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Archive for the ‘Candomblé’ Category

  • dada

Antes de Ìyá Torosí, Òrànmíyàn casou-se com Ìyá Mòrèmí e com ela teve um filho, cujo os cabelos nasceram em tufos, era Dàda Bàayànì Àjàkú. Dàda (Àjàká), que também foi um Aláàfìn Òyó, irmão de Sàngó, era um rei muito calmo e pacífico e sua personalidade não permitiu-lhe ser um grande comandante. Aproveitando-se disso, Sàngó apossou-se do reinado de Òyó, tornando-se Aláàfìn.

Dàda Bàayànì Àjàkú, passou, então, a reinar um povoado próximo de Òyó. Envergonhado com o seu despojamento, Dàda passa a usar uma coroa que lhe cobre todo o rosto (Adé Bàayànì), a qual tiraria apenas quando reconquistasse seu lugar em Òyó.

O reinando de Sàngó durou exatos sete anos, nesse período, ele foi um governante cruel, sendo chamado de aterrorizador (Èrùjèjè), desta feita, Sàngó abdica do trono de Òyó e se refugia em Kòso, lugar onde ele desaparece aos pés de um Igi Àyàn.

Um provérbio yorùbá diz: “De Wole Nira Oya, Ni Kòso Do Wole Sàngó” (“Oya adentrou à terra em Irá e Sàngó adentrou à terra em Kòso).

Isto posto, Dàda Bàayànì Àjàkú retomou o reinado de Òyó, governando a cidade até sua morte. Posteriormente, Aganjú seu filho, torno-se o novo Aláàfìn.

Que Òsùmàrè Arákà esteja sempre olhando e abençoando todos!!!

Ilé Òsùmàrè Aràká Asè Ògòdó

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  •  yewa

Com muita satisfação e orgulho, hoje vamos falar um pouco sobre um Òrìsà que possui uma ligação muito forte com a nossa casa, a importante Divindade de Egbado, o Òrìsà Yewa. Sobre isso, recordamos que uma das mais aclamadas Ìyálòrìsàs do Terreiro de Òsùmàrè, Maria das Mercês – Mãe Cotinha, era filha desse Òrìsà.

Uma antiga história Nàgó, explica a razão de Yewa possuir o dom da vidência. Essa história, explica igualmente, a personalidade do Òrìsà de Mãe Cotinha (Yewa Abiyamo), que durante sua gestão no Terreiro de Òsùmàrè, tomava à frente de grande parte das decisões da casa, não se amedrontando com as dificuldades que surgiam.

A vidência e coragem de Yewa de Mãe Cotinha são até os dias de hoje, versadas em meio às comunidades do Candomblé da Bahia. Certa vez, Yewa com sua acurada vidência, ao predestinar que o Terreiro de Òsùmárè seria invadido por policiais, orientou aos filhos da casa que preparassem um banquete com muito vinho e água ardente. Feito isso, alguns policiais chegaram à Casa de Òsùmàrè, com o objetivo de finalizar a cerimônia, conforme repressão existente à época. No entanto, eles foram convidados pela própria Yewa a comer e beber. Esses policiais comeram e beberam tanto que, ao final do banquete, eles não tinham sequer condições de montar em seus cavalos e, por fim, acabaram dormindo na Casa de Òsùmàrè. Ao acordar, eles estavam totalmente envergonhados e nunca mais voltaram a ousar acabar com alguma cerimônia na Casa de Òsùmàrè.

Isso não poderia ser diferente e as histórias relacionadas aos Deuses Africanos, nos ilustram o poder dessa grande Divindade.

Yewa vivia às margens do rio que, futuramente receberia o seu nome, na cidade de Egbado. Todos os dias, Yewa caminhava rumo ao rio, com uma gigantesca cabaça, na qual ela carregava roupas para serem lavadas. Em uma dessas idas, quando Yewa estava cuidando das roupas, ele viu que havia um homem correndo em sua direção. Por ser muito destemida, mesmo sem saber de quem se tratava, Yewa permaneceu no mesmo lugar, não se amedrontando com o homem que corria em sua direção.

