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A iniciação é um rito de passagem, uma morte simbólica que transforma um homem comum em um instrumento do Òrìsà, em um “Elégun”, pessoa sujeita ao transe de possessão, a emprestar seu corpo para que Òrìsà viva entre nós mais uma vez, por um período de horas ou dias. O iniciando passa por ritos complexos, de isolamento e segregação, de silencio absoluto, de tonsura ritual, de sacrifícios de animais, de oferendas de alimentos, de pequenos cortes para inserção de pós-mágicos em seu corpo (cicatrizes sagradas que definem os futuros sacerdotes), simbolizando uma volta ao útero da Mãe Terra, de onde renascerá não um homem comum, mas o instrumento de um Òrìsà, que por sua boca e seu corpo falará e se manifestará, aumentando assim seu conhecimento e o de todos os outros crentes.

Sua apresentação, já com sua nova personalidade e seu novo nome, ao público do Templo e da cidade, transforma-se então em uma festa de cores e de beleza inenarrável, onde todos comparecem desejosos de compartilhar Àse (palavra que define nossa Religião: A/AWA: nós, se: realizar, Àse – nós realizamos).

Por várias vezes o neófito é apresentado ao povo, vestido e pintado com cores próprias do Òrìsà ao qual é consagrado, ao som dos tambores e de ritmos e cantigas tão antigas quanto à vida dos homens neste mundo. E a cada troca de roupas, mais o àse se espalha pelo Templo, culminando com a vinda dos Òrìsà, que vêm brincar e falar com seus filhos diletos, demonstrando sua satisfação por mais uma etapa cumprida.

Cada item tem seu significado nesta hora. A pena vermelha, chamada “ikodidè”, que o Elégun carrega em sua cabeça, simboliza realeza, honra, status adquirido pelo fato de ele ter se iniciado para ser um novo sacerdote dedicado ao culto daquele Òrìsà. As pinturas em cor branca, azul e vermelha, feitas a partir de substâncias vegetais e minerais, são os símbolos dos líquidos vitais de animais, plantas e do próprio ser humano, essenciais para a nova vida do iniciado.

A melhor roupa vestida por ele, por sua família, e por todos os presentes, demonstram o respeito e o apreço pelo Òrìsà. Como se fossem se apresentar frente a reis, nada menos que o melhor é permitido, uma vez que muitos reis são os representantes de nossos Òrìsà neste mundo, descendentes diretos que aqui ficaram para perpetuar sua força vital. Isto se estende aos alimentos e bebidas, cuja qualidade é severamente observada, aos animais oferecidos, às contas para a confecção de colares, e a todos os objetos que compõem este Ebó. O bom não é suficiente, só o melhor é dado para o Òrìsà.

Por muitos dias o neófito irá carregar consigo um colar especial de sagração no pescoço, simbolizando seu amor, devoção e sujeição ao Òrìsà. Neste período também cumprirá resguardo sexual, porque esta energia não pode ser desperdiçada, toda sua força energética deve estar centrada em Òrìsà. Comerá comidas especiais, dormirá no chão, em uma esteira, aprenderá com os mais velhos as orações e cânticos de seu Òrìsà. É um tempo de amor, dedicação e aprendizado, um reaprender a viver, uma inserção do sagrado no cotidiano, uma experiência que não pode ser descrita, mas sim vivida.

E a possessão faz parte de tudo isso, um ser dominado, um compartilhar corpo e espírito com Òrìsà, um ser o deus e voltar a ser o homem; sem a menor possibilidade de interferência, em que a perda de vontade própria e a submissão são aprendidas sem que se ensine ou aprenda, por instinto e memória ancestral. Algo de tribal, algo de divino, algo de humano, algo de fantástico. Ser para saber.

E, ao fim de tudo, o Elégun reaprende os atos do dia a dia, retoma sua vida diária, mas para ele estará em primeiro lugar e sempre o Òrìsà. E, conhecendo através do oráculo sagrado, o Ifá, suas interdições, as proibições que Òrìsà e ancestrais lhe deram durante sua iniciação, ele conhecerá seu lugar na rígida hierarquia tribal, familiar e religiosa e viverá melhor sendo um “omo áwo”, (filho do segredo), do que sendo tão somente um ser humano.

