Archive for the ‘Candomblé’ Category
Atribuições do Vodun Agué
Posted in Candomblé on Junho 16, 2011| 20 Comments »
Linha do Oriente
Posted in Candomblé on Junho 15, 2011| 38 Comments »
Ao contrário das outras linhas da Umbanda, formadas por espíritos ligados às raízes do povo brasileiro, a Linha do oriente reúne espíritos de todas as partes do mundo. Esses espíritos têem em comum um altíssimo grau de desenvolvimento e uma grande capacidade de trabalhar em todas as áreas de ocultismo e alta magia, bem como nas curas espirituais.
A Linda do oriente chefiada por São João batista (24 de julho) sincretizado com Xangô. Os espíritos que a compôe se dividem em sete legiões:
. Legião dos sábios hindús e judeus, chefiada por Zartu
. Legião dos espíritos médicos e cientistas,chefiados por José de Arimatéia.
. Legião dos árabes, marroquinos eciganos, chefiados por Jimbaruê
. Legião dos chineses, japoneses, mongóis e esquimós, chefiados por Ori do Oriente.
. Legião dos egípcios, incas e astecas, chefiados por Inhoarairi.
. Legião dos índios caraíbas, chefiadas por Itaraiaci.
. legião dos romanos, gauleses e outros povos europeus, chefiados por Marcus I.
Dentre a Linha do Oriente destaca-se o Povo Cigano que, nas últimas décadas do século XX, cresceu a ponto de tornar-se objeto de devoção e culto próprio. Suas formas de trabalho espiritual são um pouco diferentes das da Umbanda tradicional: o espírito Cigano frequentemente fica ao lado do fiel, inspirando-o, mas sem incorporar. O desenvolvimento do trabalho com espírito Cigano não exige uma iniciação formal dentro de uma estrutura religiosa, pois o próprio espírito guia o fiel em um trabalho individual; também não depende de culto coletivo, sendo muito comum a devoção pessoal. Por essas razões, é comum encontrarmos pessoas que trabalham com espíritos ciganos sem fazer parte de uma casa de Umbanda.
Os espíritos ciganos trabalham com oráculos, usualmente a cartomancia, e fazem magias de amor, prosperidade, harmonia e saúde. Eles usam todas as cores do arco-íris, mas não gostam da cor preta; apreciam jóias vistosas, fitas, lenços multicores e perfumes. Seus principais objetos e símbolos mágicos são punhais, cristais, flores, frutas, espigas de trigo, moedas e cartas de baralho. São festejados no dia de Santa Sara (24 de maio), padroeira de todos os ciganos do mundo.
Pesquisa:Eneida D. Gaspar
NOSSAS AÇÕES DENTRO DO MUNDO VISIVEL E INVISIVEL.
Posted in Candomblé on Junho 14, 2011| 13 Comments »
O universo Iorubá é dividido em duas metades. A direita que é habitada por forças benévolas e o esquerdo são habitados por forças do mal, conhecidas por Ajogun.
Estes guerreiros, ajoguns, têm oitos forças malignas importantes: Morte, Doença, Perdas, Paralisia, Problemas, Maldição, Obstáculo, Prisão e os males não mencionados. Como males não mencionados encontramos dor de estomago, lepra, dor de cabeça, AIDS e etc…
Estas forças formam um grupo de 200 divindades + 1, onde o 1 representa a possibilidade de aumento destes números. Que pode ser explicada por doenças novas, por isso o Universo iorubá é místico e elástico.
Como é possível então que as forças benevolentes convivam com as forças do mal neste universo (Cosmos).
O ponto principal é que existe um ponto de equilíbrio entre essas forças, que estam sempre em conflito. A força do mal estam sempre lutando contra os seres humanos por isto essa parte do cosmos está sempre em conflito. Os conflitos são a ordem do dia e não a paz.
