Feeds:
Artigos
Comentários

O artigo a seguir é uma junção de três opiniões dadas por Bàbáláwo de diferentes idades, escolas de aprendizagem e visão sócio-política.
A ideia é formar uma mistura que dê uma visão do que pensam pessoas (seres humanos como nós) qualificadas dentro de Ifá e como as pessoas interpretam a filosofia de Ifá.
Devemos saber de antemão que Ifá não está baseado em dogmas, como querem alguns, não está preso a amarras e que a palavra Divina é evolutiva.
Eu preferi me abster em tecer qualquer tipo de comentário ou fazer apêndice para que a informação seja digerida crua e sem temperos, a tradução ficou o mais perto possível da realidade do pensamento do Bàbáláwo. Espero que estes argumentos ajudem a pavimentar a evolução e o desenvolvimento do entendimento da Palavra Divina (Ifá).
Boa leitura.

A Homossexualidade
Pelo Oluwo Solágbadé Popoợla

O sexo como temos acentuado anteriormente, deve ser heterossexual e vaginal em sua natureza. Outras atividades sexuais que são descritas em Ifá como perversões sexuais, incluem:
Sexo oral, sexo anal, a homossexualidade, o sexo grupal, genital, ou com várias penetrações genitais, sexo virtual, sexo por telefone e etc.
O sexo oral segundo a Wikipédia, a enciclopédia livre consiste em:
Todas as atividades sexuais que envolvem o uso dos lábios e a língua para estimular as genitais. Também pode ser usado antes da comunicação ou para atingir um clímax de um ato sexual que também pode incluir ingestão de sémen ou de fluidos vaginais.
O sexo oral é um tabu em Ifá. Não deve ser realizado. A partir do fato que é um canal para entrada de doenças sexualmente transmissíveis, pode também esvaziar nossa imunidade espiritual. As atividades do irunmọlẹ e outros elementos espirituais são sagradas e divinas. Eles (homens) tendem a dissociar ou se distanciar de semelhante ambiente profano onde a perversão do sexo e outras atividades imorais crescem. Pureza é um dos princípios cardeais no reino da espiritualidade.
Além da declaração da Wikipédia sobre sexo oral, que é usado para estimular os órgãos genitais e é usado como um arranque antes da comunicação ou usado para atingir o clímax do ato sexual que serve para construir a excitação na direção de atingir o orgasmo. Exemplos de pré-partida incluem tocar e beijar os seios da mulher.
Neste ponto, Ifá diz que mesmo quando a excitação sexual é inevitável entre os casais, não deve ser feito de uma forma que pretensiosamente não se ofenda o nosso senso de decência, de higiene e de elevação espiritual. Isso significa essencialmente que a boca para estimulação genital precisa ser totalmente evitada. Vimos exemplos de pré-partida em alguns versos de Ifá que estão de alguma forma relacionados com o sexo oral.
Uma das estrofes que fala está em Òtúrá Aládìí (Òtúrá-Òdí) onde Ifá diz:

Òtúrá Aládìí (Òtúrá-Òdí)

O prazer é limitado
O gozo é sensacional
Esta foi a mensagem de Ifá para Òtúrá
Ele que acaricia as nadegas de sua esposa com tempero
Ele foi convidado a oferecer ebo
Ele fez
Olhe, como é bom e sem limites
A sensação de prazer ilimitado
Òtúrá acariciando as costas de sua esposa
O carinho é agradável

Com respeito ao sexo anal que o Wikipédia definiu como:
Uma forma sexual de comportamento humano normalmente praticada em algumas culturas. Trata-se de anus ou do reto, porém, não se limita isoladamente a inserção do pênis no reto. O uso de acessórios sexuais e outras atividades que envolvem o anus e o reto podem ser considerados como sexo anal também.
Este ato também franze a testa de Ifá. Òlódùmarè que criou o homem e as partes do seu corpo, ja havia designado as funções de cada um deles. Qualquer esforço para forçar a troca ou se fazer mau uso de suas funções podem levar esta pessoa a ira de Òlódùmarè. Cada órgão ou parte do corpo deve ser usado de acordo com os planos de Òlódùmarè.
Algumas pessoas que se entregam a esta forma de comportamento sexual com uma lógica ou pelo menos para racionalizar essas perversões são expressadas como acima. Alguns comparam à magnitude a prática de sexo com o mesmo sexo.
Isso é chamado de homossexualidade.
Observamos esta prática, que é considerado normal em outras espécies da natureza (excluindo homem) ratos, peixes, animais, pássaros, insetos e etc., no entanto, os seres humanos com capacidade superior de raciocínio e inteligência devem usar seus dotes naturais para fazer uma sociedade grande, devem viver em harmonia e deve respeitar as regras de Òlódùmarè, conforme declarado nas escrituras sagradas de Ifá. Ifá disse, como vemos, em Òdí Eléju (Òdí Méjì) e Òfún Alááyé (Òfún-Ìrẹtẹ) que a prática da homossexualidade, lesbianismo, bissexualidade, sexo anal e etc., não é aceitável na humanidade. O sexo é para a procriação e nada mais. O ato, portanto, deve permanecer inviolável.
Vamos examinar o que dissemos:

Òfún Alááyẹ́ (Òfún-Ìrẹtẹ̣):

O epo é bom para temperar o inhame
O inhame é bom para ser comido com epo
A escada de mão é boa para subir até a cumeeira
Uma mulher é melhor para fazer amor que um amigo
Um homem é melhor para fazer amor que uma amiga
Se um homem dorme com outro homem
Resultará em pedaços, furúnculos e mordidas.
Se uma mulher faz amor com outra mulher
Resultará em obscuridade, mal cheiro, sujeira e irritação
Se um homem faz amor com uma mulher
O resultado será como estar no topo do mundo
O gosto é ilimitado e eufórico.
Os órgãos de Òfún-Rẹtẹ̣ são firmes e fortes
Foi quem lançou Ifá para o solteiro convicto
Quando ele vinha desposar Òlélé, a filha de Ọlọ́fà
O solteiro convicto chamou Òlélé porém, ela não respondeu
O problema não é mais o que Ifá possa resolver.

Não há argumento sobre o fato de que o amor entre homossexuais seja a realização ou a fabricação mais agradável. Ifá diz que Òlódùmarè fez isso, com a certeza de que isto seria usado agradavelmente para dar nascimentos de bebês. Se isto não for feito assim, o ato de se fazer bebês será enfadonho e desinteressante e assim estaremos frustrando os planos de Òlódùmarè e seu propósito de povoar a Terra.
Em Ìdín Àárín (Òdí’Òwónrín), Ifá diz que Òlódùmarè teve que adicionar mel, sal, epo, ikodidé (suave atrativo e alta demanda) ao órgão genital da mulher. Òlódùmarè então o cobriu com uma barba de um cabrito para fazer as genitais da mulher mais peludas que as genitais dos homens. Ifá diz que o órgão genital do homem (o pênis) pode explorar e pode aproveitar-se destes recursos para produzir desigualdades e prazeres excelentes.
A estrofe de Ìdin Àárín (Odi’Òwórín) se lê assim:

Òdí Ọ̀wọ́nrín em Òdí Ọ̀wọ́nrín
E Òdí Ọ̀wọ́nrín sobre Òdí Ọ̀wọ́nrín
Foram os Áwo que lançaram Ifá para Olọmọ
Que havia cavado um buraco para guardar riquezas.
Ela foi advertida a oferecer ebo
Ela cumpriu.
Nós pagamos para explorar suas riquezas
É um serviço prestado por uma ordem temporal ou fruição
Nós temos seguido todos os passos
A esposa se tornará nossa.

Neste odù quando o homem e a mulher estavam vindo do Òrun para o Ayè, Òlódùmarè lhes deu Igba Ọ̀kẹ́ (duzentas bolsas de dinheiro, cada bolsa continha 20.000 Conchas de cauwries) para trazerem para o Ayè. Olọmọ (a mulher) disse ao homem que o dinheiro era demasiadamente pesado e estava repartindo o Ọ̀kẹ́ mẹ́wàá (10 bolsas de dinheiro) com o homem para que ele guardasse de forma segura em intervalos diferentes. Quando eles chegaram ao Ayè, ela ficou com apenas ọ̀kẹ́ mẹ́wàá, dez unidades de cores ou dinheiro.
Quando ela pediu seu dinheiro de volta ao homem, ele se negou a dar. Ela ficou furiosa e desconcertada acerca de como recuperar seu dinheiro. Ela decidiu ia a uma consulta com Ifá, então ela foi aconselhada a usar o dinheiro restante para um sacrifício.
Enganar com àáké (Machado), iyọ̀ (Sal), oyin (Mel), epo (Azeite de palma), ìkóódẹ (penas de papagaio), àkàşù ẹ̀kọ (pamonha de milho ou mandioca); o òbúkợ onírùngbọ̀n (cabrito), ẹyẹlẹ́ (Pombo), ẹtù (Galinha D’Angola), eku (Rato), ẹja (Peixe), e obídì (Galinha).
Ela cumpriu.
Quando ela estava dormindo Èşù inseriu a pamonha entre suas coxas.
Ele usou o machado para criar um buraco e inseriu mel, sal e epo.
Ele colocou a pena de papagaio e depois cobriu seus órgãos genitais com a barba do cabrito.
Quando ela acordou, Èşù lhe disse que sempre que o homem quiser fazer amor com ela, ela sempre deverá exigir ẹgbàá, uma bolsa de dinheiro. Assim foi como ela começou a recuperar seu dinheiro. Ela comeu, cuidou dela e pode fazer outras coisas que lhe foram solicitadas.
Ifá dá outra razão pela qual as mulheres devem sempre dormir com homens e por que a homossexualidade, lesbianismo ou bissexualidade não são aceitas por Ifá.
Isto pode ser visto em Ọ̀wọ́nrín Ońlogbo (Ọ̀wọ́nrín-Ìròsùn):

