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Omolokô

Para homenagear o dia 13 de maio,  data oficial da libertação dos Negros no Brasil, um post  sobre o Candomblé Omolokô que hoje em dia interage com outras religiões sem a essência de seus ancestrais, mas que ainda resiste em algumas regiões.

O termo Omolokô, vem da junção das palavras “omo e loko ” filhos Lokô”. Lokô, que era governado pelo rei Farma, no sertão de Serra Leoa. Ele teria sido o rei mais poderoso entre todos os Manes. Sua cidade chamava-se Lokoja e se localizava à margem do Rio Mitombo, afluente do rio Benue, que por sua vez, é afluente do grande rio Níger.

Lokoja ficava próxima do reino Yorubá. O povo Loko também era conhecido pelos nomes de Lagos, Lândogo e Sosso. O nome Loko foi primeiramente registrado em 1606. Também há registro desse povo com o nome de Loguro. Os Lokos viveram até 1917 a oriente dos Temnis de Scarcies. De acordo com pesquisas realizadas, a tribo Loko estava divida em outras menores ao longo dos rios Mitombo, Bênue e Níger e no litoral de Serra Leoa. Em 1664, o filho do rei Farma foi batizado com o nome de D. Felipe. Evidentemente torna-se claro que o principio da sincretização afro-católica já acontecia na África antes da vinda dos africanos ao Brasil. Acredita-se que a tribo Loko pertencia a um grupo maior chamado Mane e que alguns de seus integrantes vieram escravizados para o Brasil e formaram o Omolokô.

Os povos Mane tinham por costume usar flechas envenenadas e arcos curtos, espadas curtas e largas, azagaias, dardos e facas que traziam amarrados embaixo do braço. Para combater o veneno de suas flechas, em caso de acidente, usavam uma bolsinha com um antídoto. Avisavam os seu inimigos o dia em que iriam atacá-los através de palhas – tantas palhas, tantos dias para o ataque. Traziam no braço e nas pernas manilhos de ouro e prata. Também eram ligados aos brancos que invadiram a África Negra. Adoravam assentamentos de deuses e ídolos de madeira, os quais representavam homem e animais.

Quando não venciam as guerras, açoitavam os ídolos. Se as batalhas eram vencidas, ofereciam aos deuses comidas e bebidas. Chamavam as mulheres de cabondos e tinham como marca a ausência de dois dentes da frente.


O vocábulo deriva de uma composição baseada em duas outras, oriundas da língua Yorubá com três versões distintas, segundo sua interpretação.

No primeiro ramo de análise, que é a versão de Léa Maria Fonseca da Costa,1 mãe-de-santo de Omolokô significa:

Omo: filho e Loko, que aludiria à árvore Iroko e resultaria em Filhos da Gameleira Branca.

De acordo com a versão de Tancredo da Silva Pinto,2 Tatá Ti Inkice, pai de santo de Angola, no livro Culto Omolokô – Os Filhos de Terreiro, de Ornato José da Silva:

Omo: filho e Oko: fazenda ou zona rural, na qual esse culto, por conta da repressão policial então existente, seria realizado desde a remota época da escravidão.

Por fim, pode-se ainda relacionar o significado da palavra Omolokô também ao Orixá Okô, da agricultura, que era cultuado nas noites de lua nova pelas agricultoras de inhame.

Ainda hoje existem as denominações de terreiro e roça para os locais em que os cultos afro-brasileiros são realizados. Nesse culto os Orixás possuem nomes yorubá (nagô) e seus assentamentos são similares aos do Candomblé.

Há práticas rituais e de culto aos orixásCaboclosPretosvelhos cultivados também na Umbanda.

O Omolokô é apontado por estudiosos e praticantes como um dos principais influenciadores da formação da Umbanda africanizada ao lado do Candomblé de Caboclo, do Cabula e do próprio Candomblé. Teria surgido, segundo Tancredo da Silva Pinto entre o povo africano Lunda-Quiôco.

Possui ritualística própria e seu representante mais expressivo é o Tatá Tancredo da Silva Pinto, já falecido, estafeta dos correios, morador do Morro de São Carlos, que foi um grande estudioso, colunista e escritor. Porém, há relatos da existência de uma escrava, Maria Batayo é a filha de escravos, Léa Maria Fonseca da Costa, que preservaram o Omolokô dissociado da Umbanda conforme é abordado na obra de Ornato José da Silva.

A diáspora dos Orixás cultuados no Omolokô é a mesma utilizada pelo Candomblé e sua organização dogmática o faz diferir também por isso da Umbanda que os cultua em número menor e de forma majoritariamente sincrética.

O Omolokô instaurou-se no Rio de Janeiro, segundo estudiosos, no século XIX, a partir do conhecimento trazido por negros vindos da África e seus descendentes. A herança do período colonial que sofreu influência de diversas vertentes religiosas da África, predominantemente o culto aos Orixás e aos inkices, tornou peculiar a sua forma de culto, mantendo a cosmologia de cada origem, acrescida de rituais religiosos contemporâneos.