Sàngó

edun ara

 Edun ará

Òrìsà Sàngó é o Senhor do Trovão e Relâmpago.  Relâmpago tem duas características que são indicativos do àse de Sàngó.  Relâmpago que pode iluminar imediatamente as trevas mais intensas.  No reino dos “buscadores de deus” essa iluminação tem a forma de realização imediata ou insight.  É frequente o caso em que, na escuridão, nossos olhos nos enganam ao ver o que não está lá ou perceber o que está lá, de forma incorreta.  Da mesma forma, nas trevas da ignorância, as nossas percepções intelectuais e reações emocionais são frequentemente enraizadas no medo (evidência falsa que parece real) e neste estado de ignorância e medo, estamos propensos a agir de formas que são estressantes na melhor das hipóteses e disfuncional na pior das hipóteses.

Ifá é uma forma de vida baseada no princípio de desenvolver o poder pessoal.  Do ponto de vista psicológico, aumenta o poder pessoal através do processo de superação do medo.

É o Ase de Sàngó que permite ao buscador de Deus distinguir entre a verdade e a mentira e enfrentar as consequências de fazer e agir de acordo com essa distinção.  Neste sentido, o relâmpago simboliza a língua de Sàngó, que nos revela a base do nosso medo e nos oferece a oportunidade de escolher se desejamos prosseguir com base na verdade ou com base na mentira/equívoco.  Quando esta situação ocorre, o seu brilho pode penetrar em nossas cortinas e olhos fechados.  Não é fácil negar a ocorrência do evento.

Da mesma forma, quando òrìsà Sàngó revela, a um candidato a Deus (pessoas que se acham estar acima dos poderes divinos), a falácia e a frágil realidade de suas percepções, não são fáceis negar a revelação.

E por esta razão, pode haver graves consequências por agir contrariamente aos presentes iluminados de Sàngó.

Ifá ensina que as bênçãos vêm para aqueles que querem fazer escolhas, que são consistentes com seu mais alto destino.  Dentro da cultura yorùbá entende-se que o melhor destino de um indivíduo está na base dessas escolhas que constroem Ìwá Pèlé, o que significa um bom caráter.

Apesar de Sàngó ser Ibinu Olórun (a ira de Deus), ele não funciona sem misericórdia e compaixão para com seus seguidores.  Conforme se encurta a distância do relâmpago, a voz de Sàngó pode ser ouvida cada vez mais alta. Òrìsà Sàngó oferece este aviso para que o seguidor acordado possa procurar abrigo adequado da ira de Olórun.  O Trovão é o grito de Sàngó e da mesma forma o trovão nos adverte do perigo iminente dos relâmpagos se aproximando, iluminação interior é sempre acompanhada de consciência, uma voz interior que nos chama, nos advertindo que as nossas atitudes e comportamentos estão nos levando a consequências terríveis se não forem ajustados de acordo com a realidade contextual.

Òrìsà Sàngó é um òrìsà “quente”, um dos três guerreiros e é a imagem do àse da masculinidade total.  Sàngó é o mestre em atacar, de ir contra os ventos da derrota, contra todas as probabilidades para alcançar seu objetivo.  Ele é comparado com o campo irregular (terreno acidentado), o corredor em linha reta cuja rota é determinada pelo número de obstáculos entre ele e seu objetivo.  Sàngó é a ideia do ataque estratégico.  Ele é a ideia de iluminar os desafios e atacar seus pontos mais fracos.  Sàngó respeita duas coisas: força e sabedoria.  Esta é a razão por que ele respeita Ògún e Obàtálá.  Com Ògún seu respeito é temperado com medo e com Obàtálá seu respeito é temperado com admiração.

Ele quer que seus devotos da mesma forma tenham as duas coisas: coragem e inteligência.

Òrìsà Sàngó é ao mesmo tempo uma divindade primordial e ancestral divinizada.  A função de Sàngó no reino de áwo òrìsà é fornecer a inspiração e a paixão pela transformação espiritual.

Neste sentido, é Sàngó, que representa o seu Eu motivacional, como seguidor, a aspirar aos mais altos ideais e possibilidades desta vida.  A filosofia do darwinismo social, a sobrevivência do mais apto, simplesmente não é suficiente para cumprir a determinação de Olódùmaré para experimentar o reino de possibilidades infinitas.

