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Archive for the ‘Candomblé’ Category

O Império de Oyó.

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O Império de Oyo (c. 1400 – 1835) – em português também grafado Oió – foi um império da África Ocidental situado onde é hoje o sudoeste da Nigéria e o sudeste do Benim. O império foi fundado por yorubás no século XV e cresceu para se tornar um dos maiores estados do Oeste africano. Sua riqueza foi construída através do comércio (sobretudo de escravos) e de uma poderosa cavalaria. Foi o estado mais importante na região de meados do século XVII ao final do século XVIII, dominando não só outras monarquias da Yorubalândia mas também outras monarquias africanas, sendo a mais notável o reino Fon do Dahomé, localizado no que é hoje o Benim.

O segundo príncipe do reino Yorubá de Ifé, Oranyan, fez um acordo com o irmão de lançar uma incursão punitiva sobre os seus vizinhos do norte por estes haverem insultado seu pai, oba Oduduwa, o primeiro Ooni de Ifé. No caminho para a batalha, os irmãos brigaram e o exército foi dividido. A tropa de Oranyan não era suficientemente grande para fazer um ataque com êxito, então eles vagaram pela costa sul até chegar a Bussa. Foi lá que o chefe local recepcionou-o e forneceu-lhe uma grande serpente com um encanto mágico amarrado à sua garganta.

O chefe orientou Oranyan para acompanhar a cobra até que ela parasse em algum lugar por sete dias e desaparecesse no solo. Oranyan seguiu os conselhos e fundou Oyo onde a serpente parou. Oranyan fez de Oyo seu novo reino e tornou-se o primeiro oba com o título de “Alaafin de Oyo” (Alaafin significa “dono do palácio” em Yoruba), deixando todos os seus tesouros em Ife e permitindo que um outro rei chamado Adimu reinasse ali.

Oranyan, o primeiro oba (rei) de Oyo, foi sucedido pelo oba Dadá Ajaká, alaafin de Oyo. Este oba foi deposto porque era desprovido de força militar e porque permitiu demasiada independência a seus subchefes. A liderança foi, então, conferida ao irmão de Ajaka, Sango, que, mais tarde, foi divinizado como a deidade dos trovões e relâmpagos. Ajaka foi reabilitado após a morte de Sango. Ajaka retornou ao trono pronto para a luta e profundamente tirano. Seu sucessor, Kori, conseguiu conquistar o resto do que, mais tarde, os historiadores chamaram de “Oyo metropolitana”.

O coração de Oyo metropolitana foi a sua capital Oyo-Ile, também conhecida como Katunga, Velha Oyo e Oyo-oro. As duas estruturas mais importantes em Oyo-Ile eram o afin (palácio do oba) e o seu mercado. O palácio ficava no centro da cidade, perto do mercado do oba (Oja-oba). Ao redor da capital, havia uma alta muralha de terra com 17 portas. A grandeza das duas estruturas (o palácio e o Oja Oba) simbolizavam a importância do rei em Oyo.

Oyo cresceu com uma força interior formidável até o final do século 14. Durante mais de um século, o estado Yoruba tinha se expandido à custa dos seus vizinhos. Depois, durante o reinado de Onigbogi, Oyo sofreu derrotas militares nas mãos dos Nupes conduzidos por Tsoede. Por volta de 1535, os Nupes ocuparam Oyo e forçaram os seus governantes a refugiar-se no reino de Borgu. Os Nupes continuaram saqueando a capital, o que destruiu Oyo como potência regional até o início do século 17.

A chave para a reconquista Yoruba de Oyo foi um exército mais forte e um governo mais centralizado. Adotando o exemplo de seus inimigos tapas (o termo iorubá para “nupes”), os iorubas rearmaram-se não só com armaduras mas também com cavalaria. Oba Ofinran, Alaafin de Oyo, conseguiu recuperar a Oyo original do território dos Nupe. Uma nova capital, Oyo-Igboho, foi construída, e a original ficou conhecida como Velha Oyo. O próximo oba, Egonoju, conquistou quase totalmente a Iorubalândia. Depois disto, oba Orompoto conduziu ataques destrutivos ao reino Nupe para garantir que Oyo nunca fosse ameaçado por eles novamente.

Durante o reinado de oba Ajiboyede, aconteceu o primeiro festival Bere, um evento que manteria muita significação entre os Yoruba mesmo depois da queda de Oyo. E foi com o seu sucessor, Abipa, que os Yoruba repovoaram Oyo-Ile. Apesar de uma tentativa falha de conquistar o Império do Benim entre 1578 e 1608, Oyo continuou a expandir-se. Os Yoruba deram autonomia ao sudeste da Oyo metropolitana, onde as áreas não Yoruba poderiam funcionar como um divisor entre Oyo e o império do Benim. Até o final do século 16, os estados Ewe e Aja da moderna Benim foram pagadores de tributo a Oyo.

A rivalidade entre Dahomey e Oyo.

