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Archive for the ‘Candomblé’ Category

SOCIEDADE OGBONI.

Por: Oluwo Ifarunaola Efunlase.
http://www.efunlase.com

Na Nigéria existe uma tendência muito forte de formar associações e corporações devido a sua grande extensão de terras e também uma forte expressão política, estas associações são formadas com o interesse comum de proteger a população em economia, política, recriação e religião. A sociedade secreta Ògbóni é encontrada em terras Yorubá, e sustentada pela tradição de ter surgido nos primórdios de Ilé Ifè. Venera a terra como fonte da vida, simbolizada pelo orixá Edan…” Segundo um itan do Odu Irosun-Iwori, num antigo período da história da humanidade, esta vivia em total anarquia, promovendo sucessivos incidentes de roubos, assassinatos e violações de toda ordem de abuso aos códigos éticos ditados pelos ancestrais. Alguns habitantes pediram a interferência de Orunmilá, para que colocasse um paradeiro naquela situação alarmante. Orunmilá ordenou que se realizassem sacrifícios e aqueles que cumpriram as instruções de Ifá prosperaram em segurança.  Depois disso, Orunmilá retirou-se aos céus, entregando a Edan a responsabilidade sobre a Terra.  Edan firmou um pacto e aqueles que juraram mantê-lo, puderam viver em paz,  harmonia,  justiça e prosperidade.

Após longo tempo de permanência na Terra, Edan retornou aos céus, delegando a um grupo de pessoas responsáveis a tarefa de supervisionar e fazer cumprir as leis estabelecidas. Este grupo se uniu em fraternidade, tornando-se a conhecida Sociedade Secreta Ogboni. 
Ainda hoje, Ogboni mantém ritual iniciático baseado num pacto que estabelece e faz cumprir o seu elevado código ético, zelando pela justiça, verdade, lealdade e proteção.

A justiça de Ogboni é firmada com a própria Terra – Onilé, que detém a prioridade em todos os ritos.   Dela sai o sustento de todos os seres que nela habitam, dela saiu o barro primordial com que Obatalá modelou o ser humano. Dela viemos, nela nascemos e recebemos a oportunidade da vida, dela somos alimentados e a ela alimentaremos, por ocasião da morte.

Conta o itan que Olodunmare concedeu cada reino da natureza a um òrisá, assim, sempre que um ser humano expressasse alguma necessidade relacionada a um dos reinos, deveria pagar uma prenda em forma de sacrifício ao òrisá correspondente.   Restou de todos os reinos, o próprio planeta Terra, que foi concedido a Onilé. O seu tributo seria a própria vida, pois nela repousam os corpos e restos de tudo o que já não vive. Onilé deveria ser propiciada sempre, para que o mundo continuasse a existir, gerando continuamente, nova vida e assegurando a continuidade do planeta.

Com o objetivo de promover a harmonia com a natureza, Ogboni venera Onilé – os senhores da  Terra – como fonte da Vida, simbolizada pelo òrisá Edan.    Daí resulta que todo aquele que transgredir o pacto estabelecido pela Lei de Ogboni, deverá, – incondicionalmente, prestar contas à Edan – a própria Terra.

Outra atividade dessa sociedade é a de detectar as ofensas feitas aos Orixás, para logo penalizar rigorosamente  os culpados. A cerimônia feita por essa sociedade mística se realiza em um lugar sagrado e nesse lugar são depositadas inúmeras oferendas.

Graças a seu poder espiritual os Ògbóni podem alcançar posições em nível social e políticos. Eles são facilmente reconhecidos porque usam um Opa-Edan, feito de ferro nas extremidades, ressaltam as figuras de uma mulher e outra de um Homem.  O chefe do culto de Ogboni é um iniciado que atinge o grau de Oluwo ( pai do segredo) e é portador do shaki – uma estola que o distingue como detentor de honra e respeito.

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OLUWO IFARUNAOLÁ IFABAJO AWOYADE, Willer de Almeida.

Na lógica da Religião Yorùbá, Olódùnmarè, nosso Deus maior, onipotente e onipresente dentro de sua imensa sabedoria quando criou o homem à sua semelhança e perfeição e determinou sua vida na terra, nos deixou também uma forma para que pudéssemos conhecer a trajetória de nosso destino e desta forma minimizar nosso sofrimento, enquanto seres que desconectados do EU Divino, sozinhos, não temos noção de nossas vidas, nem para onde ir, nem o que fazer diante das inúmeras situações que nos deparamos em nosso dia a dia.
Esta bússola que nos conduz a ir em direção daquilo que é o melhor para todos nós é Òrúnmìlà-Ifá aquele que Olódùnmarè permitiu que fosse a testemunha da criação de tudo o que na terra existe, portanto o “guardião dos segredos”, que estava presente em nossa criação primeira e também a cada vez que aqui retornamos no processo de evolução.

