptos.

O Batuque Possui:

– Rituais próprios para feitura e desligamento.
– Jogo Próprio.
– Cozinha ritualística própria adaptando o que temos no Sul como oferendas as divindade.
– Assentamentos, Paramentação e ferramentas próprias para cada divindade.
– Orins próprias.
– Disposição dos Orixás dentro do quarto de santo
– Divindades que são cultuadas dentro do templo e fora dele

Em comum em todas as tradições do batuque vemos:

– Xangô (Rei em quase todos as Tradições): Rei de Oyo. Oyo nós dias de hoje, Cidade Na Nigéria onde o Alafin líder religioso e político acredita-se ser descendente direto. O que não quer dizer que o batuque possui ligação com a religião praticada lá.
– Kassum (Balança): Mesmo nos lados onde Xangô não é o rei a balança é feita entre suas orins (cantigas/rezas) sendo ele quem deve julgar a Obrigação.
– Rituais (oribibo, bori, etc.): guardando as diferenças em todos os lados seguem mais ou menos os mesmos passos.
– Orins (Rezas cantigas, chamadas de rezas por alguns adeptos, mas não são rezas, são apenas cantigas): Praticamente as mesmas, guardando também algumas diferenças.
– Sequencia Toque: Praticamente as mesmas, guardando também algumas diferenças.

A de se fazer um adendo para o Oyo Ibomina onde a uma diferença maior quando a sequência em que os orixás são dispostos no toque. Bom, os povos que aportaram no Rio Grande do Sul vindos das regiões citadas acima não desceram aqui com um culto formado mais fica claro que o panteão Ioruba é o panteão adotado pelo batuque para a formatação culto.

As diferencas existem sim mas não tão marcantes para caracterizar cada tradição como uma nação religiosa. Como vemos no candomblé como Ketu (Orixá), Angola (Inkisis) e Jeje (Vodun) quanto as divindades cultuadas . Nossas diferenças são mais de cunho familiar (qualidades diferentes de Orixás, métodos adotados na feitura, sequencia como são saudadas as Divindades(Orixás) etc..).

Deixando claro que no Sul não existe somente o batuque temos outras formas de culto para outras divindades como Os Voduns, Inkisis etc. Que também são divindades africanas mais pertencem a outro panteão que não o Ioruba e possuem ritos e oferendas próprias.”

Erick Wolff sobre “Nações”

“Nos diversos segmentos religiosos afro-brasileiros todos querem legitimar-se afirmando que sua “nação” é originalmente oriunda de solo africano, desta ou aquela região, iniciado por fulano ou ciclano cujo nome jamais poderá ser checado, supostamente nascido na África. É louvável o desejo da legitimização africana, se não fosse ilusório.

Todas as nações religiosas afro-brasileiras, de todos os segmentos, nasceram no Brasil, são afro-brasileiras, não são africanas, não representam nenhum Estado ou Cidade africana, não praticam nenhum culto na forma tradicional africana mesmo que possuam nomes de cidades africanas em suas definições afro-sociais. É verdade que foram formadas por elementos de matrizes africanas aqui repensadas e reestruturadas, mas estas heranças culturais e religiosas não fazem de nenhuma nação de religião afro-brasileira uma nação pura africana…

…A nação afro-brasileira de Kétu refere-se a uma nação afro-religiosa do candomblé, e não à cidade ioruba africana de Kétu, localizada no Dahome. (José Beniste)…A nação afro-brasileira Angola refere-se a uma nação afro-religiosa do candomblé, e não ao país africano de Angola….A nação afro-brasileira Jeje refere-se a uma nação afro-religiosa do candomblé, batuque ou tambor de mina. Segundo o professor Reginaldo Prandi (USP), não existe nenhuma nação política denominada “jeje” em solo africano. O mesmo vale para a nação religiosa afro-brasileira “nagô”…

…A nação religiosa afro-brasileira kambina, do batuque, refere-se a uma nação religiosa criada e estrutura aqui no Brasil, tanto quanto as outras, e não à alguma cidade ou nação na África. Se as outras aqui formadas são legítimas para o Brasil, a kambina também é. Alguns sacerdotes tentam equivocadamente afirmar que a kambina trata-se de Cabinda, província de Angola, apenas pela semelhança do nome”.