É destino de cada seguidor alcançar Ìwá Pèlé (bom caráter) embora possa não ser o seu destino.

Iba si Òrìsà Sàngó!

Trabalho sem autoria, traduzido por Da Ilha.

Itan de Òrúnmìlá

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Òrúnmìlá, como todos sabem veio a este mundo em forma de homem (quem sabe?), pelejou pelas terras africanas em missão dada por Olódùmarè.

Em sua vida, teve esposa e filhos e sentia-se velho, não tinha fartura, trabalho, enfim, vivia desgostoso. Olórun ouvindo as suplicas de Òrúnmìlá, deu sinais para ele procurar um Babalawo, que ao consultar Ifá, lhe indicou um ebó.

O ebó consistia em 5 cabaças abertas e sacrifício de um galo.

Cada dia uma cabaça e um galo, completando 5 dias.

Ao depositar a oferenda nas encruzilhadas, uma entidade se apossava e se alimentava da oferenda. A cada dia fortificava seu corpo espiritual até que no quinto dia, tornou-se um ser humano. As 5 cabaças fecharam e ele as carregava com ele, pois era um enviado de Olórun para cumprir a missão de oferecer-lhe as 5 cabaças citadas, Paciência, Longevidade, Fertilidade, Riqueza e Sabedoria.

No quinto dia, este homem seguiu Òrúnmìlá até sua casa. Batendo à porta, ofereceu-lhe as cabaças pedindo para que escolhesse apenas uma.

Òrúnmìlá em dúvida chamou a esposa que lhe aconselhara escolher a Fertilidade, assim poderia ter vários filhos, além dos 3 que já tinha. Não contente, chamou os filhos, que aconselharam escolher a Longevidade, assim poderia conhecer os filhos dos seus netos. Não feliz, chamou os irmãos, que lhe deram o conselho de escolher a Riqueza, assim ficaria rico e não passaria mais necessidades. Òrúnmìlá mesmo escolheria a cabaça da Sabedoria, mas mesmo assim ficou na dúvida e chamou seu melhor amigo, Èsù.

Èsù quis saber o que sua família havia escolhido e disse que a única cabaça que ninguém se interessou seria a mais importante. Então Òrúnmìlá obedeceu aos conselhos de seu amigo Èsù e disse que quem escolhesse a Cabaça da Paciência, com o tempo teria as demais cabaças juntas.

Òrúnmìlá então ficou com a Paciência.

O homem cumpriu sua tarefa e voltou para rua indo em direção ao Céu. A cada passo seu corpo físico desfazia e no caminho ao Céu uma cabaça acordou.

A primeira que acordou foi a Sabedoria.

Onde está a Paciência?

Perguntou.

Ficou na casa de Òrúnmìlá, disse ele.

Sem ela eu não volto pro Òrun.

De repente a Cabaça da Sabedoria sumiu das suas mãos.

Mais adiante, a Fertilidade acordou fazendo a mesma pergunta.

Até que todas iam acordando e sumindo, indo em direção à casa de Òrúnmìlá.

Quando chegou à porta do Òrun, a entidade estava chorando de medo, pois tinha que trazer as Cabaças de volta.

Ao entrar no Palácio de Olódùmarè, todos o esperavam, até Olódùmarè pedir para que entrasse e disse:

“Você cumpriu sua missão?”.

Sim senhor, mas todas as Cabaças sumiram das minhas mãos e voltaram para a Casa de Òrúnmìlá.

Disse Olódùmarè acalmando-o:

Sim, quem escolher a Cabaça da Paciência, terá juntado dela toda a riqueza do mundo, vida longa, fertilidade e sabedoria. Não se preocupe que sua missão foi cumprida. Agora Òrúnmìlá continuará vigiando e pondo ordem na Terra.

Esta é uma itan da qual podemos passar aos desesperados, pois com fé, com certeza Olódùmarè olhará por nós, dando-nos tudo que precisamos se tivermos conosco não a Cabaça em si, mas a paciência que morava dentro dela.

Só para enfatizar – As amigas inseparáveis.

A Paciência é a única sobrevivente e companheira da Esperança.

É necessário quase que casamento entre as duas.