Quando o homem chegou, esbaforido com a corrida, Yewa viu que era Orunmila Elerin Ipin Ibikeji Olodunmare, ou seja, o Deus da Divinação, o Testemunha da Criação, o Segundo de Olodunmare. Orunmila disse à Yewa que estava correndo, pois Iku (a Morte) estava à sua caçada e temia por sua vida.

Yewa prontamente retirou todas as roupas que estavam na gigantesca cabaça, emborcando-a sobre Ifá e dizendo ao mesmo que, ele deveria ficar imóvel e sem falar nada, até que Iku fosse embora.

Yewa sentou-se na cabaça e fingiu lavar as roupas, esperando que a morte chegasse. Yewa sabia que não corria risco, sendo que Iku não procurava por ela, mas sim por Orunmilá. Passado alguns minutos, Iku chegou ao local onde estava Yewa, indagando-lhe se havia visto um certo homem, informando as características de Orunmilá. Yewa prontamente disse que sim, que esse homem havia passado correndo, seguindo o curso do rio abaixo. Iku seguiu às margens do rio, no entanto, sem jamais conseguir encontrar Orunmilá.

Passado o susto, Yewa levantou-se e Orunmilá surgiu agradecendo a imprescindível ajuda de Yewa. Como forma de reconhecimento por ela ter salvado sua vida, Orunmilá fez uma magia, conferindo à Yewa, o poder da vidência, como ele mesmo Orunmilá o tem. Orunmilá leu ainda, a mente de Yewa, que almejava por um filho. O Deus da Adivinhação disse à Yewa que ela seria mãe em breve e, por fim, a levou para casa, tornando Yewa sua esposa.

Que Òsùmàrè Aràká continue sempre olhando e abençoando todos.

Terreiro de Òsùmàrè

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Que outro vegetal pode ser mais importante para nosso contexto religioso que o dendezeiro?
Creio que podem existir outros tão importantes quanto ele, mas nenhum mais importante do que ele.
Das suas folhas fazem-se as franjas do mariwo, cortinas sagradas que têm por finalidade resguardar e separar o sagrado do profano.
De seus frutos extrai-se o óleo de palma, conhecido no Brasil como “azeite de dendê”, no Caribe como “manteca de corojo”, entre os Yorubas como “epo pupa” e entre todos os iniciados como “sangue vegetal”.
Retirada a polpa de seus frutos, de onde se obtém o azeite, resta uma semente, pequeno caroço no interior do qual se encontra um coquinho do qual se extrai um óleo finíssimo denominado “óleo de palmiche”, conhecido em yorubá pelo nome de “ADIN”.
Este óleo seria a maior interdição de Exu e sua grande “EWÓ ou KISILA”.
Não bastassem os diferentes produtos que nos é fornecido por esta árvore, devemos nos reportar aos seus significados mais profundos.
O dendezeiro é a árvore sagrada de Ifá e é de seus frutos que se obtêm os negros caroços que, depois de ritualisticamente consagrados, irão representar ORUNMILÁ em seus assentamentos, além de servirem para as consultas ao oráculo de Ifá onde o próprio Orunmilá é contatado por seus sacerdotes, osBABALAWÔS. Aos caroços assim consagrados dá-se o nome de “IKIN”.
Somente os “coquinhos” que possuam quatro “olhos” ou mais servem para esta finalidade, sendo que aqueles que possuem apenas três olhos não devem ser usados para este fim.
Sabemos da existência de escolas que utilizam indiscriminadamente os caroços, independente da quantidade de olhos que possuam, mas não é meu objetivo questionar a validade deste fato na presente mensagem.
O que importa é deixar claro que, classificado cientificamente como “Elaeis Guineensis”, pertencente a família das “palmáceas”, este vegetal possui ainda duas variações que são a “communis” e a “idolátrica”.
A primeira, “comum”, é a mais utilizada na cultura deste vegetal, por produzir, em maior quantidade, frutos maiores e que atendem melhor ao objetivo da produção de mais óleo.
A variedade “idolátrica” produz frutos menores e, por este motivo não é cultivada como sua irmã “comum”, mas é ela que produz as sementes de quatro ou mais olhos o que não ocorre em relação à espécie comum, que pode, ocasional e muito raramente oferecer-nos um caroço de quatro olhos entre milhares de três, e isto é uma exceção dificílima de ocorrer.
Esta diferença sempre foi conhecida pelos africanos que dão, ás duas espécies, nomes diferentes.
Segundo Verger, a variedade “communis” é conhecida pelos YORUBÁ pelos seguintes nomes:
OPÈ PÁNKÓRÓ; ÌPÁNKÓRÓ; OPÈ ARÙNFÓ; OPÈ ÉRÚWA; OPÈ ALÁRÙN; OPÈ ELÉRAN; OPÈ ÒRÙWÁ, ETC.
A VARIEDADE “IDOLÁTRICA” É CONHECIDA COMO: OPÈ, OPÈ IFÁ, OPÈ OLÍFÀ, OPÈ KIN; OPÈ IKIN; OPÈ YÁAÀYÀLA; OPÈ PEKU PE YE; OPÈ KANNAKÁNNÁ E OPÈ TÉMÉRÉ ERÉKÈ ADÓ.
A questão é a que se segue: será que existem, no Brasil, pés da variedade idolátrica?
Será que se conseguem mudas da mesma?
Qualquer informação será de grande utilidade para todos pois é nossa obrigação conservarmos a palmeira sagrada do dendezeiro.
Texto/pesquisa:Baba Ifaleke/ Suami D’Oxun

