Feeds:
Artigos
Comentários

Posts Tagged ‘Candomblé’

Os antigos povos que deram origem aos atuais iorubás ou nagôs, de cujas tradições se moldaram o candomblé no Brasil, cultuavam uma entidade da Terra, a Terra-Mãe, que recebeu muitas denominações em diferentes aldeias e cidades que formam o complexo cultural iorubá e seus entornos principais, entre os quais os jejes mahis e daomeanos e os tapas ou nupes e os ibos. Esta antiga divindade é até hoje cultuada e recebe o nome de Onilé, a Dona da Terra, a Senhora do planeta em que vivemos. Outros nomes da Terra-Mãe são: Aiê, Ilé, Ialé, também Ije, Ale, Ala, Aná, Ogerê, e mesmo Buku e Buruku. Entre os jejes do Maranhão e da Bahia é chamada Aisã. Creio que grande parte dos seguidores do candomblé nunca ouviu falar ou teve apenas vagas referências sobre Onilé, mas em certos candomblés de nação Keto, que preservam ou reconstituem tradições que em grande parte se perderam na diáspora iorubana, pratica-se um culto discreto, mas significativo a Terra-Mãe, para a qual se canta, ou no início do Sirê ou no final da chamada roda de Sòngo, a cantiga que diz “Mojubá, orisá/ ibá, orisá/ ibá Onilé”, que pode ser traduzido como “Eu saúdo o orisá/ Saúdo Onilé/ Salve a Senhora da Terra”. Onilé é uma divindade feminina relacionada aos aspectos essenciais da natureza, e originalmente exercia seu patronato sobre tudo que se relaciona à apropriação da natureza pelo homem, o que inclui a agricultura, a caça e a pesca e a própria fertilidade. Com as transformações da sociedade iorubá numa sociedade patriarcal ou patrilinear, que implicou a constituição de linhagens e clãs familiares fundados e chefiados por antepassados masculinos, as mulheres perderam o antigo poder que tiveram numa primeira etapa (um mito relata que, numa disputa entre Oyá e Ogum, os homens teriam arrebatado o poder que era antes de domínio das mulheres). Os antepassados divinizados tomaram o lugar das divindades primordiais e houve uma redivisão de trabalho entre os orisás. As divindades femininas antigas tiveram então seu culto reorganizado em torno de entidades femininas genéricas, as Yiá Mi Osorongá, consideradas bruxas maléficas pelo fato de representarem sempre um perigo para os poderios masculinos, e vários orisás tiveram dividido entre si as atribuições de zelar pela Terra, agora dividida em diferentes governos: o subsolo ficou para Omulu-Obaluaye e para Ogum, o solo para orisá-Oko e Ogum, a vegetação e a caça para os Odes e Osonyin e assim por diante. A fertilidade das mulheres foi o atributo que restou às divindades femininas, já que é a mulher que pari que reproduz e dá continuidade à vida. Constituir-se-iam elas então em orisás dos rios, representando a própria água, que fertiliza a terra e permite a vida: são as Yiagbás Yemonjá, Òsun, Obá, Oyá, Yewá e outras e também Nanã, que como antiga divindade da terra, representa a lama do fundo do rio, simbolizando a fertilização da terra pela água. Onilé teve seu culto preservado na África, mas perdendo muitas das antigas atribuições. Hoje ela representa nossa ligação elemental com o planeta em que vivemos, nossa origem primal. É a base de sustentação da vida, é o nosso mundo material. Embora sua importância seja crucial do ponto de vista da concepção religiosa de universo, os devotos a ela poucos recorrem, pois seu culto não trata de aspectos particulares do mundo e da vida cotidiana, preferindo cada um dirigir-se aos orisás que cuidam desses aspectos específicos. No Brasil, como aconteceu com outros orisás, seu culto quase desapareceu. Certamente um fator que contribuiu para o esquecimento de Onilé no Brasil é o fato de que este orisá não se manifesta através do transe ritual, não incorpora, não dança. Outros orisás importantes na África e que também não se manifestam no corpo de iniciados foram igualmente menos considerado neste País que, por influência do Kardecismo, atribui um valor muito especial ao transe. Foi o que aconteceu com Orunmilá, Oduwduwa, Orisá-Oko, Ajalá, além da Yiá Mi Osorongá. É interessante lembrar que o culto de Osonyin sofreu no Brasil grande mudança, passando o orisá das folhas a se manifestar no transe, o que o livrou certamente do esquecimento. O culto da árvore Iroko também se preservou entre nós, ainda que raramente, quando ganhou filhos e se manifestou em transe, sorte que não teve Apaoká. Na Nigéria mantém-se viva a idéia de que Onilé é à base de toda a vida, tanto que, quando se faz um juramento, jura-se por Onilé. Nessas ocasiões, é ainda costume pôr na boca alguns grãos de terra, às vezes dissolvida na água que se bebe para selar a jura, para lembrar que tudo começa com Onilé, a Terra-Mãe, tanto na vida como na morte. Um mito que já tive o prazer de contar em outras ocasiões ensina qual são a atribuição principal de Onilé, como ela está associada ao chão que pisamos e sobre o qual vivemos nós e todos os seres vivos que formam o nosso habitat, nosso mundo material. Assim conta o mito: Onilé era a filha mais recatada e discreta de Olodumare. Vivia trancada em casa do pai e quase ninguém a via. Quase nem se sabia de sua existência. Quando os orisás seus irmãos se reuniam no palácio do grande pai para as grandes audiências em que Olodumare comunicava suas decisões, Onilé fazia um buraco no chão e se escondia, pois sabia que as reuniões sempre terminavam em festa, com muita música e dança ao ritmo dos atabaques. Onilé não se sentia bem no meio dos outros. Um dia o grande deus mandou os seus