Até que a morte as separe.

Lembre-se que a Dona Esperança tem vida longa.

Paciência não.

Como nós mesmos dizemos:

“A Esperança é a última que morre”.

A Paciência não.

Espero que vocês tenham a Dona Paciência como amiga e aliada, pois sem ela, muitas coisas ficarão perdidas na vida e se a dona Paciência morrer antes corremos o risco de a Esperança ir junto.

Evite que isso aconteça com você.

Literatura de domínio publico.

VALE A PENA REFLETIR.

O Odù Òtúrúpòn Òtúrá nos diz:

I II
II II
I I
I II

Saudações a todos de casa.

Vocês não querem fazer divinação.

Eles querem uma divinação para eles, na verdade,

Mas eles não têm dinheiro.

Este foi o jogo para Òrúnmìlá

No dia em que foi se aventurar no sacerdócio entre as colinas

Ele decidiu parar pela casa de seu aluno

Quando chegou a casa

Ele conheceu a esposa batendo amido (milho branco).

Òrúnmìlá perguntou:

Onde está meu Gbedegbeyo.

Ele saiu como ele normalmente faz, a mulher respondeu com arrogância.

Em vez de abandonar o pilão para procurar seu marido.

Ela se recusou a abandonar o que estava fazendo.

Sem saber que o visitante era uma pessoa de importância.

Em vez disso ela descreveu o destino de seu marido.

Ela ainda estava batendo forte, enquanto descrevia o local.

Òrúnmìlá partiu para o lugar descrito por ela.

Logo à entrada da estrada ele estava lá.

O aluno aprendiz veio a Òrúnmìlá de um recanto..

Eles se reconheceram no caminho

Ele gritou:

‘Bàbá Bem-vindo’, que alegria.

Você é muito bem-vindo.

A mulher batendo na frente de sua casa é sua esposa?

Foi à primeira pergunta de Òrúnmìlá.

Ela é minha esposa, o aluno respondeu.

Òrúnmìlá a condenou e a amaldiçoou

Se alguém está entusiasmado

Vendo alguém à distância

Ele se alegra.

É algo da matéria.

Por mais que eu tentei descobrir sobre você e do seu paradeiro.

Ela estava dizendo outra coisa.

Eu até pensei que ela não era sua esposa, concluiu Òrúnmìlá.

Ifá nos exorta a ter bom caráter.

A mulher não sabia que ela tinha se comportado mal a um ser espiritual

O aluno de Òrúnmìlá, então, começou a implorar.

Kááábíyèsí!!!!

Saudações a todos de casa.

Vocês não querem fazer divinação para vocês?

Eles querem uma divinação para eles, na verdade,

Mas eles não têm dinheiro.

Este foi o jogo para Òrúnmìlá.

No dia em que foi se aventurar no sacerdócio entre as colinas.

Ela conheceu o professor de seu marido em sua casa.

No entanto, ela não sabia Bàbá.

Foi assim que ela trouxe má sorte para si mesma.

Morte, por favor, poupe-nos.

Doença perdoe-nos.

Problema nos poupe.

Por favor, nunca permita que Ajogun entrem em nossa casa.

O Odù Èjì Ogbè (Èjì Onilé) nos diz:

I I
I I
I I
I I

Iniciamos você nos segredos de Ifá.

Você deve se reiniciar.

Foi assim que Èjì Ogbè (Èjì Onilé) foi iniciado

Então ele mergulhou na floresta.

Iniciamos você nos segredos de Ifá.

Você deve reiniciar-se.

Se você chegar ao topo da palmeira.

Não deixe suas mãos soltas.

Èjì Ogbè, o mais elevado de Odù, passou por auto iniciação, mesmo depois de ser levado ao bosque sagrado (Ìgbòdú) para a iniciação (te’fa), ele mergulhou de volta para a floresta.  Este ato mostra que mesmo um iniciado deve voltar para o bosque, a fim de ensinar a si mesmo.  E, mesmo nessa estrofe curta, Ifá nos lembra de que, mesmo que ao atingir o auge da compreensão e do conhecimento, nossa arrogância deve sumir, para não deixar que a nossa mão se perca e venhamos a desmoronar e cair da palmeira.