No Rio de Janeiro, a partir da miscigenação e influência do Espiritismo francês, instaurou-se um novo movimento denominado Omolokô, disseminado prioritariamente por Tancredo da Silva Pinto. Mantém-se como um exemplo deste seguimento a casa-de-santo Okobalaye, fundada na cidade de São Gonçalo, e o Centro Espírita São Benedito, sediado à rua Vereador Maurício de Souza, 97, Engenhoca, Niterói, RJ, chefiada por Pai Matuazambi, de origem nagô.

*Os escravos de Lokô eram também chamados de Locosís chegaram ao Rio de Janeiro, era costume realizarem seus cultos e oferendas debaixo de uma enorme árvore de boa sombra e davam frutos meio arredondados e vermelhos, porém, não eram comestíveis, oriunda de sua cidade natal. Sofreram influência de diversas vertentes religiosas vindas da África, predominantemente o culto aos Orixás, Inkísses e Voduns, tornou peculiar a sua forma de culto, mantendo a cosmologia de cada origem, acrescida de rituais religiosos heterogêneos. A deformação das tradições trazidas pelos Negros, originou uma ceita ou religião camuflada por várias vertentes religiosas, estando os Nagôs e os Congo-Angola,como raízes principais, fora isso, as influências de ameríndios, da difusão de espíritos de entidades familiares/eguns, da igreja católica com o nascimento do sincretismo e uma nova linguagem de terreiro com clara influência de termos da língua Bantu que se integrou definitivamente a língua portuguesa,  uma associação religiosa. Vários Tátas/Babás renomearam a palavra Omolokô, destituindo-a de seu verdadeiro significado, criando assim ceitas particulares, uma miscelânea sem fim, que ainda podemos observar até hoje em algumas casas de Umbanda. Hoje em dia existem casas que se dizem Omolokô mais que não praticam determinados rituais que caracterizam a Raiz Omolokô, como por exemplo: a falta de camarinhas ou ronkó adequadamente preparados, o ritual de iniciação não contempla a galinha D’angola e um bicho de quatro pés e tão menos o básico do dialeto de algumas cantigas tipicamente da nação Omolokô em África, a queima de efun, ebori, etc. É fácil  observar que muitos abrem suas Casas dizendo-se “Omolokô”, sem raiz alguma  e assim são denominadas por muitos de “umbandomblé” , não se firmam pois não tem essência e se esvaem com o tempo.

 Referências/Fontes

        . Léa Maria Fonseca da Costa
        . Tancredo da Silva Pinto
        . Alberto da Costa  (1994); O Brasil, a África e o Atlântico no século XIX;
        . SILVA, Ornato José da. Culto Omolokô, os filhos de terreiro. Rio de Janeiro: Ed. Rabaço.
  • Ikipédia
  • Luan de N’Zanbi
  • Fernando D’Osogiyan
EGBE OSUMAREEGBE OSUMARE

Ao som milenar dos atabaques, foi anunciado na última quarta-feira, dia 15, o reconhecimento da Casa de Oxumarê como Patrimônio Histórico e Cultural do Brasil. O governador Jaques Wagner e as ministras Luiza Bairros e Marta Suplicy entregaram a placa de tombamento do terreiro. Durante a cerimônia, o governador falou de todas as lutas realizadas pelo povo de candomblé para manter a sua religiosidade viva. “É uma honra participar de um momento em que se corrigem séculos de injustiça, um momento especial de vitória”, disse. O Babalorixá do terreiro, Silvanilton Encarnação da Mata, o Baba Pecê, afirma que o tombamento é um reconhecimento nacional de um esforço cotidiano do terreiro e dos seus frequentadores para quebrar preconceitos e disseminar o respeito entre as religiões. Ressaltou, no entanto, que é mais uma etapa vencida de uma luta que está longe de terminar. “Batalhamos dez anos para que tivéssemos esse reconhecimento. Somos, assim como muitos outros terreiros, um espaço que tem o objetivo de acolher a todos, de ajudar, de incentivar e dar acalento. Nosso cotidiano, nosso dia-a-dia é a continuação da resistência do povo negro, do povo que teve papel fundamental na civilização de nosso país. Dentro dessa casa, todos os dias discutimos como combater o racismo, como preservar a cultura afro-brasileira. E fazemos isso por amor ao próximo. A nossa luta, na verdade, está recomeçando”. O sacerdote destacou ainda que é preciso que o Iphan a reconheça como patrimônio nacional outros espaços religiosos, que ao longo dos anos exercem atividades e ações que colaboram com a promoção da igualdade racial, da união e da fraternidade.

