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Archive for Abril, 2011

Xenu(olá) povo do candomblé, que prazer fazer parte de um blog tão poderoso na divulgação da nossa querida religião. Estou  muito feliz e espero que possa ajudar a quem precisa. Vamos então a minha primeira postagem, espero que gostem…

 Tradição do Candomblé.

 No dia 09/02, fui convidado por meu amigo Nelson Tomeje, a falar sobre “Tradição e Cultura Bantu” no programa Orí na rádio Metropolitana do RJ.
No decorrer da entrevista, meu entrevistador Márcio de Jagum, me perguntou o que poderia ser feito para se manter a tradição de uma casa de Angola, eu respondi que era muito fácil, mas extremamente difícil, pois depende muito dos filhos ou descendentes desta tradição, manter e seguir os ensinamentos que lá existem.

Claro que existirão diferenças entre a casa matriz e as descendentes de lá, pois os filhos são pessoas que pensam diferentes, com Jinkisi (plural de Nkisi) diferentes e suas festas próprias, mas no grosso no geral, todas têm que se parecer ou ser iguais daquela que descendem.
Você tem que reconhecer uma casa tradicional, pelas suas cantigas, ritos e toques próprios. Mas, Infelizmente hoje em dia, existe uma busca incessante e às vezes bastante irresponsável por um resgate dissimulado, não um resgate de suas raízes e dentro de seu Ndanji (raiz, axé), mas sim por um resgate de uma cultura que não lhe pertence, que não é seu, um resgate da cultura alheia, das casas que não fazem parte de sua tradição.

E isso causa uma miscigenação e uma mistura que não deveria acontecer, a mistura de tradições de casas diferentes em uma só. Festas inapropriadas, cantigas, roupas, Jinkisi e tudo o mais que não pertence aquela casa.

Aprender é essencial, mas aprender com responsabilidade e passar aos seus, sua verdadeira tradição.Não estou aqui querendo dizer quem é certo ou quem é errado, e sim, dizer que o certo é você ser fiel seguidor das tradições de sua casa e não fazer da sua casa um “axé cadinho”… Cadinho daqui, Cadinho dali…Vamos nos ater as nossas tradições culturais de nosso axé, vamos usar tudo que temos em nosso poder, sem burlar as regras e normas da preservação de uma casa e seus costumes.

O Candomblé só depende de nós mesmos, de nossas consciências e de nossas responsabilidades, para se manter forte, grande e opulento.

Não vamos jogar fora a grande oportunidade que os Deuses nos deram de manter aqui, uma cultura de outro continente.  

Tata Euandilu.

Nzambi beka muvó! (Deus traga felicidade)

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A Nação Nagô no Rio Grande do Sul é uma das modalidades do Batuque, uma religião voltada ao culto dos Orixás. Bem, minha intenção com este comentário é mostrar que esta nação não foi extinta como muitos pensam e que ela não sofreu processo de aculturação, ao contrário do que ocorreu com outras nações. Uma das principais marcas desta nação é que o transe para ela não é um tabu como nas demais; os filhos sabem que foram pegos pelo Orixá. Muito parecida com o candomblé em muitos aspectos, dentre eles, a nomenclatura dos cargos e o seu panteão que é mais numeroso do que nas demais nações. Esta nação buscou preservar suas origens, sendo por isso, uma nação fechada. Não há aglutinação de divindades como ocorre nas outras nações onde Ibeji é qualidade de Oxun e Xangô, Nanã é qualidade de Iemanjá, Olokun e Orumilá são qualidades de Oxalá, na Nação Nagô estes Orixás mantém sua individualidade.

Uma referência a esta Nação é o Ilê Axé Oba Oluorogbo, casa de Nação Nagô de Pelotas-RS dirigida pelo Babalorixá Eurico de Oxalá. O Panteão desta casa é bem diferente do convencional observado em outras casas. Os Orixás cultuados no Ilê Axé Oba Oluorogbo são:

Exu, Ogum, Odé-Otin, Logunedé, Xangô, Obaluaiê, Oxumaré, Ossaim, Oyá, Oxum, Yemanjá, Nanã, Ewá, Obá, Ibeji, Onilé, Oxalá, Orunmila-Ifa, Olokun.

Também quanto aos cargos que em outras nações não existem, e no Nagô é usado:

-Babalorixá ou Yalorixá: A palavra iyá do yoruba significa mãe, babá significa pai. É o título sacerdotal.

-Iyakekerê (mulher): mãe pequena, segunda sacerdotisa.

-Babakekerê (homem): pai pequeno, segundo sacerdote.

-Egbomis: são pessoas que já cumpriram o período de sete anos da iniciação (significado: “meu irmão mais velho”).

-Elegùn: filho-de-santo que já entra em transe.

-Abiã ou abian: novato.

-Ogãs ou Ogans: cargos a confirmar

-Ekedi: camareira do Orixá (não entra em transe).

Esta Nação muito linda, mas infelizmente incompreendida por parte de zeladores das demais nações, é uma boa referência, aqui no Rio Grande do Sul, da conservação da Cultura Africana.

Nas cerimônias os Orixás chegam e dançam ao som das cantigas, as roupas são simples, não há paramenta, os filhos dançam apenas com roupas nas cores de seus Orixás.

O processo de iniciação nesta modalidade também é diferente do que nas demais nações e se aproxima muito da iniciação do Candomblé, com Obí e tudo mais.

“Cada orixá possui “qualidades” ou “caminhos” que irão expressar aspectos ligados a ele, a exemplo uma passagem enquanto jovem, uma passagem enquanto de mais idade, uma passagem de conquista, seja por um titulo honorifico, seja por um cargo (Rei de determinada região). Cada qualidade portanto, trará consigo informações de culto, tais como: Local de origem, cores, números, ferramentas e tipos de ofertas. Há também “qualidades” cuja origem são Orixás independentes aglutinados a categorias de Orixás “maiores”.” (Babá Eurico D’Oxalá)

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