O ser humano dentro da cosmogonia yorùbá, trás dentro de si a marca da bondade, algo que lhe outorgado junto com seu Emi (sopro da vida dado por Olódùmarè), ser bom é da natureza humana, se tornar uma boa pessoa é uma questão de caráter, caráter é complexo, sua formação depende e independe de diversos fatores.

Existem muitas correntes que tentam explicar a sua formação, porém, acredito que a falta de base espiritual, emocional e bom ensinamento forma o tripé de ausências fundamentais, para sua má formação.

No rastro da falta de caráter vamos encontrar uma série de eventos que prejudicam e desviam o ser humano de seu caminho natural onde à bondade, humildade, solidariedade e outros bons sentimentos, deveriam estar presentes em suas ações diárias.

Devemos fazer nosso exercício diariamente, devemos nos esforçar fazer sacrifício, nos tornarmos guerreiros espirituais.

A ausência forçada nesta quinzena fez parte do meu exercício, do meu esforço em melhorar, em tentar ser um ser humano melhor, mais humanizado, mais antenado aos sentimentos alheios, fazer a parte que me cabe neste mundo de aprendizado constante.

Nossas orações pelo coletivo deveriam ser mais constantes, nossas orações ao òrìsà deveriam ser mais continuas, não podemos nos apresentar ao òrìsà quando formos pedir algo, ele deve nos conhecer, e ele irá nos conhecer e reconhecer a partir desta interação.

Os dois versos acima nos mostram como nos afastar e como nos aproximar das energias celestiais, que chamamos de òrìsà/irunmolè.

Espero que possamos refletir acima da velha frase: “O meu òrìsà”.

Como se isto fosse o centro do universo.

Vamos direcionar nossas mentes para algo mais amplo, vamos usar o poder de nossas palavras para atitudes construtivas, vamos melhorar nosso caráter, nossas ações e dar respeito aos nossos ancestres e ancestrais.

Ìbà (eu saúdo) òrìsà/irunmolè.

Ìbà as divindades sagradas Ìbèji.

Ìbà Bàbá.

Ìbà Yèyé.

Ìbà Bàbá t’òrun.

Ìbà omodé.

Ìbà Okunrin.

Ìbà Obinrin.

Ìbà Odù.

Ìbà Òrúnmìlá.

Ìbà Olódùmarè.

Ire o.

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Hoje estamos onde estamos porque estamos nos ombros daqueles que vieram antes de nós.
Estes dois provérbios são agrupados juntos porque eles estão essencialmente dizendo a mesma coisa. A cultura yorùbá coloca um alto valor para ambos por reconhecer e assimilar a sabedoria dos antepassados. Dizer que as folhas menores estão sempre no topo da palmeira é uma expressão poética da crença de que os ancestrais são à base de todo o crescimento. O processo de evolução e transformação espiritual exige de nós, literalmente, ficar sobre os ombros daqueles que vieram antes de nós. Se formos obrigados a reinventar todas as ferramentas necessárias para a sobrevivência em cada geração, não haveria tempo para um movimento em direção a uma compreensão mais profunda de si e do mundo. Quando eu ficava em casa yorùbá na Nigéria, todas as refeições incluíam uma oferenda aos ancestrais e cada vez havia alguém que servia bebidas e se lembrava da memória daqueles que morreram. Este elogio constante é um reconhecimento de que a sabedoria acumulada daqueles que vieram antes de nós tem aliviado a carga de nossa jornada para o crescimento. Além do valor poético, a referência a folhas mais novas de uma palmeira é um comentário direto sobre um dos ingredientes que são considerados um componente essencial das cerimônias realizadas para proteger a comunidade de doenças infecciosas. É a vitalidade espiritual das folhas jovens, que formam a melhor linha de defesa contra as epidemias, bem como as crianças pequenas são considerados os guardiões do futuro da cultura e da sabedoria.
Áwo Fatunmbi

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Egún antes do òrìsà.

A maioria das pessoas que descobrem o caminho de Ifá (A voz de Olódùmarè) e são direcionada inicialmente para a religião pelo glamour de um ou dois òrìsà ou pela promessa de poder.

Outros vêm à religião pela adivinhação, eles estão buscando respostas para seus problemas e soluções para situações difíceis.

