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“A Religião que eu acredito é aquela construída por todos, no dia-a-dia, com sacrifício, suor,  respeito, 
entrega, fé e amor ao Òrìsà…
 
A Religião que eu acredito abomina a feitiçaria, o topa tudo por dinheiro, 
o materialismo desenfreado…
 
A Religião que eu acredito tem no Òrìsà o início, o fim e o meio, último e único recurso…
 
A Religião que eu acredito é a das velhas e 
negras senhoras, de fé inabalável 
e sabedoria que brota das raízes…
 
A Religião que eu acredito adora árvores como deuses, e tem na vida seu bem supremo…
 
A Religião que eu acredito é aquela onde a vestimenta não suplanta valores e onde não 
se substitui a forma pelo conteúdo…
 
A Religião que eu acredito resistiu a escravidão, 
ao porrete da polícia, a marginalização e
 demonização sempre lhe imputada…
 
A Religião que eu acredito não é um modismo, 
um suvenir, algo descartável que 
jogamos fora quando não nos serve mais…
 
A Religião que eu acredito não é um show de 
estética extravagante, circo dos incaltos, 
mas um ritual de celebração a vida… 
 
A Religião que eu acredito é uma experiência 
vivida de amor pleno, fé e respeito aos Òrìsà, 
dentro e fora de nós….”
 

 

Olódùmarè

Olo: significa expansão e poder;

Dun: significa tempo e longevidade;

: significa criação dos quatro pontos cardeais do Universo,
representados pelos quatro primeiros Odù:

Èjìogbe Méjì – representando o fogo, o Sol.

Òyèkú Méjì – representando a água, a Morte.

Ìwòrì Méjì – representando o ar, a Transformação.

Òdí Méjì –  representando a terra, o Renascimento.

Re: significa a estabilidade da força de realização, que nasce, cresce, reproduz e morre.

No sentido mais profundo que encontramos, ao analisarmos o nome de Olódùmarè, encontramos o significado de “Eu sou aquele que é” ; o nome designando o próprio ser, o ser das coisas em sua manifestação plena e em sua relação com o Universo.  A revelação do nome é extremamente significativa na propensão de Olódùmarè para a sua Criação.

Esse nome é único porquê contém todo o mistério, e representa toda a plenitude do nosso Universo e quando é pronunciado, nos leva a eterna busca da perfeição.  É o nome da Santidade transcendente, que exprime a presença dinâmica de Deus, todo Poderoso em Sua Criação e a fidelidade de sua assistência aos homens.

Para entender nossa relação com o Todo-poderoso, nós temos que nos lembrar de três pontos importantes:

– Todas as coisas neste universo foram criadas por Olódùmarè.

– Olódùmarè é a Fonte do “Ser”, sem a qual nós não poderíamos existir, ter vida, ser racionais ou “inteligentes”.

– Olódùmarè é conhecido como o Determinador e Controlador do Destino. Nós estamos sob controle e governados, do princípio ao fim.

Com exceção do dia que nascemos e o dia que é suposto que iremos morrer,  não há um único evento na vida que não possa ser previsto, mudado e necessário.

Olódùmarè é a força criativa central.  Para os Yorubá, Olódùmarè concebeu o Universo em um êxtase de si mesmo.  Assim, podemos dizer que a criação tem suas raízes no futuro, pelo qual ele vive.  O mundo é inquieto porque foi criado dinamizado.  Criado assim, o mundo só pode existir em evolução. Sua perfeição aparece desde a origem. A criação se realiza numa ascensão espiritual progressiva, desde a matéria dita inanimada, até atingir, no homem, a dignidade da consciência, que está muito além da questão da cor de sua pele, ou sua raça.

Existe, para o Yorubá, por detrás das aparências e do mundo visível, um elemento inteligente, “racional”, que regula, dirige, anima o cosmos, e que faz com que esse cosmos não seja caos, mas ordem.

Há, com certeza na origem do Universo, um impulso de pura consciência,  que é Olódùmarè.

Olódùmarè é um espírito infinitamente perfeito, que existe por si mesmo e de que todos os outros seres recebem a existência.  Olódùmarè é o ser sem semelhança. Por isso quando o nomeamos, apenas tangenciamos sua essência.

A existência de Olódùmarè, mais que um pressuposto, é verdade fundamental, ponto de partida para qualquer discurso religioso.

