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Archive for Agosto, 2008

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“O som é a primeira relação com o mundo, desde o ventre materno. Abre canais de comunicação que facilitam o tratamento. Além de atingir os movimentos mais primitivos, a música actua como elemento ordenador, que organiza a pessoa internamente”

O som é o condutor do Axé do Orixá, é o som do couro e da madeira vibrando que trazem os Orixás, são sinfonias africanas sem partitura.

Os Atabaques, são os principais instrumentos da música do Candomblé, cuja execução é da responsabilidade dos Ogãs.

São de origem africana, usados em quase todos rituais, típicos do Candomblé. De uso tradicional na música ritual e religiosa, são utilizados para convocar os Orixás.

O Atabaque maior tem o nome de Rum, o segundo tem o nome de Rumpi e o menor tem o nome de Le.

Os atabaques no candomblé são objectos sagrados e renovam anualmente esse Axé. São usados unicamente nas dependências do terreiro, não saem para a rua como os que são usados nos Afoxés, estes são preparados exclusivamente para esse fim.

As membranas dos atabaques são feitas com os couros dos animais que são oferecidos aos Orixás: independente da cerimónia que é feita para consagração dos mesmos quando são comprados (o couro que veio da loja geralmente é descartado), só depois de passar pelos rituais é que poderão ser usados no terreiro.

Os atabaques do candomblé só podem ser tocados pelo Alagbê (nação Ketu), Xicarangoma (nações Angola e Congo) e Runtó (nação Jeje) que é o responsável pelo Rum (o atabaque maior), e pelos Ogãs nos atabaques menores sob o seu comando.

É o Alagbê que começa o toque, e é através do seu desempenho no Rum que o Orixá vai executar a sua coreografia de dança, sempre acompanhando o floreio do Rum.

O Rum é que comanda o Rumpi e o Le.

O Agogô, tocado para marcar o Candomblé, também de tradição Alaketo, chama-se Gan. As Varetas usadas para tocar o Candomblé nos Atabaques, chamam-se Aguidavis. Também se utiliza ainda o Xequerê.

Nomes dos Toques dos Orixás na Nação Ketu:

ADABI – Bater para nascer é seu significado. Ritmo sincopado dedicado a Exú.

ADARRUM – Ritmo invocatório de todos os Orixás. Rápido, forte e contínuo marcado junto com o Agôgô. Pode ser acompanhado de canto especialmente para Ogum.

AGUERE – Em Yorubá significa “lentidão”. Ritmo cadenciado para Oxóssi com andamento mais rápido para Iansã. Quando executado para Iansã é chamado de “quebra-pratos”

ALUJÁ – Significa orifício ou perfuração. Toque rápido com características guerreiras. É dedicado a Xangô.

BRAVUM – Dedicado a Oxumaré .Ritmo marcado por golpes fortes do Run.

HUNTÓ ou RUNTÓ – Ritmo de origem Fon executado para Oxumaré. Pode ser executado com cânticos para Obaluaiê e Xangô

IGBIN – Significa Caracol. Execução lenta com batidas fortes. Descreve a viagem de um Ancião. É dedicada a Oxalufã.

IJESA – Ritmo cadenciado tocado só com as mãos. É dedicado a Oxum quando sua execução é só instrumental.

ILU – Termo da língua Yorubá que também significa atabaque ou tambor

BATA – Batá significa tambor para culto de Egun e Sangô . Ritmo cadenciado especialmente para Xangô. Pode ser tocado para outros Orixás. Tocado com as mãos.

KORIN- EWE – Originário de Irawo, cidade onde é cultuado Ossain na Nigéria. O seu significado é “Canção das Folhas”.

OGUELE – Ritmo atribuído a Obá. Executado com cânticos para Ewá.

OPANIJE – Dedicado a Obaluaiê, Onile e Xapanã. Andamento lento marcado por batidas fortes do Run. Significa “o que mata e come”

SATÓ – A sua execução lembra o ritmo Bata com um andamento mais rápido e marcado pelas batidas do Run. Dedicado a Oxumaré ou Nanã. Significa a manifestação de algo sagrado.

