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Archive for the ‘Candomblé’ Category

II II
I I
I II
I I

Òfún’sá

Eriwo ya!

Saudamos todos vocês em nome de Òlódùmarè, Ọrúnmìlà e todos os outros Òrìşà. Nós também estendemos os cumprimentos de Àràbà Agbaye (da cidade de Ilè Ifé) a todos vocês nesta época do Ifá Festival Mundial. Nós, os membros do Comité de Ética e Escrituras do Conselho Internacional para religião de Ifá, O Odù Ifá que saiu para este ano é Òfún’sá
O Odù veio com ire Aiku, que significa vida longa e um ebo é recomendado para atingir o objetivo. Este Ifá serve para Nigéria, Benin, Brasil, Trinidad e Tobago, Alemanha, Estados Unidos, Venezuela e Cuba. Todos estes países estavam representados e fizeram suas contribuições.
Os versos de Òfún’sá recitados com suas narrativas são as seguintes:
Comentários de Áwo Fa’lokun.

Quando uma divinação vem com ire Aiku ou seja, bênção de vida longa a implicação fala em alinhamento perfeito com o destino.
Durante o passado a estrutura de nossa fé tem estado sob ataque de dentro de nossas hostes.
O Odù nos endereça esta questão e gostaríamos de encorajar todos a meditar sobre o significado da mensagem dos imortais no que diz respeito a preservação de nossa fé.

Ifá diz que deve haver assistência mutua.
Ifá quer que sejamos solidários e trabalhemos juntos.
As pessoas devem fazer aquilo que acharem mais correto no tocante a diminuir as agressões do sistema reparando ou resgatando aqueles que estão em situação deplorável ou desprezível.
Ebo deve ser feito para ter a chance de escolher as pessoas certas para esta tarefa.
Os itens a serem sacrificados neste ebo são:
Oito pombos, mel, gin, Àkàsà e dinheiro.
Aqui o importante é saber que o ebo feito por pessoas não qualificadas, no caso será necessária a presença de um babalawo, pode resultar em danos espirituais para o curioso. Sem contar que o Odù deve ser tefado (marcado) no Ọpọn Ifá e a mecânica correta somente o babalawo saberá seguir.

Aqui Ifá diz:
Comentário de Awo Fa’lokun:
Este primeiro verso, abaixo, vai direto ao ponto.
Nossa fé foi criada por Ọrúnmìlà a muitos milhares de anos atrás. Ele criou nossa disciplina espiritual que conecta nossa vida a nossa família e ao mundo através de um sofisticado sistema de controles e equilíbrio relacionados com o: Ọbà (Rei), Ìyàámi, Ògbóni, Ifá e Egbè Òrìşà. Há uma crença comum (os famosos inventores, curiosos e modernistas) de que Ifá pode ser praticado sem os sistemas de controle e equilíbrio desta estrutura antiga.
O Odù Òfún’sá está dizendo que isso não é verdade, estas estruturas tem um propósito e devem ser preservadas.

Òfún saara
Òfún seesee
O sacerdote de Ifá de Eyin, O Dente
Lançou Ifá para Eyin, O Dente.
Quando o dente estava com saudades do Redentor
Ele aconselhou a fazer ebo
Ele fez
Vamos juntar as mãos
Para reparar nosso Dente
Ele é muito branco
Ele se tornou puramente branco.

Comentário de Awo Fa’lokun:
Nossa fé tem caído em desuso por causa de ataques que vinham de fora, agora estamos diante de ataques internos e será necessário um esforço coletivo para preservar as velhas formas. Os dentes são uma das ferramentas que usamos para nutrir o corpo. A referência ao dente branco e a ideia da nutrição baseada na pureza. Muitos dos ensinamentos originais de Ọrúnmìlà tem sido danificado por pessoas que usam a lente de outras religiões para interpretar suas palavras. As pessoas podem acreditar em Jesus, Maomé ou Buda, mas, cada um desses profetas pregou sua própria mensagem. Eu acredito que a mensagem de Ọrúnmìlà vale por si só e não precisa da lente de outras religiões como base para uma explicação.

O que temos de mais importante dentro deste primeiro aspecto do Odù é ordem expressa de Ifá, para não perdermos o equilíbrio emocional com os ataques que vierem de dentro de nossa religião, aqueles que querem dividir, criar atrito, disseminar o ódio e todas estes sentimentos separatistas devem ser entregues a Ọrúnmìlà/Ifá nas horas de nossas orações.
São estas pessoas que serão cuidadas diretamente por nosso pai.
Não discuta por qualquer motivo, não levante sua voz.
Entrar neste barco, das discussões, poderá lhe trazer mais prejuízos que ganhos.

