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Odù Òsé méjì

Os internautas que nos acompanham há algum tempo, tem tido acesso a informações sobre Odù, a chave de nossas vidas, estes são detentores e testemunhas das Escrituras Sagradas de Ifá (A voz de Olódùmarè) e Òsé méjì nos fala neste verso/èsè/canto, sobre a vinda do dinheiro ao mundo (quem trouxe o dinheiro ao mundo foi este Odù). Uma pérola deliciosa de ler e algumas lições podem ser tiradas deste verso.

Que o Dinheiro, grande objeto de desejo de 9 entre 10 seres humanos, não seja um inimigo.

Que a modéstia no trato e firmeza nas decisões, façam com que o domínio sobre esta energia seja implacável e condizente com os ensinamentos de Ifá.

Que o ano que se projeta seja de abundancia e domínio sobre ele.

Foque em seus objetivos.

Odun didun (Um ano doce).

Òsé méjì diz:

Òségun méjì (Òsé méjì) é conhecido por ter feito alguns trabalhos espetaculares no òrun. Ele era apenas notório por sua disposição para briga. Foi o único, entretanto, que revelou como dinheiro veio do òrun para a Terra. Ele revelou como um Áwo chamado Orokun Aro Koose Munukun fez divinação para dinheiro quando este estava se preparando para partir do òrun.

O mesmo Áwo fez divinação para as divindades sobre o que deveriam fazer para serem capazes de conseguirem os benefícios que aquele dinheiro pudesse dar.

O significado do nome do Áwo é:

O joelho do aleijado não se dobra.

Cada uma das divindades foi avisada a fazer sacrifício com dezesseis: pombos, galinhas, ratos, peixes, bolinhos de feijão (àkàrà) e etc.

Em vez de fazerem o sacrifício individualmente como foram advertidos a fazer, decidiram juntar as mãos e fazer um único. Após o dinheiro ter partido para o mundo em forma de búzios, crescendo do òrun até atingir o chão.

Logo que identificaram o impacto do dinheiro no chão, as divindades foram juntas e ponderaram em como levá-lo para suas várias casas para gastar. Òrúnmìlá, entretanto alertou-os para não retirar o dinheiro até procederem à nova divinação e sacrifício. Ògún desafiou Òrúnmìlá a ficar em casa e fazer sua divinação e sacrifício enquanto que o restante deles ia escavar o dinheiro. Ele se perguntou o que seria necessário para fazer divinação e sacrifício antes de comer a comida servida na mesa.

Òrúnmìlá aceitou a contestação e lhes disse que não tinha a intenção de acompanhá-los na escavação do dinheiro naquele determinado momento, nem impor seu desejo e que eram livres para continuar sem ele.

Ògún pegou sua enxada e pá que fabricou para aquele propósito e partiu para o monte de dinheiro.

Chegando lá, cavou muito o monte de dinheiro, retirando de um lado tudo o que foi capaz de extrair. Quando ele cavou fundo no monte, a camada de cima cedeu, e a avalanche caiu sob Ògún e esmagou-o vivo sob os escombros, restando quatro pedaços de búzios em seu peito.

Sapponnà (Obàlúwayè) foi o próximo a ir ao monte e terminou da mesma forma com 16 búzios em seu peito.

Todas as outras divindades tiveram experiência similar incluindo Şàngó e Olókun. Quando eles não retornaram para casa, Òrúnmìlá começou a se preocupar com o que tinha acontecido. Decidiu ir e verificar por si o que estava impedindo-os de retornar. Chegando descobriu todos mortos e juntou e amarrou em partes separadas o número de búzios que ele achou no peito de cada um deles.

Desta forma é dito que a avareza foi quem mandou de volta a primeira geração das divindades que habitavam a Terra, para o òrun. Òségun méjì, entretanto adverte que se a questão de dinheiro não é controlada com discrição e paciência, virá uma avalanche sob o procurador e irá destruí-lo.

Este é o porquê todos aqueles que correm atrás de dinheiro com cobiça e avareza serão destruídos sob uma avalanche de dinheiro.

Neste meio tempo, Òrúnmìlá decidiu que não havia lugar de acesso ao dinheiro do modo como os outros fizeram e foram para casa sem alcançar o monte. Ele preferiu abordar a situação com suas características secretas.

Chegando a casa, consultou Ifá que lhe disse para fazer sacrifício com dois pombos, duas escadas de mão e quatro ferrolhos.

Ifá lhe disse para fixar os ferrolhos em cada um dos quatro cantos do monte, e servir o monte com os dois pombos. Ele foi avisado a jogar inhame amassado (yam) ao redor do monte porque o pombo e o inhame amassado eram as comidas prediletas de dinheiro e foi avisado a posicionar as escadas no monte e começar escavando do ápice para a base.

Ele fez conforme foi avisado por Ifá e quando ofereceu o sacrifício, ele falou um encantamento dizendo ao dinheiro que ninguém mata aquele que lhe oferta comida, e implorou ao dinheiro para não matá-lo como fez com os outros, tendo oferecido sua comida a ele. Depois disso escalou o monte com as escadas e escavou-o em pequenas quantidades até que levou tudo para sua casa. Foi a partir daí que Òrúnmìlá começou a assentar no topo do dinheiro e porque seu altar é frequentemente decorado com um trono de búzios. Para consultar Òrúnmìlá em divinações sérias, o sacerdote de Ifá tem que assentá-lo primeiro em um trono de búzios.

Após levar o monte de dinheiro para sua casa, convocou os filhos mais velhos das divindades mortas e deu para casa dum deles o número de búzios que achou no peito de seus respectivos pais.

É o número de búzios que Òrúnmìlá deu para os filhos das divindades mortas que eles usam para divinação até hoje.

Este é o porquê em qualquer momento que Òségun méjì aparece na divinação para alguém, a pessoa será advertida a procurar por dinheiro com cuidado e discrição para que ele não possa destruí-lo.

 Àse.

Obs.

A metáfora deste canto de Ifá nos mostra que o poder do dinheiro é tão grande que mesmo as divindades pereceram, somente a sabedoria foi capaz de dominá-lo.

Os ebo contidos neste verso são meramente ilustrativos, todo e qualquer ebo deve ser prescrito pelo oráculo. A não observância pode levar alguém a ver todo seu esforço ir por água abaixo por não respeitar a lei divina.

Por: Òsámoro

Tradução: Da Ilha

Quem sabe a razão de muitas perdas não esteja inserida neste texto de Ifá (a voz de Olódùmarè, Deus).

Creio ser um bom conselho para o ano que se inicia.

Nossa religião requer muita meditação e nunca esquecer os ensinamentos sagrados.

Ire aláàfià.

Da Ilha.