arautos avisarem: haveria uma grande reunião no palácio e os orisás deviam comparecer ricamente vestidos, pois ele iria distribuir entre os filhos as riquezas do mundo e depois haveria muita comida, música e dança. Por todos os lugares os mensageiros gritaram esta ordem e todos se prepararam com esmero para o grande acontecimento. Quando chegou por fim o grande dia, cada orisá dirigiu-se ao palácio na maior ostentação, cada um mais belamente vestido que o outro, pois este era o desejo de Olodumare. Yemonjá chegou vestida com a espuma do mar, os braços ornados de pulseiras de algas marinhas, a cabeça cingida por um diadema de corais e pérolas, o pescoço emoldurado por uma cascata de madrepérola. Osòósi escolheu uma túnica de ramos macios, enfeitada de peles e plumas dos mais exóticos animais. Osonyin vestiu-se com um manto de folhas perfumadas. Ogum preferiu uma couraça de aço brilhante, enfeitada com tenras folhas de palmeira. Òsun escolheu cobrir-se de ouro, trazendo nos cabelos as águas verdes dos rios. As roupas de Osumarè mostravam todas as cores, trazendo nas mãos os pingos frescos da chuva. Oyá escolheu para vestir-se um sibilante vento e adornou os cabelos com raios que colheu da tempestade. Sòngo não fez por menos e cobriu-se com o trovão. Óòsàálá trazia o corpo envolto em fibras alvíssimas de algodão e a testa ostentando uma nobre pena vermelha de papagaio. E assim por diante. Não houve quem não usasse toda a criatividade para apresentar-se ao grande pai com a roupa mais bonita. Nunca se vira antes tanta ostentação, tanta beleza, tanto luxo. Cada orisá que chegava ao palácio de Olodumare provocava um clamor de admiração, que se ouvia por todas as terras existentes. Os orisás encantaram o mundo com suas vestes. Menos Onilé. Onilé não se preocupou em vestir-se bem. Onilé não se interessou por nada. Onilé não se mostrou para ninguém. Onilé recolheu-se a uma funda cova que cavou no chão. Quando todos os orisás haviam chegado, Olodumare mandou que fossem acomodados confortavelmente, sentados em esteiras dispostas ao redor do trono. Ele disse então à assembléia que todos eram bem-vindos. Que todos os filhos haviam cumprido seu desejo e que estava tão bonito que ele não saberia escolher entre eles qual seria o mais vistoso e belo. Tinha todas as riquezas do mundo para dar a eles, mas nem sabia como começar a distribuição. Então disse Olodumare que os próprios filhos, ao escolherem o que achavam o melhor da natureza, para com aquela riqueza se apresentar perante o pai, eles mesmos já tinham feito a divisão do mundo. Então Yemonjá ficava com o mar, Òsun com o ouro e os rios. A Osòósi com as matas e todos os seus bichos, reservando as folhas para Osonyin. Deu a Oyá o raio e a Sòngo o trovão. Fez Óòsàálá dono de tudo que é branco e puro, de tudo que é o princípio, deu-lhe a criação. Destinou a Osumarè o arco-íris e a chuva. A Ogum deu o ferro e tudo o que se faz com ele, inclusive a guerra. E assim por diante. Deu a cada orisá um pedaço do mundo, uma parte da natureza, um governo particular. Dividiu de acordo com o gosto de cada um. E disse que a partir de então cada um seria o dono e governador daquela parte da natureza. Assim, sempre que um humano tivesse alguma necessidade relacionada com uma daquelas partes da natureza, deveria pagar uma prenda ao orisá que a possuísse. Pagaria em oferendas de comida, bebida ou outra coisa que fosse da predileção do orisá. Os orisás, que tudo ouviram em silêncio, começaram a gritar e a dançar de alegria, fazendo um grande alarido na corte. Olodumare pediu silêncio, ainda não havia terminado. Disse que faltava ainda a mais importante das atribuições. Que era preciso dar a um dos filhos o governo da Terra, o mundo no qual os humanos viviam e onde produziam as comidas, bebidas e tudo o mais que deveriam ofertar aos orisás. Disse que dava a Terra a quem se vestia da própria Terra. Quem seria? Perguntavam-se todos? “Onilé”, respondeu Olodumare. “Onilé?” todos se espantaram. Como, se ela nem sequer viera à grande reunião? Nenhum dos presentes a vira até então. Nenhum sequer notara sua ausência. “Pois Onilé está entre nós”, disse Olodumare e mandou que todos olhassem no fundo da cova, onde se abrigava vestida de terra, a discreta e recatada filha. Ali estava Onilé, em sua roupa de terra. Onilé, a que também foi chamada de Ilê, a casa, o planeta. Olodumare disse que cada um que habitava a Terra pagasse tributo a Onilé, pois ela era a mãe de todos, o abrigo, a casa. A humanidade não sobreviveria sem Onilé. Afinal, onde ficava cada uma das riquezas que Olodumare partilhara com filhos orisás? “Tudo está na Terra”, disse Olodumare. “O mar e os rios, o ferro e o ouro, Os animais e as plantas, tudo”, continuou. “Até mesmo o ar e o vento, a chuva e o arco-íris, tudo existe porque a Terra existe, assim como as coisas criadas para controlar os homens e os outros seres vivos que habitam o planeta, como a vida, a saúde, a doença e mesmo a morte”. Pois então, que cada um pagasse tributo a Onilé, foi à sentença final de Olodumare. Onilé, orisá da Terra, receberia mais presentes que os outros, pois deveria ter oferendas dos vivos e dos mortos, pois na Terra também repousam os corpos dos que já não vivem. Onilé, também chamada Aiê, a Terra, deveria ser propiciada sempre, para que o mundo dos humanos nunca fosse destruído. Todos os presentes aplaudiram as palavras de Olodumare. Todos os orisás aclamaram Onilé. Todos os humanos propiciaram a mãe Terra.