Porque qualquer coisa que fazemos está provocando conflito. O nosso café da manhã, nosso almoço e jantar, não só cria conflito, como também tem a ver com alguma morte no Universo (cosmos), por exemplo, ao sair com seu carro à noite você pode ter matado alguns insetos no seu caminho, quantas mortes sua alimentação provocou?
Olhando por este ângulo como podemos ter paz?
Para a maioria dos africanos os sacrifícios existem a fim de manter a paz e o equilíbrio. Os sacrifícios têm que envolver todas as forças, tanto malignas como benignas e os seres humanos.
O sacrifício é nossa maneira de nos comunicar com as forças sobrenaturais e apresentar nosso problema. Uma vez que foram aceitos/recebidos, todas as forças se empenham em trabalhar para o ser humano e resolver este problema e alcançar a paz.
O nigeriano freqüentemente usa frangos, galos, galinhas e frangas em seus sacrifícios.
Por que isso?
Porque estes animais representam a galinha que acompanhou as divindades na sua jornada do Orun ao Ayè (do céu a Terra). A galinha foi responsável pelo primeiro adubo que foi lançado sobre a terra e o espalhou fertilizando o solo. Ela foi o primeiro habitante da Terra.
Por este motivo não há problema que ela não conheça ou testemunhou.
Ela conhece este quebra-cabeça. Ela termina com o mito de quem nasceu primeiro: ‘o ovo ou a galinha’.
O homem tem a tendência de fazer uso diário de coisas que dão bons resultados. Então quando enviamos mensagens para o céu, usamos a galinha porque ela se lembra que foi ela quem acompanhou as divindades em sua jornada para a Terra e é conhecedor de ambos os mundos, o visível e o invisível, portanto um bom mediador e mensageiro.
O sacrifício tem sido um tema de controvérsia entre muitos estudiosos, para não mencionar, outras religiões. Nosso sacrifício tem sido muito mal interpretado.
Para nós, cultuadores de Òrìsá, falar, orar e pensar não é suficiente para uma comunicação completa com as divindades. Como teremos certeza que Olodunmarè entende nossa língua e todas as línguas do mundo, digo nossa mensagem, “Como é que os animais que não falam, podem entrar em contato com Olodunmarè e levar nosso pedido?”
Pense nas formigas, se você coloca um pouco de mel em uma mesa, no dia seguinte estará cheio de formiga em volta do mel. Seu sentido, seu olfato é muito mais desenvolvido que o nosso, ela apareceu porque foi induzida através e uma mensagem. É por esta razão que devemos pensar que todos seremos nada sem uma mensagem perfeita.
Não sentimos cheiro de sal e açúcar, isso demonstra que somente oriki e orações não são suficientes para uma comunicação com as divindades.
Quando executamos um sacrifício a uma divindade e executamos outro ao Deus brincalhão (Esù), que compartilha os dois lados do Universo. Esquerda e direita e informa tudo a Olodunmarè, que tem 200+1 divindades malévolas como suas filhas, estamos buscando o equilíbrio e a cura de nossos problemas através de Esú e outras divindades também.
Podemos notar como é difícil nossa comunicação direta com os Deuses africanos. Não é como outra religião onde o contato com o Deus maior é direto. Além disso, devemos pensar que Olodunmarè tem como seus filhos as forças do bem e do mal e lhes deu o poder da energia vital (asè), podemos inclusive nos perguntar por que Ele fez isso. Porque todo lado tem duas versões, porque quando se fala do bem, temos certeza que o mal também existe e um não poderia viver sem o outro, daí nasce à noção de equilíbrio.
Podemos usar o exemplo de uma pessoa doente que sacrifica, este sacrifício deve ser dado tanto a divindade da direita como a divindade da esquerda, porém se Esù não participa não há como haver alguém que dialogue com os dois lados a seu favor. Feito isso com certeza teremos paz.
Esù usará isto para manter as forças da esquerda longe de você.