A grama de raízes fibrosas
Foi quem lançou Ifá para Ońlogbo (órgão genital feminino)
Ele que será apresentado com os presentes (dos homens) no mundo
Ela foi avisada a oferecer ebo
Ela cumpriu
Ońlogbo, você parece um galpão abandonado em uma casa viva
Você também transforma um aterro em um mercado
Qualquer homem que vê uma genital feminina
A menos que não faça os arranjos pertinentes
Ira dormir a sombra de uma figueira, olhando o céu.

Como se pode ver neste verso de Odù que as mulheres produzem filhos que por sua vez se convertem em galpões em uma casa vivente. Eles também se convertem em um local de aterro e desejosos centros de comercio. Não há nada que a população humana não possa fazer. Sem o amor heterossexual, não pode haver nenhuma população humana e caminharemos para a extinção.
Os conselhos de Ifá levam mais adiante que qualquer homem que fugir ou amar uma mulher e prefere que seu companheiro não tenha nenhuma casa no céu.
Isto se simboliza com o uso de uma palavra: “Eu fui forçado a me refugiar em uma figueira’.
Quem não tem casa para dormir, dormira fora, sem abrigo e sem companhia que não seja o sono e a sombra de uma árvore.
Isto não é suficiente para entendermos que Ifá não suporta qualquer tipo destes raros comportamentos sexuais. Este tipo de conduta que somente incluem as exibições acrobáticas sexuais permanece no reino animal e não se encaixam na sociedade humana.

=================================================================================

Ifá e homossexualidade

Pelo Bàbáláwo Marcos Ifálọlà

Aboru aboye Iboşíşe, homossexualidade é uma questão difícil, que parece inflamar e criar raiva daqueles que estão em ambos os lados. Ela tende a ser a diretriz quando as coisas esquentam e nada vai influenciá-los a um ponto de vista diferente. Cada lado vai citar textos e citar exemplos em apoio ao seu caso e usar como um argumento convincente. Vou usar apenas como registro, eu sou heterossexual, casado e sou um Bàbáláwo. Eu apoio os direitos dos homossexuais, eu apoio o casamento gay, sou a favor de tratar as pessoas como pessoas e não cidadãos de segunda classe. Eu não apoio Bàbáláwo homossexuais, não por causa de Odù, por si só, mas por causa de coisas que aconteceram na cerimônia de Ìtefá e na cerimônia de Apetebi de minha esposa. Coisas que foram explicadas durante esse processo, e a necessidade para o equilíbrio do masculino e feminino no cuidado de Ifá e no papel de sacerdote de Ifá ao interpretar o oráculo. Isso não significa que os homossexuais não podem louvar Ifá, isso não significa que eles não podem buscar a sabedoria de Ifá, isso não significa que eles não podem seguir Ifa, isso não significa que Ifá não aceitará seus ebo e intervir em seu nome quando eles estão seguindo as recomendações de Ifa. Ifa nunca iria mandar alguém embora que realmente procura a sabedoria de Ifá. Muitos vão tentar dizer que é uma abominação da natureza, e você me responder, a natureza e a ciência nos mostraram casos em que mesmo a cópula sexual ocorre, bem-vindos ao 21 século. Muitos dirão que é um pecado. Como uma pessoa pode amar e respeitar um outro e estar a cometer um pecado?
Somos ensinados a amar uns aos outros, e muitas vezes, nós não escolhemos por quem nos apaixonamos. Se respeitarmos uns aos outros e respeitarmos a nós mesmos, então como poderemos julgar duas pessoas que nos fizeram mal nenhum, e simplesmente optaram por viver uma com a outra em um relacionamento sério?
É duro encontrar alguém, por que deveríamos separar aqueles que descobriram a pessoa amada e vão aproveitar a vida juntos. Muitos dirão a única e verdadeira natureza do sexo é procriar.
E você me responderá: Eu acho que estamos um pouco mais evoluídos do que isso. Certamente, se você nunca usou qualquer tipo de contracepção, exceto a abstinência, nunca teve o sexo pré-marital, e tem planos de ter uma criança e sua esposa ficou grávida, você tem pelo menos a superioridade moral.
Dito isto, eu uso a contracepção, tive relações sexuais antes do casamento e não vejo nada de errado com qualquer uma delas. Eu também não estou interessado em ter toneladas de bebês. Nós não estamos mais em uma sociedade agrícola com altas taxas de mortalidade infantil, onde a necessidade de ter muitos filhos surgiu como uma questão de sobrevivência. Temos muitas crianças no mundo que têm má saúde, estão desnutridas, não são desejadas, são maltratadas / abusadas ou estão doentes. Meu pai era o 13 º em uma família de 13, ele foi criado no campo. Eu não sou ele, nem eu posso me dar ao luxo de cuidar de que muitas crianças, e mais importante, eu não tenho interesse em super popular um mundo já superpovoado.
Se você quer ter filhos, adote.
Este ponto de vista é terrivelmente irresponsável porque promove a ideia de ter filhos, sem respeito ao fato de que toda as pessoas podem, até se dar ao luxo de tê-los! Há uma abundância de pessoas pobres que se seguirem esta atitude seria simplesmente continuar dando à luz, porque eles são casados e se amam, mas não podem alimentar, vestir ou prestar cuidados de saúde.
Nós temos um cérebro, a contracepção é uma realidade, òrìşà não quer que vivamos na idade das trevas. Além disso, há uma abundância de casais heterossexuais que optaram por não ter filhos, será que eles também vão contra a palavra de Ifá?
Certamente, se você usar esse argumento contra os gays, você também deve usá-lo contra quem não tem filhos, e dizer como eles também são abomináveis. As crianças não são uma razão. Muitos vão dizer que é contra os valores da família. Bem, eu conheci muitos pais gays que tiveram crianças saudáveis, inteligentes, cuidavam para que estavam criados na linha reta do caráter.
Eu também sei e leio diariamente sobre a abundância de pais “normais”, que não se importam com as crianças deles. Essas crianças são maltratadas, abusadas, agredidas sexualmente e apanham. Na verdade, eu arriscaria dizer que provavelmente há uma taxa significativamente maior de abuso entre os pais “hetero” do que pais homossexuais. Isso provavelmente se deve em grande parte a ter filhos por opção, e não simplesmente por que duas pessoas copularam sem pensar e depois não souberam lidar com a bagunça. Além disso, eu sempre prefiro ver uma criança em um ambiente de amor, sem levar em conta a preferência sexual de seus pais.
Não são os valores da família sobre o amor, a compaixão, carinho e respeito que ajudam sua comunidade?
Tudo isso são coisas que não têm nada a ver com a preferência sexual de uma pessoa. Quanto ao Odù, eu sou jovem bàbáláwo em Ifa e não finjo ser um especialista. . .
No entanto, como eu o entendo, nem todos Odù se aplicam a todos em todos os momentos. Se o fizessem, não teríamos nenhuma maneira de discernir as mensagens de Ifa de uma forma que fosse significativa para nós. Diferentes Odù se aplicam a pessoas diferentes, em momentos diferentes, na consulta com Ifa. Odù pode certamente ter histórias que falam dos problemas que surgem nas relações a partir de macho para macho ou fêmea para fêmea, e que pode ser cuidado por Ifa. No entanto, parece-me que, a menos que Odu apareça tanto em uma leitura com Ifa, como uma leitura para receber um igba òrìşà ou uma iniciação, o ponto é que as mensagens do Odù não são universalmente aplicáveis a todos. Isto é importante porque implica que ser homossexual não é uma coisa “ruim” em geral, mas apenas em determinadas circunstâncias.
Ifa pode tentar dizer a alguém em uma leitura através de Odu o que fará com que eles, em particular, os problemas. Certamente eu acredito na ciência, e homossexualidade não é uma “escolha”, a ciência é irrefutável, você não pode mais mudar isso, como se muda a cor dos olhos, cor da pele ou o tamanho do cérebro (inteligência).
Existem algumas ocasiões em que isto será uma escolha e essa opção pode não ser boa, e Ifa pode decidir dizer a essa pessoa que essa escolha não é boa para ele (assim como Ifa pode rejeitar qualquer parceiro em potencial sendo hetero ou homo).
Se o Odù aparece para você, você pode optar por aceitá-lo, ou ignorá-lo, é a sua escolha. Ifa está lá para revelar o caminho que o seu Ori escolheu para você, enquanto Kúnlè (ajoelhado) perante Òlódùmarè, para ajudar a compreender a vida. Nesse caso, seria minha obrigação dizer ao cliente o que Ifa está dizendo, e em certos casos, Ifa pode revelar que uma determinada escolha não é o caminho certo para aquela pessoa em especial. Você pergunta, como pode ser assim?
A homossexualidade é inaceitável, Ifa não tolera e isso nunca vai mudar!
Bem, eu gostaria de pedir-lhes para recordar alguns pontos históricos. Em um ponto da história o sacrifício humano era uma parte aceita da cultura Yorùbá. As pessoas eram escolhidas (querendo ou não) para dar a sua vida para a comunidade. Bem, as coisas mudaram, e o sacrifício humano não é mais aceitável, e em algum lugar foi adicionado ao corpus literário de Ifá uma história que diz que a mudança (ver p101 em Chefe Yemi Elebuibon “poder do sacrifício e a cura”). Outro ponto, o infanticídio era também uma parte aceita na cultura yorùbá, gêmeos, antes do reinado de Sàngó eram considerados uma abominação e foram mortos (tanto para procriação ser uma razão para a heterossexualidade como a única norma aceita). Isso foi mudado, e agora Ibeji são reverenciados como sagrados e, novamente, um ẹsẹ de algum Odù teve que ser adicionado ao corpus de Ifa para refletir essa mudança. Em um ponto a escravidão e o tráfico de escravos foi aceita como parte da cultura yorùbá, Reis e chefes incentivaram e tornaram-se ricos ao negociá-los entre si e para os comerciantes europeus (a ascensão e queda do império Òyó está diretamente ligado a isso), agora também não é aceitável.
Quando foi a última vez que você viu um escravo?
(Infelizmente, ainda há aqueles que estão em servidão por dívida, basicamente, Odù Ifá fala de escravidão, em algum momento, foi considerado inaceitável).