 

esquilo

O Odù Otúrá méjì diz:

Boca agitada, boca escorregadia;

O mal causado pela boca

É o pior tipo de mal;

É a boca do tagarela que, eventualmente, mata o tagarela

É a boca de quem conversa à toa.

Que vai matar quem conversa à toa;

É a boca agitada que mata

Tagarela e fofoqueira.

Aqueles foram os  que lançaram Ifá para o esquilo,

Que edificou a sua casa ao longo da estrada.

Eles instruíram o esquilo a ficar alerta,

Estar muito alerta sobre a sua incapacidade de manter sua pequena boca fechada, acerca de  sua completa inabilidade de manter um segredo.

Disseram-lhe para não contar nada, tudo o que ele sabia, imediatamente contou aos outros.

Esquilo, é claro, não acatou conselho.

A esposa do esquilo tempo depois deu à luz a gêmeos.

Esquilo sentiu um prazer poderoso.

Ele imediatamente anunciou:

Agora, ouviram isso, agora ouviram isto!

Esquilo tem gêmeos!

Sua casa tornou-se cheia de vida.

Todos aqueles que ouviram :

Venham e vejam os gêmeos do esquilo.

Quando o povo ouviu essas palavras, se afastaram do caminho.

Abriram o ninho do esquilo e procuraram.

Eles encontraram seus dois filhos.

Levaram para casa a caça de jovens,

Eles o colocaram o purê de inhame,

Juntamente com os filhos do esquilo

A sopa deslizou goela abaixo das pessoas direto para seus estômagos.

Yummie! (expressão de satisfação).

Ifá diz que não se deve gritar nossa boa sorte aos quatro ventos, nem devemos contar algum segredo, o silêncio nos ajuda a manter o que é nosso.

O que exatamente o Áwo disse:

Boca agitada, boca escorregadia.

O mal causado pela boca, é o pior tipo de mal.

É a boca do fofoqueiro.

Que eventualmente, mata o fofoqueiro.

É a boca de quem conversa à toa que vai matar quem conversa à toa;

É a boca agitada que matará o fofoqueiro.

Àse.

Os Odù de Ifá

Naquele tempo, Orunmila não era mais que um jovem, de excepcional possuía apenas a vontade imensa de saber tudo o que pudesse.

Em suas andanças sobre os países então conhecidos, soube da existência de um grande palácio, onde havia 16 quartos, num dos quais encontrava aprisionada uma belíssima donzela denominada Sabedoria.

Muitos jovens aventureiros, guerreiros poderosos, príncipes e monarcas já haviam sucumbido na tentativa de resgatar a bela jovem.

Determinado a conquistar Sabedoria, Orunmila dirigiu-se ao local onde estava edificado o palácio e no caminho encontrou um mendigo que lhe estendeu a mão pedindo um pouco de comida. Colocando a mão em seu embornal, Orunmila dali tirou um pequeno saco com farinha de inhame, que era tudo que tinha para comer e de uma cabaça um pouco de epo (dendê), misturando tudo e dividindo com o mendigo, comendo uma pequena parte do alimento.

Depois de alimentar-se, o mendigo revelou a Orunmila o seu nome, dizendo que se chamava Esu e como agradecimento ofereceu ao jovem aventureiro um pedaço de marfim entalhado, dizendo:

Com este marfim denominado Irofá deverás bater em cada uma das 16 portas do palácio, pois só assim elas se abrirão.

Do interior de cada quarto ouvirá uma voz que te perguntará ‘quem bate?

Você se identificará dizendo que é Ifa, o senhor do Irofá. Pois só assim cada uma revelará o seu segredo.

A primeira porta – Éjì Ogbè

Representa o conhecimento da vida.

A voz perguntará então: O que está procurando? E você dirá, estando diante da porta do primeiro quarto, que deseja conhecer a vida, a competição entre os homens e que quer conquistá-la em nome de Éjì Ogbè, o princípio de tudo. A porta então se abrirá e conhecerá os segredos da vida.

A segunda porta – Oyèkú Méjì

Representa o conhecimento sobre a morte.

No segundo quarto, quando a voz te perguntar o que deseja, depois de ter se identificado como antes, dirá que deseja conhecer Iku, a Morte e que deseja dominá-la. Aprender a dependência das almas com a Morte e a reencarnação por intermédio de Oyèkú Méjì. Então a porta se abrirá e você conhecerá a Morte, seus horrores e seus mistérios. Se não demonstrar medo em sua presença irá adquirir o domínio absoluto sobre ela.

A terceira porta – Ìwòrì Méjì

Representa o conhecimento da vida espiritual com as forças do Orun.

Na terceira porta encontrará um guardião denominado Ìwòrì Méjì, o anjo exterminador que, depois de reverenciado, colocará diante dos seus olhos a determinação do criador sobre a Terra, os mistérios da vida espiritual e dos nove espaços do Orun, onde habitam deuses e sombras e todas as classes de espíritos que irá conhecer.

A quarta porta – Odi Méjì

Representa o domínio da matéria sobre o espírito.

Na quarta porta você reclamará por conhecer o domínio da matéria sobre o espírito, à lei do Karma e a formação do gênero humano. O guardião desta porta chama-se Odi Méjì, a quem deverá demonstrar respeito e submissão. É necessário que não se deixe encantar pelas maravilhas e os prazeres que se descortinarão diante de teus olhos, pois podem te escravizar para sempre, interrompendo sua busca.

A quinta porta – Irosun Méjì

Representa o domínio do homem sobre seus semelhantes.

Na quinta porta quando for indagado dirá, diante de Irosun Méjì, que procura o acaso da vida. O domínio do homem sobre seus semelhantes através do uso das forças físicas e imposições dos homens. Aprenda, mas não utilize jamais as técnicas reveladas para o mal. Apenas como defesa, para não se tornar vítima delas.

A sexta porta – Owórín Méjì

Representa o equilíbrio que deve existir no Universo.

Na sexta porta serás recepcionado por um gigante do sexo feminino que deve ser saudado por Owórín Méjì a quem solicitará ensinamentos relativos à possessão espiritual, à cura dos seres vivos e ao equilíbrio que deve existir no Universo. Compreenderá então o valor da vida e a necessidade da morte, o mistério que envolve a existência das montanhas e das rochas. Ali será tentado pela possibilidade de obter muita riqueza, mulher, filhos e bens incomensuráveis. Resista a estas tentações ou verá ser reduzida a uns poucos dias de luxúria.

A sétima porta – Òbàrà Méjì

Representa o poder da realização dos desejos e sonhos do ser humano.