É deste jeito que a paz é alcançada, por isto sacrifício deve ser feito de uma maneira constante e consistente.
Esta maneira de convívio com o mundo invisível é de difícil compreensão pelos povos ocidentais.
A forma interessante de olhar este tipo de vida, implica que cada um de nós é, de certa forma, responsável pela sua prosperidade.
Então se você quer melhorar sua vida, tem que oferecer sacrifício, paz, tranqüilidade e prosperidade não são comercializadas.
Seja o que for colocado ou removido de seu caminho terá que ser através de sacrifício.
Isto pode estar ligado a sangue ou alimentos, como também podem estar ligado as suas ações.
Como uma mulher que limpa o apere de Ifá de 4 em 4 dias, cantando e dançando, dedicando seu tempo a divindade da sabedoria, isto é sacrifício.
A idéia de sacrifício Ioruba é uma grande contribuição ao pensamento religioso, mas freqüentemente é mal interpretada.
Texto garimpado na net, sem autoria.
Os Voduns de Jeje Mahi
Posted in Candomblé on Junho 12, 2011| 122 Comments »
Os Seguimentos da Nação Jeje
A Nação Jeje compreende as culturas de diversos povos, tais quais os Fons, Ewes, Adjas, Minas, Popos, Gans, etc. Estes povos tinham e tem em comum sua forma de religião: o culto ao Vodun. Mas a diversidade no culto varia de povo para povo, de seguimento para seguimento. Estes povos habitavam o antigo reino de Dahomey, Dahomé ou Daomé, situado onde hoje é o Benin, mantendo proximidades com a Nigéria, onde situam-se os povos yorubás, e que mantém em suas regiões fronteiristas, uma mescla de seus cultos, fazendo com que os “jejis” adotassem alguns orixás em seu panteão (voduns nagôs como Oyá, Òsún, Yemanjá), assim como os nagôs adotaram alguns voduns em seu panteão (Oxumaré, por exemplo). Os povos da capital de Dahomey (Abomey ou Abomé) eram pricipalmente os Adjas. Por volta de 1650, os Adjas conseguiram dominar os Fons, e o rei Hwegbajá (1645-1685) declarou-se rei de seu território comum. Tendo estabelecido sua capital em Abamey, Hwegbajá e seus sucessores conseguiram estabelecer um Estado altamente centralizado com base no culto da realeza (Voduns Reais) estruturado em sacrifícios (incluindo sacrifícios humanos) aos antepassados do monarca. Toda a terra era propriedade direta do rei, que coletava tributos de todas as colheitas obtidas. Logo este povo entraria em confronto com vários outros, alguns pertencentes à própria origem “jeji” (daomeana) como os povos de Aladá, Mahi, Uidá, e outros povos de origem yorubá, tais como o Reino de Oyó, que acabou vencendo os daomeanos. Economicamente, entretanto, Hwegbajá e seus sucessores lucraram principalmente com o tráfico de escravos e relações com os escravistas estabelecidos na costa. Como os reis do Daomé envolveram-se em guerras para expandir seu território, e começaram a utilizar rifles e outras armas de fogo compradas aos europeus em troca dos prisioneiros, que foram vendidos como escravos nas Américas.