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Omolokô

Para homenagear o dia 13 de maio,  data oficial da libertação dos Negros no Brasil, um post  sobre o Candomblé Omolokô que hoje em dia interage com outras religiões sem a essência de seus ancestrais, mas que ainda resiste em algumas regiões.

O termo Omolokô, vem da junção das palavras “omo e loko ” filhos Lokô”. Lokô, que era governado pelo rei Farma, no sertão de Serra Leoa. Ele teria sido o rei mais poderoso entre todos os Manes. Sua cidade chamava-se Lokoja e se localizava à margem do Rio Mitombo, afluente do rio Benue, que por sua vez, é afluente do grande rio Níger.

Lokoja ficava próxima do reino Yorubá. O povo Loko também era conhecido pelos nomes de Lagos, Lândogo e Sosso. O nome Loko foi primeiramente registrado em 1606. Também há registro desse povo com o nome de Loguro. Os Lokos viveram até 1917 a oriente dos Temnis de Scarcies. De acordo com pesquisas realizadas, a tribo Loko estava divida em outras menores ao longo dos rios Mitombo, Bênue e Níger e no litoral de Serra Leoa. Em 1664, o filho do rei Farma foi batizado com o nome de D. Felipe. Evidentemente torna-se claro que o principio da sincretização afro-católica já acontecia na África antes da vinda dos africanos ao Brasil. Acredita-se que a tribo Loko pertencia a um grupo maior chamado Mane e que alguns de seus integrantes vieram escravizados para o Brasil e formaram o Omolokô.

Os povos Mane tinham por costume usar flechas envenenadas e arcos curtos, espadas curtas e largas, azagaias, dardos e facas que traziam amarrados embaixo do braço. Para combater o veneno de suas flechas, em caso de acidente, usavam uma bolsinha com um antídoto. Avisavam os seu inimigos o dia em que iriam atacá-los através de palhas – tantas palhas, tantos dias para o ataque. Traziam no braço e nas pernas manilhos de ouro e prata. Também eram ligados aos brancos que invadiram a África Negra. Adoravam assentamentos de deuses e ídolos de madeira, os quais representavam homem e animais.

Quando não venciam as guerras, açoitavam os ídolos. Se as batalhas eram vencidas, ofereciam aos deuses comidas e bebidas. Chamavam as mulheres de cabondos e tinham como marca a ausência de dois dentes da frente.


O vocábulo deriva de uma composição baseada em duas outras, oriundas da língua Yorubá com três versões distintas, segundo sua interpretação.

No primeiro ramo de análise, que é a versão de Léa Maria Fonseca da Costa,1 mãe-de-santo de Omolokô significa:

Omo: filho e Loko, que aludiria à árvore Iroko e resultaria em Filhos da Gameleira Branca.

De acordo com a versão de Tancredo da Silva Pinto,2 Tatá Ti Inkice, pai de santo de Angola, no livro Culto Omolokô – Os Filhos de Terreiro, de Ornato José da Silva:

Omo: filho e Oko: fazenda ou zona rural, na qual esse culto, por conta da repressão policial então existente, seria realizado desde a remota época da escravidão.