Não sem espanto a mãe de santo Stella de Oxóssi recebeu a notícia de sua eleição, na quinta-feira 25, para a cadeira 33 da Academia de Letras da Bahia, lugar ocupado no passado pelo poeta Castro Alves. Ao contrário do hábito dos candidatos nesta e em outras praças, Stella não tinha feito campanha. “Levei um choque, pois é uma coisa que não é comum”, diz a ialorixá do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, primeira mãe de santo acadêmica do País. “Depois vi que foi a comunidade que proporcionou isso e achei uma recompensa.” A posse será em setembro e ela confessa não saber exatamente qual seu papel na Academia.

O título não é meramente honorífico. Mãe Stella publicou seis livros, bem mais do que alguns imortais da Academia Brasileira. Nascida Maria Stella Azevedo dos Santos, formou-se em Enfermagem pela Escola Bahiana de Medicina. Foi enfermeira durante 30 anos até ser escolhida, em 1976, mãe de santo do Ilê Axé Opô Afonjá, uma das casas de candomblé mais importantes e tradicionais do estado, fundada em 1910. O último de seus livros é uma antologia dos artigos publicados quinzenalmente no jornal A Tarde. Escreve à mão e suas “filhas” digitam o texto. “Sou analfabeta em computador.”

Na quinta-feira 2, a ialorixá completou 88 anos. Ela desce as escadas do sobrado onde vive com certo esforço, mas sem o apoio de ninguém. Por causa da dificuldade de locomoção, passa a maior parte do tempo no andar de cima da casa. Só desce para acompanhar a cerimônia de culto a Xangô, orixá da Justiça, às quartas-feiras, ou para receber visitas. Seu cérebro continua, porém, afiado. “Envelhecer é uma briga constante entre o que a mente pode e o corpo não deixa.”

A ialorixá tem o costume de assistir ao noticiário na televisão, ler jornal e revistas. “Gosto de saber das coisas. Se a gente não se informa, vira inocente útil.” Em suas colunas de jornal, conta histórias antigas, fala de espiritualidade, do candomblé e da atualidade. Em um dos textos mais recentes, criticou os sacerdotes que confundem religiosidade com fanatismo e aqueles que utilizam a religião como meio de enriquecimento, inclusive no próprio candomblé. “Alguns acham que o barato da religião é ficar rico baseado na crença alheia”, provoca. “Mas religião não é meio de vida.”

Bem informada, ela acompanha as polêmicas entre líderes evangélicos e homossexuais. O candomblé não é contra os gays e nele não existe a palavra pecado, explica. “Se Deus consentiu que existisse, quem pode ser contra a homossexualidade? Se é um assunto que não prejudica o outro, temos a obrigação de ser felizes.” Ela desmente, com bom humor, a crença frequente entre gays de que o orixá Logun-Edé seria homossexual, por aparecer na tradição como meio homem, meio mulher. “Logun-Edé foi morar com a avó Iemanjá e, como era o único homem no pedaço, passou a se vestir como as mulheres de lá. É mito que seja gay. Mas é um bom mito.”

Na Bahia, os seguidores do candomblé sofrem com o preconceito disseminado por pastores evangélicos, mas esse não é assunto do seu interesse. “Não tenho tempo para perder falando desse tipo de gente, para fazer guerra santa”, diz. “Porém, até Jesus, se fosse deste tempo, iria procurar a defesa dele, não ia sofrer calado.” Se a líder espiritual não fala, outros integrantes do terreiro estão atentos e participam das articulações políticas contra a intolerância religiosa. Mãe Stella lembra de quando Mãe Aninha, a fundadora do Opô Afonjá, foi ao Rio de Janeiro, em 1934, se queixar a Getúlio Vargas da proibição ao candomblé, e conseguiu. O Decreto 1.202 instituiu a liberdade de culto no País.

Tombado como Patrimônio Histórico em 1999, o Ilê Axê Opô Afonjá foi fundado por Mãe Aninha em uma enorme fazenda, que ocupava quase todo o atual bairro. Chamava-se Roça de São Gonçalo. Mãe Aninha, com medo de o terreno ser confiscado pela polícia, prática comum na época, foi ao cartório registrar a propriedade. Quando o funcionário perguntou “Em nome de quem?”, a mãe de santo respondeu: “Xangô”. Como não era possível, Mãe Aninha criou a Sociedade Cruz Santa do Ilê Axé Opô Afonjá, com ata, presidente e tudo o mais, em nome da qual as terras acabaram registradas.

“Ela era uma mulher de visão. Costumava dizer que queria ver todos os filhos a serviço de Xangô com anel no dedo, ou seja, formados”, conta Mãe Stella. Em honra à matriarca, a escola Eugênia Anna dos Santos funciona desde 1986 no terreiro. Atualmente, 350 crianças cursam o ensino fundamental. Além das aulas de matemática, português e demais disciplinas, elas aprendem história e cultura afro-brasileira, com noções da língua iorubá. Com o tempo, o terreno de Mãe Aninha foi invadido e se transformou em bairro. Na parte interna do terreiro, murado para evitar novas invasões, vivem atualmente cerca de cem famílias.