No Brasil, chegaram principalmente os Minas (povos da Costa da Mina, de origem Mina e Popo), os Mahis (povos camponeses de origem Fon, Ewe e Gan), os Savalus (também de origem Fon, Ewe), povos de Aladá, Uidá e os próprios Adjas. Esses diferentes povos de diferentes línguas e costumes estabeleceram seu culto no Brasil, sob o nome de Nação Jeje, baseando-se no culto aos Voduns e formando várias ramificações, dentre as quais se destacam:
- Jeje Dahomey: é a forma de culto estabelecida pelos povos adjas, seu culto baseia-se principalmente na reverência aos Voduns Reais (dirigentes do Dahomey), Voduns da família de Hevioso (voduns do trovão, juntamente com os tòvoduns ou voduns aquáticos) e Voduns da família de Dan (serpentes). Os dirigentes do Dahomey tinham um conflito quanto ao culto de Sakpata, que tinha os títulos de Jòholú (“Rei das Joias”, aludindo ao fato de ser o dono das chagas) e Ayinon (“Dono da Terra”), títulos estes que o rei também possuia, o que levou ao culto de Sakpata ter sido banido da capital e não existir no Jeje Dahomey. Orixás/Voduns Nagôs, não são cultuados nesta ramificação. O terreiro que representa esta nação é o Terreiro do Pinho (Hunkpame Dahomey) situado em Maragojipe na Bahia. As línguas faladas são o adjagbé e o ewegbé.
- Jeje Mina: o Jeje Mina tem seu culto voltado à adoração real dos voduns de Abomey. Isso porque a fundadora deste culto (presente unicamente na Casa das Minas, pois nas demais casas de Tambor de Mina, o culto é Mina Jeje-Nagô, com influências yorubás) era a Rainha Nã Agontimé. “Adandozan também é retratado como incompetente – como comandante e guerreiro – e como um traidor da família real, pois teria vendido sua madrasta, a rainha Nã Agontimé, aos traficantes de escravos. Pesquisas realizadas por Pierre Verger sugerem que Nã Agontimé teria sido enviada como escrava a São Luis do Maranhão – onde foi renomeada como Maria Jesuína – e seria a fundadora da célebre Casa das Minas”. Pierre Verger ainda cita: “A Casa das Minas teria sido fundada pela rainha Nã Agontime, viúva do Rei Agonglô (1789-1797), vendida como escrava por Adondozã (1797-1818), que governou o Dahomey após o falecimento do pai e foi destronado pelo meio irmão, Ghezo, filho da rainha (1818-1858). Ghezo chegou a organizar uma embaixada às Américas para procurar a sua mãe, que não foi encontrada.” A Casa das Minas cultua os Voduns dirigentes e nobres do Dahomey, inclusive Zomadonu, que é chefe da Casa da Minas, juntamente com Nochê Naé, a ancestral mítica da família Real.
- Jeje Mahi: Os Povos Mahi eram camponeses, tinham seu culto voltado, principalmente a Dan Gbé Sén (Bessém, este termo significa “adorar a vida” e dangbésén significa “serpente que adora a vida”) e aos voduns de sua família, e também aos voduns da família de Hevioso ou Kaviono, e os voduns da família de Sakpata. Voduns reais e Eguns não são cultuados. Tem influências nagôs e em seu panteão adotou-se alguns Orixás, formando a família Nagô-Vodun, formada principalmente por Ogun ou Gú, Odé, Oyá, Òsún e Yemanjá. O culto trazido pela africana conhecida como Ludovina Pessoa, natural de Mahi, iniciada para o vodun nagô Ogun, que foi escolhida pelos voduns para fundar três templos na Bahia. Ela fundou o “Zoogodo Bogun Malé Hundo”, mais conhecido como “Terreiro do Bogun”, consagrado a Hevioso e o “Zoogodo Bogun Sejá Hundê”, mais conhecido como “Kwê Sejá Hundê”, consagrado a Bessém. O templo que seria consagrado a Azansú Sakpata não chegou a ser fundado. Dizem os antigos que o Ogun de Ludovina se chamava “Ogun Rainha” ou “Ogun da Rainha”, podendo supor que ela seria uma integrante da família real ou mesmo uma rainha do território Mahi. No Rio de Janeiro, o Kpo Dagbá é o grande representante desta nação, fundado pela africana da cidade de Aladá, Gaiaku Rosena, iniciada para o vodun Bessém.