E então Olodumare retirou-se do mundo para sempre e deixou o governo de tudo por conta de seus filhos orisás1. E assim este mito, de modo didático e com muita beleza, situa o papel de Onilé no panteão dos deuses iorubás. Como é estrutural nos mitos, o tempo da narrativa não é histórico, dando a impressão que os cultos dos diferentes orisás foram instituídos a um só tempo, num só ato do supremo deus. A narrativa enfatiza, contudo, a concepção básica da religião dos orisás, isto é, que cada orisá é um aspecto da natureza, uma dimensão particular do mundo em que vivemos. Eles são o próprio mundo, com suas forças, elementos, energias e propriedades, mundo que tem por base Onilé, a Terra, o planeta que habitamos o nosso lar no universo.

 Mito de Onilé.

 

Na África iorubá, Onilé ocupa lugar central no culto da sociedade masculina secreta Ogboni. A escultura em bronze aqui mostrada, provavelmente do século XVIII, é originária dessa sociedade tem os olhos em semicírculos, que tudo observam em silêncio, e as mãos fechadas e alinhadas, uma sobre a outra, na altura do umbigo, num gesto que simboliza o conhecimento ancestral, conforme os símbolos Ogboni, sociedade que, até o século XIX, cuidava da justiça, julgava criminosos e feiticeiros e executava os condenados à morte.

 Louvar Onilé é celebrar as origens. Por isso, quando aparecem junto aos humanos, os antepassados egungun saúdam Onilé, lembrando-nos que ela é anterior a tudo o mais, mesmo às linhagens mais antigas da humanidade.

 Onilé é assentada num montículo de terra vermelha, que representa o coração da Terra, podendo também ser montado com terra de cupinzeiro, que é trazida de dentro do solo pelos insetos trabalhadores, e que é vermelha. Dentro do montículo fixa-se uma quartinha com água, pois não há vida na terra desprovida de água. A quartinha dentro da terra simboliza que a água vem de dentro da Terra e que é assim a primeira dádiva de Onilé. A água que jorra do solo forma os regatos, rios, lagos e o próprio mar, de onde sobe para as nuvens e se precipita em chuva, voltando ao solo e subsolo, num ciclo permanente de propiciação da vida. O assentamento é coberto com moedas ou búzios, que entre os antigos iorubanos era dinheiro, representando toda a riqueza e prosperidade que está na Terra, que dela extraímos e na qual vivemos. Vermelho e marrom, cores da terra, são as cores apropriadas para colares de contas que homenageiam Onilé. Na África, os sacrifícios feitos a Onilé incluem caracóis, aves fêmeas e tartarugas (Abimbola, 1977: 111). No Brasil a legislação pune como crime inafiançável o sacrifício de animais ameaçados de extinção e assim a tartaruga é substituída pela cabra. Aliás, matar um animal em extinção seria uma ofensa imperdoável a Onilé, que é a própria natureza, a grande mãe da ecologia.

Além desses animais, dá-se para Onilé tudo o que a terra produz e que o homem transforma: obis, orobôs e todas as demais frutas, inhame e outros tubérculos, feijões, milho, favas, mel, dendê, sal, vinho e tudo mais que vem da terra pela mão do homem.

 Cultuada discretamente em terreiros antigos da Bahia e em candomblés africanizados, a Mãe Terra tem despertado recentemente curiosidade e interesse entre os seguidores dos orisás, sobretudo entre aqueles que compõem os seguimentos mais intelectualizados da religião. Onilé, isto é, a Terra, tem muitos inimigos que a exploram e podem destruí-la. Para muitos seguidores da religião dos orisás, interessados em recuperar a relação orisá-natureza, o culto de Onilé representaria, assim, a preocupação com a preservação da própria humanidade e de tudo que há em seu mundo. Pois é Onilé quem guarda o planeta e tudo que há sobre ele, protegendo o mundo em que vivemos e possibilitando a própria vida de tudo que vive sobre a Terra, as plantas, os bichos e a humanidade.

Read Full Post »

Sobre a multiplicidade dos Orixás

Vamos separar a qualidade como é chamada no Brasil e em Portugal (em Cuba chama-se caminhos), dos títulos e de nomes tirados de cantigas como insistem pseudo sacerdotes.

Já sabemos que os orixás são venerados com outros nomes em regiões diferentes como: Iroko (Yoruba), Loko (Gege), Sango (Oyo), Oranfe (Ife), e isso torna o culto diferente.

Temos também o segundo nome designando o seu lugar de origem como Ogun Onire (Ire), Osun Kare (Kare),etc, também temos os orixás com outros nomes referentes às suas realizações como Ogun Mejeje que se refere às lutas contra as 7 cidades antes de invadir Ire, e Iya Ori, a versão de Yemanja como dona das cabeças, etc.

Há portanto uma caracterização variada das principais divindades, ou seja, uma mesma divindade com vários nomes e, é isso que multiplica os orixás no Brasil e em Portugal.

Vamos começar com Exu o terceiro orixá criado por Olorun da junção terra/água/hálito, ele possui a função de executor, observador,
mensageiro, líder, etc. Alem dos nomes citados aqui, que são epítetos e nomes de cidades onde há o seu culto, ele será batizado com outros nomes no momento do seu assentamento, ritual especifico e odu do dia.

