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Archive for the ‘Voduns’ Category

Avejidá

Aveji Dá, Avejidá ou Avedjidá, são voduns femininos da família Hevioso ou Sakpata, cada uma com sua responsabilidade e regência. Tem semelhanças com orixá Oyá, e até mesmo ela em território dahomeano era assim chamada.

As Avejidás da família Hevioso são divindades relacionadas aos fenômenos da natureza tais como chuvas, tempestades, tufões e furacões. São guerreiras ou caçadoras, cujo poder é imenso e temperamento forte. São quentes e irriquietas, estando ligadas as alturas, nuvens e astros. Estão juntas com os Kavionos, julgando a humanidade e castigando quando se faz necessário. Tem certa importância sobre o processo financeiro da sociedade, dividindo com Sogbo o domínio do elemento fogo. Estão sempre dispostas a guerrear pelas casas onde são cultuadas, sendo de extrema importância na batalha contra queimações e inimigos ocultos ou assumidos.

A principal Avejidá do panteão do trovão é Vodun Djó, divindade responsável por fertilizar e esfriar a terra através da chuva. Vodun Djó é uma guerreira que domina as nuvens e tempestades, sendo a Avejidá mais conhecida e cultuada. Segundo os ítàns, vodun Djó teria o poder de se transformar em animal. Veste vermelho e usa adornos cobreados.

As Avejidás do panteão da terra seriam coligadas ao domínio dos mortos, possuindo todas ligações com os ancestrais, sejam masculinos ou femininos. Elas ficam juntos com os Sakpatás, ajudando a cuidar dos enfermos e dando auxilio no desencarne. Tem como principal função sondar o funcionamento dos templos e quando veem algo de errado cobrar, muito das vezes fechando-os.

A principal Avejidá da família Sakpata é Agbé Gèlèdè, senhora dos mortos e do culto aos Akututos (ègún). Agbé Gèlèdè teria o poder e a importância de Oyá Igbalé dos cultos iorubás, sendo invocada em síhúns, ègbós e limpezas nas quais seja necessária sua presença. Representa o desencarne e a aceitação do espírito para com sua morte, sendo responsável pelo envio dos espíritos desencarnados para o òrún.

As Avejidás são extremamente poderosas e independente da família com a qual é associada, possui grande importância para os kwês e adeptos do culto. Representam a liberdade, a batalha cotidiana e a força de vontade.

Podemos citar ainda Agbé Afefé ligada a alegria e a felicidade, também aos mortos, seu símbolo são as flores as quais ofertamos a nossos entes queridos, que representam toda felicidade que passaram em suas vidas. Agbé Huno, a Aveji Da guerreira e da tempestade

Avejidá e as Klamklamle (Borboletas)

Contam-se os velhos vodunos que as Avejidás tem em seu reino um exército de Klamklamle (borboletas) que sobrevoam os mundos e voltam para contar-lhes seus efeitos ao mesmo tempo que trazem outras Klamklamle que nada mais são do que as almas que ali irão residir.

Dizem que à própria Avejidá quando está muito preocupada, se transforma em uma linda KlamKlamle e sai pelos mundos a voar para observar melhor o céu e terra.

A klamklamle é como a Avejidá, ligeira e inconstante. Uma ligeireza sutil, de espírito viajante.

A Klamklamle brincando entre as flores é como uma alma da deusa. A deusa acompanha o sol na primeira metade de seu curso visível até o  meio dia. Em seguida, desce de volta à terra sob a forma de uma Klamklamle.

Há uma associação analógica da Klamklamle e da Avejidá, de suas cores e do bater de suas asas tal qual a dança de Avejidá.

Avejidá, assim como todas as deusas do fogo associa-se a obsidiana, uma Kpe-izó ( pedra de fogo), seu emblema.

Símbolo do fogo solar e diurno, e por essa razão da alma dos soldados, a Klamklamle é também um símbolo do sol negro, atravessando os mundos subterrâneos durante o seu curso noturno.É assim, símbolo, do fogo ctoniano oculto, ligado a noção de sacrifício, de morte e de ressurreição. É então a Klamklamle, atributo das divindades ctonianas, associadas à morte. Ela ilustra ao mesmo tempo, a analogia, alma-borboleta e a passagem do símbolo à imagem.

O homem segue, da vida à morte, o ciclo da Klamklamle. Ele é na sua infância, uma pequena lagarta, uma grande lagarta , na sua maturidade, ele se transforma em crisálida na sua velhice, e em seu tumulo é o casulo de onde sai a sua alma que voa sob a forma de uma klamklamle. A postura de ovos dessa Klamklamle é a expressão de sua reencarnação.

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Mami Wata é uma corruptela da palavra “Mommy Water” e significa “mãezinha da água”. Naé significa “mãe”. É o nome coletivo das deusas daomeanas das águas doces ou salgadas. Vivem em plena harmonia com todas as divindades destes habitat e por essa razão convencionou-se chamar Yemanjá e Òsún, nas casas Jejes, de Mami Wata ou Naé.

As Naés são mulheres muito vaidosas, caridosas, algumas são guerreiras e outras caçadoras. Adoram o brilho das pedras e do ouro e gostam de se adornar com colares de conchas e caramujos, pulseiras, etc.

