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Archive for the ‘Candomblé’ Category

Eu ontem na Jurema

V Kipupa Malunguinho 2010. Foto de Pedro Stoekcli Pires. (22)

Ontem eu fui a uma Jurema tocada nos ilús, maracás, com fumaça de cachimbos, de charutos, chapéus de palha, bebida jurema pra saldar esses mundos de tantos encantados, muita dança pra poeira subir e muitos mestres bons e mestras boas no ponto dançando e dando seus recados.

As festas do culto da jurema são bem isso: alegria e “ciência”, sorrisos e seriedade, onde mestres e mestras cantam, dançam – mas também falam sério –  aconselham, cumprimentam e ensinam. A minha sensação é que este culto junta as diversas influências recebidas aqui no Nordeste e ao assistir um ritual imediatamente me remeto aos índios sertanejos, aos negros trazidos e aos brancos com suas crenças. A Jurema representa assimilações de cultos e crenças forasteiras e a construção de uma nova identidade sem desrespeitar as suas primeiras raízes.

A Jurema soa a mim identificação, pois, no meu caso, lembra os costumes alimentícios que a minha família trouxe do interior e que persistem até hoje, as comidas de origem indígena tendo a macaxeira como base de inúmeras delas, me lembra também meu avô pilando café torrado no nosso imenso pilão, ele anotando a receita da bebida da jurema para ser guardada para eternidade, me lembra meu avô também rezando o meu olho doente pedindo uma cura, lembra minha avó rezando o ofício da Nossa Senhora da Conceição aos sábados, me lembra seu Zé Filintra dançando o coco e chamando pra dançar com ele as mulheres do salão. A Jurema me lembra todo esse sincretismo, todas as comunicações que culturas e crenças tiveram e se uniram num culto onde ambas não se excluem e convivem harmoniosamente em suas demonstrações rituais através de muita sabedoria.

Há quem apele para o “purismo”, há quem defenda a preponderância única de uma só raiz. Há quem não considere cultura como uma construção sempre em movimento, sempre andando de modo que sempre exista, sempre esteja presente no imaginário coletivo. Eu apelo, defendo e considero a Jurema. Do jeito que ela é.

Para mim, Jurema é assim: “quem nunca viu, venha ver” seus mestres, suas mestras, seus ensinamentos, seu gingado, suas cantigas, seus assuntos cantados. Assuntos sempre tão cotidianamente presentes nas nossas vidas. Cantigas que apelam para “sustentarmos o ponto” e não o deixarmos “cair”, e, caso ele caia, que consigamos erguê-lo novamente nos erguendo também. Cantigas que mostram o quanto de fortaleza e até certa brutalidade devemos ter para encarar esse mundo de gente, que mostram que “fumaças contrárias” podem chegar. Mas se por um lado elas enfatizam a necessidade do permanente cuidado com as intempéries, por outro, cantam o amor: o amor que quer se realizar, o amor que decepcionou, o amor que quer se vingar, o amor que fez chorar, o amor amante, o amor atrevido, o amor que recupera, o amor que corre atrás… E as mestras… Ah, estas são especialistas nisso.

Quem nunca dançou, venha dançar; quem não cantou, venha cantar; quem nunca bebeu, que venha bebê-la. O que os meus olhos veem e sentem não chegam aos pés da completude deste culto e por mais que eu conviva e que tenha sido cuidada pela Jurema desde antes de me entender por gente, ainda não consigo descrevê-la minuciosamente em sensações. Só sei que essas palavras juntas não refletem o meu sorriso e o mexido dos meus pés ontem.

Salve a Jurema Sagrada!

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Oòsà Ojà & Aje Sàlugá

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A palavra Ajè pode ser traduzida como Progresso para você, Sucesso para você e Que aquilo que você espera de seu trabalho se concretize.

Ajè Ògúgúlùsò significa:

Ajè Senhora da morada da sorte e das realizações do homem, Senhora do paraíso da riqueza.