Os 16 múltiplos de Exú
Exú Yangui:a laterita vermelha, é a sua múltipla forma mais importante e que lhe confere a qualidade de Imolê ou divindade nos ritos da criação. Exú ligado a antigas e grandes sacerdotizas de Oxun.
Exú Agbà: o ancestral, epíteto referente à sua antiguidade.
Exú Igbá ketá: o exú da terceira cabaça
Exú Okòtò: o exú do carocol, o infinito.
Exú Oba Babá Exú: o rei pai de todos os Exús
Exú Odàrà: o senhor da felicidade ligado a Orinxa’Lá
Exú  Òsíjè: o mensageiro divino
Exú Elérù: o Senhor do carrego ritual.
Exú Enú Gbáríjo: a boca coletiva dos Orixás.
Exú Elegbárà: o senhor do poder mágico
Exú Bárà: o senhor do corpo
Exú L’Onan: o Senhor dos caminhos
Exú Ol’Obé: o senhor da Faca
Exú El’Ébo: o Senhor das oferendas
Exú Alàfìá: o Senhor sa satisfação Pessoal
Exú Oduso: o Senhor que vigia os Odús.

Exús que acompanham vários Orixás.

Exú Akesan: acompanha Oxumaré, etc
Exú Jelu ou Ijelu: acompanha Osolufun.
Exú Ína: responsável pela cerimónia do Ipade regulamentando o ritual.
ExúÒnan: acompanha Oxun, Oyá , Ogun, responsável pela porteira do Ketu.
Exú Ajonan: tinha o seu culto forte na antiga região Ijesa.
Exú Lálú: acompanha Odé, Ogun, Oxalá, etc
Exú Igbárábò: acompanha Yemanjá, Xangô, etc
Exú Tìrírí: acompanha Ogun
Exú Fokí ou Bàra Tòkí: acompanha Oyá e vários orixás
Exú:Lajìkí ou Bára Lajìkí: acompanha Ogun, Oyá e as porteiras.
Exú Sìjídì: acompanha Omolú, Nanã, etc
Exú Langìrí: a companha Osogiyan
Exú Álè: acompanha Omolú
Exú Àlákètú: acompanha Oxóssi
Exú Òrò: acompanha Odé, Logun
Exú Tòpá/Eruè: acompanha Ossayin
Exú Aríjídì: acompanha Oxun
Exú Asanà: acompanha Oxun
Exú L’Okè: acompanha Obá
Exú Ijedé: acompanha Logun
Exú Jinà: acompanha Oxumarè
Exú Íjenà: acompanha Ewá
Exú Jeresú: acompanha Obaluaiye
Exú Irokô; acompanha Iroko
Exú Odará: acompanha Oxalá, Odé, encaminha o carrego do Ebó
Revisão: Fernando D’Osogiyan

Read Full Post »

42039000001-orixas-ciranda-branco3

Existe sem duvida no Brasil e em Portugal uma questão muito polémica sobre as multiplicidades dos orixás chamada por todos de “qualidade de santo”. Essa questão será esclarecida nesta coluna exaustivamente para que todos possam ter acesso.

Primeiro, em África fica mais fácil o entendimento porque não há qualidade de santo; ou seja, em cada região cultua-se um determinado orixá que é considerado ancestral dessa região e, alguns orixás pela sua importância acabam por ser conhecidos em vários lugares como é o caso de Xangô, Orumila, etc., é de saber também que Exu é cultuado em todo o território Africano.

Vejam bem: Oxum da cidade de Osogbo é Oxum Osogbo, da região de Iponda é a Oxum de Iponda, Ogún da região de Ire é Ogún de Ire (Onire: chefe de ire), do estado de Ondo é Ogún de Ondo,etc.

Na época do tráfico de escravos chegaram ao Brasil diversas etnias Ijesas, Oyos, Ibos, Ketus,etc., e cada qual trouxe os seus costumes junto com os seus orixás, digamos particulares, e após a mistura dessas tribos e troca de informações entre eles cada sacerdote ou quem entendia de um determinado orixá, trocaram fundamentos e a partir daí surgiram as qualidades, e essa quantidade de orixás presente no Brasil e em Portugal, sendo que o orixá é o mesmo, mas apenas com origens diferenciadas.

É claro que por ter origens diferenciadas, os seus cultos possuem particularidades religiosas e até mesmo culturais, por exemplo: Oyá Petu tem os seus fundamentos, assim como Oyá Tope terá o seu, isso nada mais é, que uma passagem do mesmo orixá por diversos lugares, e cada povo passou a cultuá-lo de acordo com os seus próprios costumes.

Um exemplo mais nítido é o facto de se fazerem muitos pratos para Oxum com feijão fradinho; entretanto num determinado país não há esse feijão, portanto foi substituído por um grão semelhante e assim puderam continuar com o culto a Oxum sem a preocupação de importar o feijão fradinho.

Outro exemplo de orixá transformado em qualidade é Osun Kare; Kare é uma louvação a Oxum quando se diz: Kare o Osun! A palavra kare também é uma espécie de bairro na África, logo Oxum cultuada em kare é Oxum kare, e assim vai surgindo desordenadamente essa quantidade de orixás no Brasil e por esse mundo fora.

Imagine um rio que atravessa todo o território Nigeriano e, nas suas margens, diversas etnias: num determinado local algumas pessoas diriam que ali é a morada de Oxum Ijimu (cidade de Ijimu na região dos Ijesa), mais para a frente, em Iponda, diriam que aqui é a morada de Oxum Iponda, mais para a frente, em Ede esse rio terá o culto de Ologun Ede, o chefe de guerra de Ede, segundo a sua mitologia, e serão assim diversos os orixás cultuados num mesmo rio por diversas etnias com pequenas particularidades. Isso acontece com todos os orixás e as suas mitologias fazem alusão a essas passagens e constantes peregrinações dos seus sacerdotes, que quer por viagens comercias quer por guerras inter-tribais, que sempre espalharam os seus orixás por outras regiões.