Comentário de Hùngbónò Charles:

Nota-se pelo esclarecimento do autor, que ao nos referirmos à religião denominada Batuque do Rio Grande do Sul, estamos falando de uma religião onde a cultura yorubá e culto de suas divindades – Os Orixás – são a base e a estrutura da mesma, com alguma ou outra influência dos denominanos “jejis” e/ou de suas divindades voduns. Analisamos diversas subdivisões dentro do Batuque do RS, denominadas Kanbina (muitos consideram Cabinda, no entanto não há evidências de sua procedência com a região de Cabinda no continente africano, nem mesmo cultuam divindades bantu), Oyó (e Oyó Igbomina), Jeje (cultua igualmente Orixás, atribuida esta raiz a Custódio Joaquim de Almeida, o qual se acredita ser o príncipe do antigo Reino de Benin, no entanto há divergências históricas quanto a esta figura; vide https://ocandomble.com/2016/02/01/o-principe-custodio-de-xapanasakpata-erupe-e-seu-culto-nago/ , Ijexá e Nago;

A ocupação ou manifestação do orixá é tida como tabu e não deve ser comentada.

No Batuque não existem divisões de cargo tal como existe no Candomblé, no entanto há uma hierarquia que segue:

Babalorixá e Iyalorixá – respectivamente o Pai e a Mãe de Santo; muito embora alguns sacerdotes atuais usem nomenclaturas como Voduno ou Gayaku, tais nomenclaturas não fazem parte nem são utilizadas de maneira correta para se referir aos cargos sacerdotais do Batuque;

Alagbé – é aquele que toca e canta os orins;

Pronto com faca e búzio – é aquele que já é mais velho e já passou por todas as obrigações, análogo ao Egbomi do candomblé;

Pronto – Já passou pelas obrigações, no entando ainda não ganhou direito à faca nem aos búzios;

Borido – aquele que realizou apenas o Borí;

“Cabeça-lavada” – é a pessoa que passou apenas pelo Omieró, o ato de lavar a cabeça com ervas;

A Festa do Batuque

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Após as obrigações cumpridas e encerrada a Levantação (nome dado ao término das obrigações pois como diz a palavra, será levantado todas as frentes que ficaram em um determinado tempo dentro do Quarto-de-Santo), será tocada a Festa, o Batuque.

Normalmente como em uma festa social, muitos convites foram distribuídos para outras Casas de Religião, fiéis e até mesmo curiosos.

O Pai ou Mãe-de-Santo, ajoelhado em frente ao Quarto-de-Santo (lugar onde fica os assentamentos dos orixás), juntamente com todos seus filhos e demais convidados de Religião, tocando a sineta, faz a chamada de todos os Orixás de Bará a Oxalá com suas saudações específicas, pedindo a cada Orixá as coisas que a eles competem. Terminada a chamada, o Pai-de-Santo autoriza o tamboreiro a começar o toque, que correrá em ordem de Bará a Oxalá. Todos que estão na roda dançam com as características de cada Orixá ao qual está sendo tocada a reza, como por exemplo na reza do Bará, todos dançam como se abrindo portas com uma chave em punho na mão direita, já que este Orixá é o dono da chave e abertura dos caminhos, na Reza do Ogum, os fiéis dançam com a mão direita como uma espada tocando a mão esquerda.

A Mesa de Ibejis

A Mesa de Ibejis

“Casinha do Bará”