Ifá é conhecido em todo o mundo por possuir um dos sistemas oracular mais preciso da história humana. E o òrìsà é certamente um panteão dinâmico e fascinante de divindades que estimulam o fascínio, a curiosidade, e eventualmente, a devoção. No entanto, as doutrinas de Ifá não são apenas sobre adivinhação, a sua principal preocupação é a evolução espiritual da humanidade. E os nossos mais fortes aliados na luta para evoluir (depois do nosso próprio òrìsà) são nossos ancestrais, conhecido em iorubá como o Egún. O Egún não é um ser glamoroso envolto em miçangas e girando através do Universo com os seus fantásticos poderes cósmicos para moldar as forças da Natureza. Eles são representados pelo pano, o pano rasgado representa a passagem do tempo, o desvanecimento da existência física. Eles não são òrìsà, eles são seus próprios parentes.

Os Egún são os membros do seu sangue em linha direta que voltaram para o outro reino, seus tios, tias, avós e parentes tão antigos que você não conhece seus nomes. Eles permanecem ligados a você pelos laços de sangue e mantêm um profundo interesse em seu bem-estar. É importante notar que Egún são antepassados reverenciados, o que significa que eles viviam uma vida digna e de honra. Eles não são apenas pessoas mortas, mas os mortos sagrados, os mortos reverenciados. Pessoas que estão envolvidas em atos de maldade ao longo de suas vidas, não são dignas de tal honra e geralmente não recebem homenagem como Egún. Aqueles que morrem em desgraça necessariamente não evoluem simplesmente, porque eles têm uma transição para o reino etéreo enquanto ainda podemos orar por eles, eles não são os mesmos ancestrais honrados, ou Egún. Eles são simplesmente mortos.

O Egún tem um papel diferente do que o Òrìsà em nossas vidas. No Ocidente, onde muitos adeptos e devotos de Ifá são muito influenciados pela Santeria/Lukumi, o Egún, é referido como “los muertos”, muitas vezes desempenham um papel secundário para o Òrìsà. No entanto, na Tradição Africana a veneração dos antepassados ​​é muito importante e isso se aplica aos seguidores de diferentes religiões. Leigos e sacerdotes igualmente honram os seus antepassados ​​com oferendas, orações e rituais de honra. O Egún é frequentemente mais influente em nossas vidas do que o òrìsà, porque enquanto o òrìsà é muito poderoso, eles também são impessoais, ou seja, destacados por nós. Embora a personificação do òrìsà os torne um pouco cognoscíveis e acessíveis para os seres humanos, estes últimos são na verdade forças Universais, fenômenos naturais, os princípios espirituais, as leis matemáticas e científicas (loas) que não são pessoalmente interessados nos assuntos dos seres humanos. Isso geralmente vem como uma surpresa para os devotos mais novos, que preveem que, quando eles colocam uma laranja no altar para Osun, ela ouve e responde com um favor. Isto realmente não funciona assim. O òrìsà não ouve as nossas vozes, é por isso que Èsù é conhecido como o Mensageiro Divino do Òrìsà. Ele não só transmite mensagens entre os deuses e o Criador, ele também tem a mesma função entre os seres humanos e as divindades. É por isso que se fazem oferendas a ele primeiro. Isto não quer dizer que o òrìsà não responde às nossas orações ou influencie em nossas atividades, eles certamente fazem.