Agora estará diante da sétima porta. O habitante deste quarto chama-se Òbàrà Méjì, é velho e se apresenta de aparência bonachona. Poderá te ensinar prestígios da cura, soluções para os problemas mais intrincados e te dará a possibilidade de realizar todos os desejos dos humanos. Tome cuidado, pois o domínio desses conhecimentos podem te conduzir à prática da mentira, à falta de escrúpulos e o desequilíbrio mental.

A oitava porta – Okanran Méjì

Representa o poder da palavra do ser humano.

No oitavo quarto deverá solicitar a permissão de Okanran Méjì para conhecer o poder da fala humana, que infelizmente é muito mais usada na prática do mal do que para o bem, e o encadeamento das forças. Este guardião te falará em muitas línguas e de sua boca só ouvirá lamúrias. Aprende depressa e depressa foge deste local, onde imperam a falsidade e a traição.

A nona porta – Ògúndá Méjì

Representa os malefícios da corrupção e da decadência no ser humano.

Diante da nona porta, pedirá permissão ao seu guardião, Ògúndá Méjì para conhecer a corrupção e a decadência, que podem levar os seres humanos aos mais baixos níveis de existência. Naquele quarto, encontrará os vícios que assolam a humanidade e que a escravizam em correntes inquebráveis. Verá o assassinato, a ganância, a traição, a violência, a covardia e a miséria humana, brincando de mãos dadas com muitos infelizes que se tornam seus servidores.

A décima porta – Osa Méjì

Representa o poder do fogo e da influência dos astros no ser humano.

No décimo aposento deverá apresentar reverências a uma poderosa feiticeira, cujo nome é Osa Méjì. Ela vai contar o poder que a mulher exerce sobre o homem e o porquê deste poder. Conhecerá seres poderosos que praticam o bem e o mal, denominados Ajé que vão lhe oferecer seus serviços maléficos. Caso aceito fará de você o mais poderoso e o mais odiado ser da face da Terra.

Aprenderá a representação do tempo, a dominar o fogo, a utilizar a influência dos astros sobre o que acontece no mundo. Saberá das relações entre o sol e a Terra e a Terra e a Lua, principalmente a influência da Lua sobre os seres vivos. Cuide para que estes segredos não te transformem em um feiticeiro maldito.

A décima primeira porta – Ika Méjì

Representa o mistério da reencarnação e o domínio sobre os espíritos.

Bata agora com o seu Irofá na décima primeira porta e a voz do guardião Ika Méjì lhe dirá onde os peixes povoaram os mares, o gigante em forma de serpente te fará estremecer. Saúde-o respeitosamente e solicite dele a permissão para conhecer o mistério que envolve a reencarnação, o domínio sobre os espíritos Abiku que nascem com o destino de uma vida curtíssima. Aprenda a dominar este segredo e desta forma poderá livrar muitas famílias do luto e da dor.

A décima segunda porta – Oturupon Méjì

Representa os segredos da criação da Terra.

Esta porta te reserva sustos e surpresas sem fim. Seu guardião se chama Oturupon Méjì e é do sexo feminino. Possui forma arredondada, mas se parecendo com uma grande bola de carne quase disforme. Trata-se de um gênio muito poderoso que poderá lhe revelar todos os segredos que envolvem a criação da Terra, além de te ensinar como obter riquezas inimagináveis. Aprenda com ele o segredo da gestação humana e a maneira como evitar abortos e partos prematuros. Depois parta respeitosamente em busca da próxima porta.

A décima terceira porta – Otura Méjì

Representa o pleno poder sobre a matéria, a força mágica.

Bata com cuidado e muito respeito, neste quarto reside um gigante chamado Otura Méjì, que costuma comunicar-se de forma íntima e constante com a energia da criação. Aprenda então como nasceu à raça humana, o domínio do homem sobre todos os animais e como é possível separar as coisas.

Domine os mistérios de dissociar os átomos, adquirindo assim pleno poder sobre a matéria. Aprenda também a utilizar a força mágica que existe nos sons da fala humana, mas usa esta força terrível com muita sabedoria.

A décima quarta porta – Ìretè Méjì

Representa o poder dos segredos dos espíritos da Terra.

Já diante da décima quarta porta, irá se deparar com Ìretè Méjì, que nada mais é do que o próprio espírito de Ilé, a terra. Faça com que desvende seus mais íntimos segredos, aguarde-o e preste lhe permanente reverência e sacrifício. Saiba como ir e voltar do reino de Iku. Contate por seu intermédio os espíritos da terra, “Onilé”, transformando-os em seus aliados. Aprenda com ele o poder da cura.

A décima quinta porta – Ose Méjì

Representa os males físicos do ser humano.

Na décima quinta porta será recepcionado por Ose Méjì, que irá te ensinar sobre degeneração, decomposição, doenças, perdas e putrefação. Aprenda que é perdendo que se ganha, siga sempre pelo caminho mais modesto.

Aprenda a sanar estes males e saia daí o mais depressa possível para não ser também vitimado por tanta negatividade.

A décima sexta porta – Òfún Méjì

Representa a união dos poderes dos outros 15 Odù de Ifá.

Finalmente a décima sexta porta, o último dos obstáculos que te separam da sua desejada musa. Aí reside Òfún Méjì, o mais velho e terrível dos 16 guardiões, aquele que ressuscita os mortos, saúde-o com temor, dizendo “Epa Imole” só assim poderá aplacar a sua Ira. Contemple-o, mas não o encare, observe que ele não é como os outros que você já conheceu durante a caminhada. É a reunião de todos os demais que nele habitam e que nele se dissipam somente de forma ilusória. Conhecê-lo é conhecer todos os segredos do Universo.

Se for esta a sua busca, então você encontrou a “Sabedoria”, leve-a consigo até a eternidade.

Àse.

Ori wo ibi ire, gbe mi de.

Ese rere wo ibi ire, sin mi re.

Ibi Opè-Agunka* ngbe mi ire, mi o mo ibe.

Sugbon, ibi ire ni Ope-Agunka ngbe mi ire.

Ibi ire.

Àse.

Destino, me leve por caminhos de ire (boa sorte, vida longa e etc.).

Pernas, nunca me deixe desviar (perna alinhe-me com meu destino e guie-me no caminho certo da minha existência terrestre).

Embora, o amanhã possa ser envolto em mistério.

Minha confiança implícita no poder das energias positivas* vai me guiar ao ire.

Certamente, ire está no meu horizonte.

Àse.

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Destino, uma parte invisível, integrante do ser humano, é um fenômeno poderoso em nossa existência terrestre. As curvas e o karma da vida humana estão intrinsecamente tecidos no destino.

Como seres humanos, nós derrapamos com as curvas e sorrimos quando chegamos a uma parada estável e sustentável. Quando tal estabilidade é mantida, nós damos um suspiro de felicidade. Tal é o sentimento de alívio.