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Em 1830, algumas mulheres negras originárias de Ketu, na Nigéria, e pertencentes a irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, reuniram-se para estabelecer uma forma de culto que preservasse as tradições africanas aqui, no Brasil.Segundo documentos históricos da época, esta reunião aconteceu na antiga Ladeira do Bercô; hoje, Rua Visconde de Itaparica, próximo a Igreja da Barroquinha na cidade de São Salvador – Estado da Bahia.
Desta reunião, que era formada por várias mulheres, como foi relatado anteriormente, uma mulher ajudada por Baba-Asiká, um ilustre africano da época, se destacou:
– Íyànàssó Kalá ou Oká, cujo o òrúnkó no orixá era Íyàmagbó-Olódùmarè.
Mas, o motivo principal desta reunião era estabelecer um culto africanista no Brasil, pois viram essas mulheres, que se alguma coisa não fosse feita aos seus irmãos negros e descendentes, nada teriam para preservar o “culto de orixá”, já que os negros que aqui chegavam eram batizados na Igreja Católica e obrigados a praticarem assim a religião católica.
Porém, como praticar um culto de origem tribal, numa terra distante de sua ìyá ìlú àiyé èmí, ou a mãe pátria terra da vida, como era chamada a África, pelos antigos africanos?
Primeiro, tentaram fazer uma fusão de várias mitologias, dogmas e liturgias africanas. Este culto, no Brasil, teria que ser similar ao culto praticado na África, em que o principal quesito para se ingressar em seus mistérios seria a iniciação. Enquanto na África a iniciação é feita muitas vezes em plena floresta, no Brasil foi estabelecida uma mini-África, ou seja, a casa de culto teria todos os orixás africanos juntos. Ao contrário da África, onde cada orixá está ligado a uma aldeia, ou cidade; por exemplo: Xangô em Oyó, Oxum em Ijexá e Ijebu e assim por diante.
Mas, por que esse culto foi denominado de Candomblé?
Este culto da forma como é aqui praticado e chamado de Candomblé, não existe na África. O que existe lá é o que se chama de culto ao orixá, ou seja, cada região africana cultua um orixá e só inicia elegun ou pessoa daquele orixá. Portanto, a palavra Candomblé foi uma forma de denominar as reuniões feitas pelos escravos, para cultuar seus deuses, porque também era comum chamar de Candomblé toda festa ou reunião de negros no Brasil. Por esse motivo, antigos Babalorixás e Yalorixás evitavam chamar o “culto dos orixás” de Candomblé. Eles não queriam com isso serem confundidos com estas festas. Mas, com o passar do tempo a palavra Candomblé foi aceita e passou a definir um conjunto de cultos vindo de diversas regiões africanas.
A palavra Candomblé possui 2 (dois) significados entre os pesquisadores: Candomblé seria uma modificação fonética de “Candonbé”, um tipo de atabaque usado pelos negros de Angola; ou ainda, viria de “Candonbidé”, que quer dizer “ato de louvar, pedir por alguém ou por alguma coisa”.
Como forma complementar de culto, a palavra Candomblé passou a definir o modelo de cada tribo ou região africana, conforme a seguir:
Candomblé da Nação Ketu
Candomblé da Nação Jeje
Candomblé da Nação Angola
Candomblé da Nação Congo
Candomblé da Nação Muxicongo
A palavra “Nação” entra aí não para definir uma nação política, pois Nação Jeje não existia em termos políticos. O que é chamado de Nação Jeje é o Candomblé formado pelos povos vindos da região do Dahomé e formado pelos povos Mahin.
Os grupos que falavam a língua yorubá entre eles os de Oyó, Abeokutá, Ijexá, Ebá e Benin vieram constituir uma forma de culto denominada de Candomblé da Nação Ketu.
Ketu era uma cidade igual as demais, mas no Brasil passou a designar o culto de Candomblé da Nação Ketu ou Alaketu.
Esses yorubás, quando guerrearam com os povos Jejes e perderam a batalha, se tornaram escravos desses povos, sendo posteriormente vendidos ao Brasil.
Quando os yorubás chegaram naquela região sofridos e maltratados, foram chamados pelos fons de ànagô, que quer dizer na língua fon, “piolhentos, sujos” entre outras coisas. A palavra com o tempo se modificou e ficou nàgó e passou a ser aceita pelos povos yorubás no Brasil, para definir as suas origens e uma forma de culto. Na verdade, não existe nenhuma nação política denominada nagô.
No Brasil, a palavra nàgó passou a denominar os Candomblés também de Xamba da região norte, mais conhecido como Xangô do Nordeste.
Os Candomblés da Bahia e do Rio de Janeiro passaram a ser chamados de Nação Ketu com raízes yorubás.
Porém, existem variações de Nações, por exemplo, Candomblé da Nação Efan e Candomblé da Nação Ijexá. Efan é uma cidade da região de Ijexá próxima a Osobô e ao rio Oxum. Ijexá não é uma nação política. Ijexá é o nome dado às pessoas que nascem ou vivem na região de Ilexá.
O que caracteriza a Nação Ijexá no Brasil é a posição que desfruta Oxum como a rainha dessa nação.
Da mesma forma como existe uma variação no Ketu, há também no Jeje, como por exemplo, Jeje Mahin. Mahin era uma tribo que existia próximo à cidade de Ketu.
Os Candomblés da Nação Angola e Congo foram desenvolvidos no Brasil com a chegada desses africanos vindos de Angola e Congo.
A partir de Maria Neném e depois os Candomblés de Mansu Bunduquemqué do falecido Bernardino Bate-folha e Bam Dan Guaíne muitas formas surgiram seguindo tradições de cidades como Casanje, Munjolo, Cabinda, Muxicongo e outras.
Nesse estudo sobre Nações de Candomblé, poderia relatar sobre outras formas de Candomblé, como por exemplo, Nagô-vodun que é uma fusão de costumes yorubás e Jeje, e o Alaketu de sua atual dirigente Olga de Alaketu.
O Alaketu não é uma nação específica, mas sim uma Nação yorubá com a origem na mesma região de Ketu, cuja história no Brasil soma-se mais de 350 (trezentos e cinqüenta) anos ao tempo dos ancestrais da casa: Otampé, Ojaró e Odé Akobí.
A verdade é que o culto nigeriano de orixá, chamado de Candomblé no Brasil, foi organizado por mulheres para mulheres. Antigamente, nas primeiras casas de Candomblé, os homens não entravam na roda de dança para os orixás. Mesmo os que tornavam-se Babalorixás tinham uma conduta diferente quanto a roda de dança. Desta forma, a participação dos homens era puramente circunstancial. Daí ter-se que se inserir no culto vários cargos para homens, como por exemplo, os cargos de ogans.
Hoje, a palavra Candomblé define no Brasil o que chamamos de culto afro-brasileiro, ou seja: “Uma Cultura Africana em Solo Brasileiro”.