Algumas Naés vivem na superfície das águas, são as mais falantes e adoram se enfeitar. Gostam de passear pela mata, caçar, junto com Agué aprenderam o domínio das folhas, pescam junto com Averekete. São as mais vaidosas e são muito juviais. Já outras preferem as profundezas das águas, gostam de ficar quietas e não são muito falantes, mas são muito bondosas e compreensivas.

As mais misteriosas e feiticeiras, são as Naés que habitam as águas paradas. Acredita-se que estas Naés estam ligada à feitiçaria, ao culto dos Akututus (Eguns) e são conhecedoras da alta magia, além de ser as mais guerreiras. Mantém ligações também com Nanã.

Muitos consideram e convencionam chamar de Togbosì (onde Tò: água; gbo: grande quantidade; sì: dando idéia de “pertencer”, podendo também significar “esposa”)  às divindades do panteão Mami Wata. O fato é que esta palavra já é utilizada para designar um outro grupo de Voduns (a palavra mais adequada seria sub-voduns) meninas, que pertenciam à realeza do antigo Dahomey. As Togbosi eram cultuadas no Brasil no Kwerenbentan to Zomadonu (Casa das Minas) até a década de 60 aproximadamente. Elas só chegavam nas Vodunsì Gonjai, mulheres com plena iniciação. Cada Tògbosì era particular de sua Gonjai. Após a morte dessa Gonjai, aquela Tògbosì não chagava mais. Sua missão havia terminado ali. Com o tempo perdeu-se o fundamento destas princesinhas voduns e deixaram de ser cultuadas. A preparação das Gonjai durava 9 dias e eram recolhidas em um barco denominado “Barco das Meninas” ou “Barco das Novidades”. No Benin as Tògbosì ainda tem culto organizado nos rituais dos Voduns Reais, elas simbolizam a ultima fase de preparação das Vodunsis.

Voltando às Naés, abaixo algumas, mais conhecidas:

Naé Aziri: Esta Naé habita o fundo das águas doces, representada por uma serpente aquática, e que é muito confundida com Òsún. Tem fundamentos com Dan.

Aziri Tògbosì: É tida como a mais importante mãe das águas da Nação Jeje Mahi. Habita o fundo das águas, tanto doces como salgadas, veste-se de branco e usa um colar de pérolas. Tem ligações com a mãe nagô Yemanjá.

Naé Gorejí: É uma menina que adora passear pelas águas. Ligada às águas doces e salgadas, seu local preferido são as lagoas, onde ela adora brincar com os patos e aprender com as velhas Naés das águas paradas o segredo da magia. Em alguns aspectos se assemelha a Òsún, pois é muito vaidosa e adora as crianças. Em seus assentamentos podemos encontrar vários brinquedos de meninas.

Sayò: É a sereia que vive sobre as ondas do mar. Está ligada à Naé Agbé e junto com ela sempre que podem evitam os afogamentos e salvam vidas.

Naé Agbé: muito ligada e por vezes confundida com Yemanjá, esta Naé é velha e habita o fundo das águas. Representa todo o conhecimento e a inteligência dos seres, está ligada à verdade, é ela quem faz que a verdade sempre apareça. (Não confundir com o vodun Agbé Tayó que é o Rei do Oceano, nem com Agbé Gèlèdè e Agbé Afefé que são voduns guerreiras ligadas aos ventos, raios e akututus (eguns)).

Òsún: vodun de origem nagô, senhora da beleza e das águas doces, sendo uma mãe muito importante nos cultos de Jeje Mahi.

Yemanjá: vodun de origem nagô, senhora do oceano e considerada a mãe dos demais nagô-voduns. Está ligada ao conhecimento e a inteligência, à família e à maternidade.