Os versos foram gravados e traduzidos por:
Fayemi Fatunde Fakayode (Presidente, Comitê de Ética e Escritura)
Àràbà Olusoji Oyekale (Rep. do Estado de Kwara)
Ojesola Windare (Osun State Rep)
Awo Fawale Adebayo (Ondo State Rep)
Otunba Kehinde Idowu Fagbohun (Oyo State Rep)
Fayemi Abidemi (Oyo State Rep)
Chefe Fatunmbi Adeniji (Ogun State Rep)
Fasola Faniyi Babatunde (Ogun State Rep)
Awo Tosin Olomowewe (Lagos State Rep)

Obs.
Estamos cientes de que algumas pessoas têm publicado alguns versos deste Odù na internet. Aqui nós não estamos dizendo que os versos por eles publicados são incorretos, nós acreditamos fortemente que os que aqui apresentados são aqueles recitados com a inspiração de Òlódùmarè. O que queremos dizer é que pode haver mil versos de Òfún’sá, mas a inspiração é o que é necessário para recitar estes versos no momento de adivinhação, é a inspiração que dirige um sacerdote para o verso (s) ele recitar na esteira.

Comentário Awo Falokun: Esta é uma regra de longa data em Ifá.
Os versos que se aplicam a uma adivinhação são os versos que foram ditas no momento da adivinhação.

Aqui o que os Anciãos de Ilè Ifé estão tentando explicar é que o momento da adivinhação tem um recado direto, quem não participou deste ritual (jogar e interpretar o oráculo), não pode ter a mesma certeza e a mesma conexão que foi atingida por eles.

Nosso blog está mostrando apenas uma parte das revelações de Ifá para este ano yorùbá que se inicia. A informação é longa e deve ser interpretada por um expert (babalawo), o que queremos deixar gravado é necessidade de união, ajuda mútua e defesa de nossa fé.
Estes requisitos se fazem necessário pelo alto nível de agressividade que viemos sofrendo ao longo dos anos. Porém, Ifá nos diz que não estamos sozinhos, que não seremos abandonados pelo Ợrún.
Ifá
Egbè Ợrún
Okú Ợrún (Ancestres/Espíritos que partiram))
Olokun
Olosa
Ogun
Şàngó
Ợya
Òşún
Òsànyìn

Estes òrìşà, irunmolè e energias do plano astral estarão cuidando de nosso mundo e de nossa religião.

Que as bênçãos de Òfún’sá possam se multiplicar sobre a cabeça de todos nós.
Epá Odù. Epá Òrìșà.

Texto do Conselho de Oke-Itase, Ile-Ife, Osun State, Nigéria.
Comentários do Áwo Falokun.
Tradução: Odé Gbafaomi.