O revigorado Império de Oyo começou incursões em direção ao sul em meados de 1682. Até o final de sua expansão militar, as fronteiras de Oyo atingiriam aproximadamente 200 milhas para o litoral sudoeste da sua capital. Encontrou muito pouca oposição séria, depois do seu fracasso contra o Benim, até o início do século 18. Em 1728, o Império de Oyo invadiu o Reino do Daomé em uma grande e amarga campanha. A força que invadiu Daomé foi inteiramente composta de cavalaria. O Daomé não possuía cavalaria, mas possuía muitas armas de fogo. Essas armas de fogo se revelaram eficazes, assustando os cavalos da cavalaria de Oyo e impedindo-lhes a carga. O exército do Daomé também construiu fortificações com trincheiras, que forçaram o exército de Oyo a lutar como infantaria. A batalha durou quatro dias, mas os Yoruba foram finalmente vitoriosos depois que os seus reforços chegaram. O Daomé foi, então, obrigado a pagar tributo para Oyo. Este não seria o combate final, contudo, e os Yoruba invadiriam o Daomé um total de sete vezes antes de que a pequena monarquia daomeana fosse totalmente subjugada em 1748.

A queda do Reino de Oyó, e sua estruturação.

Muitos acreditam que o declínio do império começou em 1754 com as intrigas dinásticas e os golpes de estado patrocinados pelo primeiro-ministro Bashorun Gaha. Em 1796, uma revolta iniciada em Ilorin contra Awole (o Àláàfin, ou governante de Oyo) foi comandada por Afonjá (o Aare Ona Kakanfo, ou comandante supremo das forças armadas de Oyo). Esta revolta, que levou à separação de Ilorin, marcou o começo da desintegração do Império de Oyo, tão logo outros estados vassalos começaram a seguir o exemplo de Ilorin. Para assegurar apoio à sua causa, Afonjá recorreu à ajuda de um professor fulani itinerante chamado Alim al-Salih, visando a garantir a adesão dos iorubas muçulmanos e voluntários hauçás e fulanis do norte, levando eventualmente à destruição de Oyo Ilê pelos fulanis em 1835 e consequentemente à extinção do Império de Oyo. Enquanto isso, em 1823, o reino do Daomé realizou incursões a territórios de Oyo visando a capturar escravos para serem vendidos. Oyo, então, exigiu um pesado tributo do rei Gezo do Daomé como reparação. O rei Gezo enviou seu agente brasileiro, Francisco Félix de Sousa, para negociar a paz. Na impossibilidade de se chegar a um acordo, Oyo atacou o Daomé e foi derrotado, o que encerrou a dominação de Oyo sobre o reino do Daomé. Este, por sua vez, continuou seus ataques sobre o território de Oyo.

Após a destruição da capital Oyo Ilê, a capital foi transferida para o sul, para a cidade de Ago d’Oyo. O oba Atiba tentou preservar o que restava de Oyo encarregando a cidade de Ibadan de proteger a capital dos ataques de Ilorin vindos do norte e do nordeste. Ele também tentou fazer com que a cidade de Ijaye protegesse a capital dos ataques dos daomeanos vindos do oeste. O centro iorubá de poder moveu-se então para o sul, para a cidade de Ibadan, que havia sido fundada pelos militares de Oyo em 1830. Porém os planos de Atiba fracassaram, e Oyo nunca mais readquiriu seu poder. Em 1888, se tornou um protetorado da Grã-Bretanha. A partir de 1896, perdeu qualquer forma de poder.

Genealogia dos Alafin’s de Oyo (retirada e traduzida diretamente do site oficial do Alafin de Oyo):

1- Oraniyan (Oranmiyan) – Fundador do Império de Oyó.
2- Ajaká (Dada) – Foi destronado e deposto por Sango.
3- Sango – Foi deidificado como deus do trovão e raio.
4- Ajaja – Re-instalado
5- Aganju (Agonju) – Sobrinho de Sango.
6- Kori – Restaurou o Império após a derrota de Dahomey.
7- Oluaso – Filho de Kori.
8- Onigbogi – Conduziu a evacuação de Oyo.
9- Ofiran – Construiu a cidade de Shaki.
10- Egunoju – Fundou Oyo-Igboho.
11- Oronkpoto – Especula-se que foi uma mulher.
12- Ajiboyede – Criador do Festival Bere em Oyo.
13- Abipa – 1570 – 1580
14- Obalokun – 1580 – 1600
14- Oluodo (interino)
15- Ajagbo – 1600 – 1658
16- Odaranwu – 1658 – 1660
17- Kanran – 1660 – 1665
18- Jayin – (Primeiro Awuyale de Ijebu-Ode) 1655 – 1670
19- Ayibi – 1678 – 1690
20- Osiyango – 1690 – 1698
21- Ojigi – 1698 – 1732
22- Gbaru (Baru) – (acredita-se ser uma das reencarnações de Sango) 1732 – 1738
23- Amuniwaye – Filho de Gbaru 1738 – 1742
24- Onisile – 1742 – 1750
25- Labisi – 1750 (deposto)
26- Awonbioju – 1750
27- Agboluaje – (Celebrou o Bere Festival) 1750 – 1772
28- Majeogbe -1772 – 1775
29- Abiodun – (Celebrou o Bere Festival, foi um antigo ministro) 1755 – 1805
30- Aole – 1801
31- Adebo – 1801
32- Maku – 1802 – 1830
33- Majotu – (Ilorin tomada pelos Fulanis) 1830
34- Amodo – 1830
35- Oluewu – (Queda da antiga Oyo)1833 – 1834
36- Abiodun Atiba – (Fundador da Atual Oyo, celebrou o Bere Festival) 1837 – 1859
37- Adelu – 1858 – 1875
38- Adeyemi I – 1875 – 1905
39- Lawani Agogoija – 1905 – 1911
40- Lajigbolu – Jan. 15, 1911 – Dez. 19, 1944
41- Adeniran Adeyemi II – Jan. 5, 1945 – Set. 20, 1955
42- Bello Gbadegesin – (Lajigbolu II) Jul. 20, 1956 – Dez. 20, 1968
43- Adeyemi III – (Alafin atual de Oyo e Chefe da Terra Yoruba) Jan. 14, 1971 até os dias atuais.