Os pés (Odù) possuem energias positivas para orientá-lo sobre seu ire de hoje, de amanhã e do futuro distante.

Àse.

Destino é tão sagrado entre os yorùbá que um recém-nascido tem seu destino desvendado no seu terceiro dia de nascido, este destino será perseguido até o dia de sua morte.

Diz o proverbio:

Orí é destino, destino é Orí.

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A questão de destino se torna importante a partir do momento em que nos ajoelhamos, ainda enquanto espírito no òrun (céu) e pedimos para retornar ao mundo físico (a questão aqui se torna relevante, pois, a decisão de retornar é sua). Então Olódùmarè (Deus) nos abençoa e nos concede as ferramentas para podermos executar a missão. Uma gama de espíritos elevados (òrìsà/irunmolè) torna esta tarefa possível através de uma série de eventos sobrenaturais. Àjàlá Mopín prepara seu destino ‘misturando’ as informações recebidas de cada divindade e transformando tudo isso em Orí Inu (seu Eu interior), Obàtálá juntamente com Ògún, Èsù e muitos outros vão criar o corpo físico e seu funcionamento.

Esta codificação fica guardada com Òrúnmìlá (por isso ele é conhecido como Testemunha do Destino, Elérii Ipín e sempre irá indicar o melhor caminho/ebó para alinharmos nosso destino com nosso Orí), seu Odù, seu(s) òrìsà/irunmolè, seus tabus, seu sexo, profissão ou área de atuação profissional, sacerdócio e afins. Tudo isto é montado de forma harmônica para que você possa chegar a este mundo e desfrutar de todas as benesses, já que as ferramentas cedidas irão lhe ajudar a cumprir seu destino.

O grande problema esta na ocidentalidade da religião que não tem o hábito de querer ou conhecer esta forma de descobrir o destino da criança.

Então como proceder?

É Òrúnmìlá, Òsún e Èsù que irão ajuda-lo a desvendar esta teia de informações. O oráculo está à disposição de qualquer mortal para orientar sua caminhada, por isso é importante saber se você está na profissão/área de atuação correta, se você casou com uma pessoa que vai edificar sua vida ou a escolhida no òrun, se você vem quebrando tabus alimentares, comportamentais, de cores, de uso de animais e etc.

Estas informações podem ser buscadas no jogo e é dever do sacerdote investigar e orientar o iniciado, o neófito, o abian e até mesmo o suplicante. Não importa a sua posição na hierarquia dentro da religião, todos nós temos tabus e devemos ser orientados e guiados de forma a não rompê-los.

Até mesmo se devemos ser iniciado ou não, pois a iniciação de uma pessoa dentro do culto, mesmo que ela queira, deve ser consultada, pois isto pode ser um tabu, dependendo de suas escolhas no òrun antes de retornar a Terra.

Sejamos mais atentos e observadores na hora de fazer um jogo, mesmo que a informação não seja revelada em apenas uma consulta, devemos sempre estar investigando, não podemos simplesmente achar que não somos parte do todo.

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O Odù Éjì Onilé diz:

Quando uma pessoa de sorte vem ao mundo (e não sabe) ela consulta Ifá.

Como ela pode saber se é uma pessoa de sorte neste mundo?

E como ela pode escolher e pedir toda a sorte do mundo.

Ifá pede Ebo (sacrifício).

Nesta parábola não está escrito diretamente, porém, em sua entrelinhas Ifá nos diz:

Peça o que você precisa e não o que você quer!

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Este verso de Ifá fala para nós que a pessoa que vem ao mundo passa na casa de Òrìsánla (Obàtálá) para escolher a sorte ou perder (fazer ou não fazer ebó).

Obàtálá vai abençoar a pessoa antes de ela vir ao mundo.

Quando ela falou para (Obàtálá) que estava com fome.

Ela comeu as coisas do Ebó…

Ela rezou para Obàtálá e sendo assim ela pegou toda sorte (ire) do mundo.

(Esta metáfora nos diz que nada pode ser conseguido sem sacrifício/ebó, nada pode ser colhido no chão, devemos quebrar as costas para pegar o inhame. Devemos subir na árvore para escolher e colher o melhor fruto. Tudo que é conquistado sem sacrifício não agrada Deus).

Assim é a pessoa sortuda (ela trabalhou pela sua sorte), ela tem que agradecer ao Áwo (Bàbáláwo) e este agradecer a Ifá e Ifá irá agradecer a Olódùmaré.

Observação: A pessoa que tem sorte neste mundo tem: Vida longa, saúde,  esposa, filhos, casa, dinheiro e etc.

Estes são os verdadeiros ire da vida.

Tem pessoas que não tem sorte na vida, se elas rezarem para Ifá e pedirem, elas vão conseguir.

Após esta pessoa construir toda uma linda história de caráter e fé.

Afinal de contas tudo está interligado ao Cosmos, tudo se conecta a energia de Olódùmarè, Òrúnmìlá, Obàtálá e Èsù, não há dissociação da água, da terra, do fogo e do ar, não há uma folha que caia da árvore que não seja por uma finalidade justa e cabível dentro da natureza.

Sejamos honestos internamente, façamos analises sobre nosso caráter, nosso comportamento, nossa lealdade, nossa fé e sentimentos que não estão dentro das escrituras sagradas (inveja, ódio, egoísmo, avareza e etc…).

As pessoas podem não saber, mas, a atividade fim de nossa religião é esta. Primeiramente você (Ori destino), depois caráter e depois òrìsà.

Òrìsà não é a prioridade, a prioridade é o ser humano que aqui está para evoluir enquanto espirito e não desenvolver mediunidade como alguns pensam. Fazer caridade é muito bom, mas não pode ser as custas de sua saúde, de sua vida e de outros detalhes que o impeçam de ter a sua história e perseguir o seu destino.

Òrúnmìlá gbè wà o.

Marcação binária dos Odù.

Marcação binária dos Odù.

Os abian, Neófitos e recém-iniciados que não estão acostumados com a palavra Odù, devem saber que eles são, falando de uma forma genérica, compartimentos onde estão guardados os ensinamentos de Olódùmarè que se apresentam através de Ifá (o oráculo sagrado criado por Òrúnmìlá). Eles nos trazem:

Os ensinamentos sagrados, os respectivos ebó, os banhos e magias a serem confeccionadas por alguém preparado para tal empreitada, os sacerdotes de òrìsà e os Bàbáláwo.