Òrúnmìlà-Ifá, portanto é aquele que através do jogo divinatório fala o seu passado, seu presente e seu futuro. É o código decifrado do destino individual de cada ser humano, que trazemos quando nascemos, sendo um culto específico onde os portadores desta sabedoria são chamados de Bàbáláwò, “o Pai dos Segredos”.
No Culto a Ifá, os Bàbáláwò são pessoas escolhidas pela divindade através do jogo de Opele-Ifá, pois necessitam reunir em sua personalidade um caráter compatível com a missão que será desenvolvida, e onde não é permitido a traição, a falsidade, o orgulho, a vaidade, tendo que reunir uma forma de caráter muito especial, além da inteligência, para ser um iniciado. Neste Culto as pessoas não se candidatam a Bàbáláwò. Na África, após o nascimento de uma criança ela já é levada a um Bàbáláwò para que os pais saibam o que será melhor para o seu destino, e desta forma encaminhada para a missão na qual nasceu. Os escolhidos, quando atingem a idade necessária são encaminhados então ao templo e ali com os anciãos serão iniciados no culto e passam a adquirir o conhecimento dos segredos, a conduta necessária para que nunca percam este poder e a forma de como ajudar aos outros em qualquer tipo de aflição.
Dentre estes escolhidos, alguns serão encaminhados para ser Bàbáláwò, e outros para ser o Omo-Ifá, aqueles que acompanharão o Bàbáláwò em tudo o que fizerem, mas que nunca poderão atingir ao grau maior da sabedoria embora esteja presente e ciente de todos os rituais sagrados. Este código será decifrado através dos 16 Odù, que são os 16 Òrìsà primordiais, ou seja, o retrato de nosso caminho na terra que podem ser multiplicados por mais 16 e assim por diante, podendo chegar a 23.368 poemas de Ifá, retratando todas as formas emocionais e os problemas adquiridos pelo ser humano. Para cada caminho (destino) existem inúmeras rezas e ensinamentos passados oralmente ao iniciado permitindo com isto que além de conhecer nosso sofrimento apresente também a sua solução. Olódùnmarè não nos deixaria aqui somente para sofrer e andarmos desgovernados, isto não está incluso na lógica da criação, a única coisa é que o poder do conhecimento não pode estar nas mãos de qualquer um, uma vez que os níveis do caráter humano não são iguais, e que na maioria das vezes as pessoas vão moldando sua forma de ser de acordo não com o seu código interior, mas sim refletindo a força externa da sociedade em que vive.
Este treinamento requer muitos anos, de prática, rituais, e absorção do conhecimento, até que recebam de seus anciãos a autorização final para também desempenhar a função de Bàbáláwò.

Os Bàbáláwò adquirem poderes e como a própria tradução diz “Guardião dos Segredos”, seus poderes sobrenaturais são inúmeros e chegam além da morte, pois dentro dos ensinamentos aprendem a manipular poções e magias que podem curar inúmeras doenças, trazendo vida às pessoas muitas vezes desenganadas pela ciência comum. Além da cura, eles têm conhecimentos no preparo de magias para que tenhamos proteção contra a violência, acidentes, alcançarem a prosperidade, resolver casos amorosos, trabalhando com as folhas (Ewé), conseguem passar de um elemento para o outro o campo das energias em prol da felicidade do ser humano.

No campo espiritual eles podem ouvir a palavra dos ancestrais, em qualquer lugar do mundo, pois conhecem a língua sagrada. Seus conhecimentos permitem que interrompam o ciclo de uma criança Àbíku ( que nascem e morrem em poucos dias, ou que sobrevivem sob o perigo da morte constante), evitando novo sofrimento para seus pais, assim como o culto a Egbe ( grupos espirituais que ficam no astral para atrapalhar as pessoas). Cultuando as Ìyáàmi Osoronga, (as Mães Feiticeiras), podem se transportar de um local para outro, e vir à presença dos mortos que vivem junto de nós.

Fonte: aseomooduduwa

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Um texto que eu gostaria de ter escrito.

Oke Aro Erinlé, Ajàjá, Bábá mi.