Mãe Stella é a quinta sucessora de Aninha. Depois da fundadora vieram Mãe Bada, Mãe Senhora e Mãe Ondina – a tradição do Opô Afonjá é de vitaliciedade e matriarcado. Stella, cuja mãe morreu quando tinha 7 anos, foi criada por um casal de tios, uma família de bens, “abastada”, como descreve. Seu tio era tabelião e a menina negra estudou em boas escolas da capital baiana. Aos 13 anos, foi iniciada no candomblé a partir da sugestão de uma conhecida. Nas biografias postadas na internet, diz-se que Stella apresentava então um “comportamento não esperado”. Pergunto o que era exatamente. Mediunidade?

“Que nada, era traquinagem. Eu, ao contrário das meninas da minha época, gostava de jogar bola na rua, subir no bonde. Além disso, falava sozinha, tinha meus amiguinhos que ninguém via. Aí alguém comentou: ‘Ela tem de fazer orixá’.” A menina foi levada, primeiro, ao terreiro do Gantois, onde esperou muito tempo e não foi atendida. A tia, brava, acabou por levá-la para “fazer orixá” no Opô Afonjá, com Mãe Senhora. “Mãe Menininha costumava dizer: ‘Você só não fez santo aqui por causa de um recado mal dado’.”

Tanto o Gantois quanto o Opô Afonjá sempre foram frequentados por artistas e políticos. O escritor Jorge Amado, o antropólogo Pierre Verger e o artista plástico Carybé costumavam ir até lá para a cerimônia ou simplesmente para bater papo com Mãe Stella. De Carybé ela recorda o jeito brincalhão. “Era um molequinho.” Ao lado de Verger, a mãe de santo conheceu o Benin, mas se encantou mesmo foi com a Nigéria, terra de seus ancestrais.

“A Nigéria é Salvador, o clima, os costumes, as árvores. Uma vez dormiram uns nigerianos aqui em casa, depois de viajar muitas horas e um deles, ao acordar, olhou pela janela e disse: ‘Andei tanto para saltar no mesmo lugar’”, gargalha. Sobre os políticos, fala que recebeu todos, de Antonio Carlos Magalhães a Jaques Wagner, mas prefere não dizer o nome de seu predileto, para não provocar ciúmes. Filha de Oxóssi, orixá caçador, Mãe Stella diz ter incorporado deste o hábito de não falar muito. “Caçador fica atento, não fala. Quem fala muito se perde. Os antigos diziam que quem fala muito dá bom dia a cavalo.” Ela adora provérbios, tema de um de seus livros. “Sou uma menina tímida.”

Sobre a morte, Mãe Stella conta que, no candomblé, o espírito vira ancestral. “Não vou dizer que não me importo de morrer. Me importo, sim. Não gosto de morrer porque gosto de viver.” E a sabedoria conquistada com o tempo, Mãe Stella, é verdade? “É uma obrigação. Se Deus deu esse privilégio de viver tantos anos, como não aproveitar? Agora, a gente está sempre aprendendo, ninguém é completamente sabido”, ensina. “Aprendo muito com os jovens e com as crianças. Eles têm cada saque tão interessante.”

(Texto publicado originalmente na revista CartaCapital)

Publicado em 16 de maio de 2013

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Creio que este blog deve reconhecimento a uma pessoa que trabalhou e ainda trabalha dentro de nossa cultura/religião, com honestidade, carinho e amor ao òrìsà.

Mesmo afastado fisicamente, não nos abandona e nos ajuda com textos e respostas inseridos neste blog.

Nada mais justos, reconhecer o trabalho de BÀBÁ FERNANDO, SACERDOTE INICIADO DE ORISA’NLÁ A TRINTA ANOS ATRÁZ, que ainda encontra tempo para ajudar muitas pessoas neste país.

Um grande herdeiro de seu Àse e referência para quem conhece seu trabalho.

Ser o primeiro nem sempre nos coloca em posição de absoluto destaque ou hierarquia.

Òfún, perde na hierarquia ao chegar no Ayè, quando todos os Odù vieram para este mundo.

Seu poder e o temor por sua presença jamais foram descartados, sua sabedoria e sua presença sempre foram objeto de apreciação e respeito. Por conter a altura e largura de todos os Odù, ele, podemos dizer, é formado por todos.

Sua presença impõem tanto respeito que ao ser revelado em uma caída, reverenciamos sua presença com um estrondoso: Epá Odù!!

Mudamos a configuração dos búzios ou Òpèlè Ifá na mesma hora, pois uma minúscula partícula de poeira pode macular sua presença, devido seu mais alto grau de pureza.

Quando o mais velho chega, todos nós o reverenciamos, assim é e assim sempre será (Odù Iká’fun).

Um sábio não se impõem, ele é reconhecido.

Òfún méjì diz:

Quando uma perna vai adiante a outra, obrigatoriamente, a segue.

Se o pai comanda, o filho segue atrás dele.