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Egbé sempre, aqui no blog,  somos perguntados sobre quebra de preceitos, quebra de tabu, romper com os èèwò e as preocupações inerentes a este assunto.
Uma das maiores preocupações de alguns sacerdotes é saber se o suplicante está correspondendo aos alertas enviados pelo oráculo. Pois, não pensem que sacerdote não se preocupa com a pessoa mesmo depois do ebo entregue.
A preocupação não deveria tomar este lugar especial, uma vez que a vontade e as decisões cartesianas pertencem a pessoa em questão.
Este poema de Ifá nos traz à reflexão para tentarmos desmontar os porquês de várias situações que não se concretizaram positivamente ou a favor do suplicante.
Alabahun, a Tartaruga, vai nos deliciar com está história que mostra a inconformidade do pensamento humano, a corrente humana que pensa que tudo pode, a ala dos que acham que fechou a porta do Ilè Ase, minha ‘obrigação’ está terminada.
Ainda temos muito que aprender, refletir e praticar.
Os enamorados pelo culto, os abian, os recém iniciados, os mais antiguinhos, os cascudos, os Oyè, os sacerdotes e mesmo os mais velhos. Todos sem exceção, deveriam refletir sobre o texto, trazer suas experiências, contribuir para este assunto que é muito, mas, muito sério mesmo.
Ele é mais sério que o ebo realizado. Ele pode lhe custar o esforça de uma vida inteira, toda dedicação em prol de um objetivo.
Apreciem no meio do texto, o papel de Èşù como instigador e provador de caráter. As tentações lançadas fazem parte de seu arsenal de bondades, pois, se você não consegue resistir a carne, a curiosidade, a um tipo de alimento, cor ou comportamento, você deve voltar ao fim da fila, nascer novamente e prestar atenção aos bons conselhos.
O que sempre dizemos:
Nossa religião não proíbe ninguém de nada. Somente dos excessos.
Os tabus são assuntos relacionados ao seu mapa astral, assim como todos dizem que respeitam seu Òrìșà, ao não respeitar seus tabus/èèwò/quizilas, seja lá o nome que você queira dar a ele, você estará desrespeitando não somente ao seu Òrìșà, como também a Ifá/Ọrúnmìlà que trabalhou para que você tivesse a oportunidade de viver em paz, com prosperidade, saúde e equilíbrio.
Estamos zombando de uma força maior?
Estamos desrespeitando uma energia imensurável?
Estamos nos tornando desleixados em relação a todo esforço oferecido em prol de uma vida melhor para nós e nossa família?
Acredito que o texto esteja ficando longo e não estamos em uma palestra.
Que todos possam neste novo ano yorùbá, ter as bênçãos de Ęlà Ìwòrì, Ifá, Ọrúnmìlà e Irunmolè/Òrìșà.
Òfún’sá e Ògúndá maa as sejam os conselheiros de todos neste ano que se inicia.

Ire Aláàfia.

Ese Ifá do Odù Òwónrín’ Ìrètè
A curiosidade da Tartaruga lhe deixou na pobreza.

Introdução

Òpè kute
Foi o Áwo que lançou
Ifá para a Tartaruga
Que sobe na palmeira
No dia em que iria coletar
Frutos no campo de ailerolodún
Ele que levou o Áwo à casa da riqueza
É o mesmo que o leva
A casa da pobreza
Que é a casa do pai da tartaruga

Explicação:

Aqui está Alabahun (Tartaruga) seu pai se dedicou a colher Eyin (fruto do Ikin).
Quando Alabahun cresceu, também se dedicou a mesma profissão. Ele foi com seus Áwo para saber se ele iria prosperar em sua profissão e eles lhe disseram que ele teria que realizar ebo, disseram que teria que oferecer uma de suas ferramentas de trabalho no ebó. Alabahun tinha dois machados e ele ofereceu um no ebó como lhe disseram seus Áwo.

Depois de realizar o ebó, ele foi trabalhar com a único machado que restava. Quando chegou ao lugar onde se encontravam as árvores de palma, começou a trabalhar portanto os ramos de Eyin e quando havia somente um ramo em uma palma que se encontrava na beira do rio, Alabahun começou a cortar a penca e quando estava cortando o machado saiu de mão e caiu dentro do rio. Alabahun ficou chateado quando seu machado caiu no rio e disse:
Por que foi cair logo agora, quando faltava apenas uma penca para retirar?
Como vou me cobrar, se não terminar de colher e completar meu trabalho?

Alabahun desceu da palma para tentar encontrar seu machado e entrou na água, a correnteza o puxou e o arrastou até uma aldeia 9dentro da água). Nesta cidade, a maioria dos habitantes eram mulheres, muitas mulheres e de várias tonalidades de pele, dudu (negras), fun fun (brancas), pupa (rosadas), ayirin (várias cores) e também muito dinheiro, uma incalculável soma de dinheiro. Ao cair, Alabahun, naquela cidade, as pessoas daquele local não tinham um líder e já lhes haviam dito que eles encontrariam uma pessoa de fora da comunidade (estrangeiro) que iria ocupar este posto.

Por isso quando Alabahun chegou a esta cidade, todos os habitantes foram atrás dele e o agarraram e Alabahun não sabia o porquê. Ele se assustou pensando que ele seria agredido e disse?
O que eu fiz para vocês?
Elas o levaram e o sentaram no trono do rei e ali lhe deram dinheiro, mulheres e etc.
Nesta cidade não havia nenhum homem e Alabahun havia sido o único que havia chegado a este lugar.

Eles disseram à Alabahun que naquele povoado elas tinham uma proibição, que era comer Eyin (fruto do Ikin). Elas levaram Alabahun ao pé de uma palma de Eyin e aquele tipo de Eyin não era o que ele conhecia, este era muito grande. O rei desta cidade não podia comer Eyin. Ele foi advertido que se ele comesse aquele fruto, as consequências iriam ser terríveis.

