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Archive for the ‘Candomblé’ Category

Hoje observo, sobretudo no Sudeste, um acentuado processo de degradação no que concerne a história e importância dos Ogans, nas Sociedades Religiosas. Após ter criado esse Blog, muitas pessoas me pedem para falar um pouco sobre postura dos Ogans e o verdadeiro papel dos mesmos. Quando os indago a razão desse interesse, em sua maioria afirmam estarem descontentes com seus próprios Ogans, com a forma a qual se manifestam nas Sociedades Religiosas.
Perguntei a essas pessoas quais as atitudes motivaram todo esse descontentamento e, para minha surpresa (ou não), a resposta mais incidente foi justamente a “falta de atitude” dos Ogans.
Sacerdotes com os quais conversei, relataram que de alguns anos para cá, os Ogans simplesmente deixaram de serem Ogans. Comentaram que no passado, tinha no Ogan, a figura de uma pessoa que não somente cantava ou tocava para os Òrìsàs, mas sim, principalmente, Sacerdotes que zelavam pelos Deuses, pela casa e pelos seus respectivos sacerdotes.
Diante desses comentários refleti sobre o tema e sobre minhas lembranças mais remotas tangentes a figura dos Ogans. Deixando de lado as memórias relacionadas a música, que obviamente sempre me despertou de forma latente,  lembrei-me de alguns fatos, que me fizeram ter tanta admiração pela figura do “Ogan”, mesmo antes de ser um.
Lembrei-me de uma ocasião, na casa de minha avó Célia em Salvador. Eu deveria ter uns 9 ou 10 anos no máximo. Na semana da festa (não lembro qual), um grupo de Ogans saiu logo pela manhã para colher folhas, mesmo eu sem ser iniciado, acabei indo, pois minha avó Célia, mandou que eu fosse acompanhá-los.
Saímos da roça, em Parípe e, fomos à uma mata próxima, voltamos com uma infinidade de folhas que seriam usadas para diversas finalidades. Ao chegar à roça, o grupo fora dividido, alguns foram “quinar” as folhas, outro foi podar umas árvores que haviam passado a cumeeira e alguns foram trocar umas telhas que quebraram.
No outro dia, após o Oro, aqueles mesmos Ogans estavam divididos, alguns desossando o Obuko, outros tratando de encourar os atabaques, outros levando algumas obrigações para a mata, etc.
Engraçado que esses mesmos Ogans, eram virtuosos no barracão, cantavam, tocavam, etc. Todos eles, sem exceção, eram chamados por todos de “Pai”, “Meu Pai Ogan”. À época, pensei que a razão que conferia aos mesmos o “status” e respeito para serem chamados de “PAI”, seria o fato de serem Ogans. Afinal Ogan é Pai, não?. Com o passar do tempo, descobri que estava errado.
Aqueles Pais, não eram respeitados dessa forma por serem Ogans, mas sim, por aquilo que eles faziam. Afinal, por exemplo, uma antiga egbon-mi estava chamando de pai, um novo Ogan não por ele ser Ogan, mas pelo fato dele ter arrumado a telha do quarto do santo dela, zelando pela divindade que lhe rege a cabeça, ou por ter pego as folhas que foram utilizadas para seu Òrìsà, para seu banho.
Quantas vezes ouvi antigas egbon-mi dizerem: Meu Pai Ogan “fulano de tal” cortava para o meu santo! Meu Pai “fulano de tal” limpou o Obuko da minha feitura….Fez meu “prefuré”.
Corrobora a ideia de o Ogan ser Pai não por ser Ogan, mas por aquilo que ele faz, diversas histórias que cercam os maiores Ogans da Bahia.
Em uma entrevista, Mãe Cidália de Iroko comenta que: “Poxa, meu Pai Vadinho, como ele cuidava da roça, você já prestou atenção pra ver que o barracão do Gantois não tem muro pra cercar ele? Que é na rua? Pois é, Vadinho, Pai Preto, Amorzinho, eles cuidavam da roça, ninguém se metia a besta lá não, nem precisava ter muro”.