Fontes:
Bascom, William (Aug., 1962). «Some Aspects of Yoruba Urbanism». American Anthropologist [S.l.: s.n.] 64 (4): 699–709.

Poli, Ivan da Silva (abril., 2011) – Antropologia dos Orixás – Civilização Yorubá através de seus mitos, orikis e sua diáspora., ed. Três Margens.

Site Oficial do Alafin de Oyó, Oyo State – Nigéria.

Blog: Àláketú Odé

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Precisamos falar um pouco sobre internet e aprendizado sobre Candomblé.

As religiões de matriz afro-brasileira vivem numa nova era com costumes muito diferentes da época do processo de desenvolvimento do culto aos orixás no Brasil. Hoje temos, diretamente falando, a internet que é uma ótima fonte de pesquisa e, se bem utilizada, pode proporcionar um bom conhecimento sobre a história da religião.

A internet possui livros de pesquisadores, informações históricas e também possui muita informação inventada. Certo dia eu soube que uma casa que se diz de matriz Angola segue o dvd de tal doté na sala do seu Candomblé. Fiquei sem entender nada: por que uma casa de Angola faria isso e por que qualquer casa sequer faria isso.

Há uma geração e egbons e zeladoras e zeladoras que tem se formado simplesmente no google. Leem lendas que não sabem a veracidade, muitas criadas e vendem como itans para mostrarem que sabem algo e usam termo yorubá para legitimarem o conhecimento. Como se isso fosse possível… Infelizmente há tantas pessoas leigas por aí que estes tipos de religiosos acabam fazendo carreira.

Internet ensina sobre Candomblé. Qualquer adolescente pode fazer um bom trabalho escolar sobre utilizando-a como ferramenta de pesquisa, mas internet não ensina Candomblé. É insano, estapafúrdio, isso de comprar dvd pra copiar roda. É insano decorar tantas lendas se você não sabe o objetivo do itan de onde ela foi tirada ou modificada.

Por que será tão difícil fazer aquilo que se aprende no seu barracão, valorizar o conhecimento que você levou tantos anos e tantas atribulações para adquirir? Por que é mais fácil chutar pra longe o conhecimento ancestral da tua raiz e escolher algo que você nunca viu, mas acha mais “divertido”, “bonito”, “fechante” ou seja lá o que for?

Antigamente quando alguém iniciado falava algo era perguntado logo “Qual é o axé desse?”, “Ela é filha de quem?”. As pessoas pediam referência porque palavra bonita qualquer um pode ter, mas conhecimento legítimo ainda é pra quem respeita as suas próprias raízes.

Atentemos!

Axé

Egbon Dayane de Oyá

 

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Em continuidade ao trabalho que estamos desenvolvendo, em participar nesse espaço, temas inerentes e esclarecedores sobre o culto aos Òrìsàs, hoje vamos abordar um pouco, sobre uma Divindade quase que esquecida, mas de fundamental importância para nossa sociedade, sobretudo, no que tange ao zelo das nossas crianças. Essa Divindade se chama Kori.

Uma história Nàgó, conta que Kori não possuía filhos e era muito, muito triste por conta disso. Ela sentia-se só e muito descontente, pois via tantas mulheres que possuíam muitos filhos, mas que não davam valor a eles. Ela dizia para si mesma: “Tantas mulheres com tantas crianças e que não dão valor e, eu, que cuidaria com tanto amor e carinho, não fui agraciada com uma criança”.

A cada dia que se passava, Kori ficava mais triste e desolada, até que um dia ela resolveu consultar o oráculo sagrado, para saber se aquele sofrimento teria fim. Ifá, o segundo de Olodunmare, recomendou que Kori fizesse uma oferenda com determinados elementos e que colocasse essa oferenda em um grande campo, afastado da cidade. Kori fez tudo como havia sido orientada, entretanto, não foi ao campo “depositar” a oferenda…

Passado algum tempo, Kori resolveu consultar novamente o oráculo, sendo que ainda não havia ficado grávida. O oráculo a advertiu, ponderando que ela não havia seguindo todas as orientações. Kori lembrou-se que não deixou a oferenda no campo e resolveu desta vez, seguir todas as orientações. Kori preparou as oferendas e partiu para o campo. Quando ela chegou ao campo, ela viu uma única árvore, cercada de pássaros. Nessa hora ela pensou: “ali deve ter um ninho, por isso há tantos pássaros em volta. Se eu colocar a oferenda lá, também servirá de alimento para esses pássaros”…

Kori caminhou até a árvore para colocar a oferenda e quando lá chegou, viu que havia uma criança chorando, abandonada. Kori deixou a oferenda e pegou a criança para si, cuidando dela como se fosse sua. Assim, Kori finalmente ganhou a criança que tanto queria e, a partir daquele dia, tornou-se uma grande protetora das crianças.