Se, entretanto, a filho anda à frente, então, ele será honrado como maior do que era seu pai.”

Òfún, outrora, era o primeiro de todos os Odù mas ele chegou tarde a Ifé-Ondaiye:

Outros vieram antes dele, porque em seu caminho ele tinha bebido uma grande quantidade de vinho de palma,

Até se saciar, com avidez e com muita sede.

Finalmente, chegando na Terra, Òfún encontrou Éjì Ogbè tendo tomado seu lugar.

Éjì Ogbè, então, se tornou o primeiro dentre os Odù

Òfún estava louco e completamente desapontado.

Os outros diziam:

Você era o nosso líder, sempre na frente, e nós pensamos que quando chegássemos aqui, encontraríamos você, como sempre, vindo antes.

Então, nós simplesmente, tomamos os nossos lugares no grau que julgamos nosso.”

Foi quando as pessoas de Ifé confirmaram, após terem ouvido isto, com seriedade:

Quando uma perna vai adiante a outra, obrigatoriamente, a segue.

Se o pai comanda, o filho segue atrás dele.

Se, entretanto, a filho anda à frente.

Então, ele será honrado como sendo maior do que era seu pai.”

O Odù Òkánrán Sợdẹ (Òkánrán-Ogbè) diz:

Eu comprei um Idẹ (pulseira sagrada).

Justamente o Idẹ que uso pendurado.

O Idẹ que amarrei a minha cintura.

Um rato penetrou no meu quarto e o levou.

Òrúnmìlá disse que a decisão seria adiada até sua volta.

Ele repetiu que resolveria quando voltar.

Quando regressar perguntarei.

O que posso fazer com o rato?

Òrúnmìlá disse que o rato deveria ser usado para propiciar Ifá.

Então Ifá mandou cortar a cabeça do rato para consumo.

Eu comprei um Idẹ

Justamente o Idẹ que uso pendurado.

O Idẹ que amarrei a minha cintura.

Um peixe penetrou no meu quarto e o levou.

Òrúnmìlá disse que a decisão seria adiada até sua volta.

Ele repetiu que resolveria quando voltar.

Quando regressar perguntarei.

O que posso fazer com o peixe?

Òrúnmìlá disse que o rato deveria ser usado para propiciar Ifá.

Então Ifá mandou cortar a cabeça do peixe para consumo.

Eu comprei um Idẹ

Justamente o Idẹ que uso pendurado.

O Idẹ que amarrei a minha cintura.

Um pássaroveio ao meu quartoem silêncio.

E o levou.

Òrúnmìlá disse que a decisão seria adiada até sua volta.

Ele repetiu que resolveria quando voltar.

Quando regressar perguntarei.

O que posso fazer com o passáro?

Òrúnmìlá disse que o passáro deveria ser usado para propiciar Ifá.

Então Ifá mandou cortar a cabeça do passáro para consumo.

Eu comprei um Idẹ

Justamente o Idẹ que uso pendurado.

O Idẹ que amarrei a minha cintura.

Um animalveio ao meu quartoem silêncio.

E o levou.

Òrúnmìlá disse que a decisão seria adiada até sua volta.

Ele repetiu que resolveria quando voltar.

Quando regressar perguntarei.

O que posso fazer com o animal?

Òrúnmìlá disse que o animal deveria ser usado para propiciar Ifá.

Então Ifá mandou cortar a cabeça do animal para consumo.

Eu comprei um Idẹ

Justamente o Idẹ que uso pendurado.

O Idẹ que amarrei a minha cintura.

O filho de alguém silenciosamente entrou em meu quarto e o levou.

Òrúnmìlá disse que a decisão seria adiada até sua volta.

Ele repetiu que resolveria quando voltar.

Quando regressar perguntarei.

O que posso fazer com esta criança?

Òrúnmìlá respondeu que esta criança tinha o direito de tirar este Idẹ de alguém.

Talvez teu filho te tome o Idẹ um dia. (Quando morremos)

Talvez nossa descendência tome nosso Idẹ.

Quando meu pai morrer

Eu herdarei seu Idẹ.

Talvez nossos filhos herdem nosso Idẹ.

Isto mostra que este é o desejo de todos que cultuam Ifá/Òrìsà e que tenham filhos que possam herdar o seu Idẹ depois de morrerem.

* Idẹ = Ilèkè de Ifá (fio de contas sagrado).

Te desejo vida longa e muita saúde para aproveitar esta longevidade.

Obàtálá epá.

Epá òrìsà.

Modùpé Bàbá.