Na pequena passagem comentada por mãe Cidália, ela não fala da virtuosidade de Vadinho em ser o maior dobrador de Hun da Bahia, ou do conhecimento da língua Yoruba de Amorzinho, mas sim, o fato deles salvaguardarem o terreiro do Gantois.
Há relatos que discorrem que a construção do antigo barracão do Gantois, ocorreu com a ajuda, não financeira, mas braçal dos Ogans, que juntos com seu Álvaro (marido de Mãe Menininha), levantaram aquelas paredes.
Vejamos, por exemplo, a importância Social dos Obas do Opo Afonjá, Ogans que mais que sacerdotes espirituais, tiveram e têm a missão de zelar pela Sociedade Civil daquele Candomblé, conferindo-lhes o status de Pai.
Outro exemplo, louvável, refere-se ao venerável Antônio Agnelo Pereira, saudoso Pai Elemoso da Casa Branca do Engenho Velho (que merece um post sobre sua história). O Elemoso Agnelo foi de importância sem igual, para que o Ile Ase Iya Naso Oka tivesse novamente sobre sua posse, o terreno que hoje fica o barco de Ósun, mas que estava sendo explorado por um posto de gasolina.
Mas por que então, há o processo de degradação?
Em parte, isso se deve aos próprios Babalorisas e Iyalorisas que conferiram aos Ogans (nesse caso, aos que cantam e tocam) um status de “estrela” e não de Ogans. Quando aparece em uma casa, um Ogan que toca ou canta bem, ele passa a ser estrela naquela casa, estrela essa como já dito, conferida pelo seu sacerdote.
Nesse caso, para que ele vai aprender como tirar as costelas do Obuko, ou que folha pegar para o seu santo? Estrela não faz isso! Os Ogans estrelas, geralmente não conhecem seu Òrìsà, pois jamais deram Osé nele, os Ogans estrelas não sabem onde se costuma levar os ebós da sua casa, pois ele nunca fez isso. O maior trabalho desse tipo de Ogan é trocar fitas de Candomblé, não importa de quem, o importante é ter centenas de fitas, de diversas casas, afinal, para ele pouco importa a tradição de cânticos ou toques de sua casa, o que importa é calar o barracão, enunciando uma cantiga que somente ele conhece, geralmente sem nada ter haver com o seu Asè.
Nesse processo de enaltecimento do Ogan estrela, o Ogan de verdade, aquele que arruma o telhado, que limpa o bode, que pega a folha para onde vai? Ele vai para a igreja, buscar alguém que olhe e ore por ele, sendo que para esse, nos Candomblés não há espaço….
Como mudar? Como reverter esse processo de degradação quase que terminal que vivemos hoje? Fácil, os Babalorisas e Iyalorisas devem mudar de postura frente aos seus Ogans.
Devem principalmente, se libertarem. Exemplifico, há casas em que há somente um Ogan que toca ou que canta! Pronto se o Babalorisa não se libertar deste, será seu refém a vida inteira!
Ensine as crianças, elas serão os Pais da sua casa! Não centralize, mesmo que tenha um Ogan que cante ou que toque na sua casa, incentive os novos (DA SUA CASA) a fazer o mesmo!
Ensine a importância de uma Màrìwò desfiado, de como arriar os Asès do Obuko frente ao Òrìsà, a importância de conhecer e de como se colher as folhas dos Òrìsàs.
Converse com seus Ogans. Os Ogan precisam saber que Candomblé não é somente cantigas e atabaque e que o papel e função dos Ogans não se restringe a isso. Palestre aos seus filhos, retome as histórias de antigamente!
Aqui, deixo meus respeitos àqueles grandes Pais Ogans, que vão à mata retirar a folha do Igi Ope para transformar em mariwo, aqueles que sabem entregar um carrego, aqueles que consertam as telhas das casas dos Orisas, aqueles que podam as árvores das roças, que tiram as folhas, aqueles que lutam para a manutenção e defesa da sua casa, enfim, meu respeito aos Pais Ogans.