O Odù, vamos desmistificar um pouco agora, nunca está negativo ou positivo, ele nos diz se estamos em ire (positivo) ou ìbì (negativo), a fase que vivemos pode sim estar boa ou ruim e dependendo deste bom ou ruim, deveremos fazer sacrifício (ebó). Fazemos ebó para manter o que está bom ou fazemos ebó para mudar a fase ruim para uma fase melhor é prerrogativa do sacerdote pois, somente ele tem o dom de transformar ìbì (negativo) em ire (positivo) e isto ele recebe durante a iniciação do sacerdotal que inclui o aprendizado do oráculo, portanto, curiosos e pessoas que não receberam este àse podem prejudicar e muito as pessoas que procuram uma consulta.

É Òrúnmìlá, quem pode nos orientar, ele como Elérii Ipin (testemunha do destino de cada ser vivo do planeta e de tudo que foi criado no Universo), conhece o destino de cada um desde os tempos imemoriais.

Somente Òrúnmìlá pode nos indicar a melhor folha, a melhor comida e a melhor energia para resolver uma questão a nosso favor. Costumamos dizer que ele é mais poderoso que qualquer medicina humana, ele é a Órbita imensa, aquele que pode mudar o dia de nossa morte, (Okitibiri npa, ojó ikú da) desde que este dia não seja o seu verdadeiro dia de  partida deste mundo. Pois todos já ouviram falar em ebó ikú (ebó para afastar a morte que nos ronda, seja por acidente ou por doença, que chamamos de Aarun) e é através dele que afastamos Ikú (morte).

Ele é o segundo de Deus, tem o titulo de Ibíkéjì Olódùmarè, o Vice do Pré Existente, muito respeitado e ótimo conselheiro, inclusive dos òrìsà/irunmolè, foi ele quem determinou aos Odù sua ordem e respectivos sinais (marcas binárias onde o Bàbáláwo os identifica no pó de iyèròsùn, em uma bandeja redonda chamada Òpon Ifá). Além dos testemunhos desde a criação do universo até os dias atuais.

É esta filosofia (Ifá é uma filosofia) que norteia todo o culto de Ifá/òrìsà, tudo que se refere ao òrìsà/irunmolè está contido nos versos (ensinamentos, que também chamamos de Èsè Ifá) dos Odù.

Alguns de vocês devem saber que os Odù principais são em número de 16 (Okánrán, Éjì Oko (Oturupon), Etáògúndá, Ìròsùn, Òsé, Òbàrà, Òdí, Éjì Onilè, Òsá, Òfún e etc.) este são chamados de Olódù, por serem os maiores e estarem contidos no jogo de búzios (mérindilogún), porém, cada Odù principal tem sua ‘família’ e estes integrantes familiares tem o nome de Omó Odù.

Exemplificando:

Na família de Éjì Onilé (Éjì Ogbè) temos quinze integrantes que são:

Ogbè ’Okanran, Ogbè’ògúndá, Ogbè’ròsùn, isto não está em ordem hierárquica.

E assim sucessivamente, teremos uma família para cada Odù principal.

Estes integrantes familiares são os Omó Odù e totalizam 240 Odù menores. Que somados aos 16 principais somam 256 Odù.

Um sacerdote de òrìsà não vai trabalhar com todos os 256, vai apenas trabalhar com os 16 principais e saibam que a resposta chegará completa e surtirá efeito como tem sido feito a milhares de anos.

No Odù Ogbè’òsá, Olódùmarè (Deus) abençoa e dá a sua chancela ao jogo de mérindilogún, na presença de Òrúnmìlá e Òsún (a verdadeira proprietária deste oráculo).

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Veja o Èsè Ifá (poema/verso):

De acordo com esta história em particular de Ogbè’sá, apesar de Òrúnmìlá ser o único que criou Éérìndínlógún, este sistema de adivinhação mais tarde recebeu o seu próprio àse de Olódùmarè.

Aconteceu o seguinte:

A cada 16 anos

Olódùmarè, Olófin do Òrun,

Usava os adivinhos da Terra para um teste.

Para saber se eles estavam dizendo mentiras para os habitantes da Terra

Ou se eles estavam falando a verdade.

Esse teste aconteceu.

Ele convidou Òrúnmìlá e outros adivinhadores da Terra.

Olódùmarè disse que queria ver todos eles.

Quando eles chegaram,

Olódùmarè pediu que adivinhassem para ele.

Então, Olódùmarè pediu para Òrúnmìlá divinar para ele.

Quando terminou a adivinhação de Òrúnmìlá,

Olódùmarè perguntou:

Quem é o próximo?

Òrúnmìlá disse que a próxima pessoa seria sua parceira.

Que era uma mulher.

Olódùmarè, em seguida, respondeu:

Ela também é um adivinho?

A que Òrúnmìlá respondeu:

Isso é verdade.

Olódùmarè pediu-lhe para, em seguida divinar para ele.

Quando Òsún examinou Olódùmarè,

Ela bateu em todas essas coisas em sua mente (Ela viu tudo que se passava em sua mente).

Mas ela não disse isso na íntegra.

Ela mencionou a essência

Mas ela não contou a raiz da questão, como o oráculo de Ifá.

Olódùmarè perguntou a Òrúnmìlá:

O que é isso?

Òrúnmìlá, em seguida, explicou a Olódùmarè.

Como ele honrou Òsún com os dezesseis búzios.

Olódùmarè disse:

Está tudo certo.

Ele disse ainda que mesmo que ela não entrasse em detalhes,

Ele,
Olódùmarè daria o seu consentimento a ele.

Ele acrescentou:

A partir de hoje e para sempre,

Mesmo que o Éérìndínlógún não possa ser detalhado,

Qualquer pessoa que não acreditasse,

Veria as consequências imediatamente.

Não se deve esperar até o dia seguinte.

É por isso que as previsões da Éérìndínlógún passam rapidamente.

Mesmo que as histórias não sejam tão impressionantes.

Foi assim que Éérìndínlógún recebeu o àse diretamente de Olódùmarè.

Sobre uma lenda que diz que o jogo pertence a Èsù, ela não procede.

Èsù como Olópá (aquele que fiscaliza tudo no universo) é também fiscal de cada jogo que é aberto e, portanto, tem acesso a tudo que é dito e desvendado.

É bom ter cuidado!

É muito importante sermos orientados sobre o sistema oracular que tanto usamos para nos orientar na vida.

É através dele que nos orientaremos sobre nosso destino, casamento (o oráculo deve ser consultado antes da cerimonia), trabalho, negócios e etc.

Vejam que é tudo tão sagrado, que até o próprio Deus foi envolvido na questão, não devemos usar o oráculo para perguntar coisas subjetivas e sem propósito, pois ele mesmo diz que as perguntas imbecis, terão respostas idiotas.