Como você pode argumentar que as coisas não mudam?

Em um ponto o casamento inter-racial era ilegal nos EUA. Os mesmos argumentos que as pessoas usam contra o casamento gay ou a aceitação de gays em Ifa foram invocados. Triste, mas verdadeiro. Esta prática só pode ser rotulada como ignorância e ódio. O mesmo tipo de ódio que permitia o casamento inter-racial era ilegal nos EUA, que permitiu que as pessoas fossem negociadas como animais, que diz que uma raça, uma crença, uma religião, um sexo é superior ao outro, e esse “outro” é uma abominação. Chamar a homossexualidade de uma abominação ou olhar para eles por que eles são diferentes é a visão de um fanático ou um racista. Estas são as minhas opiniões, reflexo dos meus pensamentos como uma pessoa e um Bàbáláwo, sobre este assunto. Não tenho a pretensão de ser a “autoridade”, apenas alguém que está tentando entender como eu posso facilitar e intermediário entre os seres humanos e Ifa. Eu incluí as pessoas não citarei Odu contra a homossexualidade em geral. Mais uma vez reitero que, para mim, não são leis universais, mas Odu Ifa que, se eles aparecem na adivinhação, é minha responsabilidade falar com essa pessoa em particular sobre e interpretar por eles o que Ifa diz.

Odu Òfún-Aláàye (Òfún- Ìretè) onde Ifa diz

O epo é bom para temperar o inhame
O inhame é bom para ser comido com epo
A escada de mão é boa para subir até a cumeeira
Uma mulher é melhor para fazer amor que um amigo
Um homem é melhor para fazer amor que uma amiga
Se um homem dorme com outro homem
Resultará em pedaços, furúnculos e mordidas.
Se uma mulher faz amor com outra mulher
Resultará em obscuridade, mal cheiro, sujeira e irritação
Se um homem faz amor com uma mulher
O resultado será como estar no topo do mundo
O gosto é ilimitado e eufórico.
Os órgãos de Òfún-Rẹtẹ̣ são firmes e fortes
Foi quem lançou Ifá para o solteiro convicto
Quando ele vinha desposar Òlélé, a filha de Ọlọ́fà
O solteiro convicto chamou Òlélé porém, ela não respondeu
O problema não é mais o que Ifá possa resolver.

Ìwòrì ‘Wodin (Ìwòrì Odi) Ifa tem este para dizer:

Ìwòrì teve um olhar fantasioso na genital e considerou uma prática adequada
Você considera que Ìwòrì olha para os genitais como um bom Awo?
Este foi declarações do Ifá Panla-Apo que não conseguiram garantir um marido para se casar
Mas optar por estar apaixonado por uma mulher companheiro
Ela foi aconselhada a oferecer ebo
Uma mulher que faz amor com uma mulher do companheiro
Você não sabe que ela está apenas olhando para uma genital sem vida não-produtiva?

Em outra estrofe Ìwòrì Wodin, Ifa diz:

Se esta é a nossa forma de administrar a comunidade
A comunidade teria sido muito desejosa (a viver em)
Este foi a mensagem de Ifa para os cidadãos de Ìwòrì -Wodin
Quem foram aconselhados por Ifa para enviar todos Ọmọ- Òşu * longe
Aqueles que depois de se casar uma vez,
Escolheu executar a ejaculação com colegas mulheres e foram aconselhados a oferecer ebo
Se esta é a nossa forma de administrar a comunidade
Será que a comunidade tem tido este desejo de viver?

Em cada Odu em particular, estes são os conselhos lidos para a pessoa que está sendo consultada e a cada caso, Ifá recomenda algo para eles em particular. Se você acredita que Ifa não pode aceitar a homossexualidade, você está apenas pregando uma mensagem de ódio e que não é diferente da mensagem de superioridade racial.
É uma linha tênue antes de pregar esta mensagem, vemos o tipo de comportamento que da humanidade que pode se inclinar nas atrocidades das cruzadas santas, a inquisição espanhola, Segunda Guerra Mundial, Vietnã, Darfur e inúmeros outros momentos de escuridão.
Respeitosamente,

Oda bò Ifálọlà

***DESCULPE devido à natureza difícil e diversionista deste debate, eu não estou postando comentários de ninguém.
Este é o meu blog, não um fórum geral aberto, é pegar ou largar.

***Obs. Nota do autor que resolvi transcrever.

 

 

=================================================================================

Resposta ao Oluwo Solagbade Popoola

Pelo Bàbáláwo Falokun Fatunmbi

Agbo atò (Saudação que somente os bàbáláwo podem usar para desejar vida longa)

Pediram-me para interpretar vários Odù que foram postados que abordam questões de preferência sexual.
Quero começar dizendo que fui ao Awoni a vinte anos atrás e fiz esta mesma pergunta.
Seria um tabu para gay e léxicas se iniciarem em Ifá?
Os Áwoni são os Áwo do Oni de Ilè Ifé. O Ooni de Ifè é o líder espiritual de Ifá e ele dá ao Áwoni o direito de interpretar ou mudar o Odù.
O Áwoni me disse que não há tabu contra homens gay e mulheres léxicas se iniciarem em Ifá, esta posição tem sido repetida por Chefe Wande Abimbola, que é um Áwoni muito antigo e o Áwo mais velho da diáspora.

Na minha humilde opinião, isso deve ser suficiente, debater mais, seguir em frente com sua vida.
Este problema deve manter sua cabeça elevada devido a uma tendência crescente na interpretação teológica de Odù. Acredito que Odù tem a intenção de refletir a visão mística do profeta Ọrúnmìlà. Essa visão é uma mensagem transcendente expressa em linguagem simbólica. É da responsabilidade teológica de todos awo para traduzir a mensagem transcendente que se aplica à situação histórica atual. A tendência crescente em Ifa é permitir que o fundamentalismo de algumas formas do cristianismo e do islamismo influenciem a interpretação do Odù. O fundamentalismo é a fonte do dogma. Dogma é a noção de que os seres humanos são capazes de conhecer e entender a vontade de Deus. Dogma é sempre a justificativa para o racismo, o sexismo e a homofobia. Quando uma pessoa acredita que racismo, sexismo e homofobia refletem a vontade de Deus, o próximo passo é sancionar a violência como uma metodologia para fazer cumprir a vontade de Deus.
Eu entendo que na visão mística do profeta Ọrúnmìlà, Ifa é antidogmático. Se examinarmos o Odù em Iwa Pele fica claro que o ponto dentro do Odù é o tabu para julgar os outros e que quando nos envolvemos com o tabu de julgar os outros, há sempre consequências trágicas. Nós não julgamos os outros, porque a visão de Ọrúnmìlà inclui a ideia de que, como seres humanos, temos a capacidade de transformar ibi em ire. Esse é o ponto de Ìwòrì meji, da elisão I Awo Ori, que significa: O mistério da consciência.
Ọrúnmìlà ensinou que o mistério da consciência está em um estado constante de fluxo. Cada momento de nossa vida traz a possibilidade de elevação, revelação e crescimento espiritual. Além disso, a tarefa de interpretar Odù não só envolve aplicar a mensagem a um contexto histórico específico, que também envolve a aplicação da mensagem para uma pessoa real com um problema real. Os fundamentalistas não reconhecem essa necessidade, em vez disso, pregam o dogma de que todos os Odù se aplicam a todos.
Eu sou da opinião de que ao se aplicar todos os Odù para todos, estaremos na contra mão da mensagem transcendente de Ọrúnmìlà. Se o Odù deve ser aplicado para todos, então não seria necessário fazer adivinhação.
Tomemos um exemplo óbvio. Há um Odù Ifá que diz:
Ọrúnmìlà um dia foi ao mercado comprar um escravo.
Do ponto de vista fundamentalista, dogmático você pode interpretar que isto significa que os adoradores de Ifa precisam possuir escravos.
Esperemos que seja evidente que este tipo de fundamentalismo do ponto de vista dogmático não é consistente com a mensagem transcendente do profeta Ọrúnmìlà.
Fundamentalista tendem a escolher os versos eles interpretam literalmente como uma forma de evitar esses tipos de contradições.
Aqui está o ponto, se você é um fundamentalista, que é o seu direito, pelo menos, seja coerente com a aplicação do seu processo teológico.
Tomemos o exemplo de Òfún Ìrẹtẹ:

Óleo de palma é bom para complementar o inhame para o consumo
E inhame é bom como complemento para a alimentação com óleo de palma
A escada é boa para a escalada da viga
Uma mulher é melhor para um homem fazer amor com que seus companheiros
Para um homem é melhor uma mulher para dormir como sua companheira
Se um homem dorme com um homem isto irá resultar em pedaços, furúnculos e bouba (doença de pele)
Se uma mulher faz amor com a mulher do companheiro
Isto irá resultar em trevas, federá a sujeira, mau odor e irritação
Se um homem faz amor com uma mulher
E uma mulher dorme com um homem
O resultado é como se sentir no topo do mundo
A sensação é como ter prazer ilimitado e incondicional
Órgão de Òfún-Rete é forte e túrgido
Este foi quem lançou Ifa para um celibatário radical
Quando ia casar com a descendência de Olete Ọlọ́fà
O celibatário radical chamou Olete mas ela não respondeu
Não é um problema que Ifá não possa resolver.

Este ẹsẹ Ifá vem do trabalho de coletas de baba Pópóolá e eu quero agradecer a ele por fornecer este excelente exemplo de um versículo que nos dá a oportunidade de examinar diferentes abordagens para a interpretação.
Em primeiro lugar, não há nada no verso que sugere que este Odù aplica-se a toda a humanidade, não há versos, que eu saiba, onde o profeta Ọrúnmìlà ensinou que todo versículo se aplica a todos. Um fundamentalista que interpreta o Odù através do uso do dogma, diria que todos os versos são a palavra de Òlódùmarè e, portanto, a expressão da vontade de Deus e, portanto, se aplicaria a todos.
That is a way to interpret Odù.
Há também o que os teólogos chamam de abordagem existencial à escritura. Isso significa que o teólogo tem a tarefa de aplicar a mensagem para a situação. Um existencialista acredita que é impossível para os humanos entender a vontade de Deus. Escritura é a aproximação da vontade de Deus usada como uma ferramenta de resolução de problemas, e não como um mecanismo para o controle e a manipulação do espírito humano. Quando olhamos para a linguagem simbólica da escritura, enquanto em um estado alterado de consciência, temos a possibilidade de acesso a toda a gama do potencial humano no ato de dar orientação a alguém que está em crise.
Vejamos o verso a partir do ponto de vista existencial.

Òfún Ìrẹtẹ

Óleo de palma é bom para complementar o inhame para o consumo
E inhame é bom como complemento para a alimentação com óleo de palma

Comentário:
Normalmente o ẹsẹ Odù começa com o nome do Áwo e o nome do Áwo é a solução do problema. Neste Odù o verso começa com um proverbio. O proverbio sugere que a missão do inhame é boa, junto ao óleo de palma.
Verdadeiro.

O proverbio não diz que a única maneira de comer inhame é com a mão e que todos devem comer inhame com óleo de palma.
Interpretar o provérbio como dogma, é colocar viés pessoal em uma observação aceita que claramente tem exceções. Eu iria ao ponto de dizer que não existem duas pessoas que comem seus inhames da mesma forma.

A escada é boa para subir a viga.

Comentário:
Novamente, isto é auto evidente e, novamente, ele não diz que todos devem usar uma escada para subir e não diz que não usar uma escada seja algo ruim.

Uma mulher é melhor para um homem fazer amor com que seus companheiros
Para um homem é melhor uma mulher para dormir como sua companheira

Comentário:
Mais uma vez, temos uma evidente observação cultural. Eu não conheço nenhuma pessoa LGBT que não entenda a função reprodutiva da sexualidade masculina e feminina. Eu não conheço pessoas LGBT que não entendem que homens e mulheres heterossexuais geralmente têm um grande prazer durante o processo de procriação.

Então, qual seria o ponto em termos de uma interpretação existencial do versículo?
Parece-me que este versículo está abordando a questão da preferência sexual por uma pessoa que é ambivalente, sobre sua preferência ou confuso sobre a sua preferência sexual. Há pessoas que experimentam a certeza sobre a sua preferência sexual e há algumas pessoas que experimentam a dúvida sobre sua preferência sexual. Se uma pessoa traz sua dúvida para Ifá isso não significa que haja um tabu contra o gênero sexual.
Seu problema não é meu problema e é por isso que fazemos adivinhação.
Na minha humilde opinião, uma interpretação fundamentalista e tão dogmática deste verso é um pouco míope, ou seja, uma visão curta.
A palavra Ifa significa: A sabedoria da natureza.
Nós assimilamos que o significado de Ifá òrìşà é o amor incondicional para o espírito e nós transformamos este amor em sabedoria. A disciplina espiritual de Ifá fala sobre a transformação de Ifé em Ifá.
A sabedoria é a integração do conhecimento com a experiência, temperada pela compaixão e a empatia. Isso significa que nossa primeira obrigação como um adivinho é sentir empatia por alguém que está passando por uma confusão na escolha da sua preferência sexual e oferecer uma resolução para a confusão baseada não na nossa preferência, mas com base no destino da pessoa que veio a nós em busca de orientação. A psicologia e a biologia têm estudado a questão da preferência sexual em profundidade. Como Áwo, se vamos interpretar uma mensagem espiritual transcendente que se aplica a um momento histórico e local específico para uma pessoa específica, temos a obrigação de conhecer e compreender a informação relacionada com a nossa fonte e a confusão do cliente.
Os psicólogos nos dizem que a atração de gênero tem duas fontes. Uma é hereditária e a outra é de desenvolvimento.
Se uma pessoa tem uma inclinação hereditária em direção a sua intimidade de gênero, que por sinal, foi uma escolha feita no Òrun antes de vir à Terra, esta é uma escolha daquele momento e Òlódùmarè e o Áwo não tem nada a ver com esta escolha.
A questão do desenvolvimento é baseada na dinâmica de traumas de infância. Se uma criança é abusada sexualmente por um membro do sexo oposto, esse abuso pode causar uma aversão ao sexo oposto. Tal aversão pode ou não ser compatível com inclinações hereditárias.
Nosso trabalho como Áwo é curar a raiva, a vergonha, a decepção e a confusão causadas por abuso sexual na infância e colocar o cliente em posição de fazer a escolha de sua preferência sexual desinibida por traumas da infância. Se você disser a um cliente que sofreu trauma sexual na infância que sua preferência sexual é negativa, você estará negando qualquer possibilidade de cura. Você traz um grande dano para esta pessoa que já sofreu danos inimagináveis e contradições. Está auto descrito qual é a função de um Áwo.

Se um homem dorme com um homem isto irá resultar em pedaços, furúnculos e bouba (doença de pele)
Se uma mulher faz amor com a mulher do companheiro
Isto irá resultar em trevas, federá a sujeira, mau odor e irritação

Comentário:
Há Odù que avisam o cliente contra a possibilidade de doenças sexualmente transmissíveis como o resultado de encontros heterossexuais. Parece-me que é um alerta contra a possibilidade de doenças sexualmente transmissíveis como o resultado de encontros homossexuais. Para fazer a suposição tola de que a advertência contra doenças transmissíveis homossexual implica um tabu contra homossexualidade, então você teria que aplicar a mesma lógica boba para a ideia de que você pode contrair doenças transmitidas heterossexualmente.

Para mim, a ideia de interpretar a linha acima deste ẹsẹ Odù como um tabu contra a intimidade de gêneros, é uma distorção da lógica que está abaixo de nós, homens e mulheres que fazem o esforço de transformar Ifè em Ifá.