É como se primeiro, reconhecêssemos a sua existência, depois procurássemos a ponte capaz de nos levar a ele, capaz de propiciar a religação com nossa origem.  Afinal, nas extremidades invisíveis do nosso mundo, abaixo e acima da nossa realidade, paira o espírito.

Nosso espírito e esse ser transcendente a quem chamamos Olódùmarè, são levados a se encontrar.

No entanto, é natural, para todos nós, a idéia de que não podemos compreender Olódùmarè.  Na medida em que ele é infinito, princípio e fim de todas as coisas, encontra-se além dos limites humanos e de sua compreensão. Podemos, sim, conhecê-lo através de seus atributos e deduzir a sua existência através de suas manifestações no Universo e nas coisas criadas.

Somos levados, também, ao conhecimento de Olódùmarè pelo que conhecemos e sabemos com clareza e precisão que Olódùmarè não é.

Para crermos na existência de Olódùmarè e avançarmos em direção aos seu conhecimento é necessário que não comecemos por usar os caminhos da razão.  Olhamos e vemos; o mundo é um espelho a mostrar permanentemente a sua presença e grandiosidade, infinita e perfeita.

Diante do maravilhoso e fantástico espetáculo da Criação, a razão humana é capaz de caminhar até o conhecimento da existência do Criador. Em seus reflexos espalhados pelo Universo, ela pode adivinhar suas perfeições de poder, de beleza e de bondade, manifestos em cada ser e em cada elemento. Sua realidade objetiva e invisível manifesta seu eterno poder e sua divindade – torna-se compreensível, desde a criação do mundo, através das criaturas.

No Culto Yorubá podemos afirmar que Olódùmarè  é único no céu e na terra, o Supremo sobre todos nós e o chamamos referindo-nos particularmente as suas características de “Senhor de todas as coisas”, “o Soberano que está no Òrun”, “Aquele que tem a máxima autoridade sobre tudo”.

Olódùmarè pode ser conhecido por muitos nomes – afinal de contas, muitas são as suas particulares manifestações nos diversos momentos e planos da Criação, e assim, muitas vezes, ele é chamado de ÒLÓFIN ou OLORÚN.

Olódùmarè é na religião Yorubá o Deus Único, Supremo, Onipotente e Criador de tudo o que existe. Seu nome significa, “O Senhor, o qual é nosso eterno destino”.

Olódùmarè é nossa máxima representação espiritual no universo, ele é o Arquiteto Universal da nossa existência nos mundos paralelos de Òrun e Àiyé.

Quando o mundo começou, havia convivência entre as divindades e os seres humanos, todos podiam ir ao Òrun e voltar quando desejassem. Não havia limitações entre o Òrun e o Àiyé.  Então, alguma coisa aconteceu e um extenso espaço surgiu entre o Òrun e o Àiyé.  A história do que aconteceu é contada de várias formas, e todas levam a um só motivo. O homem pecou contra o Poder Supremo e uma barreira se levantou. O privilégio da livre comunicação desapareceu em troca do diálogo indireto através das diferentes formas oraculares estabelecidas e legadas pôr Òrúnmìlà.

Não há escuridão que se propague se temos conosco a fé na luz de Olódùmarè.

Os Yorubá acreditam em um Deus supremo, Olódùmarè.  Olódùmarè é muito remoto ao Yorubá através de suas virtudes e dualidade.  Em outras  palavras,  Deus criou ambas as forças: “boas ” e ” más ” e jogou no universo;  ele deu Àse (poder) para ambos os lados.  ” Quando você falar quase ” bom “, você já pressupôs ” mal “”.  Há sempre dois lados de toda história ou problema.

Dentro de Ifá o cosmo é dividido em dois.  O lado direito está habitado pelos poderes sobrenaturais benevolentes e o lado esquerdo está habitado pelos poderes sobrenaturais e malevolentes.  Os poderes benevolentes são os Òrìsà e as associações úteis deles/delas com o ser humano.  Os poderes malevolentes são as energias destrutivas do mau como Ikú (morte), Arun (doença), Òfò (perda), Èpè (maldição) e assim por diante.  Não há nenhuma coexistência calma entre estes dois poderes, eles sempre estão em conflito.

“Eu não tenho nada além daquilo que todas as pessoas têm, a única diferença entre mim e os demais é que eu acredito na presença de Olódùmarè em minha vida e sempre o coloco à frente de minhas atitudes!”

Àse !