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Vodun Dan

Dan (Serpente) para nós, pertencentes a nação Jeje Mahi, é considerado o  maior Vodun dentro do culto. A família de Dan  é composta por muitos Voduns, todos eles com sua importância para os povos Fon. Dizem os mais antigos que, existem 3 reis e patronos da nação Jeje Mahi: DànGbé (Bessém), Sògbó e Azansú. Assim como Oxóssi tem sua importância para o Ketu, e Kitembo tem sua importância para Angola, esses três reis seriam a grande potência da nação, sendo reverenciados e cultuados por todos os filhos, independentes de seus voduns. Dentre esses três reis, se destaca Bessém por ser um dos primeiros deuses a existir e dele tudo nascer. Bessém é a serpente da vida, aquela cujo morder a própria cauda deu origem ao movimento de rotação e translação da terra e a partir daí, sendo possível a existência de vida no planeta. Os patriarcas da família de Dan é o casal Aidóhwedó e Dangbadáhwedó (Dambala). Aidóhwedó seria a serpente arco-íris e Dambala seria seu reflexo nas águas. Logo Dan seria a origem de tudo no planeta, sendo um dos responsáveis por sua existência e por sua habitação. Dentro da nação Jeje, Dan é o maior vodun, e a serpente, seu maior símbolo, sendo a representação viva de seu poder. A serpente representa o movimento e o dinamismo, uma vez que consegue se locomover com extrema facilidade e habilidade sem ser provida de patas ou outros membros; representa também a transformação, a evolução e a metamorfose, uma vez que troca de pele e se renova com frequência para poder crescer e se expandir; além de ser uma hábil caçadora e algumas espécies serem detentoras de poderosos venenos, mostrando seu poder e ao mesmo tempo exigindo cautela e respeito por parte dos demais animais e até mesmo nós seres humanos. Dan não é só representado pela serpente mas também pelo arco-íris que da mesma forma, possui grande significado para os dahomeanos uma vez que, sua presença nos céus é presságio de que não irá mais chover além de encantar pela sua beleza. No antigo Dahomey, são inúmeras as lendas que mistificam a natureza dessa divindade, sempre enaltecendo sua grandeza, sua realeza e seu poder. Muitos são os voduns que compõe a família Dan, sendo Bessém  o mais conhecido e louvado, sendo seu nome sinônimo da própria vida. Destacam-se também Frekwén ou Kwénkwén, Ojikún ou Dan Jikún, Bossá ou Bossalabê e seu irmão gêmeo Bosukó, Dan Ikó ou Dankó, Azannadô ou Azoannadô, Bafono Deká dentre outros, cada um com sua particularidade e mitos. A grande festividade para esse vodun é o Gboitá, ritual realizado no início do ano e que envolve todos os demais voduns, cada um recebendo as oferendas cabíveis e sacrifícios em seus Atisás (árvores sagradas com assentos). Após o Zandró, todos os voduns são invocados e já saem vestidos no arrebate, não existindo roda para invocá-los na sala. Seu presente, o gbòitá é carregado por Ogun e depois posto aos seus pés, iniciando assim o ano e agradecendo pela vida e por todo seu poder. O àndè (poço) é seu principal símbolo e é indispensável dentro de uma casa de Jeje. O poço simboliza a abundância (uma vez que enquanto tiver poço, se tem água e nunca faltará), além de representar um portal, entre o mundo subterrâneo e o nosso mundo, extraindo água do interior da terra, unindo de certa forma, ambos os elementos. Dan simboliza a riqueza, a prosperidade e a abundância. Une o macho e a fêmea, sendo sempre cultuado em casal e recebendo como sacrifícios animais de ambos os sexos. Dizem os mais antigos que serpente nunca anda só, onde uma está a outra está por perto, a espreita. Para os iorubás Dan é chamado de Òsúmárè, deixando de exercer função de rei para ser súdito de Xangô (divindade do fogo e trovões). Segundo os mitos iorubás, Oxumaré leva água para o castelo de Xangô, no alto das nuvens, representando a devolução, trazendo água da terra para o céu e vice-versa. Essa transformação de Rei para súdito se dá pelo fato de conflitos entre povos Dahomeanos e povos iorubás, onde ambos sempre tentavam invadir suas cidades e escravizar seus habitantes. O fato é que Dahomey e demais povos iorubás sempre guerrearam, gerando uma aglutinação de cultos e distorção de fatos. Dan é o grande Deus da transformação, senhor da vidência juntamente com Fá (vodun similar ao orixá Òrúnmíllá dos povos iorubás) englobando tudo o que se diz respeito ao presente, passado e futuro. Representa a sorte, a versatilidade e o conhecimento, sendo a divindade do raciocínio e da expansão. Tem como colares o brájá (feito de búzios devidamente encaixados lembrando escamas de serpente, representando a realeza e a riqueza) e o húnjèvè, sendo este dado apenas aqueles cujo processo de iniciação está completo, com suas obrigações pagas, representando a maior idade e sendo o único colar que vai com o neófito mesmo após sua morte, como se fosse uma espécie de “senha” para ser recebido no mundo dos Voduns. Seu simbolo é o Draká, seta adornada com duas serpentes mas, não é errado vermos alguns voduns Dàn com outras insígnias em suas mãos tais como Adaga, òfá, garras, ágbégbé. variando conforme conhecimento do sacerdote e caminhos do Vodun. Sua vestimenta varia conforme vodun, mas sua cor preferida é o branco, por simbolizar a união de todas as cores.

Alguns Voduns Dan

DanGbé, Dàn Gbé Sén ou Gbesén (Bessém): o nome significa “adorar a vida”, é o Ako Vodun (Vodun Principal) do povo Jeje Mahi, dono do Sejá Hunde. É o Vodun ligado a vida e a renovação.

Frekwen, Flekwen ou Kwenkwen: Feminina, irmã gêmea de Tokwen e ambos são filhos
de Aido Wedo e Dangbala. Guardiã do arco-íris em volta do sol. Também conhecida como Frekenda. Alguns dizem que é representada pelas cobras venenosas. Considerada pelos Jeje Mahi como a esposa (ou uma das esposas) de Bessém.

Dan Jikú, Ojikún ou Dan Jikun: Junto com Ewá, vive na parte branca do arco-íris e no arco-íris da lua. É quem trás as chuvas e é considerada uma das esposas de Bessém.