TONIBOBÉ – Pedir e adorar com justiça é o seu significado. Tocado para Xangô

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Olokún

 

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Entre os Lukumi, Olokún é o Orixá dos oceanos, donde toda vida se originou, e o zelador das suas riquezas e mistérios. Como o oceano, que oculta incontáveis mistérios, esta divindade é considerada um dos mais desconcertantes Orixás do panteão Lukumi. Uma lenda do odu Irossun – o principal odu do dilogun em que Olokún se manifesta – enuncia que “ninguém sabe o que descansa no fundo do mar”. Por extensão, nenhum ser humano poderá alguma vez compreender verdadeiramente a magnitude e a força vigorosa desta misteriosa divindade.

Não há consenso quanto ao sexo de Olokún. Em algumas áreas da África Ocidental, Olokún é considerado masculino, ao passo que em outras é feminino. Para muitos, Olokún é descrito como um rei num palácio subaquático e com muitas esposas. Várias qualidades de Iemanjá e de Oxum são consideradas mulheres de Olokún.

Hoje em dia, tanto os Babalawós, quanto os Babalorixás e Yalorixás letrados, expostos à recente e massiva disponibilidade de literatura de antropólogos e outros estudiosos da cultura Ioruba, insistem em que Olokún é masculino. Alguns Babalorixás e Yalorixás insistem em que Olokún é assexuado, hermafrodita ou andrógino. Não obstante, as linhagens cubanas onde as principais tradições a respeito de Olokún se originaram, sustentam obstinadamente que este Orixá é feminino. Esta controvérsia também se reflecte nos cantos para Olokún e nos rituais associados com sua consagração.

A despeito da caridade geral e da boa natureza de Olokún, este Orixá é uma força a ser temida quando contrariada. Um grande número de lendas refere a ira de Olokún.

Num destes mitos, narrado no odu Ejiogbé Odi, descreve-se a insatisfação deste Orixá com a maneira em que Olorum distribuiu os domínios entre os Orixás. O argumento era que, desde que foi consignado a Olokún governar sobre os oceanos, e estes formam a maior parte do planeta, Olokún era mais poderoso que Olorum e assim era o Ser Supremo. Para demonstrá-lo, os oceanos começaram a criar ondas irrefreáveis e gigantescas que tratavam de afogar a Terra e seus habitantes.

 

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Alimentos de origem animal Ketu Ijexá Jeje
Orixá Orixá Vodum
Bichos de dois pés Galinha Oxum, Euá
Galinha branca Obá
Galinha, pedaços (carcaça e pescoço) Todos os filhos de “santo homem”
Galinha d’angola Obaluaiê, Nanã Obaluaiê, Nanã Sapatá (Obaluaiê)
Galinha d’angola (cabeça) Todos Todos
Galo Logunedé
Pato Ossaim
Perdiz Gu (Ogum)
Pombo Oxalá, Oxum
Ovos Oxum, Oxumaré Oxum Oxum, Bessém (Oxumaré)
Ovos, farofa de cabeça e pés de qualquer ave Nanã, Exu Exu Legba (Exu)
Bicho de quatro pés Bode, cabrito Oxóssi, Ogum Oxóssi, Logunedé Odé (Oxóssi)
Caça em geral Oxóssi, Odé, Ossaim, Ogum, Logunedé Oxóssi, Logunedé Odé (Oxóssi)
Carneiro Xangô, Iansã Xangô Sobô (Xangô)
Porco Obaluaiê Obaluaiê Sapatá (Obaluaiê)
Cabeça e pés de qualquer bicho Exu Exu Exu
Répteis Cágado Xangô Xangô Sobô (Xangô)
Lagarto (inclusive o corte de boi com esse nome) Oxóssi
“Tudo o que rasteja” Oxumaré Oxumaré Bessém (Oxumaré)
Bichos de água Arraia Todos Todos Todos
Bagre Oxalá Oxalá Lissa (Oxalá)
Camarão vermelho Iemanjá, Oxum
Caranguejo Todos Todos Todos
Cavalinha Oxum Oxum
Lula e assemelhados Todos Todos Todos
Peixe de pele Todos Todos Todos
Peixe vermelho Iemanjá
Nanã Nanã Nanã
Sardinha Oxalá, Obaluaiê Todos
Sangue, miúdos Fígado Iansã, Ossaim
Miúdos em geral Iansã, Nanã
Rabada Xangô
Sangue Todos Todos Todos
Tutano Nanã
Outros Mel Oxóssi, Logunedé
Alimentos de origem vegetal Ketu Ijexá Jeje
Orixá Orixá Vodum
Abóbora Iansã todos Todos
Abacaxi Obaluaiê Obaluaiê Sapatá (Obaluaiê)
Abobrinha Bessém (Oxumaré)
Amendoim Oxumaré
Banana-d’água Oxóssi Legba (Exu)
Banana-figo Iemanjá
Banana-maçã Oxóssi
Banana-prata Oxóssi, Obaluaiê
Batata-doce Oxumaré Bessém (Oxumaré)
Berinjela Nanã
Beterraba Nanã, Iansã Legba (Exu)
Cachaça Exu, Oxalá Exu, Oxalá Lissa (Oxalá)
Cajá-Manga Oxóssi, Ogum Todos Todos
Cana Exu, Ogum
Carambola Oxóssi
Coco Oxóssi, Ossaim Oxóssi
Dendê Oxalá Oxalá Lissa (Oxalá)
Feijão fradinho Oxum, Iansã, Oxumaré Oxum,Iansã Oxum
Feijão “mulata gorda” Oxóssi
Feijão preto Ogum
Folhas em geral (alface, salsa, etc.) Oxóssi, Ossaim Oxóssi,Ossaim Odé (Oxóssi), Agué (Ossaim)
Frutas ácidas ( limão, etc.) Exu Exu Legba (Exu)
Fruta-do-conde Bessém (Oxumaré)
Fumo de rolo Ossaim Ossaim
Grão de bico Bessém (Oxumaré)
Inhame Ogum, Iemanjá Ogum
Manga-espada Ogum Ogum, Logunedé
Melancia Obaluaiê
Milho vermelho Oxóssi, Ossaim Oxóssi Odé (Oxóssi)
Milho derivados (fubá, etc.) Oxóssi Oxóssi Odé (Oxóssi)
Milho, pipoca Obaluaiê, Oxumaré Obaluaiê, Nanã Bessém (Oxumaré)
Mostarda, folha de Obaluaiê
Oiti Oxóssi
Polvilho Oxum
Sapoti Exu
Taioba Obá
Tangerina Oxóssi Todos
Tapioca Oxum
Uva branca Iemanjá
Uva preta Nanã