Vinicius
(mensagem extraída do http://www.oganvinicius.blogspot.com/).

 

http://irmandadesioba.blogspot.com.br/2012_12_01_archive.html#3505532139422862562

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oxaguian

Orixá significa um tanto de coisa em nossas vivências. Ressignifica nosso cotidiano, nossas atitudes, nosso modo de compreender o movimento da vida. Cada dia pode ter um sentido diferente pra gente perceber que esse movimento maluco da nossa rotina em algum momento faz algum sentido.

Ontem Osogiyan me convidou a abrir meu coração. O Orixá que guerreia pela perfeição ontem me tocou de uma forma diferente no barracão. Ressignificou meu momento ao me falar: “abre agora o teu coração, me mostra a imperfeição e aprende comigo a guerrear contra ela”.

“Ajagùnnòn gbá wa o”

Ontem ele veio me ajudar. Mesmo sem eu pedir diretamente, mesmo eu estando no momento cuidando dos objetos de outro Orixá ele se dispôs a querer me ajudar, a convidar-me a soltar meus afazeres, fechar meus olhos e abrir o meu coração. Abri as frestas, os cantos obscuros, demonstrei as minhas mágoas. Ele pediu-me as minhas antigas lágrimas. Mostrei-o. Oralizei as dorezinhas profundas, aquelas que eu não gosto de mostrar a ninguém.

“Elémòsó

Bàbá olóroògùn”

Ele é o guerreiro, o pai das guerras, e naquele momento se ofereceu para guerrear junto comigo, dentro de mim, por mim. Não havia mais ninguém, não havia mais nada. Foi apenas eu, ele e o meu coração.

As palavras são poucas, o vivido foi muito e eu divido a minha experiência porque o sentido maior de tudo é esse: chegar ao ponto em que o Orixá te chama assim, te acalenta assim. O intermédio entre mim e ele foi apenas Exú que propiciou que suas palavras chegassem aos meus ouvidos. Foi para momentos como esse que eu vi tantos anos como abian e cheguei a ser egbon.

Orixá é lindo.

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Éèríndílógún e Ifá.

Éèríndílógún, ou, òrìsà dídá, é o nome pelo qual o jogo de dezesseis búzios é conhecido na religião tradicional Yorùbá.
Dizer que o jogo de búzios é Ifá, é de fato um grande erro, Ifá se trata do òpèlè e do ikin, utilizados no culto de Òrúnmìlà.
O jogo de búzios é utilizado pelos sacerdotes de orixá, não de todos, mas, principalmente: Obatala, Osun (Oxum), Esu (Exu), Sango, Yemoja, entre alguns outros.
Existem algumas versões sobre a criação do jogo de búzios, duas conhecidas por mim:

Ifá e Oxum:

Orunmila era casado com Oxum e essa o acompanhava em todos os atendimentos, dessa forma Oxum aprendeu sobre alguns Odu e assim, criou um novo sistema de consulta, que utilizava os 16 odu que Ela, Oxum, dominava.

Outra versão:

Obatala

Obatala teria criado o sistema do jogo de dezesseis búzios, que contém os dezesseis odù Òòsà, sendo eles:
Okanran, eji oko, ogunda, irosun, ose, obara, odi, ogbe, osa, ofun, owonrin, ejilasebora, e outros quatro que variam de acordo com a região e o culto.
Esse sistema, Obatala teria passado para Oxum e essa teria passado para os outros irunmole.