Se um homem faz amor com uma mulher
E uma mulher dorme com um homem
O resultado é como se sentir no topo do mundo
A sensação é como ter prazer ilimitado e incondicional

Comentário:
Isto é simplesmente uma repetição da referência anterior. Você pode ver isso como a expressão de um tabu (o que claramente não é) ou você pode vê-lo como um incentivo para alguém que pode ter sido abusado e que está considerando uma escolha diferente em relação à preferência sexual. De um ponto de vista cultural, a cultura yorùbá tradicional tem uma forte advertência em termos de ter certeza que os antepassados têm corpos através do qual podem reencarnar. Na cultura yorùbá tradicional a ênfase no valor das crianças faz com que algumas pessoas com preferências pelo mesmo sexo considerarem a bissexualidade.
Isso significa que eles desejam filhos sem negar a sua preferência.
Na minha experiência, a poligamia yorùbá tradicional suporta essa opção.

Órgão de Òfún-Rete é forte e túrgido
Este foi quem lançou Ifa para um celibatário radical

Comentário:
Esta é a frase-chave para a compreensão da aplicação deste ese Odù. Eu nunca conheci um awo que acredita que cada verso em cada Odù divinado para um cliente se aplica a esse cliente. A adivinhação envolve determinar quais versículos se aplicam à orientação que a pessoa precisa. A estrutura do Odù Ifa como tão maravilhosamente explicado por chefe Wande Abimbola é que no Odù Ifa o nome do cliente é o código para o problema a ser discutido no verso. O nome do cliente é celibatário radical.

O nome do cliente sugere uma pessoa que não é casada e que, aparentemente, não tem interesse no casamento. Uma pessoa que se contenta com a possibilidade da sua vida como um (alguém que possivelmente se contenta com um estilo de vida e de gênero) solteirão que veio a Ifá para confirmar a validade de sua escolha com base no seu destino, pois o escolheu no Òrun.
Para ficar claro, dada a pergunta, a resposta poderia ser qualquer uma, continuar a ser gay, tornar-se heterossexual ou abraçar a bissexualidade como uma forma de criar uma família.
A expressão celibatária radical não sugere uma pessoa ruim fazendo coisas más que precisa ser punido. A interpretação, celibatário radical feita por um fundamentalista, do ponto de vista dogmático desafia todas as regras de interpretação do Odù.
Na minha experiência, a língua yorùbá é muito objetiva e o Odù Ifá diz o que isso significa e significa o que ele diz.

Quando ia casar com a descendência de Olete Ọlọ́fà
O celibatário radical chamou Olete mas ela não respondeu

Comentário:
Isso vem que ser a confirmação evidente que estou no caminho certo com a minha interpretação desse versículo. Celibatário radical quer casar Olete que não está interessada.
Olete vem da elisão: O ilè ate, ou seja, o espírito da família está numa encruzilhada que significa que o cliente precisa tomar uma decisão.
A decisão é explicitada em linguagem clara, de que ele permanecerá solteiro ou ele se casará. A inferência aqui é que o Olete não está interessado em casamento porque Celibatário radical não está interessado em mulheres. A falta de interesse não vem com uma declaração explícita de que a ausência de interesse é ruim, é apenas uma observação do que é o momento do cliente. O versículo se aplica ao cliente que recebeu o Odù Òfún Ìrẹtẹ ou não.
O Odù se aplica a todo o homem que tem dúvidas sobre se casar com base em sua orientação sexual, é uma hipótese que está além de ser um bobo. Deixe-me ser gentil aqui e dizer que é uma suposição que não parece ter o apoio das palavras do ẹsẹ Odù.

Não é um problema que Ifá não possa resolver.

Comentário:
Exatamente, o problema não é mais do que Ifá não possa resolver.
Preste atenção: Observe que o versículo não dá uma solução.
Deixe-me dizer isso de novo, observe que o versículo não dá uma solução.
Ele simplesmente diz:
Ifa pode resolver o problema e como ele resolverá o problema?
Ele resolverá o problema perguntando:
Deveria esta pessoa se casar?
Baseado na minha experiência como um adivinho, quando você fizer essa pergunta a resposta pode ser sim ou não.
Se você basear a resposta sobre o seu medo pessoal relativo a intimidade de seu gênero, então a resposta será sempre sim.
Como um Àwo que acredita que o profeta Ọrúnmìlà era um existencialista que gostaria de fazer o julgamento do que responder a pergunta baseada no medo sobre a sua intimidade sexual, seria incoerente com a mensagem do profeta Ọrúnmìlà como eu o entendo.
Isso é simplesmente a minha opinião.

Ire Baba

Tradução: Odé Gbàfáomi.

Prece com seu Orixá.

Prece, adurá ou oração,  é uma conversa com seu Orixá e pode ser representada por um pedido, agradecimento ou reconhecimento da bondade divina.

Geralmente, usamos a prece ou a oração para pedir, no entanto, nem sempre o que nos parece necessário é o que realmente convém à nossa felicidade. Inútil pedir ao Orixá abreviar as nossas provas, nos dar alegrias ou riquezas. Peçamos, antes, os bens mais preciosos da paciência, da compreensão, da resignação e da fé.

Há dois tipos de pessoas que não oram: as que não querem e as que não sabem.

As que não sabem, muitas vezes, rezam mecanicamente, algo decorado que aprenderam na infância. Não compreendem que o valor da prece está no sentimento e não nas palavras utilizadas. Não existe oração poderosa, milagrosa.

Então, por que as orações existem? Apenas como guias e roteiros para os que não conseguem, sozinhos, encontrar as palavras necessárias. Algumas pessoas sentem a necessidade de ter um texto para seguir.

Ao Orixá devemos nos dirigir com humildade e confiança. Isto é fundamental.

Sabemos que estaremos evoluindo, quando deixarmos de pedir por nós mesmos e, deixando o egoísmo de lado, pedirmos por nossos irmãos.

E quais, então, são as condições da prece? Orar em segredo, sem demasia, pois Deus estará lhe escutando e não será a quantidade de palavras mas, sim, a sinceridade com que foram ditas. Purificar o coração, buscando o perdão aos desafetos, despindo-se de mágoas e ressentimentos. Orar com humildade e não com orgulho.

Nosso Orixá ouve as nossas preces? Sim, as preces sinceras, humildes, e nos responderá através dos acontecimentos da vida, embora não do modo que pretendemos, nem no espaço de tempo que desejamos.

Às vezes, por desespero, queremos uma solução imediata e não percebemos que a resposta pode estar no próprio problema. Por exemplo, pedimos a cura para uma doença, sem nos apercebermos que a enfermidade pode ser necessária para a nossa cura espiritual.

O homem, geralmente, só vê o presente, mas se o sofrimento for útil para a sua felicidade futura ele virá ao seu encontro.

O que o Orixá lhe concederá será a coragem, a paciência, a compreensão e a resignação para enfrentá-lo. E, ainda, os meios para se livrar das dificuldades. O esforço, entretanto, será sempre nosso.

Precisamos transformar as preces em ação, trabalho, realização em favor da vida e do próximo.

Quando fizer a prece, recolha-se em seu coração. Faça silêncio e irá sentir a energia do Orixá atravessar a sua pele

Autoria: Eliane de Oliveira Mianni Motta

Texto adaptado: Babá Fernando D’Osogiyan

Nós mesmo podemos escrever nossos Preces diariamente.

Dobrando meus joelhos …

Peço  com humildade com minha testa encostada e minhas mãos espalmadas sobre a Terra, a grande Mãe…

Peço misericórdia ao senhor meu Orixá  por minha avareza, ser quem nada sou ou penso que sou…

Peço perdão pelo meu egoísmo,  minha intolerância e minha arrogância desapercebida…

Peço com vergonha  que  a minha possível  soberba seja punida pela justiça divina…

Peço com a voz  embargada  que a inveja que sinto não seja pela felicidade do outro…

Peço em submissão que não me acovarde nas adversidades, que insista sempre com coragem…

Peço piedosamente que nunca  desistas de mim,  mesmo que por um minuto, um só carinho eu possa merecer…

Peço caridosamente que minha alma tenha piedade ante  meus erros e meu arrependimento seja verídico…

Peço sinceramente que a esperança nasça todas as manhãs quando acordar renovando a minha alegria de viver…

Peço agradecendo com euforia por ter a oportunidade de ser feliz , ser um homem, um Òlorisá de fé.

Babá Fernando D’Osogiyan

PRECE AO GRANDE OXALÁ

Oxalá! Divina manifestação do Bem,

Senhor da perfeita Sabedoria e do Bendito Amor,

Ó! Vós que recebei o poder do supremo.

Protegei-nos das ciladas ilusórias do mundo enganador,

Despertai-nos para a realidade da vida imortal,

Sois a imaculada irradiação do Altíssimo,

que nos guia; com ternura e esperança,

para a   luz.

Rogamos contritos pela salvação da nossa consciência.

Junto a Vós, trilharemos por caminhos iluminados,

Porque sois a divina pureza, acolhedora e misericordiosa.

Santo Nome, envolvei-nos em sentimentos fraternos

de real amor, a fim de chegarmos até Vós,

Oxalá ! Tende pena de nós, tende compaixão…

Êpa, êpa, Babá Oxalá!