Todos os dias quando eu acordo, lembro dos meus Caminhos…

Erinlé aponta para o amanhecer e me diz: “está vendo aquele sol ali? Agradeça a Deus que o deu a você, sem ele você não sobreviveria”. E continua: “está sentindo esse ar enchendo os seus pulmões? Agradeça a Deus que o deu a você, sem ele você não sobreviveria”. E Erinlé me pergunta: “gostou da noite que você dormiu e do conforto do seu sono? Agradeça a Deus que os deu a você, sem eles você não estaria pronto para o dia de hoje”.

E por mais este dia, Erinlé me diz: “agradeça a Deus que hoje você está vivo para aprender mais, crescer mais e evoluir mais. Agradeça a Deus que te deu mais este dia pela sabedoria ao trilhar os seus caminhos de aprendizado, crescimento e evolução”.

Começo a caminhar, e então, Erinlé aponta para o chão e me diz: “está vendo esta terra que você está pisando? Agradeça a Deus que a deu a você, sem ela você não seria quem será amanhã”.

Tomo meu banho, escovo meus dentes, bebo água, uso perfume, sabonete e roupa limpa, e Erinlé me diz: “veja quanto conforto você tem. Agradeça a Deus que você tem saúde para trabalhar e conquistar tudo isto e muito mais. Cuide da saúde que Deus te deu”.

Preparo meu café e, quando vou comer, Erinlé me diz: “está vendo esta comida que você vai comer? Agradeça a Deus que a deu a você. Quantas pessoas lá fora gostariam de comê-la e ela é sua por direito. Agradeça!”.

Saio de casa, chego ao trabalho e Erinlé me diz: “está vendo quantas pessoas há ao seu redor? Está sentindo quanta coragem você tem de enfrentar o mundo e vencer? Agradeça a deus pela sua Vida, pois o trabalho é seu e coragem muita gente pede, mas mesmo assim nem todos que pedem-na aceitam tê-la”.

E Erinlé me disse: “Deus te deu a Vida como professora, para você aprender a viver neste mundo, para você creser e servir de norte aos pequenos, e para que você evoluir mais e cumprir sua missão”. Erinlé me disse: “agradeça a Deus!”.

E eu agradeci a Deus por todas estas coisas e por muito mais. Agradeci a Deus mais ainda por ter colocado Erinlé na minha vida, meu amigo, meu pai, minha raiz, do qual eu descendi, e que me lembra todos os dias da minha pequenez diante de Deus e do quanto eu tenho de suar para me tornar um grande motivo de viver aos que ainda são pequenos.

Agradeci a Deus por ter me dado um amigo tão bom quanto o Caçador, que me acompanha por toda a Vida neste mundo tenebroso, nesta terra maravilhosa, nestes caminhos de aprendizado do que é viver. Agradeço à Vida por tudo o que aprendi e ainda vou aprender.

Ai de mim, pela minha pequenez, porque sou nada e recebo tantos presentes todos os dias. E nenhuma dor eu senti, nenhuma dificuldade eu passei, nenhuma mágoa eu recebi ou em nenhuma prova me decepcionei que não me fossem necessárias para aprender, crescer, evoluir e perceber o quanto ainda sou pequeno e tenho de crescer.

E Erinlé mais uma vez me fez lembrar de Deus e disse: “você foi colocado aqui para viver!”. ♐

POR KLEVERTON JOURNAUX

Ire o.

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  •  Esta lenda é originária do nordeste de Angola.

            Essa lenda conta  como aconteceu a primeira Mukanda (circuncisão) de um Tchokwé, e como isso passou a ser um ritual obrigatório entre os homens desse povo, segundo o Soba Kaúka, da aldeia de Nakalumbo.

 – Andava certo dia Safuanandenda Lunga, filho mais velho do Soba Variekelenwene, pescando no rio quando, ao passar descuidadamente e nu, junto a um capim grosso (Mwenkenene) a folha desse capim o circuncidou.

            O jovem, envergonhado e temeroso, em vez de voltar para a aldeia, escondeu-se numas biçapas (moitas)  que se aglomeravam no caminho para o rio.

             O tempo foi passando, os dias viram semanas, sem que o rapaz se decidisse a voltar para junto da família; e durante esse tempo, sobrevivia alimentando-se do que pescava e caçava na sua solidão.

            Fez ele próprio arco, flechas e lança, improvisou anzóis e armadilhas, observou os bichos comendo frutas e tubérculo silvestres, dos quais também se serviu para se nutrir, quando falhava a caça e a pesca.