O importante é compreender que, o jogo de dezesseis búzios não é exclusivo de Oxum e não é apenas a mesma que responde no oráculo e sim o irunmole para qual os búzios foram consagrados na iniciação. Diferente de Ikin e opele, que são sacralizados exclusivamente para Ifá (Orunmila).
É importante destacar que, o jogo de búzios é tão amplo e complexo quanto o sistema de Ifá, não se trata de um oráculo intuitivo, tampouco de um sistema de decorar palavras chaves, para manipula-lo, o sacerdote deve ter sido treinado e ter conhecimento dos ese de cada um dos 16 odu utilizados.
O jogo de búzios não é inferior ao Ifá, inclusive, se um sacerdote de orisa conhece mais histórias do jogo de búzios do que um sacerdote de Ifá conhece em Itàn odu, certamente o alcance do jogo de búzios será maior. Digo isto para combater a falsa propaganda de que um oráculo é superior ao outro, isso é mentira!
O que pode ser superior ao outro, é o conhecimento do sacerdote e isso é independente do oráculo e do culto.
Exemplo, se um Tarólogo tem um conhecimento profundo de tarot e um sacerdote de orisa tem um parco conhecimento do jogo de búzios, certamente a consulta de tarot será melhor e mais profunda.

É preciso ter atenção e tomar cuidado com a propaganda, diminuir um sistema para exaltar o outro, ignorando completamente a importância do conhecimento profundo, é algo muito perigoso.

Que Ifá e Obàtálá abençoe a vida de vocês leitores, ire o!

Texto: Bàbá Ònífá Ilésire Ṣówùnmí – Zarcel.
Centro Cultural Ilésire – A Casa da Boa Sorte

Foto de Ìjọ Ifá Òtúrá Orí’re àti Ilé Àṣẹ Ọbàtálá Ọ̀ṣẹ̀rẹ̀màgbò.

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 A MINHA PESQUISA SOBRE OS CABOCLOS COMEÇOU POR UMA CURIOSIDADE DE TENTAR ENTENDER O PORQUE QUE AS CASAS DE SANTO PRINCIPALMENTE AS QUE NÃO são DE TRADIÇÃO ANGOLA FAZEREM UM “XIRÊ DE ANGOLA” PARA TOCAR PARA CABOCLO.

ISSO  SEMPRE ME INCOMODOU, POIS  NA MINHA IGNORÂNCIA EU FALAVA, SE VC É KETU OU GEGE, CANTE SUA BANDEIRA E DEPOIS LOUVE SEU CABOCLO…

MAS DE UMA CERTA MANEIRA ELES ESTÃO CERTOS E EU NÃO SABIA, PORQUE A ORIGEM DO CABOCLO É BANTU / ANGOLA / KONGO.

EXISTEM DOIS TIPOS DE CABOCLOS, SÃO ELES OS CABOCLOS DE PENA E OS CABOCLOS DE COURO OU BOIADEIROS:

– ANTES DE FALAR DE CABOCLOS TEMOS QUE FALAR PRIMEIRO DA JUREMA PRETA OU JUREMA SAGRADA, DO CATIMBÓ, QUE DERAM ORIGEM AO CULTO DOS ENCANTADOS, CABOCLOS E BOIADEIROS.

– DE ACORDO COM OS PESQUISADORES, DENTRE ELES, NINA RODRIGUES, ARTUR RAMOS, MANUEL QUIRINO ENTRE OUTROS, SE TEM NOTÍCIAS DA ORIGEM DO CULTO DA JUREMA NOS ANOS 1532 / 1536 E QUE É ORIGINÁRIA DOS POVOS INDÍGENAS NORDESTINOS DA CAATINGA (QUE SIGNIFICA MATA BRANCA, POR CAUSA DA COR DA VEGETAÇÃO).

– ESSAS ÁRVORES SÃO “PLANTADAS” OU “ACENTADAS” PELO MESTRE JUREMEIRO QUE SE TRANSFORMAM NAS “CIDADES DA JUREMA”. ESSA PLANTAÇÃO É FEITA PELO MESTRE JUREMEIRO, AO SEU MESTRE INVISÍVEL QUE USA REZAS, FUMOS E VELAS, MAS SÓ APÓS O FALECIMENTO DESTE MESTRE JUREMEIRO É QUE A “CIDADE” PASSARA A SER SAGRADA E TER FORÇA.