Dentre os vários assuntos já muito discutidos, temos os ritos que envolvem os sacrifícios animais praticados habitualmente em nossos Rituais. Inicialmente gostaríamos de relatar que presenciamos regularmente em uma avícola o absurdo que é praticado para matar as “galinhas” que são consumidas com a maior naturalidade e desrespeito pelos clientes assíduos daquele comércio. Existem naquele local alguns cones de aço inox, posicionados em fila indiana, sobre um aparador também de aço inox. No pescoço das aves, próximo à cabeça, é feito um corte com faca e o animal é enfiado de cabeça para baixo no cone, onde se debaterá por vários minutos até que todo o seu sangue tenha escorrido para dentro do “aparador”, provocando-lhe a morte. A população não vê esse método de abate como “aterrorizante”, provocando extremo sofrimento aos animais até que cheguem à morte. Excluídas as vezes em que a grande clientela não deseja esperar muito tempo e os animais são colocados, ainda vivos, em um caldeirão com água fervente a fim de que lhe sejam extraídas as penas mais rapidamente. Este é um aspecto “comercial” onde poucos sentem dó ou reclamam desta forma ainda medieval, portanto cruel, de abate em avícolas.

Os Cristãos, Católicos e Protestantes, são os que mais repudiam o nosso sacrifício animal. Eles deveriam estudar mais o seu Antigo Testamento, em específico o “Levítico”, onde os sacrifícios, não só de animais, são relatados. O Livro “The Lion Handbook to the Bible”, Lion Publishing – England Herts – 1973 de autoria de David e Pat Alexander, relata que o Levítico é o código das leis dadas por Deus a seu povo através de Moisés no Sinai. “As cerimônias e outros ritos e normas não eram um fim em si mesmas. A oferta do sacrifício dia após dia, ano após ano, a recordação anual do dia da expiação recordavam constantemente a Israel o pecado que o separava da presença de Deus. Os israelitas infringiam a aliança com ele desobedecendo as suas leis e estavam condenados à morte. Mas Deus, na sua misericórdia, mostrou-lhes que haveria de aceitar um sucedâneo, a saber, a morte de um animal perfeito e inocente, em lugar da vida do pecador. Suas leis mostram que Deus age em harmonia com as leis naturais para o bem do povo.”, escreve o autor.

Levítico 1-7 – Os Sacrifícios

1 – O Holocausto (capítulo 1 e 6,1-6) único sacrifício em que se queima o animal todo, um sinal de consagração.

2 – Oferta de cereais ou de farinhas (capítulo 2 e 6, 7-11) acompanhava muitas vezes o holocausto e o sacrifício de comunhão (item 1 acima).

3 – O sacrifício da comunhão (capítulo 3 e 7, 11-36)

4 – O sacrifício do pecado (4,1-5,13 e 6, 17-23)

5 – O sacrifício da reparação (5,14-26 e 7, 1-10)

O Fiel trazia sua oferta (um animal sem defeito físico tirado da própria manada ou rebanho ou, no caso do povo pobre, rolas ou pombos) até o pátio diante do tabernáculo.

Colocava a mão sobre ele para significar que o animal o representava e depois o imolava (sacrificava). Se o sacrifício era público o Sacerdote era quem realizava essa operação. O Sacerdote tomava a bacia com o sangue e com ele espargia no altar, queimando a seguir algumas partes específicas do animal que continham determinadas porções de gordura. O que restava era consumido pelos Sacerdotes e suas famílias ou ainda pelo Sacerdote junto com os ofertantes.

Os sacrifícios exprimiam a gratidão do indivíduo pela bondade de Deus, ou eram simplesmente manifestações espontâneas de devoção e homenagem. O sacrifício pelo pecado e o sacrifício da reparação (Levítico 4-5, 26) referem-se às transgressões contra a lei de Deus ou situação em que foi cometida uma falta contra o próximo, porém ambos demonstram a exigência de enfrentar o pecado pelo uso do sangue.

O Sacerdote como representante de Deus tinha a função de declarar se o fiel e sua oferta eram aceitos ou rejeitados por Deus.

A prática do sacrifício animal remonta ao início das relações entre Deus e os homens (Gênesis 4,4) e no Novo Testamento explica a morte de Jesus (Hebreus 9,11). O Levítico 17,11 diz que o sacrifício é algo dado por Deus ao Homem. A pessoa que leva a oferta apodera-se da vida do sangue animal sacrificado e pode doá-la a Deus, injetando nova vida nas suas relações com Deus, revitalizando o seu dia a dia.

Por que devemos ficar aqui citando longamente as Escrituras Sagradas Judaicas e

Cristãs se nosso objetivo é a Religião Ifá/Òrìsà?

Este é um pequeno espaço para a dignificação da Religião Ifá/Òrìsà, tão agredida pelas Doutrinas Cristãs, principalmente pelos Protestantes. Então, cabe-nos o direito de mostrar quão hipócritas são aqueles que nos agridem e nos repudiam com bases em seus Livros Sagrados, que mostram largamente a pratica de ritos idênticos aos nossos e com a mesma simbologia.

Então dirão os Umbandistas assim como os Cristãos:

– Nós abolimos esses ritos!