No entanto eles lhe impuseram esta proibição. Ele podia entrar em qualquer parte do palácio, porém existia uma casa onde ele não podia entrar. Este era o quarto menor do palácio. Assim o tempo se passou, até que um dia, ao saírem todos do palácio e Alabahun ficar sozinho, ele se perguntou:
Por que não posso comer Eyin, se este sempre foi o fruto do meu trabalho?
Ele disse:
Eles são tão bonitos e tão grandes!
Eu vou provar um!

Ele foi e comeu um, porém, pegou outros e os levou para seu quarto real para continuar comendo. Como Alabahun estava desfrutando do Eyin, Èşù o induziu dizendo:
Não vê que rico é o Eyin que disseram para você não comer?
Então, vê aquele quarto que te disseram para não entrar?
O que você está esperando para entrar nele!
E desta forma Alabahun foi induzido por Èşù, entrou no quarto e ele viu que ali estava a raiz da palma de onde havia caído seu machado e ao seu lado estava sua ferramenta.

Quando ele foi nomeado rei, suas roupas sujas foram tiradas e elas também estavam ali.
As pessoas da cidade agarraram Alabahun e o mandaram outra vez para fora, com a mesma roupa e sem nenhum dinheiro.

O que leva um Áwo a riqueza
Também leva um Áwo a pobreza
Que é a casa do pai da tartaruga.

Ifá diz que esta pessoa deve fazer ebo.

Este Ese explica como Alabahun teve a riqueza por meio de ebo que os Áwo realizaram, porém, ao mesmo tempo os mostra que tão importantes é o respeito ao quarto, pois, ainda que o ebo tenha lhe trago toda riqueza, ele rompeu com o tabu e isto o levou novamente a mesma pobreza que ele já havia vivido com muito sofrimento.
De que valeu o sacrifício feito, se não respeitou as proibições?
De nada.
Por esta razão é que explicamos que tão importante é conhecer e realizar os sacrifícios e mais importante ainda é respeitar os tabus ditados por Ifá.

Muitos sacerdotes tanto de Ifá como de Òòșà (Òrìșà), são consagrados (iniciados) corretamente na religião, porém, muitos não conhecem seus èèwò e o que é pior, os conhecem e não os respeitam.
E quando seus assuntos começam a dar errado, com certeza sua vida se tornará um calvário.
O respeito aos tabus (èèwò) deve ser levado muito a sério, para que sua vida não se torne um rio de lamentações.
Os sacerdotes de Ifá e Òòșà, devem levar sito muito a sério, para ter uma vida mais tranquila e com menos inconvenientes, pois, se os ebo nos levam a prosperidade, o respeito ao tabu nos faz manter esta mesma prosperidade.

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Os Candomblés de Egúngún

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Quadro Histórico

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VERA CRUZ *

(+/- 1905)

BABÁ OKULELE

ALABÁ – Serafin

MOCAMBO *

(+/- 1830)

BABÁ OLÚKOTÚN

ALABÁ – Marcos Pimentel

ENCARNAÇÃO

BABÁ AGBÓULÁ

ALABÁ – João Dois Metros

OJÉ – Gregório

TUNTUN

BABÁ OLÚKOTÚN

ALABÁ – Marcos Teodoro Pimentel.(+ 1935)

OJÉ Baxorun – Manoel Antonio Daniel de Paula¹

CORTA-BRAÇO*

ALABÁ – Opé

OJÉ – João Boa Fama

ILÊ AGBÓULÁ – Candomblé das Amoreiras ²

(+/- 1940)

1º ALABÁ – Eduardo Daniel de Paula

2º ALABÁ – Antonio Daniel De Paula (+ 1931)

3º ALABÁ – Domingos ( atual dirigente)

ILÊ OYÁ ³

(+/-1955)

1º ALABÁ – Ojé Ladê :

Olegario Daniel de Paula

2º ALABÁ – Ojé Faboun :

“Roxinho” Daniel de Paula (atual)

OS ALAPINIS

1º – Marcos Teodoro Pimentel

2º – Pedro Daniel de Paula

3º – “Mestre Didi” – Descoredes Maximiniano dos Santos (atual)

* – Do Mocambo formou-se o Tuntun e do Vera Cruz o Encarnação. As datas se referem a formação aproximada do terreiro.