Esta entrada foi publicada em setembro 6, 2008 às 5:45 a e é arquivado em Candomblé. Etiquetado: Candomblé, Nação Angola, Nação Jeje, Nação Ketu, Nações do candomblé, origem do candomblé.

Texto facebook: “Ìkóòdídé

Foto: Internet

Otito fun ayé

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Reflexão para vida.

“Você pode falar perfeitamente o Yorùbá e saber todos os acentos ao escrevê-lo também.

Mas se você não sabe como falar com bondade e amor ao seu irmão ou irmã, então, você não aprendeu nada.

Você pode memorizar cada Oriki e cada ẹsẹ Odu do Corpus Literário de Ifá e saber como lançar uma adivinhação perfeita.

Mas se você não sabe como tratar as pessoas e como superar suas formas destrutivas e negativas, você ainda é um novato no reino espiritual.

Você pode conhecer cada dança e todas as músicas além de todos os protocolos de sua linhagem.

Mas se você não pode andar por um caminho de paz e de alegria interior ….

…Isto então e apenas uma outra canção e uma outra dança.

Você pode conhecer todos os rituais, cerimônias, e como fazer milhares de obras e trabalhos espirituais.

Mas se você não pode viver o ritual da vida e viver as virtudes do Òrìşà, Egun e seu Ori, então, você é um mero técnico, mas certamente não é um mestre espiritual.

Você pode ter alguns títulos, os mais impressionantes, um ile, templo ou casa de culto para dez mil pessoas.

Mas se você sentir a necessidade de degradar, controlar, manipular os outros ou ofendê-los enquanto eles estiverem em uma posição inferior, você será apenas mais um ego de criança impulsionando e tentando tirar proveito as custas dos outros.

Você pode estar no culto toda a sua vida.

Mas se você acha que isso te faz melhor ou mais avançado do que alguém espiritualmente, então, você é um tolo, pois você não poderá reconhecer que nosso Ori é o nosso primeiro professor…

…e tem ele tem ensinando a cada um desde o nascimento.

Você pode ser velho de anos e chamar a segurança social.

Mas se você ainda viver a vida como uma criança temperamental de 10 ou 15 você ainda terá que caminhar para chegar ao sacerdócio.

Fale-me de Èşù quando você for capaz de fazer escolhas capacitadas e falar a verdade em palavras e atos.

Fale-me de Ògún quando você for capaz de romper suas próprias ilusões, enfrentar seus medos, seus fracassos e corajosamente evoluir para manifestar o melhor de si.