(Texto baseado no artigo de Sango Biyi )

Por: Obaala Oluwo Efun Áwo Pèjú Ifárunola Adesanya

http://www.efunlase.com

Foribalẹ é um ato de saudação e veneração, dada diretamente para um Òrìṣà ou a um Baba ou Ìyálòrìṣà. Esta saudação pode ser feita por qualquer pessoa iniciada e consagrada até um simples simpatizantes de nossa religião. A palavra Foribalẹ está averbada nos Dicionários Yorubá – Português como um verbo transitivo que significa venerar, adorar. Literalmente o referido termo significa “colocar a cabeça no chão”. Esse ritual também é conhecido pelo nome de Fori(ọ)kànbalẹ, que literalmente significa “colocar a cabeça e o coração no chão”.Isto refere-se ao ato de prostrar-se diante das divindades, de pessoas que de certa forma participaram de seus ritos iniciáticos e do próprio sagrado.

 

Também pode se realizar o ato do Foribalẹ a qualquer ancião, denotando respeito a sua antiguidade e aos seus “anos de santo”. Durante esta saudação o Baba ou a Ìyá tocará o solo e a cabeça daquele que prostra-se diante dele, autorizando dessa forma que se levante e em seguida lhe dará a sua bênção dos Òrìṣà para a pessoa abençoando-os.

 

Existem duas maneira de se realizar o Foribalẹ. Um denominado de Dọbalẹ destinado as ìyáwò que foram inciadas aos Òrìṣà cuja a essência é masculina e Yíka para os de essência feminina. Esse último ainda se divide em dois grupos; o grupo de ÒṣunYemọja e Nãnã e o grupo de YewaOba e Oya. Enquanto as divindades masculinas procedem sempre da mesma maneira.

 

Em algumas linhagens, aquele que pertence a Òrìṣànlá, somente realiza o Foribalẹ para com aquele que lhe inciou e o consagrou dentro dos mistérios do culto. Para os demais que lhe deve seu respeito, apenas se ajoelha a sua frente e com a cabeça virada para baixo, tocará o solo e a sua própria cabeça por três vezes e pedirá a benção. Esse ato é denominado de Kúnlẹ-dojúde, literalmente “ajoelhar-se com os olhos em direção ao solo”.

 

Importante ressaltar que na maioria dos Terreiros Tradicionais de Salvador no Estado da Bahia, os Òrìṣà não realizam o referido ato, somente “atira-se ao chão” sem colocar a cabeça, independente do Grau Sacerdotal ou status da pessoa a qual se saúda. Desta forma, somente “deita no chão” saudando o Òrìṣà Tutelar da cabeça dessa pessoa e não o Ser Humano propriamente dito. Se a pessoa estiver sentada, se levantará e receberá um abraço do Òrìṣà.

 

Sempre que há uma cerimônia, antes de principiar os ritos, todos devem prestar seu Foribalẹ ao sagrado, ou seja, ao santuário das dividades, denominados de Pèpéle. Em seguida presta-se reverencia ao Baba ou Ìyá e a seguir saúdam-se todo o corpo sacerdotal presente na ordem de antiguidade dentro do Terreiro. Esse mesmo procedimento se realiza quando chegamos a Casa de Candomblé.

 

Muito tem se perdido na atualidade o Rito do Foribalẹ. Na maior partes da vezes os membros de um Terreiro, chegam, não se purificam com banhos de ervas antes de se trocarem, descartam as saudações as Divindades Primordiais da Casa, “male mal” saúdam o Corpo Sacerdotal, assim como seus irmãos e irmãs da comunidade.

 

Texto:Baba Guido Olo Ajaguna.

Os seres humanos são chamados ènìyàn (os escolhidos), porque eles foram ordenados “para transmitir a bondade” para o mundo, sob as ordens de Òlódùmarè. Em outras palavras, permanece a divindade na humanidade, e vice-versa.
Vamos agora considerar o Ori-inu. A ideia africana de espírito foi concebida e descrita de maneiras diferentes. Em yorùbá, a ideia do Eu transcendental, ou espírito, tem sido difícil de expressar em Inglês. Alguns chamaram o espírito de Èmí.
Èmí é invisível e intangível. Esta é a força da vida soprada em cada ser humano por Òlódùmarè. Não deve ser confundido com Eemi, que é simplesmente respiração. Èmí é o que dá a vida ao corpo. Quando ele o deixa, a vida cessa.
O yorùbá diria sobre um cadáver:
Èmí re ti bo.
Seu Èmí foi embora.