¹ – O clã dos Daniel de Paula se inicia com o Ojé Manoel, que teve vários filhos, dos quais destacamos os Alabá Eduardo Antonio Olegário (pai do Alabá“Rouxinho”) e o Alapini Pedro. O filho deste ultimo, Balbino Dainiel de Paula, não é Ojé, pois foi iniciado no culto dos Orixás no Axé Opô Afonjá por Maria Bibiniana do Espirito Santo (1901-1967), Mãe Senhora, que além de ser Ìyálorixá, uma ou a mais importante do Brasil na sua época, foi também Ìyá Egbé noIlê Agboulá, é mãe carnal do atual Alapini Mestre Didi. Balbino é hoje Babálorixá e fundador (1974) do Candomblé Axé Opô Aganju, em Lauro de Freitas, na Bahia. É interessante notar que a maioria das mulheres com oiê em Egum são filhas de santo de Balbino.

² – Os Ojé Gregorio, Manoel Antonio Daniel de Paula e João Boa Fama foram os fundadores do Ilê Agbóulá. Praticamente foi uma fusão dos antigos e extintos Encarnação, Tuntun e Corta-Braço.

³ – O Ilê Oyá é um ramo dissidente do Ilê Agboula.

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Quadro dos Oiês

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Alguns Oiês, tanto masculinos como femininos, possuem Otun e Osi, ou seja, pessoas que os auxiliam no seu cargo: sua mão direita ou esquerda, portanto são também Oiês.

Cargos e Postos dos Oiês

MASCULINOS FEMININO
Màrìwò

Alapini – chefe dos Alabás

Alabás – chefe de um Terreiro

Atokun – guia de Egun

Ojé Agbá – Ojé ancião

Ojé – iniciado com ritos completos

Amuixan – iniciado com ritos incompletos

Màrìwò – qualquer iniciado

Alabê – tocador de atabaque

Alguns Oiês dos Ojé Agbá

Baxorun

Ojé Ladê

Exorun

Faboun

Ojé Labi

Alará

Ojénira

Akere

Ogogo

Olopondá

Ató

Ìyálode – responde pelo grupo feminino perante aos homens.

Ìyá Egbé – cabeça de todas as mulheres

Ìyá Mondè – comanda as atos e fala com os Babá.

Ìyá Erelu – cabeça das cantadoras

Erelu – cantadora

Ìyá Agan – recruta e ensina as ató

Ató – adoradora de Egungun

Outros Oiês

Ìyále Alabá

Ìyá Kekere

Ìyá Monyoyó

Ìyá Elemaxô

Ìyá Moro

   Texto/Pesquisa:Aulo Barretti Filho

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PÈRÈGÚN-  Nativo Orossi, Pau D’Água, Dracena ou Dracaena fragrans.

 

Uma das folhas mais antigas é o “Pèrègún”, que é utilizada na grande maioria dos rituais aos Òrìsás. Diz o mito: Pèrègún presenciou o crescimento da humanidade. Sempre há de nos trazer a sorte. Pèrègún segura nossa sorte, segura a sua presa no dia de caça e assim, alimenta os seus filhos. 

Pèrègún nos protege de nossos opositores e faz com que nos harmonizemos com os nossos semelhantes.

Pèrègún fez pacto com “Aje” para a sua vinda à Àiyé ( Terra ou o mundo físico, paralelo ao orun ) Ifá dissera, quando Pèrègún o procurava pela sorte, se você quiser ter sorte, deverá ajudar a humanidade, fazendo um pacto com “Aje”, para poder sempre ter e poder emanar sorte, para quem lhe procurar por sua ajuda. Foi então, que Pèrègún tinha feito pacto com “Aje” antes de vir ao mundo, mas não tinha quem o pudesse levar para Àiyé. Novamente foi a Ifá, e este dissera: Pèrègún se você quiser realizar o seu trabalho em Àiyé procure por “Ògún”, pois ele sempre está indo para Àiyé. Pèrègún procurou por “Ògún”, mas ele só levaria Pèrègún, se ele dividisse a sua sorte com ele. Foi então que Pèrègún tinha aceitado, e por essa razão “Ògún” lhe dissera: “Vou dizer a toda humanidade, que Pèrègún emana a sorte, e quem com ele ficar será agraciado com a mesma”. Desde e Pèrègún então foi conhecido, e muito procurado por todos em Àiyé.