Ajè é um òrìsà paciente, próspero, fértil, longevo, sábio, harmonioso, generoso, tolerante, justo e protetor da riqueza do homem (em todos os sentidos), atraindo dinheiro a quem a cultua.

Protetora do progresso defende as pessoas da inveja e de forças invisíveis que impeçam seu desenvolvimento econômico. Favorece o uso sábio do dinheiro e protege as pessoas de receberem “mau dinheiro”, advindo de pagamentos realizados de má vontade ou com raiva.

No Odù Ifá (Odi méjì) ele está nos dizendo sobre Odi fazer amor com a Chefe das mulheres do mercado que é um Òrìsá chamado Oòsà Ojà, que está ligada a divindade Ajè Sàlugá (omo Olókun Sèníadé), esta divindade é um Òrìsá funfun, fala sobre dinheiro e riqueza, o ìgbà deste Òrìsá – Oòsà Ojà – geralmente está localizado no centro do mercado coberto com pano branco, o chefe ou líder de cada mercado é uma mulher cujo titulo é Ìyá lojá ou Ìyá lajé, todos os mercados são geralmente governados por Aje Sàlugá como a divindade que rege o mercado.

Òrìsá Oya detém uma posição importante no grande mercado é muito popular em Òyó até os dias de hoje com base na posição que ocupou no antigo e histórico mercado de Òyó em Koso.

Temos vários versos de Ifá, que dão referência a Oòsà Ojà e Aje Sàlugá como indicado abaixo:

Odi Méjì diz:

Depois de desfrutar e fazer amor com Oòsà ojà,

Outros também queriam fazer amor com ela,

Quando todos ficaram contentes,

Eles começaram a cantar,

Dizendo Oòsà ojà não nos deixar ir,

Doce mel não nos permita deixar o mercado,

Doce mel, (insinuando para a tentação de permanecer no mercado ou se sentindo obrigado a ficar e possivelmente gastar mais dinheiro do que o esperado).

Em algumas cidades onde o culto desta divindade é maior, todas as jovens vão ao mercado, como parte dos ritos de passagem para mulheres jovens, esta é a divindade primordial que tem os rituais realizados, ela simboliza a riqueza, a prosperidade e a fertilidade da mulher.

Ajè se sente (defecar) em minha cabeça (me abençoe com dinheiro, quando se anda na rua e um pombo defeca em você dizemos que é uma bênção de dinheiro),

Quem toca Ajè se torna ‘humano’ (fértil).

Aje dormiu na minha cabeça, quem toca Ajè (recebe bênçãos) age como uma criança (alegria de “ganhar na loteria”).

Ajè eleve-me como um rei (me dê dinheiro / filhos, me faça uma pessoa importante na vida).

J.K. Olupona

Aqui está outro exemplo de como Oòsà Ojà é mencionada em Ifá, quando se fala sobre uma pessoa que está tentando receber uma bênção e foi a tantas divindades pedir apoio e fez muitas ofertas sem resultado e as oferta não foram aceitas.

Ele disse que não sabia que o pai deles é o Egungun da própria casa.

Ele disse que conhecia a mãe que é a deusa do mercado (Oòsà Ojà).

Orí disse que não sabia que ela era a cabeça (Chefe) deles.

E que Ilé é a terra (outra divindade).

Ele não sabia que ele era chamado Olúbòbò-tiribò.

Bàbá ebo (outra divindade mencionada mais a frente).

Mais uma vez, isso nos dá o exemplo de que Ajè Sàlugá governa sobre a maior parte das coisas que gostamos na vida, a saber, as coisas que ela representa (o dinheiro, os filhos e a fertilidade na mulher).

O rei que reside no interior do profundo e majestoso esplendor é o nome de Olókun Sèníadé (portador da coroa mais antiga).

O rei de todo o prazer é o nome de Ajè Sàlugá.

Òsé Gobi, Gobi Ìwòrì adivinhava para Ajè Sàlugá.

O primeiro nasceu de Elépo (pai).