Em alusão a essa história até os dias de hoje, cantamos:

Kori Koto
Mi Lodo
Orisa Ewe Milodo
Kori-oooo
Eye Koooo

Que Osumare Araka, continue olhando e abençoando todos

Texto: Blog Casa de Osumare.

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Casa de Oxumarê

Nosso compromisso com o sagrado é sempre honrado pelos Orixás, pelo nosso Pai Oxumarê. Ele já anunciou sua chegada na Terra, já se fez presente como em todos os anos, despertando a fé até nos mais descrentes. Amanhã pela tarde quando é concluído sua celebração ele também se apresenta no céu novamente com todo esplendor!!!

Temos Orixá por nós!!!

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“Orixá e a vaidade”.

 

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“O verdadeiro Orixá não escolhe o tecido bonito, o laço bem feito, a ferramenta e a boa goma, jamais tenciona a fama, o exagero vaidoso, o balé viciado no pé de dança. Orixá não faz vitrine e nem disputa modelos emplumados, Orixá trás a energia que arrepia e emociona, confeccionado pelo pureza de seu encanto.” Bàbá Fernando D’Osogiyan.

Em primeiro lugar vamos ver o que significa vaidade na nossa língua portuguesa: Vaidade, segundo o dicionário Aurélio, é a qualidade daquilo que é vão (fútil, insignificante, que só existe na fantasia, falso, ilusório e inútil), pode ser também um desejo imoderado de atrair a admiração; presunção.

A vaidade é definida, entre outras coisas, como o excessivo desejo por merecer a admiração dos outros (Aurélio). Os dicionários dizem ainda que o vaidoso é presunçoso (convencido), orgulho excessivo, arrogância e fútil (sem seriedade).


A vaidade consiste em uma estima exagerada de si mesmo, uma afirmação esnobe da própria identidade. Para alguns, a vaidade é mais utilizada hoje para estética, visual e aparência da própria pessoa.

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Origem do Sabão da Costa

No início do século XVI, navegadores ibéricos, por falta de conhecimento geográfico, passaram a designar genericamente toda a costa atlântica africana e seu interior imediato, como «da Costa», e naturalmente, tudo o que dali procedesse possuía a mesma denominação, ou seja, seria «da Costa», e isso não serviu apenas para o sabão, mas também outros artigos tais como: pano (da Costa), pimenta (da Costa), limo (da Costa), esteira (da Costa), etc.

Segundo estudos, de diversos historiadores, o sabão da Costa era importado pelo Brasil desde o ano de 1620. Nessa época ele era procedente de países como Gana e Camarões e, principalmente da Nigéria, grande produtor. O antigo Daomé (atual República do Benin) e Togo, também produziam sabão, o dito da Costa, que era trazido por escravos e seus algozes, os traficantes de escravos.

No livro «Casa Grande e Senzala», o clássico estudo de Gilberto Freyre, este grande erudito nos informa que o sabão da Costa, passou a ser vendido ao povo em geral, no Brasil, notadamente nas ruas do Rio de Janeiro, por escravos libertos logo após a Abolição da Escravatura.

No Rio de Janeiro, já no século XX e principalmente a partir dos anos 70, com a chegada massiva de estudantes nigerianos que aqui vieram para estudar em diversas Universidades, iniciou-se um intenso comércio, não só do sabão da Costa, como também de muitos outros artigos religiosos. O Mercadão de Madureira, sem dúvida é o maior centro difusor. No Brasil no início dos anos 70, poucas eram as lojas que o tinham para venda. Devido ás suas propriedades medicinais, terapêuticas religiosas, seu uso tornou-se mais intenso.

Mas é bom saber, e estar alerta, pois alguns africanos em conluio com alguns comerciantes inescrupulosos misturaram sabão da Costa legitimo com um outro, que é tido como sabão da Costa, porém é inferior ao original, embora também seja vendido em larga escala. Nos grandes mercados africanos podemos encontrá-lo geralmente envolto em folhas de bananeira ou até em pequenas bolas de 100g envoltas em plástico. É o mesmo e velho sabão da Costa!

Texto extraído do livro «O uso mágico e terapêutico do Sabão da Costa» de Fernandez Portugal Filho – Rio de Janeiro, 2011 – Editora Cristális.