Por fim, pode-se ainda relacionar o significado da palavra Omolokô também ao Orixá Okô, da agricultura, que era cultuado nas noites de lua nova pelas agricultoras de inhame.

Ainda hoje existem as denominações de terreiro e roça para os locais em que os cultos afro-brasileiros são realizados. Nesse culto os Orixás possuem nomes yorubá (nagô) e seus assentamentos são similares aos do Candomblé.

Há práticas rituais e de culto aos orixásCaboclosPretosvelhos cultivados também na Umbanda.

O Omolokô é apontado por estudiosos e praticantes como um dos principais influenciadores da formação da Umbanda africanizada ao lado do Candomblé de Caboclo, do Cabula e do próprio Candomblé. Teria surgido, segundo Tancredo da Silva Pinto entre o povo africano Lunda-Quiôco.

Possui ritualística própria e seu representante mais expressivo é o Tatá Tancredo da Silva Pinto, já falecido, estafeta dos correios, morador do Morro de São Carlos, que foi um grande estudioso, colunista e escritor. Porém, há relatos da existência de uma escrava, Maria Batayo é a filha de escravos, Léa Maria Fonseca da Costa, que preservaram o Omolokô dissociado da Umbanda conforme é abordado na obra de Ornato José da Silva.

A diáspora dos Orixás cultuados no Omolokô é a mesma utilizada pelo Candomblé e sua organização dogmática o faz diferir também por isso da Umbanda que os cultua em número menor e de forma majoritariamente sincrética.

O Omolokô instaurou-se no Rio de Janeiro, segundo estudiosos, no século XIX, a partir do conhecimento trazido por negros vindos da África e seus descendentes. A herança do período colonial que sofreu influência de diversas vertentes religiosas da África, predominantemente o culto aos Orixás e aos inkices, tornou peculiar a sua forma de culto, mantendo a cosmologia de cada origem, acrescida de rituais religiosos contemporâneos.

No Rio de Janeiro, a partir da miscigenação e influência do Espiritismo francês, instaurou-se um novo movimento denominado Omolokô, disseminado prioritariamente por Tancredo da Silva Pinto. Mantém-se como um exemplo deste seguimento a casa-de-santo Okobalaye, fundada na cidade de São Gonçalo, e o Centro Espírita São Benedito, sediado à rua Vereador Maurício de Souza, 97, Engenhoca, Niterói, RJ, chefiada por Pai Matuazambi, de origem nagô.

*Os escravos de Lokô eram também chamados de Locosís chegaram ao Rio de Janeiro, era costume realizarem seus cultos e oferendas debaixo de uma enorme árvore de boa sombra e davam frutos meio arredondados e vermelhos, porém, não eram comestíveis, oriunda de sua cidade natal. Sofreram influência de diversas vertentes religiosas vindas da África, predominantemente o culto aos Orixás, Inkísses e Voduns, tornou peculiar a sua forma de culto, mantendo a cosmologia de cada origem, acrescida de rituais religiosos heterogêneos. A deformação das tradições trazidas pelos Negros, originou uma ceita ou religião camuflada por várias vertentes religiosas, estando os Nagôs e os Congo-Angola,como raízes principais, fora isso, as influências de ameríndios, da difusão de espíritos de entidades familiares/eguns, da igreja católica com o nascimento do sincretismo e uma nova linguagem de terreiro com clara influência de termos da língua Bantu que se integrou definitivamente a língua portuguesa,  uma associação religiosa. Vários Tátas/Babás renomearam a palavra Omolokô, destituindo-a de seu verdadeiro significado, criando assim ceitas particulares, uma miscelânea sem fim, que ainda podemos observar até hoje em algumas casas de Umbanda. Hoje em dia existem casas que se dizem Omolokô mais que não praticam determinados rituais que caracterizam a Raiz Omolokô, como por exemplo: a falta de camarinhas ou ronkó adequadamente preparados, o ritual de iniciação não contempla a galinha D’angola e um bicho de quatro pés e tão menos o básico do dialeto de algumas cantigas tipicamente da nação Omolokô em África, a queima de efun, ebori, etc. É fácil  observar que muitos abrem suas Casas dizendo-se “Omolokô”, sem raiz alguma  e assim são denominadas por muitos de “umbandomblé” , não se firmam pois não tem essência e se esvaem com o tempo.