Porém, ela (Èmí) não é espírito.
Ela é invisível e intangível, é seguramente relacionado com a respiração, o que pode ser pensado em residir na boca e no nariz.
O verso abaixo nos mostra o quanto Èmí é importante.

O Odù Ìwòrì ‘Ìròsùn (Ìwòrì Gósùn) diz:

Ifá foi lançado para Oni Gósùn
Ao chorar por causa de sua pobreza
Ele foi aconselhado
A fazer oferenda com (osùn)
E uma abundância de dinheiro
Este foi o ebo prescrito
Quando o ebo for realizado
Não use o ebo para tocar sua cabeça
É o peito que você deve tocar
Seu Ori vai aceitar o sacrifício
Mesmo que o seu peito recuse a oferta
Após, o ebo ter tocado seu peito ele vai para Èşù.

Èmí é muito importante, pois enquanto ele estiver do nosso lado, estaremos vivos.
O verso abaixo canta, que por ser tão importante Ọrúnmìlà vem a se casar com ela, Èmí é um personagem importante em nossa vida.
Esse canto nos diz o quanto é importante cuidarmos de nosso corpo, de nossa alimentação, de não termos vícios, para não anteciparmos, por nossa própria ignorância, o dia de nossa volta para casa (Ợrùn) e deixarmos de cumprir nosso destino (Objetivo primordial na vida do ser humano, Abimbola).
Cuidemos de nossos hábitos, cuidemos de nosso corpo para que Èmí não nos abandone.

Odù Èjì Onile – Èjì Ogbè diz:

A cabeça do albino é cheia de cabelos cinza
O corcunda carrega o material de Òòsà sem ajuda
É de Lààlààgbàjà que ele tem trazido todas suas coisas
Estes foram os sacerdotes que fizeram divinação para Ọrúnmìlà
Quando ele estava vindo para ter Èmí
A filha de Òlódùmarè, como uma esposa.
Èmí, a filha de Òlódùmarè.
Descendentes daquele que senta-se sobre uma fina esteira e cuja cabeça está desprotegida da chuva.
Foi dito para Ọrúnmìlà fazer um sacrifício,
Ele fez.
Foi dito para ele fazer um sacrifício para Èşù,
Ele fez.
Seu sacrifício foi imediatamente aceito pelas divindades.
Ele disse: Eu realizarei, se Èmí não falhar.
Há esperança de ter dinheiro
Isto é certo
Existe a esperança de ter dinheiro
Se Èmí não falhar
Há esperança de ter esposa/marido.
Isto é certo
Se Èmí não falhar.
Há esperança de ter casa.
Isto é certo
Se Èmí não falhar.
Há esperança de ter filhos
Isto é certo
Se Èmí não falhar
Há esperança de ter saúde
Isto é certo
Se Èmí não falhar
Há esperança de ter todas as boas coisas da vida
Isto é certo
Se Èmí não falhar.

A concepção yorùbá da natureza humana se divide em duas partes: o material e o imaterial. O corpo material, a parte que age e reage ao ambiente físico, consiste no Ara, ou corpo físico, o Ojiji, ou sombra, e o Ije, ou mente.
Os aspectos imateriais, imperecíveis, incluem o Okan ou coração e o Èmí, ou espírito.
De todos os aspectos do homem, a Èmí é visto como a sede da vida, porque é a parte do ser humano mais próxima dos deuses. A maior parte da humanidade usa tanto o Okan (coração) como o Ara (corpo). A vida/duração de Èmí é determinado pelas ações da pessoa enquanto na carne.

Um Owe (provérbio) yorùbá confirma isso:

Àkúnlèyàn
E da Adele aye tan
Oju n kan gbogbo wà,

Nós nos ajoelhamos no Ợrùn.
Para escolher o nosso destino
Porém, nos esquecemos,
Por que estamos com pressa na vida!

Por Odé Gbàfáomi

Fontes consultadas:
Áwo Dino (In memoriam)
Bàbá Sehinde A. Ademuleya
Dr. em Antropologia da Universidade Obafemi Awolowo, Ìbàdàn – Nigéria.
J. Olumide Lucas, A Religião do yorùbá, Londres, A. Brown & Sons, 1948.