Azannadô, Azannawodô ou Azonadô: Este é um vodun ligado aos voduns de morada na árvore, como Loko. Era cultuado em uma grande árvore no Bogun. É um principe e é o símbolo da fartura.

Bosalabe: Toquem (adolescente) feminina, irmã gêmea de Bosuko e irmã de Ewá. Muito alegre e faceira vive nas águas doces. É conhecida também como Vodum Bossá.

Bosuko: Masculino, toquem (adolescente) e gêmeo de Bossá.

Dan Ikó: Ligada e por vezes confundida com Lissá e Oxalá.

Aidóhwedó, Aido Wedo ou Dan Aido Wedo: É a “Serpente Arco-Íris”, um Vodun raro e pouco conhecido, suas escamas tem o poder de refração de luz, formando assim o arco-íris.

Dangbadahwedo Dangbala ou Dangbala Wedo: Companheiro de Aido Wedo, e são pais de vários Voduns Dan. Dangbala é um vodun muito antigo, acredita-se que esteve presente na criação do mundo. Poucas são as casas que tem fundamentos para fazer Aido Wedo e Dangbala. No culto creole do Haiti (Vodu) são tidos como os maiores Lwás (deuses do vodu).

Azli, Naê Aziri ou Aziri Tolá: É tida como uma serpente das águas, muito confundida com Òsún. Habita o fundo das águas doces e se veste de amarelo bem clarinho. Também muito confundida com Azli Togbosi (Aziri Tobôssi).

Bafono ou Bafono Deká: Vodun masculino da família de Dan, com corpo de cobra e cabeça de crocodilo. Vive junto a Aziri no fundo das águas.

Obs.: No Ketu, muitos destes voduns são considerados qualidades de Oxumaré.

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A Iniciação no Jeje Mahi

De um modo geral, a iniciação no Jeje é mais complicada do que a iniciação da Nação Ketu, a começar pelo tempo de reclusão dos neófitos que no passado durava até um ano. Hoje, devido ao ritmo de nossas vidas, este tempo caiu para seis meses. Três meses a vodunsi fica dentro do Hundeme (quarto de santo) e os outros três meses fora dele, mas ainda na roça. Durante seu período de iniciação a Vodunsi passará por várias etapas, entre as quais pode-se citar Sakpokàn ou Sarakpokàn, Vivauê, Kán, Duká, Zò, Sanjebé, Grá (ou Grã), etc. Dentre estes os de maior destaque o Sakpokàn e o Grá.

A iniciação no Jeje Mahi sempre contece com formação de “barcos” ou “ahamas”, pois pela tradição nunca se recolhe uma única pessoa e nem barcos com números pares de componentes, levando ao entendimento de que sempre que houver iniciação deve-se ter no mínimo três Vodunsis em processo, na roça. Em geral cada sacerdote ou sacerdotisa Jeje Mahi, durante seu comando, não recolhem muitos barcos; a quantidade controlável de filhos de santo é muito importante, pois há um ditado que diz “é melhor ter poucos filhos bons a muitos ruins”. Na Casa das Minas também não é diferente.

A iniciação da Vodunsi começa com a filha “bolando” (caindo) aos pés da arvore consagrada a seu Vodun (atinsá), e ali ela permanecerá desacordada durante sete dias e sete noites. Dizem que já houve casos de vodunsis consagradas a voduns aquáticos que ficaram esse período na água. A ordem das vodunsis no barco se dá pela ordem conforme elas vão “bolando” nos atinsás, assim teremos:

  • A primeira será Dofona (o) ( Dòfònun)
  • A segunda será Dofonotinha (o) (Dòfònuntín)
  • A terceira será Fomo (Fòmò ou Yòmò)
  • A quarta será Fomotinha (o) (Fòmòtín)
  • A quinta será Gamo (Gàmò)
  • A sexta será Gamotinha (o) (Gàmòtín)
  • A sétima será Vimo (Vimun)
  • E ainda pode-se seguir vimotinho, dimu, dimutinho, etc.

Durante o tempo que a Vodunsi permanecer debaixo do atinsá de seu Vodun, será cuidada pelos Ogãs e Ekedjis. Neste período, a mãe de santo (ou pai) é proibida de ir ver a filha. Isso por que a(o) zeladora(o) pode sentir pena da Vodunsi e de certa forma pode querer ajudá-la, afim de aliviá-la de seu estado. Acabando os sete dias, a vodunsi ainda desfalecida será levada pelos ogans até o zelador, no Hundeme, para que este inicie a feitura. O momento em que a vodunsi acorda do desfalecimento é considerado como um renascimento, após passar pela morte ritual e acordar numa nova vida, agora como Vodunsi, um compromisso que deverá carregar consigo por toda sua vida. A partir daí a vodunsi passará por processos de limpezas, descarregos, banhos de ervas, ebós, e durante uma semana deverá descansar até o dia do Sakpokàn ou Sarakpokàn. O Sakpokàn é uma cerimônia que acontece sete dias após o inicio dos rituais de feitura, quartorze dias após o “bolar”, na qual a vodunsi dança manifestada com seu Vodun. A dança é desajeitada e desordenada. O Sakpokàn também representa a despedida da Vodunsi de seus familiares que forem assistir ao ritual, que só verão a vodunsi novamente meses depois, no “dia do nome”. No dia do Sakpokàn a Vodunsi será raspada e catulada. Das etapas de iniciação que a nova Vodunsi deve passar, a mais intrigante e misteriosa é o Grá.