– UMA CURIOSIDADE: O TERMO “JUREMA” PODE  SIGNIFICAR, UMA CIDADE, UMA CABOCLA E UMA BEBIDA…

– EXISTEM SETE CIDADES QUE SÃO: JUREMA, VAJUCÁ OU AIUCÁ, JUNÇA, ANGICO, AROEIRA, MANACÁ E CATUCÁ.

NOTA: O CULTO A JUREMA, TAMBÉM  CHAMADO DE ADJUNTO DA JUREMA, NA ÉPOCA COLONIAL, ERA PROIBÍDO E QUEM O PRATICASSE ERA PRESO E TORTURADO, AS VEZES ATÉ A MORTE.

O PREPARO DA JUREMA: RASPA-SE A RAIZ, PARA TIRAR A TERRA, EM SEGUIDA É COLOCADA SOBRE UMA PEDRA E É MACERADA, QUANDO ESTÁ BEM MACERADA, COLOCA-SE DENTRO DE UMA VASILHA COM ÁGUA E SE ESPREME COM A MÃO ATÉ A ÁGUA SE TRANSFORMAR EM UMA INFUSÃO VERMELHA E ESPUMOSA ATÉ FICAR NO PONTO DE SER BEBIDA.

– ESTA BEBIDA ALUCINÓGENA É INGERIDA PELOS MESTRES JUREMEIRO PARA QUE ELES ENTREM EM TRANSE, SE APROXIMEM, VAMOS DIZER ASSIM DA ESPIRITUALIDADE, E FAÇAM SUAS SESSÕES DE CURAS E REZAS.

– NÃO SERIA PECADO NENHUM AFIRMAR QUE A “CABOCLA JUREMA” NADA MAIS É QUE O ESPÍRITO DE UMA MESTRA JUREMEIRA FILHA DE OXUM, ENCANTADA NA ÁRVORE DO MESMO NOME, VIDE A CANTIGA COMO EXEMPLO:… “CABOCLO VAI EMBORA, PRA CIDADE DA JUREMA, OXALA TÁ LHE CHAMANDO, PRA CIDADE DA JUREMA….

– “SANTIDADE” FOI UM CULTO QUE NASCEU NO BRASIL AINDA EM 1500 EM QUE OS ÍNDIOS CATEQUIZADOS PELOS PADRES PORTUGUESES JUNTAVAM OS SANTOS CATÓLICOS COM A MITOLOGIA INDÍGENA E DAI TEMOS A MISCIGENAÇÃO.

NOTA: OS PADRES PORTUGUESES ACHAVAM QUE OS ÍNDIOS NÃO TINHA RELIGIÃO, NÃO ACREDITAVAM EM UM DEUS, TAMPOUCO NO DIABO, E QUE ERAM FÁCIL DE SEREM MOLDADOS NO CRISTIANISMO, DIFERENTE DOS PADRES ESPANHÓIS QUE TINHAM UMA LIGAÇÃO MAIS FORTE COM O CLERO E QUE ERAM EXTREMAMENTE INTOLERANTES A TODO E QUALQUER CULTO PAGÃO.

– CATIMBÓ É UM CULTO MUITO PARECIDO COM O DA UMBANDA. OS PESQUISADORES INCLUSIVE ACHAM QUE NA VERDADE O CATIMBÓ É O COMEÇO E ORIGEM DA UMBANDA OU A PRIMEIRA ARTICULAÇÃO DA UMBANDA,  QUE JUNTOU A MITOLOGIA INDÍGENAM COM OS SANTOS CATÓLICOS E OS ENCANTADOS.

– O TRÁFICO DE ESCRAVOS PARA AS AMÉRICAS INCULIVE PARA O BRASIL DUROU CERCA DE 300 ANOS, E OS PRIMEIROS ESCRAVOS QUE APORTARAM AQUI FORAM OS NEGROS BANTUS, ORIUNDOS DAS CIDADES DE ANGOLA, BENGUELA, ÁFRICA DO SUL, KONGO E ETC. ATÉ PELA PROXIMIDADE GEOGRÁFICA.