 

 Este mito fala sobre o retorno de Òrúnmìlà para o òrun, ficando os ikin¹ como seus representantes na Terra. Tem início num determinado tempo, quando Òrúnmìlà ainda não possuía filhos e seus oponentes o recriminavam: “Bàbá ò ní bi omo ni Ifè.” [“O pai que não tem filhos em Ifè.”]. Mas estavam enganados, pois mais tarde ele veio a ter oito filhos que se tornariam reis em várias cidades yorubás.

O primeiro filho foi denominado Alárá, o rei da cidade de Ará; o segundo foi Ajerò, rei de Ìjerò; o terceiro, Olóyémoyin, rei da cidade deOyé; o quarto, Alákegi; o quinto, Óntangi-òlélé, rei de Ìtagi; Eléjèmòpé, de Ìjèlú; Owaràngún-àga, título de sacerdotes de Ifá; e Olówó, rei deÒwò.

Òrúnmìlà sentiu-se realizado, e, por ocasião de uma grande solenidade, quando celebrava um ritual, mandou chamar seus filhos. Atendendo ao chamado, todos prestaram obediência ao pai, saudando-o com a expressão “Àborúboyè bo síse.” [“Que os rituais sejam abençoados e aceitos” ou “Que o sacrifício seja abençoado e aceito.”]. Apenas Olówó se recusou a saudar Òrúnmìlà. Além disso, ele estava todo vestido de forma idêntica ao pai, o que significava uma afronta e desrespeito à autoridade paterna.

Òrúnmìlà exigiu que ele dissesse as mesmas palavras dos irmãos, mas ele se recusou, permanecendo de pé e dizendo:
Òrúnmìlà, você se veste com a roupa òdùn², eu me visto com a mesma roupa; você empunha o òsùn³ feito de bronze, também tenho o meu cajado de bronze; suas sandálias são de bronze, as minhas também são; você usa uma coroa, e eu também. Assim, uma cabeça coroada não se curva para outra cabeça coroada.”

Diante do que estava vendo – uma total afronta à sua autoridade-,Òrúnmìlà se enfureceu e arrancou o òsùn das mãos de Olówó, o que significava cassação de sua autoridade. Mas não ficou apenas nisso. O fato levou Òrúnmìlà a se retirar do plano terrestre e retornar ao òrun. O resultado foi a fome, a peste, as doenças, a esterilidade, pois Òrúnmìlà representava o princípio da ordem, da sabedoria, da fertilidade. Sua partida levou a Terra a um colapso, ameaçando a extinção humana.

Os habitantes da Terra se viram clamando pela sua volta. Os rios secaram, os doentes continuaram enfermos, as espigas de milho brotavam mas não amadureciam. Sacrifícios foram feitos, mas sem resultado algum.

Pediram que os filhos intercedessem pelo seu retorno a fim de restaurar a ordem das coisas.

Diante disso, os filhos foram até o òrun para pedir que o pai voltasse. Rogaram e recitaram preces de louvores. Mas o pai, mesmo com a decisão já tomada, ordenou-lhes que estendessem as mãos para a frente e deu-lhes os 16 ikin, os coquinhos sagrados de Ifá, dizendo-lhes: “Quando chegarem em casa, se desejarem possuir dinheiro, serão esses ikin que deverão consultar; se desejarem esposas e filhos, serão esses ikin que deverão consultar.”

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Fazendo um determinado ritual, Òrúnmìlà reassumiu sua autoridade, colocando-se como a ligação entre o òrun e o àiyé. Deixou de herança aos seus filhos e discípulos o sistema oracular que permite invocá-lo em todos os momentos necessários.

NOTAS:
  1. Ikin: Coquinhos da palmeira do dendezeiro.
  2.  Òdùn: Um tipo de traje yorubá com detalhes feitos em palha-da-costa.
  3. Òsùn: Um bastão sagrado utilizado apenas pelos Bàbáláwo, símbolo de uma divindade conhecida pelo mesmo nome. É usado como um cajado e sempre posicionado ereto e colocado de pé apoiado numa parede.
Fonte:  Livro “Mitos Yorubás: O Outro Lado do Conhecimento”, de José Beniste
Fotos blog: Ìyálòrìsà Fernanda T’Òsún Doko

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Uma pequena relação das forças espirituais, irunmǫlę e Òrìşà que habitam o panteão yorùbá, muitas dessas energias estão atuando em nosso dia a dia sem que tenhamos conhecimento. Eleve seus pensamentos para as energias que pouco são lembradas, porém, nos ajudam constantemente.
Epá imǫlę. Epá Òrìşà.