             Passou-se muito tempo, e já a ferida estava cicatrizada, quando Safuanandenda, saturado do seu exílio voluntário, se decidiu a voltar ao convívio do Mussôco.

            Ainda envergonhado, para que não o reconhecessem, talhou numa cabaça o formato de uma máscara, colocou-a na cabeça e entrou na aldeia.

             O espanto que causou foi enorme, tinha deixado de ser um rapazinho de quem todos se lembravam; era agora um homem auto-suficiente e experiente, a quem todos passaram a respeitar. Com a sua máscara infundia respeito entre os homens. Quanto às mulheres, dada a sua originalidade anatômica, todas passaram a assediá-lo.

            As provações e auto-aprendizado por que passara, além de lhe desenvolver o corpo, deram-lhe um autodomínio que magnetizava a todos que com ele conviviam.

            Apesar da pouca idade passou a ter lugar de destaque entre os homens, e nada se decidia, sem que ele fosse consultado, e a sua opinião escutada.

            Os homens o respeitavam, as mulheres o desejavam, e todos o admiravam; admiravam a sua astúcia, a sua calma, o seu bom senso e a sua agilidade.

             O fenômeno tomou proporções que levou o conselho dos velhos a reunir-se, e a chegar à conclusão que a Mukanda (circuncisão) só podia ser benéfica a púberes da tribo, deveriam a partir dessa data, submeter-se às mesmas coisas, e na mesma seqüência em que haviam acontecido com Safuanandenda.

            Chamaram o Sobeta, e o convidaram para mestre de cerimônia e operador, orientando a par e passo todos os atos dos jovens púberes.

             E assim teve início o ritual da Mukanda Kandongo

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EBÓ EJÉ (SACRIFÍCIO)

Sacríficio é uma palavra que devemos ressaltar em nosso culto, quando ofertamos qualquer elemento ao Òrìsá devemos tratá-lo também como EBÓ.

Ebó é todo elemento ofertado a uma força espiritual, seja ela de que natureza for, ajogun (forças negativas), irunmolé (òrìsás que não são funfun-branco) ou òrìsá funfun.

Quanto ao Ebó Ejé, oferecimento de sangue, as críticas tornaram-se cada vez mais contundentes, com  apoio externo, inclusive da mídia, que não perde a oportunidade de associar qualquer fato ligado ao nosso culto com Bruxaria, Magia Negra, Vodoo (como aspecto pejorativo) e etc…

É surpreendente como pessoas que são leigas nestes fundamentos e incapazes de resolver problemas gravíssimos que a religião Iorubá por inumeras vezes se defronta e resolve, vem nos atacar nos chamando de primitivos e incivilizados.

Creio que civilizado para eles, é a forma como os matadouros abatem estes animais, as touradas do México e da Espanha católica, os safáris, caçadas na Inglaterra anglicana, as rinhas de galo / cães e etc…

Não se questiona a vida perdida dos animais sem nenhum propósito, ufanismos à parte, o que importa é o produto final. O contrabando de animais silvestres e exoticos, criação de pássaros em cativeiro, criados em gaiolas como souvenir e pesca de arrasto que mata indiscriminadamente e vorazmente servem apenas para aguçar a vaidade de possuir um acessório de pele e/ou couro e a ganância financeira. As iguarias gastronomicas fornecidas por animais em extinção não é questionada, a vida perdida destes animais sem nenhum propósito, não passa de um meio.

Imolação maior fez o Cristianismo, a religião do amor, que com sua Inquisição e Cruzadas, dizimou milhares de vidas e faz-se vista grossa para tal acontecimento, tratado-o apenas como fato histórico, isto sim é inexpugnavél.

Discriminar e perseguir religião alheia é certamente muito mais grave que qualquer ato litúrgico praticado por nós.

Não somos dissimulados ao ponto de ignorar o ciclo de vida e morte, sabemos de nossas responsabilidades.

A Terra (Ikole Aiye), como um grande Ile ikú, alimentada por este ciclo de morte e renascimento desde os primórdios, nos fornece o material necessário impregnado dos elementos insubstituiveis para nossa liturgia, não podemos deixar que uma visão utópica transgrida essa lei sagrada.

Dentro do Velho Testamento encontraremos o Levitico, o terceiro livro da Bíblia atribuído a Moisés. Os judeus chamam-no Vayikrá. Basicamente é um livro teocrático, isto é, seu caráter é legislativo; possui, ainda, em seu texto, o ritual dos sacrifícios, as normas que diferenciam o puro do impuro, a lei da santidade e o calendário litúrgico entre outras normas e legislações que regulariam a religião.