– E respondemos à altura:

– A Religião de Òrìsà é extremamente tradicionalista e não muda sua liturgia com fins hipócritas, somente para agradar a visão leiga dos fiéis na tentativa de obter fins lucrativos. O que era feito há 12.000 anos é mantido até hoje por nós, mas não com uma conotação diabólica como desejam nos impor usando uma mídia já desgastada. Hoje o Homem é culto, busca se informar e encontrará a verdade relativa ao nosso mundo religioso.

O culto de Òrìsà nunca esteve envolto ao mundo da Magia Negra, ao baixo astral, ao Satanismo ou muito menos ligado aos demônios somente porque realizamos em nossos ritos o sacrifício animal.

Nós pregamos os ensinamentos de Ifá que são puros em sua essência, não ficamos pregando os atos dos demônios ou a palavra de Deus tirada de livros sagrados de autoria duvidosa. Nossa doutrina religiosa foi mantida pela boa vontade do Homem fiel e temente a Deus, mantendo todos os nossos conhecimentos na memória e transmitindo-os pela oralidade através dos Ẹsè e Itọn-Ifá.

Não temos livros sagrados adaptados a cada momento da história em decorrência das necessidades das instituições religiosas. Não expulsamos demônios em forma de “teatro” para enganar pobres coitados crédulos dizimistas que acreditam nas encenações de atores bem pagos para se contorcerem em público ou darem testemunhos suspeitos, sempre idênticos, sem provas. Não “amarramos” espíritos ruins em nome de Deus.

O que desejamos é somente poder expor que nossa Religião, a Religião de Òrìsà, tem como objetivo Religar o Homem a Deus através da manutenção de ritos tradicionalistas; através de uma hierarquia rígida mantida entre os seguidores e Iniciados; através da exigência de uma conduta honrada e moral dentro das verdadeiras Awo-Ègbé (Sociedades de Culto).

Desejamos mostrar com clareza que nossos verdadeiros Sacerdotes são homens sábios, estudiosos e perseverantes na sua religiosidade, tudo isso com base em uma filosofia mitológica milenar. Qualquer outra versão não tem sustentação real, tratando-se de invencionismo de muitos que pretendem impressionar ou lucrar em benefício próprio usando o nome dos Òrìsà Yorùbá.

Se fazemos sacrifícios é porque somos autorizados por Deus, conforme também era praticado em Israel. Não podemos esquecer que nas mesquitas, anualmente, até os nossos dias, é sacrificado um cordeiro para Allah (Deus). Mas ninguém gosta de agredir o Islã. E sabemos muito bem o porquê!

Èjè (sangue) é muito mais que vida, todos nós aprendemos isso nos templos verdadeiramente consagrados aos Òrìsà. Tiradas as partes sagradas dos animais que são ofertadas às Divindades, o restante é consumido pelos ofertantes. Não há desperdício nas Ilé Òrìsà, em respeito à natureza, conforme nos determinam as Divindades. Os animais ofertados não podem sofrer ao serem imolados, conforme nos determina o Òrìsà Ògún Olóbe, a Força proprietária da Faca.

O ritual é cercado do máximo respeito seguido de procedimentos de abstinência, onde a pureza e a limpeza espiritual e orgânica dos presentes é exigida com rigor para que eles possam participar desse tipo de oferenda e só aos Iniciados devidamente preparados por anos, cabe exercer o ato de imolar o animal. Isso não cabe a qualquer pessoa despreparada. Há uma liturgia a ser seguida à risca em detalhes, onde o omi (a água), epo pupa (azeite de dendê), Wuara (o leite), oyin (o mel), iyò (o sal), otí (a aguardente), ataare (a pimenta) são orados e encantados recebendo pela palavra propriedades mágicas, para poderem ser ofertados às Divindades como símbolos de doçura, progresso, prosperidade, fartura, fertilidade, alegrias e paz afim de que essas bênçãos sejam retribuídas a todos em troca da oferta. Sem que nunca se esqueça de ofertar para Onilè (a terra) sua parte, pois é ela quem sustenta os nossos pés. Esta frase metafórica Yorùbá nos ensina que é a Mãe Natureza quem nos permite mais um retorno ao Ayè (na Terra) e por isso devemos mostrar nossa gratidão a ela durante os ritos de oferendas.

Só pode ver maldade em uma ritualística dessa quem é mal no mais profundo de sua essência intima, no próprio caráter ou pelo desconhecimento, acabando por julgar sem saber o que verdadeiramente está sendo realizado num ritual em nome de Deus.

Pois graças a esse Deus universal, Olódùmarè, nós não fazemos apologia aos demônios, pois os desconhecemos na nossa cultura religiosa. Para a Cultura Religiosa Yorùbá Deus não “permitiria que os Anjos Caíssem”. Quem faz mal aos homens é o próprio Homem!

A Religião Animista Ifá/Òrìsà não deseja ser melhor que as outras Religiões.

Deseja somente ser respeitada, assim como sabe respeitar. Desejamos somente que as pessoas possam cumprir seu papel em mais uma passagem pela Vida no Ayè com auxílio dos ensinamentos de Ifá. Desejamos somente crescer nas experiências de viver.