Outro facto interessante são os títulos que algumas divindades possuem e foram transformadas em qualidades, por exemplo Oxóssi Akeran – Akeran é um titulo de um determinado caçador (ancestral) – com isso vamos nas próximas edições analisar esses factos e informar todas as qualidades de orixás da nação ketu que o sacerdote pode ou não mexer, de acordo com o conhecimento de cada um, pois o nosso dever é informar sem nunca ter a pretensão de ser o dono da verdade. Numa próxima oportunidade vamos diferenciar, títulos de nomes de cidades, e nomes tirados de cânticos, que as pessoas insistem em dizer que são “qualidade de orixá”.

Por: Cleide Pizani

Read Full Post »

2830850617_7a55bd2f9d_m

  • Olóyè , Ogá e Àjòyè
  • Iyalorixá/Babalorixá: Mãe ou Pai em Orixá, é o posto mais elevado do ILê; tem a função de iniciar e completar o ato de iniciação dos olorixás.
  • Iyaegbé/Babaegbé: É a conselheira ou conselheiro responsável pela manutenção da Ordem, Tradição e Hierarquia. Posto somente dado a egbomis muito antigas.
  • Iyalaxé: Mãe do axé, a que distribui o axé. É quem escolhe os Oloyes de acordo com as determinações superiores.
  • Iya kekere ou baba kekere: Mãe pequena e Pai pequeno do axé ou da comunidade. Sempre pronta a ajudar e ensinar a todos no Ilê, substituto eventual da Iyá ou Babalorixá.
  • jibonan: o cargo de jibonã (ji- dar/bí-nascer/onã-caminho — “dá caminho ao nascimento”,é a mãe ou pai /que cria e são responsáveis pela reclusão do iyawo.
  • Iyamoro: Responsável pelo Ipadê de Exú. Junto com a Agimuda, Agba e Igèna.
  • Iyaefun/Babaefun: Responsável pela pintura dos Iyawos.
  • Iyadagan: Auxilia a Iyamoro e vice-versa. Também possui sub-postos Otun-Dagan e Osi-dagan.
  • Iyabassé: Responsável no preparo dos alimentos sagrados. Todos Olorixás podem auxiliá-la, sendo ela a única responsável por qualquer falha eventual.
  • Iya Sinjé- ligada a Iyabassé nos rituais.
  • Iyarubá: Carrega a esteira para o iniciando. E usa toalha de Orixá no ombro.
  • Aiyaba Ewe: Responsável em determinados atos em obrigações de “cantar folhas”.
  • Aiybá: Bate o ejé em grandes obrigações. Tem sub-posto Otun e Osi.
  • Ològun: Cargo masculino, despacha aos Ebós das grandes obrigações, a preferência é para os filhos de Ogun, depois Odé e Oluwaiyê.
  • Oloya: Cargo feminino, despacha os Ebós das grandes obrigações, na falta de Ològun. São filhas de Oya.
  • Mayê: Mexe com as coisas mais secretas do Axé, ligadas a iniciação do Adoxú.
  • Agbeni Oyê: Posto paralelo a Mayê, divide a mesma causa.
  • Olopondá: Grande responsabilidade na inicição, no âmbito altamente secreto ligado a Oxun.
  • Kólàbá: Responsável pelo Làbá, simbolo de Xângo.
  • Ajimuda: Ajuda a Yamoro com o Ipadê de Exú. Titulo usado no culto de Oya e Geledé, também é um cargo que cuida da casa de Omolú.
  • Iyatojuomó: Responsável pelas crianças do Axé.
  • Iyasíhà Aiyabá: é quem segura o estandarte de Oxalá.
  • Sarapegbé: Mensageiro de coisas civis e de awo.
  • Akòwe: É a Secretária da casa da administração e compras.
  • Babalossayn: Responsável pela colheita das folhas. Cargo de extrema importância.
  • Axogun: Responsável pelos sacrifícios, Ogan de Ogun. Não pode errar. Responsável direto pelos sacrifícios do ínicio ao fim do ato. Soberano nestas obrigações, é quem se comunica com o Orixá para quem se destina a obrigação, transmitindo à Iyalaxé as respostas e mandamentos. Deve ser chamado de Pai. E também possui sub-posto Otun e Osi.
  • Ogalá Tebessê: Dono dos toques, cânticos e danças. Trabalha em conjunto com o Alagbê, possui sub-posto Otun e Osi.
  • Iyá Tebexê: responsável e porta voz do Orixá patrono da casa.
  • Alagbê: Responsável pelos toques rituais, alimentação, conservação e preservação dos Ilùs, os instrumentos musicais sagrados. Se um autoridade de outro Axé chegar ao Ilê, o Alagbê, tem de lhe prestar as devidas homenagens “dobrar o Ilù”. Também possui sub-posto Otun e Osi.
  • Alagbá: Âmbito civil do Axé.
  • Àjòiè: Camareira do Orixá. O mesmo que Ekédi,  Iyárobá e Makota.
  • Ojuoba: Posto de honra no Ilê Xangô e possui sub-posto Otun e Osi.
  • Mawo: Grande confiança.
  • Balógun: Título ligado ao Ilê Ogun.
  • Alagada: Ogan que cuida das ferramentas de Ogun.
  • Balóde: Ogan de Odé.
  • Aficodé: Chefe do Aramefá (6 corpos) ligado ao Ilê Odé.
  • Ypery: Ogan ou Àjòiè de Odé
  • Irànsé- iyá responsável pelo ronkó e o iyawo.
  • Alajopa: Pessoa de Odé, que leva a caça para ele.
  • Alugbin: Ogan de Oxalufan e Oxaguian que toca o Il¦ù dedicado a Oxalá.
  • Assogbá: Ogan ligado ao Ilê Omolú e cultos de Obaluaiye, Nanã, Egun e Exú.
  • Alabawy: Pessoa que trabalha na área jurídica e que cuida dos interesses civis do Axé.
  • Alagbede: Pessoa que trabalha no ramo de ferro e metais e forja as ferramentas do Axé.
  • Elémòsó: Ogan ou Àjòiè de Oxaguian, ligados ao Ilê Oxalá e toda sua indumentária.
  • Oba Odofin: Ligado ao Ilê Oxalá.
  • Iwin Dunse: Ligado ao Ilê Oxalá.
  • Apokan: Ligado ao Ilê Omolú.
  • Abogun: Ogan que cultua Ogun.
  • Iyá Otun / Babá Otun: braço direito do zelador, pessoa de confiança do zelador.
    Iyá Osí / Babá Osí: braço esquerdo zelador, pessoa de confinça mdo zelador.
    Asògbá- Homem responsável pelo quarto de Omolú.
    Axopí- cargo do Ogan da casa
  • Obs: Todos os cargos são intransferíveis, uma vez dado através da confirmação no jogo de Orunmilá e o Orixá da casa, não podem mais serem retirados, os cargos são vitalícios e confirmados em orô interno, só podem serem substituídos na morte da pessoa.Existem cargos transitórios dados pelos zeladores e não estão aqui descritos.
  • Revisão: Fernando D’Osogiyan