Orin – Èwé

“Pèrègún a lá we titun

Pèrègún a lá we titun o

Gbogbo Pèrègún a lá we lessé

Èwé Perègún a lá we titum”.

 “PÈRÈGÚN NÍ Í PE IRÚNMOLÈ L’ÁT’ÒDE ÒRUN W’ÁYÉ”

É Pèrègún que chama os espíritos do além para a terra

 

“PÈRÈGÚN WÁ LO RÈÉ PE AJÉ TÈMI WÁ L’ÁT’ÒDE ÒRUN”

Pèrègún, agora vá e chame minhas riquezas do além

Pèrègún, cujo nome é a contração do verbo “PÈ”, que significa chamar, com a palavra “EGÚN”, que significa espírito, ancestral, etc. Percebe-se então que esta folha tem a finalidade de “chamar (invocar) espíritos”, e que a própria pronúncia de seu nome já funciona como um ofò!. A sabedoria daqueles nossos ancestrais yorubanos que a elaboraram fez esse trocadilho: se Pèrègún pode chamar espíritos, pode chamar a riqueza!

O Pèrègún é a folha que encaminha e protege  o Iyawo , a folha nasce com o Orixá, participa da queima de efun e o acompanha até o dia do nome.

A n’sé irúnmolè a ewé àjè bi imolè (Das folhas do peregun nasceu uma mulher encantada que dá a essa folha, todo o poder da natureza)

A ewé kí a jé (Nós saudamos suas folhas)

A wá ku rò yá wá lorí òkun (Ela leva os espíritos da escuridão para outro lugar além do mar)

Pèrègún lá to ni o (O Peregun tem um grande poder)

O Pèrègún é a folha principal do Àgbô de Ogun muito usada em ebós de descarrego, banhos, sacudimentos e limpeza nas Casas de candomblé.

Além de Ògún, o Pèrègún tem forte ligação com Òsún devido a sua ligação com ás águas, inclusive em Osogbô o Pérégún é plantado em torno do ojubó de Òsún. É uma folha gún ( de excitação) masculina ligada a terra. Serve  para chamar a sorte “áwúre rí Ire” ou agradar as Iyamis “Iyónú Iyamí”.

Existe também o Pèrègún listrado, folha usada no àgbô de Oyá e Oxumare.

Peregun Listrado- Dracena, DRacaena Braunni, Páu D’água.

Resultado de imagem para fotos do peregun

Pesquisa/texto: Tradições do candomblé/Blogspot.

Acervo cultural: Ilé Àse Òsòlùfón-Íwìn

Fernando D’Osogiyan

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Ewé ÒSÍBÀTÁ – A Folha sagrada

Uma das folhas preferidas de nossas Grandes e Veneradas Mães é a folha de òsíbàtá (oxibatá), também muito conhecida popularmente como ninfeia, folha de lótus, lírio d’água ou golfo d’água.  Seu nome botânico é Nymphaea sp., que tem como origem a palavra em latim nympha (divindade feminina das águas, bosques e dos montes). Existem diversas espécies de ninfeias, sendo que a maioria é originária da África, Europa e Ásia, embora algumas até sejam encontradas no Brasil. Suas flores podem possuir diversas tonalidades como o branco (N. alba), azul (N. caerulea), vermelho (N. rubra), e amarelo (N. luteum). A ninfeia azul é nativa do Nilo (Egito), e segundo relatos era uma das plantas consagradas a uma divindade muito antiga, conhecida como Nefertem ou Nefertum. A flor era muito apreciada pelos antigos egípcios, não apenas pelo seu odor inebriante como também por suas propriedades curativas. Segundo alguns mitos, Nefertem utilizou essa flor como oferenda ao deus do Sol, Ra, para que as dores do seu corpo envelhecido o deixassem.     Outra lenda relata que Isis, deusa da maternidade, fertilidade, protetora das crianças e também associada aos mortos foi quem ensinou aos homens a utilização de seus rizomas na alimentação. Foram encontrados vestígios de grandes buques de ninfeia ofertados no túmulo de Ramsés II, que as cultivava em seu palácio, assim como Amenófis IV. Suas flores serviam como adorno nos festivais religiosos e também como oferendas aos deuses e os mortos, podendo também ser ofertadas como presentes a pessoas importantes ou como sinal de amizade. Assim como as iyabás estão associadas ao elemento água as ninfeias são classificadas como plantas emersas, ou seja, parte de seu corpo fica enraizado no lodo e outra parte fica acima da água. Costumam ser encontradas em rios de águas calmas ou em lagos. Suas folhas são grandes, coriáceas, de coloração verde brilhante em cima e avermelhadas por baixo. Suas flores surgem solitárias, apresentando ambos os órgãos sexuais (hermafroditas). Elas se abrem bem cedo e se fecham por volta do meio dia, realizando esse movimento por até três a quatro dias, quando se fecham (submergindo) e dão origem as sementes.   A planta possui propriedades calmantes, antiespasmódicas, sedativas e psicoativas devido provavelmente à presença de alcaloides como apomorfinas e a nuciferina, presentes principalmente na espécie caerulea. Doses de 5 a 10 gramas das flores podem alterar o grau de consciência, assim como a percepção visual. Uma de suas propriedades mais conhecidas, tanto pelos gregos como pelos egípcios era o seu poder anafrodisíaco, em especial a espécie alba. Podia ser utilizada sobre os órgãos genitais em casos de compulsão sexual obsessiva e ninfomania. Segundo sugerem Pessoa de Barros & Napoleão (1999) a planta poderia possuir ainda propriedades abortivas.