Este último exemplo de Ajè Sàlugá mostra a sua conexão com o mercado ao ar livre, conhecido como um local de encontro e com muito movimento e fluidez, até hoje o mercado é um indicador chave para a economia local.

Esse versículo mostra como essa troca de bens por dinheiro (que às vezes nem sempre é rentável) no final acaba colhendo benefícios.

Odù Ifá Eji Ogbè diz:

A Terra é negra e sempre será negra.

O solo é escuro e sempre escuro.

Torrentes são sempre muito tempestuosas.

Estes foram os nomes do Áwo que adivinhavam para Ajè Sàlugá (a riqueza)

Que é incerto como o oceano.

Os mesmos adivinhos lançaram Ifá para Obìnrín (natureza feminina)

Que é inconstante como o mar.

O mesmo foi declarado para omo (descendência).

Firmes no apoio como pedras no leito do rio.

Eles disseram:

Riqueza pode ir e vir

O mesmo acontecerá com as mulheres.

Mas filhos continuam a linhagem para a continuidade da terra (Olóye Agbolá)

Por Áwo Faloju

Uma de suas lendas a tem como filha de Aládi, uma das esposas de Olókun (em território nigeriano Olókun tem dupla sexualidade, uma vez, reconhecido como energia masculina e outra energia feminina, isto depende da região).

Ajè Sàlugá ou Anabi como é conhecida pelos próprios muçulmanos nigerianos (que consultam Ifá e fazem ebo de prosperidade no inicio do ano novo yorùbá), é uma divindade muito cultuada entre o povo yorùbá, pois se trata de um òrìsá que quando é tratada costuma trazer riquezas e prosperidade aquele que a trata. Ajè é um òrìsá feminino, considerada irmã mais nova de Yemoja, teve seu culto iniciado quando um dos itan de Ifá foi revelado.

Neste itan conta que Ifá se encontrava em uma situação financeira muito ruim, a fome e a necessidade lhe acompanhavam.

Havia uma menina muito feia que diziam ter saído a pouco das profundezas do mar, ninguém gostava dela, ninguém pretendia aceitá-la dentro de casa por não aceitar sua feiura, deste modo ela andava vagando pelos caminhos, ruas e estradas à procura de um descanso.

Um dia Ifá abriu sua porta e se deparou com aquela menina feia e ela pediu estadia, sem pensar duas vezes Ifá como sempre muito generoso, a aceita dentro de sua casa e deu a ela o pouco do que tinha para comer e um lugar para descansar.

Durante a noite Ifá foi surpreendido por aquela menina dizendo que estava querendo vomitar. Ifá preocupado com aquilo providenciou uma tigela e estendeu a frente da menina, mas ela se recusou, então ele a apresentou uma cabaça e obteve recusa, da mesma forma aconteceu quando ele o ofereceu um jarro, o maior que ele possuía em sua casa, mesmo assim ela se recusou a vomitar ali e disse à Ifá: Em minha casa estou acostumada a vomitar em um quarto.

Ifá levou-a para o único quarto que aquela casa possuía e chegando lá mais uma vez se surpreendeu quando viu aquela menina vomitando inúmeras pedras preciosas, azuis, amarelas, branca, de todos os tipos, incansavelmente. Pelo caminho, um homem viu o apuro que Ifá estava passando com aquela menina e perguntou se ele podia entrar para prestar ajuda, quando entrou no quarto onde estavam se encantou com tamanha riqueza que aquela menina deixava pelo chão de Ifá e exclamou:

“Há! Nós não conhecíamos os poderes desta menina, por isso a repudiávamos, e hoje eles estão revelados!”

Este homem disposto a servi-la, colocou-lhe o nome de Ajè Sàlugá. Depois disso todos ficaram sabendo dos presentes que Ajè havia dado a Ifá e todos queriam recebê-la em suas casas.

Ajè tem seu igbá arrumado de forma individual, não podendo ter finalidade de Ojugbó, é pessoal e intransferível.

Conchas, caracóis e outros apetrechos são os instrumentos sacralizados que fazem parte de seu igbá.