Na resolução hierárquica de um problema devemos seguir estes passos:

Pensar o problema e tentar uma solução, em caso negativo, procuramos ajuda de uma amigo/parente, não achando a resposta, procuramos um mais velho e em caso negativo consultamos o oráculo.

Não se consulta o oráculo de forma leviana, não buscamos a resposta daquilo que já sabemos como irá terminar.

Devemos inclusive, se possível, ir ao jogo com as perguntas anotadas em um papel, corre-se o risco de esquecer o verdadeiro propósito e algumas questões ficarem no vácuo. Quantos não vieram a este blog buscando o complemento de uma consulta incompleta por causa do esquecimento.

Um sacerdote deve fazer quantas perguntas forem necessárias ao oráculo, porém, é terminantemente proibido repetir a pergunta (ordem suprema).

Este longo e didático que eu escrevo é uma forma de deixar algumas pessoas mais a vontade para quando se sentarem na frente de um sacerdote, não se acharem inferiores e nem superiores, esta pessoa está prestando um serviço (remunerado) e deve cumpri-lo da melhor forma possível. As questões que estiverem fora do seu conhecimento, devem ser deixadas para ser resolvidas em uma data breve e ele deve se esmerar em buscar a solução para o problema em questão, se assim não for, ele estará quebrando uma das regras da Lei de Ifá, em caso de não resolução por falta de conhecimento o correto seria devolver o dinheiro do suplicante. Deve-se ter a humildade em reconhecer suas limitações e procurar estudar e aprender com os mais velhos. O verdadeiro sacerdote está guardado atrás da humildade e da perseverança, temperada com a sua fé.

Ifá/Òrúnmìlá sempre nos presentearam com inúmeros ensinamentos sagrados, um dos que eu mais gosto está em Éjì Ogbè (Éjì Onilé) exposto abaixo.

Espero que vocês somem 3+2 e façam o dever de casa: Aprender sobre nossa religião, estudar não é assunto para sacerdote, é assunto para todos os adeptos.

Somente através do conhecimento poderemos ter sábios e os sábios são aqueles que vão dirigir nossa religião nas próximas décadas.

Ìbà Bàbá, Ìbà Yèyé. Onà tutu.

Òrúnmìlá gbé wá o.

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Ensinamento contido no Odù Éjì Ogbè (Éjì Onilé).

Nós lançamos Ifá com nossa mão (Òpèlè Ifá/corrente divinatória).

Nós pressionamos Ifá no chão (marcamos o Odù no pó de Iyerosun).

Elesa a gbo gi (nome do Bàbáláwo).

Foi lançado Ifá para Ogbè (foi feito o jogo).

Quando ele vinha do céu a Terra (do òrún para o ayè).

Eles disseram que Ogbè iria entrar no mundo.

Ogbè foi aconselhado a realizar sacrifício (fazer ebó).

Ogbè consultou os itens para o sacrifício.

Ogbè deve sacrificar um rato para trilhar caminhos no mato.

Um peixe para traçar caminhos através do oceano.

Um galo para limpar os caminhos na Terra.

Eles disseram que Ogbè alcançaria o mundo (teria sucesso).

Ogbè realizou o sacrifício.

Ogbè se aventurou.

Ele chegou à floresta.

Ogbé ficou perplexo.

Èsù sussurrou no ouvido dele.

Lembre-se você tem um rato para abrir caminho na floresta.

Ogbé usou o rato.

O rato desbravou um caminho pela floresta.

Èsù disse para Ogbè segui-lo.

Quando ele saiu da floresta.

Ogbè encontrou o oceano.

Ogbè ficou perplexo.

Èsù sussurrou no ouvido dele.

Lembre-se você tem um peixe para traçar um caminho através do oceano.

Ogbè deixou o peixe cair na água.

O peixe começou a nadar.

Èsù disse para Ogbè segui-lo.

Quando ele nadou para fora da água.

Ele encontrou a cidade.

Ele não sabia que direção tomar.

Èsù sussurrou no ouvido dele.

Lembre-se você tem um galo para encontrar um caminho na Terra.

Èsù disse para Ogbè seguir o galo.

Ogbè chegou ao centro da cidade.

Ele ficou feliz e começou a dançar e se alegrar.

Nós lançamos Ifá com nossas mãos.

Nós pressionamos Ifá no chão.

Elesa gbo gi (nome do sacerdote).

Foi ele quem lançou Ifá para Ogbè.

No dia que ele estava vindo do céu a Terra.

O rato usa seu Orí para abrir caminhos na floresta.

O peixe usa seu Ori para abrir caminhos no oceano.

O galo usa seu Ori para abrir caminhos na Terra.

Ogbè, portanto, tornou-se popular (ele obteve sucesso).

A estrela de Ogbè não deve cair como as folhas das árvores.

Ogbè deve ascender um caminho através da dificuldade.

Sagrado Odú Éjì Ogbè.

Obs. Não devemos fazer ebó sem ordem suprema, o descumprimento pode ser a ruina para o suplicante, como também para o sacerdote.

De acordo com a filosofia e estilo de vida do òrìsà, a vida é uma viagem.

Ajo layè, a viagem da vida, é marcada por muitos portais de iniciação. Cada portal exige uma separação do passado, em favor do que é e o que será. E tão misterioso quanto possa parecer, a viagem fundamental, bem como os portais da iniciação, são tão naturais quanto à própria vida. Desde o nascimento até a adolescência, passando pela idade adulta e além, todas as nossas experiências são ritos de passagens ao longo do caminho da vida.

Ainda assim, o caminho leva-nos através de alguns territórios perigosos, durante o qual as decisões importantes devem ser tomadas, esperamos não só sobreviver à viagem, mas também prosperar. No versículo acima, Ifá usa as metáforas da floresta, do oceano e da terra para exemplificar a gama de capacidade de adaptação e preparação necessárias para a navegação bem sucedida.

E a dificuldade de sucesso?

Quando você falha, você é forçado a se ajustar, buscar novas metodologias e fazer novas alianças. Mas quando você é bem sucedido, é tentador tentar aplicar novamente as mesmas práticas que uma vez funcionaram tão bem às novas circunstâncias. Infelizmente, isso raramente demonstra ser eficaz. Você tem que tentar todas as novas práticas, mas, ao mesmo tempo, manter um senso claro de verdade pessoal e identidade.

No verso de Éjì Ogbè acima, foi Èsù que repetidamente lembrou Éjì Ogbè dos itens de sacrifício que ele estava carregando e quando deveria fazer uso deles em diferentes fases da viagem.

E este é o segredo do sucesso a longo prazo:

Cada um de nós, sem exceção, tivemos alguém que acreditou em nós e nos deu a orientação adequada e que precisávamos para satisfazer a paisagem em constante mudança na jornada da vida.