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Sabão da Costa: princípios, uso e propriedades

Sabão da Costa, òsé dudu em Yorùbá, literalmente sabão negro. Òsé dudu é um sabão negro consistente, de origem africana, comum em todos os mercados populares em diversos países africanos. Os originais são feitos de forma artesanal, com gordura animal; é pastoso e faz bastante espuma. Pode ser associado a ervas secas, especiarias, azeites, óleos, pós de vegetais, minerais, ossos de diversos animais, sangue de animais, enfim, uma infinidade de elementos que os Babalawo utilizam para as mais distintas finalidades. Como toda a arte mágica, ao preparar o òsé dudu temos que ter cuidado ao misturar os ingredientes para que possamos alcançar os melhores resultados, devemos com atenção conhecer previamente a potência de cada elemento, para então sabermos que reunidas produzirão os efeitos desejados. Para esses resultados que esperamos, não é suficiente apenas misturar os elementos. Todo sabão preparado só atingirá seus objetivos for, após a sua finalização, imantado pela poderosa energia do Òrisá que você deseja, o Asé. A observância da luz solar e da energia lunar fazem a diferença. Ao prepararmos o òsé dudu, devemos seguir as indicações como dia, hora, etc, pois ao obedecermos ás indicações estaremos contribuindo e muito com o sucesso da realização da finalidade a que se destina.”

Texto extraído do livro «O uso mágico e terapêutico do Sabão da Costa» de Fernandez Portugal Filho – Rio de Janeiro, 2011 – Editora Cristális

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Sabão da Costa (òsé dudu), preparado artesanalmente e segundo a tradição Yorùbá, para os seguintes fins:

– Limpeza e descarrego;

– Quebra e descarrego forte de energias negativas (magias, invejas, espíritos do astral inferior…);

– Prosperidade, sorte, atração de boas energias e abertura de caminhos;

– Calma, equilíbrio, tranquilidade, paz, sono tranquilo;

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CURIOSIDADES – SABÃO DA COSTA

Ao contrário dos sabões comerciais, que são feitos de produtos químicos sintéticos, o òsé dudu é muito hidratante para a pele. Isso acontece porque é feito de dendê virgem e Manteiga de Karité.
A receita básica é secular, das antigas tradições, tendo sido transmitida ao longo de gerações.
É feito de forma artesanal, não sendo encontrado em farmácias, somente em lojas específicas de produtos africanos, normalmente na forma bruta.
O Sabão preto é conhecido na África Ocidental por vários nomes, mas o mais comum é Òsé Dudu, que é derivado do Anago ou línguas iorubas da Nigéria, Benin e Togo. Significando, literalmente, sabão (òsé) Preto (Dudu). Embora conhecido como “negro”, o sabão preto Africano varia de um marrom claro ao preto profundo, dependendo dos ingredientes e modo de preparação.
As cascas, folhas e vagens do cacau também são utilizadas para dar a cor e característica.
O óleo usado para fazer o sabão varia de região para região, e inclui óleo de palma, óleo de palmiste, óleo de coco, manteiga de cacau e manteiga de karité. Qualquer combinação destes ingredientes é possível e é determinado como base. Além disso, o cloreto de potássio, que é usado para fazer sabão preto africano, pode ser derivado a partir das cinzas de várias fontes vegetais, incluindo frutos do cacau, cascas de karité, folhas de bananeira e os subprodutos da produção de manteiga de karité.
O cloreto de potássio utilizado provém das cinzas de folhas de bananeira, resíduos de manteiga de karité e da casca de uma árvore local chamada Agow.
A casca é colhida de forma a não prejudicar a árvore.
O processo de elaboração do sabão é altamente sofisticado e exige a agitação das mãos, por pelo menos um dia inteiro e um estágio de maturação (cura), por duas semanas.

O sabão pode ser processado por fusão, em fogo direto, com uma pequena quantidade de água. Durante esta fase de fusão, a textura do sabão se torna mais suave e há uma mudança de cor para um marrom chocolate.
O sabão derretido é então prensado em blocos, que podem ser cortados em barras para facilidade de uso.
O sabão preto é comumente feito pelas mãos de mulheres das aldeias africanas, que fazem o sabão para si e para sustentar suas famílias.
As mesmas mulheres que fazem sabão preto optam por usar apenas sabão preto em seus bebês, pois a pureza do sabão faz com que não resseque a pele. Na verdade, o sabão preto é geralmente o único sabão utilizado na maioria dos países do oeste Africano. É uma fonte natural de vitaminas A, vitamina E e também ferro, ajudando a fortalecer a pele e cabelo.
Por séculos, os ganenses e nigerianos têm usado sabão preto para ajudar a aliviar a oleosidade da pele, a psoríase, a acne, as manchas claras e vários outros problemas de pele.
As mulheres africanas usam-no durante a gravidez, para mantê-las sem estrias.

Embora o Sabão da Costa esteja presente no Brasil desde pouco depois de 1620 como se viu, e seja oriundo de uma mística e secreta fórmula, é um produto cujas origens se baseiam no conhecimento hermético de antigos africanos mas que se produz hoje, com avançada tecnologia.
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Fonte de pesquisa/fotos: Internet

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Ìrẹtẹ Méjì fala de Ilé (a mãe terra) como elemento de adoração no culto Ògbóni e Ilé é visto como a força mais importante e dominante da criação. Ela assegura que todos os seres vivos e os nãos vivos proveem do Deus Onipotente – Òlódùmarè.