Oríkì Ajè.

 

Aki beru loruko ti a npe Ifá

Akiberu loruko ti a npe Odù

Olómo sawe loruko ti a npe Ajè

Ajè ko yawa je ni ile mi o.

Não tenha medo, é o nome de Ifá.

Não tenha medo, é o nome de Odù.

A mãe de Sawe é chamada Ajè (riqueza)

Ajé venha e coma na minha casa.

Ajè venha e esteja comigo em minha vida.

Àse.

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HÁBITO DE ABRIR CICATRIZES NO ROSTO

Antiga prática muito difundida entre os iorubá, hoje em dia já não é tão comum, pois com o desenvolvimento cultural e tecnológico perdeu a finalidade, e tende a desaparecer por completo.
A origem desse costume foi na Nigéria Ocidental (povo iorubá), devido à grande quantidade de guerras que havia na região. Os fulani estavam sempre em guerra com os iorubá, e as próprias cidades guerreavam entre si. No meio de uma batalha uma pessoa poderia matar alguém do seu próprio grupo. Já com as marcas no rosto a identificação tornou-se bem mais fácil, e só eram mortos ou aprisionados como escravos aqueles com marcas diferentes, ou os que não tinham marca alguma.
Outro motivo para as marcas era que os escravos, quando não tinham marcas, levavam no rosto a marca de seu dono.

Os grupos familiares também costumavam marcar o rosto para facilitar a identificação de pessoas da mesma família, ao se encontrarem fora da cidade.
Finalmente, algumas pessoas se achavam mais bonitas com cicatrizes no rosto, para “estar na moda”.
Atualmente os ijebú e os ijesá não cortam mais marcas no rosto dos recém-nascidos. Em Ondo são feitas marcas somente no rosto do primogênito, enquanto em Oyo existem famílias que fazem as cicatrizes até hoje.
Alguns exemplos das marcas usadas nas diversas cidades do grupo iorubá:

1. Àbàjà meta – três marcas horizontais grandes de cada lado do rosto, ou seis  menores.
2. Àbàjà merin – quatro marcas  horizontais grandes de cada lado do rosto, ou oito menores.
3. Àbàjà alagbele – um dos modelos anteriores com mais  três marcas verticais em cima.
4. Pélé – este tipo de marca é feito para embelezar. São três marcas verticais de cada  lado do rosto. Característica da cidade de Ife.
5. Gombo – são três marcas verticais laterais bem grandes de cada lado, da cabeça até ao queixo. São características da cidade de Oyo.

6. Marca da cidade de Ondo – Uma cicatriz vertical,  comprida, de cada lado, na frente do rosto.
7. Marca de Ijebú – Três marcas verticais curtas de  cada lado do rosto.
8. Àbàjà de Egbá – três marcas verticais em cima de três horizontais.
9. Àbàjà de Ijesà – quatro marcas horizontais de cada  lado.
10. Pélé de Èkitì – uma marca  vertical de cada lado do rosto (encontra-se também três de cada  lado).
11. Àbàjà de Èkitì – nove  pequenas marcas horizontais (três a três) com três verticais  acima.
12. Ture – diversas marcas  verticais finas de cada lado.
Ao  encontrar uma pessoa com uma destas cicatrizes, você poderá facilmente  identificá-la como nigeriana.
Tudo  indica que as “curas” feitas nos filhos de santo foram originadas nesse costume,  pois servem também como identificação das pessoas de candomblé.

Pesquisa/texto: Maria Inez de Almeida – Ifatosin

Fotos: Internet

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“A cartilha OKU ABO é uma ferramenta educativa criada pelo projeto OKU ABO – Educação ambiental para Religiões Afro-brasileiras, com o objetivo de resgatar o saber tradicional das religiões afro-brasileiras e promover a preservação do meio ambiente a partir desse resgate.”

Segue o link da cartilha para download com conceitos importantes para o povo de terreiro e dicas extremamente fáceis de serem assimiladas e praticadas por todos religiosos dentro de suas casas.