Às vezes, apesar de nosso conhecimento, do nosso talento e experiência só precisamos de alguém para nos dizer o que fazer e quando devemos fazê-lo!

A nossa capacidade de reconhecer esses momentos e nos dar bons conselhos vai fazer a diferença entre ser chamativo e inesquecível, entre competência e excelência, entre ser competitivo e ser superior.

Como saber mais sobre como estabelecer uma relação com um conselheiro confiável que irá ajudá-lo a otimizar seus dons e talentos naturais?

Pergunte a Ifá.

Àse.

Texto de: Obàfemio e Odé Gbàfáomi.

Tradução Da Ilha.

Existem aspectos neste texto que eu particularmente discordo, em outros concordo plenamente. Porém, a finalidade é fazer com as pessoas repensem sua relação dentro de uma casa de àse. Um bom assunto para ser discutido e analisado a luz dos fatos.

Eu mantive o texto na integra para não distorcer a opinião do autor.

Da Ilha.

Boa leitura.

Aboru, Aboye, Abosise e saudações a todos os devotos de Ifá, Òrìsà e Egúngún.

Que seja conhecido desde o início que não existe tal coisa de padrinhos em estudo, prática e adoração de Ifá, Òrìsà e Egúngún.

Esse mito vem do Catolicismo, a Igreja Católica criou este conceito de parentesco. Na Igreja Católica os pais biológicos de uma criança irão escolher dois indivíduos um macho e uma fêmea para serem padrinhos de seu filho. Não é nem mesmo necessário que os dois indivíduos sejam casados.

Estes dois indivíduos prometem fidelidade a esta criança em uma cerimônia de batismo, que se alguma coisa acontecer com os pais biológicos os padrinhos irá intervir e assumir a criação contínua da criança.

Nota: você tem o direito de chamar alguém por qualquer rótulo, etiqueta, ou o título que você assim escolher. Mas saiba e entenda que não existe o conceito de padrinho em Ifá e òrìsà.

O culto de Ifá está construído e estabelecido em uma premissa de professores e alunos em que o direito é claro e fala por si em voz alta. Como é que se colhe o grande beneficiário dos muitos professores que Ifa e Òrìsà têm para oferecer, se você está escravizado, amarrado e obrigado a um padrinho ou padrinhos que estão sob o entendimento de que você deve ser de grande benefício para eles e não eles a você.

Aqueles de nós que levam o nome de Bàbáláwo, Ìyànifá, Bàbálòrìsà e Olòrìsà são servidores do povo e não deve ser confundido ou entendido como parte da realeza Africana (reis e rainhas). Não se permita ser vítima do rei e da rainha e o complexo de súdito leal. É hora de colocar esse mito para descansar.

Mesmo Olódùmarè não é o nosso pai ou a mãe, é um criador e está relacionado à criação. Nascemos com dois conjuntos de pais, biológicos e espirituais. Nossos pais espirituais são os nossos pais Òrìsà. Dois conjuntos não três.

Um babalawo é um pai, mensageiro e professor de Ifá, uma Ìyànifá é uma mãe de Ifá, zeladora de Ifá e cuidadora do povo. Um sacerdote / sacerdotisa de Òrìsà é um pai de Òrìsà / mãe de Òrìsà, zelador de Òrìsà e cuidadora do povo e etc.

Temos de parar de alimentar aquilo que é popular. Um elevado nível de popularidade, não é uma indicação ou uma manifestação da verdade. A maioria dos altos níveis de popularidade vem de ser uma pessoa que fala para um monte de pessoas o que elas querem ouvir e não o que eles precisam ouvir.

Devemos destruir este nível de dependência que algumas pessoas criaram e permitiram a outros criarem e nos envolver. É hora de clarear a visão e colocar esta coisa de padrinho, pai/mãe para descansar, tudo isto de padrinho, irmão/irmã é uma loucura. Se você se deparar com um ancião de Ifá que tenha um templo e você se associar a ele, você automaticamente será mais um membro deste Templo de Ifá. A mesma regra serve para alguém que tenha Ilè ou Ègbè.

Pronto. Você acaba de se tornar um membro deste grupo de indivíduos que tem, ou, devem ter jurado alguma forma de fidelidade a sua liderança. Na vida a gente percorre um caminho em uma jornada para entender nosso destino e o que é necessário para navegar neste curso de ação são os nossos professores, por que somos estudantes dos aspectos multi facetados da vida.

Pare de olhar para o que você já tem e o que você quer. Comece a perseguir o que você realmente precisa. E você precisa de um bom professor.

Você precisa ser um bom aluno. Você precisa do conhecimento divino, da sabedoria e do entendimento para definir a fundação, a estrutura e a premissa da jornada de sua vida.

Voltando ao caso em questão, criamos obstáculos e barreiras para nós mesmos que vivemos fora da ordem dinâmica de Ifá/Òrìsà e ancestrais. Sob a égide do mito padrinho, pai/mãe, o que aconteceria se um Bàbáláwo solteiro está esperando Ifá lhe apontar uma boa esposa e esta mulher faz parte de seu Ilè. Se Ifá está esperando apenas que sua maturidade mental, física e espiritual aflorem para lhe dar este caminho e esta mulher está sentada em sua esteira?

Ifá faz sua atenção se voltar para tal mulher e o Áwo está pronto para lhe dar atenção, amor e respeito.

O que acontecerá agora?

Já que o Bàbáláwo estava tratando esta mulher como ‘filha’.

A confusão está formada.

E a confusão irá aumentar se houver outros casos dentro desta suposta família.

Teremos a confusão formada por causa de mitos construídos no passado?

Se estas pessoas estão presas na certeza de serem irmãos, irmãs ou filhos então terá uma rota em direção ao desastre. A vida é uma questão de somar e não subtrair.

Devemos viver nossas vidas somando os diferentes aspectos dela.

Adicionando a construção estaremos deixando-a forte. Temos que avaliar os prós e os contra de cada situação. Viver aprendendo, acrescentando e progredindo em Ifá/òrìsà é o que o senso comum deve se basear.

O que eu aprendi em minha vida é que o senso comum é tudo. Um bom professor vai deixar o aluno com a visão clara do que é melhor para ele e não ao contrário, onde um professor tem a visão ainda em formação, em um estado de confusão onde muitas perguntas não terão as respostas corretas, isto é algo que deve ser bem resolvido.

Existem muitas pessoas que abração este mito do padrinho, pai/mãe de tal forma que eles não podem sequer deixara a companhia deles, mesmo que estes não estejam passando os ensinamentos de uma forma correta e não faça as pessoas evoluírem, simplesmente por causa desta forma marxista de tratar os ‘filhos’.