Ilé de acordo com Ìrẹtẹ Méjì abrange rios, lagos, mares, colinas e montanhas que são a personificação espiritual da Deusa Mãe da Fertilidade a quem a adoração regular deve ser feita e até quando finalmente o homem e seu intestino retornam à terra.

O verso abaixo de Ìrẹtẹ Méjì resume a importância de Ilé (Ìrẹtẹ méjì VII- ese Ifá kéjó):

Alimentos (inhame pilado) podem encher um prato até que possa tomar as palavras.

Não importa o segredo, o segredo nunca permanecerá seguro

No interior de uma pessoa idosa.

Declarou o oráculo de Ifá para a Terra.

Que ansiava por ser cultuada universalmente.

Deixe toda a prosperidade nos encontrar em nosso domínio.

Veja como a bênção segue o sacrifício.

Ifá nos diz que Ilé (terra) consultou o oráculo de Ifá perguntando como ela iria lucrar com o compromisso dos homens e as bênçãos na vida.

Ifá instruiu Ilé a fazer o seguinte sacrifício:

16 obi, 16 orogbo, 16 ataare, 16 ratos, 16 pombos, 16 galinhas d’angola e 16 sacos de cowries.

Ilé concordou e ofereceu o sacrifício de acordo com as instruções de Ifá. Na verdade, o trabalho e o lucro de todos os seres vivos que está sendo devolvido levam lucro para Ilé. Nós construímos nossas empresas, nossos investimentos, realizações e filhos, tudo isto é possível por causa de Ilé e depois fazemos nosso retorno, ao seio da terra, depois de nossa jornada terrena. Nós crescemos, lutamos, nós nos tornamos pobres ou ricos na Terra e mais tarde todos nós somos engolidos por Ilé. Homens ricos e pobres na vida terminarão no ventre da terra – Àgbàlágbà – outro nome para Ògbóni no contexto de adoração a terra e sua propiciação.

Ìrẹtẹ Méjì diz que a Sociedade Ògbóni foi fundada para garantir a adoração da Mãe Terra. Ela constitui a parte central de todas as cerimônias da sociedade. O momento adequado para propiciar a terra e garantir a sua fertilidade é depois de todas as cerimônias necessárias serem feitas e todos os rituais realizados.

Outro mito nos diz que todas as divindades, incluindo Ilé, a Mãe Terra, uniram forças para destronar Ợbatálá Òsèèrèmagbò (o Ancião dos Dias) e levar seus poderes criativos. A rivalidade surgiu entre as divindades que queriam partilhar a glória de Ợbatálá. Ọrúnmìlà foi convidado para participar da conspiração, mas recusou. Èşù foi convidado a tramar o mal contra o ancião dos dias, Ợbatálá, mas Èşù recusou. No final, as divindades perderam a luta para tomar a glória de Ợbatálá.

Consequentemente, a glória universal foi concedida a ele para sempre de acordo com a estrofe de Ifá abaixo. No entanto, a recusa de Ọrúnmìlà Bàbá Àgbợnnìrègún e Èşù Láàlú ògíri oko, de participar da conspiração contra o iluminado Ợbatálá, teve um grande benefício e vantagens enormes. Ọrúnmìlà e Èşù, ambos, foram promovidos a coexistir como iguais com Ợbatálá nesta trindade.

Ìrẹtẹ Méjì diz:

Enviado da Terra.

Pregoeiro de Ifé.

Eles foram repentinamente apreendidos e cortados por Ọrúnmìlà.

Você vê?

O mensageiro.

O pregoeiro.

O emissário.

Ọrúnmìlà é o enviado de Deus o Onipotente.

O emissário da Terra, o pregoeiro de Ifé é Ọrúnmìlà, o mensageiro de Elédùmarè, o Onipotente. A mensagem do Onipotente foi:

Estando Ifé, do jeito que está hoje, qual o sacrifício que eu deveria designar como remédio?

A resposta foi:

Oferecer um rato de arbusto.

Se concordasse com essa recomendação Ọrúnmìlà receberia bons auspícios para a cidade e tudo iria sair bem, mas como o passar do tempo às coisas mudaram. Quando o Onipotente indicou o sacrifício de uma cabra, esses mensageiros informaram à Ọrúnmìlà que um cordeiro deveria ser oferecido. O sacrifício resultaria em fracasso. O que tornaria Ọrúnmìlà o responsável por essa sucessão de eventos portentosos. Eventualmente, a verdade veio à tona, mas Ọrúnmìlà não disse nada, ele simplesmente parou de entregar aos mensageiros novos pedidos ao Onipotente.

Um dia Ọrúnmìlà apreendeu os mensageiros e os matou. O povo de Ifé perguntou a Ọrúnmìlà como ele poderia fazer uma coisa tão mal, matando seus mensageiros que sempre traziam boas novas para o povo de Ifé. A resposta dada a eles por Ọrúnmìlà não foi satisfatória e as pessoas decidiram atacar Ọrúnmìlà e sem meias palavras Ọrúnmìlà se escondeu da ira do povo. Eles bateram nos discípulos de Ọrúnmìlà chamados Ìmùlè gbè e Àkàlé, eles eram hospedes de Ọrúnmìlà e mesmo assim não foram poupados.