Lembrem-se: nosso espaço sagrado não se resume apenas ao terreiro, temos uma natureza que dependemos para continuar a nossa religiosidade e fazemos parte de uma sociedade – isto implica, além de tantos outros fatores, conscientizar-se que os espaços públicos são públicos por serem de todos e não de um. Sendo assim, todos, independentemente de crença, têm direito de usá-los e o dever de não danificá-los.

Abaixo o link para a cartilha:

Click to access 173.pdf

Axé.

Dayane

 

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Òsún e a Água.

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Òsé méjì

Em todo o mundo, quando nos deparamos com a água, encontramos a personificação do feminino, da purificação e da fertilidade.

É a água que sustenta nossas vidas frágeis no ventre de nossas mães antes de chegarmos a cada encarnação.

É água é o agente pelo qual nós purificamos o corpo e a alma.

É a água que nos limpa de dentro para fora.

Em muitas culturas, a santidade da água é captada no arquétipo de uma divindade feminina, o que também é o caso da cultura iorubá da África Ocidental.

A importância primordial da água é ser reconhecida e venerada por meio da adoração dos ribeirinhos ao Òrìsá Òsún (divindade).

Òsún é o proprietário de todos os rios e de todas as águas doces do mundo, incluindo a água do corpo e da corrente sanguínea. Em geografia sagrada, a energia Òsún é encarnada em seu rio sagrado que leva seu nome. O rio Òsún que nasce no Estado de Ekiti, no leste da Nigéria e do fluxo para o oeste através de sua casa, Osogbo, onde a adoração é centradaem  Òsún. Esta é a casa de sua mais alta sacerdotisa, a Ìyá Òsún (Mãe Òsún).

É como o dono das águas santas que encontramos a divindade a quem muitas mulheres vão orar para ter uma criança. De fato, no santuário Òsún, o Atoaja (rei) do palácio de Osogbo, encontramos um pote de água que é considerada remédio para todas as doenças. É considerada especialmente eficaz em causar a gravidez. Muitos devotos fazem uma oferta de nozes de cola (Obí), que a Ìyá Òsún de bom grado oferece a ela, bem como uma oração para a mulher esperançosa de ser mãe.

Em uma sociedade tradicional, especialmente entre os yorùbás, a fertilidade é não só uma necessidade, mas uma bênção. Crianças e gravidez não são vistos como um fardo, mas como uma forma em que podemos voltar a esta terra. Acredita-se que uma vez que você passe para o outro mundo, você vai nascer de novo através de sua própria linhagem.

Em Òsún, a mulher estéril encontra um Òrìsá que se foi através do mesmo. Òsún ao mesmo tempo, de acordo com sua mitologia era uma mulher estéril. Foi apenas através da adivinhação apropriada, o sacrifício e o uso de suas de suas próprias águas que ela foi capaz de receber a sua fertilidade.

Òsún na diáspora iorubá manteve sua associação com o nascimento da criança, na verdade, ele disse que os seus devotos, especialmente as mulheres férteis, tem amor para ter um filho após o outro. Em sua poesia de elogios na Nigéria, Òsún é elogiada como a mãe que alimenta seus adoradores tratando-os como seus próprios filhos, amamentando-os em seu peito. Ela também é exaltada como a mãe que dá à luz com a freqüência e facilidade de animal.

É na estação das chuvas, quando o rio Òsún está cheio de águas, a sua cura e a fecundidade da terra está a sua altura, é quando é feito o festival anual para honrá-la é celebrada. É a sua sacerdotisa, a Ìyá Òsún e sua contra parte terrena / parceiro, o Atoaja, que tomam o centro do palco para se certificar de que ela é propiciada de forma correta, de modo que a cidade inteira, na verdade, todo o nigeriano e adorador mundo afora possa experimentar um ano próspero.