 Referências/Fontes

        . Léa Maria Fonseca da Costa
        . Tancredo da Silva Pinto
        . Alberto da Costa  (1994); O Brasil, a África e o Atlântico no século XIX;
        . SILVA, Ornato José da. Culto Omolokô, os filhos de terreiro. Rio de Janeiro: Ed. Rabaço.
  • Ikipédia
  • Luan de N’Zanbi
  • Fernando D’Osogiyan

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EGBE OSUMAREEGBE OSUMARE

Ao som milenar dos atabaques, foi anunciado na última quarta-feira, dia 15, o reconhecimento da Casa de Oxumarê como Patrimônio Histórico e Cultural do Brasil. O governador Jaques Wagner e as ministras Luiza Bairros e Marta Suplicy entregaram a placa de tombamento do terreiro. Durante a cerimônia, o governador falou de todas as lutas realizadas pelo povo de candomblé para manter a sua religiosidade viva. “É uma honra participar de um momento em que se corrigem séculos de injustiça, um momento especial de vitória”, disse. O Babalorixá do terreiro, Silvanilton Encarnação da Mata, o Baba Pecê, afirma que o tombamento é um reconhecimento nacional de um esforço cotidiano do terreiro e dos seus frequentadores para quebrar preconceitos e disseminar o respeito entre as religiões. Ressaltou, no entanto, que é mais uma etapa vencida de uma luta que está longe de terminar. “Batalhamos dez anos para que tivéssemos esse reconhecimento. Somos, assim como muitos outros terreiros, um espaço que tem o objetivo de acolher a todos, de ajudar, de incentivar e dar acalento. Nosso cotidiano, nosso dia-a-dia é a continuação da resistência do povo negro, do povo que teve papel fundamental na civilização de nosso país. Dentro dessa casa, todos os dias discutimos como combater o racismo, como preservar a cultura afro-brasileira. E fazemos isso por amor ao próximo. A nossa luta, na verdade, está recomeçando”. O sacerdote destacou ainda que é preciso que o Iphan a reconheça como patrimônio nacional outros espaços religiosos, que ao longo dos anos exercem atividades e ações que colaboram com a promoção da igualdade racial, da união e da fraternidade.

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Não sem espanto a mãe de santo Stella de Oxóssi recebeu a notícia de sua eleição, na quinta-feira 25, para a cadeira 33 da Academia de Letras da Bahia, lugar ocupado no passado pelo poeta Castro Alves. Ao contrário do hábito dos candidatos nesta e em outras praças, Stella não tinha feito campanha. “Levei um choque, pois é uma coisa que não é comum”, diz a ialorixá do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, primeira mãe de santo acadêmica do País. “Depois vi que foi a comunidade que proporcionou isso e achei uma recompensa.” A posse será em setembro e ela confessa não saber exatamente qual seu papel na Academia.

O título não é meramente honorífico. Mãe Stella publicou seis livros, bem mais do que alguns imortais da Academia Brasileira. Nascida Maria Stella Azevedo dos Santos, formou-se em Enfermagem pela Escola Bahiana de Medicina. Foi enfermeira durante 30 anos até ser escolhida, em 1976, mãe de santo do Ilê Axé Opô Afonjá, uma das casas de candomblé mais importantes e tradicionais do estado, fundada em 1910. O último de seus livros é uma antologia dos artigos publicados quinzenalmente no jornal A Tarde. Escreve à mão e suas “filhas” digitam o texto. “Sou analfabeta em computador.”

Na quinta-feira 2, a ialorixá completou 88 anos. Ela desce as escadas do sobrado onde vive com certo esforço, mas sem o apoio de ninguém. Por causa da dificuldade de locomoção, passa a maior parte do tempo no andar de cima da casa. Só desce para acompanhar a cerimônia de culto a Xangô, orixá da Justiça, às quartas-feiras, ou para receber visitas. Seu cérebro continua, porém, afiado. “Envelhecer é uma briga constante entre o que a mente pode e o corpo não deixa.”