Ọrúnmìlà não conseguiu esconder suas emoções, saiu de seu esconderijo e desafiou o povo. Ọrúnmìlà foi embora aborrecido, Imulegbẹ e Àkàlé foram com ele. Ọrúnmìlà advertiu todo o conselho de sacerdotes de Ifá a parar de adivinhar para o povo de Ifé, de modo que eles possam conhecer suas responsabilidades sobre seus hábito e ações.

Mais tarde Ọrúnmìlà viajou para a floresta com seus amigos até que chegaram a um lugar chamado: ” A meio do nada” e ali eles construíram três cabanas, uma para Àkàlé (Èşù), uma para Imulegbẹ (Ợbatálá) e uma para Ọrúnmìlà. Logo, houve um relato de que a cidade de Ifé estava sob pesadas pragas e muitos problemas. Os peixes foram morrendo no rio, a doença se tornou ordem do dia. As mulheres grávidas não mais encontravam filhos facilmente, os homens tornaram-se inférteis e as estéreis não podiam conceber. Houve pandemônio e caos total e ninguém na cidade foi capaz de encontrar uma solução para o problema. Os chefes de Ifé foram atrás de solução, mas foi tudo em vão.

Um dia eles encontraram um adivinho chamado Caranguejo que rastejava em buracos no pântano longe dos habitantes da água, mas ele se recusou a adivinhar para eles por que Ọrúnmìlà o adivinho chefe havia determinado. Eles, então, instruíram o povo de Ifé a procurar Ọrúnmìlà para que eles pudessem encontrar soluções para seus problemas. Eles responderam que Ọrúnmìlà não poderia ser encontrado, ele disse que deveriam procurar um antílope e trazer o animal para que ele pudesse ajudá-los a procurar por outro adivinho. Eles trouxeram o animal e foram levados para outro adivinho chamado de Dourado, que tinha tons como o óleo de palma fresco e que se esperava pudesse levá-los aonde Ọrúnmìlà residia.

O adivinho, então, pediu ao povo de Ife para procurar um antílope para o sacrifício, como foi dado ao primeiro adivinho.

Este pedido foi mais trabalhoso do que o do primeiro adivinho, porém, eles não tinham alternativa, eles se preparavam para ir à floresta profunda e procurar um antílope. Eles encontraram um antílope que eles o perseguiram até a colina, perseguiram o animal pela floresta até que o povo de Ifé se encontrou no meio do nada. Ali derrepente, o antílope desapareceu e eles continuaram procurando até que encontraram três cabanas construídas para Ọrúnmìlà, Àkàlé e Ìmùlè gbè (Ọrúnmìlà, Èşù e Ợbatálá).

 O povo de Ifé não podia acreditar como um homem sensato poderia viver nesta área tão remota, mas para confirmar sua dúvida e curiosidade, eles jogaram uma pedra em uma das cabanas e imediatamente Èşù (Àkàlé), saiu em aborrecido perguntando quem havia atirado à pedra. Então, eles realmente constataram que era Èşù, ele perguntou qual seriam os problemas deles e o que eles precisavam, já que haviam vindo encontrá-lo na floresta profunda. Eles insistiram com Èşù e contaram os impasses que estavam atualmente os assombrando em Ifé. Èşù os ouviu e pediu-lhes para irem buscar alguns materiais sacrificiais para resolver seus problemas.

Os materiais que eles precisavam eram:

Dois ratos de arbusto, dois peixes secos dois obi, orogbo, dois ataare e várias outras coisas em pares.

Eles voltaram a Ifé, a fim de assegurar os materiais. Eles contaram suas experiências ao rei e o rei os aconselhou a providenciar todos os materiais e que eles deveriam tentar encontrar Ọrúnmìlà pessoalmente. Depois que eles deixaram Èşù, este imediatamente relatou a Ọrúnmìlà como os cidadãos de Ifé chegaram e apedrejaram sua cabana e de como ele saiu para interrogá-los e como ele instruiu-os a providenciarem alguns materiais de sacrifício para que seus impasses pudessem ser resolvidos. Então, Èşù perguntou Ọrúnmìlà como ele poderia ajudá-los se eles voltassem. Ọrúnmìlà disse a Èşù para ir para a cabana de Ợbatálá e relatar o caso para ele exatamente como ele havia lhe contado.

Ọrúnmìlà pediu a Ợbatálá (Imulegbẹ) Ọbarìşà que ouvisse Èşù (Àkàlé) e a história dos graves problemas de Ifé. Se nada fosse feito poderia haver desdobramentos e situações ainda mais graves.

Ợbatálá, em primeira instância, não aceitou os apelos de Ọrúnmìlà, apesar de várias tentativas, Ợbatálá não cedia aos seus apelos. Então Ọrúnmìlà escolheu e usou uma linguagem mais forte, sábia e mística antes que Òlódùmarè se dirigisse ao fundamento, e o qual era essa linguagem?

Ợbatálá, você tem de voltar ao seu trabalho.

O ferreiro molda o ferro repetidas vezes.

Até que ele fique reto e perfeito.

O barbeiro não terminou seu trabalho.

As partes traseiras e os lados estão bem aparados.

Você deve retornar ao seu trabalho inacabado.