- Jeje Modubi: O Jeje Modubi tinha como representante o “Bitedô” e a chamada “Roça de Cima”, ambos liderados por Tixareme e também por Ludovina Pessoa. O que difere o Modubi do Mahi, é que no Modubi o culto a eguns é muito presente e no Jeje Mahi isso é quizila.
- Jeje Savalu: Com forte influência yorubá em seu culto.
Os Voduns de Jeje Mahi
Em Jeje Mahi se cultuam Voduns, cujas origens e características se assemelham aos orixás Yorubás, e alguns tiveram origem de culto dos mesmos (um exemplo é Gú que tem origem de culto do orixá Ogum). Voduns que tiveram vida terrena e que possuem sepulturas – como os reais de Dahomey – e Eguns (akútùtós) não são cultuados em Jeji Mahi. A causa disto é que Gbesén (Bessém), o dono da Nação, ser um vodum estreitamente ligado à vida e à renovação.
Os voduns do Jeje Mahi seguem uma divisão por famílias ou panteões, cujos principais são:
- Panteão da Serpente (Dan): Neste panteão agrupam-se todos os “Voduns Serpentes”, estão ligados diretamente ao movimento, a vida, a renovação e a adivinhação. Alguns voduns Dan: Gbesén, Dangbala, Áidò Wèdò, Frekwen ou Kwenkwen, Dan Ikó, Dan Xwevé, Dan Akasú, Dan Jikún ou Ojikún, Azannadô ou Zoonodô (que está ligado também a Hevioso), Aziri ou Azli.
- Panteão do Trovão (Hevioso): Neta família agrupam-se os Voduns Kavionos, ligados ao fogo, à justiça, e ao raio, e também os voduns do oceano (Tòvodum) que mantêm estreitas ligações com os Voduns Kavionos. O Panteão é liderado pelo vodum Sogbo. Os Voduns Kavionos: Sògbò, Gbadé, Akarumbé, Adeen, Kposu, Averekete, Lissá, Agbé Tayó (vodun do aceano), Djó e Agbé Hunnòn (avejidá), Loko.
- Panteão da Terra (Sakpata): Neste panteão se agrupam os voduns da terra, das riquezas e das doenças, ligados a vida e a morte. Azansu é o lider do Panteão. Alguns voduns do Panteão: Azansú (Sakpata), Ewá, Parará ou Pararalibu, Avimadje, Agué, Ayizan, Nanã, Agbé Gèlèdè e Abè Afefè (Avejidá). Kposu está ligado a Sakpata, embora seja de Hevioso.
- Nagô-Vodum: Esses voduns são na verdade orixás, pois são de origem nagô. Os principais são: Gú (Ogum), Odé, Oyá, Oxun, e Yemanjá. No Bogun, pode-se encontrar o culto a Logun Edé.
- Guardiões: Responsáveis pela defesa e fiscalização da casa, como Sòhòkwe, Legba e mesmo Ogun. Legbá por suas diversas funções está ligado aos diversos panteões.
- Muitas famílias menores foram absorvidas pelas maiores, assim podemos notar que Avejidá foi dividida entre Sakpata e Hevioso.
- Azli Togbosi é a grande mãe das águas do Jeje Mahi e está ligada a todos os voduns, por ser considerada a mãe de muitos deles.
Quem amamos em primeiro lugar?
Posted in Candomblé on Junho 6, 2011| 8 Comments »
Quem amamos em primeiro lugar?
Temos como provar ou dimensionar o tamanho de um sentimento? Será a fé companheira desse sentimento tão profundo? Mas, se for abstrato, invisível esse amor? Como compará-lo por exemplo ao amor de um filho, de uma mãe ou pai, de um parente, amigo!
A convivência diária, o abraço, o beijo, a ternura, a dependência emocional, as preocupações, as concessões, a entrega, as apostas…enfim, todo o envolvimento familiar e cotidiano, serão mais fortes que o amor ao seu Orixá?