A ialorixá tem o costume de assistir ao noticiário na televisão, ler jornal e revistas. “Gosto de saber das coisas. Se a gente não se informa, vira inocente útil.” Em suas colunas de jornal, conta histórias antigas, fala de espiritualidade, do candomblé e da atualidade. Em um dos textos mais recentes, criticou os sacerdotes que confundem religiosidade com fanatismo e aqueles que utilizam a religião como meio de enriquecimento, inclusive no próprio candomblé. “Alguns acham que o barato da religião é ficar rico baseado na crença alheia”, provoca. “Mas religião não é meio de vida.”

Bem informada, ela acompanha as polêmicas entre líderes evangélicos e homossexuais. O candomblé não é contra os gays e nele não existe a palavra pecado, explica. “Se Deus consentiu que existisse, quem pode ser contra a homossexualidade? Se é um assunto que não prejudica o outro, temos a obrigação de ser felizes.” Ela desmente, com bom humor, a crença frequente entre gays de que o orixá Logun-Edé seria homossexual, por aparecer na tradição como meio homem, meio mulher. “Logun-Edé foi morar com a avó Iemanjá e, como era o único homem no pedaço, passou a se vestir como as mulheres de lá. É mito que seja gay. Mas é um bom mito.”

Na Bahia, os seguidores do candomblé sofrem com o preconceito disseminado por pastores evangélicos, mas esse não é assunto do seu interesse. “Não tenho tempo para perder falando desse tipo de gente, para fazer guerra santa”, diz. “Porém, até Jesus, se fosse deste tempo, iria procurar a defesa dele, não ia sofrer calado.” Se a líder espiritual não fala, outros integrantes do terreiro estão atentos e participam das articulações políticas contra a intolerância religiosa. Mãe Stella lembra de quando Mãe Aninha, a fundadora do Opô Afonjá, foi ao Rio de Janeiro, em 1934, se queixar a Getúlio Vargas da proibição ao candomblé, e conseguiu. O Decreto 1.202 instituiu a liberdade de culto no País.

Tombado como Patrimônio Histórico em 1999, o Ilê Axê Opô Afonjá foi fundado por Mãe Aninha em uma enorme fazenda, que ocupava quase todo o atual bairro. Chamava-se Roça de São Gonçalo. Mãe Aninha, com medo de o terreno ser confiscado pela polícia, prática comum na época, foi ao cartório registrar a propriedade. Quando o funcionário perguntou “Em nome de quem?”, a mãe de santo respondeu: “Xangô”. Como não era possível, Mãe Aninha criou a Sociedade Cruz Santa do Ilê Axé Opô Afonjá, com ata, presidente e tudo o mais, em nome da qual as terras acabaram registradas.

“Ela era uma mulher de visão. Costumava dizer que queria ver todos os filhos a serviço de Xangô com anel no dedo, ou seja, formados”, conta Mãe Stella. Em honra à matriarca, a escola Eugênia Anna dos Santos funciona desde 1986 no terreiro. Atualmente, 350 crianças cursam o ensino fundamental. Além das aulas de matemática, português e demais disciplinas, elas aprendem história e cultura afro-brasileira, com noções da língua iorubá. Com o tempo, o terreno de Mãe Aninha foi invadido e se transformou em bairro. Na parte interna do terreiro, murado para evitar novas invasões, vivem atualmente cerca de cem famílias.

Mãe Stella é a quinta sucessora de Aninha. Depois da fundadora vieram Mãe Bada, Mãe Senhora e Mãe Ondina – a tradição do Opô Afonjá é de vitaliciedade e matriarcado. Stella, cuja mãe morreu quando tinha 7 anos, foi criada por um casal de tios, uma família de bens, “abastada”, como descreve. Seu tio era tabelião e a menina negra estudou em boas escolas da capital baiana. Aos 13 anos, foi iniciada no candomblé a partir da sugestão de uma conhecida. Nas biografias postadas na internet, diz-se que Stella apresentava então um “comportamento não esperado”. Pergunto o que era exatamente. Mediunidade?

“Que nada, era traquinagem. Eu, ao contrário das meninas da minha época, gostava de jogar bola na rua, subir no bonde. Além disso, falava sozinha, tinha meus amiguinhos que ninguém via. Aí alguém comentou: ‘Ela tem de fazer orixá’.” A menina foi levada, primeiro, ao terreiro do Gantois, onde esperou muito tempo e não foi atendida. A tia, brava, acabou por levá-la para “fazer orixá” no Opô Afonjá, com Mãe Senhora. “Mãe Menininha costumava dizer: ‘Você só não fez santo aqui por causa de um recado mal dado’.”