Aàjà Espírito do Furacão.
Abanigbele Espírito do fogo, esta é uma referência para a animação da consciência que existe dentro de uma chama ardente.
Agayu Espírito do Fogo, no Centro da Terra.
Àgbìgbò Espírito da Floresta, que causa problemas.
Agemo Espírito da Floresta adorado na região Ìjèbú da Nigéria.
Àguala Espírito de Vênus.
Àjàlá – mòpin Espírito que molda a cabeça, e forma a consciência de cada criança recém-nascida.
Àjé Espírito de um Pássaro usado por mulheres (Ìyàámi) para invocar poderes usados para abundância e justiça. Este mesmo poder é usado para consagrar a coroa dos reis Yorùbá. Também é usado como uma referência a dinheiro ou abundância.
Ajè Şaluga Espírito Elemental da Abundância, sagrado para o Espírito das Mães (Ìyàámi).
Akódá Espírito de um dos primeiros alunos do Profeta Ọrúnmìlà.
Alááànú Espírito que ajuda a consciência a se formar antes do nascimento,
“O Misericordioso”.
Alúdùndún Òrun Espírito Guardião de destino pessoal no Reino dos Ancestrais, a fonte do destino pessoal.
Àmòká Espírito do sol.
Amúsan Espírito de um dos filhos do Espírito do Vento (Oya).
Apetebi Espírito da esposa do Espírito do Destino (Ọrúnmìlà).
Àpárí – inú Espírito do eu interior.
Aroni Espírito da floresta Espírito primordial com o corpo de um ser humano e a cabeça de um cachorro.
Arúku Espírito que transforma e eleva o espírito dos antepassados.
Àsedá Espírito de um dos primeiros alunos Profeta Ọrúnmìlà.
Abanigbele O Espírito de Fogo, esta é uma referência para a animação da consciência que existe dentro de uma chama ardente.
Ọbàlúwayè Espírito da superfície da terra, este é o Espírito associadas a essas doenças infecciosas que são transportados pelo vento em toda a superfície da terra durante períodos secos e quentes do ano.
Dada O Espírito dos vegetais, também o guardião Espírito recém-nascido crianças com grandes tufos de cabelo.
Ejufiri O Espírito que molda a consciência, a base da força interior.
Elekeji eni O duplo do espirito, o Eu superior.
Erinlè Espírito da Canção.
Èşù O Espírito do Mensageiro Divino, que também tem o papel do Espírito do Malandro Divino e o Espírito do Executor Divino.
Èdán Espírito do aspecto feminino do Espírito da Terra (Onilé).
Egbéògbà Espírito honrado pela sociedade de mulheres (Ìyàámi).
Ęlà O Espírito da Pureza, a primeira Reencarnação do Espírito do Destino (Ọrúnmìlà).
Eléèdá Criador, associado com a central de energia entre os olhos.
Ibeji Espírito de gêmeos.
Ìbéta Espírito de trigêmeos.
Ikú Espírito da Morte.
Ìpònrí Eu superior, descrito na escritura de Ifá como espirito duplo de uma pessoa que vive no Reino dos Ancestrais (Ìkợlé Òrun).
Iponri A Força da Natureza (Òrìsà) que orienta a consciência de um indivíduo em particular.
Ipọrí O Espírito do dedão do pé, em Ifá é a reverência Ancestral, o dedão do pé é o lugar onde a consciência pessoal (Ori) forma uma ligação com a consciência Ancestral (Orí Egún).
Ìràwò alé A estrela Sirius, o Espírito de Sirius referido como a canoa estrelar na escritura de Ifá.
Irépò Espírito de Cooperação.
Korí Espírito que cria a cabaça do Eu interior.
Mágbéèmitì Espírito que molda a consciência.
Odù Espírito do ventre da criação.
Odùdúà mesmo que Odùdúwà.