O Grá

O Grá é uma divindade ou entidade violenta e agressiva que se manifesta na Vodunsi apenas na sua iniciação, durante três dias, e próximo ao “dia do nome”. O principal objetivo do Grá é matar o(a) zelador (a) que deverá permanecer escondido nos aposentos da casa durante os três dias em que o Grá estiver manifestado. O Grá é acompanhado pelos Ogans, Ekedis e algumas Vodunsis antigas que farão com que ele realize algumas penitências, fazendo-o cansar. Há um número certo de pessoas que poderão acompanhar o Grá que durante estes três dias ficará solto pelo pátio da roça comendo tudo que encontrar como folhas de árvores e frutos caídos, motivos estes que exigem que a roça seja grande e com bastante árvores. As pessoas que acompanham o Grá, assim como ele mesmo, carregam um porrete com o qual ele tenta agredir as pessoas e realiza sua penitência, que tem como objetivo levar todo mal e toda energia negativa da Vodunsi, e também o objetivo principal de cansar o Grá para que ele não cause tanto transtorno. Durante os dias de penitência, os acompanhantes entoam certas cantigas específicas. Após os três dias procurando o(a) zelador(a), o Grá tem o encontro tão esperado, que acontecerá no Agbasá (salão de dança). Ao som de paó e adahun, o Grá entra pela porta principal do Agbasá  e se deparara com o(a) zelador(a), que estará sentado(a) em uma cadeira esperando por ele, partindo pra cima do mesmo para matá-lo. Neste instante todo cuidado é pouco, pois o Grá pode ferir o(a) zelador(a). Quando o Grá adentra o Agbasá, os Ogans correm para tirar-lhe o porrete que ele luta para não entregar. É um momento de extase. Nesse instante os tambores tocam com mais força e o(a) zelador(a), então nervoso e sem poder sair da cadeira, entoa uma cantiga e a Vodunsi cai desfalecida no chão e logo em seguida é pega pelo Vodun. É um alivio total e o ritual do Grá chegou ao fim. A quem diga que o Grá é um Erê malvado, outros dizem que é o Exu do Vodun, outros ainda dizem que é o lado negativo do Vodun ou mesmo da própria Vodunsi, um lado animalesco e primitivo seu, que está no seu inconsciente, que manifestou-se em seu renascimento e que foi mandado embora para sempre. O Grá despeja pra fora toda raiva e o ódio da Vodunsi. Como se depois do Grá não houvesse mais ódio, raiva, rancor dentro da Vodunsi, somente o que é bom e benéfico. Significa que a Vodunsi nunca mais sentirá fome, nunca mais vai dormir no relento, nunca mais irá confrontar ou agredirá seu(a) zelador(a), fisicamente ou com palavras, pois o Grá levou isso com ele. O ritual do Grá envolve muitas simbologias e interpretações que pelas leis do Jeje não poderei citá-las aqui.

O Dia do Nome

O Dia do Nome é um dia muito especial, com cerimônia pública (Zandró) no Jeje Mahi. O Vodum manifestar-se-á em sua Vodunsi e vai dançar na sala. Antigamente, uma única pessoa era escolhida para tomar o nome particular (Hún ìn) do Vodun de todas no “barco”, sendo considerado(a) padrinho ou madrinha do “barco”. Hoje geralmente são escolhidos mais de uma pessoa para esta tarefa. Após este dia, a iniciante agora sim é uma Vodunsi.

As vodunsis sempre usam seus nomes religiosos, determinado por sua posição no barco e seu vodum, assim poderemos ter, por exemplo, Dofona Ongorensi (feita de Gbesén), Dofonotinha Sogbosi (feita de Sògbò), Fomo Togbosi (feita de Aziri Togbosi), Fomutinha Òsúnsi (feita de Osún), Gamo Lokosi (feita de Loko), e assim por diante. Se a Vodunsi atingir um grau sacerdotal apenas acrescentará a frente de seu nome, o cargo, desta forma: Mègitó Dofona Ongorensi, Doné Dofonotinha Sogbosi, Gaiaku Gamo Lokosi.