Existe os abraços de partida ou de chegada, existe a saudade doída de tanta demora, existe os egoísmos que vinculam certos poderes sentimentais, existem satisfações desejadas, o convívio rotineiro, os hábitos entre olhares da mãe com o filho ou do filho com o pai.
O amor enfeita esse ambiente em toda essa magia, na maioria das vezes. totalmente desapercebido, apenas co-existe.
Quando temos a dor da doença, da dependência, da fragilidade, da depressão, do pânico, o amor dos entes próximos saem da inércia que sobre vivem e se posicionam no caminho da esperança, do otimismo e principalmente da fé,e, exatamente aí na fé, encontramos um amor sublime, o amor da misericórdia, o amor sem peso, sem cobrança, gratuito, fiel, inconteste e imprescindível, o verdadeiro amor em sua expressão mais digna e pura, descobre-se que devemos amar antes de tudo e, em primeiro lugar, devemos amarmos nosso Orixá.
Nossa essência estabelece com o Orixá, um vínculo tão profundo, uma composição forte de energia, como se ele fosse uma hidro-elétrica gerando energia e nós a lâmpada a ser acesa.
Somente com sensibilidade e amando o nosso Orixá sempre em primeiro lugar, poderemos compreender a importância da emoção de saber amar com a razão os nossos pais, filhos, familiares, amigos e a Vida.
Texto: Fernando D’Osogiyan
CÓDIGO DE CONDUTA DE ỌRÚNMÌLÁ.
Posted in Candomblé on Junho 5, 2011| 14 Comments »
Sem exceção, todas as divindades também aceitaram a supremacia de Deus. No caso de Ọrúnm.lá, ele deixou na memória de todos seus apóstolos, discípulos, sacerdotes e seguidores que ele é apenas um servo de Deus, e no melhor conceito de Deus, este é o porquê ele é geralmente chamado Ajiboríşa Kpeero e Ukpin.
Ajiboríşa Kpeero significa a única divindade que acorda de manhã para ir saudar Deus na Reunião do destino, enquanto que Eleeri Ukpin significa a divindade que se sentou como testemunho do próprio Deus na corte do destino, quando o destino de todas as criaturas estava sendo designado.
Veremos mais tarde como Ọrúnm.lá foi nomeado testemunha de Deus quando Este começou seu trabalho criativo. Ògúnda-Meji nos revelará depois neste livro por que Deus ordenou a todas as divindades a retornarem para o Céu depois de fundarem a terra. Quando a terra estava em estado de desordem ele enviou Elenini para capturá-los todos e trazê-los de volta ao céu.
Eji-Ogbe, o mais velho missionário de Ọrúnm.lá, irá à seqüência revelar como ele retornou ao mundo sob o nome de Omoonighorogbo para ensinar ao povo do mundo como proceder em concordância com os desejos de Deus. Ele demonstrou pelos preceitos, exemplos e ações como viver e agir em concordância com as leis naturais e como viver em paz com Deus. Ele também demonstrou que a verdadeira felicidade vem apenas quando alguém devota um pouco do seu tempo de modo abnegado ao serviço dos outros. Ele também ilustra a virtude do amor ao próximo. Sem dizer que se alguém ama seu próximo, não poderá seduzir a sua esposa, matá-lo, alimentar rancor contra ele, roubar sua propriedade e enganá-lo.
Portanto como um filósofo prático, Ọrúnm.lá estima alguém que muito pode aumentar todo o amor por seu próprio vizinho, o lado bom muitas vezes está em ser recíproco. Entretanto, Ọrúnm.lá é extremamente contra retaliações e vinganças porque as divindades sempre ficarão ao lado dos justos.
A primeira obrigação de um homem com ele mesmo é preservar-se através da divinação e do sacrifício. Se uma pessoa forte está se envolvendo em alguma guerra aberta ou discreta contra alguém que carece de poder para combater estas forças invisíveis, Ọrúnm.lá adverte recorrer à divinação quando na dúvida e fizer algum sacrifício prescrito aos altos poderes. Uma fez feito o sacrifício, o receptador irá quase que imediatamente intervir nas maquinações do mal feitas pelos inimigos conhecidos e desconhecidas.