Desejamos poder aprender a conviver num mesmo espaço físico com os outros homens, porque o nosso espírito não tem para onde evoluir já que o Homem é um deus-finito.

Evoluir o espírito do Homem seria tentar superar a Deus, pois o nosso espírito foi criado de Deus, portanto somos partículas divinas. Já fomos criados sendo deuses. Tudo o que necessitamos já recebemos de Deus no momento da Criação, só temos que aprender a usar o que nos foi dado por Ele.

Por Wagner Silva.

Obi é um elemento muito importante no culto de Òrìsà. A noz de cola, Obi, é o símbolo da oração no òrun (céu).

É um alimento básico e toda vez que é oferecido, seu consumo é sempre precedido por preces.

Foi Òrúnmìlá quem revelou como o Obì (a noz de cola) foi criada.

Quando Olódùmarè descobriu que as divindades estavam lutando umas contra as outras, antes de ficar claro que Èsù era o responsável por isso, Ele decidiu convidar as quatro mais moderadas divindades (A Paz, a Prosperidade, a Concórdia e Ayè, a única divindade feminina presente), para entrarem em acordo sobre a situação….

Eles deliberaram longamente sobre o motivo de os mais jovens não mais respeitarem os mais velhos, como ordenado pelo Deus Supremo.

Todos começaram então a rezar pelo retorno da unanimidade e equilíbrio. Enquanto estavam rezando pela restauração da harmonia, Olódùmarè abriu e fechou sua mão direita apanhando o ar.

Em seguida abriu e fechou sua mão esquerda, de novo apanhando o ar.

Pós isso, Ele foi para fora, mantendo Suas mãos fechadas e plantou o conteúdo das duas mãos no chão.

Suas mãos haviam apanhado no ar as orações e Ele as plantou. No dia seguinte, uma árvore havia crescido no lugar onde Deus havia plantado as orações que Ele apanhara no ar.

Ela rapidamente cresceu, floresceu e deu frutos.

Quando as frutas amadureceram para colheita, começaram a cair no solo.

Ayè pegou-as e as levou para Olódùmarè, e Ele disse a ela para que fosse e preparasse as frutas do jeito que mais lhe agradasse.

Primeiro, ela tostou as frutas, e elas mudaram sua textura, o que as deixou com gosto ruim.

No outro dia, Ela pegou mais frutas e as cozinhou, e elas mudaram de cor e não podiam ser comidas.

Enquanto isso, outros foram fazendo tentativas, no entanto todas foram mal sucedidas.

Foram então até Olódùmarè para dizer que a missão de descobrir como preparar as nozes era impossível.

Quando ninguém sabia o que fazer, Elénini, a divindade do Obstáculo, se apresentou como voluntária para guardar as frutas.

Todas as frutas colhidas foram então dadas a ela.

Elénini então partiu a cápsula, limpou e lavou as nozes e as guardou com as folhas para que ficassem frescas por catorze dias.

Depois, ela começou a comer as nozes cruas.

Ela esperou mais catorze dias e depois disso percebeu que as nozes estavam vigorosas e frescas.

Após isso, ela levou as frutas para Olódùmarè e disse a todos que o produto das preces, Obi, podia ser ingerido cru sem nenhum perigo.

Deus então decretou que, já que tinha sido Elénini, a mais velha divindade em Sua casa quem conseguiu decodificar o segredo do produto das orações, as nozes deveriam ser dali por diante, não somente um alimento do céu, mas também, onde fossem apresentadas, deveriam ser sempre oferecido primeiro ao mais velho sentado no meio do grupo e seu consumo deveria ser sempre precedido por preces.

Olódùmarè também proclamou que, como um símbolo da prece, a árvore somente cresceria em lugares onde as pessoas respeitassem os mais velhos.

Naquela reunião do Conselho Divino, a primeira noz de cola foi partida pelo Próprio Olódùmarè e tinha duas peças.

Ele pegou uma e deu a outra para Elénini, a mais antiga divindade presente.

A próxima noz de cola tinha três peças, as quais representavam as três divindades masculinas que disseram as orações que fizeram nascer à árvore da noz de cola.

A próxima tinha quatro peças e incluía assim Ayè, a única mulher que estava presente na cerimônia.

A próxima tinha cinco peças e incluiu Òrìsà-Nla.

A próxima tinha seis peças representando a harmonia, o desejo das orações divinas.

A noz de cola com seis peças foi então dividida e distribuída entre todos no Conselho.

Ayè então levou a noz de cola para a Terra, onde sua presença é marcada por preces e onde ela só germina e floresce em comunidades humanas onde existe respeito pelos mais velhos, pelos ancestrais e onde a tradição é glorificada.

Texto sem autoria, garimpado e traduzido na web por Gbàfáomi.

Um encontro religioso em que todos temos que nos envolver e participar!