Read Full Post »

carybe_oferenda

O que é um Ebó?
São rituais que visam corrigir várias deficiências na vida de um ser humano (saúde, amor, prosperidade, trabalho profissional, equilíbrio, harmonia familiar, etc.) A composição de cada Ebó depende da sua finalidade, e os seus componentes vão desde bebidas a frutas, folhas, velas, adornos, alimentos secos, mel, óleo de palma, louças, artefactos de barro ou ágata., etc..

O que é uma Oferenda?
Chamamos oferendas aos rituais compostos de frutas, alimentos, carnes, bebidas, flores, louças e adereços que servem para oferecer aos Orixás, como uma súplica para se alcançar uma graça, bem como para homenagear e cultuar um Orixá, de forma a fortalecer o nosso vínculo com o mesmo.

Cada Orixá tem os seus respectivos alimentos, as suas flores, as suas cores, as suas bebidas e a sua forma particular de culto, orações e invocações.

Conselhos: Ao fazer um Trabalho/Ebó, além da fé você deve:
1. Só utilizar material novo.
2. Nunca substituir um material por outro.
3. Usar somente o que a receita pede.
4. Ao fazer o trabalho, mantenha o pensamento firme no que você realmente deseja.

Atenção: Nunca faça um Trabalho/Ebó para desejar o mal de alguém, pois um pensamento negativo atrai para si essa má vibração. E, sempre que tiver o seu desejo realizado, lembre-se de agradecer, dessa forma, um universo de boas energias passará a “conspirar” por si.

Read Full Post »

caboclo-22

Candomblé de Caboclo é todo o candomblé que além do culto aos Orixás, cultua espíritos ameríndios chamados caboclos.

Caboclo – No Candomblé é o dono da terra. Na sua maioria são espíritos de índios. Os caboclos de maior popularidade são: Tupinambá, Tupiniquim, Sete flechas, Pena Branca, Sultão das Matas, Sete Serras, Serra Negra, Pedra Preta (este ultimo foi o espírito do famoso pai de santo Joaozinho da Gomeia), Erú, Rompe Mato, Raio do Sol, Rompe Nuvem e outros. Na Bahia os Candomblés são em maioria caboclos, são um misto de Keto e Angola.

O Candomblé de Caboclo pode-se dizer assim, é uma manifestação própria de Salvador e municípios vizinhos, na Bahia, o candomblé de Caboclo é uma espécie de candomblé nacionalizado, que toma por base a ortodoxia do candomblé jeje-nagô, e em Salvador há uma festa anual que se inicia no dia 24 de Junho e que dura três dias e se destina precisamente a homenagear estas entidades.

Trata-se portanto de um exemplo nítido do sincretismo religioso popular no Brasil.
Registam-se nele influências indígenas e mestiças, resumindo-se os hinos especiais de cada encantado ou caboclo, cantados em português, a uma declaração dos seus poderes sobrenaturais.

Existem ainda os “Candomblés de Caboclo”, típicos dos cultos trazidos pelos negros de Angola. Nessas cerimónias, as filhas e os filhos de santo incorporam não apenas os orixás, mas também os espíritos de “caboclos”, que seriam entidades de luz da corrente indígena.

A FALANGE DOS CABOCLOS DETALHADA

Habitat: matas e ambientes da vibração originária
Libação: água de côco, mate, mel com água, caldo de cana, vinho tipo moscatel
Ervas: cipó cabeludo, cipó caboclo, eucalipto, guiné caboclo, guiné pipi, samambaia
Flores: girassol, flor de ipê, palmas de diversas cores, conforme a vibração originária
Essências:
Para os caboclos: eucalipto, girassol.
Para as caboclas: eucalipto, pinho, tintura de tolu
Fitas: verde, vermelha e branca
Pedras: quartzo verde
Metal: da vibração originária
Dia da semana: Quinta-feira ou o dia da vibração originária
Dia da Lua: não tem dia específico
Saúde: não tem área de saúde específica
Ímãs para trabalho: de acordo com a orientação da entidade
Objetivo: vigor, pujança, energia
Cozinha ritualística: milho e amendoim cozidos e passados no mel, servido com folhas pequenas de saião, que servem como “colher” e que também devem ser ingeridas

Além dos caboclos, incorporam-se nestes candomblés os espíritos que se denominam Exú (masculino) e Pombagira (feminino), mas não é o mesmo Exú Orixá do Candomblé, são bem diferentes, são Exú de Umbanda.