Tanto o Gantois quanto o Opô Afonjá sempre foram frequentados por artistas e políticos. O escritor Jorge Amado, o antropólogo Pierre Verger e o artista plástico Carybé costumavam ir até lá para a cerimônia ou simplesmente para bater papo com Mãe Stella. De Carybé ela recorda o jeito brincalhão. “Era um molequinho.” Ao lado de Verger, a mãe de santo conheceu o Benin, mas se encantou mesmo foi com a Nigéria, terra de seus ancestrais.

“A Nigéria é Salvador, o clima, os costumes, as árvores. Uma vez dormiram uns nigerianos aqui em casa, depois de viajar muitas horas e um deles, ao acordar, olhou pela janela e disse: ‘Andei tanto para saltar no mesmo lugar’”, gargalha. Sobre os políticos, fala que recebeu todos, de Antonio Carlos Magalhães a Jaques Wagner, mas prefere não dizer o nome de seu predileto, para não provocar ciúmes. Filha de Oxóssi, orixá caçador, Mãe Stella diz ter incorporado deste o hábito de não falar muito. “Caçador fica atento, não fala. Quem fala muito se perde. Os antigos diziam que quem fala muito dá bom dia a cavalo.” Ela adora provérbios, tema de um de seus livros. “Sou uma menina tímida.”

Sobre a morte, Mãe Stella conta que, no candomblé, o espírito vira ancestral. “Não vou dizer que não me importo de morrer. Me importo, sim. Não gosto de morrer porque gosto de viver.” E a sabedoria conquistada com o tempo, Mãe Stella, é verdade? “É uma obrigação. Se Deus deu esse privilégio de viver tantos anos, como não aproveitar? Agora, a gente está sempre aprendendo, ninguém é completamente sabido”, ensina. “Aprendo muito com os jovens e com as crianças. Eles têm cada saque tão interessante.”

(Texto publicado originalmente na revista CartaCapital)

Publicado em 16 de maio de 2013

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Creio que este blog deve reconhecimento a uma pessoa que trabalhou e ainda trabalha dentro de nossa cultura/religião, com honestidade, carinho e amor ao òrìsà.

Mesmo afastado fisicamente, não nos abandona e nos ajuda com textos e respostas inseridos neste blog.

Nada mais justos, reconhecer o trabalho de BÀBÁ FERNANDO, SACERDOTE INICIADO DE ORISA’NLÁ A TRINTA ANOS ATRÁZ, que ainda encontra tempo para ajudar muitas pessoas neste país.

Um grande herdeiro de seu Àse e referência para quem conhece seu trabalho.

Ser o primeiro nem sempre nos coloca em posição de absoluto destaque ou hierarquia.

Òfún, perde na hierarquia ao chegar no Ayè, quando todos os Odù vieram para este mundo.

Seu poder e o temor por sua presença jamais foram descartados, sua sabedoria e sua presença sempre foram objeto de apreciação e respeito. Por conter a altura e largura de todos os Odù, ele, podemos dizer, é formado por todos.

Sua presença impõem tanto respeito que ao ser revelado em uma caída, reverenciamos sua presença com um estrondoso: Epá Odù!!

Mudamos a configuração dos búzios ou Òpèlè Ifá na mesma hora, pois uma minúscula partícula de poeira pode macular sua presença, devido seu mais alto grau de pureza.

Quando o mais velho chega, todos nós o reverenciamos, assim é e assim sempre será (Odù Iká’fun).

Um sábio não se impõem, ele é reconhecido.

Òfún méjì diz:

Quando uma perna vai adiante a outra, obrigatoriamente, a segue.

Se o pai comanda, o filho segue atrás dele.

Se, entretanto, a filho anda à frente, então, ele será honrado como maior do que era seu pai.”

Òfún, outrora, era o primeiro de todos os Odù mas ele chegou tarde a Ifé-Ondaiye:

Outros vieram antes dele, porque em seu caminho ele tinha bebido uma grande quantidade de vinho de palma,

Até se saciar, com avidez e com muita sede.