Além de ser o Òrìsá da fertilidade corporal, Òsún é uma divindade da fertilidade monetária. Òsún é associada à riqueza e pode provavelmente transmitir a riqueza como ela faz com as crianças. Novamente, podemos olhar para a sua poesia de louvor e compreender sua associação com a riqueza. Em seus poemas vemos muitos elogios, encontramos a altura da beleza, a luz delgada de sua pele que é adornada com o bronze, metal precioso, e carrega um pente de contas.

É no rio Òsún que encontramos os meios de troca monetária, o búzio, que é usado pelos yorùbá. Tão forte é sua associação com a riqueza, que na diáspora, ela é freqüentemente invocada a trazer estabilidade financeira e sorte. Freqüentemente, o devoto em busca de riqueza irá encontrar um rio e as ofertas de um dos alimentos especiais Òsún, o mel, juntamente com cinco moedas de cobre. Em Osogbo, não seria incomum para uma pessoa que precisa de dinheiro trazer seus presentes ao bosque sagrado e oferecê-los diretamente ao rio para pedir favores.

Enquanto o búzio é um meio de troca, ele também pode ser usado para adivinhação. Òsún é também um adivinho através de sua associação com búzios e sua associação com a òrìsá da Adivinhação Òrúnmìlá (vis-à-vis o casamento). Nos deparamos com mais uma faceta deste Òrìsá muito importante, nos deparamos com uma mulher de conhecimento. Òsún é dito ser o Òrìsá que aprendeu o sistema de adivinhação com dezesseis búzios. De fato, em algumas das mitologias, é Òsún que executa adivinhação na casa de Òrúnmìlá quando ele está longe.

Embora para nós Òsún seja o máximo em feminilidade, ela como todos os òrìsá é um poder divino que incorpora a feminilidade.

Foi Òsún, que desceu a Terra com os 16 òrìsá para deixar o mundo pronto para a humanidade. Entre os Òrìsá que desceram, Òsún foi à única do sexo feminino e, como ilustrado pelo poema abaixo, Òsún não estava para brincadeiras:

Ifá diz:

Ifá foi adivinhado para os 400 Irùnmolé no lado direito

Ifá foi adivinhado para os 200 igbá imolé do lado esquerdo.

Foram eles que construíram a estrada para o bosque sagrado de Opá.

Foram eles que construíram a estrada no sagrado bosque para o ojugbó de Orò

Eles não foram consultar Òsún.

Eles chamaram o espírito de Egun, Egun não veio.

Eles chamaram o espírito de Orò, Orò não veio.

Fizeram uma estrada para Ilé Ifè, mas ninguém iria utilizá-la.

Eles fizeram inhame moído, que ficou cheio de caroços.

Eles fizeram amala, mas ficou muito aguado.

Ifá adivinhava para Òsún, proprietária do pente muito bonito de madeira.

Que usou seus poderes para confundir os esforços dos Irùnmolé.

Eles foram a Olodumarè

Disseram que foram incapazes de concluir suas tarefas.

Olodumaré perguntou:

“Quem é a única mulher entre vocês?”

Ele perguntou:

“Será que vocês a respeitaram?”

Disseram-lhe que não a consultaram.

Olodumaré avisou ​​de que deveria retornar e incluir Òsún em sua decisão

Eles voltaram e mostraram o devido respeito a Òsún

Eles chamaram o espírito de Egun, Egun veio.

Eles chamaram o espírito de Orò, Orò veio.

As pessoas usaram o caminho para a Ilé Ifè.

Eles fizeram inhame moído, ficou bom.

Eles fizeram amala, ficou bom.

Damos nossa reverência a Òsún.

A mãe invisível estava em todas as reuniões.

É aqui que ficamos sabendo que uma mulher solteira estava confundindo os esforços de todos os Irunmole (Òrìsá). Quando desceu a Terra, Òsún foi tratada como uma escrava, mantida na cozinha. Em outras palavras, tratou-se de chauvinismo e se recusaram a tratá-la como uma igual. Quando todos os seus esforços foram em vão, eles voltaram para o òrun e falaram com o alto Deus, Olodumarè. Em um exame minucioso, Olodumarè viu que sem o consentimento de Òsún nada seria realizado. Na verdade, não era para ela ser somente consultada, era para ser iniciada em nos mistérios.