É sempre bom lembrar que Exú catiço ou Exú de Umbanda (como é chamado o Exú não Orixá), Pombagira e afins nunca foram do Candomblé tradicional. O que existe são zeladores que tiveram passagem pela Umbanda e depois se iniciaram no Candomblé, trazendo consigo algumas entidades da Umbanda, mas isto não as torna do Candomblé, elas (entidades) simplesmente estão em casas de Candomblé ou Candomblé de Caboclo, mas são em realidade Guias da Umbanda.

Read Full Post »

xire22

Já falámos aqui sobre a importância da música e do Xirê (Siré Orisá) no culto do Candomblé, em que a música é o elo de ligação entre os Orixás e os seus filhos. Como em tudo o mais, o Xiré ou Siré tem também o seu preceito e existe não só uma ordem a respeitar para convocar os Orixás, como existem palavras e saudações específicas que devem ser ditas para que a convocação dos orixás para o Xirê seja correcta. Hoje colocamos aqui, em Ioruba, a ordem e as palavras básicas de um Xirê, para que para além da música, os nossos leitores possam também aprender ou reconhecer estes dizeres básicos, mas obrigatórios. Como em todos os rituais do Candomblé o primeiro a ser convocado é Exú, segue-se depois Ogum e os restantes Orixás na ordem segundo os preceitos da Nação Ketu.

Esú

Egbarabo Ago Mojuba Ra

Egba Kose

Egbarabo Ago Mojuba Ra

E Modé Ko E Ko

Egbarabo Ago Mojuba Ra

Lê Gbale Esu Lona

Gbara Um Be Be

Tiriri Lona

Esú Tiriri

Gbara Um Be Be

Tiriri Lona

Esú Tiriri

Elegbara (Bis)