– NOTA: PARA SE TER UMA IDÉIA, MUITOS DESSES ESCRAVOS FORAM USADOS PELOS BANDEIRANTES PARA DESBRAVAREM O BRASIL E ABRIREM AS FRONTEIRAS.

– A DIVISÃO E VENDA DOS ESCRAVOS ERA FEITO PELO QUE ELES SABIAM FAZER, POR SUAS HABILIDADES PESSOAIS.

–  AS MULHERES ERAM CLASSIFICADAS TAMBÉM POR SUA APARÊNCIA E BELEZA. AS MAIS AFEIÇOADAS ERAM ESCOLHIDAS PARA FICAREM DENTRO DA CASA, GERALMENTE AS MAIS VELHAS FICAVAM NA COZINHA, E  AS MAIS NOVAS ERAM APROVEITADAS COMO MUCAMAS E ESCRAVAS PESSOAIS DAS SENHORINHAS, OU COMO ACOMPANHANTES DAS FILHAS

– OS POVOS QUE MEXIAM COM AGRICULTURA ERAM VENDIDOS PARA AS FAZENDAS DE CULTIVO DE CANA, CACAU, CAFÉ MILHO E ETC, QUE FICAVAM MAIS AO SUL DA BAHIA POR QUESTÕES CLIMÁTICAS.

– E OS NEGROS QUE SABIAM MANEJAR GADO IAM PARA O NORDESTE PARA AJUDAR NAS FAZENDAS DE CRIAÇÃO DE BOIS, VACAS E CAVALOS. AS FAZENDAS DE GADO GERALMENTE FICAVAM NO NORDESTE DA BAHIA QUE FAZEM DIVISA COM PERNAMBUCO, ALAGOAS SERGIPE E PIAUÍ.

– COM ESSA PROXIMIDADE, O ESCRAVO BOIADEIRO SE MISTUROU COM OS ÍNDIOS QUE FAZIAM O CULTO DA JUREMA, ENTÃO HOUVE A PAJELANÇA, QUE FOI A JUNÇÃO DA CULTURA AFRICANA AO NKISI COM A CULTURA INDÍGENA A NATUREZA.

– ALGUNS EXEMPLOS DE CANTIGAS DE EXALTAÇÃO A TERRA NATAL OU DE AFIRMAÇÃO DE CIDADANIA.

—MINA ORA EH, MINA ORA AH, MINA ORA EU SOU DE ANGOLA…

—KITEMBO GANHOU UMA BANDEIRA…. ETC…

CABOCLOS DE PENA:

SÃO OS ESPÍRITOS DOS ÍNDIOS EM SUA GRANDE MAIORIA OS TUPÍS, TUPINANBÁS E ARATAGUI. MISTURADOS COM OS ENCANTADOS DA JUREMA QUE SÃO CULTUADOS AMPLAMENTE NA UMBANDA.

– EXEMPLOS: PENA BRANCA, PENA ROXA, TUPINAMBÁ, JUPIRA, GIRA MUNDO, GIRA SOL, E ETC..

 CANDOMBLÉ DE CABOCLO:

– ESTE CULTO TEVE ORIGEM PELA NECESSIDADE DOS BOIADEIROS LEMBRAREM DA SUA CIDADE NATAL, E LOUVAREM OS SEUS JINKISI. ONDE ELES CANTAVAM, DANÇAVAM, REZAVAM E AGRADAVAM SEUS SANTOS NA LÍNGUA NATIVA, MISTURADA COM O PORTUGUÊS ARCAICO.

ENTÃO O PROFANO VIROU SAGRADO COM A DIVINIZAÇÃO PÓS MORTEM DOS NEGROS AFRICANOS, E ASSIM OS ESCRAVOS BOIADEIROS VIRARAM SANTOS.