A maioria das pessoas que consomem carne não se preocupa com a origem deste animal, seu abate e posterior comercialização, estão desconectados da realidade. Menciono também os vegetarianos, que ao tirar da terra legumes, verduras e hortaliças, também estão tirando vidas, neste caso, eliminando a seiva, sangue verde, a respiração, a fotossíntese, deixando de ser um ser vivo para lhe dar a vida.

Dentro do Culto Ioruba a imolação de animais é tratada com respeito, gbaduras e orikis, onde este sangue estará dando vida a outros e fertilizando a própria terra.

Lembrando o iton onde Olodunmarè determina que a terra, Onilè, será o principal receptáculo de todo oferecimento.

Dentro de Ifá, nos Odu Irete-meji e Oturupon’turá, Òrúnmìlá determina a troca dos seres humanos pelo dos animais, foi quando a cabra substituiu a filha de Òrúnmìlá no ritual de ebó ejè.

A permanência do ser humano sobre a Terra exige sacrifícios constantes. Sacrifício de tempo e de privação de algo em detrimento de outro, o sacrifício das transformações e a oferta de dinheiro à custa de esforço através do trabalho, todos girando em um processo interminável que se resume a dar e receber.

Os sacrifícios de animais praticados pela religião iorubana, vão além do ASÈ, servem para alimentar o povo, pois a carne é consumida pelo egbè.

Note-se que a vida animal oferecida através de ebó, dentro do Culto Yoruba, é rezada e seu espírito enviado  com todo o respeito a terra dos ancestrais e para os nove espacos do orun..

EBÓ.

Uma das três formas de asé encontrada  no reino animal é o Ejé, o sangue.

O sangue que nos dá a vida em sua plenitude, sempre foi considerado divino, não existe um laboratório que o fabrique, é a força divina em seu estado material.

Tudo incluído na composição da Terra esta contido, também, na composição do sangue. Por exemplo, zinco, água, minerais, ferro, magnésio, etc… Note-se que todos os reinos, seja ele mineral, vegetal ou animal, está contido em nosso sangue e vice-e-versa.

Sacrificar os animais não são regras e as orações específicas da ação dão graças a Deus pelo sacrifício.

Exemplo: O primeiro passo é agradecer a Deus pelo espírito do animal que vai em missão. Então, nós agradecemos a Deus pela comida, a carne que vamos comer, e agradecemos também a Mãe Terra, Onilè, que nos deu este alimento para sobreviver.

Os demais componetes liturgicos tem sua missão, tais como:

Obi:utilizado como oráculo para conversar com as energias e para onde encaminhar os  ebós, aplacar a ira de energias negativas e a fruta da vida onde no momento de comunhão com os Orisas a pessoa se conecta com sua ancestralidade.

Orogbo:utilizado para vida longa, aumento de resistência e perseverança da pessoa, quando utilizado com casca para que um segredo não seja revelado.

Oyin (mel):Utilizado para alegria, bem estar, harmonia, prosperidade e para que algo ou alguém nunca seja desprezado.

Epo (dendê):Elemento de efeito calmante, trás equilíbrio e facilidades.

Iyó (sal):Para sorte e preservação, para que a pessoa consiga manter suas conquistas. Dinheiro e vida longa.

Atare:Utilizado para consagrar o diálogo dar forças as palavras, utilizados em comidas e também para multiplicar os desejos.

Oti ( mais usado em rituais, Gin ) O GIN TEM COMO PRINCIPIO A PURIFICAÇÃO DA PALAVRA. E TAMBÉM O DESPERTAR DA ENERGIA. A FAVOR DO SUPLICANTE.

Owo eró:búzios utilizados para comprar AS DIVIDAS E A FALTA DE DINHEIRO das pessoas.

Moedas antigas:Utilizadas para pagar os Ajóguns (energias negativas que podem ou não estarem ligadas com as Yami.

Osun:usado para que a essência vital, simbolizando o sangue vermelho vergetal, para que o asè e as conquistas não se acabem.

Efun:para atrair o asé, representa a água.

Yerosun:Elemento sagrado de Ifá tem o poder de transmitir o asé de Odú ao que esta sendo feito, ativar o Odú Ifá.

E outros elementos mais.

Vemos então um conjunto de elementos que agrupados vão fornecer o produto final a ser enviado ao Alto, Ikolé Oorun.