Esú Ajo

A Ma Ma

Ke O Elegbara

Esú Ajo

A Ma Ma

Ke O Laroye

Esú Soroke

Odará Odará

Baba Ebó

Esú Oo

Esú Olona

Mofori Gbale

Esú O

Gbara Loji Ki

Esú Lobi Wá

Ara E E

Son Son Obé

Odará Kolobi Ebó

Laroye

Lagiri Esú Ma Na

Le Le Lagiri

Ajê Ma Na

Lê Lê Lagiri

Firo Ofe Na

Fena Jô

Lagiri

Orisa Pa Ta

Ago Nile

Ago Nile Mofori Gbalé

Gbara Loju Gbara

Loju Gbara

Ara Legbe

Ogó Run Gó

Run Go

Laroye

Ogun

Ogun Ajo E Mariwo

Akoro Ajo E Mariwo

Ogun Pa Lepa Lonã

Ogun Ajo E Mariwo

E Matu Yeye

Awa Sire Ogun O

E Un Jojo

Awa Sire Ogun

E Un Jojo E Un Jeje

Ogun Nita Erewe

Ogun Nita Erewe

A Oxosse Kori A Lode

Ogun Nita Erewe

Oni Koso

Oni Koso Ile Ogun

Akoro Un To Bo Silé

A Ogun Meje Ire

Ire Meje Meje

Oxosse

Fara Rere Fibo

Ode Fibo Fara Lewa Kose

Omoode

Lowo Guiri Guiri Bode

Owo Guiri Guiri Bode

Awa Nisa Omoode

Ode Ni Sewe

E Arawe

Ode Arere Oke

E Orisa Ero

E Un Ofa Akuerã

Omoode Ode Iroko

E Un Ofa Akuerã

E Osi Bode E Osi Bode

Arole Osi Bode E Osi Bode

E Osi Bode

Omolu

Dagoluna Kewa Saworo

Dago Lele

Dagoluna Kewa Saworo

Dago Lele

Omolu A Fara E E

Fara Fara Faroji

Jan Pepe

E Lobi Ware

Tori Bomi

Jan Pepe

Ori Jena Paba

Osi E To Bo Wale

Ori Jena Paba

Osi E To Bo Wale O

Ossãe

Abebe Ni Bo Wa

Abebe Ni Bo

E Abebe

Abebe Ni Bo Wa

Abebe Ni Bo

Ata Koro Oju Ewe

Ata Koro Oju Obo Gun

Ata Koro Oju Ewe

A Lele Koro Oju Obo Gun

Peregun A Laso Titun O

Peregun A Laso Titun

Baba Peregun A Lawa Mere

Peregun A Laso Titun

Awa Oro Simã

Odo Ro Dun

Peregun Alaso Titun

Monja Ewe Pe Moso Arawo

Monja Ewe Pe Moso Ro

E Pi Lo Pe Mi

E Pi Lo Iya Mi

Monja Ewe Pe Moso Ro

Sawo Orepepe

Ope Li Ope Lepe

Sawo Orepepe

Ope Li Ope Sango

Osumare

Osumare Lele Mare Osumare

Lele Mare Un Araka

Lele Mare Osumare

Kobe Jiro

Araka Kobe Jiro

Osumare Kobe Jiro

Araka Kobe Jiro

Lese Orisa

Lese Komafo

Sa Hoho

Lese Orisa

Lese Komafo

Sa Hoho

Osumare Lokuere

Olokuere Olokuere

Osumare Se Lunbó

Se Lunbó

O Se Lunbó

Alakoro Le In Ni

Wala Koro Le In O

Nanã

Ibi Nana Iyo

Olu Obo

Nana Iyo

Ibi Nana Iyo

Olu Obo

Nana Iyo

A In Ala Ore

A Iku Do Lose

A In Ala Ure

A Iku Do Lose

O Kolodo Si Sa Lejua

Ari Ku Ma Ore

O Kolodo Si Sa Lejua

Ari Ku Ma Ore

Sa Lawajo

Oluwo Ku Kewajo

Sa Lawajo

Oluwo Ku Kewajo

Oloore

Osun

Yeye Yeye Ye O

Oro Miuwa

Nu Ase Tori Efon

Inse Koju Iyaba O

Oro Miuwa

Nu Ase Tori Efon

A Mu Iyan Mu Iyan

Ojare

Elemoso Tori Efon

Omi Fa Were

Omi Fa Were Omiro

Omi Fa Reo

Asope Olorun

Omi Fa Were

Omi Fa Were Omiro

Omi Fa Reo

Aka Murele

Osun Fara Ja

Aka Murele

Osun Fara Ja

Iyawo Omiibu

Omiro Orisa O Yeye

Iyawo Omiibu

Omiro Orisa O Yeye

Obá

Oba Eleko Ajaosi

Saba Eleko Ajaosi

Oro Moba

Samoba Oba Eleko Ajaosi

E Liru O

Oba Dudere Bari Ekó

Oba Saba O

Oba Dudere

Bari Ekó

E Nu Ofa Fara Man

Oba Loja La Oje

E Nu Were

Ofá Were

E Nu Were

Ofá Were

Iyewá

Iyewa Iyewa Ma Ajo

Iyewa Iyewa

Iyewa Iyewa Ma Ajo

Iyewa Iyewa

Ma O Ma O Lese

Iyewa Iyewa Ma Ajo

Iyewa Iyewa

Iyewa Ni Fa Toto Lo Bewa E

Olu Aiye Iyewa Ni Fa Toto Lo Bewa E

Olu Aiye

O Iyaba E

Iyewa Ni Fa Toto Lo Bewa E

O Iyaba E

Iyewa Masa

Awa Masa

Amu Re Le O

Iyewa Iyewa Oni Ofere

Iyewa Iyewa Oni Ofere O

Yewa Yewa Ijo Iyewa

Se Ke Se Nin

Iyewa Iyewa Ijo Iyewa

Se Ke Se Dan

Oyá

Oya Koro Um Le Ogere Ge

Oya Koro Um La Oga Raga

Omobirin Sala Koro Um Le

Oge Rege

Oya Komo Relo

A Oyo Do Mu Nhã Nhã

Do Mu Nhã Nhã

Da Ni Apada Do L’oya O

Do Mu Nhã Nhã

Da Ni Apada O Do L’oya

Da Ni Apo

Da Ni Apo Fara Jo

Oya Mi To Le L’oya

Oya Mi To Ke L’oya

Orisa Were We

Oya Mi To Ke L’oya O

Logun

E Akofa E Akofa

Logun O E Akofa

Ijo Ijo Logun O

E Akofa

Logun Ede E Akofa

A Ibayn E Akofa

E E E E E Logun Bele Koke

E E E E E Logun Aro Aro

Fara Logun Fara Logun

Logun Bele Koke

E Akofa E Akofa

Logun Akofa A Ijo E Koke

Logun Akofa A Ijo E Koke

E Akofa Ijo

Akofa Ibayn

E Akofa Ijo Akofa Lapana

E Akofa Ijo A Kofa

Fara Ni Lewa

Nita Ewe Se

Fara Logun

Nita Ewe Se

Ayrá

Ayra Daba Kenken Soro

Olu Ami Ma Iman Isele

Orisa Ke Me Sebewa

Ayra Ayra Ee

Ayra Osi Ba Iyami Ma Saoro

Ayra Ayra

Omonile Ayra Omonile

Ayra Ayra Omonile

Ayra O Oregede Pá

Oregede

Ayrá A Ebora Pá

A Eborá

Ayrá O Aja Unsi Pá

Aja Unsi

Iyemanja

Marele Marabodo

Sa Rena

A Oiyo Karabodo

Sa Rena E E

Oni A Ara E

Marele Marabodo

Sa Rena

Arabo Laiyo

Iyemanja Arabo Laiyo

Iyemanja

Iyaba Lode

Erese

Osi E Iyemanja

Iyaba Lode

Erese A Oiyo

Olofin Asa Were O

Oro La Mi O

Oro La Mi Sasa

A Iyemaja Ori O

Ri Lé

Iyemanjá

Sango

Obanisa Re Loke Odo

Oberio Ma

Obanisa Re Loke Odo

Obakoso Ayo

Aina Ina A Ina Ma

Ina Ina

Obakoso

Obakoso Arae

A Ina Ina

Obakoso Arae

Obakoso E

Mojubá

E Losi

Baiya Mi

Sere A Lado

E Mojubá

E Losi Baiya Mi

Osalá

Baba Durode

Baba Durode Ajale

Baba Durode

E Kewa Já

Baba Oje O

Abuké Kewa Já

Baba Oje

E Bere Iko

Kewa Já

Baba Oje

Aso Funfun Go Iya Pi

Ala Funfun T’ori Sala

A E Ajale O

Aso Funfun Go Iya Pi

Opere Kete

Opere Kete Baba

Obi Wala Ago Injena

Opere Kete Baba

Ago Ala

Ala Osu

Osu Kekere Ile

Ago Ala

Ala Osu

Baba Durode

Read Full Post »

« Newer Posts - Older Posts »