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Cargos da Nação Jeje

  • Sacerdotais:
  1. Vodúnnɔ̀ (Vodunnon): Sacerdote do culto ao Vodun. No Benin, o sacerdote recebe título conforme seu vodun, por exemplo, o vodunnɔ̀ de Sakpata chamam-se Sakpatanɔ̀, o vodunnɔ̀ de Avimaje é o Avimajenɔ̀, e assim por diante.
  2. Toy Vodunnɔ̀ (Tói Vodunnon) ou Tɔ́cέ (Tochê): Sacerdote dos cultos de Mina Jeje (Tambor de Mina)
  3. Nɔ́cέ (Nochê): Sacerdotisa dos cultos de Mina Jeje (Tambor de Mina)
  4. Bakonnɔ̀ (Bakonon) Sacerdote de Fá, adivinhador.
  5. Hùngbónɔ̀ (Rumbôno ou Rumbônon)): Sacerdote do culto ao Vodun, preferencialmente aquele cujo Vodun é um Nagô. Pode designar o filho mais velho de uma casa de santo. No Benin designa o terceiro estágio sacerdotal, uma espécie de “bisavô” de santo.
  6. Găyăkú ou Gănyăkú (Gaiakú): Título sacerdotal, designa a pessoa cujo Vodun é um Nagô e/ou que tenha iniciado pelo menos um filho para um Vodun Nagô. No Sejá Hundê é o título de todas as sacerdotisas.
  7. Donέ (Doné): Título dado às sacerdotisas cujo Vodun pertence à familia de Hevioso e/ou que tenha iniciado pelo menos um filho para um Vodun desta família.
  8. Dotέ: Título dado aos sacerdotes cujo Vodun pertence à familia de Hevioso e/ou que tenha iniciado pelo menos um filho para um Vodun desta família.
  9. Mεjitɔ́ (Mejitó): Título sacerdotal, designa a pessoa cujo Vodun pertence à família de Dan e/ou que tenha iniciado pelo menos um filho para um Vodun desta família. Alguns definem que todo(a) sacerdote(a) que tenha iniciado filhos pode ser denominado Mejitó. A palavra Mεjitɔ́ é traduzida como Mε: pessoa; jitɔ́: gerar, dar origem, podendo significar “pai” ou “mãe”.
  10. Hùngán: É o sacerdote ou sacerdotisa que formou pelo menos um sacerdote, uma espécie de “avô” de “santo”.

Obs: Uma mesma pessoa pode usar os vários títulos, por exemplo, um mesmo sacerdote será Doté para seus filhos iniciados para Hevioso e Megitó para seus filhos iniciados para Dan, embora prevaleça o título cabível para seu Vodun.

  • Rodantes:
  1. Vodúnsì ou Hùnsì: filha ou filho de santo que vira com o Vodun, corresponde a Yawo do Ketu. Segundo o vodun, a vodunsi pode ser:

A) Ogunsì, Gunsì ou Togunsì: Filhos de Ògún (Gún ou Tògún). Grafa-se Gǔnsìou Ògǔnsì, em fongbé;

B) Aguesì: Filhos de Agué. Grafa-se Agεsì, em fongbé;

C) Odésì: Filhos de Odé;

D) Otolusì: Filhos de Otolu. Grafa-se Otólùsì;

E) Sògbòsì: Filhos de Sògbò;

F) Lokosì: Filhos de Loko;

G) Badésì: Filhos de Badé;

H) Òsúnsì: Filhos de Òsún;

I) Yemanjásì: Filhos de Yemanjá;

J) Tɔgbosì: Filhos de Aziri Togbosi;

K) Azirisì ou Azlisì: Filhos de Naé Aziri;

L) Nanansì: Filhos de Nanã;

M) Pararasì: Filhos de Parará (ou Pararalibu);

N) Avimadjesì: Filhos de Avimadje;

O) Lisasi ou Agamavi : Filhos de Lisa. Grafa-se: Lisàsì (tradução: Lisà = albino + sì = esposa). Grafa-se: Aganmàví (tradução: Aganmà = camaleão + Ví = filho ou descendente);

P) Sakpatasì: Filhos de voduns da família de Sakpata;

Q) Dansì: Filhos de voduns da família de Dan;

R) Ongorensì: Filhos de Bessém.

S) Frekwensì ou Kwenkwensì: Filhos de Frekwen (Kwenkwen), e também podem ser chamados de Ongorensì.

T) Kposusì: Filhos de Kposu;

U) Oyásì: Filhos de Oyá;

V) Ahuansì: Filhos de Ogun e  Oyá. Grafa-se Axuàsì;

W) Ewásì: Filhos de Ewá;

X) Ojikunsì ou Jikunsì: Filhos de Dan Jikun (ou Ojikun);

Y) Adeènsì: Filhos de Adeèn;

Z) Hùnsì: o mesmo que vodunsi.