 

 

Ọrúnmìlà / Ifá

11143170_787826974665139_286330430389665008_n

Eu acredito em Ifá, não por que, eu nasci em Ifá; Mas, por que Ifá nasceu em mim.

A filosofia de Ifá é uma das mais antigas formas de conhecimento revelada a humanidade. Infelizmente as revelações de Ọrúnmìlá, têm desde o início dos tempos, sido escondidas no mais completo sigilo daqueles que poderiam dispor de tempo para adquiri-los e não tinham recursos de ir atrás deles.
O aprendizado de Ifá obriga o seu iniciado a fazer viagens, trocar informações, adquiri-las através de sacrifício de tempo ou dinheiro.
Tudo o que sabemos hoje de Ifá, tem sido passado de geração em geração a milênios. Muito do que o povo conhece sobre Ifá é também revelado, até mesmo hoje em dia, pelo próprio Ọrúnmìlá, porque ele regularmente surge para seus seguidores (iniciados ou não) em sonhos, para ensiná-los o que é necessário saber sobre sua obra (No culto de Ifá temos um òrìşà que nos ensina através dos sonhos em outra dimensão). O conhecimento de Ifá tem sobrevivido essencialmente pela tradição oral que passa de um sacerdote de Ifá para outro. Nenhum esforço consciente tem sido feito para publicar a obra completa de Ọrúnmìlá para o público consumidor.
Até os sacerdotes de Ifá, entre eles, são frequentemente relutantes em compartilhar conhecimento por temor que se o mesmo (conhecimento) se tornar de domínio público, a fachada mística oculta na qual eles operam, será destruída. Isto não é totalmente sua culpa, afinal, eles levaram pelo menos 21 anos de aprendizado para se tornarem sacerdotes eficientes.
(Aqui vemos o autor sendo politicamente correto em sua análise, pois, de verdade o que impera é o medo de saber que outros também sabem, que outros também podem curar, orientar, ajudar, prolongar a felicidade e a prosperidade de alguém. Podemos usar o exemplo de uma faculdade Direito, onde todos têm o mesmo acesso à informação e apenas um ou dois se notabilizam por seu esforço e compreensão da matéria).

Esse trabalho que foi diretamente inspirado pelo próprio Ọrúnmìlá, não seria fácil para ninguém dispor de tempo, esforço e dinheiro, para se iniciar em numa aventura interminável. Isso é o que a sociedade de Ifá chama de conhecimento interminável, imutável e imortal.
(Ou seja, muitos sacerdotes de Ifá fracassam, pois, sua vontade de adentrar nos mistérios do culto é apenas uma ponta do seu iceberg de vaidades)
Ver-se-á de suas revelações, que Ọrúnmìlá, embora o mais novo de todas as divindades criadas por Deus (Òlódùmarè), foi verdadeiramente a própria testemunha de Deus quando começou a criar as substâncias orgânicas e inorgânicas (O Cosmos). Este é o porquê dele ser consultado como o Ẹlẹri Ipin (Testemunha do Destino). Somente ele conhece a verdadeira natureza e origem de tudo que é animado ou inanimado e criados por Deus.
Este conhecimento tem lhe dado, desta maneira, incomparáveis poderes que fazem-no o mais eficiente de todas as divindades, que foram as primeiras criaturas de Deus.
(A inabilidade de Ọrúnmìlà em várias frentes de trabalhos lhe rendeu insultos e impropérios por parte das divindades, aqui falamos metaforicamente, acarretando na descoberta de seu maior ire, sorte/coisas boas, a SABEDORIA, que lhe rendeu o conhecimento e a sensibilidade, que hoje formam o tripé da base de qualquer pessoa que deseja ser, ou é escolhido pela divindade, para ser um sacerdote. Sabedoria, conhecimento e sensibilidade).

Os seguidores que são capazes de alcançar este tripé, consequentemente, controlam enorme poder, esse poder muitas vezes tem sido confundido e chamando de magia ou fetiche.

Por outro lado à expressão “Ifá” (A voz de Deus) engloba as revelações, estilos de vida e a religião ensinada por Ọrúnmìlá. Este é o porquê de ser frequentemente dito que Ọrúnmìlá é a divindade mas Ifá é a palavra.
O sacerdote de Ifá é um pedaço da boca de Ọrúnmìlá e até comparativamente ele era o eixo em torno do qual a vida diária da comunidade girava. Nos tempos imemoriais era de bom tom ir abertamente até ele para buscar solução para os problemas da vida. Atualmente tem se tornado moda consultar um sacerdote de Ifá em segredo absoluto e furtivamente.
(Aqui vemos um poema/verso de Ìròsùn ‘Òtúrá que diz:

Quando as pessoas dos limites da Terra disseram que não iriam praticar nenhuma religião (a religião yorùbá),
Ọrúnmìlà disse que as pessoas dos limites da Terra não podem rechaçar sua religião.
Eles (as pessoas) perguntaram por quê?
Ele disse:
Por que um bando de Agbè cultua Olú igbò (O chefe da floresta).
Um bando de Àlùkò cultua Olú òdàn (O chefe das savanas)
Quando Òdìdè viaja para longe ele sempre volta para casa.
Ele [Ọrúnmìlà] disse:
Alupayida atrairá os homens para mim (a religião Yorùbá)
Ele [Ọrúnmìlà] disse:
Alupayida atrairá as mulheres para mim [a religião Yorùbá]
Ele disse:
O pássaro osin é conhecido por um nome apenas.
O rico virá a render-se ao culto,
O afortunado virá render-se ao culto.
E o famoso também virá se render ao culto,
Também o jovem e o velho virão se render ao culto.
Os homens e as mulheres virão se render ao culto.

Este verso diz que jamais poderemos esconder, renegar, camuflar ou disfarçar que somos adeptos/simpatizantes/iniciados nos mistérios da religião ou que buscamos o socorro dentro da sabedoria celeste de Ọrúnmìlà).

Três fatores têm sido os responsáveis por esta espetacular mudança de atitude.

O primeiro é a chegada à civilização moderna e a educação trazida.

O segundo é a despótica influência das religiões modernas as quais foram usadas pela espécie humana como armas para conquistas, não apenas das mentes mortais, mas, também para manifestar ambições de território.

O terceiro é o impacto decorrente das duas primeiras forças. Os filhos dos sacerdotes de Ifá, não mais desejam ser associados a religião e ao modo de vida de seus pais, aos quais eles rejeitam como superstições pagãs.

Muitos sacerdotes de Ifá dotados de brilhante conhecimento teórico e prático do oráculo, têm morrido não restando nada gravado de suas riquezas de conhecimento e experiência. O volume de livros os quais eu estou prestes a lançar (já lançados em Inglês) são uma tentativa para deixar um relato histórico da grande obra de Ọrúnmìlá.
(Um dos maiores relatos que ouço desde 1986: Eles morreram e levaram todo o conhecimento, não legaram nada a seus sucessores. Isso pode ser uma verdade, porém, verdadeiramente quem deu segurança a esse sacerdote de que os ensinamentos seriam bem cuidados e bem passados as gerações futuras?
Ọrúnmìlà diz que prefere uma pessoa sem conhecimentos a uma pessoa sem caráter no sacerdócio. Talvez esse tenha sido um dos motivos que levaram a quebra dessa corrente).

Eles se destinam a provocar debates para o enriquecimento do conhecimento de modo que as gerações vindouras conhecerão sobre Ọrúnmìlá e serem orgulhosos por estar associados a ela. Este trabalho se designa também a assistir os estudantes da filosofia de Ifá na obtenção mais profunda do conhecimento, o Ifismo, quanto gerar interesse no aluno. Também irá prover assistência para aqueles que foram iniciados na religião, mas que continuam a duvidar da veracidade de toda concepção de Ọrúnmìlá ou foram abandonados por seus sacerdotes, após, o pagamento de volumosa quantia financeira.

Frequentemente quando uma pessoa vai a um sacerdote, ele conta para o suplicante os encantamentos específicos do Odù que se apresentou para ele. Depois disso, ele prescreve os sacrifícios a serem feitos sem preocupar-se em narrar ao suplicante a história fundamental do sacrifício que ele (Odù) está pedindo para se feito. Eles o fazem por que acreditam que a mente do não iniciado ou com menos conhecimento (o suplicante/iyawo) não irá entendê-los.
Eles começam a questionar se o sacrifício é ou não relevante.

Se ele faz ou não o sacrifício, torna a reputação do sacerdote de Ifá incerta e não as suas convicções da necessidade disto.
(Aqui encontramos a chave de muitas questões sem respostas. Vamos supor que o Ori do consulente não aceita/rejeita o ebo, porém, fica com vergonha de se expressar, o capítulo final estas nas portas cerradas do Ợrùn, o ebo não chega a Òlódùmarè e se chegar ele vai perguntar a Èşù se o Ori está aceitando o que foi ofertado, em caso negativo a bênção não é dada.
Poucos sabem que a sanção da bênção é dada por Òlódùmarè, todos os ebo passam pelo seu crivo, quer as pessoas acreditem ou não. O ase (força vital) está sob a custódia de Èşù, mas, pertence a Òlódùmarè e Èşù somente libera se for autorizado. Então, o sacerdote quando é versado ele saberá de ante mão se o Ori do suplicante aceitou ou rejeitou o ebo. Como temos visto a parte financeira andar na frente do bem estar do ser humano, este enorme ‘por menor’ é relegado a terceiro/quinto plano, aqui está a resposta para muitos ebo não darem certo ou não terem resposta).