Gerações de reis têm reinado sobre a Terra.

Ainda não vi um para rivalizar com você.

Para rivalizar com Ợbatálá, o rei de todas as divindades.

Real artífice da perfeição.

Que veio de cima, para este lugar.

Sua casa terrestre na cidade de Ìrànjé.

Somente Ele tem o poder de bloquear a chuva e os portões.

Ele sozinho criou a cúpula branca do Ợrùn.

Ele criou várias espécies de rato para durarem para sempre.

Ele criou várias espécies de peixes para durarem para sempre.

Ele criou várias espécies de pássaros para durarem para sempre.

Ele criou várias espécies de animais para durarem para sempre.

E ordenou que a espécie do homem nunca fosse destruída.

Com estas palavras místicas, Ợbatálá respondeu:

Você é abençoado, você Ọrúnmìlà tem a sabedoria única para recordar todos estes mistérios, vou prestar atenção a seu apelo.

Quando o povo de Ifé retornou com os materiais de sacrifício, Ọrúnmìlà os perdoou, Òlódùmarè os perdoou e Èşù também os perdoou. Com os materiais um sacrifício de expiação foi realizado, as três divindades e as pessoas da Ifé voltaram para a cidade de, com dança e música, regozijando-se de sua cidade e das pessoas que tinham sido salvas da calamidade. A partir daquele momento a cidade de Ifé se espalhou em todas as direções até tocar todos os cantos do mundo.

A história mostra essa trindade dentro da ordem primordial. Èşù representa a divindade mais nova dentro da hierarquia e seu papel é o de receber e encaminhar ofertas de sacrifício, ele é moralmente neutro, ele representa a oportunidade, o componente imprevisível da vida.

A classificação entre Ọrúnmìlà e Ợbatálá é extremamente difícil de analisar, mas desde que o mais novo deve primeiro procurar o favor do mais idoso e no início do mito, vemos que Ợbatálá era o mais idoso, pois, foi procurado por Ọrúnmìlà.

Se formos pelo poder, o significado e a beleza do que as palavras são capazes de fazer, não seria de admirar que uma boa palavra pudesse nos dar o papel de líder. O poder do perdão também não deve ser visto como um poder ordinário, ele é uma das mais fortes energias que vibram no universo e se formos pela última frase da parte final da declaração de Ọrúnmìlà, mostrará que Ọrúnmìlà perdoou, Ợbatálá perdoou e Èşù também perdoou.

A história acima mostra a posição de Ợbatálá como uma figura de liderança no primordial, para aqueles que estão em busca de bênçãos, de qualquer forma não se deve hesitar em orar para Ợbatálá.

Ợbatálá está ao lado de Deus, em ordem de importância. Ele tem precedência sobre todas as divindades. Deus deu a Ợbatálá a responsabilidade de criar todas as criaturas. Ele fez a cabeça, nariz, olhos, boca e crânio, enquanto Òlódùmarè colocada dentro do homem o fôlego da vida que é o espírito e da alma que faz do homem um ser vivo. Ele é o criador da imagem do homem de barro e o lugar do ser humano dentro do útero de uma mulher.

A mulher que procura pela bênção de filhos deve constantemente dar obediência à Ợbatálá por um bom filho, perfeito, totalmente livre de deformidades e qualquer defeito. Crianças deformadas, manchadas como albinos são dedicadas a ele e ganham um destaque especial em relação à Ợbatálá.

Ợbatálá também é considerado como o único protetor da cidade ou dos portões da cidade. Ele gosta da uniformidade da cor entre os seus devotos. Sua cor preferida é a branca, ou seja, ele gosta de usar branco em todas as suas atividades. Roupas brancas, alimentos brancos, abstenção de carne vermelha, usa Obí branco e Orogbo, em vez de Obí vermelho, estes são alguns de seus materiais de sacrifício. Os adoradores tendem a usar ìgbín (caracol) em vez de animais, quando realizam rituais em sua honra. Eles ficam sem comida por um dia ou dois, enquanto eles oram e cantam louvores a ele. Ele se abstém de sexo e comida durante os rituais para Ợbatálá.

Orações para o dom do útero (fértil) é oferecido a ele por mulheres que encontram concepção difícil. Ele atua como árbitro de disputas entre iniciados em todo o mundo. Ợbatálá é a divindade da pureza. Ele representa a mais alta disciplina moral e física entre seus devotos. Os iniciados garantem à humildade, a pureza, a paz, a tranquilidade e a paciência para lidar com matérias relativas à caminhada espiritual, atividades mentais e interação física com outras pessoas. Ợbatálá é conhecido como o senhor da visão e do senhor de brancura.

Alguns de seus nomes são:

1)         Òrìsà Elémi: Divindade que trouxe todos os seres à existência.

2)         Alábàálàse: Proponente e possuidor de grande autoridade.

3)         Baba – baba iya- iya: É o pai antes de pais e mães

Ambos os atributos femininos e masculinos são exibidos como atributos tradicionais e históricos de Ợbatálá.

Ire Bàbá.

Fonte:

As aventuras de Ợbatálá

Ifá e os deuses da criação

Àràbà Elebuigbon

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