  1. Etemi: significa “meu mais velho”, é a vodunsi que completou 7 anos de feitura, o mesmo que egbomi no Ketu.
  2. Hùnsɔ́ (Runsó): Cargo que designa a mãe pequena. Se grafarmos Hùnsò (pronuncia: Runsô) Teremos a tradução: Hùn = Vodún + Sò = Raio. Ou seja, diríamos Vodún do Raio. Um adjetivo para o vodún Sògbò.
  3. Derέ (deré): Mãe criadeira, é aquela responsável pelo ensinamento às (aos) novatas (os).
  4. Derέ-vitú (deré vitu): cargo que substitui a mãe-pequena ou a deré.
  5. Abosé (abôssé): Responsável pelos carregos e segurança da casa, normalmente é dado a um filho de Gu, pois o vodum também toma cargo.
  • Ekedjis:
  1. Gonzegan: Ekedji responsável pelo Grá.
  2. Dogan (dôgan): pessoa responsável pela comida dos voduns. Esse cargo pode ser ocupado tanto por uma ekedji como por uma vodunsi.
  3. Nandevó: Ekeji responsável pelas roupas utilizadas pelos voduns, geralmente são pertencentes ao vodun Lissá.
  4. Nandokpé: Responsável pela limpeza dos assentamentos e pedras dos voduns. (Não confundir com Nadopé  – despedida dos voduns jeje-mina).
  • Ogãs:
  1. Kpεnjígán (Pejigã): Responsável por todos os pejis da casa, é quem sacrifica os animais de 4 pata. Significa: Kpεnjí = sobre o altar + Gán = senhor. Trazendo a idéia de ”Senhor que zela o altar”. Ou ainda: Kpεn = pedra + Jí = verbo gerar + Gán = senhor. Trazendo idéia de “O senhor que gera (ou dá a vida) à pedra”.
  2. Gannyikpέn (Gaimpê): Auxiliar do Kpέnjígàn, responsável pela invocação dos voduns. Pode substituir o kpέnjígàn.
  3. Agbájígán (Bajigã): Responsável pelo agbasá (salão) e pelos cânticos. Também cuida dos pátios e dos atinsás.
  4. Gánkutó: Responsável pelos ritos aos ancestrais e por Ayizan.
  5. Gantó: Responsável pelo Gã, instrumento de metal que tem a mesma importância que os atabaques. É utilizado em todas as cerimônias.
  6. Sojatin: Responsável pelos cuidados específicos dos Atinsas – as árvores sagradas. Pode também ser o conhecedor das folhas.
  7. Húntó (runtó): dono do tambor. Responsável pelos atabaques, cantigas e rezas.
  8. Húntógán (runtogã): Chefe dos húntó.
  9. Rundevá, Rundeví, Seneví : Títulos dados em hierarquia para os ogans tocadores de atabaque (Rum, Rumpi, Lé).
  • Não iniciados
  1. Kajèkaji (Kajekaji): Nome que designa todo aquele que não foi iniciado.
  2. Kosi: Pessoa não iniciada e que não entende nada do culto.
  3. Ahε (Aré): Pessoa não iniciada, porém frequenta o culto.
  4. Ahè (Arê): Pessoa recém-iniciada.

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Segundo a tradição dos povos  Fon/Ewé o mundo foi criado da seguinte maneira: “Nanã Buruku (ou Nanã Buluku) com a ajuda das Serpentes Aido Wedo e Dangbala foi quem criou o mundo e deu vida aos animais, a flora e aos minerais.

Após criar o mundo, Nanã deu origem a gêmeos a quem batizou de Mawu-Lisa e deu a eles a tarefa de criar o homem e povoar a Terra.

Com a criação do par Mawu-Lisa, Nanã criou o equilílibrio no mundo e aos seres vivos.

Mawu é o princípio feminino, a fertilidade, a suavidade, a compreensão, a ponderação, a reconciliação e o perdão.

Lisa é o princípio masculino, o julgador, a impaciência, a força cósmica que castiga os homens errados e os corrige, a seriedade. Ele está sempre atento para que as leis de Mawu sejam cumpridas.

Nanã percebeu que Mawu não conseguia mudar mudar o gênio do irmão Lisa, que castigava sem antes observar direito, resolveu separá-los

Enviou Mawu à lua para ser a luz que iluminaria a Terra no período noturno e suavizar os sofrimentos dos seres e projetar a fé e o amor  sobre o planeta. A lua também é o símbolo de varias deusas, um símbolo feminino.

Enviou Lisa ao sol para que esse pudesse ver com mais clareza os erros dos homens e julgasse bem antes de castigá-los. Ordenou também que Lisa uma vez por ano deveria andar na Terra para conviver com os homens e conhecer de perto suas necessidades, ajudando-os e corrigindo-os. Com essas andanças pela Terra, Lisa deixou aqui alguns descendentes que se tornaram divinizados.

Os Fons dizem que a partir dessa separação, Mawu e Lisa só se encontram quando ocorre um eclipse e nessa ocasião Eles fazem amor, gerando mais Voduns para ajudar os homens.

Antes que essa separação se concretizasse, Mawu e Lisa chamaram seu filhos e os enviaram à Terra como os primeiros habitantes e para que esses os ajudassem a governar a Terra, deram a cada um uma atribuição.

  1. Os filhos mais velhos eram os gêmeos Da Zodji e Nyohwe Ananu. Foram habitar as profundezas do mar e regem todas as riquezas minerais da Terra.
  2. Os segundos foram os gêmeos Agbe (Hu) e Naeté. Foram habitar o mar e deveriam levar a paz e o amor para as pessoas.
  3. Aguê, vodum da terra firme, que segundo a lenda violou a mãe Mawu.
  4. Hevioso, foi habitar os vulcões e ficou encarregado de levar a justiça.
  5. Gú, seria o responsável por “fazer cumprir” as leis de Mawu.
  6. Djó teria que enviar a todos os seres o AR necessário à vida e enviar as chuvas para fertilizar a Terra. É andrógino e representado pela atmosfera. Diz-se que no Brasil este vodum é cultuado no Kpò Dagbá.
  7. Legba por ser o caçula e por suas brincadeiras sem limites foi mantido perto dos pais. Recebeu a incumbência de ser o mensageiro entre os irmãos e Mawu-Lisa. Recebeu o dom de saber todos os idiomas e dialetos para que pudesse escutar tudo no céu e na terra e contasse para seus pais.”