Este quadro foi montado a partir de dados recolhidos em 13 terreiros jeje-nagô, mas não pretende dar conta da totalidade das proibições possíveis. Haja vista a relativa autonomia das casas de santo, é bem provável que outra pesquisa de campo, em novos terreiros, possa permitir acrescentar outras tantas quizilas alimentares de filhos de santo. Aqui foram apenas retiradas informações convergentes fornecidas por iniciados das diversas casas, como primeira etapa de ordenação das proibições alimentares. A equivalência dos nomes dos voduns jejes com os orixás nagôs foi estabelecida baseando-se em Araújo (1984, p.40).

(Culto aos Orixás, Voduns e Ancestrais nas Religiões Afro-brasileiras, 2004, p.190/193)

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No que diz respeito à relação entre tabus alimentares dos orixás e proibições impostas a seus filhos a partir dos mitos africanos, é compreensível que, devido à proibição de “comer do mesmo material de que a cabeça é feita”, não se deva usar alimento algum que constitui oferenda votiva do orixá dono da cabeça.

O que mais chama a atenção é a universal proibição do sangue. “O sangue”, escreve Lépine (1982, p. 33), “é um poderoso veículo do axé, que deverá restituir aos orixás a força que despendem neste mundo e à qual devemos a existência”. Na matança, sangra-se o animal até a última gota. É através do sangue que, na cerimónia de assentamento, se estabelece a ligação entre a cabeça do iniciado, partes do seu corpo, e a pedra na qual o orixá se faz presente. do mesmo modo que a água, fonte e origem da vida, é repetidamente vertida em todas as cerimónias propiciatórias e iniciáticas, por representar a fluida substancia de toda criação, o derramamento do sangue dos animais de dois ou quatro pés expressa a própria essência do sacrifício, pois junto com o sangue corre a vida. A água é origem, o sangue, circulação. As trocas reparadoras de axé incluem forçosamente, portanto, a realização do sacrifício. Nessa perspectiva, fica obvia a necessidade de proibir-se a ingestão de sangue (sob qualquer forma que seja, e nisso podemos incluir os miúdos, a fressura, sangue “compactado”por assim dizer) aos filhos de tudo quanto é orixá. É substancia por demais poderosa para ser ingerida em situações profanas.