Em Òsún temos a personificação da riqueza, prosperidade, amor, beleza, elegância, sexualidade e sensualidade e uma feminista divinamente sancionada.

Mo ke mogba lodo omi.

Eu choro por libertação através da água!

Ire o.

Orìkì Òsún

 

Òsun aládé òkín

Òoní ‘mole odò

Ògùdù gbàdà

Ògbàdà gbaramù

Obìnrin gb’ònà okùnrin sá

Gbàdàmù gbàdàmú ti kò se é gbá légbèé mú

Yèyé ò, a fi ide re omo

Ò yèyé ni’mò eni ide kìí sùn

E gbé’nú ìmò fi ohun t’ore

Ota wéré wéré ni ti Òsun

Òsún k’e k’ówó t’èmi fún mi o

E má ri owó t’èmi mó yanrìn

Ore Yèyé o!

Tradução:

Òsun, deusa com a coroa da plumagem fantástica do pavão

Deusa do rio

Retumbante onda do mar

Esmagadora e grande

Homens são executados quando Òsun os leva ao longo da estrada.

Poderoso mar que não pode ser realizado

Oh! Querida mãe, você que mima as crianças com bronze.

Sábia dona do bronze que nunca dorme.

Você vive com sabedoria e livremente.

Òsun, por favor, me dê o meu próprio dinheiro.

Não enterre o meu dinheiro na areia.

Oh! Obrigado querida mãe!

Àse.

Texto garimpado na web sem autoria, ficaríamos felizes em identificar o autor.

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Xambá – Uma nação.

 

 

A Nação Xambá está ainda bem viva e ativa em Olinda, Pernambuco. Apesar de alguns autores afirmarem que o culto Xambá no Brasil está praticamente extinto. O Xambá de Pernambuco ainda permanecerá vivo por muitas gerações, mantendo seus ritos, mitos e tradição.

Com o falecimento da grande Iyalorixá do Xambá, Severina Paraíso da Silva “Mãe Biu”, como era mais conhecida em 1993, o herdeiro do trono do Xambá é o Babalorixá Adeildo Paraíso. Conhecido popularmente e pelos que fazem parte daquele terreiro como Ivo do Xambá, que convocou seus filhos de santo: professores Antonio Albino, Hildo Leal e João Monteiro, para elaborarem um projeto arrojado e inovador para o terreiro do Portão do Gelo, que seria o memorial do Xambá, onde seriam reunidos e preservados documentos fotográficos e objetos ligados a vida e a atuação da grande líder religiosa, bem como da memória do “Terreiro Santa Bárbara Nação Xambá”.

Fugindo de Maceió, capital de Alagoas, no início da década de 20 do século XX, o babalorixá Artur Rosendo Pereira, de acordo com a “Cartilha da Nação Xambá” (Hildo Leal Rosa,2000), devido à perseguição política às religiões afro-brasileiras da época, se estabelece no Recife, mais exatamente na rua da Regeneração, no bairro de Água Fria. Antes mesmo de fugir da repressão política e ainda residindo em Maceió, o babalorixá Artur Resende viaja à Costa da África onde permanece por quatro anos e com o tio Antonio, que trabalhava no mercado de Dakar, no Senegal vendendo panelas, segundo René Ribeiro. E por volta de 1923, seguindo as tradições da Nação Xambá, e já em Recife, reinicia suas atividades de zelador de Orixás.

O Babalorixá Artur Rosendo iniciou muitos filhos de santo, tendo muitos deles aberto terreiro. Uma de suas filhas mais notáveis foi Maria das Dores da Silva, “Maria Oyá” iniciada em 1928. A saída de iyawô de Maria de Oyá foi realizada sem toques de tambores e cantada em voz baixa por cauda da perseguição. Logo após a iniciação de Maria de Oyá, Artur volta para Maceió.