No campo da aroma terapia a flor de lótus do Egito traria harmonia e expansão da consciência, purificando os chacras e promovendo um bem estar sistêmico.

No culto aos orixás costuma ser associado a todas as iyabás: Oxum, Iemanjá, Oyá, Obá, Nana e Ewá. Uma vez que é uma planta ligada a água também é consagrada a Oxalá (ninfeia branca), que é um Orixá úmido por natureza. Uma observação interessante é que embora possua propriedades calmantes e sedativas não é considerada uma ewé eró e sim um ewé gun (Pessoa de Barros, 2011).

Seu nome em Yorubá (òsíbàtá) significa “não se submete”, nos lembrando que é uma planta de grande axé e que deve ser utilizada com cuidado. Por sua ligação estreita com a grande Mãe Oxum e também com Oxalá, é indispensável em determinados rituais, como o odu Èje. Esse momento marca o final do processo de iniciação e o início de uma caminhada independente.

REFERENCIAS: BARROS, José Flávio Pessoa de; NAPOLEÃO, Eduardo. Ewé òrisà: uso litúrgico e terapêutico dos vegetais nas casas de candomblé jeje-nagô. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999. BARROS, José Flávio Pessoa de; A floresta sagrada de Ossayin o segredo das folhas. Rio de Janeiro: Pallas, 2011.

Texto: Jonas Gunfaremim .

O Oxibatá é fundamental na liturgia de todo Iyawo, sendo preponderante nos ritos a Oxun, a verdadeira “Mãe do segredo”- “Iyawo”.

Fernando D’Osogiyan

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cuidado com_o_que_se_fala

A Religião dos Òrìsàs, sem dúvidas concentra uma gama inesgotável de conhecimento e conselhos. Um deles, é que devemos ter muito cuidado com o que falamos. Isso é muito forte na Cultura dos Òrìsàs, sendo que desde muito cedo, aprendemos que devemos falar pouco e observar muito. Abaixo, segue uma história que nos convida à essa importante reflexão.

Uma antiga história Nàgó narra que existia um Esquilo muito falante, que nunca soube guardar segredos. O grande Deus da Adivinhação, o avisou que ele deveria guardar para si o que via e ouvia, que deveria ter muito cuidado com o que falava para as pessoas, que não era tudo que se falava, que não era tudo que se comentava, que muito do que vimos e ouvimos devemos guardar para nós e não expor aos ventos. Mas teimoso, o Esquilo não seguiu os conselhos do Grande Sábio. Um dia, a esposa do Esquilo teve filhotes e, muito alegre ele não parava de falar à todos que passavam na estradinha na floresta: “Minha casa está cheia de filhotes, eu tenho filhotes!!! Eu tenho filhotes!!!”. O Esquilo repetia isso para todos os viajantes que passavam na estrada. Até que um deles, ao ouvir isso, entrou mata à dentro e achou a casa do Esquilo, roubando seus filhotes. Quando o Esquilo retornou, ele ficou apavorado, pois não encontrou mais os seus filhotes. Assim, ele procurou um Sacerdote, para saber o que deveria fazer para ter seus filhotes novamente. O Sacerdote lhe disse que nada poderia ser feito, que era tarde demais. Lembrou ao Esquilo que já havia lhe dito que deveria ter muito cuidado com o que falava e que sua boca havia sido a responsável pela morte dos seus filhotes.