Mais importante é a tentativa de fazer a religião se classificar como muitas religiões novas, como o judaísmo, cristianismo, budismo e islamismo. Estas outras religiões tinham a vantagem da documentação histórica. Tanto ao mais, nós veremos que Ifá é muito mais rico e o mais antigo corpus literário de conhecimentos.

È importante notar que todavia este trabalho não coloca reivindicações, quaisquer que sejam, por conta da religião de Ifá. É dito que ninguém pode conhecer completamente a Obra de Ọrúnmìlá. Este trabalho é portanto o início e a pesquisa será continua durante toda a vida do autor. Espera-se que ela seja atualizada de tempos em tempos tendo em vista a ausência de pesquisas e revelações adicionais.

Por outro lado, o escritor espera, que com esses volumes de dezessete livros ao todo, desmistificar a filosofia da Religião de Ifá. Contrário à todas as aparências externas, não há nada mágico sobre Ifá. A arte é análoga ao trabalho de astrologia. Um astrólogo conta o futuro de um homem lendo o comportamento das estrelas que estavam no céu na época em que a pessoa nasceu. Do mesmo jeito quando uma criança nasce, os instrumentos principais de divinação de Ifá são usados para ‘desvendar’ (Esentayé) sua cabeça e escutá-la. Os instrumentos irão declarar o nome do Odù que será sua estrela guia.
(Explicamos que a criança quando nasce passa pelo rito do nascimento, o rito da descoberta de seu Odù, no terceiro dia de nascido, não o Odù principal, mas, o Odù que lhe servirá de orientação e parâmetro, apontando caminhos, profissão, esposa (s) e etc., até o ritual de descoberta de seu verdadeiro Odù, não há idade para se iniciar em Ifá. A importância deste ritual é balizar o cumprimento do seu destino, obrigação de todo ser humano).

O sacerdote de Ifá irá então revelar a história da vida do Odù que surgiu para ele e pode proclamar com cem por cento de certeza que a vida da criança irá tomar alguns caminhos que aparecem no Odù. É como o ritual que acontece quando o Odù individual surge no jogo para uma pessoa na iniciação da religião de Ifá (dentro do Igbòdù), a sociedade secreta dos Babalawo.

Por exemplo, se a cerimônia do nome ou durante a iniciação em Ifá, Èjì Ogbè é o Odù revelado, a pessoa pode convenientemente ser informada de que sua história de vida seguirá a caminha da vida de Èjì Ogbè.
Se por exemplo o iniciado é negro e de estatura média, ele deve ser informado que se ele for capaz de seguir os conselhos e èèwò (tabu/quizila) de Èjì Ogbè ele certamente prosperará na vida e disporá tempo de sua vida em serviços humanitários.
Se por outro lado à pessoa é clara ou baixa, ele pode ser informado que ele não será provavelmente muito próspero a menos que consulte seu Ifá e execute sacrifícios especiais para remover os obstáculos que Èjì Ogbè tinha em circunstâncias similares. Neste caso Èjì Ogbè retornou ao Ợrùn para se recuperar antes da fortuna lhe sorrir na Terra.
(Aqui vemos um caso clássico onde o indivíduo tem todos os obstáculos avistados em seu caminho, destino, o Corpus Literário de Ifá, está sugerindo, não o retorno ao Ợrùn, mas, o sacrifício que será feito para remover os obstáculos através do conhecimento do Babalawo e da aceitação do que for prescrito como oferta as divindades).

No mesmo jeito, se algum Odù em particular for revelado no jogo, o sacerdote vai perguntar, ao oráculo, se é para realizar algum sacrifício, que já foi executado pelo Odù em tais circunstâncias. Se o jogo revelar que a morte da pessoa é iminente, o sacerdote orientará a pessoa a fazer um sacrifício, desde que Ọrúnmìlá tenha orientado sua execução, uma vez que ele já havia recomendado outras pessoas fazerem a fim de evitar o perigo da morte prematura em circunstâncias similares.
(Neste caso clássico Ọrúnmìlà ganha o nome de louvor: Òkítíìrí, a pa ọjọ Iku dà.
Aquele que pode nos livrar da Morte).

É razoável imaginar pela análise anterior que longe de uma vida de mágico, o sacerdote de Ifá é simplesmente um hábil intérprete. Contanto, ele pode desenvolver uma memória retentiva, no caso então, ele tem somente que relatar (Aqui chamamos essa passagem de Cantar Ifá, ou seja, ler/recitar os versos da Escritura Sagrada/Corpus Literário de Ifá) os problemas de um suplicante, com uma situação análoga que ocorreu em outros tempos (pode ter sido a milhares de anos atrás), para revelar os problemas que estão acontecendo hoje e colocá-los de uma forma apropriada.
Estas considerações sobre a obra de Ọrúnmìlá é uma tentativa de auxiliar os não iniciados, bem como os neófitos, a serem capazes de entender as revelações de Ifá por eles mesmos, a fim de perceber que o sacerdote tenta fazer do discurso sua prática na arte de Ifá.

È importante observar que desde o início Ọrúnmìlá não procurou pela conversão dos fiéis. Essa é uma religião do indivíduo, a qual não confia na importância do poder aquisitivo para sua sobrevivência. Desde os tempos imemoriais, Ọrúnmìlá ensina que a melhor maneira de compreender é preservar os seus conhecimentos, que será completamente eficaz para seu trabalho e para a melodia de sua música.

Ọrúnmìlà está dizendo que nossa religião não é para copiar o que os outros fazem, ela tem que ser entendida e para tanto precisamos estudá-la, interpretá-la e praticá-la. Sem conhecimento, estaremos agindo de forma empírica, entendendo que nosso ouvido tem vida própria e que não precisamos de mais nada.
Acreditamos que isso possa ser um caminho (ouvido/intuição), mas, não é a estrada.

Por: Mr. C. Osamoro IBIE
BOOK:
IFISM
THE COMPLETE WORK OF ORUNMILA

Tradução: Odé Gbàfáomi.

Os grifos e comentários são de Baba Fernando e Ọmọ Ifá Odé Gbàfáomi

Gèlé – O Pano de Cabeça no Candomblécomo uma deusaBaianíssima.Toda colorida“Gèlé” é uma palavra Yorùbá para um envoltório usado na cabeça das mulheres, ou seja, uma espécies de indumentária feminina. As mulheres Yorùbá são conhecidas por usá-los incrivelmente bem encaixadas, fixadas em suas cabeças, e apesar de ser apenas um apetrecho, pode ser encontrado em quase todas as culturas Africana.

No Candomblé o Gele ou torço, ele ganhou quase que um culto e até mesmo itan para justificá-los?

Gèlé é mais do que apenas uma cabeça coberta, é uma forma de arte. Um grande pano retangular amarrado em na cabeça da mulher em uma variedade de modas, cores e estampas. O material usado para fazer o Gèlé é geralmente duro, mas flexível, por exemplo, Aso-oke (o verdadeiro feito em tear e de seda), Brocado (algodão) e Damasco. Estes materiais vêm em uma ampla variedade de cores, padrões e texturas. Quanto maior o pano (e maior a habilidade) mais elaborado aparenta e até confere certo status. É quando a mulher negra se torna a rainha em toda sua plenitude e beleza!

Amarrando um Gèlé

Amarrar um Gèlé é uma forma de arte que requer prática, paciência e muitas vezes um braço bem tonificado, mas uma vez amarrado, um Gèlé pode fazer qualquer mulher aparentar um certa realeza, um ar de supremacia estética. É uma bela coroa de glória e honra, e hoje eles vêm em cores surpreendentes, padrões e desenhos. Para eventos glamourosos, como casamentos, aniversários, batismo, inaugurações ou até mesmo funerais – aparência de uma mulher é muitas vezes considerada incompleta sem um.

Dentro do Candomblé eles quase que tem uma amarração padrão, porém, estou começando a ver algumas Iyás usando de maneira mais glamourosa, sem deixar a essência religiosa e respeitosa se perder.