Em 1930, Maria de Oyá inaugura seu terreiro na rua da Mangueira no bairro de Campo Grande em Recife. Com a conclusão de sua iniciação em 13 de dezembro de 1932, recebe então as folhas, a faca e a espada das mãos de seu Babalorixá que realizou ao meio dia o ritual de coroação de Oyá no trono. Cerimônia belíssima que até hoje é repetida mantendo a tradição Xambá de Pernambuco.

Em 1932 Maria de Oyá tira seu primeiro barco de três iyawôs. Ainda em 1932 ela inicia seu segundo barco de iyawôs, este maior e iniciando principalmente Donatila Paraíso do Nascimento que em 1933 assume o cargo de Mãe Pequena do terreiro, vindo a falecer em 2003 aos 92 anos e passando 60 anos de sua vida no cargo, sendo mais conhecida por Tia Tila, uma outra filha ilustre foi Lídia Alves da Silva (Talabi).

Daí em diante a sucessão de iniciações crescem, O Xambá passa a brilhar ainda mais. Quando em junho de 1935, Maria Oyá inicia nos ritos a sua mais primorosa filha, a que lhe sucederá, Severina Paraíso da Silva, “Mãe Biu”.

Com o passar dos anos e com a violência policial do Estado Novo cada vez mais rígida, em 1938, Maria de Oyá é obrigada a fechar seunterreiro. Terreiro esse que não abriria mais suas portas guiada por aquela que pelas mãoes dr Artur Rosendo Pereira troxe o Xambá para Pernambuco. Pois em 1939 Maria Oyá se despede de sua vida terrena, deixando o Xambá órfão. É ainda nesse duro periodo de perseguições que juntamente com outras nações de candomblé cultuadas em Pernambuco que todos os terreiros são fechados e seus fiéis tolhidos, durante 12 longos anos até 1950, daquilo que lhes é mais precioso, do culto de seus Orixás, Inkísses e Voduns.

Porém.como depois de uma guerreira de Oyá há de vir uma outra guerreira para continuar a luta por seus ideais, pela conservação dos ritos e mitos de uma tradição, Mãe Biu de Oyá Megué reabre o terreiro Xambá em 1950 na estrada do Cumbe, 1012 no bairro de Santa Clara na cidade do Recife, tendo como seu Babalorixá o senhor Manuel Mariano da Silva, como Iyalorixá Dona Eudoxia, como padrinho o senhor Luiz da Guia e madrinha Dona Severina. Permanceu nesse endereço por apenas 10 meses, no dia 7 de abril de 1951 o terreiro se muda para o atual endereço na Antiga rua Albino Neves de Andrade, hoje rua Severina Paraíso da Silva, 65 na localidade do portão do Gelo, bairro de São Benedito-Olinda-Pernambuco.

Com o falecimento de Mãe Biu, que durante 24 anos dirigiu o terreiro Xambá, auxiliada por sua fiel e inseparável irmã e amiga Tia Tila que então assume o cargo de Iyalorixá por um periodo de 10 anos, tendo como Babalorixá seu sobrinho carnal Adeildo Paraíso, filho carnal de Mãe Biu. Hoje com o falecimento de Tia Tila, assume o trono do Xambá a Iyalorixá Maria de Lourdes da Silva de Yemonjá, iniciada por MãeBil em 18 de maio de 1958.

A jovem guarda do Xambá de Pernambuco orgulha-se de seu terreiro, do seu povo, de sua simplicidade sem invenções modernas, sem se quer mudar uma linha do que lhes deixou seu propulsor e suas grandes e humildes Mães de santo.

O Terreiro do Xambá está lá no Portão do Gelo, preservado, conservado e servindo de exemplo para muitos terreiros tradicionais. O Memorial do Xambá foi criado de acordo com a solicitação de seu Babalorixá aos seus filhos, para contar a história de um povo aguerrido e ordeiro.

WWw.nacaoxamba.com.br
Matéria da revista: Candomblé Mitos e Lendas
Editora: Minuano

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Divulgação presente yemanja

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