Ainda segundo o mito, após criar Mawu e Lisa, Nanã criou Ayizan, vodum que vive no tempo, em uma esteira, vendo a eternidade passar.

Em algumas narrativas, o povo Fon atribui exclusivamente a Mawu todas as tarefas de criação, tendo Lisa como seu auxiliar e a Serpente Aido Wedo e Dangbala. Para eles o nome “nanã” designa a sacerdotisa de Mawu.

O povo Ewé tem em Nanã Buruku sua Grande Mãe que rege as leis e a vida na Terra. Em algumas culturas Nanã também é vista como andrógina.

Em qualquer mito Dan foi auxiliar na criação e por isso é o vodum mais reverenciado dentro do culto Vodum.

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Tòhosú

Existe na região Mahi, ao longo do Rio Uemê e em Abomey, uma categoria de voduns chamados Tòhosú (Toxosu).

Acredita-se que quando Tòhosú vem à terra manifesta sua imagem no corpo de uma criança anormal e monstruosa. Dizem também que para um Tòhosú vir a Terra é sinal de descontentamento. Antigamente era costume, quando crianças anormais nasciam, eram afogadas para que fossem “devolvidas” a seu reino, pois a palavra Tòhosú significa “Rei das Águas”.

Os Tòhosú da familia real (Família Davice, da Casa das Minas)  são considerados voduns muito importantes, pois estes são filhos de reis e reverenciados nos cultos de Nesuhue (Nesuxwé) – instituição religiosa baseada no culto dos ancestrais divinizados da família real de Abomey, os dirigentes do antigo reino do Dahomey.

Em Abomey a tradição diz:

“Akabá, rei de Dahomey, tinha tido um filho anormal. A gravidez da rainha Kuandê tinha sido dolorosa e agitada, se manifestando por duas vezes no dorso, duas vezes no peito, parando em seguida por nada sentir. A parteira ficou espantada quando viu o menino Zomadonu, porque ele tinha seis olhos – dois sobre a fronte, dois atrás da cabeça e dois no peito. Tinha dentes, cabelo e barba e desde o seu nascimeto se pôs a falar e caminhar. No dia seguinte ele entrava a engordar e desaparecia e rolava por terra como uma bola e declarava que era Zomadonu. Horas depois ele estava transformado em um grande pássaro entregue à pescaria no pântano e cantava traduzindo o seu nome. Em certas ocasiões estava de novo como homem. Todos ficavam apavorados com estas manifestações.

O Rei Agajá, irmão e sucessor de Akaba, também teve um filho anormal chamado Kpelu. Tinha vinte dedos, sendo dez em cada mão, dois olhos normais e dois sobre a nuca. Nascera com dentes e grandes cabelos e tinha o dom de predizer o futuro. O Rei Tegbessu, sucessor de Agajá também teve um filho anormal, Adomu, que possuia quase as mesmas características de Kpelu, era caprichoso e diz que queria cortar o nariz das pessoas.”

Há também uma lenda que conta que Zomadonu, junto de Kpelu e Adomu,  invadiram o Abomey liderando um exército de tohosus matando indiscriminadamente os cidadãos que fugiram apavorados, ficando apenas um homem chamado Abadá Homedovó, que sofria de elefantíase.
A vida do homem foi poupada, graças à amizade que ele tinha com Azaká, um tohosu da cidade de Savalu. Ele foi curado por Zomadonu, e ensinado por ele nos mistérios para se propiciar a boa vontade dos tohosu reais. Após isso, o exército dos temíveis pigmeus monstruosos abandona Abomey, entrando no rio. E com Abadá Homedovó começa o culto dos tohosu reais de Abomey, com Zomadonu sendo o principal deles. Hoje, no Benin e em Togo, as crianças que nascem com má formação física ou deficiências mental têm uma cerimônia especial e, em suas casas, um pequeno altar é consegrado aos Tòhosú. Assim, em vez de trazerem desgraças financeira e emocional às suas famílias, trazem bençãos. Aqueles que ficam incapacitados devido a idade, ferimentos ou doenças, também ficam sob a proteção dos Tòhosú.
Na Diáspora, o nome de Zomadonu é conhecido tanto no vodu haitiano, como no Tambor de Mina de Nação Jeje, onde é o patrono do terreiro Casa das Minas, também chamado de ‘Kwerebentan to Zomadonu’ (Querebentã de Zomadonu) em São Luís Maranhão.

Curiosamente, no Maranhão, Zomadonu não possui caracteríticas de Tòhosú, ou seja, deformação física. Zomadonu é o mais importante vodum do Reino do Dahomey, é considerado nobre pertencente a família real de Davice ou Danvice, que é chefiada pela mãe ancestral Nochê Naé. Zomadonu também é pai dos gêmeos Nagono Toçá e Nagono Tocé. Zomadonu é o primeiro vodum a ser homenageado nos toques de tambor da Casa das Minas.

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