Filho de santo jamais pode comer o que o santo dele come? Ou pode? em que circunstâncias?

Entre muitas, as respostas de S.M.E. são bastante esclarecedoras: “Tudo o que o orixá come faz bem ao filho, tanto que quando ele oferece a comida tem que comer junto, para que ele não se ofenda. Mas às vezes, fora do ilê orixá, é tabu“. Ou seja, o filho deve e não deve comer. Nessa informação, fica claro que a interdição está ligada à situação, ou melhor dizendo, parece que o próprio da proibição é delimitar dois espaços, rigorosamente separados, que o momento do ritual permite juntar, e até mesmo, tornar permeáveis. É pela mediação do ritual, repetido inúmeras vezes no decorrer do tempo, que se abre o espaço sagrado. Na vida cotidiana do filho de santo, é proibido desfrutar as mesmas comidas que alimentam o orixá. Se desobedecer, “faz mal”.

Na casa do orixá, a ingestão de comidas votivas é não apenas permitida, mas sim obrigatória. É imprescindível participar do banquete sagrado. Se, naquele momento, o filho não comer do mesmo material de que sua cabeça é feita, o orixá oferecer-se-á. Ou, como já ouvi dizer, na hora da oferenda, “a gente precisa comer, que é para ele ver que não tem veneno”. esse comentário aparentemente jocoso é bastante elucidativo. Não é somente o ilê orixá, espaço sagrado e portanto preservado, que garante a não nocividade da comida de santo para o iniciado, é também o adepto que, por sua vez, se torna fiador, junto ao orixá, da excelência da comida que lhe é oferecida.

Comer alimentos sagrados como bem sabiam os sacerdotes hebreus, é assegurar a sacralização do próprio corpo. No ilê orixá, o iniciado participa do banquete dos deuses, nutre-se do mesmo material de que é feita a sua cabeça, reforça a sua identidade como parente de determinada divindade. Fora do espaço sagrado, é-lhe proibido ingerir essas mesmas substâncias.

Mas o seu corpo também é um espaço, que pelo cumprimento dos preceitos é constantemente mantido em condições de se tornar receptáculo da divindade. Por isso tem de abster-se de ingerir comidas rejeitadas pelo seu orixá, e até mesmo aproximar-se delas. Quebrar quizila, nessa perspectiva, é praticamente uma autodestruição. Faz mal. A pessoa adoece. Mas, ao mesmo tempo, pode-se aplicar à construção do corpo a mesma visão dialéctica que se foi afirmado com tanta nitidez em relação à construção do mundo. Aqui também a transgressão destrói e reforça limites, de modo realmente tangível, porque passam pelo corpo, e simbólico também, pois redundam na afirmação de identidade mítica.

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“As Senhoras dos Pássaros da Noite – Quando se pronuncia o nome de Iyá-Mi Osorongá, quem estiver sentado deve-se levantar, quem estiver de pé fará uma reverência, pois se trata de temível Orixá, a quem se deve apreço e acatamento.”

– Jorge Amado –

Iyá-Mi Osorongá é a síntese do poder feminino, claramente manifestado na possibilidade de gerar filhos e, numa noção mais ampla, de povoar o mundo. Quando os Iorubas dizem “nossas mães queridas” para se referirem às Iyá Mi, tentam, na verdade, apaziguar os poderes terríveis dessa entidade.

Donas de um axé tão poderoso como o de qualquer Orixá, as Iyá-Mi tiveram o seu culto difundido por sociedades secretas de mulheres e são as grandes homenageadas do famoso festival Gèlèdè, na Nigéria, realizado entre os meses de Março e Maio, que antecedem o início das chuvas do país, remetendo imediatamente para um culto relacionado à fertilidade.

As iyá-Mi tornaram-se conhecidas como as senhoras dos pássaros e a sua fama de grandes feiticeiras associou-as à escuridão da noite; por isso também são chamadas Eleyé, e as corujas são os seus principais símbolos.

A sua relação mais evidente é com o poder genital feminino, que é o aspecto que mais aproxima a mulher da natureza, ou seja, dos acontecimentos que fogem à explicação e ao controle humano. Toda a mulher é poderosa porque guarda um pouco da essência das Iyá-Mi; a capacidade de gerar filhos, expressa nos órgãos genitais femininos, assustou sempre os homens.

