Éèríndílógún, ou, òrìsà dídá, é o nome pelo qual o jogo de dezesseis búzios é conhecido na religião tradicional Yorùbá.
Dizer que o jogo de búzios é Ifá, é de fato um grande erro, Ifá se trata do òpèlè e do ikin, utilizados no culto de Òrúnmìlà.
O jogo de búzios é utilizado pelos sacerdotes de orixá, não de todos, mas, principalmente: Obatala, Osun (Oxum), Esu (Exu), Sango, Yemoja, entre alguns outros.
Existem algumas versões sobre a criação do jogo de búzios, duas conhecidas por mim:
Ifá e Oxum:
Orunmila era casado com Oxum e essa o acompanhava em todos os atendimentos, dessa forma Oxum aprendeu sobre alguns Odu e assim, criou um novo sistema de consulta, que utilizava os 16 odu que Ela, Oxum, dominava.
Outra versão:
Obatala
Obatala teria criado o sistema do jogo de dezesseis búzios, que contém os dezesseis odù Òòsà, sendo eles:
Okanran, eji oko, ogunda, irosun, ose, obara, odi, ogbe, osa, ofun, owonrin, ejilasebora, e outros quatro que variam de acordo com a região e o culto.
Esse sistema, Obatala teria passado para Oxum e essa teria passado para os outros irunmole.
O importante é compreender que, o jogo de dezesseis búzios não é exclusivo de Oxum e não é apenas a mesma que responde no oráculo e sim o irunmole para qual os búzios foram consagrados na iniciação. Diferente de Ikin e opele, que são sacralizados exclusivamente para Ifá (Orunmila).
É importante destacar que, o jogo de búzios é tão amplo e complexo quanto o sistema de Ifá, não se trata de um oráculo intuitivo, tampouco de um sistema de decorar palavras chaves, para manipula-lo, o sacerdote deve ter sido treinado e ter conhecimento dos ese de cada um dos 16 odu utilizados.
O jogo de búzios não é inferior ao Ifá, inclusive, se um sacerdote de orisa conhece mais histórias do jogo de búzios do que um sacerdote de Ifá conhece em Itàn odu, certamente o alcance do jogo de búzios será maior. Digo isto para combater a falsa propaganda de que um oráculo é superior ao outro, isso é mentira!
O que pode ser superior ao outro, é o conhecimento do sacerdote e isso é independente do oráculo e do culto.
Exemplo, se um Tarólogo tem um conhecimento profundo de tarot e um sacerdote de orisa tem um parco conhecimento do jogo de búzios, certamente a consulta de tarot será melhor e mais profunda.
É preciso ter atenção e tomar cuidado com a propaganda, diminuir um sistema para exaltar o outro, ignorando completamente a importância do conhecimento profundo, é algo muito perigoso.
Que Ifá e Obàtálá abençoe a vida de vocês leitores, ire o!
Texto: Bàbá Ònífá Ilésire Ṣówùnmí – Zarcel.
Centro Cultural Ilésire – A Casa da Boa Sorte





Boa tarde, tenho uma dúvida… Sou abian a 6 meses e no início, quando comecei a participar do candomblé foi posto o jogo de búzios pra mim, feito pelo pai de santo da casa a qual estou frequentando, sendo dito que meu ori seria de Oxalá, e na época eu sentia a energia muito forte dele. Porém a energia mudou e agora sinto Iansã muito forte e presente em minha vida. Ainda não joguei novamente pra ver se há mudança de orixa para o ori, mas não me enquadro nas características dos filhos de oxalá, porém de antemão na casa de axé que frequento há um filho de santo de Iansã e o zelador diz que na casa dele e de seu pai de santo (meu avô de santo) só pode um homem feito de uma Yabá. Isso procede? No caso de não proceder o que fazer, caso seja confirmado que meu ori seja de uma Yabá?
Maykko,
Todo abiyan a princípio é protegido por Oxalá dentro de uma Casa de candomblé, justamente porque está começando, se desenvolvendo, entrando e participando de uma rotina da Casa. Converse com seu zelador sobre suas sensações que você está sentindo, faça outro jogo, pode até não ser Iansã e sim uma outra situação. Quanto essa diretriz de que só pode ter um homem feito de uma iyabá, eu nunca tinha ouvido falar, deve ser do Axé de seu avô essa questão.
Axé.
Lindos ensinamentos Pai Fernando D”osogiyan. Muita Luz, Asé . Vlatima
Bom dia! Texto muito interessante e esclarecedor. Queria aproveitar o ensejo e tirar duas dúvidas, ambas oriundas do mesmo contexto. Certa vez fui a um sacerdote de orixá jogar búzios. Ele havia me dito que eu seria de um Oxalá “velho” e de Oyá Igbalé. Três anos depois, esse mesmo sacerdote ao jogar novamente os búzios definiu um outro Orixá de cabeça e uma Oxum da qual não me lembro a qualidade. Minhas perguntas são:
1) No segundo jogo, ele disse que eu era de um Orixá que não é muito cultuado no Brasil, apenas por algumas casas, chamado Oríòkè. Você conhece esse Orixá? Sabe me dizer algo sobre ele? Parece-me que ele tem relação com montanhas. Essa casa de candomblé é de keto, aparentemente mui tradicional, cuja fonte, segundo o sacerdote, não é a Bahia, mas alguns países do continente africano.
2) É possível essa mudança no Ori? Ora de um Orixá ora de outro? Já ouvi dizerem, na umbanda, que em determinados momentos de nossas vidas outros Orixás assumem, dada a necessidade das circunstâncias e, por isso, é que coisas assim acontecem. Não sei. Quero saber a visão do candomblé. É possível que nossa cabeça (Orixá) mude com o tempo? Sem considerar, é claro, a margem de erros rs.
Conrado,
Numa consulta aos búzios jamais podemos afirmar o Orixá de uma pessoa, podemos afirmar que naquele momento Orixá tal está respondendo e trazendo recados, etc, portanto, não se preocupe com isso, ser de “Oxalá”, porque ambos Oxalufan e OriOke são caminhos de uma mesma energia, sinceramente a mim me basta.
Axé.
QUANDO NASCEM GEMEOS, O SANTO É O MESMO PARA OS DOIS? MESMO QUE TENHAM NASCIDOS COM 5 MINUTOS DE DIFERENÇA UM DO OUTRO?
Ernande nunca!
Cada cabeça um destino, uma escolha e uma forma de negociar sua vinda a Terra.
Ire alaafia