Odùdúwà Espírito de personagem negro, o preto é uma referência simbólica para o que é invisível, o oposto da luz. Em algumas regiões da Nigéria este espírito é a deusa primordial, em Ilè Ifè este Espírito é o ancestral masculino original da cultura yorùbá.
Odùmarè Variação regional de Òlódùmarè, que é a fonte de Criação.
Ofere Espírito da Estrela da Manhã.
Ògún O Espírito do Ferro.
Òjìjí Espírito da sombra criado pela manifestação física de uma pessoa de emoções negativas.
Òjòntarìgì Espírito da esposa do Espírito da Morte (Ikú).
Òlódùmarè Espírito de Criação.
Olófin Espírito da lei, ou seja: “Proprietário da lei”, o Legislador.
Olojongbodu Espírito da esposa da morte (Ikú).
Olókun Espírito do Oceano.
Olóore Espírito que molda a cabeça dos bebês antes do nascimento.
Olorí – Mérìn Espírito que protege as cidades, o que significa: “Espírito, com quatro Cabeças”.
Ọlọsa Espírito da Lagoa.
Olumu O Espírito do Entendimento.
Olúworíogbó O Espírito que faz chefes, o que significa: “Criador dos chefes da floresta”.
Onílé Espírito da Terra, o que significa: “Dono da Terra”.
Oòrùn Espírito do sol.
Òòsà Oko Espírito da Fazenda.
Ǫpęlę Espírito da esposa do Espírito do Destino (Ọrúnmìlà)
Orí Espírito da Consciência, também significa cabeça de uso comum.
Òrìsà Agbala Espírito guardião do quintal (espaço externo), o irmão mais novo do Espírito da Fazenda (Òrìsà Oko).
Òrìşà – bi Espírito da esposa de Òrungan.
Òrò Espírito da Floresta, invocado como parte dos ritos fúnebres.
Osu Espírito da Lua, filha do Espírito dos Raios (Sàngó).
Òsùmàrè Espírito do arco-íris.
Osun Espírito que protege consciência individual.
O’yansa Espírito da Mãe do Espírito do Vento (Oya), significando:
“Mãe de Nove”.
Oye Espírito do Vento Harmattan, mora no morro Igeti com o Divino Mensageiro, o aspecto masculino do Espírito do Vento (Oya).
Oba Ìgbàláyé Espírito das Quatro Estações, ou seja: “Rei do Cabaça da Terra”.
Ọbàlufọn Espírito que protege Artistas.
Ọbà Oke Espírito da Montanha.
Ợbàtálá Espírito do Rei de Pano Branco.
Obba Deusa do Rio Òbá.
Olórun A Fonte, o Ser supremo.
Olósà O Espírito da Lagoa.
Oramife Espírito do Pai do Espírito do Raios (Sàngó).
Òranmiyàn O Espírito da Guerra, considerado o Pai do Espírito do Raio (Şàngó) em Ilè Ifè.
Òrò Espírito do Poder da Palavra.
Òrungan Espírito da criança do Espírito da Mãe dos Peixes (Yemọjá).
Ọrúnmìlà Espírito do Destino, o profeta de Ifá, encarnação física de o Espírito de Pureza (Èlà).
Òrun Òkè Espírito das Montanhas no Reino Invisível dos Imortais.
Òsànyìn Espírito das Ervas e da Medicina.
Òsóòsì Espírito do Perseguidor.
Òsún Espírito do Rio, fertilidade, sensualidade e abundância.
Ợya Espírito do Vento e Espírito do Rio Níger.
Òràányàn Espírito do Primeiro Rei (Ọbà) de Ọyọ.
Òràngun Espírito do neto de Odùdúwà.
Poripon Sigidi Espírito de Combate.
Sàaragaá Espírito que molda a consciência (Orí), significando: “O Estranho lugar da singularidade”
Sùngbèmi Espírito que molda a consciência (Orí), significando: “Esteja mais perto de mim”.
Şàngó Espírito do Raio, também o quarto Aláàfin de Òyó.
Sigidi Espírito Mensageiro, o espírito guerreiro que protege uma linhagem familiar particular.
Sigidi Sugudu Espírito do Pesadelo.
Sòponnà Espírito da varíola.
Yemò Espírito da Esposa do Espírito do Rei de Pano Branco (Ợbàtálá).
Yemòwó Espírito da Esposa do Espírito do Rei de Pano Branco (Ợbàtálá).
Yemọjá Espirito do rio Ògún, que significa: “Mãe dos Peixes