Nossa religião, como uma das mais antigas, tendo sua ritualistica registrada nos Esès, ESCRITURAS SAGRADAS, ditadas por Òrúnmìlá e registradas por Ifá, o òrìsá da sabedoria e testemunha de tudo que existe no universo. Mobiliza e transfere este asé atravéz de rituais de várias especies, que são direcionados a Olodunmarè pelo portal que é aberto por Ose’turà e encaminhado por Esú.

Os Ebós Ejè oferecidos dão movimento ao fluido vital liberado, o asè, que atua fora do campo material tendo o poder de transformação sobre coisas desejadas ou indesejadas que estejam afetando o ser humano.

O òrìsá, como energia do cosmos, não necessita de comida propriamente dita e muito menos de sangue, o sangue nada mais é que o fluido vital que corre em nossas veias nos assegurando a sobrevivência , como é inerente a todos os seres vivos. Quando este material, ejè, é encantado e liberado, ele atua como veiculo operador, atua como uma profilaxia espiritual ou reforçando a energia já instalada.

As correntes que se opõem a esta prática, nos taxando de primitivos, desconhecem o poder deste veiculo, como trasferidor de asè.

Podem de uma certa maneira estar tentando criar uma nova religião, como temos vistos pessoas pregando o Candomblé Verde, embora isso também seja sacrifício, desde que orientado por Ifá, não quer dizer que o sangue animal seja excluido.

O que temos que ter em mente é a sacralidade do ato, o silencio, o respeito, as orações, os orikis e os ofós, devem seguir uma ritualistica condizente com o momento, onde todos os participantes, principalmente Onilus e Asogun responsáveis pelo ato sagrado da imolação e o sacerdote proferidor das palavras encantadas.

A Iyábase, responsavel pela sequência do ato liturgico, é por demais importante na finalização do Oro, onde a preparação do eran,  carne, seguirá ordens ditadas pela energia invocada, atravéz de Ifá, no jogo de Obi abatá.

Ao se encerrar a missão com todos os elementos colocados aos ‘pés’ do Igbá ou ojubó, igbá coletivo da casa, saberemos se tudo foi aceito por Òlodunmarè, com nova caida do obi, orogbo,esun isu (inhame cozido) ou igbin (caracol).

Tudo finalizado damos sequência com a preparação do nosso banquete, onde nos confraternizamos e agradecemos a Olodunmarè e a Onilè o alimento recebido.

Asè.

Por: Heliane Haas, Olowo Ifarunaola e Da Ilha.

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ETUTU – EBÓ

As manifestações de energia

Este artigo foi escrito por Olúwo Ifágbèmí Odùyemí e cedido ao Instituto Awololá.

 Um dos grandes presentes de Ifa encontra-se em sua habilidade de oferecer o remédio para toda a situação àqueles que estão dispostos a procurá-lo e a ouvirem aquilo que ele tem a dizer. Assim prescrever o Ebo é uma habilidade que deve ser cultivada e refinada, porque toda a arte requer do Ebo além da oferta que estamos dispostos a fazer, um comprometimento sincero com a oferenda para que possamos experimentar de forma sincera as transformações que irão ocorrer.

Muitas vezes presenciei em minha vida de sacerdote, pessoas desesperadas afirmarem que sua vida não tem mais solução. Melhor que reconhecer a responsabilidade pessoal que acompanha o Ebo, seria reconhecer as responsabilidades de nossas ações, pois muitas vezes agimos como que esperando que a repercussão dos meses, dos anos, ou mesmo das décadas de acumulo de energias negativas, possam ser milagrosamente transformados em um instante. E quando os resultados da vida se alteram e não são vistos imediatamente, o Ebo e freqüentemente a divinação são tachados como errôneos. Isto infelizmente e uma prática comum ao mundo moderno, uma espécie de fuga ou de relutância em relação às responsabilidades com nossa própria vida.

A mudança tem que ser vista como um processo interativo e requer que nossos compromissos pessoais estejam sempre em desenvolvimento, aliados sempre a uma boa postura e a um forte Iwa(caráter). A verdade é que o ètùtù promove mudanças de fato em nossa vida de uma maneira muito prática e tangível, injetando energia em nossa essência e no universo à nossa volta criando novas possibilidades, que precisam ser bem administradas para que profundas e verdadeiras mudanças possam ocorrer. Externar o desejo e o verdadeiro comprometimento com esta intenção é a maneira mais correta de promover essas transformações, este é um ponto simples e importante de recordar, pois cria a possibilidade de algo novo e diferente.