– NO CANDOMBLÉ DE CABOCLO TIVEMOS UM BABALORIXÁ QUE FOI O MAIS FAMOSO DENTRE TODOS, “JUBIABÁ” QUE SE CHAMAVA SEVERIANO MANOEL DE ABREU, NASCIDO EM 20/04/1886 E FALECIDO EM 28/10/1937, QUE FOI CAPITÃO DO EXÉRCITO E QUE RECEBIA O CABOCLO JUBIABÁ QUE FOI O CABOCLO MAIS FAMOSO DA BAHIA, A PONTO DE CHAMAREM O PAI DE SANTO PELO NOME DE SEU CABOCLO, E QUE FOI PAI DE SANTO DO NÃO MENOS FAMOSO BABALORIXÁ JOÃOZINHO DA GOMÉIA QUE RECEBIA O CABOCLO PEDRA PRETA.

– ALGUNS CÂNTICOS DO CANDOMBLÉ DE CABOCLO….

—DE ONDE VEM OGUM MARINHO…. ELE É O REI DOS ASTROS… SAIA DO MAR LINDA SEREIRA… E ETC.

CONCLUINDO:

– DEPOIS DESSAS PESQUISAS E ESTUDOS, PODEMOS AFIRMAR SEM DÚVIDA ALGUMA, QUE TODO CABOCLO SEJA DE PENA OU DE COURO, SÃO NA VERDADE ENCANTADOS ORIUNDOS DO CULTO A JUREMA SAGRADA!!!

 

Tata Euandilu.

 

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 Panãn, um rito de transição em vias de extinção.
Meu empenho nesse new post é de melhor esclarecer e debater o que já se julga saber por ser de domínio mais ou menos público, entre o povo de santo, sobre uma das cerimônias que precedem os “Ritos de Iniciação e Consagração de um Neófito”, preservando na esfera do silêncio os fundamentos do Panãn.
Trata-se de uma cerimonia comunitária de carácter fundamentalmente religioso, organizado e dirigido pelo Corpo Sacerdotal do Terreiro, e que marca a transição de um indivíduo de um status institucionalizado para outro, ou seja, a reintegração do recém iniciado à sociedade da qual faz parte integrante. Em uma colocação particular, o denomino de “Voltar ao estado de consciência e à vida normal”.
Não posso deixar de mencionar que, normalmente, os ritos de transição eram praticados em sociedades tradicionais, organizadas em classes ou grupos etários. Nesses “ritos de passagem”, praticados em festas e em cerimônias simbólicas, os indivíduos eram retirados da sua situação anterior, considerada menor, para, através de uma prova real ou simbólica, “nascerem” para um novo status, considerado superior.
Nesta cerimônia, são realizadas as “quebras dos interditos” da ìyáwòrìṣà, seguindo da sua reinserção nas tarefas cotidiana do dia a dia. “reaprendizagem das atividades quotidianas”, além de “cozinhar, lavar roupa, usar o pilão, limpar o peixe, fazer compras na feira, cuidar de sua toilette, simular o ato sexual, o parto, ninar uma boneca, passear pela cidade ao braço do marido, escovar as roupas deste ao voltar para casa, fumar, ouvir rádio, assistir televisão e até mesmo reaprender a sua profissão.
Uma de suas etapas consiste em se manifestar a representação de um antigo Mercado de Escravos, onde os ìyáwòrìṣà são apresentados por seus atributos “físicos e psíquicos”, dando inicio a um grande leilão das “peças humanas” como acontecia no período da escravidão, apesar do clima ser ameno e repleto de uma conotação cordial e alegre.
Há quem diga que essa cerimônia não passa de um “pequeno espetáculo” de uma “brincadeira de iaô”, que não tem fundamento algum dentro da liturgia afro brasileira.

Texto: Baba Guido Olo Ajagùnà.