Mas a nossa comunicação com eles não é direta, a nossa comunicação com nossos antepassados, no entanto, é direta e cara a cara. Aqueles que desenvolveram as habilidades de mediunidade ou são naturalmente talentosos podem ter conversas diretas com os seus antepassados. Nossos ancestrais estão pessoalmente investidos no nosso bem, assim como uma mãe é investida no bem-estar de seus filhos. Quando chegamos diante deles com a nossa dor, nossas lágrimas, nossos dilemas, seus corações são movidos em nossa direção. Eles trabalham a partir dos reinos espirituais para consertar nossos casamentos e relacionamentos em crise, para trazer a paz entre parentes que brigam, para advertir-nos de traição imprevista e tragédias, que nos levam a considerar alternativas superiores em nossas vidas, e muito mais. Sua visão de vida é muito maior do que a nossa, eles têm visto muitos ciclos mais e atingiu grande sabedoria e poder espiritual. Eles também não são sobrecarregados com corpo físico e pode, portanto, mover-se muito mais livremente do que podemos. O Egún é uma força incrível e nós somos sábios para honrá-los e incentivá-los a exercer os seus poderes em nosso nome. A relação entre os vivos e os mortos não é unilateral. Nossos antepassados ​​também precisam de coisas de nós. Eles precisam de nossas orações, nosso amor, nosso perdão, nossa lembrança e as ofertas, por vezes, específicas, tais como alimentos, bebidas, orogbo e claro, água. Pessoas de todas as origens raciais e étnicas devem honrar os seus antepassados é do interesse do desenvolvimento espiritual. Povos ocidentais de ascendência africana estão na posição única de ter gerações de seus antepassados ​​ espalhados por todos os oceanos do mundo, tantos homens esquecidos, mulheres e crianças que viveram e amaram. Alguns estudiosos estimam que milhares de africanos estejam no fundo do mar, vítimas do bárbaro tráfico de escravos transatlânticos. Incontáveis ​​milhões de outros foram abatidos aqui na América do Norte, Central e do Sul e as ilhas do Caribe. O seu sangue, juntamente com o dos nativos americanos, ainda está gotejando abaixo do solo que pisamos. Claro, os outros vão tentar diminuir esse número em seu próprio interesse, mas os números exatos são imateriais. O ponto é que quase todas as pessoas de ascendência africana que vive no ocidente e cuja família está aqui há gerações tem uma dívida enorme de gratidão, a solenidade, respeito e devoção a seu / seus antepassados. Eles suportaram com sofrimento como a entidade humana pôde suportar, de forma que pudéssemos viver. Muitos dos nossos problemas sociais é o resultado de não honrar devidamente a nossa herança, para que o nosso Egún curado possa nos dar força para superar as atuais circunstâncias. Um ancestral lesionado que tenha sido esquecido não tem poder para ajudar os seus descendentes. Mas aqueles que começam a honra e prestar homenagem aos seus ancestrais percebem o valor de fazê-lo.

Vão mudar a suas vidas. Parentes perdidos vão se reunir, até os problemas no casamento e com as crianças começarão a ter soluções com mais facilidade, a nossa “intuição” se torna mais forte e mais focada e as bênçãos e boa sorte começam a entrar na vida daqueles que honram seus antepassados.

Com veneração adequada, ganhamos o benefício da sabedoria dos nossos antepassados, nossos aliados mais importantes e nós também iniciaremos a cura para os males do passado.

Texto garimpado na web*.

* Gostaria muito de dar crédito ao autor do texto.

AROMAS-A-SABEDORIA-ANCESTRAL-DA-PURIFICACAO

Por Bàbáláwo Malidoma

Em uma cultura em que as pessoas morrem acidentalmente se diz que há uma relação disfuncional com os seus antepassados. A maneira (o modo) dos antepassados é atrair atenção para algo crucial e todo o bem-estar.

Você conhece os antepassados, são eles que nos curam quando as coisas começam a mudar dramaticamente para melhor ao nosso redor. Os ancestrais curam, trazem saúde, prosperidade e um senso de conexão íntima que é incomparável. Ancestrais estão em desvantagem, porque eles sabem como melhorar as coisas, porém, eles ainda não têm um corpo e não podem agir sobre o que eles sabem. Estamos em desvantagem, porque, apesar de temos um corpo muitas vezes não temos o conhecimento necessário para realizar as coisas corretamente. É por isso que o Espírito gosta de trabalhar através de nós.

Uma pessoa com um corpo, é um veículo ideal para o Espírito se manifestar neste mundo. É importante compreender que quando sentimos que algo está faltando em nossa vida, quando nos sentimos de alguma forma desconectada ou deslocada, estes sentimentos são um sinal para nós, devemos reparar a nossa conexão com o mundo dos ancestrais e dos espíritos.

Luisah Teish, Autora do livro Jambalaya escreveu:

Ao caminhar sobre a Terra, pressione os pés contra os ossos dos antepassados em cujos ombros nós estamos.

Eles estão chamando. . .

Sintonize a vibração ancestral saindo pela terra e ouça suas vozes. . .

No mínimo, poderemos reconhecê-los.

Àse.