Que Òsùmàrè Arákà esteja sempre olhando e abençoando todos!!!

Ilé Òsùmàrè Aràká Asè Ògòdó

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Você pode falar perfeitamente o Yorùbá e saber todos os acentos ao escrevê-lo também.
Mas se você não sabe como falar com bondade e amor ao seu irmão ou irmã, então, você não aprendeu nada.

Você pode memorizar cada Oriki e cada ẹsẹ Odu do Corpus Literário de Ifá e saber como lançar uma adivinhação perfeita.
Mas se você não sabe como tratar as pessoas e como superar suas formas destrutivas e negativas, você ainda é um novato no reino espiritual.

Você pode conhecer cada dança e todas as músicas além de todos os protocolos de sua linhagem,
Mas se você não pode andar por um caminho de paz e de alegria interior ….
Isto então e apenas uma outra canção e uma outra dança.

Você pode conhecer todos os rituais, cerimônias, e como fazer milhares de obras e trabalhos espirituais.
Mas se você não pode viver o ritual da vida e viver as virtudes do òrìşà, Egun e seu Ori, então, você é um mero técnico, mas certamente não é um mestre espiritual.

Você pode ter alguns títulos, os mais impressionantes, um ile, templo ou casa de culto para dez mil pessoas.
Mas se você sentir a necessidade de degradar, controlar, manipular os outros ou ofendê-los enquanto eles estiverem em uma posição inferior, você será apenas mais um ego de criança impulsionando e tentando tirar proveito as custas dos outros.

Você pode estar no culto tradicional toda a sua vida, mas se você acha que isso te faz melhor ou mais avançado do que alguém espiritualmente, então, você é um tolo, pois você não poderá reconhecer que nosso Ori é o nosso primeiro professor … E tem ele tem ensinando a cada um desde o nascimento….

Você pode ser velho de anos e chamar a segurança social, mas se você ainda viver a vida como uma criança temperamental de 10 ou 15 você ainda terá que caminhar para chegar ao sacerdócio.

Fale-me de Èşù quando você for capaz de fazer escolhas capacitadas e falar a verdade em palavras e atos.

Fale-me de Ogun quando você for capaz de romper suas próprias ilusões, enfrentar seus medos, seus fracassos e corajosamente evoluir para manifestar o melhor de si.

Fale-me de Osun, quando você for capaz de criar harmonia, alegria e abundância em sua própria vida sem egoísmo.

Fale-me de Ợbàtálá, quando você for capaz de semear a paz mais pura e manter uma mente tranquila.

Fale-me de Òya, quando você for capaz de estar no olho do furacão da vida e fluir facilmente quando os ventos da mudança estiverem sobre você.

Fale-me de Olokun Yemojá ou quando você for capaz de equilibrar suas emoções e empatia com os outros.

Fale-me de Orunmila quando você for capaz de ver o mundo através do olho da sabedoria e equilibrar o julgamento com compaixão e não duras críticas e outras inadequações.

Fale-me de Şàngó, quando você puder transcender o seu ego e servir aos outros com compaixão.

Fale-me de Ìyàámi quando você for capaz de honrar as mulheres em sua vida e tratá-las bem e abraçar o lado feminino de sua própria alma.

Fale-me de Egbe Ợrùn / Ibeji quando você for capaz de conhecer e distribuir o amor universal.

Fale-me de Òșóòși quando você for capaz de repartir o alimento com o estrangeiro.

Fale-me Ǫbalúwayè quando você for capaz de identificar e cuidar das doenças do corpo e da alma de um semelhante.

Fale-me de Iwa Pele (caráter) quando você puder realmente tratar os outros como você gostaria de ser tratado, porque você percebe …
Não há separação entre você e eu …
Exceto o que está em nossas próprias mentes.

Fale-me de Ọlódùmarè quando você tiver a certeza que a Fonte existe e nos alimenta, que estamos interligados e que ninguém conseguirá cumprir seu destino sozinho.
Se você ainda não se considera capaz de aceitar este ensinamento, você deve retornar ao útero e tentar tudo novamente.
Èmi ni Isese (Eu sou Tradição).

Iya Awo Fayele / Odé Gbàfáomi

Tradução Odé Gbàfaomi

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