Fazer isto leva a ideia de que o ‘filho’ não está sendo leal com ele ou está fazendo algo que não seja errado. Estes pais/mães, padrinhos querem uma fidelidade que vai além da escravidão.

Não permita que ninguém o escravize mentalmente, fisicamente ou espiritualmente.

Qualquer um gostaria de voltar no tempo e ter a companhia daqueles que realmente lhes ensinam, os fazem crescer e progredir.

A quem você está fazendo companhia agora?

Não permita ser, estar ou ficar por obrigação!

Se você faz parte de algo que não cumpre com o engrandecimento da sua saúde física, mental ou espiritual, porém, sua presença somente traz beneficio para este famoso padrinho, pai/mãe, então você realmente tem um problema em suas mãos.

Na relação professor-aluno, é o aluno o beneficiado e o professor fica com o orgulho de se ver bem representado.

Eu sou o Bàbáláwo Àkòdà e estou muito comprometido com tudo isto.

Texto garimpado na Web.

 

Senhores/as, creio, que o texto é claro em vários aspectos e nebuloso em outros, porém, o importante é discutir a linha de raciocínio do autor, conhecer um pouco as responsabilidades, direitos e deveres de cada um dentro do culto.

Ire Bàbá.

13º Mandamento:

Eles avisaram que não se deitassem com a esposa de um Ogboni. (“Ogboni” é um título que significa juiz ou magistrado, representa uma pessoa digna de respeito).

Significado do 13º Mandamento:

As autoridades devem ser respeitadas integralmente. Interpretação: O “Ogboni” da sentença representa, genericamente, as autoridades e as leis por elas estabelecidas. O Sacerdote, como homem de bem, deverá pautar sua vida de acordo com os ditames das leis dos homens e das sagradas leis de Ifá.

Mensagem:

O homem religioso não pode viver à margem da lei e da sociedade da qual deve fazer parte como célula importante. Pugnar pela obediência às leis é uma das obrigações de um sacerdote que, neste sentido, deve também orientar os seus seguidores. Da mesma forma, as leis de Ifá, devem ser observadas integralmente e a ninguém cabe o direito de manipulá-las em benefício próprio ou de outrem.

14º Mandamento:

Eles avisaram que nunca se deitassem com a esposa de um amigo.

(Não se deve trair um amigo).

Significado do 14º Mandamento:

Os
amigos devem ser respeitados e uma amizade não pode ser traída.

Interpretação:

Deitar com a esposa de um amigo, é a maior injúria que o sacerdote pode praticar contra esta pessoa. A sentença busca valorizar o sentimento de amizade que deve ser pautado sempre, no respeito mútuo e na reciprocidade ética, que em hipótese alguma, podem ser esquecidos.

Mensagem:

“Um amigo vale mais do que um parente”.

Esta afirmativa da sabedoria popular fundamenta-se no fato de que os parentes nos são impostos pelo destino, ao passo que, os amigos, cabem-nos escolher dentre as inúmeras pessoas que surgem no decorrer de nossas vidas.

Se elegermos, de livre e espontânea vontade, os nossos amigos, por que traí-los?

Por que não dar a eles o mesmo tratamento que gostaríamos que nos dessem? Conservar as amizades tratá-las com respeito e carinho são, acima de tudo, uma demonstração de sabedoria. As amizades devem ser cultuadas e ninguém deve criar animosidade entre amigos colocando em risco uma relação que pode representar um grande tesouro.

“Mais vale um amigo na praça do que dinheiro no banco”. (Da sabedoria popular).

15º Mandamento:

Eles avisaram que não semeassem discórdias religiosas.

Não se deve usar a religião para motivar a separação e a guerra entre os homens.

Interpretação:

A religião tem por finalidade única unir os homens através de Deus. Não é concebível, portanto, que possa ser utilizada como elemento aparteador dos seres humanos. Mesmo no âmbito de uma mesma religião pode-se verificar a atuação de pessoas que, de forma nefasta e visando seus próprios interesses, jogam uns contra os outros, semeando a desconfiança e a discórdia entre sacerdotes, irmãos e adeptos.

Mensagem:

Muitas guerras, incorretamente denominadas “guerras santas”, têm feito derramar o sangue de inocentes, enlutando famílias e propagando a dor e o pranto. A motivação religiosa que as incentiva é, no entanto, uma máscara para o seu motivo real: a obtenção do poder. O verdadeiro sacerdote deve pugnar pela união dos homens, independente de seu credo religioso. Deus é um só e todos os homens são seus filhos e, por consequência, irmãos entre si. Da mesma forma, os sacerdotes de uma mesma religião devem agir dentro de uma ética que os impeça de falarem mal uns dos outros, utilizando-se de meios condenáveis para atrair os seguidores de seus coirmãos.

16º Mandamento eles avisaram que nunca faltassem com o respeito ou quisessem deitar-se com a esposa de outro sacerdote.

(Todos aqueles que possuem cargos religiosos são importantes e dignos de respeito).

Significado do 16º mandamento:

Os sacerdotes, independente de funções e hierarquia, devem respeitar-se mutuamente.

Interpretação:

Uma única palavra pode sintetizar o 16º mandamento de Ifá:

“Ética”.

Mensagem:

A falta de ética entre os sacerdotes de nossa religião, muito tem colaborado para o seu enfraquecimento e falta de credibilidade pública. O sacerdote dotado de postura ética, jamais abre a boca para apontar erros e defeitos em seus irmãos. Se os constata, procura corrigi-los de forma sutil e, se possível, despercebida aos olhos alheios, sem alardear aquilo que considera errado. Muitas pessoas tentam encobrir os próprios erros e esconder a própria incompetência, apontando, de forma espalhafatosa, o erro e a incompetência dos outros. Esta é uma atitude incorreta que só tem prejudicado e impedido um maior desenvolvimento da nossa religião. Pode-se ouvir todas as noites, em programas de rádio produzidos e apresentados por sacerdotes e sacerdotisas do culto aos Òrìsà, verdadeiros absurdos praticados em nome de nossa religião. As pessoas que se ocupam neste tipo de divulgação deveriam refletir um pouco mais sobre sua atuação, na maior parte das vezes exageradas e motivadas por problemas de ordem pessoal, e os malefícios que produz, não somente aos alvos de suas críticas, mas na religião dos Òrìsà como um todo que, a cada denúncia feita pelo ar, cai no descrédito e na execração pública. Cada denúncia divulgada publicamente representa uma nova arma para o arsenal dos detratores de nossa religião. A seleção será feita, naturalmente, por Òrúnmìlá e os Òrìsà, através da ação de Èsù. Só a eles cabe julgar o que é certo e o que é errado. Só a eles cabe separar o joio do trigo.