Porém e necessário compreender que a fim de conseguir retificar nosso destino, devemos usar nossos olhos para perceber as mudanças que o Ebo criou, e nossa determinação para agirmos em cima dela, caso contrário, se não agirmos para podermos colocar essas transformações em prática, continuaremos presos aos mesmos problemas, sem conseguir fazer com que nossas novas perspectivas interajam com o potencial de transformação criado pelo Ebo, caindo fatalmente em um período de estagnação criado simplesmente por falta de postura em relação a nossa própria vida.

Para aquelas que reconhecem a função verdadeira do ebo, as responsabilidades pessoais que vêm junto com ela realizam-se tão claramente quanto o dia. Compreender os benefícios do Ebo, experimentando assim a totalidade de nossos potenciais, assimilarem que a direção de nossos destinos repousa em nosso Orí e a primeira etapa para podermos explorar a totalidade de nossa capacidade, assim não apenas reivindicando e sim contribuindo para que possamos vivenciar a felicidade que temos por direito, assim como a paz e o próprio bem estar.

Enquanto observado para pessoas alheias ao seu potencial de transformação o Ebo é muitas vezes comparado a uma simples prescrição.

É necessário entendermos que cura e totalmente diferente de transformação, a cura e estabelecida após o mal já estar instalado, já a transformação além de explorar o potencial da cura busca também agir na origem do problema, procurando identificar o que gerou o mal.

Se nosso próprio medo, relutância, negação são a causa de eventos infelizes em nossas vidas, o Ebo explorando o seu poder de transformação e agindo no foco do problema torna-se eficaz impedindo que uma progressão negativa permita a instalação de males.

O verdadeiro processo de cura encontra-se na prevenção, isto requer esforço e foco contínuo na origem de nossos problemas.

O Ebo prescrito durante a divinação ajudará temporariamente ao indivíduo, porém volto a frisar que se não houver uma mudança de postura a mudança será apenas temporária, ou seja, não é o bastante oferecer uma vela para sairmos da escuridão; nós devemos abrir nossos olhos para perceber e mover-se ativamente até a luz.

É imperativo ao nosso crescimento que nós consigamos assimilar e agir dentro da energia explosiva que está sendo evocada ao realizarmos o Ebo, seguindo-a completamente.

Finalmente, somente o esforço de um indivíduo pode sustentar um resultado alterno e digno. Uma parte de minha própria viagem em Ifá foi destinada a poder observar e a assimilar o mundo natural ao meu redor, podendo assim compreender como as energias naturais interagem entre si e principalmente ao entender os seus conceitos compreender a necessidade de manipulá-las para a solução dos problemas chegando ao bem estar.

Nós podemos ver como o vento e as águas se movem através das gargantas e as fendas, encontrando penhascos e outros obstáculos, no entanto fazendo os ajustes necessários eles sempre alcançam seu destino.

Assim nós, como seres humanos, não devemos ver nosso próprio crescimento como impossível como algo miraculoso ou como algo além de nosso próprio poder, muitas vezes impedido por obstáculos imaginários, embora muitas vezes tivesse dificuldades em crer é fácil para todo o organismo evoluir e se aprimorar desde que realmente desejemos isso e ao invés de ficarmos aguardando, contribuirmos para que as transformações ocorram em nossa vida.

Os princípios básicos de Ebo operam dentro desta lei natural, e esta é talvez a coisa mais importante que meus Anciões me ensinaram.

É simples plantar uma semente, o difícil e fazê-la germinar, a divinação e o Ebo dão-nos as ferramentas para crescer, basta apenas percebermos como usá-las.

Ire o.

Por: Olúwo Ifágbèmí Odùyemí e cedido ao Instituto Awololá

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No início

No início da minha caminhada no Candomblé fui ensinada a temer os Orixás. Muitas vezes até receava sequer solicitar uma consulta de búzios sobre a minha vida. Ogum podia estar em pé de guerra, por estar insatisfeito comigo. Xangô estava certamente pronto a desferir-me um golpe com o seu machado de dois gumes, por eu o fazer ficar constantemente zangado comigo. Oyá estava seguramente pronta a soprar problemas para a minha vida. Oxum ou Yemonjá estavam também prontas a afogar-me, e talvez não fosse prudente da minha parte fazer-lhes alguma oferenda, sendo que para tal era necessário eu aproximar-me de algum rio ou do mar.