A relação foi confeccionada pelo Áwo Falokun e traduzida por Odé Gbàfáomi.

Òdúndún-A folha universal

Conhecida popularmente por Folha da Costa, saião, folha ou erva grossa. De origem brasileira, esta folha é encontrada em várias lugares de clima tropical e até aclimatada em outros países.

Tanto no Brasil como na África, esta planta é dedicada a todos os Orixás ligados a mito da criação, conhecidos como òrìsà-funfun, e por extensão, é utilizada para os demais Orixás.
Nos candomblés brasileiros é usada nos rituais de iniciação e obrigações em geral, ligada aos banhos de  àgbo, as oferendas de Eborí, nos sacrifícios de animais cobrindo os olhos dos animais para não ver Ikú, etc.
Òdúndún, é a folha que acalma, esfria o Ori, saudada no ritual de sasányìn, é a principal  folha dos filhos de Oxalá. Folha que participa juntamente com outras folhas, do orô da lavagem das vistas e dos búzios dos sacerdotes confirmados por Orunmilá na obrigação de sete anos com direito a utilizarem o Merindilogun.

Verger, dá a fórmula de um “omieró” onde constam várias folhas, entre elas òdúndún, utilizados por babalawos africanos para lavarem os olhos antes de abrirem o Igbádú. Verger ainda cita que em Ilésin de Ideta-Ilê, no culto a Obàtálá e Yemowo, este vegetal é utilizado, em conjunto com outros para lavar objetos rituais após os sacrifícios, é conhecido ainda pelo nome de elétí.

Nome científico: kalanchoe brasiliensis Camb., Crassulaceae
Sinonímia: Kalanchoe crenata (Andr.) Haw
Elementos: Água/feminino
Orixá: Oxalá
Ewé Òdúndún
 
Òdúndún Bàbá t’èrò re
Òdúndún Bàbá t’èrò re
Bàbá t’èro lé
Monlé t’ero re
Òdúndún Bàbá t’ero re
 
Tradução: 
 
Odundun Pai espalhe sua calma
Odundun Pai espalhe sua calma
Grande espírito, espalhe sua calma
Odundun Pai, espalhe sua calma
 
Àbámodá – Folha-da-Fortuna
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A característica principal dessa folha que a distingue de uma outra qualidade de Fortuna é o surgimento de muitos brotos nas bordas das folhas, fato associado à prosperidade, no àgbo de Xangô e lavagem dos seus objetos pessoais:
Uma característica dessa planta é o surgimento de muitos brotos nas bordas das folhas, fato associado à prosperidade; 

Abamodá

Nativa das regiões tropicais asiáticas. foi introduzida a muito tempo na América tropical, ocorrendo em todo território nacional.
Em Ilê Ifé, terra de Ifá, em território Yorubá no sudeste africano, nas cerimônias a Obatalá e Yemowo, após os sacrifícios, as imagens desses Orixás são lavadas com uma mistura de folhas, sendo uma delas o àbámodá, que também é conhecida pelos nomes   de erú òdúndùn, kantíkantí e kóropòn.  Àbámodá, segundo Dalziel, em dialeto Yorubá significa “o que você deseja, você faz”; todavia, quando chamada de erú òdúndùn (escravo de òdúndùn)  é considerada como folha subordinada e afim,  que pode eventualmente substituir o òdúndùn (kalanchoe crenata), segundo a cosmo visão Jêje/Nagô.
Nome científico: Bryophyllum pinnatum (Lam.) Oken.
Sinonímia: 1) Bryphyllum calcinun Salisb
                    2) Kalanchoe pinnata Pers
Elementos: Água/Feminino
Orixás: Xangô, Orunmilá/Ifá, Yemanjá.
Òdundún Odò-Fortuna Serralha
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As características desse folha é o tipo serra, chamada popularmente de falsa-serralha, serralha-mirim, Pincel, que popularmente é conhecida e muito confundida com Òdúndún e Abámodá.
Nome científico: Emilia sagiatta (Vahl) DC., Compositae
Sinonímia: não conseguiram determinar alguma relação com as espécies acima
Elementos: Água/Masculino
Orixá: Exú
Em alguns candomblés utilizam normalmente dessa folha nos àgbos e banhos em geral. Alguns estudiosos garante que são espécies muito parecidas confundindo até um bom conhecedor de folhas, todo cuidado é pouco porque existem muitas espécies conhecidas como saião, folha da costa, odundun.
Teremos então:
1- Òdúndún- folha principal de Obatalá e que serve para todos os Orixás
2- Àbamodá – folha principal de Xangô
3- Òdundún Odò – folha de Exú e para banhos limpeza
Bibliografia: Ewé Òrìsà – José Flavio P. de Barros e Eduardo napoleão
                   Ewé – Pierre Verger
Colaboração: Fátima Diniz (Mercadão das Ervas de Madureira) Fernando D’Osogiyan
Fotos: Internet