QUEM PODE USAR

 A utilização do Pano de Cabeça é restrita às mulheres (. O pano de cabeça, poderá ser utilizado por homens, em obrigações internas em que o mesmo está “recebendo asè, como por exemplo, Bori”);

ABAS:

As abas do Pano de Cabeça, estão relacionadas ao Òrìsà da filha de Santo e a sua idade de santo (se seu Òrìsà for Oboro – masculino, você não poderá usar abas, sendo que essa ficou para as filhas de santo, que possuem Òrìsàs Ayabas – femininos);

ALTURA DO PANO

Deve-se ter discernimento ao usar o Pano de Cabeças. O pano de Cabeças não é turbante com diversas voltas e de altura desmedida; Seu pano de cabeça também não pode ser maior do que o da sua Ìyálòrìsà;

A arte de amarrar um Gèlé ou Torço é como qualquer outra arte, o seu sucesso depende da criatividade e maestria. Um pano de cabeça, como é chamado aqui no Brasil, no Candomblé e Umbanda, quando devidamente amarrado, pode ser como uma coroa, porém, ao contrário, se feito de forma errada pode se tornar um desastre total. Imagine no alto de sua beleza, ele se desfazer no meio do salão? Não seria bom!!!!

Cada Gele é único e não existe uma fórmula verdadeira para alcançar a aparência exata duas vezes. Se você der uma olhada mais de perto, você verá que não há dois Gèlé(s) –Àwon Gèlé –  (uma vez amarrados) iguais. O povo Yorùbá, absolutamente ama Gèlé porque não só eles são amarrados em vários estilos, mas eles são um aspecto da cultura que fazem as mulheres se sentir bonita e são em verdade, não importa a ocasião. O estilo das cores do Gèlé pode ser um reflexo do seu estado de espírito, o estilo ou personalidade.

Porque homens não podem usar pano de cabeça?

Em tempos antigos, escravos homens usavam pano de cabeça simples para carregar peso. Este pano era símbolo de escravidão. Porém, devemos lembrar que aqui falo do pano de cabeça no que tange a Nigéria, pois em outras culturas, existem panos de cabeça, mas para proteção contra o Sol, principalmente em zonas desérticas e muito áridas.

Texto: Babalorixa Ricardo de Láàlú.

**Na linguagem yorùbá ‘ga’ é a forma de transportar o poder e ‘ge’ é a manifestação do poder feminino em ‘gele’, aquele que envolve a cabeça da mulher e vem da elisão: Ge ilé.

**Babá Falokun

*Gèlé, turbantes, torços ou como chamamos comumente nas Casas de Candomblé de “Pano de Cabeça”, faz parte do vestuário feminino das mulheres no candomblé afro brasileiro.

Os Homens em hipótese alguma podem usar Gèlé, turbante, torço ou pano de cabeça nas rodas de candomblé. Homens devem usar Àketè, Elétí Ajá.

*Babá Fernando D’Osogiyan

10516774 747688555254385_4340980919100501964_n_copy_copy_copy

Muitos acreditam que “Ori”, conhecido no Brasil como “Banha de Ori”, utilizado, sobretudo nas cerimônias relacionadas ao Òrìṣà Òṣàlá seja “Sebo de Carneiro” – isso é um grande equívoco, uma inverdade.

Esse importante elemento da nossa religião é um extrato da semente de uma árvore africana que leva o mesmo nome.

Hoje ao invés de escrever, postamos aqui o link para um vídeo que mostra como é o processo para extrair esse essencial material no Culto ao Òrìṣa:https://www.youtube.com/watch?v=V95gT6fHZHU.

Blog: Casa de Òsùmàrè Araká

*Obs: O sebo de carneiro é ewó de Oyá, daí a importância da verdadeira banha de Ori africana em seus cultos e somente com a banha de Orí africana se pode pilar os inhames de Osogiyan.

*Banha de Ori, seu nome científico é Butyrospermum parkii (G. Don) Kotschy. As africanas acreditam que este fruto guarda poderes místicos. Também chamada de Limo da costa , manteiga de Karité, gordura vegetal, em outras regiões.

*Babá Fernando D’Osogiyan

Şàngó estava cruzando por um lugar em particular e estava sedento por um gole de bebida alcoólica. Casualmente se encontrou com um grupo de pessoas que estavam bebendo.

A introdução ao poema diz assim:

 

Ìpín é o sacerdote de od’Ợmợde

Awalaňfa, é o sacerdote de Agogo

Ayé n refé, o sacerdote de Sóko

Lançou Ifá para Oyé Ògòsùn

Aquele que consome quarenta garrafas de vinho para Şàngó degustar

Sendo uma divindade, a cortesia exige dos bebedores se curvar e convida-la a mesa com eles.

Porém eles não fizeram assim e como resultado Şàngó ficou com muita raiva.

Porém, havia uma coisa que Şàngó não sabia, o vinho dentro das garrafas havia acabado e esta foi a razão pela qual eles não o convidaram.

Ele passou por onde eles estavam pela primeira vez e retornou momentos depois, fingindo que tinha esquecido alguma coisa no caminho.

Ao voltar pela terceira vez sem que esperasse ser convidado para se sentar com os bebedores, Şàngó pegou seu Edùn Àrá e castigou a todos eles.

Rapidamente ele se virou para as garrafas de vinho e as levantou, uma a uma, esperando um gole.

Nem sequer uma gota caiu.

Quando se deu conta, era demasiadamente tarde para perceber que as garrafas vazias havia sido a razão para que não fosse convidado, ele gritou, questionando a razão de se manter garrafas de vinho de pé, quando na verdade elas deveriam estar deitadas.

 

Por que você deve colocar as garrafas de pé?

Òyè Ògòsùn.

Quando você sabe que o vinho acabou.

Por que deve colocar a garrafa de pé?

Òyè Ògòsùn

Desde que não era apenas Şàngó que era dado a beber vinho sem álcool, desde esse dia nasceu a prática de qualquer um que estivesse bebendo, qualquer tipo de vinho, deveria sempre colocar as garrafas deitadas quando estão vazias.

Isto é para evitar a possibilidade de uma divindade passar por ali quando menos se espera e que o mesmo acidente que ocorreu com a aquelas pessoas do poema de cima ocorra com eles.

 

Ire Alaafia.

Poema coletado por Áwo Dino (in memoriam).

O ritual do Ajere tem como fundamento principal a disputa entre Yánsán e Ṣàngó pelo dom do uso do fogo.

Ajere é especificamente o nome da própria panela na qual se faz o ritual. Ela é repleta de buracos, por toda parte, por onde escapam línguas de fogo.

Ìtón (mito) resumido:

Ṣàngó sempre em busca de novas formas de poder bélico para controlar e dominar seus adversários, enviou um mensageiro a Èṣù solicitando que este lhe fizesse uma magia para que Ṣàngó passasse a ter domínio sobre o fogo (inọ́n). Èṣù aceitou a encomenda com duas condições, uma que ele deveria receber um cabrito como sacrifício e outra que a esposa de Ṣàngó, Ọya, deveria ser a portadora da magia.

Dias depois, já feito o sacrifício para Èṣù, Ọya foi até ele para buscar o poder produzido. Èṣù entregou a Ọya uma pequena cabaça enrolada em folhas sagradas, ewé ọ̀gbọ́, dizendo-lhe que tivesse cuidado no transporte da poção e que não a abrisse. Ọya, muito curiosa, abriu o pacote e viu que dentro da cabaça havia um líquido muito vermelho e dele tomou um pouco. Nada aconteceu e ela seguiu para o palácio do Aláàfin de Ọ̀yọ́. Ao chegar e entregar o pacote ao ọba, da boca de Ọya saíram faíscas de fogo e Ṣàngó então percebeu que ela havia experimentado um pouco da poção mágica. Ṣàngó ficou enfurecido e Ọya fugiu de sua ira.

Ṣàngó, por sua vez, retirou-se para uma montanha e lá tomou todo o líquido que havia na cabaça e este líquido o fez espirrar. O ọba viu sair de sua boca e de suas narinas imensas labaredas e percebeu que dali em diante seria o dono do poder sobre o fogo, o que o tronava mais poderoso do que nunca.

É nesta perspectiva que se dá o ritual do Ajere, numa representação da disputa do fogo entre esses dois Òrìṣà.

O ritual:

Uma panela de barro repleta de brasas é trazida na cabeça por Ọya que em meio ao toque do àlúja dança e a entrega a Ṣàngó que após dançar com ela, devolve a Ọya novamente  sucessivamente. No fim, é Ṣàngó quem termina com a panela de fogo simbolizando que o poder do fogo é dele.

Ṣàngó sai novamente distribuindo entre fieis o Àmàlà, comida feita com quiabos, camarão, azeite de dendê, dentre outros ingredientes, ao som do seguinte cântico:

 

Yorubá:                    

Àjàká  máa  bẹ̀  ká  wòóo

Àjàká  máa  bẹ̀  ká  wòóo

A e bàbá  Àjàká máa bẹ̀ ká wòóo

 

Pronúncia:

Ajacá mabé cauô

Ajacá mabé cauô

Aê babá, Ajacá mabé cauô

Tradução:

Àjàká não implora nem mesmo ao poderoso Ṣàngó

Àjàká não implora nem mesmo ao poderoso Ṣàngó

Nosso pai Àjàká não implora nem mesmo ao poderoso Ṣàngó

Àṣẹ!

Texto: Bàbá Gill Sampaio Ominirò – Prof. Antropólogo
Última foto, Roger Cipó © Olhar de um Cipó –

Todos os Direitos Reservados / All Copyrights Reserved