Talvez outras pessoas pudessem afirmar que não lhes tinha sido dito que os Orixás ou os ancestrais estavam descontentes com eles, mas eu, sendo a crédula e naive que sempre fui, acreditava na palavra dos irmãos e superiores mais velhos e levava à risca e aceitava do fundo do coração tudo o que me era dito.

“Tradicionalmente”, é-nos dito que os Orixás são entidades espirituais que têm o poder de reger os seres humanos com todo o fogo e a fúria de um imperador, demasiado inseguros em si próprios para tolerar qualquer comportamento que possa ser compreendido como uma mínima demonstração de desrespeito. Portanto, seria uma progressão lógica e natural, presumir que o poderoso e facilmente ofendido Orixá estaria no mínimo aborrecido comigo. Um devoto com um sério sentido de humildade e com uma natureza zelosa e de ajuda pode ser facilmente manipulado.

Por exemplo, segundo a interpretação tradicional de Ifá, é ridículo um devoto esperar que Orunmila respeite uma hora marcada para uma leitura. Se para a maioria de nós o tempo é um eufemismo, pois temos a reputação de chegar sempre uns minutos atrasados, então, de acordo com os conceitos tradicionais Africanos, o tempo do Orixá deve ser sinónimo de chegar pelo menos uma semana atrasado, isto caso chegue a aparecer de todo.

Os devotos fariam bem em recordar que têm sorte por haver sequer um Orixá que se recorda da sua existência. Agora, daí a pensar que ele vai ficar preocupado com a hora de uma leitura ou consulta…

Mas, uma vez liberta da grilhetas do pensamento “tradicional”, comecei a reconhecer e a aprender que os Orixás estão longe de ser as entidades egoístas e temperamentais que eu fui levada a acreditar que eles eram. Se os queremos adjectivar de alguma coisa, então eles são das entidades mais humildes que podemos encontrar. Os Orixás não podiam importar-se menos com o domínio e o poder sobre cada um dos devotos que cruza o seu caminho.

Os Orixás sabem que o seu valor não é medido pelo controlo que eles possam exercer. De facto, o controlo sobre outros é, mais do que provavelmente, a menor das suas preocupações, se é que essa preocupação existe sequer.

Nós partilhamos este plano de existência com um elevado número de entidades diferentes, todas elas com capacidades diversas. Enquanto nós humanos nos percepcionamos como superiores a outras espécies em muitos aspectos neste planeta, no grande esquema das coisas não somos assim tão diferentes de tantos outros seres que partilham este planeta connosco. Acrescentemos então entidades como os Orixás a este “Mix” e, se tivermos uma pitada de humildade que seja, percebemos rapidamente que nós, seres humanos, afinal não estamos nem perto de ser o topo da tabela. E se acrescentarmos Olodumaré a esta equação, então a nossa importância no grande cosmos cai ainda mais.

Quer acreditemos, quer não, cada um de nós tem um trabalho a fazer que mais ninguém pode fazer por nós. Podemos imaginar o universo como um relógio complexo, com um infinito número de mecanismos e componentes. Se uma peça do relógio estiver danificada e deixar de fazer o seu trabalho isso causa um “efeito dominó” que eventualmente pode causar a paragem do relógio.

O universo é muito mais complexo do que um relógio, por isso espero que entenda este exemplo apenas como uma mera analogia. O ponto é que os Orixás não são capazes de fazer tudo o que as pessoas podem fazer, tal como as pessoas não podem fazer tudo o que outros animais são capazes de fazer. Devemos respeitar o facto de que os animais têm tanto direito a este planeta como nós, tal como os Orixás respeitam o nosso direito a partilhar este plano de existência com eles.

Na forma como Orunmilá explica o mecanismo do relacionamento, os Orixás não são melhores que os humanos. Todos nós somos manifestações da natureza, todos temos a nossa tarefa a cumprir e todos nós somos produto de Olodumaré, que nós reconhecemos como o Ser Supremo.

Dito isto, os Orixás não vão seguramente optar por uma retirada caso os seres humanos não se ajoelhem sempre que é dito o nome de um Orixá. A reverência não é medida pela quantidade de vezes que o devoto se ajoelha, recita um Adurá, canta um Oriki, dança um ou dois passos, ou algo assim básico e simples.

A verdadeira reverência é medida pela profundidade da sua integridade, a força da sua confiança, a clareza com que compreende, e a intensidade da sua vontade para aprender o mais possível e aplicar as lições aprendidas na vida, no dia-a-dia.

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