As mães são compreendidas como a origem da humanidade e o seu grande poder reside na decisão que tomar sobre a vida de seus filhos. É a mãe que decide se o filho deve ou não nascer e, quando ele nascer, ainda decide se ele deve viver.

Iyá-Mi é a sacralização da figura materna, por isso o seu culto é envolvido por tantos tabus. O seu grande poder deve-se ao fato de guardar o segredo da criação. Tudo o que é redondo remete ao ventre e, por consequência, às Iyá-Mi. O poder das grandes mães é expresso entre os orixás por Oxum, Iemanjá e Nanã Buruku, mas o poder de Iyá-Mi é manifesto em toda a mulher, que, não por acaso, em quase todas as culturas, é considerada tabu.

As denominações de Iyá-Mi expressam as suas características terríveis e mais perigosas e por essa razão os seus nomes nunca devem ser pronunciados; mas quando se disser um dos seus nomes, todos devem fazer reverencias especiais para aplacar a ira das Grandes Mães e, principalmente, para afugentar a morte.

As feiticeiras mais temidas entre os Iorubas e no Candomblé são as Àjé e, para se referir a elas sem correr nenhum risco, diga apenas Eleyé, Dona do Pássaro.

O aspecto mais aterrador das Iyá-Mi e o seu principal nome, com o qual se tornou conhecida nos terreiros, é Osorongá, uma bruxa terrível que se transforma no pássaro do mesmo nome e rompe a escuridão da noite com o seu grito assustador.

As Iyá-Mi são as senhoras da vida, mas o corolário fundamental da vida é a morte. Quando devidamente cultuadas, manifestam-se apenas no seu aspecto benfazejo, são o grande ventre que povoa o mundo. Não podem, porém, ser esquecidas; nesse caso lançam todo o tipo de maldição e tornam-se senhoras da morte.

O lado bom de Iyá-Mi é expresso em divindades de grande fundamento, como Apaoká, a dona da jaqueira, a verdadeira mãe de Oxóssi. As Iyá-Mi, juntamente com Exú e os ancestrais, são evocadas nos ritos de Ipadé, um complexo ritual que, entre outras coisas, ratifica a grande realidade do poder feminino na hierarquia do Candomblé, denotando que as grandes mães é que detém os segredos do culto, pois um dia, quando deixarem a vida, integrarão o corpo das Iyá-Mi, que são, na verdade, as mulheres ancestrais.

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Padê para Exú

Ingredientes:
– 01 pcte. de farinha de milho amarela
– 01 vidro de azeite de dendê
– 01 cebola grande
– 01 bife
– 03 charutos
– 01 caixas de fósforo
– 01 garrafa de aguardente
– 07 pimentas vermelhas
Modo de preparo: Em um alguidar coloque a farinha de milho e um pouco de dendê, com as mãos faça uma farofa bem fofa sempre mentalizando seu pedido. Corte a cebola em rodelas e refogue ligeiramente no dendê, faça o mesmo com o bife. Cubra o padê com as rodelas de cebola e no centro coloque o bife, enfeite com as sete pimentas. Ofereça a Exú o padê não esquecendo dos charutos e da aguardente.

Feijão para Ogum

Ingredientes:
– 500g. de feijão
– 01 cebola
– 01 pedaço de toucinho
Modo de preparo: Cozinhe o feijão na água e sal com cuidado para não desmanchar os grãos. Escorra, e numa frigideira coloque o toucinho, com as rodelas da cebola. Quando a cebola estiver tostando, joga-se a farinha para torrar e por último o feijão.

Amalá para Xangô

Ingredientes:
– 500gr. de quiabo
– 01 rabada cortada em doze pedaços
– 01 cebola
– 01 vidro de azeite de dendê
– 250g. de fubá branco
Modo de preparo: Cozinhe a rabada com cebola e dendê. Em uma panela separada faça um refogado de cebola dendê, separe 12 quiabos e corte o restante em rodelas bem tirinhas, junte a rabada cozida .Com o fubá, faça uma polenta e com ela forre uma gamela, coloque o refogado e enfeite com os 12 quiabos enfiando-os no amalá de cabeça para baixo.