Colaborando com o texto do Bàbá, o Pònòn é um ritual da iniciação ketu que ocorre no dia seguinte ao Orukó do Iyawo. Tem como objetivo principal fazer com que o noviço reaprenda as atividades do mundo profano e cotidiano, para que nada lhe seja prejudicial no futuro, quebrar os ewós referentes ao Orixá, em algumas casas, o Erê ajuda na quebra de ewós. É um ato de transição entre a reclusão e a luz do sol que o Ìyàwó não vê a muito tempo seu retorno a vida material. 
Normalmente o Iyawo é apresentado pelo bábá ou Iyá aos presentes e filhos de santo da casa, neste momento, simbolicamente é oferecido como um bom escravo, o zelador tentará vende-lo por lance inicial em dinheiro vivo que lhe prover, feito o leilão, cabe a quem comprar o escravo e alforria-lo e dando-lhe a liberdade.
No meu tempo, quando acabava o panãn, os zeladores levavam os iyawos para tomar a benção em outros Axés co-irmãos e ainda assistiam uma missa na Igreja Senhor do Bonfim em São Cristóvão.
Texto: Fernando D’Osogiyan.

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Tecno Candomblé!

Gostaria de falar um pouco sobre o novo movimento que surgiu com o advento do “Orkut (já falecido), Facebook e Watthsap.

Centenas de grupos são criados com o “intuito” (assim dizem seus criadores), de fortalecer e unificar a religião.

Realmente acho temeroso esses pretensos grupos nacionais, onde se troca informações de todo o tipo, seja de cantigas, fundamentos, rezas e tudo que o valha da religião.

Minha pergunta aos leitores. Se faz realmente necessário essa modernidade na religião?

Como pode uma pessoa de um determinado Axé ou Ndanji, trocar informações com o de outros?

A diferença de uns cabe a outros?

E o nosso candomblé de terreiro, onde se aprende com os mais velhos será abolido?

O que mais se vê nesse grupo, são discórdias e brigas em detrimento de um conhecimento diferenciado, que é natural das casas diferentes, não sei se por culpa do ego, ou de uma falta de compreensão sobre as diferenças saudáveis da religião.

Não podemos negar que essas ferramentas de comunicação, são necessárias para o desenvolvimento da humanidade, mas cabe evolução na nossa religião?

Vamos continuar dividindo “Axé” pela Web?

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Patrimônio cultural do estado reconhece, pela primeira vez, a relevância de espaço.

Rio – Pela primeira vez no Estado do Rio, um terreiro de candomblé é reconhecido por sua importância histórica, cultural e etnográfica. O tombamento do Ilê Axé Opô Afonjá — criado há 130 anos na Pedra do Sal, na Região Portuária do Rio, e que funciona desde a década de 1940 no bairro Coelho da Rocha, em São João de Meriti — foi publicado no Diário Oficial do Estado.

Pelo decreto 5.808, de 1982, o tombamento provisório equipara-se ao definitivo e prevê a proteção da estrutura da casa principal, do barracão, da área de convivência destinadas às cerimônias religiosas, da árvore sagrada, denominada Irôko, e do bambuzal, além de alguns bens móveis e integrados do terreiro.

Terreiro funciona desde a década de 1940 no bairro Coelho da Rocha

Foto: Divulgação

A líder religiosa do terreiro, Mãe Regina Lúcia D’Yemonjá, de 75 anos, comentou o ato em um vídeo no Facebook. “O tombamento trata-se de um reconhecimento de anos de resistência pela continuidade cultural”, disse.

O tombamento foi festejado por vários religiosos. Para Athaylton Jorge Monteiro Belo, o Frei Tatá, coordenador da superintendência de Igualdade Racial de São João de Meriti, o Inepac fez um excelente trabalho de pesquisa e fundamentação. “Isso é ótimo para São João de Meriti e para a história das religiões de matrizes africanas”, disse “Mais uma vitória dos povos e comunidades tradicionais de matriz africana”, afirmou a mãe de santo Ignez Teixeira, no Facebook. Em novembro, ela coordenou projeto que apagou frases de intolerância religiosa em muros do Rio.

Por BRUNA FANTTI

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