Fale-me de Òsún, quando você for capaz de criar harmonia, alegria e abundância em sua própria vida sem egoísmo.

Fale-me de Ợbàtálá, quando você for capaz de semear a paz mais pura e manter uma mente tranquila.

Fale-me de Òya, quando você for capaz de estar no olho do furacão da vida e fluir facilmente quando os ventos da mudança estiverem sobre você.

Fale-me de Òlòkún ou Yemojá, quando você for capaz de equilibrar suas emoções e empatia com os outros.

Fale-me de Òrúnmìlá, quando você for capaz de ver o mundo através do olho da sabedoria e equilibrar o julgamento com compaixão e não duras críticas e outras inadequações.

Fale-me de Şàngó, quando você puder transcender o seu ego e servir aos outros com compaixão.

Fale-me de Ìyàámi quando você for capaz de honrar as mulheres em sua vida e tratá-las bem e abraçar o lado feminino de sua própria alma.

Fale-me de Egbe Ợrùn / Ibeji quando você for capaz de conhecer e distribuir o amor universal.

Fale-me de Òșóòși quando você for capaz de repartir o alimento com o estrangeiro.

Fale-me Ǫbalúwayè quando você for capaz de identificar e cuidar das doenças do corpo e da alma de um semelhante.

Fale-me de Ìwá Pèlé (caráter) quando você puder realmente tratar os outros como você gostaria de ser tratado, porque você percebe…

…não há separação entre você e eu…

…exceto o que está em nossas próprias mentes.

Fale-me de Ọlódùmarè quando você tiver a certeza que a fonte existe e nos alimenta, que estamos interligados e que ninguém conseguirá cumprir seu destino sozinho.

Se você ainda não se considera capaz de aceitar este ensinamento, você deve retornar ao útero e tentar tudo novamente.
Èmi ni Isese.”

 

Texto:  Iyanifá: Iya Awo Fayele.

 
Ser filho de Òrìṣá é ter uma via de submissão, dedicação, humildade e comprometimento, tanto para com o seu Òrìṣá quanto para com o seu Àṣẹ! É um casamento sem divórcio, férias e aposentadoria!
Imagine?!!
No dia que você precisar de seu Zelador(a) eles lhes digam:
“Não posso e não sei quando poderei!!! Estou com problemas de: dinheiro, sentimental, injustiça e calunias que me fizeram, fiz algumas escolhas erradas e estou chateado e culpando alguém por isso, uma leve depressão, muita fofoca com o meu nome, não quero ver ninguém ou até mesmo não estou com vontade de ir no candomblé”?!!!
Como você agiria se estivesse passando por uma situação que necessitasse da palavra de Orumilá? Ou se você estivesse com suas coisas preparadas para sua obrigação?!!
As pessoas fazem o que querem e quando querem, dão um tempo do Òrìṣá e do Àṣẹ quando bem entendem, cometem seus equívocos em atitudes e palavras, somem e depois ressurgem tranquilamente, dizem deslavadamente que não estão dispostos e não participam nem muito menos se preocupam com o que esta sendo realizado, age como si nada estivesse acontecendo em sua casa de santo e o pior sente-se com razão!
É por isso, que em certas horas dizemos que não são todos que mereçam ser iniciados para Òrìṣá! Não são todos que nasceram para ser verdadeiramente de Òrìṣá!
O culto ao seu Òrìṣá é individual, mas de forma coletiva, é por esse motivo que existem Bàbás, Ìyás e Casas de Candomblé, se não fosse assim, cada um faria sua própria iniciação e cultuava o seu próprio Òrìṣá, sem precisar de nada, nem de ninguém!
Antes de agir de forma inconsequente e egoísta, pense no dia que você fez a sua jura e a assumiu a sua condição para com o seu Òrìṣá e Àṣe de submissão, dedicação, humildade e comprometimento ininterruptos ?
O mundo gira e com certeza o problema, a necessidade, o pedido de ontem poderá vir a ser tão quanto o de a manhã, e são as atitudes que farão as mesmas forças comungarem ao seu favor ou NÃO!
Abandone seu Ygbá Òrìṣá e o seu Àṣẹ e não esqueça que serás abandonado também!
Os Zeladores(as) que tivessem esse tipo de comportamento, você iria gostar?
Texto: Bàbá Fernando de AJagun.