Ọrúnm.lá recomenda a seus seguidores a não se envolverem em preparados medicinais destrutivos, porque os mesmos podem conduzi-los a sua própria imolação. Contudo há alguns discípulos de Ọrúnm.lá cuja sobrevivência no mercado é a preparação de remédios, mas apenas com propósitos construtivos, de salvação e libertação.
Ọrúnm.lá é o melhor professor da eficácia da perseverança. Ele ensina que enquanto pode haver remédios que não sejam eficazes, não há paciência que fracasse em sobrepujar todas as dificuldades, porque as divindades irão ao final socorrer aqueles que perseveraram.
O SIGNIFICADO ESPECIAL DO BODE PARA ÈŞU.
Posted in Candomblé on Junho 1, 2011| 9 Comments »

Este Iton nos lembra que tudo que fazemos dentro de nosso culto tem um porque, nada pode ser tirado da cartola como um passe de mágica, portanto lembrem-se que qualquer ebò (oferenda) tem uma finalidade e ninguém pode em nome de Deus tentar ocupar o lugar de Deus e ditar normas. Da Ilha.
Foi à deslealdade do bode que o tornou vítima sacrificial para Èşu. Mais importante, todavia, o bode tornou-se a principal oferenda para ele por causa de um débito como Rei da Morte. Irosun- Irete revela como o filho de um Ọdu de Ọrúnm.lá chamado Imoton ou “sabe-tudo” aborreceu o Rei da Morte. Para testar o quanto de sabedoría ele realmente tinha, como seu nome indicava, o Rei da Morte deu-lhe um bode para criar para ele, ordenando-lhe que ele trouxesse, anualmente, os filhotes que ele gerasse. Enquanto isso Ọrúnm.lá tinha pensado em comprar uma cabra para viver com o bode. Èşu alertou-o que esta abordagem não seria aceitável pelo Rei da Morte. Èşu disse a Ọrúnm.lá que lhe desse o bode para comer e que ele saberia o que fazer quando chegasse à hora.
Quatro anos mais tarde, o Rei da Morte mandou uma mensagem ao filho de Ọrúnm.lá para que lhe trouxesse o bode e suas crias. Nesse momento, Èşu pediu que lhe comprasse outro bode que ele também matou e comeu, deixando um de seus membros e a cabeça. Ele usou a para marcar pegadas no chão, simulando o movimento de uma grande quantidade de bodes. Èşu também preparou cordas
supostamente usadas para amarrar uma quantidade grande de bodes. Èşu em seguida acompanhou Ọrúnm.lá para responder ao enigma do rei da Morte. Chegando lá, Èşu explicou que quando eles vinham vindos com as crias ao lado do bode, um grupo de bandidos armados os atacou, roubando o bode e seus filhotes. Para substanciar a história, Èşu mostrou ao Rei da Morte as cordas usadas para amarrar todos os bodes. Acrescentou que eles tinham matado o bode Original e por isso lhe tinham trazido a cabeça e a pata.
O Rei da Morte então se voltou para Èşu dizendo que ele teria de pagar pelo bode perpetuamente.
Èşu por sua vez, reuniu as duzentas divindades e disse-lhes que daquela data em diante, se elas quisessem paz e prosperidade deveria sempre lhe oferecer bodes para que ele resgatasse seu débito como Rei da Morte. Esse é o bode que todos nós pagamos a Èşu até hoje. Até onde este autor pode verificar, todas as divindades conhecidas recomendam a seus seguidores oferecer, periodicamente, sacrifício de bodes a Èşu.
Poema Sagrado de Ifá / Òrúmìlá.
Por Osamoro