Finalmente, chegando na Terra, Òfún encontrou Éjì Ogbè tendo tomado seu lugar.

Éjì Ogbè, então, se tornou o primeiro dentre os Odù

Òfún estava louco e completamente desapontado.

Os outros diziam:

Você era o nosso líder, sempre na frente, e nós pensamos que quando chegássemos aqui, encontraríamos você, como sempre, vindo antes.

Então, nós simplesmente, tomamos os nossos lugares no grau que julgamos nosso.”

Foi quando as pessoas de Ifé confirmaram, após terem ouvido isto, com seriedade:

Quando uma perna vai adiante a outra, obrigatoriamente, a segue.

Se o pai comanda, o filho segue atrás dele.

Se, entretanto, a filho anda à frente.

Então, ele será honrado como sendo maior do que era seu pai.”

O Odù Òkánrán Sợdẹ (Òkánrán-Ogbè) diz:

Eu comprei um Idẹ (pulseira sagrada).

Justamente o Idẹ que uso pendurado.

O Idẹ que amarrei a minha cintura.

Um rato penetrou no meu quarto e o levou.

Òrúnmìlá disse que a decisão seria adiada até sua volta.

Ele repetiu que resolveria quando voltar.

Quando regressar perguntarei.

O que posso fazer com o rato?

Òrúnmìlá disse que o rato deveria ser usado para propiciar Ifá.

Então Ifá mandou cortar a cabeça do rato para consumo.

Eu comprei um Idẹ

Justamente o Idẹ que uso pendurado.

O Idẹ que amarrei a minha cintura.

Um peixe penetrou no meu quarto e o levou.

Òrúnmìlá disse que a decisão seria adiada até sua volta.

Ele repetiu que resolveria quando voltar.

Quando regressar perguntarei.

O que posso fazer com o peixe?

Òrúnmìlá disse que o rato deveria ser usado para propiciar Ifá.

Então Ifá mandou cortar a cabeça do peixe para consumo.

Eu comprei um Idẹ

Justamente o Idẹ que uso pendurado.

O Idẹ que amarrei a minha cintura.

Um pássaroveio ao meu quartoem silêncio.

E o levou.

Òrúnmìlá disse que a decisão seria adiada até sua volta.

Ele repetiu que resolveria quando voltar.

Quando regressar perguntarei.

O que posso fazer com o passáro?

Òrúnmìlá disse que o passáro deveria ser usado para propiciar Ifá.

Então Ifá mandou cortar a cabeça do passáro para consumo.

Eu comprei um Idẹ

Justamente o Idẹ que uso pendurado.

O Idẹ que amarrei a minha cintura.

Um animalveio ao meu quartoem silêncio.

E o levou.

Òrúnmìlá disse que a decisão seria adiada até sua volta.

Ele repetiu que resolveria quando voltar.

Quando regressar perguntarei.

O que posso fazer com o animal?

Òrúnmìlá disse que o animal deveria ser usado para propiciar Ifá.

Então Ifá mandou cortar a cabeça do animal para consumo.

Eu comprei um Idẹ

Justamente o Idẹ que uso pendurado.

O Idẹ que amarrei a minha cintura.

O filho de alguém silenciosamente entrou em meu quarto e o levou.

Òrúnmìlá disse que a decisão seria adiada até sua volta.

Ele repetiu que resolveria quando voltar.

Quando regressar perguntarei.

O que posso fazer com esta criança?

Òrúnmìlá respondeu que esta criança tinha o direito de tirar este Idẹ de alguém.

Talvez teu filho te tome o Idẹ um dia. (Quando morremos)

Talvez nossa descendência tome nosso Idẹ.

Quando meu pai morrer

Eu herdarei seu Idẹ.

Talvez nossos filhos herdem nosso Idẹ.

Isto mostra que este é o desejo de todos que cultuam Ifá/Òrìsà e que tenham filhos que possam herdar o seu Idẹ depois de morrerem.

* Idẹ = Ilèkè de Ifá (fio de contas sagrado).

Te desejo vida longa e muita saúde para aproveitar esta longevidade.

Obàtálá epá.

Epá òrìsà.

Modùpé Bàbá.

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