Frutas para Oxossi

Modo de preparo: Em um alguidar ou cesta coloque 7 tipos de frutas bem bonitas (exceto abacaxi, mimosa, limão) enfeite com folhas de goiaba e côco cortado em tirinhas.

Peixe de Yemanjá

Ingredientes:
– 1 peixe de escamas inteiro e limpo
– cheiro verde
– coentro
– tomate
– 01 cebola
Modo de Preparo: Cozinhe o peixe sem sale sem deixá-lo desmanchar, retire do fogo, coloque no recipiente no qual será entregue e coloque os temperos por cima.

Abacate para Ossaim

Ingredientes:
– 01 abacate
– 500g. de amendoim
– 250g. de açúcar
– fumo em corda
– 7 folhas de louro
Modo de preparo: Corte o abacate no meio e tire a semente, coloque as duas parte numa travessa com a polpa virada para cima. Numa panela misture o amendoim e o açúcar e mexa até derreter o açúcar, derrame essa mistura sobre o abacate. Enfeite com pedaços de fumo em corda e as 7 folhas de louro.

Omolokum para Oxum

Ingredientes:
– 500g. de feijão fradinho
– 01 cebola
– 05 ovos
– azeite de dendê
– 200 g de camarões
Modo de preparo: Cozinhe o feijão fradinho, quando estiver molinho tire do fogo e tempere uma porção desse feijão, colocando numa panela a parte ou mesmo numa frigideira o tempero composto pelo azeite de dendê, os camarões limpos e sem casca e a cebola ralados. Deixa refogar por algum tempo. Depois retorne com esta porção temperada para a panela original, junte com o restante e coloque no fogo para passar por nova fervura, adiciona-se um pouco mais de azeite de dendê e deixa secar o caldo, com cuidado para não deixar queimar. Coloca-se no alguidar e por cima colocamos os ovos cozidos e descascados. Deverá ser servido frio para a orixá.

Acarajés para Oyá/Iansã

Ingredientes:
– 500g. de feijão fradinho
– 500g. de cebola
– 01 litro de azeite de dendê
Modo de preparo: Num moedor (pode ser num pilão) triture o feijão fradinho, deixe de molho por meia hora e após descasque os feijões coloque o feijão no moedor. Bata até formar uma massa firme. Despeje numa tigela e bata a massa com uma colher de pau até formar bolhas, coloque sal a gosto.
Numa frigideira coloque o dendê e deixe esquentar bem, com a colher vá formando os bolinhos e fritando até dourar. Coloque-os num alguidar.

Bife com Farofa para Omulu

Ingredientes:
– 500g. de farinha de mandioca ou farinha de milho
– 01 bife de porco ou carré
– 01 pimentão
– 01 cebola
– 01 garrafa pequena de azeite de dendê
Modo de preparo: Misture bem a farinha com uma parte do dendê e coloque num alguidar, ponha o bife, e sobre tudo, a cebola e o pimentão cortados em rodelas, regue com dendê e ofereça ao orixá no seu local de actuação.

Farofa para Tempo/Iroko

Ingredientes:
– 500g. de farinha de mandioca torrada
– 01 vidro de mel
– 01 pepino
Modo de preparo: Coloque a farinha de mandioca num alguidar, vá colocando o mel e com as mãos faça uma farofa , corte o pepino em três partes no sentido longitudinal, coloque as fatias do pepino sobre a farofa de maneira que eles fique em pé, regue com mel.

Ebô para Oxalá

Ingredientes:
– 500g. de milho branco (canjica)
Modo de preparo: Lave em o milho, Cozinhe  até ela ficar molinha. Retire toda a água, coloque em um alguidar de louça branco e ofereça ao orixá.

Ebô para Nanã

Ingredientes:
– 500g. de quirerinha branca
– 01 côco
– azeite de oliva
Modo de preparo: Cozinhe a quirerinha com bastante água para que ela fique meio “papa”, tempere com oliva, coloque em uma tigela de louça, descasque, rale o côco com ele cubra a quirerinha.

Ovos de Obá

Ingredientes:
– temperos verdes
– ovos a vontade
– azeite de dendê
Modo de preparo: reúna numa frigideira uma porção de temperos verdes e faça um refogado com azeite de dendê. Abra os ovos que quiser sobre o refogado, e vá cobrindo esses ovos com o dendê fervente. Quando estiverem duros, coloque-os no recipiente, espere esfriar e entregue ao orixá.

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